Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 08 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 08
No sonho, Jung Eun-hee caminhava sozinha por uma trilha isolada. As árvores estavam tingidas com tons vibrantes de outono, e pequenos pássaros cantavam alegremente, exibindo suas vozes cristalinas. Dona de uma sensibilidade aguçada, ela continuava o passeio desfrutando da bela paisagem com os olhos e o coração.
— Hum?
De repente, seu olhar foi atraído para algo. A poucos passos de distância, um objeto brilhava intensamente, emanando uma presença radiante.
“O que é aquilo?” Movida pela curiosidade, ela se aproximou. Logo, seus olhos se arregalaram. O que estava caído no caminho era uma pepita de ouro do tamanho de um punho.
— Nossa, por que isso está aqui? Será que alguém deixou cair?
Ela ergueu a cabeça e olhou ao redor, mas não viu vulto de ninguém. Apenas as folhas de outono coloridas balançavam suavemente com o vento.
Seu olhar voltou-se novamente para baixo. A cor intensa, o brilho característico. Não havia dúvidas de que o objeto no chão era uma pepita de ouro. Sendo alguém tão interessada em peças de ouro a ponto de colecionar barras em vez de dinheiro em espécie, seria impossível ela não reconhecer ouro puro.
Como se estivesse enfeitiçada, ela se agachou. Após hesitar por um momento, Jung Eun-hee estendeu a mão lentamente e, em pouco tempo, arregalou ainda mais os olhos. A pepita, que brilhava de forma ofuscante, começou a ficar completamente preta a partir do ponto onde seu dedo tocou.
— Ai, meu Deus!
Assustada, ela recolheu a mão num solavanco. Olhou apressadamente para a própria mão, mas ela estava limpa, sem nada. O ouro no chão já havia recuperado seu brilho original.
Ela ficou atônita. “…Será que eu tive uma alucinação?” Observando o ouro fixamente, Jung Eun-hee estendeu a mão mais uma vez, com cautela.
— Credo, que susto.
Recuou a mão rapidamente, assustada. Não tinha sido alucinação. O objeto claramente brilhava de forma radiante, mas no instante em que sua mão o tocava, ele se transformava em um bloco negro como se fosse mágica.
— O que a senhora está fazendo aí?
Foi então que, ao ouvir uma voz repentina, ela ergueu a cabeça e viu o rosto de seu filho caçula. Jung Eun-hee começou a falar imediatamente, como se estivesse desabafando:
— Olhe só isso, Gyu-ha. Qualquer um diria que é ouro, mas basta eu encostar que ele fica preto.
Ao encostar cautelosamente a ponta do dedo indicador, como era de se esperar, o objeto começou a mudar de cor rapidamente. Vendo aquilo, Seo Gyu-ha respondeu com indiferença:
— Não tem nada sujo na mão da senhora?
— Não, está limpa. Mesmo que estivesse suja, faz sentido a cor mudar no momento em que eu encosto?
A palma da mão que ela estendeu para o filho estava impecavelmente limpa. Diante do desinteresse persistente do rapaz, Jung Eun-hee insistiu:
— Filho, por que você não tenta pegar?
— Não quero.
— Não seja assim, pegue só uma vez. Hein?
— Já disse que não quero. Não sou mendigo.
— …Você está chamando sua mãe de mendiga agora?
Ao notar a mudança clara de temperatura na voz dela, Seo Gyu-ha percebeu que tinha falado demais. — Não, não é isso… — murmurou como uma desculpa e, soltando um suspiro leve, abaixou-se relutantemente. Ele sabia muito bem que a vida ficava complicada quando deixava sua mãe brava ou magoada.
— Ah?
Os olhos de Jung Eun-hee se arredondaram. Mesmo com o toque da mão do filho, a pepita permanecia a mesma. Não apenas permanecia igual, como era possível ver um brilho, como uma aura, emanando suavemente por entre os dedos dele.
— Quando você segura, ele continua igual, Gyu-ha?
— Parece que sim.
Ao responder sem alma e afastar a mão, o brilho enfraqueceu imediatamente. Jung Eun-hee olhou para o filho com uma expressão solene.
— Filho.
— O quê?
— Pegue logo.
— …O quê?
