Ler No fim do inverno – Capítulo 19 Online


Modo Claro

Fazendo Meu Coração Acelerar, Depois Fingindo Não Saber

 

Duas xícaras de chá foram colocadas sobre a mesa.

Eunice empurrou suavemente a que ainda soltava vapor para o outro lado e a ofereceu.

— Beba enquanto ainda está quente.

Sentada à sua frente estava Avril, com os olhos inchados de tanto chorar.

Seus ombros e peito se moviam como os de uma criança enquanto soluçava e engasgava.

‘Como alguém pode ser assim?’

Mesmo tendo crescido em um ambiente onde nunca precisou amadurecer, como ainda podia ser desse jeito nessa idade?

Era estranho. E talvez um pouco invejável.

Era uma vida que Eunice nunca teve permissão de ter.

Mesmo na idade em que deveria poder reclamar ou chorar, ela precisava se manter firme.

Talvez por isso uma vida cheia de mimos parecesse tão fascinante e invejável.

Sentiu um tipo de saudade por algo que nunca teve.

Um sentimento tolo para alguém da sua idade, na verdade.

Com um sorriso torto e autodepreciativo, Eunice ofereceu novamente:

— Vai te ajudar a se acalmar. Sua Majestade foi duro demais.

— Hmph…

Avril fez beicinho, então pegou a xícara com relutância.

Sua expressão dizia que só estava bebendo porque mandaram.

De alguma forma, sua honestidade relutante a fazia parecer fofa.

Se Johannes pudesse espiar dentro da cabeça de Eunice, talvez recuasse horrorizado ao pensar no que havia de fofo nisso.

Enquanto Eunice pensava na confusão no jardim mais cedo, ela se lembrou:

“Eu só vim por precaução… e claro, acabei encontrando você.”

“V-Vossa Majestade… vai mesmo se casar com outra pessoa?”

“Por que está falando tão estranho? E olhe para o jardim com os olhos, não com os pés.”

“Aquele dia… não foi uma proposta metafórica, me prometendo esse jardim?”

“O quê? Hä… você acha que eu sou um poeta ou algo assim?”

Soltando uma risada incrédula, o olhar de Johannes se tornou frio ao encarar Avril.

Mesmo ao lado dele, Eunice sentiu o coração apertar com o frio em seus olhos.

Vou ser perfeitamente claro. Avril, mesmo que eu morra, não será você.”

“Você… você é tão cruel…”

“Lá vem de novo. Esse seu tom rude.”

“Não! …hnnng…”

Foi por pouco. Lágrimas rapidamente se acumularam nos olhos de Avril e logo transbordaram em soluços altos.

Assustada, Eunice trocou um olhar breve com Johannes antes que ele gritasse para Avril parar.

No fim, Eunice precisou intervir.

Por favor, pare, Vossa Majestade.”

“Saia da frente, Eunice.”

“Não precisava ser tão duro com a senhorita Avril.”

“O quê? De que lado você está?”

“Hic. Hmph. É isso que eu estou dizendo…”

Ela acabou levando Avril dali como se a estivesse protegendo, e Johannes riu incrédulo.

Essa cena ficou marcada em sua mente.

Ela provavelmente o irritou.

Sabia que não foi uma decisão sábia.

Alguém como ela, sem base de apoio, deveria depender apenas do favor de Johannes.

Aquela atitude só lhe traria desvantagens.

Mas quando ele encurralou uma mulher chorando tão cruelmente, seus instintos falaram mais alto que qualquer cálculo. Seu corpo e suas palavras agiram por conta própria.

‘O casamento é amanhã… vai ficar tudo bem, certo?’

A mesma preocupação, agora ainda mais pesada, martelava em sua mente.

Apesar da turbulência interior, Eunice pegou calmamente o bule e encheu novamente a xícara vazia à sua frente.

O som do líquido sendo servido parecia acalmar Avril, cujos ombros já haviam se estabilizado.

— Está se sentindo um pouco melhor agora?

— Hmph.

Isso significava que sim.

De alguma forma, Eunice estava começando a entender a linguagem de Avril. Ela soltou uma pequena risada cansada.

Deveria chamar isso de infantil ou encantador?

Ainda fazendo bico, Avril bebeu o chá fazendo barulho, evitando o olhar de Eunice enquanto balançava as pernas.

Depois de um tempo, falou com voz abatida:

— Você vai sofrer.

— …

Ela estava falando do casamento.

Talvez por concordar em parte, Eunice não encontrou palavras de imediato.

— Ele é arrogante, fala horrivelmente e não entende nada do coração de uma mulher.

— …

— E não é só isso. Vive no próprio mundo, acha que nunca está errado e encara as pessoas ferozmente quando se irrita.

— …

Ela estava amaldiçoando Eunice ou falando mal de Johannes?

De qualquer forma, Eunice não podia concordar.

Deu um meio sorriso constrangido e respondeu de forma neutra:

— Acho que ele não é tão ruim assim.

Ele também tinha lados gentis.

Mas Avril esmagou essa pequena esperança sem hesitar.

— Não. Ele é assim mesmo. Só é gentil quando está de bom humor, então não se deixe enganar. Quem viver ao lado dele vai sofrer interiormente, eu garanto.

— …Obrigada pelo aviso!

Seria ela quem sofreria.

Eunice não sabia como lidar com aquela conversa.

Avril estava desabafando? Culpando? Tentando avisá-la?

Então percebeu.

Essa garota realmente era como uma criança.

Falava sem pensar.

