Ler O Marido Malvado – Capítulo 23 Online

Modo Claro

Cesare chutou derrubando a porta, agora crivada de balas. Dentro, apenas duas pessoas ainda estavam de pé, Eileen e o genro do Marquês, Matteo.  

— Caralho, porra, porra…!

Matteo pressionou uma adaga contra a garganta de Eileen. Dado seu estado agitado, havia uma grande possibilidade dele ferir a refém.

Diego e Michelle trocaram olhares. Michelle, com os atiradores de elite, aguardava o momento oportuno para agir.  

Enquanto isso, Lotan estava do lado de fora, preparado para qualquer imprevisto. Enquanto os atiradores trocavam tiros, Diego contornou silenciosamente a casa, escalou até o segundo andar entrando pela janela quebrada. Ele havia acabado de chegar ao térreo pelas escadas.

— Grão-Duque, — Matteo sorriu, os olhos injetados de sangue, — Você estava desfrutando essa gostosa sozinho, hum?

Lotan se aproximou de Cesare, lançando um olhar preocupado para Eileen. Apesar de trêmula, ela mantinha a calma — um fator crucial em situações de refém. A sobrevivência muitas vezes depende de um delicado equilíbrio entre cooperação e resistência.  

— Já estou condenado à guilhotina mesmo! Que seja! Antes que você leve minha cabeça, quero ver o medo escorrer do seu rosto arrogante!

Diego, oculto nas sombras, prendeu a respiração — o peso da vida de Eileen pesava em seu dedo no gatilho. Um tiro limpo com ela tão perto era um risco, uma dança na lâmina de uma navalha. Praguejando baixinho, Diego estreitou os olhos, cada músculo tensionado, esperando a menor abertura.

Enquanto o cerco se fechava, Cesare permanecia imperturbável. Ele não reagiu às divagações de Matteo. Seus olhos fixos em Eileen. 

Seus olhos se encontraram por um longo momento, e gradualmente, Eileen começou a se acalmar. Seu corpo trêmulo e a respiração irregular diminuíram. Só então ele falou:

— Boa menina. Você nem chorou. 

Comentou Cesare, fazendo com que as lágrimas quase imediatamente ameaçassem cair com suas palavras.  

 — … Porque você prometeu, —sua voz falhou, os lábios sangrando de tanto morder.  — Que viria me resgatar se eu esperasse…

Os grandes olhos de Eileen se encheram de lágrimas enquanto ela suplicava a Cesare.

 — E-eu quero ir para casa.

 — Hoje não. Você vai dormir no palácio.

Cesare a persuadiu gentilmente, oferecendo-lhe um amaretto trazido do palácio imperial. Eileen finalmente derramando lágrimas respondeu:  

— Tá bom…

 — Certo, Eileen. Você pode fechar os olhos?

— Por… quanto tempo? Devo cantar também?

Perguntou, lembrando daquele dia na estufa. Cesare deu um sorrisinho contido e respondeu:  

 — O hino nacional é muito longo. Tente uma canção de ninar.

Eileen fechou os olhos com toda a força, numa tentativa desesperada de bloquear a cena diante dela. Lágrimas, quentes e incessantes, marcavam suas bochechas coradas. Ainda assim, uma calma estranha se instalou. O medo, aquele terror avassalador, havia recuado, substituído por um foco singular. Com lábios trêmulos, Eileen começou a cantar, uma melodia sem palavras escapando de sua garganta.  

— Porra, que besteira…!

No momento em que Matteo gritou furioso, Cesare agiu. Num único movimento fluido, sacou sua arma e atirou no pé de Matteo. “Bang!” O som do tiro ecoou como um trovão.

Surpreso pelo ataque repentino, Matteo reagiu por reflexo. Seu braço se moveu à frente, o brilho da lâmina reluzindo na penumbra.

Porém, antes que a lâmina atingisse Eileen, uma luva de couro preto agarrou o fio da adaga interceptando o golpe. Ao mesmo tempo, Cesare puxou Eileen para seus braços torcendo o próprio corpo em uma retirada rápida.

Mais tiros explodiram. Matteo, pego pela chuva de balas, gritou em agonia, seus membros cederam tremendo em choque.  

 Cesare jogou a adaga e ordenou:  

— Mantenham-no vivo.  

A adaga perfurou a palma de Matteo, já caído no chão. Cesare tirou o terno do uniforme e o colocou sobre os ombros de Eileen. Então, levantou ela em seus braços e sussurrou suavemente: 

— Vamos para casa, Eileen. 

Sem conseguir sequer cantar um verso da canção de ninar, Eileen assentiu e encolheu o corpo. Tentou agarrar o uniforme dele com força, mas seus dedos trêmulos só conseguiam tocar levemente o tecido. Cesare ajustou Eileen em seus braços e tentou acalmar sua mão trêmula. Mas, ao ver a palma da própria mão, desistiu.

— …

No entanto, ela verificou a palma dele e parou.

— Grão-Duque! Grão-Duque Erzet…!

O Marquês Menegin, sua postura outrora orgulhosa agora destruída, correu atrás de Cesare enquanto ele caminhava em direção ao carro. Cesare se virou, seu olhar frio e calculista. O Marquês, em um estado lastimável, caiu de joelhos suplicando, suor escorrendo como chuva de sua testa.  

