Ler O Marido Malvado – Capítulo 34 Online
Originalmente, a boutique havia se oferecido para ir diretamente à casa de Eileen. No entanto, ela recusou veementemente. Só de pensar em experimentar um vestido de noiva na sala de estar de sua pequena e aconchegante casa de tijolos, cercada de pessoas, fazia se sentir que a casa explodiria de tão apertada.
Mas isso não significava que ela pudesse chamá-las à residência do Grão-Duque. Havia uma superstição de que dava azar o noivo ver a noiva no vestido antes da cerimônia. Para evitar qualquer possibilidade de Cesare a ver, a mansão do Grão-Duque foi rapidamente descartada.
‘Claro que Vossa Graça não se importaria com esse tipo de superstição.’
Mas Eileen se importava. Então, decidiu ir pessoalmente à boutique.
‘Fico imaginando como será o vestido.’
Uma excitação borbulhava no estômago de Eileen. Embora ela não tivesse participado da escolha, um vestido de noiva a esperava na boutique, pronto para os ajustes finais. Hoje, ele seria moldado ao seu corpo e receberia os toques personalizados. Um artigo de revista havia despertado sua curiosidade, alimentando sua expectativa para esse momento especial.
[… O Grão-Duque Erzet iniciou os preparativos do casamento com um cronograma impossível, somado ao anúncio repentino da cerimônia. Eles tinham apenas um mês.
(O que os homens pensam sobre casamentos, afinal! Qualquer um lendo este artigo nunca deve seguir a imprudência do Grão-Duque. Somente alguém com a aparência, riqueza e poder de Erzet poderia dar conta disso!)
Para tornar o impossível possível, as três melhores boutiques da capital uniram forças.
Essas boutiques rivais se juntaram para criar o vestido de noiva da futura Grã-Duquesa. Se essa colaboração resultará em uma obra-prima ou um desastre, ninguém sabe…]
Havia tantas notícias sobre ela e Cesare ultimamente que Eileen lia raramente os jornais. Mas quando comprou uma revista pela primeira vez em muito tempo, acabou lendo até o fim por causa daquele artigo.
Na verdade, ela comprou por causa de Ornella. Alguém tão proeminente quanto ela certamente teria todo tipo de notícia fútil publicada por aí.
Porém, não havia uma única menção a Ornella. A revista inteira estava ocupada demais falando sobre o casamento do Grão-Duque.
Após terminar de ler, Eileen só descobriu mais fofocas sobre si mesma. Parecia que teria de descobrir sobre Ornella por outros meios.
— Senhorita! —
Sob a laranjeira, Diego acenou animadamente, usando seu uniforme com um humor incrivelmente alegre.
Era uma rara oportunidade de ver Eileen com seu vestido de noiva antes da cerimônia, e todos queriam acompanhá-la. Até mesmo Senon se ofereceu, dizendo que ficaria acordado a noite inteira, se necessário, só para ser sua escolta.
No final, quatro cavaleiros se reuniram e sortearam, com Diego sendo o escolhido.
— Podemos ir agora?
Ele fechou a porta do veículo militar e começou a dirigir, cantarolando uma melodia. Decidiu ir sem motorista para que Eileen pudesse conversar à vontade.
Graças a isso, Eileen aproveitou para perguntar a Diego algumas coisas que a estavam intrigando no caminho até a boutique. Ela tocou no assunto do dote, algo que a preocupava há dias.
— Sr Diego.
— Sim, minha senhorita.
— Falei com Vossa Graça sobre o dote.
Eileen mal começou a falar, Diego caiu na gargalhada.
— Hahahahah, me desculpe. É que, ai, meu Deus, não consigo evitar — ele riu, tentando se conter. Foi tanto que os olhos lacrimejaram, até conseguir falar de novo.
— Nunca imaginei que você se preocuparia com isso. Esse casamento foi praticamente imposto a você. É claro que Vossa Graça assumirá a responsabilidade — disse, contendo mais risos, cerrando os dentes.
— Pensando bem, Vossa Graça cometeu um erro. Devia ter discutido o dote antes para tranquilizá-la. Mas, senhorita, é tão adorável que você tenha pensado nisso, — continuou, limpando a garganta tentando parecer mais sério.
Porém, Eileen estava tão acostumada a ser tratada como uma criança que apenas respondeu que o dote já não era mais uma preocupação e mudou de assunto. Queria perguntar sobre Cesare, mas chegaram à boutique rápido demais, adiando a questão.
A boutique ficava na Rua Venue. Quando Diego, em seu uniforme, e Eileen desceram do veículo militar, chamaram a atenção de todos que passavam. Eileen encolheu instintivamente os ombros, mas Diego, acostumado a ser o centro das atenções, não se abalou.
‘Ouvi dizer que soldados ficaram bastante populares na capital ultimamente’, pensou Eileen, lembrando-se do que lera na revista. Escondeu-se atrás de Diego, olhando para o chão enquanto o seguia. Só quando entraram na boutique ela levantou a cabeça.
