Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 07.1 Online


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7. A cereja do bolo (Parte 1)

A tentativa de assassinato na família Goodnight sacudiu os Estados Unidos por mais de um mês. Especialmente em Boston, onde eles eram figuras proeminentes locais, o impacto foi enorme. Os rostos de Joseph Goodnight e de seu pai, Jackson Goodnight, que contrataram uma gangue para massacrar a própria família e pretendiam ser os únicos sobreviventes do «acidente», apareciam no noticiário dia após dia.

Nas redes sociais choveram críticas contra eles, e os veículos que cobrem casos policiais prometeram informar assim que o julgamento fosse marcado, acalmando os assinantes curiosos sobre o destino daqueles ricos impiedosos.

As notícias também se espalharam amplamente no Canadá. Isso porque se revelou que Cheriot Goodnight, o amado capitão do Red Maple, tinha sido obrigado a se ausentar da temporada por causa desse incidente e quase morreu. Embora algumas pessoas tenham se concentrado na magnitude do fundo fiduciário de Cheriot revelada por esse acontecimento, a maioria rezava para que Goodnight se recuperasse rapidamente do trauma e voltasse para o seu lado.

Mas na verdade Cheriot não ficou gravemente ferido. Graças a quem descobriu as intenções de Jackson e Joseph e planejou uma estratégia, naquele dia houve poucos feridos.

De fato, apenas uma pessoa ficou ferida.

Com o rosto pálido e sem expressão, Cheriot abriu lentamente a janela. Da casa de dois andares na praia dos arredores de Boston, que seus pais usaram como residência de recém-casados, via-se o mar azul a olho nu.

O vento salgado roçou suas bochechas com força. Como o outono chegaria logo, a temperatura baixava dia após dia. Em pouco tempo seria uma estação difícil para surfar. O inverno em Boston não é tão frio, mas também não é quente.

Depois de abrir a janela para ventilar, virou-se lentamente e se dirigiu à cama colocada no quarto. Sua sombra, longa e sem força, se projetou sobre o corpo do homem deitado na cama. Cheriot ficou imóvel, olhando fixamente o homem que dormia profundamente.

O nome do belo homem que não dava sinais de acordar era Yurijj Kiselyov.

Tinha trinta e dois anos, e seus pais chegaram da União Soviética e se estabeleceram nos Estados Unidos. Ele disse que mal terminou o primário e que depois não teve oportunidade de estudar, por isso falava tanto inglês quanto russo de maneira imprecisa. Por isso Cheriot se ofereceu para ler livros para ele pessoalmente.

—Wolfie.

Cheriot o chamou em voz baixa com um tom desfalecente. A vitalidade que sempre transbordava tinha desaparecido, e só uma melancolia misturada com desespero enchia a voz de Cheriot.

Durante mais de um mês, sem falhar um único dia, ao acordar de manhã, à tarde, à noite ou de madrugada, a primeira coisa que fazia era chamar Yurijj. Por medo de perder o momento em que ele acordasse, dormia brevemente naquele quarto, não no dele.

E nem sequer conseguia dormir profundamente. Também pela mesma razão. Embora quem estava à sua volta se compadecesse ao vê-lo abrir os olhos sobressaltado quando tentava dormir fundo, Cheriot não queria que ninguém o visse com pena.

Porque era ele quem tinha deixado Yurijj naquele estado.

Assim que teve esse pensamento, uma lágrima caiu com um plop sobre sua bochecha ressecada. Como já tinha chorado incontáveis vezes, até as lágrimas agora lhe pareciam secas. Outras três ou quatro gotas caíram seguidas, se acumularam no chão e depois, ao serem pisadas por Cheriot enquanto ele se aproximava da cama, se transformaram em manchas escuras.

—Wolfie…

Cheriot se sentou lentamente na cadeira ao lado da cama e pegou a mão esquerda do homem pálido. Como tinha perdido muito peso em um mês, os ossos se destacavam no dorso de sua mão. Os belos músculos por todo o seu corpo, onde Cheriot tinha deixado marcas densas, também tinham perdido vitalidade e diminuído um pouco. Ainda assim, Yurijj continuava sendo aquela bela figura pela qual ele se apaixonou à primeira vista, exceto por uma coisa.

