Ler Diamond Dust (Novel) – Capítulo 73 Online

↫─Capítulo 02 – Um por Um, Parte 02
Cerca de dez pessoas se reuniram em um café não muito longe da The Hands. Havia pessoas como Ben e Jun, que ele conhecera na festa de Natal da última vez, pessoas que ele vira algumas vezes quando costumava andar pela The Hands, e estranhos completos misturados.
Em qualquer caso, eles eram colegas que compartilhavam a vida cotidiana com Yihyun no mesmo espaço e, como seu amante, Lau sabia que sua avaliação afetaria inevitavelmente Yihyun. Estava destinado a ser uma situação tensa para Lau.
Depois que a refeição simples de pratos com ovos e panquecas feitas com ingredientes de origem local foi retirada e a bebida séria começou, os trabalhos revelados na festa de pré-abertura daquele dia naturalmente se tornaram o tópico de conversa.
— Você deve estar orgulhoso por o último trabalho de Yihyun também estar recebendo reações tão boas?
Alguém perguntou a Lau com um sorriso sutil. A mulher com dreadlocks curtos, que lhe caíam bem, era uma artista que criava arte de instalação usando papel reciclado.
Lau olhou uma vez para Yihyun, que estava sentado ao seu lado, depois baixou o olhar em direção à sua taça de vinho.
— Como galerista que trabalhou com ele e como seu amante… é claro. Embora nem todo o feedback seja positivo, acho muito admirável como ele se mantém centrado e ativo, mesmo nesses aspectos.
— O Lau descobriu o Yihyun? Ah, você se apaixonou pelo trabalho dele primeiro?
Um jovem da Malásia, com os olhos brilhando de curiosidade atrás de seus óculos de armação de tartaruga, entrou na conversa. Ele estava vestido com estilo, provavelmente popular entre os jovens de hoje. Ele também foi quem, imediatamente após ser apresentado a Lau, puxou o celular e perguntou se ele tinha uma conta em rede social.
— Eu não o descobri… suponho que o Yihyun veio até mim? Mesmo antes de eu saber que ele pintava, eu já me sentia atraído por ele, então seu trabalho não foi o catalisador, mas… e ainda assim, antes de conhecê-lo, eu já tinha afeto pelo trabalho dele, então não é totalmente errado dizer isso também… Hum, pensando bem, estávamos emaranhados por uma série de coincidências bastante complexa.
Lau riu timidamente, esfregando os lábios, achando suas próprias palavras embaraçosas. Ele olhou para Yihyun ao seu lado; seu rosto estava corado de vermelho até as orelhas, e ele estava esvaziando rapidamente seu vinho. Seu hábito de beber mais rápido quando estava nervoso ou confuso continuava o mesmo. O fato de seu hábito familiar permanecer inalterado deu a Lau uma sensação repentina de alívio e ternura.
Ele segurou secretamente a mão direita de Yihyun por baixo da mesa. Yihyun estremeceu, endureceu e olhou visivelmente ao redor. Cada uma dessas reações era tão cativante que Lau apertou suavemente a mão que segurava e depois a soltou.
— Isso é cafona.
Um comentário resmungado, claramente dirigido a ele, veio de Jun, que estivera tomando apenas vinho com uma expressão carrancuda, mal tocando na comida.
— Não é inédito um negociante e um artista namorarem. Dada a natureza do relacionamento, se bem feito, eles podem se tornar parceiros que se entendem melhor, tanto pessoal quanto profissionalmente. E dizem que se as coincidências continuam se acumulando, é o destino.
Foi Ben quem desviou a conversa da atmosfera estranha que ameaçava congelar. Ele bagunçou o cabelo curto de Jun enquanto falava, e Jun lutou para se libertar de sua mão, resistindo. Observando os dois, Lau levou sua taça de vinho aos lábios e sorriu ambiguamente.
Na verdade, esse encontro não foi planejado.
A festa de pré-abertura, realizada no sábado, dois dias antes da abertura oficial na segunda-feira, começou no final da tarde e terminou por volta da noite, ao contrário da festa de véspera de Natal em que Lau comparecera. Foi uma festa saudável, focada puramente na obra de arte.
Talvez achando isso decepcionante, algumas pessoas começaram a se reunir após o evento. A maioria delas eram membros que se encontravam frequentemente na sala de estar comum no segundo andar da The Hands. Diante da insistência entusiasmada deles, Lau e Yihyun viram-se varridos pelo clima e juntaram-se a eles.
