Ler O Marido Malvado – Capítulo 32 Online

Modo Claro

No casaco do fraque, o perfume de Cesare ainda permanecia — a mesma fragrância que Eileen havia sentido mais cedo na Sala do Trono do Imperador. O incômodo causado pelo cheiro de tabaco desapareceu, substituído por uma sensação reconfortante em seu nariz.

Eileen ajustou cautelosamente a barra, cuja textura era macia e quente em suas mãos, provavelmente devido ao calor residual de Cesare.  

Não satisfeito em ver como Eileen estava, Cesare ajeitou mais uma vez, envolvendo-a gentilmente. Em seguida, tocando o nariz da garota com o dedo, perguntou:

— E o jardim?

— Ainda não…

— Por que não?

Cesare olhou para o lacaio que acompanhava Eileen. O servo escondeu o lenço que embrulhava a bituca do cigarro e informou:  

— O atraso foi porque as duas estavam conversando.

Seu tom era rígido e formal, como se estivesse se dirigindo a um soldado. Admiração e respeito brilhavam em seus olhos, como se falar com Cesare fosse uma honra.  

Geralmente, criadas e servos eram divididos em várias hierarquias, com assistentes frequentemente ocupados por nobres de alto escalão. Aqueles que supervisionavam tais tarefas normalmente eram nobres de posição média ou inferior.  

Cesare era conhecido por recrutar talentos independentemente de sua origem social. Seus cavaleiros mais próximos eram de origem humilde, tendo conquistado o título de cavalaria e ascendido à nobreza.

As pessoas o admiravam, respeitavam e até nutriam expectativas. Talvez tivessem esperanças de que também pudessem chamar sua atenção e ascender socialmente.

Cesare lançou um breve olhar ao lacaio, cujos olhos brilhavam com admiração, e deu uma risada suave.

— Conversando, hein…

Quando os olhos de pupilas carmesim se estreitaram, ele baixou imediatamente o olhar. Não ousava encarar Cesare.  

Sem intenção de pressionar ainda mais o fraco, Cesare apenas ordenou brevemente:

— Acompanhe a senhorita Farbellini para fora — instruiu com expressão indiferente. — Parece que ela se perdeu.

Todos ali sabiam que era uma afirmação absurda, mas ninguém ousava contestar as palavras do Grão-Duque. Ornella, a noiva do Imperador, ainda era apenas a senhorita Farbellini.

Ornella não demonstrou raiva ou ressentimento. Em vez disso, apenas mordeu os lábios em silêncio, seus cílios tremendo levemente, como se estivesse segurando as lágrimas.  

— Vossa Graça, Duque Erzet — Ornella dirigiu-se a Cesare, segurando o lenço com força, a voz trêmula. — Estou aliviada por vê-lo com saúde. Durante sua campanha, rezei por você todos os dias, sem falhar. — Ela forçou um sorriso fraco. — Como retornou em segurança, parece que os deuses ouviram minhas preces. Vou me retirar agora.

Ela fez uma reverência elegante e se dirigiu ao lacaio com voz suave:

— Posso pedir sua orientação?

  

Parecia tão frágil quanto um lírio murchando. O servo, esquecendo momentaneamente seu desconforto anterior, respondeu com um olhar cheio de compaixão:

— Claro, senhorita Farbellini.

Assim que Ornella partiu com o lacaio, apenas Eileen e Cesare permaneceram no salão.  

Eileen olhou para o homem suavemente, e seus olhares se encontraram. Ele retribuiu com um sorriso leve e perguntou:  

— Vamos ver as plantas?

Mas Eileen sussurrou, com voz fraca:

— Me desculpe…

Ela sempre parecia estar se desculpando com ele. Se ao menos pudesse ser mais confiante. Desde que encontrou Ornella, toda sua autoconfiança se esvaiu como se pudesse desaparecer no chão a qualquer momento.

Diante da falta de entusiasmo ao convite, Cesare entendeu imediatamente a razão.

  

— Você deve ter ouvido palavras desnecessárias da senhorita Farbellini.

Mas não eram palavras vazias. Graças a Ornella, ela percebeu uma realidade que antes ignorava. Na verdade, devia-lhe agradecimento.  

— Vossa Graça… — Eileen hesitou antes de fazer um pedido. — Poderia abrir a porta do laboratório para mim?

Só de pensar no dote, já se sentia sobrecarregada. A situação era diferente da época em que quase se casou com um nobre estrangeiro. Naquele tempo, era um homem tentando desesperadamente encontrar uma noiva e pagando para consegui-la.

Agora, ela estava prestes a ser esposa do homem mais cobiçado do Império. Casar com Cesare, que não tinha defeitos, significava que não podia simplesmente ficar de braços cruzados. Precisava demonstrar algum esforço.

Por enquanto, planejava vender os remédios do laboratório e algumas ferramentas valiosas para juntar dinheiro.  

Embora percebesse que poderia ter tido mais flexibilidade se não tivesse comprado o relógio de platina, era um presente que realmente desejava dar, então decidiu não se arrepender.  

