Ler O Marido Malvado – Capítulo 26 Online

Modo Claro

O local da execução estava lotado, uma imensa multidão aglomerada em expectativa.  

— Não é tão divertido quando se sai do palácio para a guilhotina.

— Ainda assim, continua sendo um nobre, mesmo diante do fim.

— Lá vem ele!

A multidão, um espetáculo macabro por si só, gargalhava e atirava pedras em Matteo, amarrado ao poste do carroção. Absorto em seus pensamentos, Matteo suportou o impacto dos projéteis.  

Execuções públicas serviam como entretenimento mórbido para as massas, que se reuniam, seus murmúrios, um contraste arrepiante para a violência iminente.

No alto de uma plataforma erguia-se a lâmina, um palco sombrio meticulosamente posicionado para oferecer à multidão uma visão desobstruída da execução. Soldados escoltaram Matteo rudemente até os pés do cadafalso.

Consumido pelo terror da morte iminente, Matteo soltou um grito dilacerante. No entanto, ele se perdeu no ruído dos aplausos e gritos da multidão. Lutando, Matteo foi finalmente forçado a se deitar sobre a lâmina.

O carrasco agiu rápido. A corda se rompeu e a lâmina pesada caiu com velocidade sinistra. Um baque doentio ecoou quando a cabeça de Matteo se separou do corpo, uma fonte carmesim jorrando do pescoço decepado. O cheiro metálico de sangue impregnou o ar, um contraste grotesco com os gritos de euforia da multidão.  

Dali em diante, começava o verdadeiro show de horrores. Os espectadores se aglomeraram, ávidos por despedaçar o corpo do condenado.  

Eles lutaram com unhas e dentes pela cabeça, enquanto os que ficaram para trás se contentaram em recolher o sangue que escorria do cadáver. Acreditava-se que possuir uma parte do corpo do condenado trazia sorte.

(Elisa: Bando de doentes psicopatas)

Os cadáveres mais cobiçados eram os de nobres e donzelas jovens. O frenesi em torno da execução de Matteo só aumentou por seu status nobiliárquico e vigor juvenil. Sendo a primeira execução de um nobre em anos, tornou-se alimento para a fome mórbida da plebe.

Em questão de minutos, Matteo, outrora estimado genro do Marquês Menegin, um jovem cheio de potencial, desapareceu por completo. Restou apenas uma mancha vermelha nas pedras da calçada — um testemunho sombrio de sua existência.

Cesare, um observador silencioso durante todo o processo, assistiu à multidão explodir em uma celebração macabra. Um sorrisinho inquietante surgiu em seus lábios.

 — Essa cena não faz bem à saúde mental.

Lotan lançou um olhar discreto ao mestre após o comentário brincalhão, mas a expressão de Cesare permaneceu impassível.  

Ele já testemunhara cenas muito piores no campo de batalha. Aquilo era apenas uma fração. O próprio Cesare já cometeu atrocidades piores, dias em que, encharcado de sangue e vísceras, cortava um bife, devorava-o e dormia profundamente como uma pedra.  

Fazia apenas dois dias que ele transformou todos os envolvidos no sequestro de Eileen em carne moída. 

Do traidor de alto escalão entre os líderes militares aos homens presentes na vila naquele dia — todos tiveram finais grotescos após torturas. Com exceção de um: Matteo. Ele foi o único poupado, usado como isca para atrair o Marquês Menegin. Mas hoje, sua cabeça foi cortada no cadafalso.

‘Palavras sobre saúde mental vindas dele… Mesmo como piada, é a primeira vez que ouço Sua Graça dizer algo assim,’ — pensou Lotan.

Lotan se lembrou de um incidente recente, uma convocação secreta do Imperador, que ele não revelou a Cesare.  

O Imperador, Leone Traon Karl Erzet, era o irmão gêmeo de Cesare. Apesar da crueldade implacável da corte, onde nem os laços de sangue garantiam poder, os irmãos compartilhavam um vínculo incomumente profundo.

Enquanto o jovem Imperador nutria um afeto especial pelo irmão mais novo, Cesare permanecia indiferente, o que quer que acontecesse guardava para si. Raramente falava sobre ele, e Leone frequentemente buscava informações com Lotan.  

Dessa vez, o Imperador percebeu a mudança em Cesare, e Lotan sabia que uma convocação era inevitável. Entre os cavaleiros, o homem era o mais adequado: Senon embora inteligente, era hesitante, Michele congelava diante do Imperador, e Diego tinha dificuldade em se expressar.

— Saudações, Vossa Majestade.