Inicialmente, todos foram educados e mantiveram certa distância de Lau, um estranho e amante de seu colega. Mas conforme o álcool fluía e o clima se animava, a conversa tornou-se mais animada e ousada. Isso também se deveu em parte ao fato de Lau quebrar as barreiras e aproximar-se deles primeiro. Seu comportamento acessível e sociável era todo um esforço para manter a reputação de Yihyun.
Quem “deu em cima” de quem primeiro? Quem se confessou primeiro… etc. A natureza das perguntas dirigidas aos casais parecia ser em grande parte a mesma em todas as culturas.
A cada pergunta, Yihyun parecia perturbado e buscava seu vinho, enquanto Lau respondia diligentemente, satisfazendo a curiosidade deles até certo ponto, mas deixando detalhes excessivamente privados para trás.
— Eu fui quem “deu em cima” dele primeiro, e não tivemos uma confissão específica, apenas sentimos que o relacionamento se desenvolveu naturalmente.
Embora ele respondesse com uma compostura quase profissional, a reação foi estranhamente fervorosa.
— Yihyun é introvertido, então você deve ter se preocupado quando ele disse que ia para longe.
— Embora ele seja introvertido… isso não é tudo sobre o Yihyun. Eu acreditava que ele se adaptaria bem e seria capaz de se concentrar em seu trabalho. Ele é uma pessoa bem equilibrada, ao contrário de mim.
— Ah… então você está dizendo que estar separado foi mais difícil para Lau do que para Yihyun?
Alguém interpretou a resposta de Lau em uma direção maliciosa. No entanto, como não estava inteiramente incorreta, Lau não sentiu necessidade de corrigir.
— Não é apenas qualquer distância longa, é? Você não tentou impedi-lo?
— Você deliberadamente não o visitou no início para deixá-lo se adaptar?
Antes mesmo que a resposta fosse totalmente entregue, a próxima pergunta jorrou.
— Pessoal, por favor, não o… atormentem demais.
Yihyun, que estivera suportando o constrangimento da situação com uma expressão perplexa, finalmente não aguentou mais e interveio. O rosto de Yihyun já estava vermelho de febre. Era mais pelo álcool do que pelo embaraço.
— Você apenas resmunga quando perguntamos. Não sabe que esconder as coisas só deixa as pessoas mais curiosas?
O jovem da Malásia retrucou atrevidamente.
— O Yihyun está fazendo bico. Ele está bêbado.
Alguém disse com uma voz carregada de riso, e Yihyun esfregou o rosto com as palmas das mãos, negando suas palavras.
— Quando você está bêbado, você faz o que quer que a gente diga, mas você é tão bom em esquivar de perguntas sobre seu namorado?
— Ele não é do tipo que inventa um namorado se não tiver um, então até nos perguntamos se ele estava namorando alguma celebridade que não devíamos saber.
As pessoas pareciam gostar do desconforto de Yihyun. Não era um prazer malicioso, mas sim uma provocação leve baseada em afeto. Lau podia facilmente sentir que, pelo menos, as pessoas reunidas aqui nutriam boa vontade em relação a Yihyun.
Além disso, ele não pôde deixar de notar os olhares de algumas pessoas que alternadamente checavam sua mão esquerda e a mão esquerda de Yihyun.
Ele também podia adivinhar de certa forma quais suspeitas e fantasias eles estavam tramando, dada a atitude de Yihyun de evitar menções específicas enquanto afirmava ter um namorado, e o anel usado na mão de apenas uma pessoa.
Acariciando o anel em seu dedo anelar com o polegar, Lau segurou o pescoço esguio de sua taça de vinho. Sentindo a boca secar, ele ergueu a taça, mas Yihyun ao seu lado falou em voz baixa.
— Sinto muito. Eles são todos tão… travessos, não são?
— Não é nada, sério.
— Eu gostaria que a Yooni noona estivesse aqui. Ela está um pouco atrasada.
Yooni, que pertencia à equipe de operações em vez de ser uma artista, estava programada para se juntar a eles após terminar a limpeza pós-evento. Lau segurou gentilmente o queixo de Yihyun enquanto ele olhava em direção à entrada, fazendo-o olhar para ele, e balançou a cabeça.
— Se Baek Yooni estivesse aqui, você seria submetido a perguntas várias vezes mais maliciosas do que agora. Ela pode ser mansa com Seo Yihyun, mas é implacável comigo.