Em vez de se deixar levar, Eunice precisava manter seu equilíbrio.

Ela não veio aqui para brincar de romance.

— Vou considerar seu conselho. E farei o meu melhor para ser uma boa rainha pelo bem da aliança entre nossos países. Espero que você também me ajude do seu lado.

Eunice quase esperava uma resposta ríspida como “Por que eu te ajudaria?”

Mas Avril focou em outra coisa.

Franziu a testa como se Eunice tivesse perdido completamente o ponto.

— Você fica repetindo rainha, aliança. Não estou falando disso. Estou falando de Johannes Reinhardt, aquele homem horrível.

— …

De tudo… chamá-lo de horrível era um pouco demais.

Deveria apontar isso ou deixar passar?

Eunice decidiu ignorar.

A julgar pela maneira como Avril falava, estava claro que ela já tinha dito coisas piores para Johannes.

Mais importante…

— Por que você gosta dele?

Uma mulher infantil, emocionalmente imatura.

Eunice não pôde deixar de perguntar a alguém tão diferente dela.

— Por que você gosta de um homem tão cruel e egoísta?

Ele não era gentil, ignorava seus sentimentos, só causava dor.

Se fosse por interesse político, talvez ela entendesse.

Mas os sentimentos de Avril pareciam sinceros demais.

Avril fez uma careta em vez de responder.

Seu rosto emburrado parecia estar tentando suprimir algo que ela não queria admitir.

Só depois de um longo silêncio falou:

— …Às vezes…

— Desculpa?

A voz era tão baixa que Eunice precisou perguntar de novo.

Então Avril gritou, com o rosto vermelho:

— Porque às vezes ele é muito legal, tá?!

— …

Então era pela aparência, afinal.

Eunice ficou sem reação.

Bem… ela admitia.

Até ela, que pensou que seria entregue a um bruto selvagem, ficou momentaneamente impressionada com a aparência dele no primeiro encontro.

Mas aparentemente não era só isso para Avril.

— Ele gritou comigo por segui-lo, mas correu para me salvar quando eu estava em perigo. Mandou eu ir embora, mas pediu para me mandarem comida. Até dessa vez, escrevi dizendo que estava com medo, e ele veio correndo para Evangel… E quando nos encontramos, fala como um idiota de novo…

Tomada pela emoção, ela parou e começou a chorar de novo.

Ah não… lá vamos nós de novo.

— Se não vai ser gentil, então não seja nunca! Por que ele faz meu coração acelerar e depois finge que não é nada? Por quê?!

O quarto se encheu com seu lamento doloroso.

Eunice gemeu por dentro.

Tinha acabado de acalmá-la… e agora?

Sua cabeça começou a doer.

Era uma noite banhada pelo luar brilhante.

Após se preparar para dormir, Eunice sentou-se diante da penteadeira, olhando fixamente para o espelho.

Nem tinha sido um dia particularmente ocupado, mas passou voando.

Provavelmente por causa de Avril.

Consolar aquela garota chorosa drenou toda a sua energia sem que percebesse.

‘Hannah me disse para dormir cedo.’

Pelo bem da pele de amanhã.

Não tinha intenção de ser uma noiva com aparência seca e sem vida.

Então planejava se deitar mais cedo do que o habitual.

Não achava que pegaria no sono rápido, mas ao menos descansaria.

Nem sequer conseguiu conversar direito com Johannes.

Só de pensar nisso, seu peito apertava — talvez passasse a noite acordada novamente.

Pensar que repreendê-lo enquanto tomava o partido de Avril poderia ser seu último diálogo…

Esse pensamento fez Eunice pressionar a testa com a mão.

Como iria encará-lo agora?

Parecia que continuava ferindo o orgulho dele sem querer, e sua visão escureceu com isso.

Amanhã, precisaria se comportar da melhor maneira possível.

“Não gosto de submissão.”

—…

Agora que lembrava, ele também disse isso.

— Ele é… realmente difícil.

Murmurou para si mesma.

Era um homem complicado.

Como se preparar para um vento frio e, de repente, uma brisa quente soprasse.

Ela nunca sabia como se comportar com ele.

Toc toc.

Foi então que ouviu uma batida na porta.

— Entre.

Pensando ser Hannah, permitiu sem pensar.

Mas quando a porta se abriu, a identidade do visitante a assustou tanto que ela pulou como se tivesse sido queimada.

— Vossa Majestade.

Johannes estava parado à porta.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler No fim do inverno Yaoi Mangá Online

— Tenha um filho de Johannes, Reinhardt, e solidifique a aliança.
Ela estava prestes a ser enviada como uma espécie de refém para o infame governante do Norte, conhecido por sua crueldade.
— Por favor… Que ele não seja tão aterrorizante quanto dizem os rumores.
Com o coração cheio de medo, Eunice parte rumo à terra desconhecida do inverno…
— Perdão, sinto muito, não quis te assustar.
— Você é bonita mesmo sem maquiagem. Sinceramente, não consigo ver diferença.
— Quando estivermos só nós dois, me chame pelo nome.
O afeto inexplicável do rei… Seria apenas um capricho, ou algo genuíno?
Johannes, se lembra da garota como um raio de sol, e Eunice, não reconhece o menino antes tão mal-humorado.
Um doce romance de inverno sobre cura e reencontros, entre Eunice, que viveu uma vida inteira lutando para ser amada, e Johannes, que a ama incondicionalmente pelo que ela é.
 
Uma das frases favoritas dessa tradutora aqui.
 
— Está tudo bem se você não provar a sua utilidade.

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