Ler Mind The Gap (Novel) – Capítulo 09 Online

❖ Capítulo 01 – Mind the Gap 1
A manhã de domingo, por algum capricho, revelou a luz do sol. Em uma estação onde o verão já havia apagado seus rastros, manhãs assim eram raras. Alex acordou com a luz que se espalhava pela varanda degradada, onde pendia uma tela de mosqueteiro danificada.
O tempo em que não precisava sentir nada, nem pensar em nada havia acabado. O que deu as boas-vindas a Alex, de volta à realidade, foi a dor na parte inferior do corpo assim que ele se moveu levemente. Isso o despertou completamente. Encarando fixamente o teto com vestígios de mofo, Alex pensou em apenas uma coisa:
“Não foi um sonho.”
Uma situação mais onírica que um sonho realmente aconteceu. Com esse pensamento, ele se levantou um pouco. Esticou o braço e checou a hora no celular. Eram nove da manhã. Talvez seu corpo estivesse assustado com algo que nunca havia ocorrido, pois acordou mais tarde que o habitual.
Felizmente, a entrevista com a família enlutada que ele havia agendado ao voltar ontem à noite seria apenas depois do almoço. Foi uma sorte não ter definido o horário exato por telefone ontem, por precaução. Como quem realizou a investigação inicial foi Anna e não ele, seu objetivo era se apresentar após a visita, o que tornou isso possível.
Ao lembrar-se disso, Alex percorreu com o olhar o próprio torso por baixo da gola da camiseta larga. Lentamente, ele levantou a mão e subiu a roupa. Sob o tecido que deslizava para cima, havia marcas avermelhadas por toda parte.
Com a outra mão, tocou o pescoço. Talvez tivesse sido mordido com mais força do que imaginava, pois marcas vermelhas estavam gravadas na forma irregular de dentes. Soltando um gemido baixo, Alex pressionou aquela área com as pontas dos dedos. Não sabia o que esperava obter com aquele gesto.
Mesmo após uma noite, as memórias não desapareceram; pelo contrário, tornaram-se apenas mais nítidas. Tudo era dolorosamente vívido. O rosto excessivamente próximo, a nuca molhada de suor enquanto se movia sobre ele, o cabelo bagunçado e desalinhado, a sensação dos músculos deslizando e roçando entre si.
As memórias reproduzidas surgiam assustadoramente e tocavam Alex. A solidão o cobriu como a escuridão. O anseio, o desejo, transbordavam sem indicar um propósito claro.
O que preenchia sua cabeça era inteiramente Nathan. Nathan, em quem ele pensava inúmeras vezes mesmo quando não estavam em contato ou quando não o via por muito tempo, agora preenchia todos os momentos de Alex. Se fossem um casal apaixonado, seria uma bênção, mas, dolorosamente, não eram. Alex saiu da cama sentindo uma sensação de asfixia.
Eram nove da noite quando ele saiu do hotel ontem. Era impossível passar o tempo sozinho em um espaço onde esteve com Nathan, mas onde ele não permanecia mais. Os vestígios transbordantes o sufocavam. Quanto mais ele lembrava do calor de estarem juntos, mais solitário se tornava.
Após se lavar, Alex encarou vagamente a cama onde restavam os vestígios de Nathan, vestiu-se e saiu do hotel. Antes de deixar o hotel completamente, perto da recepção, ele hesitou por um longo tempo, como se estivesse com os tornozelos presos. Sentia que, se saísse assim, seria realmente o fim. Embora devesse ser assim.
Durante todo o caminho de volta, ele tentou pensar em outra coisa. No entanto, sua mente traía sua vontade e tentava constantemente arquitetar um jeito de encontrá-lo novamente. Se o neutralizador deveria ser tomado após apenas uma relação sexual, se agora não poderia mais ver Nathan, que significado o dia de ontem teria tido para ele.
— Sabe, Nathan, eu não entendi bem a prescrição que você fez. Se não se importar, poderia me explicar de novo…?