— ……
Yihyun fez uma pausa, revirou os olhos e assentiu em concordância. Sua expressão estranhamente séria era fofa. Ele parecia um pouco bêbado, exatamente como as pessoas estavam dizendo. Um sorriso escapou de Lau ao olhar para aquele rosto levemente atordoado, com todas as reações mais lentas que o normal. Tocando a ponta do nariz dele com o dedo indicador, que antes segurava seu queixo, Lau mostrou um largo sorriso, franzindo os olhos. Era um sorriso com tal impacto que seu peito doeu e se agitou intensamente.
Seu coração reagiu novamente ao perceber que estava olhando para o rosto real de Yihyun, não através da tela de um celular ou laptop. Isso havia acontecido várias vezes durante os poucos dias que passaram juntos. Eles teriam que se separar novamente antes de poderem compensar totalmente o tempo que estiveram longe, e aquele era um encontro que ele havia antecipado muito.
Seus dedos, que estavam dançando pelo rosto de Yihyun, moveram-se para os lábios dele. Ele beliscou levemente os lábios entreabertos de Yihyun, e os olhos de Yihyun imediatamente se arregalaram. Embora os outros não entendessem o significado dessa ação, sua reação atrapalhada, como se tivesse sido pego em uma cena secreta, era totalmente típica de Yihyun.
Com a mão que havia torcido seus lábios, ele brincou com o lóbulo da orelha de Yihyun, inclinando a cabeça mais profundamente.
— Quero ficar sozinho com você logo.
— ……
Yihyun mordeu o lábio inferior e baixou o olhar. Ele uniu as mãos, com os dedos mexendo e se entrelaçando.
— Cuidado com os feromônios.
Após um longo momento, Yihyun finalmente deu um aviso em voz baixa.
— Tudo bem.
Apesar de sua resposta, Lau não afastou o corpo. Ele deliberadamente encostou a cabeça no ombro de Yihyun, pressionando todo o seu corpo contra ele. Isso fez com que a parte superior do corpo de Yihyun se inclinasse, e Yihyun não teve escolha a não ser abraçar o ombro de Lau para apoiá-lo. Embora fosse uma ação brincalhona, era também uma demonstração íntima de afeto que não seria tentada por ninguém além de amantes. Foi o suficiente para atrair a ira do grupo.
— Ei, vocês dois, podem parar de ficar tão grudados?
Alguém bateu na mesa duas vezes, expressando seu desagrado. Lau, endireitando o corpo que estivera totalmente inclinado sobre Yihyun, fingiu ignorância como se nada tivesse acontecido e apoiou o braço na mesa.
Justo quando ele estava prestes a erguer sua taça de vinho, a mulher com dreadlocks perguntou cautelosamente:
— Mas… mesmo sendo um galerista, você não fica com ciúmes quando seu amante colabora com outra pessoa?
Era uma pergunta afiada. Lau pousou a taça e sorriu levemente. Então ele olhou de volta para Yihyun.
Yihyun, segurando uma taça de vinho preenchida pela metade com um vinho tinto escuro, olhou para ele com uma antecipação rara. Seus olhos mostravam a expectativa por uma resposta sobre sentir ciúmes de um projeto conjunto, ou estar consciente da pessoa com quem ele trabalhou.
Era uma emoção diferente de quando ele ficava chateado durante as ligações telefônicas se Lau mostrasse ciúmes. A expressão em seu rosto, que fazia Lau querer segurar suas bochechas coradas e cobri-las de beijos, era tão cativante naquele momento.
Lau mordeu o lábio inferior para suprimir o impulso. Em vez disso, ele acariciou gentilmente o rosto de Yihyun, da testa ao queixo, com as pontas dos dedos. Conforme o contato entre eles continuava, alguns soltaram suspiros de admiração misturados com inveja, enquanto outros enviaram vaias. Parecia que ele teria que aceitar ser a vítima da curiosidade travessa deles hoje.
Lau deu um gole no vinho e limpou a garganta.
— Separado do meu afeto por Yihyun, estou confiante de que meu afeto e compreensão pelo trabalho dele não perdem para ninguém. Então, eu gostaria de dizer que não sinto ciúmes, e essa seria a atitude madura… mas, honestamente, isso me incomoda. A comunhão compartilhada durante a criação colaborativa é um reino que não posso vivenciar com ele.
Foi uma resposta breve, o mais honesta possível. Yihyun apenas deu outro gole no vinho sem mostrar uma reação clara. Lau bagunçou levemente o cabelo dele. Foi uma ação para esconder seu próprio constrangimento.
— Ah, eu não deveria ter perguntado. É uma resposta perfeita demais, está me deixando com raiva.
A mulher com dreadlocks balançou a cabeça e se inclinou para trás, como se fosse se retirar do jogo.