— P-por favor, — ele gaguejou, a voz grossa de desespero. — Minha filha… ela é inocente nisso tudo. Eu faço qualquer coisa, Vossa Graça, qualquer coisa! Até me ajoelhar e implorar como um cachorro a seus pés.

O Marquês jogou sua bengala no chão e implorou, colocando a cabeça no chão. Senon havia explicado toda a situação a ele em detalhes, enquanto controlava a situação do sequestro.

Após a morte do antigo imperador, o tráfico de drogas no Império Traon era punido com o extermínio de toda a linhagem. Um ato impensado do genro havia levado a ilustre família do Marquês à ruína.

Cesare, observando o apelo desesperado do velho, torceu os lábios em um sorriso cruel.

— Claro, deveríamos poupá-la.

— …!

Ele usou linguagem formal, prontamente concedeu misericórdia, trazendo um claro alívio ao Marquês. Com esperança, o rosto do marquês se iluminou. Então, Cesare sorriu e completou:

  — Se você arrancar esse olho que resta.

Com essas palavras, dizendo que pouparia ambos se ele arrancasse o outro olho, Cesare se virou e continuou a caminhar. O marquês, incapaz de detê-lo, só pôde assistir impotente, suas costas desaparecendo à distância.  

— Será interessante vê-lo cego.  

Senon, fazendo um breve comentário, abriu a porta do carro para Cesare.  

— Para a residência do Grão-Duque.

Com o comando de Cesare, a porta fechou, e o veículo militar avançou silenciosamente na escuridão

Até chegarem à propriedade, Eileen permaneceu aninhada nos braços de Cesare, e ele a segurou em silêncio.

Mesmo ao sair do carro, Cesare carregou Eileen em seus braços ao descer. Era possível graças à altura do chassi do veículo militar.  

Na entrada da residência do Grão-Duque, Sonio andava de um lado para o outro, ansioso. Quando viu Cesare aparecer com Eileen nos braços, soltou um suspiro de alívio.  

— Ah, graças aos deuses.

O velho mordomo parecia ter envelhecido dez anos naquela noite. Ele tentou cobrir os ombros de Eileen com um cobertor que trazia, mas, ao notar o casaco do uniforme que ela vestia, simplesmente a abraçou. Eileen segurou o cobertor contra o peito e olhou para Sonio.

— Senhorita Eileen, preparei água quente para o seu banho. E leite morno com mel. Gostaria do leite primeiro?

Assim que Eileen assentiu suavemente, Cesare acrescentou: 

— E amaretto para acompanhar.

— Vou providenciar.

Cesare a colocou gentilmente no chão. Apoiada por Sonio, Eileen entrou na mansão.

Na verdade, ela queria continuar agarrada a Cesare. No entanto, não podia atrapalhar, ele precisava cuidar de assuntos pendentes.

Eileen bebeu leite e comeu dois biscoitinhos. Revigorada pelo doce, tomou um banho com a ajuda das empregadas e vestiu um roupão macio.  

Ao entrar no quarto de hóspedes, ficou surpresa. Cesare estava sentado numa poltrona ao lado da cama. Ele bateu levemente no colchão.  

— Vem aqui.

Cesare convidou gentilmente, gesticulando para a cama.

A alegria de vê-lo durou pouco. Seus olhos caíram sobre sua mão enfaixada.

— Vossa Graça, sua mão…

Ela correu até ele. Cesare continuou sentado, apenas levantando levemente a cabeça.

— Vo-você foi ferido pela adaga. O que eu faço…?

Pensar que ele se feriu tentando salvá-la. Sentiu vontade de chorar novamente. Ela mordeu o lábio para segurar as lágrimas, mas parou quando sentiu dor. Havia mordido forte demais antes — seus lábios estavam inchados.

Cesare usou a outra mão para pressionar os lábios de Eileen, impedindo-a de mordê-los.

— Você esperou por mim, mesmo naquela época, não foi?

Ela não respondeu, sem entender o significado por trás dessas palavras. Mas Cesare não parecia esperar uma resposta.

— Prometi que sempre te protegeria. Você deve ter me esperado.

Ele não parecia estar falando de quando ela foi sequestrada aos doze anos. Eileen ouviu suas palavras em silêncio.  

— Você deve ter ficado com medo. E chorado muito, tão assustada e sozinha.

Cesare sorriu amargamente. Ele puxou Eileen gentilmente para perto, prendendo-a entre suas pernas, e envolveu os braços em sua cintura. Eileen estremeceu de surpresa, mas Cesare ignorou. Certificando-se de que ela não pudesse ver seu rosto, murmurou:  

— Desculpa, Eileen.

Ela ficou chocada com o pedido de desculpas. Com as mãos trêmulas, tocou timidamente o ombro de Cesare e falou com cautela:

— Você sempre me salvou, Vossa Graça.

Por que ele estava se desculpando? Ele fora seu salvador incontáveis vezes. Eileen expressou seus sentimentos.

  — Você veio hoje também. Sempre cumpriu suas promessas.

Após um breve silêncio, Cesare sussurrou como se confessasse um pecado antigo:

— … Mas houve uma vez em que não pude cumpri-la.

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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