Ler O Marido Malvado – Capítulo 33 Online
Suspirando profundamente, Ornella afundou no sofá, balançando o pé nervosamente. Imediatamente, uma criada se aproximou apressada, levantando a barra do vestido e retirando seus sapatos.
Cuidadosamente, começou a massagear firmemente o pé de Ornella, ainda envolto em meias de seda.
Ao estender a mão, outra criada se aproximou, retirou suas luvas e lhe entregou um cigarro já aceso, preparado com antecedência.
Ornella tragou profundamente, fazendo suas bochechas se afundarem. Recostando-se no sofá, ela soltou a fumaça com um longo suspiro, deixando-a se dispersar lentamente.
Normalmente, Ornella preferia charutos grossos. No entanto, fumar algo tão robusto era considerado comportamento pouco feminino. Por isso, limitava-se a cigarros finos em público. Quando a delicada Ornella exalava fumaça com elegância, os homens elogiavam seu charme único, ficando encantados. Até ela mesma achava a cena sedutora.
Mas, como dama nobre da família, o hábito excessivo era mal visto. Por isso, fazia apenas quando queria provocar alguém. Ao saber que Cesare havia chegado, Ornella viu nisso uma boa oportunidade e correu ao seu encontro.
— Hah! — bufou, recordando-se da humilhação. Aquilo simplesmente não fazia sentido.
Há muito tempo, Ornella sabia da existência de Eileen Elrod. A filha da ama que criou Cesare. Eileen, que era adorada por sua doçura quando criança, acompanhava Cesare no palácio.
A mãe biológica do Grão-Duque era originalmente uma criada do palácio. Passou uma noite com o Imperador, mas não recebeu nenhum favor depois. No entanto, por um golpe de sorte, naquela única vez, engravidou, dando à luz aos gêmeos.
Apesar de sua admiração por Leone, os traços marcantes de Cesare, cabelo preto e olhos flamejantes, que alguns achavam perturbadores, exerciam um magnetismo sobre ela. Não era mera atração física, mas um fascínio oculto que fervilhava sob a superfície. No entanto, esse encanto nunca foi correspondido. Na verdade, o homem desprezava Ornella profundamente.
Sua mãe biológica nunca o amamentou, então não era exagero dizer que Cesare foi criado pela ama. Talvez por isso seu interesse atual pela filha da babá não fosse tão surpreendente. Afinal, linhagem era algo primordial.
Mas elevar uma companheira de infância, criada com afeto, à posição de Grã-Duquesa?
Ornella não conseguia entender as intenções daquele homem. Na verdade, ela nem queria compreender.
Um grito estérico abafado escapou dos lábios da mulher, quebrando a serenidade do ambiente. As empregadas continuaram a limpeza, indiferentes ao seu surto. Desde o desfile, ela já pressentia que algo estava errado. Quanta alegria sentiu ao ouvir que Cesare segurava um lírio!
Ornella era o Lírio de Traon.
Receber um entre tantas flores só poderia significar um presente para ela. Esperando com Leone por Cesare em frente ao palácio, estava eufórica. Mas o homem chegou de mãos vazias.
Embora soubesse que ele segurava um lírio, não conseguia entender o motivo de não o ter mais. Talvez o tivesse dado a uma criança durante o desfile. Ela ignorou o assunto. Mais tarde, ao descobrir a verdade, Ornella destruiu tudo em seu quarto naquele dia.
[De repente, o Grão-Duque, que se desviou do trajeto, aproximou-se de uma mulher. Entregou o lírio que carregava. Todos que assistiam ao desfile invejavam a sorte dela. Mas não foi apenas isso que surpreendeu. O Grão-Duque tocou levemente o rosto da moça. Seu olhar era repleto de ternura. Aqueles que conheciam sua frieza, ficaram estupefatos.