— Estou dizendo para pegar logo. Pelo visto, você é o dono disso.
Diante daquelas palavras, Seo Gyu-ha fez uma expressão de descrença. Embora fosse difícil encontrar alguém que não gostasse de ouro, o fato de algo assim estar caído no meio da rua era estranho e suspeito.
— Se a senhora quer tanto, fique com ele.
— Você não viu que fica preto quando eu toco?
— Então deixa aí e vamos embora.
Jung Eun-hee sentiu a impaciência crescer diante da atitude totalmente desinteressada do filho.
Era verdade que ela amava ouro, mas era uma pessoa digna. Mesmo que algo mais valioso que ouro estivesse caído ali, ela poderia até demonstrar interesse, mas jamais o colocaria no próprio bolso.
No entanto, aquela pepita diante de seus olhos definitivamente não era algo comum. A mudança mágica de cor ao toque era a prova disso. E, por algum motivo, ela tinha a convicção crescente de que “o dono dessa pepita é, sem dúvida, meu filho caçula”.
Após olhar rapidamente ao redor, Jung Eun-hee insistiu mais uma vez:
— Não discuta e ouça sua mãe. Quem ouve os mais velhos sempre se dá bem.
— Se a gente comer algo sem querer enquanto dorme, pode acabar engasgando e mor… ai! Dói!
— Fazia tempo que não pedia uns tapas, não é? Hein?
O som do tapa ecoou de forma estalada. Aproveitando o momento em que ele esfregava o braço e reclamava da dor, Jung Eun-hee pegou a pepita como se a estivesse pescando e a enfiou no bolso do filho.
— Ah, sério. Eu disse que não queria. A senhora não sabe que hoje em dia não se pode sair pegando dinheiro por aí?
— Olha só para ele. Já esqueceu de quando pegou o dinheiro do seu irmão mais velho escondido e correu para o mercado?
— Nossa, faz quanto tempo que isso aconteceu? Por que trazer isso à tona agora?
— Como assim quanto tempo? Foi quando você estava no jardim de infância. Minha expectativa de vida diminuiu uns dez anos por causa daquele episódio.
Após o desabafo que ela já havia repetido inúmeras vezes, Jung Eun-hee disse com uma expressão de quem não tinha com o que se preocupar:
— Além disso, aqui é a montanha da família do seu avô, então não tem problema nenhum.
— O que é uma montanha da família?
— …
— É o nome da montanha?
— É a montanha onde vivem os deuses, montanha!
— Ah, por que me bateu de novo?!
Houve um pequeno embate, mas no final a vencedora foi Jung Eun-hee. Enquanto sorria satisfeita ao ver o bolso estufado da calça do filho, uma cena ainda mais surpreendente surgiu diante de seus olhos.
— Meu Deus! Olhe só aquilo, Gyu-ha!
As folhas das árvores plantadas ao longo da trilha haviam se transformado todas em ouro e brilhavam intensamente. E não era só isso. Das nuvens brancas flutuando no céu, jorravam feixes de luz ofuscantes.
Mesmo esfregando os olhos e olhando de novo, o que via não mudava. Era, de fato, uma paisagem maravilhosa e fenomenal.
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Após terminar de lavar o rosto, Seo Chang-sik entrou no closet. Enquanto vestia a camisa e abotoava os botões, sua esposa, que o acompanhara após muito tempo, escolheu pessoalmente uma gravata para ele.
— Use esta hoje, querido. Eu coloco para você.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, as mãos de Jung Eun-hee começaram a se mover ocupadamente. Observando o rosto concentrado da esposa, Seo Chang-sik perguntou:
— Aconteceu algo de bom?
Imediatamente, um sorriso radiante floresceu no rosto de Jung Eun-hee.
— Querido, você sabe que sonho eu tive ontem?
— Não. Que sonho foi esse?
— Apareceu uma quantidade enorme de ouro. Primeiro eu achei uma pepita pequena e dei para o Gyu-ha, mas depois vi que todas as folhas das árvores da montanha tinham virado ouro e estavam brilhando.
Diante do rosto da esposa tomado por uma alegria contagiante, Seo Chang-sik deu uma risadinha e brincou:
— Eu compro esse sonho. Venda para mim.
— Sinto muito, mas não posso. Pronto, terminei.
