Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 03 Online


Modo Claro

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 03

Desfrutava da tranquilidade de uma xícara de café após a refeição quando ouviu um barulho de conversa animada. Parecia que os funcionários que haviam saído para almoçar estavam voltando. Como esperado, rostos familiares entraram no escritório. Ao ver o Líder de Equipe Choi sacudir a cabeça como um cachorro para se livrar da água, Lee Cha-young perguntou:

— Parece que está chovendo lá fora.

— Nem me fale. Começou a despencar do nada, sofri para conseguir chegar correndo.

— Cha-young, você não deixou de sair com a gente porque já sabia que ia chover?

Era Park Hong-jun, sempre tentando provocar com picuinhas infantis. Mesmo sendo algo que não merecia resposta, Lee Cha-young respondeu com um sorriso em seu belo rosto:

— Claro que não. Quer que eu te empreste um lenço?

— Não precisa.

Demonstrando irritação, Park Hong-jun pegou seu maço de cigarros e saiu. Após acertar o copo de papel vazio na lixeira, Lee Cha-young também se levantou. Ele ia sair levando sua escova de dentes e o celular, mas o Líder Choi subitamente o chamou.

— Cha-young, venha aqui um instante.

Ele caminhou prontamente até lá, e o Líder Choi girou sua cadeira para encará-lo. Após dar uma olhada no escritório ainda vazio, começou a falar em voz baixa, quase sussurrando:

— Por acaso você gosta de La Plat?

— La Plat… Está falando daquela banda que está com a promoção em andamento?

— Isso. Recebi alguns ingressos, mas não tenho o menor interesse nesse tipo de coisa. Se você gostar, pode ficar com eles. Afinal, você foi o principal responsável por fazer o projeto dar certo.

— Então dê para sua filha. Ouvi dizer que está difícil de conseguir agora.

— Eu perguntei para ela ontem, mas ela só deu uma risadinha debochada perguntando o que era aquilo. Enfim, se precisar, leve.

O Líder Choi tinha um lado meio mesquinho e tímido. Ele dizia “se precisar, leve”, mas se Cha-young recusasse de verdade, era óbvio que ele ficaria amuado por um longo tempo. E quem acabaria exausto seria Cha-young.

— Obrigado.

Lee Cha-young sorriu gentilmente ao aceitar os ingressos. Diante da insistência do Líder Choi para que os guardasse logo onde ninguém visse, ele enfiou os ingressos no bolso traseiro da calça e saiu do escritório.

Ao voltar depois de escovar os dentes, o local já estava consideravelmente cheio. Olhou para o relógio e viu que ainda restavam 15 minutos de folga. Normalmente ele começaria a trabalhar de imediato, mas tinha acabado de enviar por e-mail o novo projeto no qual estava trabalhando há quase um mês.

Sentado em sua cadeira, ele estendeu a mão para o celular. Quase não havia informações úteis, mas ele pretendia passar o tempo dando uma olhada nas notícias econômicas, algo que não fazia há tempos.

O colega ao lado estava absorto em uma ligação. Palavras sobre planos para o fim de semana chegaram aos seus ouvidos e, graças a isso, Lee Cha-young percebeu novamente que hoje era sexta-feira. Ao fechar o aplicativo de notícias, ele abriu direto a janela de mensagens.

[O que está fazendo?]

Esperou um pouco, mas não houve resposta. O Seo Gyu-ha que ele conhecia não era do tipo que visualizava a mensagem e adiava a resposta. Pelo contrário, por ser simples, ele era impulsivo e impaciente. Sendo assim…

— Deve estar dormindo.

Lembrou-se das palavras de Seo Chang-sik, dizendo que estava preocupado porque ele ainda não tinha tomado jeito. Lee Cha-young deu uma risadinha e apertou o botão de chamada. Após o sinal tocar por um bom tempo, a ligação foi atendida e uma voz levemente rouca soou.

— O quê?

Mesmo em uma única palavra, havia muita irritação contida. Diferente dele, um sorriso surgiu nos lábios de Lee Cha-young. Como previsto, parecia que ele tinha atendido enquanto dormia.