— Agora que confirmamos o afeto, conte-me sobre as desvantagens de um relacionamento à distância. Quando vocês estão separados, ficam chateados por coisas pequenas, e mesmo que não consigam se falar por um tempo, começam a duvidar um do outro, ou pelo menos é o que dizem. E, honestamente, a questão do quarto também é algo que não se pode ignorar.
Desta vez, Ben deu um passo à frente. Ele provocou Lau de forma mais direta, como se quisesse jogar logo a isca que esses espectadores queriam — as dificuldades dos relacionamentos à distância, pequenas reclamações um do outro — e acabar logo com isso. Mas Lau não tinha tal intenção.
— Não sei quanto aos outros, mas os relacionamentos à distância têm suas próprias vantagens. Por estarem separados, vocês sentem tanto afeto que problemas comuns nem parecem problemas.
Desta vez, Lau estava determinado a ostentar seu afeto. Embora parecesse travesso à primeira vista, Ben era fácil de lidar. Lau sentiu-se um pouco mais à vontade ao tratar com ele. Lau acrescentou com orgulho:
— E comparado à construção da carreira dele aqui, o quarto é uma questão trivial.
— Alguém assim na quarta-feira…
Era Jun novamente, intrometendo-se como se falasse consigo mesmo, com um tom sarcástico.
— Hein? O que tem a quarta-feira? O que foi?
O jovem malaio empurrou seus óculos de armação grossa, demonstrando curiosidade. Jun permaneceu em silêncio sobre qualquer explicação específica a respeito da “quarta-feira”.
No entanto, o rosto de Yihyun estava completamente ruborizado, percebendo do que Jun estava falando. Como se ele mesmo estivesse ciente de seu rosto avermelhado, Yihyun esfregou as bochechas vigorosamente com a mão livre.
Quarta-feira foi o dia em que Lau chegou um dia antes do programado. Apesar de sua cautela, parecia que Jun, que estava no quarto ao lado, tinha ouvido vagamente os sons deles fazendo amor.
Alguém trouxe à tona a história de um escritor associado da “The Hands” que terminou após um relacionamento à distância. Parecia ser uma história que todos conheciam. Enquanto o tópico mudava brevemente para outro lugar, Lau levantou-se para fumar um cigarro.
Yihyun, olhando para ele enquanto ele saía, parecia de certa forma aliviado. Era como se pensassem que as provocações diminuiriam se ao menos um deles estivesse ausente. Yihyun não era de forma alguma ingênuo para sua idade, mas tinha uma certa inocência nessas questões. Lau conseguia entender o desejo do grupo de provocá-lo um pouco. Lau deu um breve sorriso a Yihyun e saiu do café.
A temperatura estava um pouco acima de 5 graus Celsius, mas parecia refrescante em vez de frio. Sob o toldo estreito, Lau acendeu um cigarro e olhou de volta para dentro do café.
Ele pensou que a reação exagerada deles poderia ser porque a outra parte era Yihyun. Eles provavelmente presumiam que o relacionamento de Yihyun era do tipo chamado “cool”, com pouca expressão e contato físico mínimo. Isso era ainda mais provável se o próprio Yihyun tivesse sido reticente sobre o namorado até agora.
As luzes estavam se acendendo gradualmente ao longo da rua, veladas por uma névoa leve. Lau sentiu o ar úmido e fresco em sua pele e exalou uma longa nuvem de fumaça.
Seus pensamentos inevitavelmente voltaram para a situação passada de Yihyun, incapaz de falar sobre o namorado. A memória do reencontro deles era vívida. A sensação de sua espinha gelando quando Yihyun mencionou um colega de Hong Kong demonstrando interesse também era palpável.
— Eu disse a ele que tinha um namorado. Senti que precisava estabelecer um limite. Eu menti?
O título de namorado, que ele havia me concedido, parecia uma honra especial pela qual eu havia me esforçado a vida inteira para obter. Aquele título continha o perdão de Yihyun.
Eu não queria nada mais do que ser aceito por ele e viver ao seu lado. Diante desse significado, todos os valores que eu persegui na vida tornaram-se insignificantes. Era o mesmo agora.
Esvaziar-me e confiar meu próprio julgamento unicamente às mãos dele. Era uma seriedade humilde que eu nunca havia experimentado antes.
Senti-me encolhendo, borrando, tornando-me um entre inúmeros grãos de poeira no universo. No entanto, não era miserável. Eu não conseguia explicar adequadamente como podia me sentir assim.
Não era porque eu tinha certeza do perdão de Yihyun. Poderia ter sido porque eu havia me preparado e resolvido esperar por Yihyun a vida inteira. Eu havia cometido um erro tão grande, e Yihyun era uma pessoa pela qual valia a pena esperar, mesmo que significasse pagar tal preço.
