Ler O Marido Malvado – Capítulo 28 Online

Modo Claro

O rangido da velha porta acompanhou sua abertura hesitante. O pai surgiu e desviou o olhar para o chão ao avistar Diego, que era tão alto quanto a porta, sorrindo de orelha a orelha.  

Com uma expressão impassível, Lotan, que observava a cena, acenou com a cabeça e indicando um assento.

— Por favor, sente-se aqui.

O lugar ficava entre Lotan e Diego, com Lotan tendo se movido um pouco para dar espaço. Claro, esse gesto não foi feito por consideração.  

Do outro lado da mesa, Michelle apoiava o queixo na mão, lançando um olhar afiado. Senon, sentado ao lado dela, permanecia em silêncio, mas seu desprezo sutil e desconforto eram evidentes em sua expressão.  

‘Eles não eram assim antes.’

Os cavaleiros sempre desprezaram o pai de Eileen. Nem mesmo a mãe dela era particularmente querida, mas, como babá do Príncipe, sempre foi tratada com respeito.

Porém, desde a morte de sua mãe, a animosidade contra seu pai havia surgido gradualmente, atingindo o auge recentemente. Como ex-servos do Príncipe Herdeiro, conheciam bem os eventos do passado.  

O fato de Eileen quase ter sido vendida para um país estrangeiro…

Quanto mais ela pensava nisso, mais tola se sentia por ter se preocupado com a refeição do pai. Mesmo que ninguém dissesse nada, quanto eles deviam desprezá-lo?  

‘Mas ele ainda é meu pai.’

Independentemente de seu ódio e desprezo, como poderia simplesmente cortar laços com seu próprio sangue? Eileen mexeu distraidamente no garfo, perdida em pensamentos.

Então, Senon, sentado mais próximo a Eileen, logo voltou a sorrir ao notar seu olhar. Ela não podia permitir que o clima ficasse sombrio depois de convidar os outros.

— Estão com fome? Vamos comer.

— Obrigado pela refeição maravilhosa.

Com palavras de gratidão, o jantar formal começou de verdade. Havia frango ao vinho, veado bem temperado com especiarias, perdiz recheada com arroz, pratos com arenque e truta, vários ensopados de frutos-do-mar…  

Se fosse um banquete nobre, estariam presos a etiquetas complexas. Mas, entre amigos, comiam livremente, sem formalidades.  

Enquanto todos saboreavam a comida com facilidade, Senon mantinha sua postura refinada. Apesar de seus anos como soldado, seu comportamento ainda era o de um nobre.  

No meio das risadas e conversas ao redor da mesa farta, o banquete continuou, com apenas uma pessoa parecendo deslocada.

O pai de Eileen parecia hesitante, seu rosto mostrava insegurança enquanto manuseava os talheres de forma desajeitada. Sempre que seu cotovelo encostava nos homens ao lado, ele se curvava e se desculpava imediatamente.

— D-desculpe.

— Por favor, aproveite a refeição. Você precisa se alimentar para se manter ativo.

O tom de Diego era ambíguo, não ficando claro se ele estava incentivando ou zombando. Mas, ao perceber o olhar de Eileen, ele pareceu se corrigir.  

— Por favor, coma bastante, barão.

O barão mastigava devagar, cada vez mais pálido. Mas como os cavaleiros não o pressionavam, ele foi relaxando e manuseando os talheres com mais naturalidade.

Parecia que a tensão estava diminuindo — talvez efeito do álcool. O pai de Eileen, que já havia bebido bastante, de repente perguntou ao provar a lula frita ao molho de tomate:  

 — Foi você que fez isso?

Quando Eileen respondeu afirmativamente, ele estalou a língua.

— De algum jeito… não parece está tão bo-

Antes que pudesse terminar de falar, um estrondo ecoou como um trovão. Michelle bateu o punho com força na mesa, fazendo o barão derrubar os talheres de susto.

— Isso está divino! Barão, quer que eu te mande para o céu para aprender a saborear direito? Quer?

— Michelle.

A voz severa de Lotan cortou a tensão. Senon também segurou o braço de Michelle com firmeza.

— Ah, desculpa.

Ela se desculpou sem remorso. Lotan preferiu não insistir.

Mesmo após sua explosão, Michelle resmungou, hesitante:

— Bom, cada um tem seu gosto… Para mim, está delicioso.  