— Onde vamos nos ver hoje?

— …Do que você está falando de repente?

— Hoje é sexta-feira. Quer vir aqui em casa?

Em vez de uma resposta, ouviu-se uma voz resmungando. Como ele ainda não tinha acordado totalmente, a pronúncia estava embolada, mas parecia ter dito algo como: “Não sou um vira-lata no cio”.

Vira-lata no cio. Era uma analogia muito apropriada. Apenas de imaginar aquele buraco se contraindo e pulsando, ele sentia um formigamento no meio das pernas.

— Então, não vai me ver hoje?

— Quem disse que não vou? …Espera. Vou acordar direito e ligo de volta.

— Está bem. Não esqueça de comer.

Terminou a ligação e ia abrir o aplicativo de notícias novamente quando sentiu um olhar sobre si. Ao levantar a cabeça, viu que as funcionárias que estavam fofocando por perto o observavam. Entre elas, a Sublíder de Equipe Lee Mi-hee, a mais velha, perguntou com os olhos brilhando:

— Cha-young, por acaso você arrumou um namorado?

Diante da pergunta repentina, Lee Cha-young sorriu e perguntou de volta:

— Do nada?

— Não, é que sua expressão enquanto falava ao telefone parecia boa demais. Você arrumou mesmo?

— Não. Estava falando com um amigo.

Então Lee Mi-hee continuou com perguntas investigativas e uma expressão maliciosa:

— É amigo de verdade? Sua voz parecia que ia derreter.

— É amigo de verdade, sim.

Ao acrescentar que era um homem, Lee Mi-hee finalmente desviou o olhar e voltou a fofocar.

Um rastro de cansaço surgiu no rosto de Lee Cha-young. Ela era uma superior competente e talentosa, mas ele ainda não tinha se adaptado ao comportamento dela de demonstrar interesse na vida privada dos subordinados.

Pouco depois, Lee Cha-young iniciou o trabalho da tarde. Uma mensagem com uma vibração curta chegou duas horas depois.

[Vou às 8]

Era Seo Gyu-ha. Ao conferir o horário, Lee Cha-young concentrou-se, movendo rapidamente os dedos sobre o teclado. Era uma tarde em que, pela primeira vez em muito tempo, ele ansiava pela hora de ir embora.

↫────☫────↬

— Sim, argh, ah, hhat!

O som de carne colidindo lá embaixo ecoava sem parar. O corpo de Seo Gyu-ha balançava impotente. Cada vez que a coluna rígida o penetrava, parecia que luzes se estilhaçavam diante de seus olhos. *Pof*, no momento em que foi atingido tão fundo que produziu um som abafado, seu meato urinário se expandiu e o sêmen explodiu para fora.

Mesmo sabendo que ele estava gozando, Lee Cha-young não parou o movimento dos quadris. Segurando firmemente a base, ele estocou de forma luxuriosa e, com uma última investida profunda, liberou seu sêmen.

— Haa, haa…

Assim que o que preenchia seu interior foi retirado, Seo Gyu-ha desabou na cama. A cada respiração ofegante, seu baixo ventre com músculos bem definidos subia e descia rapidamente. Enquanto ele tentava recuperar o fôlego estirado na cama, Lee Cha-young aproximou-se vestindo um roupão e estendeu uma garrafa de água.

— Quer beber?

Seo Gyu-ha mal conseguiu levantar a parte superior do corpo para pegar a garrafa. *Gulp, gulp*, a água gelada desceu por sua garganta e só então ele sentiu que ia sobreviver. Deitou-se novamente, esparramado, e apenas moveu os olhos para encarar Lee Cha-young.

— Que horas são?

Sua voz saiu rouca e dolorida. Seo Gyu-ha massageou o pescoço com o cenho franzido. Embora tentasse se conter por detestar fazer barulho enquanto era penetrado, no momento em que o sexo começava, ele não tinha fôlego para se preocupar com gemidos. Após tentar algumas vezes, ele desistiu e se sentiu mais leve, mas a garganta dolorida restava como uma sequela.

— Passa das onze.

