Ler O Marido Malvado – Capítulo 20 Online

Modo Claro

Exausta após um longo dia, Eileen se sentia inquieta depois da partida de Marlena.

Enquanto as pessoas reunidas do lado de fora se dispersavam após o segundo tiro de Michelle, ela, ainda segurando algumas laranjas verdes que havia derrubado das árvores, sorriu.  

— A partir de agora, se alguém vier aqui, vai pensar duas vezes, sabendo que pode levar um tiro.

Após dispersar os soldados, Michelle jantou com Eileen, não deixando de confundir ainda mais os pensamentos dela.

— Mas, minha senhorita, quando você irá para a mansão do Grão-Duque?  

— Bem… Eu ainda não sou a Grã-Duquesa…

— Ora, como não é? Vou treinar desde já. Grã-duquesa, Grã-duquesa…

Depois do jantar, Michelle — aproveitando sua experiência como ex-empregada do palácio do príncipe — limpou a casa toda num piscar de olhos antes de partir.  

Sozinha na casa que agora brilhava, Eileen ficou sentada no sofá por um momento. Os cavaleiros do Grão-Duque eram recursos valiosos. Usar o tempo deles com tarefas triviais era realmente um desperdício de eficiência.

E, num pensamento mais amargo, Eileen concluiu:

‘E isso é exatamente o que Sua Alteza mais odeia.’

Cesare considerava um absurdo desperdiçar tempo com tarefas desnecessárias. No entanto, essas ineficiências já estavam ocorrendo por causa dele. Com sua confiança diminuindo, Eileen balançou a cabeça.

Ela se levantou do sofá e foi até o quarto do pai. Respirando fundo, bateu na porta.

— Saia. Até quando você vai ficar aí dentro?

  

Houve um barulho atrás da porta. Creak. Seu pai finalmente a abriu e saiu.

Era realmente patético. A imagem de seu corpo gordo veio imediatamente à mente, mas ela a afastou.

— Parece que os convidados já foram embora.

Seu pai tentou agir com naturalidade, como se nada tivesse acontecido entre eles.  

No passado, ela talvez tivesse aceitado o ramo de oliveira que ele estendia. Mas hoje, ela não queria. Eileen o encarou diretamente.

— Por que você fez aquilo?

As sobrancelhas do pai se contraíram. Incapaz de esconder o desconforto diante da ousadia da filha, ele explodiu, furioso:

— Eu nunca tive a intenção de te vender!

Eileen recuou um passo, mas depois se firmou, plantando os pés no chão. Mesmo nessa situação, seu pai permanecia desafiador.

— Só queria resolver um problema urgente. Claro, eu esperava que Sua Alteza te ajudasse, então foi uma ação calculada. No fim das contas, não está tudo indo maravilhosamente agora?

Cof cof — ele tossiu levemente e lançou a Eileen um olhar de desprezo.

— Porque agora você vai se tornar Grã-Duquesa…

Já era óbvio pelo modo como seus olhos reviraram. As expectativas infladas de que sua filha desfrutaria de imensa riqueza e glória como Duquesa.

‘É por isso que eu não queria me casar.’

Um futuro em que seu pai mancharia o nome de Cesare com todo tipo de escândalos se desenhava adiante. Talvez não importasse muito para Cesare. Mas, para Eileen, o fato de ser uma mancha para ele era agonizante.

— Vou sair um pouco. Só tomar uma cerveja.

Seu pai pegou o chapéu e o casaco e saiu. Evitar assuntos desconfortáveis e fugir de conversas era seu jeito de lidar com as coisas.

 

Sempre foi assim. Mesmo quando sua mãe estava viva, se brigavam, ele simplesmente gritava e saia. Então Eileen tinha que suportar a raiva da mãe sozinha.  

‘Mas ele não vai apostar por um tempo agora, certo…’

O dinheiro que ele ganhou ao vendê-la parecia ter sido quase todo gasto naquele bar caro.

Eileen, perdida em seus próprios pensamentos, curvou os ombros diante da frustração esmagadora. Se continuasse assim, seu humor iria piorar, então decidiu buscar refúgio no jardim para pegar um pouco de brisa noturna. Sentada sob a laranjeira, esperava acalmar sua mente.

Envolta no xale, Eileen foi até o jardim. Sentou-se em uma cadeira de madeira e olhou melancolicamente para o gramado.

Seu casamento era real, e não havia nada de errado com isso. Ainda assim, ela não sabia como lidar com o pai. Era ainda mais difícil porque não era um problema que se resolvesse com dinheiro.

