Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.10 Online


Modo Claro

5. Medovik (Parte 10)

Ao escutar frases como «foi amor à primeira vista» ou sussurros de «você é especial», e perguntas doces como «você age assim com outras pessoas?», Yurij teve uma grande ilusão. Embora gritasse internamente que não podia ser, no fim acreditou que talvez aquele homem sentisse algo especial por ele.

Era óbvio que essa resposta viria.

«Como eu pude fazer uma pergunta que equivale a pedir que ele renuncie ao fundo fiduciário justamente ao homem que veio me procurar para protegê-lo?»

O próprio Yurij é exatamente o tipo de existência que «perturba a ordem social e mancha a honra da família».

A consciência de que um criminoso como ele tinha se atrevido a cobiçar Cheriot dilacerou sua mente com crueza. Veio-lhe à mente o rosto horrorizado de Benji gritando como ele ousava se preocupar com alguém como ele, e ressoou a voz de Dolly, gentil mas traçando uma linha clara.

«Idiota. Você foi ambicioso demais.»

Yurij sentia que ao pensar assim era voraz, até a loucura. Por que tinha dito algo tão patético? E ainda por cima agora.

Numa situação em que devia priorizar Cheriot, por um momento perdeu a cabeça e o colocou em apuros. Já tinha feito com que ele revivesse seu trauma ao voltar ferido de maneira lamentável, e agora, com sua própria ambição, pressionava alguém que já tinha coisas difíceis e assustadoras demais pela frente.

—Não é no sentido que você está pensando.

Ao perceber seu erro, Yurij forçou seus lábios secos e grudados para falar. Seu corpo, que tinha se aliviado ao ver Cheriot, ficou pesado num instante, e o suor frio brotou em suas costas. Não sabia se eram sequelas da doença, mas uma tontura repentina o invadiu; sem demonstrar, continuou falando. Para que Cheriot não se sentisse mais constrangido ou angustiado, Yurij encontrou uma desculpa bastante aceitável.

—O que eu estava perguntando era se a gente é pelo menos amigo.

Com um rosto inexpressivo que não revelava dor ou angústia alguma, mas com a voz suave que só permitia para Cheriot, perguntou:

—Acho que pelo menos tem que ser assim… pra ninguém se surpreender se você for na minha casa. E vice-versa.

«Se eu soubesse que isso ia acontecer, pelo menos eu devia ter segurado a sua mão uma vez. Devia ter sentido pela última vez aquele calor de que eu tanto senti falta durante toda a madrugada e, depois de responder que não à pergunta se eu tinha comido, devia ter me sentado ao seu lado pra dividir o macarrão que você mesmo preparou, exatamente como a gente fez ontem.»

«Então, mesmo que a gente não pudesse tomar cerveja, teríamos podido tomar café da manhã juntos vendo os seus melhores jogos e, enquanto eu te via voar livre sobre o gelo, eu teria podido te dizer sem constrangimento palavras carregadas de intenção: como você está bonito… que não vai existir ninguém tão lindo quanto você.»

Pisoteando o arrependimento que o investia como uma tempestade, Yurij esboçou um sorriso sereno. Era aquele sorriso de calma que costumava mostrar a Alexei ou a Timac.

Cheriot, que tinha ficado em silêncio pela culpa, finalmente relaxou a expressão ao vê-lo sorrir assim. Ele também sorriu com seu sorriso habitual, embora seus olhos continuassem cheios de remorso.

—Claro que sim, Yurij.

Em Cheriot, que sorria com os olhos curvados de maneira parecida com quando se conheceram, não se sentia o menor constrangimento. Como Dolly disse, parecia que seu sorriso tinha se tornado meio que um hábito e por isso parecia tão perfeito.

Mas, estranhamente, para Yurij o sorriso de Cheriot não parecia florescer exuberante como as peônias de ontem de manhã. Embora fosse o mesmo sorriso, algo era diferente. Ontem, Cheriot parecia sorrir de verdade.

«Será que é porque eu decidi vê-lo só como amigo?»