Como ele havia chegado às oito, significava que haviam rolado na cama por mais de três horas. Girando os ombros doloridos, Seo Gyu-ha finalmente saiu da cama.

— Vou me lavar.

— Quer tomar banho juntos?

— Cai fora.

Seu corpo nu, sem um único fio de linha, ficou exposto, mas Seo Gyu-ha caminhou para o banheiro sem hesitação. Parou debaixo do chuveiro e ligou a água fria. Era porque sentia um leve enjoo, provavelmente por ter sido estocado demais.

Ficou ali parado sob a água por um momento. Ao levar a mão lá embaixo tardiamente, sentiu que, como de costume, o local estava inchado e aberto.

Desde o dia em que aceitou a proposta de ser parceiro de cama, Seo Gyu-ha passava todos os fins de semana com Lee Cha-young. O que o outro disse era verdade. Na hora de misturar os corpos, Lee Cha-young era como um garanhão. Ele despejava todo tipo de palavras obscenas enquanto estocava como um animal louco por acasalamento, mas, curiosamente, nunca negligenciava o prazer do parceiro. Graças a isso, quando o sexo terminava, ele sentia que seus testículos haviam encolhido e que estava completamente vazio. Ele nunca tinha feito isso com outro homem e não tinha intenção de fazer, mas sabia que seria difícil encontrar outro Ativo como aquele.

Havia outro motivo pelo qual o sexo com ele era bom. De algum tempo para cá, toda vez que sobrepunham os corpos, ele sentia um formigamento na pele. Parecia que ele estava liberando feromônios, o que era um pouco estranho.

Anteriormente, Lee Cha-young havia dito que preferia Passivos Betas porque achava “sem graça o sexo manipulado por feromônios”. Por motivos diferentes, Seo Gyu-ha também só se envolvia com homens Betas. Ele achava outros Ômegas um pouco desconfortáveis e nenhum Alfa em sã consciência aceitaria ficar por baixo.

De qualquer forma, era surpreendente que Lee Cha-young estivesse liberando feromônios quando estava com ele. Mas ele não podia perguntar o motivo. O outro ainda acreditava que ele era um Beta, e se perguntasse algo assim, ele certamente desconfiaria na hora. Afinal, dizem que Betas não conseguem sentir os feromônios de Alfas e Ômegas.

Quando voltou do banho, Lee Cha-young estava sentado confortavelmente encostado na cabeceira da cama. Por um instante, seu olhar fixou-se nele sem querer. O cabelo caído naturalmente, o nariz imponente, as pernas longas estendidas sob o roupão… De qualquer forma, pelo menos a aparência dele era exatamente o seu tipo. Ao voltar a se mover, sentiu o olhar do outro se dirigir a ele.

Desviou o olhar naturalmente e começou a recolher suas roupas espalhadas pelo chão. Ao abaixar a cintura, um gemido de dor escapou involuntariamente. Enquanto enfiava os pés na cueca, ouviu a voz dele chamando-o.

— Durma aqui. Já está tarde.

Seo Gyu-ha respondeu sem sequer olhar para ele.

— Ficou louco? Por que eu dormiria com você?

— Quem disse que dormiríamos juntos?

Só então ele levantou a cabeça e deparou-se com um rosto sorridente.

— Eu quis dizer para você dormir no quarto de hóspedes. Está se precipitando.

— Porra, então deveria ter dito isso logo.

— Se você quiser, podemos dormir juntos também.

Diante de palavras que não mereciam resposta, Seo Gyu-ha continuou vestindo suas roupas em silêncio. Por dentro, ele sentia um leve conflito. Hoje ele tinha sido estocado com tanta força que sua retaguarda ainda ardia. Em dias assim, até segurar o volante era um incômodo.

— Ah, por acaso você ainda gosta de La Plat?

Diante do nome familiar, o olhar de Seo Gyu-ha voltou-se para o lado novamente.

— A banda de rock britânica?

— Isso.

— Claro que gosto.