Originalmente, o Barão Elrod era rico, mas seu pai havia desperdiçado toda a fortuna com o jogo. A solução ideal seria seu pai mudar, mas isso parecia quase impossível.

Suas preocupações aumentaram até convergirem na conversa que teve com Marlena mais cedo.  

— …

Eileen estendeu a mão esquerda e olhou para o quarto dedo vazio.

Cerrou os dentes, sentindo a humilhação de nem sequer ter um anel de noivado quando o casamento fora anunciado. Marlena havia xingado o Grão-Duque por sua indiferença, até mesmo crueldade.

Eileen ia se casar, então esperava receber um anel de Cesare algum dia. Mas essa não era a realidade agora.

‘Não posso pedir para ele comprar logo.’

Embora o casamento fosse uma transação, a balança estava muito desequilibrada. Ela já devia inúmeras coisas a Cesare, mas nem sequer podia mencionar o anel. Seria descaramento. Era melhor confiar em Cesare e esperar.

  

Enquanto pensava nele, outra lembrança surgiu: a fumaça no clube onde foi procurar o pai.

O Império aplicava rigorosamente o controle de drogas, mas se concentrava principalmente no ópio. Substâncias como haxixe não eram uma grande preocupação.

Desde que Cesare assumira o hábito de fumar charuto, não comentara muito sobre o assunto, então provavelmente era uma combinação de substâncias legais…

Perdida em pensamentos, Eileen de repente viu um clarão de luz no jardim escuro. Eram os faróis de um veículo.

Soldados uniformizados desceram de um veículo militar familiar.

Normalmente, as pessoas ficariam apreensivas com a chegada de soldados. No entanto, Eileen, que estava mais acostumada com eles do que qualquer um, levantou-se com um sorriso. Os soldados a cumprimentaram com respeito ao entrar no jardim.  

— Senhorita Elrod.

Ao ouvir a saudação, Eileen hesitou por um momento, mas respondeu sem demonstrar emoção.

— Boa noite.

— Sua Alteza solicita sua presença.

— Agora?

— Sim. Nós a escoltaremos.

Eileen acenou levemente para esconder seus sentimentos. Então, cerrou o punho para disfarçar a mão que tremia.

Após seu sequestro aos doze anos, Eileen passou por treinamento intensivo com Cesare. Uma das lições era:

“Não mandarei qualquer um te buscar. Enviarei pessoas cujos rostos você conhece.”

Mas a maioria dos soldados que vieram buscá-la agora eram desconhecidos. Havia apenas um que ela reconhecia, e ele estava sozinho, lá atrás.  

Ele também havia recebido um título. Normalmente, os soldados a chamavam de “senhorita Eileen”, mas era raro alguém usar “Senhorita Elrod” com tanta formalidade.

‘Isso é estranho.’

Ao se tornar a Grã-Duquesa também significava virar alvo dos inimigos de Cesare. Mas quem ousaria?

Não, agora não era hora de especular. Eileen balançou a cabeça rapidamente.

— Então vou só me trocar e já volto. Por favor, esperem um momento.

Ela achou melhor retornar para casa primeiro. Quando Eileen se virou para sair, foi abruptamente impedida.  

— Espere um momento.

Seu pulso foi agarrado de repente. Assustada, Eileen se desvencilhou com toda a força. O soldado, pego de surpresa e claramente não esperando resistência, soltou-a.

Eileen correu para dentro da casa, bateu a porta e a trancou. Do lado de fora, o soldado a golpeava com tanta força que parecia que a porta ia quebrar. Ansiosa, tropeçou e quase caiu. Recuperando-se, levantou-se da mesa e fugiu.

Avistando uma brecha no quintal, Eileen viu sua chance de escapar.  

Clink!

O som de um vidro estilhaçando a encheu de pavor. Soldados em uniforme invadiram a casa, suas botas militares ecoando no chão.  

O único soldado cujo rosto Eileen conhecia foi o primeiro a pular, agarrando-a pelo cabelo. Ao puxá-la, suas costas colidiram contra o peito dele. Ele a segurou pela cintura com uma mão e pelo pescoço com a outra.

— Huh!

O aperto era implacável. A pressão sobre as artérias carótidas a fez perder as forças. Sua mão, que antes resistia, caiu. Sem oxigênio, a consciência se esvaiu. Sua visão escureceu.

‘Preciso fugir…’

Em um turbilhão de pensamentos desconexos, Eileen desmaiou.

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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