Após dar o nó na gravata, Jung Eun-hee ajeitou o traje do marido. A gentileza continuou. Ela mesma pegou a maleta e o casaco dele para se despedir e, em seguida, retornou para a sala.
— Ah, não posso ficar parada assim.
Enquanto desfrutava de um elegante chá, ela pegou o celular e ligou para o filho caçula. Devido à vida agitada de ambos, já fazia algum tempo que não ouvia a voz dele. Como ele havia aparecido no sonho da noite anterior, ela pretendia ter um almoço aconchegante com o filho.
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— …Acorda.
No meio do sono, ele ouviu a voz de alguém. Em vez de abrir os olhos, Seo Gyu-ha franziu o rosto completamente e virou-se para o outro lado. Mas a paz não durou muito. O cobertor que o envolvia foi puxado bruscamente, seguido por uma voz insistente:
— Acorda logo. Sua mãe chegou.
Só então Seo Gyu-ha abriu os olhos, sonolento. Ao olhar para trás, sua mãe realmente estava lá.
— Quando você chegou?
— Agora mesmo. Por que ainda está assim? Eu disse para se arrumar e ficar esperando.
— Não achei que você viria tão rápido.
— Já faz tempo que eu te liguei. Vá se lavar logo.
Antes mesmo que pudesse despertar totalmente, uma enxurrada de sermões o atingiu. Levantando-se ainda grogue, Seo Gyu-ha caminhou lentamente até o banheiro apenas de cueca.
Pouco depois, mãe e filho saíram de casa juntos. Ao contrário da mãe, que estava impecavelmente produzida, Seo Gyu-ha vestia calça de moletom e um moletom com capuz cobrindo a cabeça. Enquanto ela dirigia em direção ao restaurante, os sermões continuavam.
— Eu já disse para usar roupas melhores.
— Para que eu vou me arrumar para comer com a minha mãe? Ai! Por que está me beliscando?
— Esse é o tipo de coisa que se diz para a própria mãe?
Entre discussões e implicâncias, chegaram ao destino, um restaurante de seollongtang. Ao entrarem, embora ainda não fosse meio-dia, já havia um número considerável de pessoas comendo. Após fazerem o pedido, Jung Eun-hee começou a falar enquanto limpava as mãos com uma toalha úmida:
— Alguma novidade ultimamente?
— Nenhuma.
— E o café?
— Está indo bem.
Recentemente, ele havia contratado um funcionário homem pela primeira vez e, ao perguntar ao gerente, este parecia satisfeito, dizendo que foi uma boa escolha. Felizmente, desde então não houve problemas maiores e o faturamento continuava estável.
Após beber um copo de água gelada, foi a vez de Seo Gyu-ha falar:
— Você tem algum outro compromisso?
— Hein?
— É que parece que você se produziu toda hoje.
Com um penteado claramente feito com esmero, além de um colar e um anel com uma grande pedra verde que se destacavam, os brincos também eram luxuosos, do tipo que atrizes usariam em premiações.
— Combinei de encontrar a Tae-seon depois de muito tempo. Ah, ouvi dizer que você e o Cha-young continuam mantendo contato?
Por um instante, Seo Gyu-ha sentiu um sobressalto, mas fingiu que não era nada.
— Quem disse isso?
— A Tae-seon comentou que parece que os filhos estão se dando bem. Ela disse que você até ligou um tempo atrás e ficou toda feliz.
Pelo visto, elas já tinham compartilhado informações novamente. Ele tinha muito o que dizer, mas em vez de se estender em explicações, Seo Gyu-ha respondeu brevemente:
— Não somos tão próximos assim.
— Se vocês bebem juntos, é porque são próximos. Continue mantendo contato e se dando bem com ele. Você sabe que sorte é ter um amigo como o Cha-young?
“Sorte é o caramba. Você tem ideia do que aquele desgraçado fez comigo no último fim de semana?”
Incapaz de dizer aquilo em voz alta, ele apenas entornou mais um copo de água gelada. Pouco depois, as tigelas de cerâmica fumegantes foram colocadas sobre a mesa. Enquanto tomava o caldo quente, Jung Eun-hee chamou pelo nome do filho com uma expressão de expectativa. Era para contar sobre o sonho que tivera durante a noite.