Foi na época do ensino fundamental, acho. Park Chan-ung estava fazendo um escândalo de tanto que gostava, e o forçou a ver um vídeo de um show com ele. Depois que o vídeo de uns cinco minutos terminou, Seo Gyu-ha também virou fã na hora. As dezenas de milhares de espectadores lotando a plateia e a presença de palco brilhante, sem qualquer timidez diante deles, pareceram incrivelmente legais aos seus olhos de criança.

— Que bom. Consegui ingressos para o show, se quiser, eu te dou.

— É sério?

Pela primeira vez, a expressão de cansaço de Seo Gyu-ha se iluminou. Não era para menos; ele tinha tentado comprar os ingressos com toda a determinação, mas esgotaram num instante e ele falhou. Park Chan-ung, que se gabava dizendo para confiar em suas habilidades manuais ágeis, também não conseguiu nada. Ele estava pensando em procurar ingressos de cambistas em breve, então ouvir que Cha-young tinha os ingressos foi uma alegria imensa.

— Quantos você tem?

Se fossem dois, seria perfeito para ir com Park Chan-ung. Ele já começou a sorrir imaginando que usaria o ingresso como desculpa para ganhar um jantar caro e andar de cabeça erguida. Mas, como sempre, a vida não corre conforme o planejado.

— Só tenho um.

— …É mesmo?

Era uma pena, mas não havia o que fazer. Ele teria que ir sozinho e se contentar em provocar o “Urso”.

— Então me dê esse mesmo.

— Espere um pouco.

Lee Cha-young levantou-se e foi até a sala. Ao voltar, em sua mão estava o ingresso que Seo Gyu-ha tanto desejava. Sua mão se moveu instintivamente, mas logo antes de agarrá-lo, o ingresso foi puxado para cima.

— O que foi?

— Nada vem de graça. Ouvi dizer que tem gente vendendo por mais de um milhão de won com cambistas.

Tinha que ser. Ele achou estranho que o outro estivesse sendo útil por um momento.

Esquecendo completamente que estava planejando extorquir Park Chan-ung agora há pouco, Seo Gyu-ha disse com o cenho franzido:

— Não seja tão duro entre nós dois.

— O que nós dois somos?

Ao ver aquele rosto sorridente e suave, um arrependimento tardio o atingiu. Ele não deveria ter demonstrado que gostou tanto.

— Somos parceiros que trepam toda semana, não pode me dar nem isso?

— Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Parecia que ele realmente não pretendia dar de graça. Após soltar um suspiro audível, Seo Gyu-ha perguntou com uma expressão emburrada:

— O que eu tenho que fazer? Quer que eu use a boca?

— Isso você já faz de vez em quando normalmente.

Era verdade. Talvez por ter sangue gay correndo nas veias, Seo Gyu-ha também gostava bastante de tocar ou chupar o pênis do parceiro. Lee Cha-young, que parecia refletir com o olhar baixo, olhou para Seo Gyu-ha novamente.

— Não consigo pensar em nada agora… Posso te falar depois?

— Só tente não pedir nada absurdo.

Ele teve um pressentimento levemente ruim, mas a tentação diante de seus olhos era grande demais para recusar. Pouco depois, o ingresso passou para as mãos de Seo Gyu-ha. Assim que o viu, seus olhos se arregalaram. No ingresso estava escrita, nada menos, que a palavra VIP. Aquilo era algo que não se conseguia nem pagando.

— Vai dormir aqui, não vai?

— Vou.

— Quer dormir comigo?

— Cai fora.

Lee Cha-young deu uma risadinha, disse para segui-lo e saiu do quarto primeiro. Os passos de quem o seguia estavam extremamente leves. Seo Gyu-ha teve o pressentimento de que teria sonhos muito felizes hoje.

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Seo Gyu-ha ligou a câmera do celular, ajustou o ângulo para lá e para cá e enquadrou a parede externa da casa de shows na lente. Um clique soou, e o resultado apareceu na tela. Em seguida, ele enviou a foto que acabara de tirar para alguém. Seu rosto estava iluminado por um sorriso impossível de esconder. O aparelho vibrou e a resposta veio rápido.