— Sir Lotan…

O rosto de Leone estava carregado de preocupação, profundamente pensativo. Com um gesto, indicou a Lotan que se sentasse e suspirou longamente. Após um silêncio prolongado, Lotan quebrou o protocolo:  

— Parece que vossa alteza passou por mudanças significativas recentemente.

— Verdade! Desde que aquele garoto, antes desinteressado no poder, passou a defender reformas… —Leone esfregou o rosto, hesitante.  

— Ele me disse algo estranho. Como irmão mais velho, não posso deixar de me preocupar.

— Posso perguntar o que vossa Graça disse?

Leone permaneceu cético ao relatar a frase do irmão para Lotan. Era algo difícil de acreditar, vindo de Cesare. Lotan também não teria acreditado, se não fosse contado diretamente pelo Imperador.

— Disse que pode massacrar metade do império Traon.

Cesare possuía, para dizer o mínimo, uma fortaleza mental inquebrável, e para dizer o máximo, uma frieza quase cruel. A única exceção em sua vida era Eileen.

Ele não era de falar sem motivo. Portanto, devia haver uma causa clara por trás de tal declaração. Mas Lotan não conseguia identificá-la. A única certeza era que Cesare havia mudado após decapitar o Rei Kalpen.

Como gêmeos, Leone sentiu que a mudança em seu irmão era profunda e incomum.

— Tenho um pedido a fazer, senhor Lotan.  

Assim, o Imperador fez um pedido discreto. Enquanto Lotan se via tomado por emoções conflitantes, Cesare continuava tão indiferente quanto sempre.

— Parece que, se quiser manter minha sanidade, devo me casar logo.

Murmurando para si, ele então perguntou ao grupo:  

— E quanto a Eileen?

— Ela ficou em casa o dia todo, exceto por uma breve visita à livraria e ao mercado.

Cesare assentiu levemente. Para proteger Eileen de olhares indesejados, abafou discretamente o episódio do sequestro. Espalhar que uma jovem fora raptada só traria problemas.  

Além disso, como a execução de Matteo já estava confirmada, não havia necessidade de agravar as acusações.

— Ah, e teve um presente do Marquês Menegin destinado à Senhorita Eileen, mas cuidei para que não fosse entregue.

Cesare deu uma risadinha.

— Ele acha que sou tão imprevisível assim?

Apesar de ter prometido poupar o Marquês, o velho enviou um presente como precaução, caso Cesare mudasse de ideia. Mas o preço já havia sido pago.

O velho foi até a residência do Grão-Duque e voluntariamente arrancou seu outro olho diante do homem.

Cesare concedeu misericórdia. O Marquês deixara o Senado com a filha, sem honra ou poder, mas com riqueza suficiente para viver.

— Quero que o Conde Domenico se torne o novo presidente do Senado.

Conde Domenico era uma figura neutra, que não se alinhava nem pró-Império nem contra. Lotan expressou sua opinião com cautela:

— Não sei se ele cooperará.

Conhecido por sua arrogância e rigidez, Domenico poderia ser um desafio. Embora sua nomeação talvez não enfrentasse resistência dos nobres anti-Imperiais, ele poderia se tornar um obstáculo para a família imperial.

— Que tipo de cooperação?

No entanto, Cesare já calculou tudo. Ele resumiu secamente sua relação com o Conde:

— É uma ordem.

Após passar a noite na residência do Grão-Duque, Eileen acordou e olhou ao redor. Aliviada por Cesare não estar ao seu lado, agradeceu silenciosamente aos deuses nos quais não acreditava.

 Ela então perguntou a Sonio, que trouxe seu café da manhã e novos óculos, sobre o paradeiro de Cesare. Ao saber que ele havia ido ao palácio, suspirou aliviada. Não teria que vê-lo até deixar a mansão.

— Senhorita Eileen, o café da manhã est—

— Está tudo bem! Eu já vou embora.

Ignorando o pedido de Sonio para que ao menos comesse um sanduíche, Eileen fugiu para a casa de tijolos. Só quando trancou a porta de seu quarto que finalmente relaxou.

Desabou no pequeno sofá como uma boneca de pano. Então, soltou um grito abafado.

— AAAAH…!  

Um comportamento pouco refinado para uma dama, mas Eileen não se importava. Socou as almofadas, atormentada pelas memórias da noite anterior.  

Ela imaginara um dia se casar e ter intimidade com seu marido. Embora não tivesse recebido educação formal sobre o assunto, sabia o básico por meio de livros de biologia.

Mas o que aconteceu na noite passada…

A imagem de Cesare olhando para ela com olhos ardentes de desejo e suas palavras sussurradas ecoavam em sua mente:  

“Da próxima vez, eu vou te chupar.”

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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