Uma noite inútil passou enquanto imaginava desculpas inventadas sozinho. Precisava recobrar o juízo. Alex lavou o rosto batendo em suas próprias bochechas e remendou à força seu coração que desmoronava.
Muitos detetives desmoronam diante de problemas pessoais, prejudicando as investigações. A escuridão que os fazia ruir era, geralmente, a solidão. A solidão criada ao isolar-se da rotina e ao não cuidar adequadamente das pessoas queridas, era o que os destruía e os fazia cair. Alex não era um detetive tão excelente, mas, por coincidência, possuía os elementos que essas pessoas tinham.
Ele era excessivamente solitário.
Das cinco vítimas, três tiveram suas identidades confirmadas: Rosalyn Meyer, uma beta de vinte e seis anos; Robert Main, um beta de trinta anos; e James Harper, um beta que completou dezenove anos após seu aniversário este ano.
Após a identificação, Anna verificou inicialmente tudo o que aconteceu nos dois meses anteriores ao momento da morte com as famílias e pessoas próximas das vítimas, mas não obteve grandes resultados. A renda econômica de cada família era de classe média-alta para cima e, embora houvesse dívidas, eram empréstimos imobiliários comuns para quem vive em Londres. Todos tinham pais e, pelo que soube, eram mulheres e homens realmente comuns, sem ninguém suspeito por perto.
A razão pela qual este caso enfrentava dificuldades era que o culpado quase não deixou rastros. Os corpos foram encontrados em horários irregulares. Às vezes em plena luz do dia, outras vezes na madrugada.
O momento do descarte era ainda mais ambíguo. Londres era um dos lugares com mais câmeras de segurança instaladas devido à ameaça de terrorismo, mas não havia como ter câmeras em toda a periferia, então não se aproveitou nada dos vídeos gravados antes e depois da descoberta dos corpos. Reviraram todas as latas de lixo e depósitos de resíduos nas proximidades para encontrar pistas, mas nenhuma evidência relacionada surgiu.
A única pista que surgiu foi que um Ford Fiesta prata foi visto algumas vezes na ocasião, mas o problema era que aquele era o modelo de carro mais comum no Reino Unido. Como a qualidade das imagens não era boa, mesmo usando programas de ampliação, a placa, naturalmente, não aparecia com clareza.
Além disso, o momento do sequestro não era exato. As vítimas eram todos jovens que viviam fora de casa. Era impossível para as pessoas próximas saberem sempre o paradeiro de quem morava em dormitórios ou sozinho, e nem sempre eles trocavam mensagens com as mesmas pessoas. Os pais do jovem James Harper foram os primeiros a registrar o desaparecimento, após não conseguirem contato com o filho por três dias.
Um ponto em comum era que ninguém tinha namorado(a), e que o registro de desaparecimento ocorria no terceiro dia após o sumiço. Os dois cujas identidades ainda eram incertas provavelmente eram solitários a ponto de nem sequer haver um registro de desaparecimento, ou grandes as chances de serem estrangeiros.
As vítimas não se conheciam e seus raios de ação não se sobrepunham. Era informação insuficiente para uma investigação por perfil. Pelo “modus operandi”, parecia não ser alguém conhecido, mas sim que pessoas que se encaixavam nos critérios do assassino foram infelizmente escolhidas. Antes de rotular como crime de ódio, a investigação estava focada no lado de Radcliffe, usando os elementos criminais de estupro e drogas como denominador comum.
Mas, se a Radcliffe tivesse liderado isso, não haveria razão nenhuma para deixar os corpos serem encontrados. Se tivessem “fabricado o produto”, o mais lucrativo seria passá-los adiante no tráfico humano, como faziam antes, e, nesse caso, as chances de as vítimas não estarem mais no Reino Unido seriam maiores. Há muitos métodos de descartar corpos sem que sejam vistos. Para ser assassinato por vingança, as vítimas eram comuns demais e o método diferia da forma de execução da Radcliffe.
Sendo assim, a exposição dos corpos era por amadorismo do culpado ou haveria outra razão?
