Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 110 Online

Capítulo 110
*Fuuu.*
Edward soltou um suspiro profundo pela que parecia ser a centésima vez. Ele tentava racionalizar aquilo como uma respiração de controle, mas, na verdade, era puro desespero. Na extremidade de seu campo de visão, Cassian e seu parceiro estavam de pé, conversando sobre algo.
Naturalmente, os olhos de Edward estavam fixos exclusivamente no parceiro. Enquanto o observava com o coração na mão, a expressão do garoto pareceu vacilar por um instante, mas logo voltou ao normal. A julgar pelo movimento sutil, como quem puxa o ar pelo nariz, ele provavelmente estava engolindo um bocejo à força.
“Ele parece entediado.”
E não era para menos. Sendo alguém que fora arrastado para aquele tipo de evento desde a mais tenra infância e que já tinha uma repulsa profunda por tudo aquilo, Edward conseguia compreender aquele sentimento melhor do que ninguém.
— Fiuuu…
Edward exalou o ar mais uma vez e passou a mão pelo rosto. Hoje, aquele garoto estava inacreditavelmente lindo. Exatamente como no dia em que o vira pela primeira vez — não, na verdade, muito mais. A ponto de ser impossível não notar os olhares e os cochichos frequentes das pessoas ao redor. Se duvidasse, a verdadeira estrela da festa de hoje não seria a Duquesa, mas sim ele.
Provavelmente todos ali estavam curiosos para descobrir a identidade daquele jovem. E, claro, Edward também estivera. Se não o tivesse visto na festa anterior, a esta altura ele já teria se aproximado do garoto, ignorando completamente a existência de Cassian.
No entanto…
Edward continuava hesitante, sem coragem de dar um passo à frente. Bem naquele momento, Cassian se inclinou na direção do parceiro e sussurrou algo, fazendo com que o garoto arregalasse os olhos, pego de surpresa.
“Mas o que é aquilo?”
O rosto de Edward se contorceu instantaneamente em uma careta de desgosto. E não parou por aí. Quando o parceiro cobriu a boca com a mão e murmurou alguma coisa, Cassian simplesmente caiu na risada. Era uma cena patética.
“Depois de me espancar até a morte, ele fica aí de idílio amoroso como se não tivesse nada a ver com isso?”
A raiva borbulhou em seu peito, mas ele ainda não conseguia avançar. Embora a distância entre eles fosse curta, a razão pela qual ele permanecia pregado ao chão como se estivesse fincado por pregos era uma só: por trás daquele rosto angelical, ele ainda conseguia enxergar a criatura feroz que empunhava uma bengala para lhe dar uma surra impiedosa.
*Arfar, arfar.*
Só de lembrar daquele dia, seu coração voltava a palpitar descontroladamente. Sob a ilusão de que as feridas causadas pelos golpes desferidos por ele voltavam a doer, Edward empalideceu drasticamente e começou a respirar de forma ofegante. Vendo o seu estado, uma mulher que passava por ali resolveu intervir:
— Edward? O que houve? Você não está se sentindo bem?
O tom de voz dela era de pura preocupação, mas Edward não tinha energia para responder. Ele apenas ergueu uma das mãos para sinalizar que estava tudo bem e, após hesitar, olhou para trás. O Marquês de Manon ainda estava conversando com o casal ducal. Ao ver seu avô erguer a cabeça e soltar uma gargalhada efusiva, uma careta involuntária surgiu em seu rosto.
“Ele nem imagina o perigo que o neto dele está correndo.”
Sentiu um ressentimento profundo pelo avô, mas não havia nada que pudesse fazer a essa altura. Ele considerava que já havia se desculpado o suficiente pelo erro daquele dia, mas se a opinião do Marquês de Manon era diferente, ele seria obrigado a obedecer.
Acima de tudo, se desagradasse o velho e acabasse tendo seu nome removido do testamento no futuro, aí sim seria o seu fim definitivo…
— Haa… — Após soltar mais um suspiro que ele já havia perdido a conta, Edward finalmente cerrou os punhos e tomou uma decisão firme. “Certo, é algo que preciso fazer de qualquer jeito. Vamos acabar logo com isso.”
“Peça para dançar com ele, e certifique-se de ir até o fim da música.”
Seguindo as ordens estritas de seu avô, ele finalmente começou a andar. Tup, tup.
Sentindo o som de seus próprios passos como uma alucinação auditiva, cada avanço fazia o suor frio escorrer por suas costas e o sangue sumir de seu rosto, deixando-o pálido como um fantasma. Caminhando de forma rígida, como alguém que sente um desconforto físico, seus olhos estavam travados em apenas um ponto. Aproximando-se enquanto encarava fixamente o garoto adorável que lutava bravamente contra o tédio para conter os bocejos, ele finalmente abriu a boca no instante em que chegou.
— Edward?
De repente, uma voz gélida ecoou acima de sua cabeça. Sobressaltado, Edward ergueu os olhos e imediatamente cruzou com o olhar imponente que o encarava de cima. Fitando o rapaz que havia congelado sem perceber, Cassian continuou com uma voz tão fria quanto o seu olhar:
— O que foi? Tem algum assunto comigo?
Em um timing perfeito, o garoto colocou a cabeça de lado por trás de Cassian para espiar. Diante daquela visão, Edward simplesmente travou por completo.
* * *
“Hruuum.”
Bliss cerrou os dentes com força para engolir o bocejo que ameaçava escapar, empurrando-o de volta para a garganta. Uma lágrima solitária chegou a brotar no canto de seu olho, mas aquilo era inevitável. Ele já vinha reprimindo os bocejos consecutivamente, mas estava prestes a atingir o seu limite. Se se descuidasse por um segundo que fosse, acabaria abrindo a boca e soltando um bocejo colossal.
