Ler O Marido Malvado – Capítulo 21 Online

Modo Claro

Eileen se lembrava vividamente de sua infância, especialmente dos momentos com Cesare. Para ela, eram todas recordações felizes.

Mas uma memória se destacava entre elas, clara e distinta.

“Eileen.”

Quando seus olhos se ajustaram à luz repentina, ela viu Cesare parado ali, diante dela.

Naquele momento, a Eileen de doze anos experimentou as emoções mais complexas e avassaladoras em sua curta vida. Incapaz de organizar os pensamentos turbulentos em sua mente, ela soltou uma pergunta estranha.

“Por que você veio…?”

Em vez de um simples “obrigada”, sua resposta foi uma pergunta desconcertante. Diante daquela indagação sem sentido, Cesare piscou lentamente.

“É verdade…”

Ele olhou para Eileen como se ela fosse um enigma. Suas íris vermelhas, calmas, brilhavam com emoções desconhecidas para a jovem Eileen. Cesare murmurou para si, aparentemente incapaz de compreender.

“Por que eu vim?”

Após um momento de contemplação, ele se sentou em silêncio, desamarrou as mãos atadas de Eileen e a envolveu em um abraço. Eileen se agarrou a Cesare com todas as suas forças.

Suas mãos, enfraquecidas por estarem amarradas por tanto tempo, não tinham força. Ela segurava as roupas do rapaz com dedos trêmulos. Embora acreditasse estar se agarrando com firmeza, na realidade, apenas arranhava o tecido.

Cesare envolveu gentilmente a mão trêmula de Eileen, que escorregava, e falou com naturalidade, confortando-a:

“Vamos para casa.”

Ela ouvira dizer que o Príncipe Herdeiro havia ido para a guerra. Como ele conseguira chegar até ali? Nem seus pais, ou a polícia conseguiram encontrá-la, então como ele conseguiu? Isso a fazia pensar no quanto ela significava para ele, a ponto de viajar tão longe para resgatá-la.

Tinha muitas perguntas que queria fazer, mas não conseguia pronunciar nenhuma. Desmaiou por um instante e, ao recuperar os sentidos, estava de volta em casa.

 Soube depois que Cesare havia sido repreendido no palácio e depois retornado ao campo de batalha. Preocupada se era seguro para ele vagar durante a guerra, mas o rapaz não deu explicações, nem mesmo quando perguntado aos soldados. 

Com perguntas sem resposta pairando em sua mente, Eileen registrou os acontecimentos do dia em seu diário, acompanhados por desenhos detalhados. Ela retratou a imagem do Príncipe Herdeiro, como o brilho de uma estrela iluminando a escuridão.

— Príncipe Herdeiro…

Eileen murmurou ao acordar com um gemido. Mas tudo ao seu redor estava embaçado. Piscou várias vezes tentando enxergar melhor.

Aos poucos, começou a distinguir o ambiente. Era uma casa velha, provavelmente abandonada há muito tempo. Os móveis estavam cobertos com panos brancos, e o chão estava empoeirado. Apenas a luz da lua que entrava pela janela e uma pequena lamparina a óleo, colocada distante, iluminavam o local.  

Eileen levou a mão à testa, sentindo uma leve tontura. Aprendera nos livros de medicina que a compressão da artéria carótida podia causar desmaios, mas não acreditava que isso lhe aconteceria.

Ao tocar a testa, percebeu que algo faltava em seu rosto. Seus óculos haviam sumido. Deviam ter caído em algum lugar quando a trouxeram para cá. Sentiu que o escudo que a protegia havia desaparecido.  

Seu peito doeu de tensão e medo. Então, em meio a vozes barulhentas, a porta se abriu, e quase uma dúzia de homens entrou na pequena casa. 

— Está acordada?

O homem que parecia ser o líder sorriu para Eileen. Com um comportamento frívolo, aproximou-se dela com arrogância. Eileen, sentada no chão, olhou para cima e falou:  

— … Eu não sei o que vocês querem.

Ela tentou falar com clareza, sem gaguejar, pronunciando cada palavra distintamente.

— Você deve saber, não é? Sua Alteza é um homem racional. Por mais que eu me torne uma Grã-Duquesa, ele não negociará à custa de perdas irracionais. Ele preferiria aceitar outra mulher como esposa a sofrer tal prejuízo.

Eileen declarou seu valor ao claro inimigo de Cesare.

— Sou uma refém sem valor.

O homem fungou e limpou o nariz e se inclinou para ela. 

— Eu também achava isso, mas parece que não.

Ele murmurou algo incompreensível.