O olhar afetuoso que nem as mais belas damas da corte conseguiram obter…]
O artigo da revista enfureceu Ornella. Saber que o lírio, um símbolo de afeto, fora dado à filha de uma simples babá despertou uma fúria ardente nela. Era inconcebível que o homem se interessasse por uma mulher tão insignificante logo após rejeitá-la.
Ela se agarrava a um fio de esperança até que a notícia do casamento a destruiu por completo.
O anúncio do matrimônio do Grão-Duque Erzet se espalhou pelo Império, e os sussurros sobre a noiva, essa tal “Eileen Elrod”, circulavam intensamente. A revelação, em vez de acender ainda mais sua fúria, trouxe uma estranha sensação de calma.
Subitamente, Ornella sentiu-se compelida a saber mais sobre Eileen Elrod. As informações que obteve eram absolutamente ridículas.
A ideia de que soldados endurecidos pela guerra fossem cativados por uma simples camponesa era aceitável.
Apesar da descrença inicial, ao ver Eileen pessoalmente naquele dia, ficou sem palavras.
A mulher, com sua franja pesada e óculos grandes, nem sequer despertava o tipo de diversão que Ornella esperava.
O mundo parecia ter enlouquecido, e Ornella sentia um estranho senso de dever em restaurar a razão.
Por anos, Ornella cultivou sua imagem como o “Lírio de Traon”, construindo meticulosamente sua reputação como a rainha da sociedade. Era um papel conquistado com muito esforço e manobras estratégicas nos bastidores. Agora, diante de um novo desafio, ela se preparou, determinada a aplicar a mesma determinação implacável.
Após passar os dedos pelos cabelos mais uma vez, Ornella tragou profundamente o cigarro.
Saboreando a fumaça como se estivesse chupando o pau de um homem, imaginou Cesare, seu corpo forte e o membro viril evidente entre suas pernas.
Depois de lamber o cigarro deu ordens às criadas:
— Preciso desabafar. Mandem alguém.
As criadas se retiraram rapidamente do aposento. Pouco depois, um homem entrou e ajoelhou-se diante de Ornella. Ela estreitou os olhos e observou-o atentamente.
Comparado a Cesare, o homem era medíocre. Seu cabelo preto puxava para o castanho, e seus olhos eram comuns. Mas, para um encontro breve, ele não era desagradável.
Ornella abriu as pernas em sua direção.
— Venha aqui.
O homem, obediente, enfiou a cabeça sob a saia dela.
Suas mãos grandes roçaram suas panturrilhas, agarrando suavemente suas coxas. Em seguida, seus lábios tocaram sua vagina.
— Mmm, ah…
Ornella soltou um gemido de prazer, abrindo ainda mais as pernas. Os sons ecoavam suavemente no quarto silencioso.
Enquanto o homem a satisfazia diligentemente, ela fumava tranquilamente, acariciando os cabelos dele.
Eileen se aproximou da estante de livros, sua madeira desgastada sussurrando histórias do passado. Era uma fortaleza de memórias, repleta de diários que narram sua vida desde a infância até o presente. Hoje, suas páginas guardavam trechos de conversas e observações sobre a cidade, as danças diárias e o clima. Mas, na juventude, costumava preenchê-las com desenhos, cobrindo por completo o papel.
Eileen puxou um dos diários. Folheando as páginas, encontrou o desenho de um anel. Um sorriso surgiu em seus lábios ao examinar cuidadosamente o desenho.
Era um anel que aos onze anos imaginou usar, quando se casasse com Cesare.
Naquela época, Eileen havia decidido que queria ser a esposa do Príncipe Herdeiro. Desde o primeiro encontro, Cesare a cativou. Não era apenas uma fantasia infantil, um ano de observação silenciosa solidificou seus sentimentos. Ainda assim, apesar de sua ingenuidade, o instinto a fez manter aquilo em segredo, especialmente da mãe, como se o revelar fosse destruir um sonho frágil.