Era a primeira vez que eu suportava dificuldades diante de terceiros apenas para desempenhar o papel de amante de alguém. Eu vivi pensando que era o tipo que odiava tais coisas, que não encontraria alguém com quem quisesse estar o suficiente para suportar tal fardo.
Era melhor viver sozinho do que revelar minha identidade anormal como um ghost para alguém. Eu era solitário por causa de meus traços estranhos, mas não era porque eu precisasse de alguém para me entender. Não me faltava autoestima ao ponto de precisar da compreensão dos outros para aliviar minha solidão.
Mas agora, eu não podia mais me dar ao luxo de ser tão arrogante.
Mesmo que Yihyun não tivesse sido Diamond Dust, e mesmo que eu não tivesse cometido o erro de Mudá-lo, eu acabaria querendo mostrar a ele o meu próprio fim.
Eu não me importo com os outros. Com a compreensão e aceitação de apenas uma pessoa, a solidão que se apegara a mim como parte do meu ser foi resolvida. Tanto o meu eu Alfa quanto o meu eu ghost não eram mais monstruosos por causa de Yihyun.
Em vez disso, um sulco profundo permaneceu em seu lugar, gravado pela dor que Yihyun teve que suportar para me perdoar e me aceitar. Agora, o contorno dessa ferida era eu mesmo, e a vida que eu tinha que viver. A direção da minha vida havia mudado, começando a partir de um evento que eu nunca havia sequer considerado antes.
Através de um único painel de vidro, as risadas barulhentas de dentro do café pareciam distantes. Lau levou a mão esquerda, adornada com um anel, aos lábios, que exibiam um leve sorriso, e deu uma tragada em seu cigarro.
— Chefe!
Uma voz coreana familiar o fez virar a cabeça. Yuni estava acenando da entrada do beco próximo ao canal, aproximando-se dele.
— Demorou muito?
— Sim, bem… eu estava conversando com a Michelle…
Ela desviou o olhar, murmurando uma desculpa. Ela parecia mais cansada do que o habitual.
Yuni olhou para dentro do café por cima do ombro de Lau e pediu um cigarro emprestado. Ela fumava raramente, menos de meio maço por ano. Lau silenciosamente entregou seu maço a ela e, enquanto ela dava uma longa tragada, perguntou casualmente:
— Você e a Michelle brigaram?
— ……
Yuni parou por um momento. Ela não parecia relutante em falar. Em vez disso, com uma atitude de quem quer confiar em alguém digno de confiança, ela baixou os ombros e começou a falar.
— Não brigamos… Não, talvez tenhamos brigado.
Ela passou a mão rudemente pelo cabelo curto, depois o puxou para trás, dando uma tragada no cigarro.
Ela começou dizendo que, à medida que seu relacionamento com Michelle se aprofundava, elas haviam começado recentemente a compartilhar mais sobre suas situações familiares. Ela não podia entrar em detalhes, mas o pai de Michelle sofria de uma doença crônica há muito tempo.
— Ele já está aposentado e cuidando da saúde, então está bem agora… mas está sempre em risco de sua condição piorar subitamente ou de desenvolver outra doença mais grave. Ela disse há poucos dias que, se isso acontecesse, ela poderia ter que retornar à Inglaterra, mesmo que temporariamente.
Michelle provavelmente julgou ser correto compartilhar as possibilidades futuras potenciais, dado o quanto o relacionamento delas havia se aprofundado e o quão preciosas haviam se tornado uma para a outra.
Lau deu uma última tragada profunda em seu cigarro, agora consideravelmente mais curto, e virou-se para descartar a bituca.
— Quando a encontrei na exposição mais cedo, disse a ela que, se isso acontecesse, eu iria para a Inglaterra com ela.
— ……
Lau parou e virou-se para Yuni enquanto apagava o cigarro em um cinzeiro longo de pé.
— Mas ela recusou categoricamente, dizendo que era absolutamente impossível. Ela disse que minha carreira não deve ser prejudicada por causa dela.
Yuni deu uma tragada, exalou a fumaça e continuou após uma breve pausa.
— Nós entramos em conflito por causa disso. Não era um tópico que pudéssemos discutir brevemente e concordar, então nos separamos por hoje… Estou um pouco chateada porque não esperava que a Michelle reagisse assim.
Ouvindo a voz de Yuni, tingida de amargura, Lau cruzou os braços e olhou para o chão.