— Pode entrar.
Alex, que estava imerso em pensamentos enquanto batia à porta, despertou de seus devaneios ao ouvir uma voz baixa vinda da porta interna. Ao baixar o olhar, seus olhos se encontraram. Uma mulher com cabelos castanho-dourados bagunçados olhava para ele. Era Agnes, a mãe de James Harper. Considerando a ordem de descoberta, Harper foi a quarta vítima. Isso aconteceu há apenas seis semanas.
Fazendo um gesto sem energia, ela deixou Alex no hall de entrada e caminhou cambaleante. Agnes, que ia para a sala, parou ao passar pela cozinha e disse a Alex:
— Aceita um chá?
Ele ia dizer que não precisava, mas ela decidiu primeiro.
— Seria bom você aceitar.
Sem dar tempo para ele recusar, Agnes caminhou até a cozinha, pegou um saquinho de chá preto no armário e o colocou em uma xícara. Após apertar o botão da chaleira elétrica, ela coçou o braço ansiosamente e perguntou a Alex como se soltasse um suspiro:
— Fiquei um pouco surpresa porque não é a investigadora que veio da outra vez.
— Somos da mesma equipe de crimes violentos. Muitos investigadores estão trabalhando em equipe para investigar este caso.
Um investigador que não encontra o culpado é sempre um culpado diante da família enlutada. Alex manteve uma voz calma e melancólica.
— Vocês chegaram a encontrar o assassino?
Agnes perguntou o que ela mais desejava. A voz de outro detetive falando sobre casos de assassinato encerrados sem solução passou pelos ouvidos de Alex. Ele balançou a cabeça.
— Ainda não. Mas estamos investigando com o melhor de nossas capacidades. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.
No entanto, ele não pôde dizer que com certeza o prenderiam. Havia detetives que diziam isso, mas Alex conhecia a decepção de quando a esperança de alguém não se concretizava.
Nesse momento, a água ferveu. Agnes, que olhava para Alex com olhos castanhos sombrios, virou-se e despejou a água na xícara. Uma voz pequena misturou-se ao som da água quente sendo despejada.
— Assim espero.
A xícara foi estendida bruscamente. Alex a aceitou lentamente e seguiu Agnes até a sala. Na sala, brinquedos de criança estavam espalhados. Não pareciam ser de James.
— Sinto muito por ter que fazer perguntas repetidas vezes.
— O que devo dizer? Eu disse tudo o que conseguia lembrar naquela época. Meu marido, eu, os amigos dele…
Anna fez todas as perguntas da forma mais detalhada possível. O relatório dizia que James parecia um pouco cansado durante o período das férias de Páscoa, quando se presume que ele desapareceu, mas isso não era algo tão estranho para um universitário. Alex decidiu perguntar o que tinha planejado.
— O que eu queria perguntar é se o James agiu de forma um pouco diferente do habitual ao longo de todo este ano. Coisas triviais não importam. Se ele conheceu alguém especial, se ausentou por um longo tempo, ou se conseguiu algo que não tinha antes; eu gostaria de saber se houve algum comportamento diferente do anterior, mesmo que pequeno.
— Ele tinha acabado de entrar na faculdade. Conhecer pessoas novas é natural…
A voz subiu agressivamente, mas logo se transformou em algo como um soluço e silenciou. Alex calou-se e puxou um lenço de papel da mesa da sala, estendendo-o.
A tristeza de pais que perdem um filho dura a vida inteira. Para maioria dos pais é assim. No subconsciente de Alex, passou a dúvida: “Será que para os meus pais também foi assim?”. Esforçando-se para não pensar na resposta, Alex desculpou-se.
— Sinto muito.
— Você também não deve parecer tão vulnerável.
O conselho do sargento Hayden passou por sua mente, mas Alex achava difícil agir assim com pessoas fragilizadas.
— Realmente, “snif”, não consigo lembrar de nada. Ele estava cansado porque o semestre tinha acabado de começar, mas fora isso, parecia bem quando o víamos.
