Ler Kiss The Stranger (Novel) – Capítulo 02 Online

⚝ Capítulo 02
Um jipe subiu a crista onde um homem em um camelo apareceu, levantando uma nuvem de areia. Sem esperar o carro se aproximar, dei alguns passos à frente. Ele parou não muito longe de onde eu estava.
‒ Oh, olá.
Gaguejei porque estava nervoso. Felizmente, ele estava no banco do motorista e saiu do carro sem hesitação. Esperei com a tapeçaria em que trabalhei duro no último mês enquanto o mensageiro enviado pelo meu tio descarregava as coisas que trouxera no carro. O mensageiro virou-se para mim depois de tirar os poucos itens do veículo. Seu olhar fixou-se na tapeçaria que eu segurava. Ele a pegou sem dizer uma palavra, deu uma olhada rápida aqui e ali e fez uma careta.
Por um momento, fiquei tenso e encolhi os ombros. ‒ Na verdade, eu deveria pensar bem antes de me oferecer para vender algo assim. No entanto, a reclamação que saiu de sua boca foi alta o suficiente para perfurar meus ouvidos. Fiquei chateado e pedi desculpas.
‒ Sinto muito. Sinto muito. Eu me esforcei muito para fazê-la. Vendo-me enrolar as palavras, o mensageiro estalou a língua. ‒ Não se trata de esforço, o que importa são os resultados. Ha, como vou conseguir vender isso para ganhar dinheiro? Olha, o patrão Jarwal não está de bom humor ultimamente. Só estou deixando passar desta vez para te quebrar um galho, sabe? ‒ O qu… Entendo. Sinto muito.
Pedi desculpas novamente. “Não tenho certeza, mas ele provavelmente tem razão. De qualquer forma, sou muito grato por ele não se esquecer de mim e cuidar de mim assim todas as vezes.”
Gurab, o mensageiro, balançou a cabeça novamente e puxou uma muda da parte de trás do carro. Era a figueira que eu havia pedido. Com um suspiro de alívio, vi que ele se levantou, mas sem me entregar a muda.
‒ Vou querer outra tapeçaria.
‒ Sim?
Enquanto eu processava as palavras inesperadas, ele continuou com uma expressão insatisfeita.
‒ As peças que você faz são de péssima qualidade, então não conseguimos um preço justo. Por isso, a quantidade precisa ser maior. Vou querer cinco peças por mês a partir de agora. Entendeu?
‒ Cinco?
“Fazer duas já era difícil, mas cinco era absolutamente impossível.” Gurab franziu a testa, indignado.
‒ Bem, se não consegue fazer, não reclame. Mas nem pense em me pedir mais nada no futuro.
‒ Espere, por favor!
Eu o agarrei apressadamente quando ele estava prestes a se virar para ir embora, implorando e me agarrando a ele.
‒ Com certeza, farei as cinco peças… Por favor, poderia reconsiderar? Eu darei um jeito de fazer pelo menos duas ou três… por favor, reconsidere. Eu imploro. Enquanto eu continuava implorando, Gurab estalou a língua novamente. ‒ Tudo bem, estou fazendo isso porque tenho pena de você, entendeu? ‒ Sim, sim. Com certeza. Obrigado, muito obrigado… Enquanto eu agradecia repetidamente, ele olhou para a muda que segurava e a entregou para mim, como se estivesse hesitante.
‒ Bem, eu já trouxe isso mesmo.
‒ Obrigado, muito obrigado… Que Deus o abençoe. Aceitei a muda e agradeci novamente. Gurab resmungou um “Uhhhh” e tossiu antes de continuar.
‒ Bom, então, ficamos combinados em três peças para a próxima vez. O que mais você precisa?
Ele perguntou, olhando para mim. Hesitei por um momento e respondi cautelosamente. ‒ Eu gostaria de outra muda de figueira e alguns remédios. Desinfetantes, analgésicos e alguns antibióticos.
Depois de pensar por um momento, acrescentei por impulso: ‒ Roupas masculinas… das maiores que tiver. “Mesmo que o homem recupere a consciência, ele terá que ficar aqui até o mês que vem.” Pensei que ele precisaria de roupas novas para vestir antes de partir, mas Gurab logo se mostrou impaciente.
‒ O que você vai fazer com roupas masculinas tão grandes? Se for para você usar, até o menor tamanho serve.
Eu me apressei em responder, nervoso.
‒ É que… eu preciso delas para um trabalho. Por favor, traga para nós. Ele me encarou sem dizer nada. Sentindo um mau pressentimento, Gurab disse, coçando o queixo:
‒ Três peças não serão suficientes, então. Terão que ser cinco. Era impossível, mas desta vez nenhuma súplica funcionou. No final, tive que abrir mão da figueira por enquanto e decidi receber os remédios e as roupas. Esse foi o preço que concordei em pagar em troca das três tapeçarias. Enquanto implorava, também consegui incluir sal e óleo.
Depois de prometer voltar no início do mês que vem, Gurab partiu. Observei o carro dele se afastar com um aperto no coração.
“Não, está tudo bem. Salvar uma vida vem em primeiro lugar.” Aquela era a primeira vez que eu via alguém além de Gurab desde que cheguei aqui. “Foi como se Deus tivesse me enviado para salvá-lo.” Balancei a cabeça para afastar o desânimo e comecei a me mexer diligentemente de novo. “Que sorte que o Gurab foi embora sem desconfiar de nada.”