Observando a situação, ficou evidente que o melhor seria o barão partir logo. Calmamente, Eileen falou com o pai inquieto, como se estivesse sobre espinhos.

— A propósito, você não disse que tinha um compromisso hoje?

— Ah, é mesmo! Um compromisso.  

O pai se levantou rapidamente, quase derrubando a cadeira. Lotan e Diego a seguraram dos dois lados.  

— Obrigado. M-muito obrigado pela refeição. Tenho um compromisso, então devo ir…  

Ele se despediu apressado e saiu correndo. Ao deixar a casa de tijolos, o ambiente ficou mais leve.

Depois da refeição e de algumas bebidas, o grupo conversou descontraidamente, evitando, assuntos de guerra. A notícia de que Diego adotaria um gato de rua deixou o clima ainda mais leve.  

— Senhorita Eileen.

A voz séria de Lotan cortou o ar, silenciando todos.

— Sua Majestade, o Imperador, deseja encontrá-la.

Eileen congelou por um momento antes de reagir, assustada.

— O-o Imperador!?

— Sim. Ele deseja um encontro privado, sem informar o Grão-Duque.

Lotan explicou calmamente que o Imperador fizera o pedido pessoalmente e em segredo. Michelle, ouvindo em silêncio, levantou a mão de repente. 

— Espera aí. Se sua Majestade queria segredo, por que está nos contando também?

Lotan respondeu com franqueza:

— Porque me recuso a ser o único repreendido por Sua Graça, o Grão-Duque. 

Os outros três cavaleiros reagiram com um chorinho coletivo. Michelle agarrou Lotan pelo colarinho:  

— Seu desgraçado astuto…!

Sem poder xingar na frente de Eileen, ela só lançou um olhar mortal. Diego cerrou o punho no ar e Senon suspirou, passando a mão na testa.

Enquanto os cavaleiros lidavam com suas emoções, Eileen lutava para entender o peso daquela notícia.  

‘Era inevitável, eu suponho.’

 Mesmo quase desmaiando de susto, sentia que isso era inevitável. Já havia encontrado Leone, irmão de Cesare, várias vezes. Frequentando o palácio, era natural cruzar com ele também.  

Embora Leone e Cesare fossem gêmeos, eram bem diferentes. Enquanto Cesare tinha traços afiados, Leone era mais suave, com olhar gentil e físico mais magro. Em personalidade, Cesare era racional e calmo, Leone, emotivo e delicado.  

Às vezes, nos encontros no palácio, Leone oferecia doces a Eileen e brincava com ela.

Mas não se viam desde a morte do Imperador e a luta pelo trono. Se o encontrasse agora, seria um reencontro significativo.  

E o motivo do encontro secreto provavelmente era…

‘O casamento com o Grão-Duque, claro.’

Eileen engoliu seco, sentindo o coração acelerado.  

O imperador gostava dela quando criança, mas apenas como uma “criança querida”. Não sabia se ele manteria a mesma gentileza agora que seria a “esposa” de Cesare.

Mas não podia recusar o chamado do Imperador. Com o coração pesado, respondeu:

— Eu irei, senhor Lotan.

Quando entrou no palácio para a celebração da vitória, era noite. Naquela vez, estava nervosa demais para notar o ambiente.

Nada havia mudado muito desde então, e Eileen seguia Lotan como uma marionete.

Ele a conduziu por áreas restritas, evitando outros nobres. Após percorrer longos corredores, chegaram à sala de audiência.

— Chegamos…

Ela desejava que o caminho nunca terminasse, mas foi rápido demais.

Quando a porta se abriu, um homem banhado pela luz do sol se virou. Ele parecia apreensivo, mas ao ver Eileen, sorriu calorosamente.  

— Senhorita Elrod.

A porta se fechou atrás deles. Agora sozinha com o Imperador, Eileen recitou mentalmente a etiqueta da corte.  

— E-eu saúdo o Imperador.  

Sua voz tremia de nervosismo, mas estava correta. Leone riu suavemente.

— Não precisa ter medo. Sente-se, por favor. 

Mas assim que ela se acomodou, Leon tocou num assunto que elevou sua ansiedade.

— Você guarda algum ressentimento contra o Império Traon?  

Antes que pudesse responder, ele lançou outra pergunta:

— Já pediu a Cesare para matar metade dos cidadãos do Império?

— … O quê?!

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

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Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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