— Não houve nenhum caso em que ele estivesse especialmente animado?
Agnes, diante dessas palavras, cobriu o nariz com o lenço e levou a mão à testa. Ouvia-se o som de sua respiração ofegante.
— Meio ano atrás…
— Sim.
— Ele disse que comprou uma guitarra porque fez um trabalho de meio período e ficou feliz. Eu a vi quando passei rapidamente no quarto dele no dormitório. Agora deve estar no quarto dele, no segundo andar.
Certamente ela se referia ao quarto onde guardavam os pertences do falecido. Se fosse uma guitarra comum, na verdade não custaria tanto dinheiro, mas Alex assentiu.
— Obrigado, senhora. Se não se importar, eu poderia dar uma olhada?
— Vá em frente. É o quarto com a porta aberta. Lá em cima o menino…
Agnes começou a chorar novamente. Alex estendeu o lenço com uma expressão pesada.
— O pequeno está dormindo, então, por favor, faça só um pouco de silêncio.
Pedindo com a voz entrecortada, ela enterrou o rosto nas mãos. Alex ia se levantar imediatamente, mas tomou um gole do chá por educação. O chá preto com leite não era nada doce. Diante do rosto que surgiu no momento em que bebeu o chá, Alex mordeu os lábios com força e pousou a xícara.
Subindo as escadas cuidadosamente, Alex entrou no quarto que estava aberto. Havia objetos guardados em caixas e outros expostos. Sobre a mesa, havia um álbum. Folheando-o com o coração pesado, ele encontrou a guitarra mencionada por Agnes. Caminhou lentamente naquela direção, inclinou-se um pouco e pegou a guitarra.
A guitarra não era apenas uma guitarra acústica. Era uma guitarra elétrica que precisava ser conectada a um amplificador para ser usada. Ele não sabia nada sobre guitarras, mas podia notar à primeira vista. Era óbvio que valia bastante dinheiro. Franzindo os olhos enquanto a encarava, Alex tirou fotos da guitarra inteira e da parte onde estava o nome do modelo, e começou a revirar outros objetos.
James Harper frequentava a Universidade de South Bank e, segundo Agnes, trabalhava meio período na Pret A Manger. E Alex encontrou no quarto várias marcas que não poderiam ser compradas com o salário por hora da Pret A Manger. Eram roupas que passavam facilmente de £200 por uma única camiseta. Eram designs que não chamavam muito a atenção, então, se Agnes não tivesse interesse em marcas, jamais as reconheceria.
Onde um jovem de classe média que não trabalhava em uma empresa conseguiria dinheiro para comprar essas coisas?
Alex enviou as fotos para Matthew. Após pedir a ele que investigasse a guitarra e os outros objetos, ia se levantar para organizar os pensamentos. Ele, que estava meio ajoelhado enquanto examinava as caixas, levantou a cabeça assustado ao ver uma pequena figura parada na porta aberta.
— Quem é você? — a criança perguntou.
Certamente era o caçula de quem Agnes falava.
— Olá. Eu sou um policial. — Alex sussurrou para a criança, esboçando um leve sorriso.
A criança inclinou a cabeça e, em seguida, bateu palmas.
— Já que você é policial, você também prende gente ruim?
— Sim.
— Então você pode dar uma lição em quem faz a minha mamãe ficar triste?
— …Sim.
A criança murmurou um “hum” e caminhou um pouco mais. Observando Alex como se visse algo curioso, a criança logo apontou para o pescoço dele e disse:
— Você não pode ficar dodói.
— Hein? — Alex perguntou de volta, levando a mão ao pescoço.
— Porque você tem que prender gente ruim, não pode ficar dodói.
Dito isso, a criança pareceu perder o interesse, olhou para Alex mais uma vez e saiu do quarto sem fazer barulho, do mesmo jeito que apareceu. Olhando vagamente para aquela cena, ele tocou o pescoço com os dedos. E percebeu o que a criança tinha dito. Era a marca que Nathan havia deixado.