[Porra, por que está me provocando assim? T_T]

[É para você ver pelo menos o rosto deles, kkkkk]

[v_v v_v v_v Eu é que deveria estar aí]

Como ele havia enviado a foto de um banner com os rostos dos membros impressos em tamanho gigante, era natural que Park Chan-ung, um fã fervoroso, ficasse possesso. Pensando que aquela era a oportunidade perfeita, Gyu-ha, com um sorriso de orelha a orelha, continuou a provocá-lo de forma petulante.

— Podem entrar! — ouviu-se, finalmente, o grito de um dos funcionários da equipe na frente.

Ao pensar que logo veria o show ao vivo de sua banda favorita, uma empolgação atípica tomou conta dele.

Enquanto se movia junto com a multidão que avançava aos poucos, o celular em sua mão vibrou. Na tela, apareceu o nome “Lee Cha-gae”.

— O que foi?

— Onde você está?

— Vim ver o show. Por que ligou?

Em vez de uma resposta, seguiu-se outra pergunta.

— Já entrou?

— Ainda não. Estou na fila esperando.

— Então vá direto até um funcionário e mostre o ingresso. É possível entrar sem espera, esqueci de te avisar.

— Você esquece cada coisa…

Mesmo resmungando por hábito, ele ficou contente. Saiu da fila imediatamente, mas logo um pensamento lhe ocorreu.

— Você também veio?

— Já estou aqui faz tempo. Quando entrar, vá para a frente da escada que fica bem à esquerda em relação à porta de entrada. Tenho um lugar para onde te levar.

— Tá bom. Tchau.

Desligando o telefone, Gyu-ha caminhou apressado para a frente. Meio incrédulo, mostrou o ingresso, e o funcionário gentilmente informou que ele poderia entrar pela entrada do lado oposto. Como a casa de shows era enorme, a distância até a outra porta era absurdamente longa. Sua paciência logo se esgotou. No momento em que se arrependia, pensando que “teria sido melhor esperar na fila”, finalmente surgiu outra porta de entrada.

Ao mostrar o ingresso, a entrada livre foi permitida, exatamente como Lee Cha-young dissera. Ao entrar, Gyu-ha olhou em volta por um instante e voltou a caminhar. Pouco depois, viu Cha-young parado perto da escada com os braços cruzados. Quando seus olhares se cruzaram, ele ergueu levemente a mão, cumprimentando primeiro.

— Chegou?

Uma expressão de desaprovação surgiu rapidamente no rosto de Gyu-ha. Ao contrário dele, que vestia jeans e um moletom com capuz, Cha-young usava um terno de três peças, incluindo o colete. Estava impecável, como se tivesse acabado de sair de um catálogo de moda masculina, mas era um código de vestimenta totalmente inadequado para um lugar como aquele.

— Veio direto do trabalho?

— Também, mas vim a negócios. Vamos subir.

Ao vê-lo fazer menção de subir as escadas, Gyu-ha falou apressado:

— Onde vamos?

— Conhecer a pessoa de quem você gosta.

“A pessoa de quem eu gosto?”

Gyu-ha franziu o cenho enquanto o observava, mas logo um pensamento o atingiu.

— Não me diga que… é o Tony?

— É ele mesmo — respondeu Cha-young brevemente com um sorriso, antes de conferir o relógio de pulso. — Não temos muito tempo, vamos logo.

— Espera aí! Isso é possível?

Uma expressão de incredulidade tomou conta do rosto de Gyu-ha. Embora fosse possível tirar fotos ou conseguir autógrafos com os membros após o show, era uma sorte reservada apenas para alguns sorteados. Além disso, encontrá-los pessoalmente era algo impossível sem um “QI” (Quem Indique) ou contatos muito fortes.

— É possível. O evento foi organizado pela minha empresa.

Quanto mais ouvia, menos ele entendia. Por causa da amizade entre as famílias, Gyu-ha sabia mais ou menos em que empresa Cha-young trabalhava, mas parecia ser um lugar que não tinha relação nenhuma com esse tipo de show.

— Sua empresa faz esse tipo de coisa?

— Foi planejado como um evento promocional, mas como não temos tempo, te explico os detalhes depois. Vamos primeiro.