— …Mas quando você tocava, o ouro continuava normal. Não é realmente incrível?
Mesmo pensando de novo, era algo bizarro. Jung Eun-hee olhou para o filho esperando concordância, mas o rapaz, sendo seco como sempre, sequer a olhou, continuando a comer enquanto dava uma resposta que estragava o clima:
— Não é porque a mão da senhora é podre?
— …Você está mesmo pedindo para apanhar desde cedo, não é?
Sentindo o ar esfriar, Seo Gyu-ha acrescentou uma explicação como desculpa. Por precaução, escondeu a mão esquerda discretamente debaixo da mesa para não ser beliscado de novo.
— Estou dizendo isso porque só ficava preto quando a senhora tocava.
— Por isso eu disse que dei para você. Porque quando você pegava, brilhava ainda mais.
— Então, é por isso que a mão da senhora… não, deixa para lá.
Observando o filho tomar o caldo com barulho e com uma expressão de indignação, Jung Eun-hee acabou soltando mais um suspiro. “Deveria ter vendido o sonho para o meu marido”. Arrependendo-se tardiamente de ter procurado o filho por achar que era um sonho auspicioso, ela voltou a pegar a colher.
Seo Gyu-ha, percebendo o clima, pagou a conta. Ao saírem do restaurante, ele olhou para a mãe.
— Já vou indo.
— Vai a pé? Eu te deixo em casa.
— Você disse que tem compromisso. Eu pego um táxi.
— Então faça isso. E apareça em casa este fim de semana.
— Vou pensar.
Após se despedir da mãe, Seo Gyu-ha virou-se e começou a caminhar. Deu uma olhada rápida para a rua, mas não viu nenhum táxi vazio. Como não queria ficar esperando parado, decidiu continuar andando. Enquanto aguardava o sinal mudar em frente à faixa de pedestres, o celular no bolso tocou. Ao retirá-lo, viu o nome “Gerente” na tela.
— Alô?
— Alô? Sou eu, chefe. Pode falar um minutinho?
— Sim. Aconteceu alguma coisa?
— É o seguinte, minha mãe ligou agora há pouco e disse que minha avó está muito doente. Ela mora sozinha e já tem idade avançada, e ela é a pessoa mais importante para mim, mais até que meus pais… Por isso, eu queria saber se poderia folgar uns três dias? Sinto muito por avisar assim de repente.
Era uma voz carregada de cautela e desculpas. Como já tinha ouvido a história familiar do gerente em um jantar da equipe, Seo Gyu-ha não hesitou em responder:
— O pessoal do turno da manhã está todo aí, certo?
— Sim.
— Então vá logo. Não se preocupe com o café.
Mesmo tendo feito o pedido, a voz do gerente soou preocupada:
— O senhor vai ficar bem?
— Vou sim. Já estou na rua, então eu passo por aí.
— Então vou esperar o senhor chegar para ir.
— Não precisa, vá logo. Vou direto para aí, sem desvios.
Ao responder em tom de brincadeira, o gerente agradeceu repetidamente antes de desligar. Seo Gyu-ha mudou imediatamente de direção e caminhou para a beira da estrada. Ao avistar um táxi vazio se aproximando, apressou-se em estender a mão.
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“Gerente, as canecas ainda vão demorar?”
— Já estão prontas.
Seo Gyu-ha movia as mãos apressadamente. Assim que secou duas canecas recém-lavadas com um pano seco e as colocou no balcão, Kim Mi-sun rapidamente inclinou a leiteira de vapor sobre elas.
— Aqui, por favor, gostaria de fazer um pedido.
— Sim. Só um momento.
Sem tempo sequer para respirar, ele se aproximou do caixa. Ao ouvir os nomes das bebidas, as pupilas de Seo Gyu-ha tremeram como se um terremoto estivesse ocorrendo. Ele mal conseguiu encontrar os itens no menu e, após pressionar o adicional de chantilly, entregou o pager e o cartão ao cliente.
— Gerente, desculpe, mas por favor, termine a louça! Estamos ficando sem xícaras de novo.
— Está bem.
Seo Gyu-ha retornou às pressas para a pia. Não havia tempo nem para calçar as luvas de borracha, então ele pegou a esponja com as mãos nuas e começou a esfregar os pratos.