— Não é que eu esteja disposta a desistir da minha carreira e dos meus sonhos para estar com a Michelle. Existem muitas galerias boas na Inglaterra também. Michelle é mais do que uma amante; ela me estimula e me ancora. Embora eu não tenha tido muitos relacionamentos ou muita experiência com o amor, eu sei o quão difícil é encontrar alguém assim. Minha carreira não é o único elemento importante que compõe minha vida.
— Ela preza você também, Yuni… Provavelmente é por isso que ela disse aquilo.
Lau não teve escolha senão dizer isso porque simpatizava com as posições e sentimentos tanto de Yuni quanto de Michelle. Yuni, que estivera focada apenas em fumar por um momento, não parecia ignorar os verdadeiros sentimentos de Michelle também.
Ela olhou para os itens à venda exibidos em frente a uma floricultura do outro lado da rua e disse:
— Quando cheguei aqui e estava passando por um momento difícil, a Michelle me ajudou de muitas maneiras. Não foi apenas uma simples gentileza; ela me fez sentir que eu não estava sozinha, mesmo nesta terra estrangeira. Se eu não puder estar lá pela Michelle quando ela estiver no seu ponto mais baixo… então qual é o significado do amor?
Sua última frase, murmurada como se para si mesma, deixou uma impressão profunda em Lau. Não foi que ele tivesse ouvido uma definição clara de amor. Tal definição não poderia existir. No entanto, ninguém provavelmente argumentaria que estar lá para alguém durante seus momentos mais difíceis não era amor.
Lau mexeu no anel em seu dedo anelar, refletindo sobre as palavras dela. Ele notou um homem parado em frente à floricultura. O homem, segurando um buquê de mimosas amarelas, sorria feliz enquanto inalava sua fragrância. Lau e Yuni ficaram lado a lado, observando o rosto do homem.
O homem pagou e saiu da floricultura, com o buquê de mimosas guardado em sua cesta de compras.
— Ah, o Yihyun me deu uma bronca. Ele disse que eu quebrei minha promessa de não te contar.
Yuni subitamente iluminou seu tom, inclinou-se e cutucou Lau com o ombro. Lau sorriu se desculpando.
— Eu entendo os sentimentos do Yihyun… mas se meu amante estivesse doente naquela terra distante e eu não soubesse, eu ficaria com o coração partido. Por isso eu te contei. Eu não esperava que você fizesse as malas e entrasse em um avião três horas depois só porque eu disse que ele estava resfriado.
Ao final de suas palavras, Yuni lançou um rápido olhar para Lau.
— Eu também levei bronca. Ele disse que eu exagerei mudando minha agenda apenas por causa de um resfriado.
Lau esfregou um braço com o outro e olhou de volta através da janela de vidro. Yuni riu, aparentemente divertida. Então, ainda com um sorriso no rosto, baixou o olhar.
— Não sei quem se opôs mais à vinda do Yihyun para a “The Hands”, você ou ele… mas agora vocês estão se dando bem de novo, e não estou tentando me intrometer ou dar conselhos, mas… talvez o Yihyun tenha ficado aliviado quando você veio. Pelo menos, foi o que me pareceu.
— ……
Yuni parecia acreditar que a razão pela qual Lau e Yihyun haviam se separado por um tempo foi devido a um conflito de opiniões sobre a transferência de Yihyun para a “The Hands”. Era uma suposição completamente equivocada, mas como esperado, ela também não tinha certeza.
— Não leve as palavras do Yihyun tão ao pé da letra. Ele fundamentalmente não quer que os outros sofram por causa dele. Ele tenta não causar problemas para aqueles que preza.
Na pior situação da época, se Yihyun tivesse que vir para cá sozinho sem Yuni, ele certamente teria ficado muito mais solitário. Ela, que entendia melhor Yihyun, não tinha intenção de fechar os ouvidos para as palavras dos outros. Yuni e Yihyun confiaram um no outro e tornaram-se próximos ao longo de mais de um ano aqui. O conselho dela certamente valia a pena ser considerado.
Lau assentiu pensativo, com os lábios cerrados. Ela deu a ele um breve sorriso.
— De qualquer forma, vou beber e ficar bêbada hoje. Estou brava com a Michelle também. Vou me rebelar.
Yuni declarou, jogou sua bituca de cigarro no cinzeiro e desapareceu no café primeiro. Os sons de seus companheiros dando as boas-vindas a ela podiam ser ouvidos ruidosamente mesmo do lado de fora da porta.