O que aconteceu na noite passada, que ele tentara ignorar concentrando-se no trabalho, o atingiu. Como alguém que foge, Alex levantou-se cambaleante. Subiu a gola do casaco para esconder o pescoço e saiu do quarto.
“Não devo pensar nisso.”
Impondo a si mesmo algo difícil de cumprir, ele voltou para Agnes.
Após perguntar a Agnes sobre o paradeiro de James na época em que ele comprou a guitarra, meio ano atrás, Alex foi direto para a delegacia. Independentemente de ser fim de semana, havia muita gente lá dentro.
Alex subiu direto pelo elevador e organizou os números de telefone e endereços da lista de conhecidos de James que Anna havia verificado. Matthew, que estava lá, disse a ele que a guitarra era da marca Gibson e que o preço era de cerca de £1500. Enquanto rastreavam a rota de compra, Alex fazia ligações para as pessoas da lista organizada.
Foi por volta das oito da noite que ele recebeu uma ligação de Nathan. O celular deixado ao lado da mesa tocou. Alex, que estava anotando o paradeiro de James, desviou o olhar sem pensar para a tela e arregalou os olhos ao ver o número não salvo, mas claramente memorizado. Foi porque ele não imaginava que Nathan ligaria primeiro.
Enquanto hesitava, a ligação caiu. Alex, que estendera a mão com pressa, esfregou a tela enquanto encarava o número que deixara um registro de chamada perdida. Era uma situação em que não seria exagero retornar a ligação imediatamente perguntando o que houve. Mesmo sabendo que sentia falta de Nathan desde o momento em que acordou de manhã.
No entanto, Alex estava com medo. Independentemente de querer continuar vendo Nathan de qualquer jeito, ele tinha medo de si mesmo, que passaria a desejar cada vez mais conforme tivesse mais contato com ele. O fato de terem tocado pele com pele, misturado saliva e o ato de ter conectado Nathan dentro de si destruiu o autocontrole de Alex. Se Nathan o tratasse ainda melhor do que isso, Alex poderia, tolamente, se iludir.
“Será que Nathan me perdoou?”
“Talvez haja uma chance para nós…”
Nathan não o deu a chance de hesitar. O celular vibrou novamente. Alex franziu os olhos ao ver o número. No momento em que a segunda vibração passava, atendeu a ligação. Não podia deixar Nathan perder tempo duas vezes.
— Aqui é Alex Yeon.
Alex limpou a garganta para forçar uma voz profissional. Houve um curto silêncio e Nathan disse calmamente:
— Sou eu, Nathan White.
“Eu sei perfeitamente, Nathan. Eu nunca esqueço nada que se refira a você.”
— Nathan.
No entanto, como se estivesse um pouco atônito, Alex forçou a voz de maneira desajeitada. Nathan silenciou novamente. Desta vez, Alex quebrou o silêncio.
— Não achei que você ligaria primeiro.
Independentemente do sentimento de saudade que aflorava, era difícil encontrar o que dizer. A situação em que, mesmo tendo compartilhado momentos em que mostraram seus lados mais íntimos, era cauteloso até para perguntar algo trivial a Nathan, acentuava a distância entre eles. Até um cumprimento perguntando se ele chegou bem era quase um luxo para Alex.
Como parecia que Nathan estava com dificuldade para responder ao que ele mesmo dissera, Alex apressou-se em acrescentar:
— Quero dizer, não que eu não tenha gostado, é que fiquei feliz.
Mas as palavras que saíram foram ainda piores. Nathan certamente ficaria incomodado ao ouvir a palavra “feliz”. De fato, ontem, quando Alex disse a Nathan que gostou, após ele se desculpar dizendo que não o havia preparado o suficiente, ele não dera resposta. Em meio ao constrangimento crescente, Alex soltou um suspiro baixo e desculpou-se.
— Me desculpe.
Então, uma voz que parecia não entender retornou.
— Pelo quê?
— Por ter dito que gostei, achei que isso pudesse te deixar desconfortável.
