Ler O Marido Malvado – Capítulo 19 Online

Modo Claro

Leone, caminhando pelo corredor, sorriu suavemente. O som de um piano podia ser ouvido à distância.

Naquele palácio onde o Imperador residia, só havia uma pessoa em todo o Império autorizada a tocar o piano.  

Quanto mais ele se aproximava, mais nítidas ficavam as notas. O intérprete executava uma música difícil, que exigia maestria absoluta.

Apesar de ser uma música complicada, com tremolos, acordes em arpejo e saltos entre teclas, a execução era impecável. Se ele se apresentasse na cidade naquele momento, receberia uma ovação de pé. Infelizmente, o artista não tinha interesse nisso.  

Leone entrou na sala onde estava o piano e olhou para o intérprete com um sorriso feliz.

Seu irmão mais novo completamente deslumbrante tocava o piano de cauda preto diante das altas janelas de vidro. Com cabelos mais negros que o ébano, a visão de seus dedos longos pressionando as teclas de marfim era, por si só, uma obra de arte.

Apesar da luz solar intensa, a performasse de seu irmão mais novo evocava uma escuridão sem fim. Era impressionante como ele conseguia executar peças em tons maiores com tanta maestria. Leone observou à sua apresentação engolindo um leve arrependimento.

Quando a última nota ecoou, Leone aplaudiu entusiasmado.  

O pianista virou a cabeça e olhou para ele. O irmão mais novo, com suas pupilas vermelhas como sangue, esboçou um sorriso sutil.  

— Cesare, suas habilidades melhoraram — disse Leone ao se aproximar.

Seu irmão mais novo se levantou e fechou a tampa do piano. Leone, que secretamente queria ouvir mais uma música, olhou para ele, sem esconder a decepção.

Aquele que tocava melhor do que qualquer pianista da capital, mesmo sem interesse em concertos solistas, era Cesare, o único irmão do Imperador. 

Leone olhou para cima e encontrou os olhos do irmão, que o superava em altura. Embora ele fosse mais alto do que a média, Cesare era ainda mais imponente, forçando Leone a espichar o pescoço quando estava ao seu lado.

Vestido com o uniforme de general, Cesare emanava um certo charme que conquistava os corações do povo. Não era apenas por seu sangue real— parecia haver um consenso entre todos na capital.

Seu físico, esculpido como uma lâmina forjada por um mestre, combinava perfeitamente com o uniforme azul-escuro. Não era à toa que seu desfile triunfal deixara tantos corações acelerados.  

Leone riu e deu um leve tapinha no antebraço de Cesare.

— Talvez eu devesse me juntar a você com o violino. Minhas mãos têm estado bastante paradas ultimamente.

Desde jovens, haviam aprendido instrumentos musicais. No início, ambos aprenderam violino e piano, mas com o tempo, cada um se concentrou em dominar um deles.

A razão para Leone dominar o violino e Cesare, o piano, era simples: as mãos de Cesare eram maiores.

Conforme Cesare cresceu, seus dedos se alongaram, permitindo alcançar confortavelmente a décima segunda oitava. Sempre que Leone o via tocar, sentia orgulho por sugerir o piano a ele.

Deixando a sala do piano para trás, os irmãos seguiram para o salão de recepção. Reservado para os convidados particulares do Imperador, era um pouco menor que o salão oficial, mas exalava uma atmosfera acolhedora, com vista para o pátio.

Enquanto brincava, colocando cubos de açúcar em seu chá-preto, Leone misturou piadas com comentários sinceros.

— Sua música ganhou profundidade. É porque está apaixonado?  

— Isso mesmo.

Cesare respondeu com apenas duas palavras, tomou um gole de seu chá com conhaque e se calou.  

— Uh… Deixa para lá — murmurou Leone, percebendo a relutância do irmão.

Mesmo com os rumores do casamento iminente, Cesare mantinha-se calado. Leone sentia certo desconforto, mas conhecia bem o irmão para não insistir e concentrou-se apenas em seu chá.

Cesare riu levemente diante da reação do irmão, e Leone retribuiu o sorriso.  

Entre os muitos filhos do falecido imperador, Leone e Cesare eram os únicos irmãos de sangue. Embora o imperador nunca tivesse tido dois filhos com a mesma mulher, Leone e Cesare eram gêmeos, completamente diferentes em físico e aparência.

Leone se lembrava vividamente do dia em que a tragédia aconteceu.

Ao saber que sua “garotinha” havia sido sequestrada, Cesare, que estava no campo de batalha, abandonou imediatamente seu posto e retornou ao império. Embora a criança tenha sido resgatada, ele enfrentou a ira do Imperador por desertar e sofreu açoites como punição.

Leone chorou ao se aproximar com pomadas, mas seu irmão mais novo já estava sendo cuidado por seus cavaleiros leais.

Os quatro cavaleiros que acompanhavam Cesare permaneciam impassíveis, tratando os ferimentos como se não fossem nada.

Com o torso envolto em bandagens, Cesare, então com dezenove anos, manteve sua postura habitual e disse:  

“Você deveria se tornar o imperador.”

“O quê…?”

“Não eu. Mas você irmão.”

Leone pensou ter ouvido errado. No entanto, Cesare continuou falando calmamente, limpando o sangue dos lábios rasgados com o dorso da mão.

“Daqui a cinco anos, irmão.”