‘Tenho certeza que ele entenderá se for um pouco modesto.’

O casamento foi decidido abruptamente, com forte insistência do homem, então Eileen esperava que fosse compreensivo caso não conseguisse entregar tudo.

Mas o problema era como passar o dote. Normalmente, era o pai da noiva que o entregava ao pai do noivo. No caso de Eileen e Cesare, seria o Barão Elrod quem teria de ir diretamente ao Duque Erzet.

‘Mas será que posso confiar no meu pai?’

Havia a possibilidade de ele mexer no dote que ela mal conseguiria juntar. Mesmo que não pudesse roubar tudo, por medo de Cesare, ainda poderia desviar uma parte. Ela nem sabia se o valor, já pequeno, permaneceria intacto.

Quanto mais pensava, mais assustador parecia, especialmente com o casamento se aproximando rapidamente.  

‘Não teria essas preocupações se fosse a Senhorita Ornella.’

Invejava a estrutura familiar sólida de Ornella. Eileen tentou não se deixar dominar e esperou, ansiosamente, a resposta de Cesare.

Por algum motivo, o homem não respondeu imediatamente. Eileen olhou nervosamente para seus lábios até que ele finalmente falou:

— Eu planejava abrir depois que nos casássemos.

— Ah… é que estou com pressa…

— Por que a pressa?

— Porque há clientes esperando. Alguns estão doentes.

Na verdade, quase não havia casos urgentes entre seus clientes habituais. Ela já preparara remédios para dor de cabeça para o Sr. Luck, o vendedor de relógios, cujo estoque acabara.  

Mas, com a urgência repentina, as desculpas saíam facilmente.  

— Os remédios que faço são muito eficazes. Algumas pessoas só querem os meus. Dizem que os outros não fazem efeito. Ah, não estou me gabando, só repito o que ouvi dos clientes.  

Apesar de seu esforço sincero para se justificar, Cesare a ouviu em silêncio, com pouca reação. Sem ter mais o que dizer, Eileen olhou para ele com olhos suplicantes.

— Ainda é muito complicado?

Suas mãos se uniram automaticamente em um gesto respeitoso enquanto falava. Cesare a observou por um momento, então franziu levemente a testa.

— Tire seus óculos.

Sem entender o motivo, ela obedeceu prontamente e lhe entregou os óculos. Então, inesperadamente, ele afastou a franja dela.

— Ah!

Seus olhos se encontraram sem barreiras. A figura de Cesare preencheu seu campo de visão nitidamente. Eileen prendeu a respiração.

  

Ele tocou sua bochecha com a mão enluvada. Ao sentir o toque, um leve arrepio percorreu seu corpo, um formigamento subiu por sua espinha.

Desde pequena, Cesare costumava acariciar seus cabelos ou tocar suas bochechas com carinho, como se cuidasse de uma criança fofa.

Mas agora era diferente. Talvez porque ela soubesse o que mais aquelas mãos poderiam fazer, como poderiam torturá-la com intensidade nos lugares mais íntimos…  

Uma memória surgiu — uma breve lembrança daquela noite. Os lábios de Eileen se separaram inconscientemente, um leve tom rosado surgindo. Cesare aproveitou o momento, pousando um beijo suave.

Explorou seu palato com a língua, lentamente, arrancando um gemidinho dela. Sua cintura curvou-se instintivamente quando a puxou com mais força. O homem a provocou com toques brincalhões, mapeando cada canto sensível de sua boca antes de se afastar lentamente, de forma deliberada.

Eileen o encarou, ofegante. Confusão e um desejo nascente lutavam em seu olhar. Não conseguia compreender a mudança repentina, o rumo inesperado que aquele momento havia tomado.

— P-por quê…

— Porque você não é boa em cantar? — ele sussurrou, passando a língua nos próprios lábios enquanto Eileen gaguejava.

— Mas é excelente em falar bobagens, Eileen.

A voz sussurrada suavemente era encantadora, provocando arrepios que percorriam todo o corpo de Eileen. Ela sentiu um formigamento no estômago. Não entendia a conexão entre cantar e beijar, mas, corando, respondeu com sinceridade à pergunta:

— Eu sou desafinada…

Em resposta, Cesare riu baixinho e beijou suavemente sua testa.

— Vamos dar um passeio no jardim? Não haverá muitos visitantes por aqui.

Visitar o Palácio Imperial, onde residia o Imperador, era algo raro. E, mesmo quando acontecia, dificilmente havia tempo para caminhar tranquilamente pelos jardins. Eileen aceitou a sugestão de Cesare.

Seu rosto permanecia descoberto. Cesare havia pedido diretamente que ela ficasse assim, já que dificilmente alguém passaria por ali naquele horário. Disse que queria conversar olhando em seus olhos.

Apesar de achar incômodo o olhar intenso do homem, Eileen decidiu mostrar o rosto por um tempo, por consideração a Cesare, que sempre lhe falava com doçura.

‘Se ele demonstrar o menor sinal de descontentamento, posso cobrir imediatamente.’  