Não podia ver aquelas profundas pupilas azuis nas quais tinha se afundado ao cruzarem olhares.

Enquanto observava as pálpebras firmemente fechadas sem sinais de se abrir, Cheriot abriu a boca em silêncio, depois franziu os olhos e apertou sua mão.

—É porque você odeia que eu te chame por um apelido? É por isso que você não se levanta? Então eu não vou fazer isso. Eu nunca vou fazer nada que o Wolfie odeie.

Com a mão trêmula, enfiou a mão sob a palma de Yurijj, depois dobrou um a um seus dedos fracos para que coincidissem com os dele e entrelaçou os dedos como antes. Como sua temperatura fresca às vezes lhe parecia de cadáver e o inquietava, Cheriot segurava sua mão todos os dias.

—Desculpa, Yurijj.

» Eu não devia ter inventado um apelido sem permissão.

Murmurando isso, Cheriot enterrou a testa em suas mãos entrelaçadas. Sabia que parecia um louco, mas não conseguia parar. Na verdade, Cheriot achava que estava ficando meio louco. Todo dia lembrava das coisas que não tinha conseguido fazer por Yurj e se desculpava sozinho, murmurando.

Havia dezenas de coisas pelas quais se sentir culpado, mas só um grande arrependimento.

—Eu me arrependo até a morte de não ter te dito naquele momento que eu queria ser seu namorado.

As lágrimas fluíram novamente por seus olhos vermelhos e inchados. Ao sentir uma dor pungente atrás dos globos oculares, Cheriot desejou morrer assim. Embora se esforçasse para não pensar assim porque era a vida que Yurijj com tanto esforço tinha salvado, quando o assaltava o medo de talvez não voltar a ver aqueles olhos azuis, os maus pensamentos chegavam sozinhos.

Benji disse que a tristeza de Cheriot era culpa. Deu-lhe um consolo que não era consolo, dizendo que ele não podia sentir algo mais que culpa por alguém com quem só tinha passado alguns dias, e que melhoraria com o tempo. Naquele dia, pela primeira vez, Cheriot ficou bravo com seu amado primo. Como as lágrimas não cessavam, no fim Benji quase implorou e pediu desculpas a Cheriot.

«Ninguém entende nada.»

«Eu me apaixonei tão profundamente que, se essa pessoa apenas me olhasse, eu seria capaz de fazer qualquer tipo de palhaçada.»

O dia em que viu Yurijj pela primeira vez.

Naquela noite, quando saiu às pressas se vestindo depois de se assustar com os homens que invadiram de repente sua casa, ao ver o rosto do homem na rua, Cheriot perdeu involuntariamente o olhar. Era a primeira vez. Ele tinha conhecido homens e mulheres, ômegas e alfas bonitos e belos, mas aquele foi o único momento em que se sentiu atraído por uma aura.

Um homem de pele pálida. Pelo maxilar masculino e pelo nariz afiado, parecia uma pessoa muito fria, mas no canto de seus lábios, enquanto passava ao lado de Cheriot, havia um leve sorriso. Seu olhar se dirigiu naturalmente àquele pequeno e suave sorriso que contrastava com sua aparência fria.

«…Que sorriso bonito.»

Embora seus olhos não sorrissem, era fascinante que surgisse uma expressão tão bela, então ele o seguiu e sentiu o impulso de deter aqueles passos que nunca se viravam para olhar. Um forte desejo de que aquele homem olhasse para ele ao menos uma vez incitou Cheriot.

Na verdade, Cheriot não precisava pedir dinheiro emprestado naquele momento. Tinha uma nota de cem dólares no bolso por precaução, e na carteira MagSafe do telefone também havia um cartão de débito. O homem, que parecia descuidado por deixar tudo fluir, na verdade era muito precavido, ao contrário de sua aparência, e não era do tipo que esquecia as coisas facilmente. Era um lado pouco visível que só seus companheiros de time nos jogos conheciam.

Cheriot tinha até uma memória excepcional. Sua memória era tão boa que ele lembrava de coisas de quando era muito pequeno. Como a lembrança de sua mãe e seu pai se beijando apaixonadamente enquanto o deitavam no berço, o momento em que patinou no gelo pela primeira vez, os dias felizes com os pais e a noite em que seu pai teve que morrer de maneira tão horrível.

