Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.8 Online


Modo Claro

6. Todos temos esqueletos na alma (Tolstói) (Parte 8)

A mão branca, que o oprimia como uma maldição, apertou o gatilho no lugar dele. Sem a mínima hesitação, sem temer a própria morte

—!

Um estrondo grotesco ressoou. O som da bala rasgando o ar e atravessando a pele e os ossos humanos se espalhou pelo vazio. Nos grandes olhos azuis arregalados de Yurij, a figura magra de sua mãe desmoronando se gravou lentamente, com peso.

A mulher que sempre fez o certo até o fim cometeu o pecado de arrancar a própria vida só para manter o filho vivo. Mas no rosto de Yekaterina ao encarar a morte não se via arrependimento algum. Ela sorria, e Igor foi testemunha vívida de como aquele sorriso estourava enquanto ela o olhava. O homem, que tinha feito coisas terríveis tão bem a vida inteira, empalideceu e se paralisou naquele momento.

Yurij também viu diretamente como o belo rosto de sua mãe desaparecia sem forma. Foi então que soube pela primeira vez o quanto era medonho um cadáver sem cabeça. Aquela figura tão cheia de vida se desintegrou por completo, e a massa cerebral e os ossos do crânio respingaram por todos os lados.

No instante em que o corpo sem cabeça de sua mãe tocou o chão com um baque surdo, Yurij também perdeu os sentidos. A sensação de que seu corpo e sua mente se separavam, tal como estava amarrado, o dominou. Seu corpo físico, de olhos abertos, continuava em seu lugar, mas sua mente se rasgou em pedaços e se dispersou por todos os lados.

A última coisa que Yurij ouviu antes de perder a consciência foi o grito furioso de Igor. O criminoso covarde e impiedoso gritou diante do cadáver de Yekaterina.

—Essa maldita vagabunda se exibindo até o final!

Igor, incapaz de aceitar que tinha sido intimidado por uma simples mulher, uma ômega, procurou com olhos esbugalhados onde descarregar sua ira transbordante. Seu olhar, que girava sinistramente, pousou em Yurij. Apontando para o jovem que chorava lágrimas misturadas com sangue de boca aberta, Igor disse:

—Tirem a pistola dele e me tragam um facão.

Os homens se aproximaram e arrancaram a mão de Yurij. Os dedos que antes tinham resistido a agarrar a pistola mesmo sob ameaça de morte agora estavam rígidos e não conseguiam soltá-la. Yurij soltou a arma só depois que o dorso de sua mão esquerda foi dilacerado.

E depois…

O que aconteceu depois?

Doía. Uma dor tão aguda que ele preferiria morrer se espalhou por suas costas. A carne nua se rasgou, expondo a carne vermelha, e a lâmina do facão tocou novamente aquela carne exposta. Enquanto o destroçavam até que os músculos e os vasos sanguíneos ficassem à mostra, ele perdia os sentidos e voltava a si ao ser jogado com água fria, vez após vez.

Foi um tempo terrivelmente longo. Tão longo que jamais poderia esquecer.

Yurij não lembrava de tudo o que aconteceu em sua vida. Mas esse verão, ele nunca conseguiu esquecer. Para continuar vivendo, deveria tê-lo esquecido, mas não conseguiu.

。・゚♡゚・。。・゚♡゚・。

No dia seguinte, Yurij recobrou os sentidos pelo fedor insuportável. Em suas costas, depois de acordar à beira da morte, ficou uma cicatriz em forma de cruz. Embora tivesse sofrido ferimentos tão graves que não teria sido estranho se morresse, milagrosamente sobreviveu.

Igor, talvez querendo cumprir sua promessa, aplicou remédio e enfaixou a carne dilacerada que mal podia ser chamada de ferimento. Mas se ele realmente quisesse salvar Yurij, deveria tê-lo tirado do terreno baldio sob o sol escaldante. Foi um covarde até o fim.

Ao abrir lentamente os olhos, Yurij percebeu que ainda estava no mesmo terreno baldio do dia anterior. O sol ardia com força suficiente para derreter seu corpo debilitado. Ele estava com sede, embora fizesse calor sentia frio e, na sensação de que todo o seu corpo tremia e convulsionava como um álamo, mal ergueu a cabeça e testemunhou mais uma vez algo horrível.

O fedor emanava da frente. Devido ao clima sufocante, o precioso corpo de sua mãe se decompunha rapidamente, perdendo em grande velocidade sua bela forma em vida.

Os olhos azuis de Yurij, ao verem aquela imagem, giraram selvagemente por um instante antes de voltarem com dificuldade. A ira ardente contra Igor, que não demonstrava respeito algum pelos mortos, e a loucura que o tomou ao presenciar uma tragédia insuportável para uma mente sã, rasgaram momentaneamente a sanidade de Yurij. Bem antes de perder a razão e enlouquecer por completo, o grito de sua mãe ressoou em sua mente.

[—Sobreviva, Yurij.
Você tem que viver.]

«Mas como? Como diabos eu deveria sobreviver aqui? Depois de ver aquela cena, eu tenho que continuar vivo?»

Não tinha confiança. Ao surgir o impulso de se render, quis soltar o fio da vida que mal sustentava. Mas Yurij, fechando com força suas pálpebras manchadas de sangue ressecado, murmurou para si:

—Você tem que viver. Viva. Você tem que viver, custe o que custar, e se agarre a essa vida que a sua mãe salvou, remendando de alguma forma.

Enquanto balbuciava sem sentido, de repente abriu os olhos em seu sonho. Depois, olhando o corpo de sua mãe caído sem cabeça, piscou.

«Aquilo… foi no passado.»

«Mas toda vez que eu durmo eu volto pra aquele momento, posso chamar isso de passado?»