Ela pegou rapidamente os óculos, pronta para colocá-los se necessário, caminhou ao lado dele pelo corredor. Enquanto se dirigiam ao jardim, Eileen hesitou por um momento, então abriu os lábios:

— Bem… hum… para ser sincera…

Se ela não conseguisse abrir a porta trancada do laboratório, não teria como providenciar o dote. Não queria vender a casa de tijolos, se pudesse evitar — era um legado de sua mãe e ela também queria proteger as laranjeiras no jardim.

Portanto, não tinha escolha a não ser revelar honestamente seu dilema. Sentindo vontade de se esconder em um buraco, Eileen confessou sua situação.  

— Eu preciso abrir o laboratório para conseguir o dote.

No momento em que Cesare parou de andar, Eileen, que seguia distraída à frente, deu mais alguns passos antes de voltar para ele.

Cesare passou a mão grande pelo rosto, que era comparativamente pequeno, parecia estar completamente escondido por ela.

Após um momento, ele respirou fundo, suspirou e abaixou a mão.

Eileen, que o observava, ficou confusa. O rosto do homem ainda exibia um sorriso que ela não conseguiu decifrar. Com o mesmo sorriso, Cesare perguntou:

— Quem foi que disse essas bobagens para você? Foi a senhorita Farbellini?

Não havia como negar. Eileen hesitou e respondeu: 

— Eu tinha esquecido, e ela me lembrou. Então estou começando a me preparar a partir de hoje.

Cesare reagiu como se achasse a história engraçada:

— Quanto você está planejando trazer?

Ela até tinha um valor em mente, mas ao dizê-lo em voz alta, diante de Cesare, pareceu muito modesto. Eileen respondeu vagamente:

— Hum… o máximo que eu conseguir…

— Você está planejando vender ópio, por acaso?

— Não! Claro que não! Definitivamente não é isso. É que há algumas ferramentas de pesquisa que são valiosas, então pensei em organizá-las…

Eileen respondeu em pânico, observando a reação do homem. Não entendia o motivo das risadas constantes de Cesare. Ele riu baixinho e disse algo que ela não compreendeu:

— Eu já recebi o dote.

Ela não fazia ideia do que ele estava falando. Por um instante, pensou se seu pai teria adiantado o pagamento, mas isso parecia improvável. Seria mais fácil acreditar que algum gato-fada de passagem tivesse deixado o dote.

— Desculpe, Vossa Graça… Posso saber quem lhe deu o dote?

Quando ela perguntou com cautela, Cesare estendeu a mão de repente. Assustada, Eileen recuou, achando que ele a tocaria no peito, mas o homem apenas enfiou a mão no bolso do casaco. Com um sorriso divertido, mostrou a ela um relógio de bolso prateado.

— A senhorita Elrod.

— Vossa Graça…

  

Eileen o chamou suavemente. Apenas um relógio de bolso de platina como dote para o pedido de casamento do Grão-Duque Erzet. Ele parecia ter aceitado por pena, mas, ainda assim, não era nada.

— Mas, Vossa Graça, isso é…

— Devo mudar meu nome para “Vossa Graça”?

— Ce-Cesare.

Ela pronunciou seu nome com alguma dificuldade. Dizer nomes à luz do dia parecia embaraçoso por algum motivo. Eileen afastou os pensamentos estranhos e continuou:

— É muito pouco para ser considerado um dote.

Cesare não respondeu. O sol se escondeu atrás das nuvens, escurecendo o ambiente. Na sombra do meio-dia, o homem exibia um sorriso enigmático. Ao ver seu belo sorriso, Eileen lembrou da primeira vez que percebeu o perigo que ele representava. 

— Eileen.

Ele falou com doçura:

— Antes… eu tinha o mesmo relógio. Era uma lembrança de um condenado à morte.

Só de pensar que Cesare teve um relógio de bolso listrado de platina já era surpreendente, mas saber que pertenceu a um criminoso…

Muitos buscavam os pertences de condenados, acreditando que traziam sorte. Mas Cesare nunca foi esse tipo de pessoa. Ele desprezava coisas não científicas como superstições, astrologia e lendas.

— Estava quebrado, os ponteiros não se moviam, mas eu o guardava com muito carinho…

Seu tom era leve, como se não fosse nada, mas havia um peso em suas palavras.

— Tive que usá-lo para voltar.

Ele sorriu profundamente com tristeza. 

— Então, precisei destruí-lo com minhas próprias mãos, Eileen.

Como se tivesse destruído a si mesmo, e não o relógio, Cesare segurou o pulso de Eileen e a puxou para seus braços. O casaco caiu ao chão, sem que ambos percebessem.

Ele inclinou a cabeça e sussurrou em seu ouvido:

— Mas, já que você me deu o mesmo relógio como presente… isso não o tornaria mais precioso que o ouro?

Eileen, que apenas escutava, finalmente conseguiu abrir os lábios para chamá-lo:

— Cesare…

— Você não precisa me dar dote algum.

Seu abraço se ficou mais forte. Eileen sentiu uma dor sufocante, incapaz de dizer nada. Apesar da força, Cesare falou com ternura:

— Você já me deu muito.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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