Lau não sentia vontade de se misturar imediatamente àquele calor. Ele olhou por um momento para a nuca de Yihyun, que estava cumprimentando Yuni entre a multidão, depois virou as costas. Ele pretendia fumar mais um cigarro antes de entrar.
Foi por volta da hora em que ele o acendeu e deu uma primeira tragada lenta. Um par de braços envolveu sua cintura por trás. Um sorriso se espalhou involuntariamente pelos lábios de Lau, segurando o filtro.
— Por que… você não entra.
Ele podia sentir Yihyun tentando articular suas palavras arrastadas, provavelmente devido ao álcool. Então, um sussurro suave seguiu: “Eu esperei”. O hálito de Yihyun em seu pescoço enviou um leve arrepio por sua espinha.
— Você não está com frio?
Lau acariciou gentilmente os braços de Yihyun enquanto perguntava, depois o puxou para frente. Ele largou sem cerimônia o cigarro, do qual havia dado apenas uma tragada, no cinzeiro e o abraçou apertado com os dois braços.
Ele não se importava com o tipo de vaias que vinham das pessoas dentro do café. Esses poucos dias, onde ele podia ver, ouvir e tocar o Yihyun real, eram curtos e preciosos demais para se preocupar com a opinião dos outros.
— Por causa do que meus pais fazem, eu costumava desenhar muito quando era jovem.
— ……
Ele sentiu o olhar de Yihyun, com o queixo apoiado na clavícula de Lau, olhando para ele. O rosto de Yihyun devia mostrar curiosidade, imaginando o que ele estava prestes a dizer. Lau continuou sua história, com o olhar fixo nas cestas coloridas em frente à floricultura.
— Até eu ter uns dez anos, pincéis e tintas eram brinquedos muito familiares, e meus pais diziam que eu tinha bastante talento, embora pudessem ser tendenciosos.
— ……
— Acho que eu deveria ter continuado desenhando em vez de parar. Ou… eu deveria ter seguido a fotografia mais seriamente em vez de apenas como um hobby.
Só então Lau olhou para baixo para Yihyun. Embora seus olhos piscassem lentamente em seu estado de embriaguez, ele estava ouvindo atentamente com uma expressão séria. Soltando um braço que estava em volta da cintura de Lau, Lau afastou o cabelo da testa de Yihyun.
— Você trabalhando com outras pessoas. Desenhando outras pessoas, ou outras pessoas possuindo seu trabalho. Isso me deixa com mais ciúmes do que qualquer coisa. Meu ciúme… Seo Yihyun não gosta muito dele, no entanto.
Lau abraçou Yihyun com força, como se o punisse por abandonar sua expressão séria e soltar uma risadinha. Ele então falou em um tom deliberadamente leve.
— Mas eu tenho o objetivo de me tornar o apoiador mais fiel do trabalho de Seo Yihyun, e um parceiro perfeito tanto pessoal quanto criativamente… Eu vou controlar esse sentimento. Só estou te contando para que você saiba.
Quanto mais estavam separados, mais sensível Yihyun ficava às emoções de Lau. Ele queria evitar causar preocupação e era sempre cauteloso ao falar sobre coisas com as quais Lau pudesse se preocupar. Lau era o mesmo, mas agora ele não queria esconder nem a menor emoção. Mesmo para o bem de não preocupá-lo. Ele sabia que por não falar sobre as coisas, por adiá-las, mal-entendidos podiam surgir mesmo sem mentiras diretas, simplesmente através do silêncio. Nesse caso, era melhor discutir conforme as coisas surgissem.
Uma senhora idosa passando pelo casal abraçado fez contato visual com Lau e sorriu calorosamente. Lau retribuiu o sorriso silenciosamente, garantindo que Yihyun não percebesse, e puxou Yihyun para mais perto com seus braços.
Yihyun, que estivera se mexendo em seu abraço por um momento, falou em voz baixa.
— Mesmo agora, não, você foi o apoiador perfeito desde o começo.
— ……
A presença em seus braços às vezes o deixava sem palavras. Ele era movido por Yihyun de uma forma que o fazia se perguntar como aquilo era possível.
Lau bagunçou o cabelo de Yihyun, pensando na definição de perdão de Jacques Derrida, que Yihyun havia mencionado uma vez durante uma ligação telefônica.
— Não seja tão complacente comigo o tempo todo. E se eu ficar ousado demais?
Yihyun riu, enterrando a testa no ombro de Lau. O tremor em seu corpo de rir, que se transferia diretamente para Lau, parecia especial. Lau soltou um suspiro profundo e envolveu o ombro de Yihyun com o braço, beijando sua orelha. Ele sentiu as mãos de Yihyun agarrando o cós de seu suéter de malha fina.