Já era o terceiro dia desde que ele havia assumido a linha de frente no lugar do gerente. Tendo aceitado o desafio sem pensar muito, Seo Gyu-ha estava sendo devidamente castigado durante os três dias inteiros. Quando o movimento estava calmo, estava calmo, mas quando ficava corrido, os clientes surgiam em bandos de deixar qualquer um atordoado.
A funcionária temporária ficava encarregada das bebidas, e todo o resto do trabalho sobrava para Seo Gyu-ha. No fim das contas, sua única tarefa na cozinha era lavar a louça, mas como nunca fizera isso direito, era extremamente desajeitado. Para se ter uma ideia, no primeiro dia ele chegou a quebrar dois pratos.
E os obstáculos não paravam por aí. O gerente, que era muito meticuloso, deixara anotações em um caderno sobre as tarefas a serem feitas, mas verificar o estoque ou fazer pedidos de reposição… nada era fácil.
Mesmo assim, ele aguentou firme com o pensamento de que “só precisava fazer isso por três dias”… mas o gerente ligou hoje à tarde. Disse que o estado de sua avó estava piorando e que, pelo visto, precisaria ficar mais alguns dias. Disse que, se não fosse possível, ele poderia procurar outro funcionário.
Não havia como ele responder prontamente que estava tudo bem. Após dizer para o gerente descansar até o fim do mês, ele desligou o telefone e soltou um suspiro profundo logo em seguida.
E, pouco depois, outra má notícia chegou. Um dos funcionários do turno da noite, que trabalhava com dedicação há meses, entrou em contato repentinamente dizendo que teria que pedir demissão por motivos pessoais. O ditado que diz que coisas ruins acontecem em sequência era verdadeiro. Ao pensar que ficaria preso sem escapatória até o horário de fechamento por algum tempo, um sentimento de desolação o invadiu naturalmente.
Quando passou das nove da noite, os clientes começaram a sair um a um. Após verificar que o salão estava um pouco mais vazio, Seo Gyu-ha falou com a funcionária que estava por perto.
— Vou ali fora pegar um ar rapidinho.
— Sim. Vá lá.
Ao abrir a porta e sair, sentiu uma brisa fresca. Ficou parado ali, distraído como alguém que perdeu o juízo, e tirou do bolso de trás da calça o celular pela primeira vez em várias horas. Encostado na parede externa do prédio, ele verificou a pilha de notificações acumuladas.
[Você vem para minha casa hoje de novo?]
Ao ver a mensagem de Lee Cha-young, Seo Gyu-ha enviou uma resposta sem hesitar.
[ññ]
[Por quê? Ainda não está se sentindo bem?]
[trabalhando]
[Trabalhando? Fazendo o quê?]
[longa história]
Como ele enviou uma resposta desleixada por preguiça, o telefone tocou imediatamente.
— O que foi?
— Trabalhando a esta hora?
— O gerente não está, então estou cobrindo o turno dele.
Ele nem mencionou que era no café, mas o outro pareceu entender prontamente, pois logo veio a pergunta seguinte:
— Que horas você termina?
— Onze.
Estar ocupado tinha suas vantagens. À tarde, a hora de ir embora parecia uma eternidade de distância, mas, sem perceber, faltava pouco para terminar.
— Então venha para minha casa quando acabar. Recebi um vinho muito bom.
— Vou pensar. Vou desligar.
Após encerrar a chamada, Seo Gyu-ha continuou verificando as mensagens. Suas sobrancelhas se franziram levemente. Havia entrado uma mensagem avisando que ele tinha um check-up de rotina na próxima semana.
— …Que saco.
Embora digam que a prevenção é o melhor remédio, ir ao hospital regularmente quando não se sente dor em lugar nenhum era algo extremamente irritante. Ele estava prestes a entrar quando, por coincidência, a porta do café se abriu e alguns clientes saíram. Seo Gyu-ha entrou, como se estivesse trocando de lugar com eles, e começou a limpar as mesas bagunçadas.