Só depois notei os rastros do camelo espalhados perto da cabana. “Se o Gurab tivesse olhado um pouco mais ao redor, teria descoberto tudo.” Eu não queria que meu tio se preocupasse com as dificuldades que eu passava. O Gurab só voltaria em cerca de um mês. Até lá, o homem já estaria melhor, poderia vestir as roupas novas e ir embora. Assim, seria como se nada tivesse acontecido. Com isso em mente, levei meus novos suprimentos para dentro de casa, um por um. Enquanto isso, o homem continuava dormindo sem sequer abrir os olhos. “Ele deve ter perdido a consciência.” Depois de organizar o ambiente, respirei fundo e verifiquei o estado dele novamente. Olhei para as bandagens e, felizmente, não havia sinais de novos sangramentos. Após examinar os ferimentos, olhei para cima e me deparei com o corpo dele. Observando-o com calma, percebi algo novamente. “Ele é realmente muito bonito. Nunca vi ninguém assim antes.”
” …Será que um urso poderia ser tão grande?” Olhei para o corpo dele, depois para suas pernas infinitamente longas e fiquei pensando, abobalhado. Sem perceber, engoli em seco. “Ou talvez ele seja um urso em forma humana.” Na verdade, parecia uma ideia plausível. “Ninguém pode ser tão grande assim.” ‒ Sim, sim, é isso ‒ assenti para mim mesmo e desviei o olhar. Mas no momento em que vi o rosto dele, aceitei a realidade.
“Ele era definitivamente um homem. E um homem incrivelmente grande e atraente.” O peito dele, exposto para as bandagens, parecia ter três vezes o meu tamanho. Pelo menos ele parecia calmo agora, mas eu não conseguia imaginar como seria quando ele acordasse. Seu abdômen era definido e firme, sem um pingo de gordura. Quando notei que uma de suas coxas era tão grossa quanto a minha cintura, fiquei assustado. “Como ele se machucou tanto?”
“Se algo der errado, ninguém aqui pode me ajudar. Se esse homem quiser, ele poderia quebrar meu pescoço com uma só mão.”
“Não, dois dedos seriam o suficiente.” Senti um calafrio percorrer meu corpo. “Preciso de ajuda, Yohan.”
De repente, lembrei-me do que meu pai dizia. “Todos devem ajudar uns aos outros.” As memórias daquele dia me deram coragem. Meu pai viveu sua vida seguindo o que pregava. “Sim, isso não é nada comparado àquela época.” Respirei fundo e tentei me acalmar. Rikal se aproximou de repente e começou a miar. Percebendo que já estava tarde para alimentá-lo, levantei-me depressa.
‒ Sinto muito, Rikal. Vou te dar comida agora mesmo. Hoje era o dia feliz que acontecia uma vez por mês. Como eu queria que Rikal comesse à vontade nesse dia, eu sempre preparava uma tigela cheia de peixe e arroz. Mas, desta vez, hesitei por um momento. Agora havia mais uma boca para alimentar. Enquanto preparava o arroz para Rikal, olhei para trás. O homem ainda estava inconsciente, mas eu sabia que, quando acordasse, estaria com muita fome. “Com um físico que nem se compara ao meu ou ao de Rikal, ele certamente comerá muito.” A ideia de ter que economizar comida para o mês inteiro me deixou preocupado por um tempo.
Mas a escolha era sempre a mesma. “Eu só preciso pular uma refeição.” “Quanto será que o Rikal deve comer?”
Depois de me decidir, lavei o arroz e comecei a cozinhar. Rikal miou de empolgação. Também peguei um peixe seco inteiro para ele. Enquanto eu me movia, o aroma perfumado do arroz cozinhando preenchia o ar. Era uma noite como nenhuma outra. Exceto por um homem enorme deitado no meio de uma cabana estreita e um camelo sentado tranquilamente perto da água.
Um som desconhecido me despertou. A princípio, não consegui identificar o que era. Fazia muito tempo que eu não ouvia outra pessoa enquanto dormia. Mal abri os olhos e vi que tinha pegado no sono enquanto tecia uma tapeçaria, com o rosto encostado no tear. Verifiquei apressadamente se o trabalho em que me esforcei tanto não tinha sido danificado e, felizmente, estava intacto. Foi então que virei a cabeça para ver de onde vinha o som. Vinha do homem deitado no chão. ‒ … uh, uh.
Ele estava suando frio e gemia entre dentes. Aproximei-me depressa e coloquei a mão em sua testa; estava queimando em febre. Era evidente que ele estava mal, mas como ainda estava inconsciente, eu não tinha como dar um antitérmico. Trouxe água e tentei fazê-lo beber, mas o líquido escorria por seus lábios e ele não conseguia engolir nem mesmo o remédio.
“O que eu faço?”
“Se continuar assim, ele só vai piorar.” Como prova disso, o rosto dele ficou ainda mais vermelho por causa do calor. Os gemidos que escapavam de sua boca eram profundos e sofridos. Depois de colocar uma toalha fria em sua testa, encarei-o por um momento. Só havia um jeito. Dei um grande gole na água com o remédio e a segurei na boca. Logo em seguida, pressionei meus lábios contra os dele.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Kiss The Stranger (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…