— Alex.
— Sim.
— Eu não me importo, então não peça desculpas. Para apontar algo assim, nós já…
Ouviu-se um suspiro baixo. Nathan, escolhendo as palavras, deu a resposta lentamente.
— Já fomos longe demais.
As palavras de Nathan, se ouvidas superficialmente, traziam a ilusão de que ele o estava perdoando. Como Alex havia ponderado antes de atender, a esperança de que a relação deles pudesse melhorar gradualmente continuava a brotar de algum lugar.
A solidão que o corroía o dia inteiro subiu por seus tornozelos. A fragilidade presente desde o nascimento abalou Alex. Ele queria depender dos fragmentos de gentileza que Nathan demonstrava. Queria desejar um pouco mais o Nathan que o beijara enquanto atendia ao seu pedido egoísta. Mesmo tendo consciência, desde o momento em que abriu os olhos, de que não tinha esse direito, o coração humano era assim.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Diga.
Ele sabe que é uma pergunta perigosa. Nathan tinha falado claramente sobre isso. No entanto, a memória de ontem gravada em sua alma deixava Alex confuso e, por fim, o roía aos poucos, fazendo-o desmoronar por dentro.
— Se nós fomos longe demais, Nathan, então… agora você tem ao menos um pouco de vontade de ouvir o meu pedido de desculpas?
Ele queria ser perdoado. Se para ser perdoado ele precisasse se redimir, queria ouvir o método. Quando estava erguendo muros para impedir sua aproximação, nunca se atreveu a pensar nisso. Mas alguns dias após Nathan o colocar em uma certa categoria, abalava Alex de forma desordenada.
Do outro lado da linha, tudo estava quieto. Um silêncio onde nem mesmo o som da respiração era ouvido se instalou como a escuridão. Suor frio brotou na mão que segurava o celular e, finalmente, quando seu coração começou a doer como se fosse explodir, Nathan abriu a boca.
— Não quero falar sobre esse assunto.
Embora fosse a resposta que ele esperava, como alguém que se prepara para receber um golpe, Alex, tolamente, decepcionou-se repetidamente. Diante de Nathan, Alex Yeon tornava-se um idiota infinitamente infantil e sem capacidade de aprendizado. Seus olhos arderam. Mesmo em meio ao desamparo, como se tivesse batido em um muro gigante, ele respondeu rapidamente.
— É verdade, me desculpe. Fiz uma pergunta que não deveria. Pode esquecer?
Para se concentrar em outra coisa propositalmente, Alex folheou o caderno. Naturalmente, não teve efeito.
— Sei que esta situação atual não é algo comum, mas acho que isso é um assunto à parte.
— Sim, com certeza. — respondeu com uma voz casual, forçando um sorriso.
Mesmo sem ninguém vendo, ele sorriu sozinho em vão e logo fechou os lábios.
— Eu me enganei. Ah, por que você ligou?
Alex mal conseguiu conter o pedido de desculpas que vinha como um hábito. Com um sentimento de total incompreensão, ele esfregou a bochecha. Baixando a cabeça, ele encarou o chão manchado.
O silêncio, que já devia ser o enésimo, instalou-se. Era desconfortável. Como alguém que descobre que algo que considerava natural não é bem assim, Alex percebeu que no passado costumava gostar do silêncio de Nathan. Ele achava que seus sentimentos por Nathan não tinham mudado em nada.
— …É que não tínhamos definido o dia de nos encontrarmos nesta semana que vem.
— Nós vamos nos ver de novo?
E, como se a decepção de alguns segundos atrás tivesse desaparecido, Alex arregalou os olhos diante das palavras de Nathan sobre o encontro. Sua voz tornou-se instantaneamente brilhante.
— Você precisa tomar mais neutralizador. — Nathan respondeu como se estivesse um pouco desconcertado com a reação de Alex.
— Como fizemos uma vez, achei que depois era só tomar o remédio.
— O neutralizador deve ser tomado após cada ato sexual.