O tempo continuou passando. Depois das dez, os casais que persistiam até o fim se levantaram e, finalmente, todos os clientes haviam saído. Sem falta, a louça sobrou para Seo Gyu-ha. Enquanto esfregava vigorosamente pratos com migalhas de bolo grudadas, um desejo intenso de ir embora mais cedo o dominou.
“Será que eu fecho um pouco antes hoje?”
Parecia que seria o melhor a fazer. Ele estava prestes a chamar a funcionária para pedir que pendurasse a placa de FECHADO quando, simultaneamente, o som detestável do sino da porta ecoou.
“Vou enlouquecer.” O palavrão quase saiu sozinho. Ao contrário dele, atrás de suas costas, a funcionária cumprimentou o cliente com uma voz gentil, e logo em seguida ouviu-se a voz do recém-chegado.
— O gerente está?
No mesmo instante, os ombros de Seo Gyu-ha estremeceram. Ao se virar lentamente, um rosto familiar entrou em seu campo de visão. Logo, uma voz hesitante escapou de seus lábios:
— O que você está fazendo aqui?
— Saí para resolver umas coisas e resolvi passar rapidinho.
Naquele momento, a porta se abriu novamente e mais clientes entraram. Ao pensar que o plano de ir embora cedo tinha ido por água abaixo, sua expressão se fechou automaticamente.
— Por que não vai para casa em vez de vir aqui?
— Vim tomar um café.
Dito isso, o pedido que ele fez à funcionária foi, na verdade, dois chás de limão. Seo Gyu-ha voltou a se concentrar na louça e, após terminar, apoiou o quadril em um pequeno banco atrás da vitrine. Como o banco era bem alto, ele conseguia visualizar todo o interior do salão.
Lee Cha-young estava sentado perto da janela. Cruzando as pernas de forma relaxada enquanto olhava o celular, não importava quando se olhasse, seu rosto era mesmo fora do comum.
A linha que ia da testa à ponta do nariz, e do nariz aos lábios, era simplesmente fantástica. Como tinha um bom físico, o caimento do terno também era impecável. Somado a isso, o relógio de pulso que claramente custava uma fortuna e os sapatos caros faziam parecer que ele estava cometendo a atrocidade de estrelar um ensaio fotográfico sozinho no local de trabalho sagrado de outra pessoa. Tanto que até os clientes homens que entraram depois de Lee Cha-young pareciam não parar de olhar para aquela direção.
O pager deve ter vibrado, pois Lee Cha-young se levantou. Antes que seus olhos se encontrassem, Seo Gyu-ha desviou o olhar rapidamente. Ele fingia mexer no celular quando, de repente, uma voz agradável chegou aos seus ouvidos.
— Entregue este para o gerente.
Ao ouvir a palavra “gerente”, ele ergueu a cabeça por reflexo. Seus olhos se encontraram com os de Lee Cha-young num instante. O outro exibiu um sorriso largo e, sem emitir som, apenas moveu os lábios dizendo “vou esperar” antes de se virar.
— Este aqui, aquele cliente disse para entregar para o gerente.
O olhar de Seo Gyu-ha seguiu a mão da funcionária. Observando o chá de limão que preenchia a caneca, ele estendeu a mão e o aceitou, fingindo relutância. Sentindo um certo embaraço, começou a falar qualquer coisa.
— Você cobrou direito dele, não foi?
— Claro que sim.
— Bom trabalho. Yoon-seo, se você quiser beber algo também, pode fazer para você.
— Uau, então eu posso tomar um chá com leite?
— Com certeza. Aproveite e vá pendurar a placa lá fora. Assim que aqueles clientes saírem, vamos para casa.
— Sim!
A funcionária alegre saiu da cozinha, e Seo Gyu-ha finalmente levou a caneca aos lábios. No instante em que encostou, ele se assustou por estar quente demais.
“Cacete, que susto.”
Foi uma sorte divina não ter derramado. Após resfriar os lábios ardentes com as costas da mão, desta vez ele soprou e deu um gole cuidadoso.
Sempre que vinha ao café, ele só bebia café; era a primeira vez que provava o chá de limão. Embora estivesse quente para caramba, o aroma perfumado e o sabor agridoce eram melhores do que ele imaginava.
— …!
De repente, ele cruzou o olhar com Lee Cha-young. Viu os cantos dos lábios dele, que estavam cerrados, subirem levemente. Com o cenho franzido como um bandido fazendo uma ameaça facial, Seo Gyu-ha moveu os lábios.