No entanto, fazer isso seria uma tremenda falta de educação com o casal ducal. Seu pequeno cérebro entendia perfeitamente que, depois de tudo o que eles haviam feito por ele, bocejar na festa de aniversário deles era algo estritamente proibido.
“Aguente firme, Bliss. Fique de olhos bem abertos.”
Foi bem no momento em que ele se repreendeu mentalmente e descontou a frustração dando um beliscão severo no dorso de sua própria mão.
— Ai! O que você está fazendo?
De repente, Cassian exclamou em voz baixa acima de sua cabeça. Assustado, Bliss ergueu os olhos e deparou-se com o homem olhando para baixo com as sobrancelhas franzidas. Diante de um Bliss confuso que apenas piscava os olhos, ele ergueu uma das mãos e inclinou a cabeça para o lado. Foi só ao olhar para o dorso da mão — que na verdade pertencia a Cassian e que agora exibia uma marca avermelhada — que Bliss percebeu o erro e entrou em pânico.
— M-me desculpe! Eu achei que fosse a minha mão!
Embora ele tivesse se desculpado apressadamente pela confusão, Cassian abaixou a mão, mas manteve a expressão franzida no rosto. Bliss começou a ficar apreensivo, temendo que ele estivesse zangado. No entanto, enquanto o encarava, Cassian quebrou o silêncio:
— Por que você resolveu se beliscar do nada?
Diante de uma pergunta tão diferente do que esperava, Bliss voltou a olhar para cima e percebeu: Cassian não estava com raiva, ele estava genuinamente curioso. Sentindo-se um pouco mais aliviado, Bliss resolveu confessar a verdade:
— Ah, bem… é que eu estou um pouco entediado.
— Está com sono?
Ao ouvir a pergunta direta, Bliss assustou-se novamente e olhou ao redor às pressas. Felizmente, o Duque e a Duquesa estavam a uma distância considerável, conversando alegremente com outros convidados. Soltando um suspiro aliviado, Bliss cobriu a boca com uma das mãos e sussurrou baixinho:
— Para falar a verdade, sim.
— Pfff.
Apesar de ser óbvio que o casal ducal jamais conseguiria ouvir suas palavras daquela distância, Bliss falara em um tom de voz extremamente contido, quase sem respirar. Ao ver o garoto sussurrar enquanto olhava para os lados de forma desconfiada, Cassian não conseguiu conter o riso.
— O-o que foi? Do que você está rindo?
“Eu nem disse nada engraçado!”
Bliss questionou gaguejando de vergonha, mas Cassian continuava incapaz de conter o riso, cobrindo a própria boca com uma das mãos enquanto tentava recuperar o fôlego. “Mas que cara irritante!” Ao ver aquela cena, a irritação de Bliss subiu à cabeça. Se dependesse de sua vontade, ele teria desferido um belo chute na canela dele, mas se controlou. Afinal, era preciso manter os bons modos em uma festa.
“Agradeça à Duquesa por você ter saído ileso dessa.”
Após lançar um olhar feio e afiado para Cassian, ele voltou a olhar para a frente. O sono havia desaparecido por um instante, mas durou muito pouco. Logo em seguida, uma onda avassaladora de tédio o atingiu novamente, fazendo-o quase bocejar outra vez.
“As festas são sempre tão chatas assim?”
Talvez a história fosse diferente se houvesse pessoas conhecidas por perto. Mas as únicas pessoas que Bliss conhecia ali eram o casal ducal e Cassian, e ele mal conseguia entender o teor das conversas superficiais que surgiam de vez em quando. De tanto forçar um sorriso amarelo para os outros, suas bochechas já estavam prestes a ter uma cãibra. E não era só isso.
“Essas pessoas também podem estar falando mal pelas costas.”
Ao lembrar-se da última festa, onde aqueles sujeitos falavam mal de Cassian com a maior naturalidade do mundo, ele não conseguia confiar facilmente nem mesmo nas pessoas que o cumprimentavam com extrema gentileza bem diante de seus olhos. Era difícil dizer se os nobres eram todos assim por natureza ou se ele apenas dera o azar de cruzar com o pior tipo de gente daquela vez, mas era melhor manter a guarda alta.
Além disso…
Bliss deu uma olhada de relance para Cassian. Vendo-o cumprimentar e conversar de forma tão natural e afetuosa com cada pessoa que encontrava, ele parecia extremamente confortável e familiarizado com tudo aquilo. Como se realmente confiasse e tivesse simpatia por aquelas pessoas.
“Idiota.”
Bliss estalou a língua mentalmente. “Mesmo se essas pessoas estivessem falando mal e zombando dele pelas costas, esse cara provavelmente nem perceberia, não é? Que sujeito ingênuo… Não vai ter jeito, eu vou ter que protegê-lo.”
Bem no momento em que ele soltou um suspiro maduro:
— Edward, o que foi? Tem algum assunto comigo?
Ao ouvir aquela voz repentina, ele ergueu a cabeça instintivamente, mas o corpo de Cassian bloqueava totalmente a sua visão. Sem pensar muito, Bliss colocou a cabeça de lado para espiar e acabou inclinando a cabeça confuso. Um sujeito absurdamente pálido o encarou e, empalidecendo ainda mais de susto, deu um passo para trás.
“Quem é esse cara? Acho que já vi ele em algum lugar.”
Bliss semifechou os olhos, analisando minuciosamente as feições do homem. Onde ele o vira antes? Onde…
— Ah.
Um estalo de percepção ecoou em sua mente. Ele finalmente se lembrou de onde conhecia aquele sujeito.
“Ele é um daqueles figurantes que estavam falando mal do Cassian pelas costas!”
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.