— E não precisamos coincidir com o período do rut?
— Se for tomar apenas de acordo com o período do rut, não conseguiremos o efeito total do remédio. Os órgãos de feromônios de um Alfa ou Ômega são estimulados durante o ato sexual, e o neutralizador deve ser tomado apenas nesse momento.
Sendo assim, era o mesmo que dizer que teria que encontrar Nathan pelo menos mais duas vezes. Antes mesmo de julgar a situação adequadamente, a alegria disparou primeiro e, gradualmente, a razão retornou.
Pensando friamente, não era algo que o deixaria feliz. O contato com Nathan o deixava mais abalado do que quando recusou a proposta. Como Nathan dissera, eles foram longe demais e Alex não conseguia prever o destino dessa jornada. Um vago instinto o alertava que aquela situação se tornaria um veneno.
A hesitação se prolongou. Alex sofreu internamente por não conseguir perguntar casualmente quando deveriam se ver. Quem quebrou aquele momento tolo foi Nathan.
— Alex.
— Sim?
— Eu odeio situações em que se volta atrás em uma decisão acordada.
Nathan certamente leu sua hesitação.
— Não é nada disso.
— Então o que é?
— Só estou… preocupado.
— Com o quê?
— Eu também acho que você está certo. Já que já tomei, quero aproveitar a oportunidade para tratar os efeitos colaterais. Eu vou fazer o tratamento. Mas, como deve ser desconfortável para você fazer esse tipo de coisa comigo, talvez eu devesse…
O que ele poderia fazer, afinal? O resultado de falar o que vinha à cabeça foi um beco sem saída. Alex soltou um suspiro baixo enquanto escolhia as palavras.
— Você disse que não conseguiria fazer com um desconhecido.
— Hein?
— Ou será que, nesse meio tempo, você explicou a situação para alguém por perto?
Ao dizer isso, Nathan tinha uma voz muito descontente. Parecia estranhamente zangado e sensível, como alguém que tem algo o incomodando. Alex negou apressadamente.
— Não. Não, sério. Nathan, eu… — Com uma voz cansada, Alex disse como se estivesse conformado: — Quando fica bom para você, Nathan? Eu estarei ocupado até sexta-feira por causa da investigação.
De repente, Alex sentiu o peso dos anos através de seu conformismo. No fato de que a imagem dos adultos que encobrem e ignoram os problemas havia se tornado, em algum momento, a sua própria imagem.
— E domingo?
— Acho que tudo bem.
E Nathan também havia se tornado um adulto.
— Certo.
— Combinado, então. Obrigado por ligar. Vá com cuidado.
— Alex. — Nathan segurou Alex, que tentava desligar o telefone como se estivesse fugindo.
— Sim?
— Vou deixar a agenda livre naquela noite.
Por um momento, ele não conseguiu entender o que aquilo significava.
— Então, enquanto você quiser… desta vez eu ficarei.
Nathan disse isso e desligou o telefone. Não houve uma despedida comum. Com a tela mostrando o registro de dez minutos de chamada na mão, Alex ficou parado por alguns segundos. Levou mais um minuto para ele entender o que Nathan tinha dito.
Não, na verdade, ele soube desde o momento em que ouviu. Apenas Alex queria absorver aquelas palavras o mais lentamente possível. Para ser sincero, pensou que preferia não ter entendido.
Assim como na estação de metrô onde ele havia evitado Nathan apenas para desistir e finalmente encontrá-lo, Alex se desesperou.
Nathan disse que, desta vez, não o deixaria sozinho.
Mesmo não querendo ouvir seu pedido de desculpas, mesmo sem perdoá-lo, Nathan era gentil demais e, cruelmente, bondoso. Claramente eles estavam avançando para algum lugar, mas ele sentia como se estivesse se perdendo.
Diante do medo que o atingia como uma onda, Alex desligou a tela do celular. Então, como alguém que não ouviu nada, olhou para o monitor e recomeçou o trabalho que estava fazendo.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna
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Sinopse: Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”