— Disseram que a razão pela qual o Grão-duque desertou foi por sua causa.

Desertou?

Os olhos de Eileen se arregalaram diante da palavra desconhecida, mas o homem não se deu ao trabalho de explicar. Continuou falando, fungando o tempo todo.

— Para ser honesto, eu não quero nada. Só quero causar o caos.

Ele se agachou, cuspindo no chão.

— Minha vida foi arruinada por causa dele, então ele também deve perder algo para ser justo.

Seus olhos, transbordando de malícia, estavam consumidos por uma loucura anormal.  

“Então Eileen…”

Eileen lembrou de Cesare e nas lições que aprendera após seu sequestro aos doze anos.

Se sentir perigo ao ser capturada, não resista, apenas fique quieta”

Ele alertara para não provocar os sequestradores, pois isso poderia levar a algo pior do que ferimentos — como a morte ou danos irreparáveis.

Ao contrário das muitas ameaças que ela já enfrentara, as palavras de Cesare sempre terminavam com uma promessa gentil:

“Mas eu prometo, isso não vai acontecer. Se você esperar quietinha, eu virei te salvar.”

Ele a instruiu em não agir impulsivamente, mas confiar que ele chegaria a tempo de evitar qualquer dano. Eileen repetia as palavras de Cesare para si mesma, tremendo por inteiro.

‘Ele virá com certeza. Se eu esperar quieta, ele virá me salvar.’

Contrariando sua firme crença, seu corpo já estava completamente corroído pelo medo. O homem empurrou Eileen para trás, fazendo-a cair, e começou a afrouxar suas calças.

Uma enxurrada de palavrões saiu da boca do homem enquanto ele mexia no cinto. Ele olhou para Eileen com desdém.  

— Maldito seja — ele cuspiu. — Cesare, aquele filho da puta, tem um gosto refinado. Até nisso… ele pega o que quer.

Ele gritou uma ordem aos outros:

— Afaste o cabelo dela do rosto. Vamos ver com quem estamos lidando.

Duas figuras surgiram ao lado de Eileen, segurando seus braços com brutalidade. Eles a puxaram para cima, empurrando seu cabelo com violência.

— …

Naquele momento, o interior da velha casa mergulhou em silêncio. Eileen virou instintivamente o rosto, apenas para ter o queixo agarrado com força pelo homem.

Em transe ele a encarou com incredulidade, como se tivesse temporariamente perdido a sanidade, e então murmurou:

— Havia uma razão para aquilo, não é?

O movimento de sua mão, agora acariciando seu queixo, mudou de forma estranha. Ele passou os dedos por sua bochecha e contornou a curva de sua orelha. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

— Não chore, tá bom? Vamos consolar um ao outro nessas circunstâncias.

Eileen pressionou o lábio inferior e lançou um olhar furioso para o homem. Só por precaução, mesmo que fosse improvável, mesmo que Cesare não conseguisse salvá-la…

Decidiu que nunca faria ou diria nada que desonrasse ele. Não haveria nenhuma reação que lhes desse a satisfação de humilhar a mulher do Grão-Duque.

Eileen cerrou o maxilar, um grito silencioso preso em sua garganta. Quando o homem soltou um gemido gutural, com o rosto a poucos centímetros do dela, uma voz cortou o ar.

— Eileen.

Ela ouviu uma voz, como se fosse uma alucinação auditiva. Eileen reuniu toda sua força e chamou por Cesare:

— Vossa Graça…

Sua voz, trêmula de medo, parecia a de uma garotinha de doze anos. Apesar de fraca e baixa, foi o suficiente.

Bang!

Rompendo o silêncio, uma rajada de tiros explodiu. Sucessivamente os sequestradores caíram como marionetes com os fios cortados. A velha casa, antes silenciosa, virou um caos de terror. Gritos ecoaram enquanto os atingidos nas pernas se contorciam no chão escorregadio de sangue, seus gemidos formando um coro grotesco.

Os homens que seguravam Eileen convulsionaram em uma dança horrível, suas mãos soltando-a como moscas morrendo.

O único que permanecia ileso era o homem  à  frente de Eileen. 

— Porra!

Ele rapidamente agarrou Eileen, usando-a como escudo e forçando-a a recuar. Pouco depois, os tiros cessaram, substituídos pelo som de passos se aproximando.

Com um estrondo, a porta crivada de balas foi arrombada e caiu. Uma longa sombra do lado de fora envolveu Eileen e o homem.

Era Cesare, com sua figura emoldurada pela luz do luar enquanto ele parava na entrada.

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

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Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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