A cena que Yurij via era algo de muito tempo atrás, mas também era um presente que vivia e respirava dentro dele todos os dias. Seu fôlego, suas cicatrizes, sua dor, tudo cresceu a partir daquele verão terrível.

«Então era por isso que viver era tão medonho. Porque eu não consegui dar um único passo além do verão em que perdi a minha mãe, cada dia era uma agonia.»

«É agonizante. A vida em que eu tenho que viver porque preciso sobreviver é terrível demais. O cheiro de decomposição sempre ronda o meu nariz, e nos meus ouvidos ressoam os disparos e o zumbido das moscas. Eu não sei como me livrar dessas sensações.»

«Mãe. Eu tenho que continuar vivendo? Até quando eu tenho que cumprir o propósito que a senhora deixou?»

Nada do que sua mãe disse o alcançava. Embora tivesse conservado sua vida a todo custo para cumprir seu testamento, a vida que se forçou a viver não era bela como sua mãe tinha descrito.

Houve dias felizes, mas houve muito mais momentos que não foram. Porque não podia morrer, matou quem tentava matá-lo e, ao fazer isso, em sua vida só se acumularam camadas de marcas ruins. De repente, ao parar e olhar para trás, só restavam ruínas por onde ele tinha passado. Yurij tinha certeza de que essa não era a vida que sua mãe tinha desejado.

«É. Eu venho vivendo errado esse tempo todo. A minha mãe com certeza não teria querido que eu sobrevivesse fazendo essas coisas. Se eu tivesse entendido antes, eu não teria precisado sujar as minhas mãos de sangue…»

«Pra que eu resisti até esse ponto? Em lugar nenhum estão as coisas belas de que a minha mãe falava.»

Ao pensar isso, uma brisa suave soprou de algum lugar. A esmagadora culpa que sempre atormentava o coração de Yurij se desvaneceu lentamente e lhe disse que agora descansasse. Yurij realmente queria fazer isso. Parecia que finalmente podia dormir em paz. Tinha resistido muito, tinha feito o suficiente.

Bem quando Yurij estava prestes a entregar sua alma àquele descanso que finalmente tinha chegado, escutou a voz de alguém.

—Wolfie!

Diante do chamado claro que ressoou através dos horríveis sons que zumbiam em seus ouvidos, Yurij estremeceu por um instante. Ele só precisava adormecer assim, mas a voz que tinha acabado de escutar fez com que Yurij, de alguma forma, hesitasse. Então, o descanso acariciou suavemente suas pálpebras. Uma sonolência lenta o invadiu.

—Wolfie, vem logo!

Mas alguém chamou Yurij de novo. Assim que escutou aquele grito, sentiu uma ansiedade tão intensa que parecia que devia correr até aquela voz imediatamente. Esquecendo o descanso pacífico que o tentava, pensou que devia ir até a pessoa que o chamava com tanta urgência.

O terreno baldio sob o sol escaldante onde estava sua mãe se transformou numa densa mata de verão. Sob um céu azul que provocava lágrimas, os galhos das árvores balançavam lindamente. Entre o cheiro fresco de vegetação que picava seu nariz e a sensação do vento em suas bochechas, sentiu o feromônio de Cheriot. Ao cheirar aquela fragrância doce mas pesada, que nunca se desvaneceria facilmente, a saudade e o carinho o invadiram.

Yurij, detendo por um momento o descanso que o atraía, olhou fixamente para Cheriot, de pé no lago, acenando para ele. O homem bonito, com um sorriso mais lindo que uma peônia, afastou o cabelo avermelhado molhado e abriu os braços.

—O que você está fazendo? Não vai entrar?

Gotas de água transparente caíram uma a uma por seus braços, desenhando círculos concêntricos na superfície do lago. Os pequenos círculos que se expandiam cresceram gradualmente até se estenderem por todo o lago. Assim era a forma da emoção que brotava no coração de Yurij toda vez que via Cheriot.

Como Yurij não ia, Cheriot inclinou a cabeça para o lado e franziu suas sobrancelhas escuras. Dava para ver uma decepção assomando em suas pupilas verdes.

Yurij compreendeu que não podia deixar aquele homem para trás. Girou a cabeça em direção ao descanso que segurava seu pulso. Aquilo, que tinha uma forma transparente e sem corpo, inclinou a cabeça. Yurij liberou lentamente seu pulso e disse:

—Tem alguém me esperando.

A forma transparente se transformou gradualmente na imagem que Yurij lembrava. O cabelo castanho macio balançou seguindo a brisa que soprava na direção de Cheriot, e entre as mechas se viu o rosto de sua mãe. Era exatamente a bela forma que Yurij lembrava.

—Vem devagar pra não se machucar, minha pérola Yurij.

A voz cheia de amor acariciou o dorso de sua mão esquerda e desapareceu. Yurij finalmente virou as costas à lembrança que o prendia e olhou para o homem que, sem ir a lugar nenhum, ainda o esperava. O homem, que estava de braços cruzados e com os lábios franzidos num biquinho de irritação, arqueou os olhos como se nunca tivesse ficado bravo quando Yurij se aproximou lentamente dele. Seus lábios se curvaram, formando uma covinha numa de suas bochechas brancas.

Yurij caminhou até ele. A distância se encurtou gradualmente e, ao chegar diante do lago, Yurij olhou a água que molhava a ponta de seus pés brancos e, sem hesitar, entrou. No momento em que pisou, sentiu como se todo o seu corpo fosse arrastado para dentro da água.

Mas não tinha medo. Lembrando a sensação dos braços e coxas firmes que o tinham sustentado, Yurij saltou no lago com prazer.

。・゚♡゚・。。・゚♡゚・。

Continua….

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

Gostou de ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.8?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!