Então, no dia em que entrou no palácio, Eileen fez uma confissão secreta a Cesare:
“Príncipe Herdeiro! Príncipe Herdeiro!” — chamou, sem conhecer a etiqueta adequada, aproximando-se, sussurrou.
“Eu quero me casar com você…!”
A pequena Eileen provavelmente ouviu isso em algum lugar antes. Com sua confissão, também lhe deu flores como parte da proposta. Já que não tinha dinheiro para comprar, colheu margaridas à beira da estrada não parecia tão ruim, também desdenhou um lírio entregando junto.
Ao ouvir sua ousada declaração, Cesare soltou uma gargalhada suavemente. Pegou Eileen no colo e respondeu, com carinho:
“Só quando você crescer um pouco mais, Eileen.”
Acreditando que Cesare a estimava e gostando dele, ela esperava naturalmente uma resposta positiva à sua proposta. Mas ficou surpresa com as palavras inesperadas.
“Quanto…?” — perguntou, com olhos curiosos.
O homem, que descansava o queixo na cabeça de Eileen, hesitou por um momento antes de apontar para um arbusto no jardim.
“Da altura daquele arbusto.”
Eileen franziu a testa ao examinar o arbusto indicado por Cesare. Era muito mais alto do que sua pequena estatura. Ainda assim, não podia ignorar as palavras do garoto que um dia seria seu marido.
Respirando profundamente, Eileen se aproximou do arbusto e inspecionou-o cuidadosamente. Ao contrário de suas versões silvestres, essa espécie cultivada não alcançaria os quinze metros habituais, mas ainda era visivelmente mais alta que ela. Um traço de decepção cruzou seu rosto enquanto murmurava:
“O casamento vai demorar um pouco…”
Muitos se casavam antes dos dezoito anos, então ela secretamente esperava fazê-lo na primavera seguinte. A pequena Eileen, que sonhara em ser uma noiva da primavera, ficou profundamente desapontada.
Ainda assim, como havia recebido uma promessa de casamento, considerava aquilo meio caminho andado e registrou todos os planos no diário.
O desenho do lírio que havia presenteado a Cesare foi colocado em um vaso por ele.
A flor de papel permaneceu ali por muito tempo, até desgastar com o tempo.
— Ele é mesmo uma pessoa muito gentil…
Perdida em memórias, Eileen murmurou ao passar os dedos sobre o desenho do anel. Ela desenhou depois de pesquisar em revistas e livros, mas ainda parecia bastante realista.
Eileen folheou mais algumas páginas do diário antes de guardá-lo na estante. Um suspiro pesado escapou. Desde que voltou da corte imperial, seu coração estava constantemente inquieto.
Leone disse que Cesare havia mudado.
Começou a entender o significado por trás de suas palavras.
Quando Cesare falou do relógio como o bem precioso, que pertenceu a um prisioneiro executado, o homem parecia instável. Seus olhos, que sempre demonstraram maturidade e compostura, agora carregavam um desespero silencioso, como se estivesse à beira do abismo.
A sensação de estranhamento desde que o viu retornar da guerra permanecia… Incapaz de compreender suas ações e palavras sem sentido…
Ao relembrar cada detalhe, não conseguia escapar da sensação de que algo grande estava acontecendo. Mas qual seria a causa?
Até os cavaleiros que lutaram ao lado do homem, assim como o Imperador, seu irmão e única autoridade acima dele, não sabiam o motivo.
‘Mas como eu poderia saber?’
Leone, que lhe pediu explicações, parecia estranhamente… diferente. Ele superestimava Eileen.
‘Seria bom se Vossa Graça me dissesse o que o aflige…’
Ela queria ser alguém em quem ele pudesse confiar, mas era uma tarefa verdadeiramente difícil. Esfregando as unhas, soltou outro suspiro profundo e começou a se arrumar para sair.
Hoje era o grande dia. Eileen faria finalmente o ajuste de seu vestido de noiva com Diego e os estilistas.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️