Então Cheriot, apesar de sua aparência descuidada, era um homem observador. Não era do tipo que esquecia o que levava ao sair do apartamento. Detestava depender dos outros e, antes de agir com ousadia, calculava se ficaria tudo bem e depois fazia.

Mas só por querer reter Yurij, Cheriot cometeu uma grosseria. Deter alguém na rua daquele jeito era algo que ele nem sequer tinha feito quando criança. No entanto, com a única ideia de agarrar o homem de alguma forma, pegou seu pulso.

E num piscar de olhos, sua mão esquerda se torceu com uma dor insuportável. Embora na quadra de hóquei ele sofresse dores piores ao golpear e ser golpeado, não tinha imunidade à dor que voltava depois de tocar embevecido pela beleza do homem.

Ao gritar assustado pela dor repentina e pensar que ele era de fato uma pessoa aterrorizante, quis ver bem seu rosto e abriu os olhos.

Então sentiu como se caísse num rio.

O homem estava com os olhos azuis intensos abertos e o olhava de cima. Cheriot, que tinha se inclinado desajeitadamente, perdeu a fala ao ver aqueles olhos azuis que pareciam atravessá-lo.

Embora ainda fosse difícil descrever com uma única palavra o que sentiu naquele momento, o homem tinha as pupilas mais retas que Cheriot tinha visto na vida.

Embora o rosto de Cheriot fosse quase o de uma celebridade em Vancouver, o homem parecia não reconhecê-lo. Longe de se surpreender ou admirá-lo, fazia uma expressão desagradável como se visse o cara mais grosseiro do mundo. Sua boca estava tão tensa que o sorriso que ele tinha visto antes parecia uma alucinação.

E ele falava muito pouco.

Enquanto Cheriot dizia dez coisas, ele não dizia uma, a ponto de fazê-lo pensar que talvez fosse mudo. Se fosse assim, ele poderia fazer sinais para que ele fosse embora ou mostrar o dedo do meio, mas ele escutou em silêncio as palavras de Cheriot, deu meia-volta e foi embora de novo.

«…Ele foi embora. Será que eu o ofendi muito? Claro, se um desconhecido age assim de repente, o certo é fugir.»

«Hmm.»

«Deixar ele ir é o certo. É o certo…»

«Mas eu quero ver aqueles olhos, só mais uma vez. Eram como um rio.»

Cheriot sempre tinha gostado de rios azuis. O lago de Big Fox onde seus pais se conheceram era na verdade um rio, mas ao construírem uma represa por perto, a topografia se formou e ele se tornou um lago separado do rio.

Cheriot, que tinha crescido naquele belo rio, aprendeu a nadar graças ao pai. E no momento em que viu os olhos do homem, veio-lhe à mente o lago de Big Fox que ele tanto amava. Eram uns olhos igualmente profundos e azuis. Ao sobrepor todas as lembranças de sua infância que ele amava, Cheriot quis ver o homem de novo.

Cheriot, que seguiu mais uma vez o homem que lhe lembrou de repente o pai, a quem agora não podia ver por mais que sentisse saudade, disse todo tipo de coisa para provocar alguma reação. Saiu de sua boca um discurso tão bobo que ele mesmo se sentiu idiota. Talvez aquele esforço patético tenha dado frutos…

—O que você quer?

A voz grave e baixa que ele escutou com dificuldade roçou seu ouvido. Sentiu um arrepio ao mesmo tempo em que uma emoção intensa percorria sua coluna.

«Ah, como é que até a voz desse homem é perfeita?»

«É assim que se sente estar enfeitiçado por um fantasma?» Cheriot ficou hipnotizado pelo homem, cuja aparência e agora a voz ele adorava loucamente. Ficava muito intrigado sobre o que faria sorrir assim um homem que parecia tão brusco e feroz.

«O que faz aquele homem sorrir? Como eu posso ver aquele sorriso de novo? Será que eu poderia provocá-lo?»

No entanto, o homem não deu nenhuma oportunidade a Cheriot. Fazendo uma cara temível, concordou em lhe emprestar dinheiro e assim o iludiu, para depois ir embora do seu lado sem sequer olhar para trás. Quando ele pediu o número, o ignorou por completo.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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