Cesare transformou aquela declaração vaga em realidade, colocando Leone no trono. Mas, como um irmão que ascendeu sem base de poder estabelecida, sua jornada não terminou com a coroação.

Após o fim da disputa pelo trono, os membros derrotados da família real buscaram refúgio no Reino de Kalpen. A mãe de Cesare, uma princesa decaída de Kalpen, pediu asilo para si, solicitando ajuda. Em resposta, Kalpen declarou guerra ao império, e Cesare partiu para o campo de batalha.  

 Apesar das previsões sombrias, Cesare não se abalou. A guerra civil havia enfraquecido Traon, enquanto Kalpen possuía um exército formidável. Até Leone tentou dissuadi-lo, oferecendo negociações em troca de concessões de território imperial, mas Cesare se manteve firme — e venceu.  

‘Fiquei um pouco surpreso ao ver a cabeça do Rei Kalpen decepada, mas…’

O rei planejava executar a criança amada de Cesare, acusando-a de produzir drogas com base em informações de um espião infiltrado no império.

Cesare, no entanto, interveio antes que Leone pudesse reagir, resultando na derrota e execução do rei. Só após sua morte que o plano envolvendo Eileen foi revelado. O que mais surpreendeu a todos foi como Cesare havia previsto e condenado as ações do rei.

‘Ele anda bem estranho ultimamente.’

Leone, observou o irmão com uma expressão intrigada. A súbita insistência de Cesare por um arco do triunfo era fora do comum, ele nunca buscou reconhecimento por suas conquistas, chegando a abdicar do trono em favor do irmão sem hesitar.

Seu irmão mais novo agora se exibia e mostrava poder. Graças a isso, a facção anti-imperial foi completamente desmoralizada.

‘O mesmo vale para sua decisão de se casar com Eileen Elrod.’

Houve momentos em que Leone perguntou sutilmente que se casar com ela seria uma boa ideia, dado o carinho que Cesare tinha por ela. Mesmo que não houvesse amor romântico, seria melhor que um casamento político. Na época, Cesare deu uma razão clara para não se casar.

— Você disse uma vez que estar com ela a deixaria infeliz. E agora escolheu se casar com Eileen Elrod, no fim das contas.

O homem havia prometido deixá-la desfrutar de prazeres simples, como brincar com flores e folhas, mas ao retornar ao império após a guerra, proclamou publicamente Eileen Elrod como sua futura esposa para todo o reino.

Era desconcertante, especialmente porque Leone sabia que Cesare a considerava apenas como uma criança querida.

Enquanto Leone aguardava pacientemente por uma explicação, os lábios de Cesare curvaram-se em um sorriso.

— Após refletir por cerca de sete anos, mudei de ideia — declarou Cesare.

— Essa é outra declaração confusa — respondeu Leone, intrigado com a mudança repentina.

Cesare não era um homem que fazia comentários enigmáticos. Tendo passado tanto tempo no campo de batalha, ele normalmente era direto e o mais transparente possível, sem rodeios ou joguinhos.

Mas ultimamente, parecia inclinado a fazer declarações enigmáticas, fazendo Leone se perguntar o que havia mudado. Talvez Eileen Elrod estivesse envolvida.

— Você pretende trazer a senhorita Elrod ao palácio em breve? Devo cumprimentá-la antes do casamento — comentou Leone.

— Está bem — respondeu Cesare casualmente, pegando o amaretto que acompanhava seu chá e o examinando.

Então, do nada, ele soltou uma bomba:

— Vamos lidar com o Presidente do Senado primeiro. Após o casamento.

— …Hmm. Isso não será fácil — reconheceu Leone.

Em meio ao caos da família imperial, os aristocratas do parlamento haviam subido ao poder. Os nobres do parlamento ainda exerciam grande influência, e o Presidente do Senado era uma figura-chave na facção anti-imperial.

— Em breve vou arquitetar um escândalo, e precisarei da sua ajuda — afirmou Cesare, com o tom preguiçoso como se estivesse discutindo o clima.  

— Você tem um plano? — Perguntou Leone. — O velho é excepcionalmente astuto.

 A resposta de Cesare foi direta:

— O Presidente do Senado causará problemas em breve, e pretendo usar isso como isca.

Parecia que ele previa os acontecimentos. Sem pensar muito, Leone perguntou:

— Você está bem?

A intuição de gêmeos sugeria que havia algo errado. A disposição de Cesare em confiar no incerto e seguir em frente era atípica. Mas a resposta de Cesare foi clara e afiada:

— Não.

Cesare lambeu os dedos, manchados de migalhas de amaretto, e riu.  

— Irmão, temo estar perdendo a sanidade.

Era raro Cesare falar de si. Sua admissão, incomum e sincera, deixou Leone chocado.

— Estou me esforçando para parecer normal, mas está difícil. Minha mente não descansa. Não consigo parar de pensar em quem foram os covardes que apedrejaram minha garotinha. E os monstros que desmembraram seu corpo. 

Cesare falava com uma calma aterradora, cada palavra gelando o sangue de Leone.

— Por isso estou apressando o casamento. Caso contrário…

  Seu olhar escureceu, um sorriso cruel desenhou em seus lábios. As pupilas vermelhas cintilavam com uma luz ameaçadora, como se, a qualquer instante, o homem fosse desencadear horrores além da compreensão humana.

— Posso acabar dizimando metade do Império Traon.

 

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️

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