Conferindo o horário mais uma vez, Cha-young subiu a escada primeiro. Gyu-ha o seguiu, ainda cheio de dúvidas e atordoado.

↫────☫────↬

O copo de vidro estendido encontrou o do outro em um choque leve. Após o brinde, Gyu-ha entornou a bebida de uma vez. Embora soju não fosse exatamente o seu tipo favorito, hoje parecia descer maravilhosamente bem.

Ao contrário dele, Cha-young observava o ambiente com calma. Com uma expressão que ainda denotava surpresa, ele perguntou a Gyu-ha, sentado à sua frente:

— Você frequenta lugares assim?

— Conheci por causa do “Urso”.

— Urso?

— O Park Chan-ung.

Após responder brevemente, Gyu-ha colocou na boca um pouco do *golbaengi-muchim* (salada de caracol-do-mar) que pedira como petisco.

O show terminou por volta das onze da noite, após sucessivos bis. Talvez por ter pulado como um louco e cantado a plenos pulmões durante toda a apresentação, a fome bateu assim que saiu, e ele acabou indo para um *pocha* (barzinho coreano) ali perto.

Diferente de Gyu-ha, que esvaziara o copo rapidamente, o de Cha-young continuava quase intocado. Embora todos os petiscos já tivessem sido servidos, ele sequer pegara os pauzinhos.

— Não vai beber?

— Vou, sim.

Apesar da resposta descontraída, o resultado era pífio. Ao vê-lo tomar apenas um gole e pousar o copo, Gyu-ha o criticou, mas de forma muito mais branda que o normal:

— Quer dizer que não pode colocar soju nessa sua boca preciosa?

— Não é isso. É que bebidas com cheiro forte de álcool não me caem bem.

— Dá no mesmo, idiota. Então beba uma cerveja, pelo menos.

Antes mesmo que ele pudesse responder, Gyu-ha ergueu a mão e gritou: “Mais uma garrafa de cerveja aqui, por favor!”. Observando-o se empenhar em encher a barriga, Cha-young deixou escapar um sorriso.

Pelo visto, ele estava de muito bom humor, já que a crítica foi quase nula e ele até pediu a cerveja por iniciativa própria. Pudera. Pensando no que vira no local do show, dizer apenas que ele estava de “bom humor” era pouco. Gyu-ha não escondera a empolgação durante toda a apresentação, contrastando totalmente com a maioria das pessoas sentadas na área VVIP.

— Por que está sorrindo feito bobo?

— Por nada. Só pensei que foi bom não ter jogado fora e guardado.

— O quê?

— O ingresso do show.

Uma expressão de choque surgiu rapidamente no rosto de Gyu-ha.

— Você é louco. Por que jogaria fora algo tão valioso?

— Por isso não joguei e dei para você.

— Se tivesse jogado, você estaria morto.

Enquanto comia, seu rosto relaxou involuntariamente em um sorriso. Não era para menos. Antes do show começar, no camarim para onde Cha-young o levara, Gyu-ha realmente vira os membros do La Plat pessoalmente.

E as coisas surreais não pararam por aí. Cha-young balbuciou algumas coisas em inglês para o vocalista principal, Tony, que se levantou com um sorriso radiante e estendeu a mão para um aperto. Gyu-ha só conseguiu entender um “thank you”, mas graças a Cha-young, que se prontificou a traduzir, não houve problemas de comunicação. Tony, muito educado, aceitou prontamente o pedido de foto. Assim, ele tirou fotos sozinho, com o grupo todo e, no fim, ainda ganhou de presente um CD autografado, desses feitos para eventos.

Caminhando após ter vivido o melhor momento que um fã poderia ter, parecia que ele estava sonhando. Aquele sujeito que ocupava algum lugar entre “o filho insuportável da amiga da mãe” e “o amigo insuportável do filho da mãe” acabara de ser visto sob uma nova luz pela primeira vez.

— A propósito, o que foi aquilo que você disse antes?

— Hã?

— Que foi organizado pela sua empresa.

— Ah, sim. — Cha-young sorriu, como se entendesse do que ele falava. — É exatamente o que eu disse. O setor de CE (Consumer Electronics) faz grandes promoções a cada temporada, e eu dei a ideia na última reunião.