“Tá olhando o quê?”
O outro parecia estar respondendo algo, mas desta vez foi impossível decifrar. Lee Cha-young continuava sorrindo. Esperando que ele não tivesse visto a trapalhada de agora há pouco, Seo Gyu-ha virou o banco e desviou o olhar naturalmente.
Por causa dos clientes que ficaram até o último momento, ele acabou saindo do café só depois das onze. Após se despedir da funcionária na porta, Seo Gyu-ha tirou a chave do carro do bolso do casaco. Enquanto destravava o veículo, Lee Cha-young, que estava ao seu lado, perguntou:
— Você vai para minha casa, não vai?
— Ainda estou pensando.
— O que tem para pensar? Me dê a chave. Eu dirijo.
— E o seu carro?
— Venho buscar amanhã.
Seo Gyu-ha pensou por um momento e entregou a chave. De qualquer forma, ele não queria mover um único dedo, então, se o outro se oferecia para ser o motorista da rodada, ele não tinha como recusar.
Talvez por ser sexta-feira à noite, havia muitos carros e muitas pessoas indo e vindo. Enquanto olhava distraidamente pela janela, ouviu Lee Cha-young perguntar:
— Por que o gerente não apareceu?
— A avó dele está doente.
— Parece que é algo sério, então. Amanhã você folga?
— Não. Tenho que ir de novo.
Na verdade, sua presença no café não ajudava muito, mas como o gerente estava ausente, sentia que ele próprio deveria guardar o lugar. Além disso, não parecia certo deixar as tarefas que o gerente costumava fazer para os outros funcionários temporários.
Enquanto estava sentado distraidamente, parece que acabou pegando no sono sem perceber. — Acorda. — Sentindo mãos balançando seus ombros para despertá-lo, Seo Gyu-ha abriu os olhos sonolentos. Através do para-brisa dianteiro, um prédio familiar entrou em sua vista.
— Você deve estar muito cansado.
— Sinto que vou morrer por fazer algo que não estou acostumado.
Após um longo espreguiçamento, ele saiu do carro. Bocejos sucessivos escaparam. O sono passou rápido, mas, em seu lugar, uma fome avassaladora o atingiu.
Isso também era algo frequente ultimamente. Não sabia se era por causa do estresse, mas, tanto em casa quanto no café, muitas vezes sentia fome logo após comer. Enquanto subiam pelo elevador, Seo Gyu-ha perguntou enquanto massageava a barriga vazia:
— Tem algo para comer em casa?
— Tem queijo e vinho.
— Está brincando? Como vou encher a barriga com isso?
— Você não jantou?
— Estava ocupado, então comi qualquer coisa.
A lembrança de ter devorado dois rolos de kimbap e até um jj쫄면 (macarrão coreano picante) sentado no café havia sumido completamente. O olhar de Lee Cha-young se voltou para o lado. Ao ver a expressão claramente mal-humorada dele, soltou uma risadinha e falou:
— Peça algo por delivery, então.
— Se você não der show dizendo que a casa está com cheiro de comida.
— Não vou. Você acha que eu também não cozinho em casa?
Diante dessa fala, Seo Gyu-ha perguntou com uma expressão de surpresa:
— Você cozinha?
— Às vezes. Ao contrário de certas pessoas.
— Estávamos indo bem, por que começou a provocar de novo, seu desgraçado?
Discutindo, os dois entraram em casa. Seo Gyu-ha, que se jogou no sofá como se estivesse em sua própria casa, abriu imediatamente o aplicativo de entrega.
Sua expressão ao verificar o cardápio era extremamente séria. Uma batalha feroz ocorria em sua mente. Se pedisse isso, aquilo parecia gostoso; se pedisse aquilo, o que estava ao lado também parecia apetitoso. Após hesitar por um bom tempo, Seo Gyu-ha finalmente tomou uma decisão e moveu os dedos.
Pouco depois, Lee Cha-young apareceu na sala. Após colocar uma garrafa de vinho, taças e um prato com queijos sobre a mesa, ele se afundou no sofá e cruzou as pernas.
— O que você pediu?
— Frango frito.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…