Não parecia ser isso. Embora tivesse dito aquilo e de agora em diante fosse viver como amigo de Cheriot, Yurij continuava querendo beijá-lo assim que o via. Ao lembrar do dia de anteontem, quando suas línguas se enroscaram incontáveis vezes de forma pegajosa, queria abraçá-lo com força.

«No fim, eu não acho que consiga ver o Cheriot como um amigo.»

Yurij nunca tinha sentido por nenhum de seus amigos o desejo de beijar e misturar seus corpos como nos últimos três dias. Talvez nem sequer por Alexei, a quem considerava mais importante que o próprio pai.

Houve um tempo em que tentou superar junto com Alexei sua situação difícil, e se esforçou para estar sempre ao seu lado para fazê-lo feliz e arrancar-lhe um sorriso, mas não era esse sentimento. Ainda agora Alexei era precioso para ele, mas ao pensar no tempo depois de conhecer Cheriot, ele não tinha olhado para Alexei com o conceito de amor romântico de que as pessoas falam.

Alexei era a razão pela qual Yurij conseguia resistir, mas não uma existência que lhe desse o desejo de continuar vivendo.

Provavelmente, para Alexei ele também era exatamente isso.

Hoje, enfim, Yurij entendeu completamente Alexei, que só conseguia sorrir de verdade se fosse com Valery. Nem as palavras de Cheriot de que sete segundos bastam para se apaixonar, nem as de sua mãe de que se apaixonou pelo pai à primeira vista, estavam erradas.

Yurij ficou preso desde o dia em que Cheriot pegou seu pulso. Naquelas pupilas verdes que o olhavam, Yurij viu uma parte do paraíso com que tinha sonhado a vida inteira, e a cada dia que passava com ele percebia que sempre tinha ansiado por esse paraíso.

Não podia saber em que momento exato se apaixonou por ele.

Mas sabia por que se apaixonou.

Porque Cheriot lhe disse que ele mesmo era lindo.

A ele, a quem ninguém no mundo respeitava, a ele manchado de cicatrizes, a ele que tinha cometido um pecado imperdoável.

Bastava um breve instante para se apaixonar por uma pessoa assim. No instante que ele lhe ofereceu, estava o que Yurij tinha desejado a vida inteira.

—Então, Cheriot, quando você estiver em perigo, não hesita em me chamar. Os amigos existem pra se apoiarem mutuamente.

Como Cheriot lhe tinha dado algo que ele ansiou a vida inteira sem saber, Yurij decidiu se contentar com isso. Se Cheriot o aceitasse como Yurij Kiselyov e não como Yurij Campbell, só esse fato bastaria para lhe dar forças para viver o resto de seus dias.

Diante das palavras de Yurij, Cheriot sorriu torcendo suas sobrancelhas avermelhadas. Com expressão complicada, dirigiu o olhar à cintura de Yurij coberta pela roupa e sussurrou em voz baixa:

—Mas, Yurij, eu só desejo que você não se machuque mais.

A cálida voz de barítono o perturbou por um momento. Ele mal tinha decidido que assim estaria bem, mas com essas palavras surgiu uma ânsia dolorosa de que quem dera ele fosse seu. Reprimir esse breve anseio era centenas de vezes mais difícil que resistir aos calafrios que o assaltaram a madrugada toda.

—Está tudo bem, Cheriot. A minha vida é mais resistente do que parece, então eu não vou me machucar gravemente por qualquer coisa.

«Quem dera eu tivesse morrido antes», pensou, mas Yurij tinha superado muitas vezes situações próximas da morte.

—Então, se for realmente perigoso, me procura.

Enquanto Cheriot movia os lábios buscando algo para dizer, a porta da cozinha se abriu. Como se tivesse se levantado ao amanhecer, Benji saiu com o cabelo desarrumado parecido com o de Cheriot e, ao vê-los parados um diante do outro, franziu o cenho com força.

—O que você está fazendo aí com essa pessoa, Cherry?

—Já acordou, Benji?