— Uma empresa que fabrica eletrônicos faz esse tipo de reunião?

— Seja CE ou IM (IT & Mobile), o objetivo final é vender muito. Resumindo, é parte do marketing. A empresa patrocina eventos culturais, faz publicidade em massa e envia ingressos para clientes VIP sorteados.

— Mas o prejuízo não é muito grande? Só o cachê deve ter sido uma fortuna.

Embora não tivessem a mesma popularidade de anos atrás, o La Plat ainda era uma banda de renome mundial. Por isso, sem dúvida, deve ter custado uma quantia considerável.

— Em termos de proporção orçamentária, o custo não é tão alto assim. Se considerar os diversos efeitos colaterais positivos, o lucro é maior. Um exemplo semelhante é o patrocínio de campeonatos mundiais ou atletas; as empresas fazem isso pelo *image making* da marca, não necessariamente visando o lucro direto.

— …Tá bom, já entendi, para de falar. Minha cabeça dói.

— Você que perguntou primeiro.

Cha-young estendeu o copo com um risinho, e Gyu-ha o brindou levemente. O soju continuava descendo doce e suave. Desta vez, Cha-young foi quem puxou o assunto.

— Você vai para a minha casa hoje de novo, né?

— Não, hoje eu passo.

— Por quê? Tem compromisso?

— Não estou me sentindo bem.

Pela primeira vez, a expressão sempre relaxada de Cha-young demonstrou hesitação.

Ele o vira pular e gritar como um potro desorientado durante todo o show… Ouvir que ele não estava se sentindo bem, e não qualquer outro motivo, era um pouco absurdo.

— Não é uma mentira meio descarada?

— É verdade.

Rigorosamente falando, ele estava prestes a não se sentir bem. Em cerca de 20 minutos, começaria o maldito dia 30, o início do seu Ciclo de Calor. Mesmo que estivesse controlando artificialmente, era impossível evitar as oscilações do ritmo biológico. Graças ao show, ele ainda estava animado, mas tinha certeza de que, no momento em que chegasse em casa, lavasse os pés e deitasse, o desânimo viria com tudo. E acordar amanhã seria o pior.

— Não vamos fazer mesmo?

— Não. E nem no fim de semana.

Para ser honesto, ele também estava decepcionado. O sexo com Lee Cha-young continuava sendo maravilhoso. Em algum momento, ele passou a esperar ansiosamente pela chegada da sexta-feira e, às vezes, era ele quem mandava mensagem primeiro.

Enquanto afogava a decepção em mais um copo de soju, uma frase repentina chegou aos seus ouvidos.

— Eu vou chupar muito os seus peitos.

— …!

Por pouco ele não cuspiu a bebida que estava na boca. Assustado, olhou em volta, mas felizmente ninguém prestava atenção neles. Após limpar os lábios molhados com as costas da mão, Gyu-ha disse com um olhar furioso:

— Que porra de conversa é essa, do nada?

— Você gosta que eu chupe, seja em cima ou embaixo. Ou você quer fazer? Chupar o meu pau também é…

— Ah, cala a boca. Por favor.

Ele pousou o copo com força, fazendo barulho. Por um instante pensou “será que esse idiota está bêbado?”, mas um cara que parecia um poço sem fundo jamais ficaria bêbado com apenas uma garrafa de cerveja.

— Hoje eu realmente não estou a fim. Se quer tanto assim, vá a uma boate.

— Eu até queria, mas acho que não vou encontrar nenhum buraco que se compare ao seu.

Gyu-ha entendeu imediatamente o que ele quis dizer e assumiu uma expressão ameaçadora.

— Quer morrer?

— Por quê? É um elogio.

— Elogio é o caralho.

Foi o momento em que ele se arrependeu de ter pensado, por um breve instante, que o outro parecia diferente. Gyu-ha, com o semblante totalmente fechado, continuou a bebericar seu soju. Já que não conseguiria fazer nada amanhã mesmo, pretendia beber até cansar, ir para casa e apagar.

↫────☫────↬

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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