O ar lá dentro era um tanto abafado. Manequins vestidos com trajes extravagantes estavam espalhados, posicionados para que cada vestido pudesse ser admirado.
Mais adentro, encontraram três mulheres com trajes extremamente distintos, envolvidas numa discussão acalorada enquanto seguravam uma grande prancheta coberta de amostras de tecido. Os funcionários ao redor tentavam, nervosamente, acalmá-las.
Eileen estranhou que ninguém tivesse vindo recebê-los, mas parecia que as mulheres estavam tão envolvidas na conversa que nem ouviram o sino da porta. Um funcionário mais corajoso tentou intervir.
— A senhorita Elrod deve chegar a qualquer momento… Poderiam, por favor, parar a discussão e…
— Parece que estamos apenas discutindo? — disparou a mulher vestida com cores primárias em voz estridente. A outra respondeu na hora.
— Não, mas ao menos finja civilidade. Pare de agir com tanta grosseria.
A mulher de tons sóbrios rebateu, e ao lado dela riu com sarcasmo.
— Civilidade? Ciiiviiilidade?
A mulher com o vestido de padrão adamascado repetiu ironicamente as palavras da anterior.
Eileen percebeu que eram as donas das boutiques que se uniram para criar seu vestido de noiva. Apesar da suposta colaboração, parecia que iam sair no tapa a qualquer momento.
Diego interveio com uma voz firme:
— Ninguém aqui está trabalhando?
Seu tom rude atraiu a atenção de todos. As mulheres, ao verem Diego, sorriram amplamente. A de vestido ornamentado juntou as mãos e exclamou:
— Oh, minha nossa! A futura Grã-Duquesa Erzet chegou…
Eileen espiou por trás de Diego, e a expressão antes radiante da mulher foi gradualmente endurecendo. Ela olhou para Eileen, incrédula, e terminou a frase com um tom sombrio:
— … Você chegou.
O silêncio caiu como uma cortina, abafando o caos anterior. Momentos atrás, as três estilistas estavam envolvidas em uma discussão feroz, suas vozes afiadas como tesouras. Agora, reinava um silêncio atônito, interrompido apenas pelo piscar nervoso dos cílios enquanto olhavam para Eileen.
Nenhuma palavra foi necessária. O desespero era uma linguagem universal pintada em seus rostos. Até mesmo Eileen, geralmente alheia a nuances sociais, sentiu um arrepio desconfortável. Insegura, levou a mão ao rosto, instintivamente.
As estilistas começaram a cochichar num ritmo frenético, suas vozes quase inaudíveis. Muitos gestos de mãos acompanhavam a conversa.
— A franja, primeiro, — sussurrou uma, olhando para a testa de Eileen. — E os óculos, com certeza os óculos.
— Concordo. No pior dos casos, podemos disfarçar com um véu — disse outra, com a voz tensa.
O peso da conversa recaiu sobre os ombros de Eileen como um fardo, e ela sentiu uma pontada de culpa. Baixou a cabeça, murmurando:
‘Se eu fosse a Ornella…’
Esse pensamento, uma sombra constante em sua mente, foi rapidamente banido com um leve sacudir de cabeça. Eileen começou a perceber que as comparações estavam se tornando um hábito autodestrutivo. Com sorrisos ensaiados, as estilistas suavizaram as expressões preocupadas e deslizaram até Eileen, recuperando a postura profissional.
— Senhorita Elrod, obrigada por vir. É uma grande honra criar o vestido de noiva da Grã-Duquesa — disse uma delas respeitosamente.
— Poderia vir por aqui, por favor? Vamos mostrar o vestido. Mas antes, achamos que talvez poderíamos, só um pouquinho…
— Que tal aparar um pouco a franja?
— Deixem como está.
Interveio Diego com firmeza. Ele olhou para as mulheres com uma expressão impassível. Apesar da presença imponente do soldado corpulento, as donas da boutique não se intimidaram facilmente.
— O próprio Grão-Duque exigiu o vestido de noiva mais perfeito — resmungou uma delas, indignada — Como alcançar isso se não podemos sequer tocar em um fio de cabelo?
— Certamente, um pouco de estilo é necessário para complementar o vestido — argumentou outra, com um tom levemente condescendente.
A risada curta de Diego gelou o ambiente. Era um som vazio de humor, uma ameaça disfarçada.
— Limitem-se ao seu trabalho.
O rosto das mulheres ficou vermelho como brasa, os sorrisos ensaiados substituídos por olhares duros. Eileen, sempre a pacificadora, deu um passo à frente, sua voz tremendo levemente.
— Sr. Diego, por favor.
Implorou. Respirando fundo, tirou os óculos e os colocou de lado. Uma funcionária atenta, percebendo a tensão crescente, rapidamente lhe ofereceu um grampo. Com a mão trêmula, Eileen prendeu a franja, os olhos se movendo nervosamente entre as estilistas furiosas e a expressão impassível de Diego.
— E-está tudo bem assim?
Disse com uma vozinha tímida, sua pergunta carregada de insegurança.
Continua….
Tradução Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️