Cheriot virou a cabeça para dar bom dia a Benji. Embaixo da orelha ligeiramente girada de Cheriot, em algum lugar de sua nuca macia, via-se uma marca como de picada de inseto. No tempo que parecia um sonho, veio-lhe a lembrança de tê-lo mordido ali no pescoço, mas não tinha maior importância.

A marca desapareceria em alguns dias. Era algo inevitável, como o fato de que Cheriot logo esqueceria seu verão.

Quando Cheriot voltou a girar a cabeça, Yurij já não estava diante da porta. Cheriot dirigiu o olhar para o som da porta do banheiro se fechando e ficou parado um momento ao escutar o barulho da água. Na mão de Cheriot, que permanecia imóvel, ele segurava por precaução o neutralizador que tinha pedido a Dolly que comprasse no aeroporto. * * *

A agenda da despedida ficou decidida. Iriam todos juntos ao aeroporto de Calgary e ali pegariam seus voos para se separarem. O grupo de Cheriot planejava seguir para Toronto para pegar um voo a Boston, e Yurij também decidiu pegar um voo para Vancouver na hora em que eles partissem.

Benji soltava indiretas óbvias e Yurij também não se sentia à vontade, então originalmente pensaram em ir separados, mas Cheriot insistiu com firmeza que era responsabilidade dele levá-lo até seu voo de volta. A expressão constrangida que ele viu de manhã o preocupava, então ficou observando o semblante de Cheriot o tempo todo, mas ele parecia se comportar com seu habitual capricho moderado.

Como Cheriot era o único que tinha que preparar a bagagem, quando ele ficou pronto já podiam partir. Embora Yurij também tivesse bagagem, no máximo era só uma sacola de papel. Colocou ali algumas peças de roupa que tinha usado, e numa mão levou o livro que Cheriot lhe deu e a novela curta de sua mãe, enquanto no outro braço pendurava o casaco com o qual tinha chegado.

Dentro da sacola de papel estava a camisa branca de Cheriot que ele não tinha conseguido devolver. Estava tão manchada de sangue que não podia dá-la assim, então planejava mandar lavar e ajeitar para devolvê-la depois. Agora que pensava nisso, a roupa que ele lhe emprestou no primeiro dia também se manchou de sangue.

Ao pensar que ele, que só se vestia de preto, e Cheriot, que preferia o branco, eram uma combinação que não batia, Yurij sentiu seu coração se aliviar.

De vez em quando, muito de vez em quando, poderia entrar em contato e ver que ele está bem, e com isso poderia se sentir satisfeito. Sempre tinha vivido assim, então não era um problema. Só que, para isso, havia uma grande condição prévia: Cheriot precisava resolver esse assunto são e salvo.

—Com duas pessoas vai ser difícil.

Yurij falou com Dolly, que dirigia cantarolando. Depois de mais de trinta minutos sem dizer nada, Dolly olhou para ele ao escutar as palavras do homem que observava pela janela. Pelos óculos escuros não se viam seus olhos azuis, mas sua expressão facial era suficiente para adivinhar.

—Você está me subestimando?

—Estou falando do número.

Yurij olhou lentamente para a frente e falou. O céu, que ontem esteve momentaneamente nublado, hoje brilhava de novo com um sol radiante, e a luz entrava direto pelo para-brisa transparente, sem camada protetora. Como a luz o incomodava, Yurij franziu o cenho e continuou sua explicação.

—O dono deste veículo não é simplesmente um ex-membro de uma gangue de motociclistas, é um mercenário. Ex-militar, e considerando que o atacante com quem eu me deparei antes era parecido, eles contrataram mercenários de pelo menos dois lugares diferentes ou escolheram uma organização grande.

O carro que Dolly dirigia era o mesmo que Yurij tinha tomado do mercenário e dirigido ontem. Como o deixaram perto da casa de veraneio e temiam que os rastreassem, Yurij planejava abandoná-lo no estacionamento do aeroporto, mas Dolly se ofereceu para ajudar como motorista. Embora Yurij tenha dito que estava tudo bem e tenha recusado, a teimosia de Dolly era considerável. Ela lhe arrancou as chaves do carro.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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