— Mesmo que as pessoas entendam mal minhas intenções, e que esses olhares às vezes me deixem com medo diante da tela… quando me lembro que pelo menos uma pessoa verá meu coração como ele é, então… eu ganho coragem para desenhar ousadamente o que quero desenhar.
— ……
Era uma sorte estarem se abraçando. Lau inclinou a cabeça profundamente mais uma vez, pressionando os lábios em sua bochecha. Sua bochecha corada estava tão quente quanto naquela noite de quarta-feira, quando ele estava sofrendo com a febre.
— Eu sei que não sou bom em me expressar… Mas, hum… não é que eu odeie ciúme, é só que quando o Kūn diz coisas assim, minhas emoções vacilam e eu começo a sentir sua falta… foi isso que tornou tudo difícil… por isso agi daquela forma.
Lau afastou Yihyun e olhou em seu rosto. Ele estava claramente mais embriagado do que Lau jamais o vira, mas estava tentando sinceramente transmitir seus pensamentos com clareza.
Yihyun deve ter se sentido da mesma forma que ele, querendo vê-lo. Assim como ele havia feito uma proposta sem convicção porque não queria restringi-lo, talvez Yihyun também estivesse suportando o tempo de separação porque não queria interferir em sua vida e trabalho.
Lau balançou a cabeça lentamente.
— P-por que você está me olhando assim?
Estava claro que ele estava achando difícil falar com clareza, e a pronúncia de Yihyun tornou-se lenta e arrastada novamente. Lau pressionou sua testa contra a de Yihyun e sorriu.
— Por nada. Porque estarmos juntos parece um sonho, e é maravilhoso.
Esfregando os narizes um no outro, ele sobrepôs seus lábios aos de Yihyun. Ele lembrou do primeiro beijo deles no terraço da festa oferecida pela ‘The Face’. Yihyun, que ficara atrapalhado com apenas um beijo e corara rapidamente, e ele mesmo, que perdera sua compostura habitual, estimulado por tais reações desajeitadas.
Depois de algumas leves pressões e liberações na superfície de seus lábios, ele inclinou a mandíbula de Yihyun para se aprofundar. A doçura do vinho permanecia nos lábios de Yihyun. Estava aconchegante e quente, e ele não queria se afastar.
As mãos de Yihyun, que estavam segurando sua cintura, subiram por suas costas para abraçar seus ombros. Lau puxou os ombros dele para mais perto e deu um passo atrás. Suas costas atingiram a parede de vidro do café. Um frio úmido infiltrou-se através de sua malha fina, mas não importava.
Dada a localização, ele não usou a língua. Enquanto alternava beijando os doces lábios superior e inferior de Yihyun, Yihyun também franziu os lábios e envolveu os de Lau. O som doce de suas membranas mucosas pressionando e se separando provocou seus ouvidos.
Depois de segurarem e puxarem os ombros um do outro várias vezes e se beijarem por um longo tempo, Yihyun foi o primeiro a afastar seu peito. Baixando o olhar, ele cobriu os lábios com as costas da mão e baixou a voz.
— Vamos parar. O nariz do Ah Wi… está gelado.
— Yihyun-ah.
— ……
— Eu não consigo evitar. Acho que meus feromônios vão sair.
Yihyun relaxou os ombros e riu. Então, ele empurrou levemente o peito de Lau com um punho frouxamente fechado e se afastou. Lau agarrou o pulso de Yihyun e o puxou de volta. Mordendo o lábio inferior e suprimindo um sorriso, ele envolveu a cintura de Yihyun com os braços novamente.
Lau baixou a cabeça para beijá-lo, e Yihyun torceu o corpo para evitar o rosto dele. Eles brincaram assim por um longo tempo em frente ao café. Eles nem sentiram o frio.
Quando voltaram para dentro do café, ambos estavam com os rostos corados, e Yihyun segurava um buquê de mimosas amarelas na mão.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Tendo vivido como um beta a vida inteira, Seo Yihyun nunca imaginou que seu caminho se cruzaria com o de um Alfa de elite como Lau Weikun — alguém tão acima do seu mundo que parecia que o destino jamais se daria ao trabalho. Mas, um dia, Weikun capta um aroma impossível pairando no ar: o feromônio doce e viciante de um Ômega… vindo de Yihyun. Mais estranho ainda, é um perfume que apenas ele consegue perceber. À medida que o desejo e o instinto se misturam em obsessão, Yihyun se vê preso entre a descrença e a tentação, vendo seu mundo se transformar em algo que ele nunca julgou possível.