Ler Codename Anastasia (Novel) – Capítulo 01 Online

↫─☫ Nova Missão – 01
Existe algo mais inútil do que perguntar a uma criança sobre suas esperanças para o futuro? Isso porque ela muda inúmeras vezes da noite para o dia, alternando entre cursos e profissões como advogados, médicos, astronautas e artistas.
O mesmo valia para Kwon Taekjoo quando era jovem. Ele não esperava se tornar um agente do NIS até o momento em que entrou no centro de exames de admissão da faculdade.
Seu irmão mais velho era diferente. O sonho dele foi consistente desde que começou a falar a sério: ser um soldado como o pai. Sua mãe, que dizia estar aliviada por ele ter pego um livro em seu primeiro aniversário, costumava lamentar: ─ Quem diria que seria um livro de teoria militar? ─
A mãe esperava que os dois filhos não fossem soldados ou algo do tipo.
Seu avô materno, que colocava os assuntos do país à frente do trabalho doméstico, e seu marido militar, que ela conseguiu cedo por indicação dele. Graças a isso, sua mãe dizia não ter memória de dormir com os pés esticados por quase 60 anos. No dia em que o pai saía em missão, a mãe abraçava o irmão e se preocupava a noite toda. Ela não gostaria de ter passado tais dificuldades para os filhos.
Mas nenhuma criança segue o caminho que os pais desejam. Seu irmão finalmente fechou os olhos para as expectativas da mãe. Ele se voluntariou para a marinha e morreu durante uma operação. Isso já fazia mais de 10 anos. Foi a partir de então que a mãe se tornou obcecada por Kwon Taekjoo, que passou a ser como um filho único. Assim que realizou o funeral do irmão, ela segurou Kwon Taekjoo e o pressionou várias vezes, dizendo: ─ Você não pode. ─ No entanto, Kwon Taekjoo também não cumpriu os desejos dela.
Sob os regulamentos de trabalho do NIS, o status dos funcionários é mantido em segredo. O mesmo vale para familiares imediatos, incluindo os pais. Mesmo que não fosse por esse motivo, ele não poderia contar honestamente à mãe. Ela era uma mulher que perdeu o pai, o marido e o primeiro filho para o país. Se sua mãe soubesse que até o filho restante carregava mais armas do que pauzinhos de comer, ela não seria capaz de suportar mais nada. Ela pensa que Kwon Taekjoo é um funcionário público de baixo escalão em uma pequena cidade local. Ela nem sonharia que ele estava indo para Moscou disfarçado de japonês.
Ele fechou os olhos, relembrou o passado e, de repente, pegou o celular. Como esperado, a mensagem de sua mãe havia chegado.
[Filho, aproveite seu almoço. Fighting!]
Era uma saudação que chegava por volta do meio-dia todos os dias. Se não houvesse resposta, ele recebia uma ligação logo após o trabalho. Havia momentos em que ele recebia chamadas. Ele pensou que deveria responder assim que pousasse. Era segunda-feira, então ele estaria distraído com muitas reclamações. Isso deve ser o suficiente. Agora ele tem um histórico de fortalecer a fé de sua mãe.
Ele verificou a hora enquanto guardava o celular. Fazia nove horas que ele havia embarcado no avião. Olhando para a distância restante no monitor, parecia que levaria cerca de uma hora para chegar. Ele pensou que seria bom checar a máscara a essa altura. Ele se levantou do assento.
Bem na hora, o banheiro estava vazio. Ao abrir a porta e tentar entrar, ouviu um burburinho repentino. Era do lado da classe econômica. Uma cortina aberta permitiu examinar a situação. Um passageiro e a tripulação estavam em um embate. Alguém parecia ter bebido muito álcool, dizendo que era de graça. Ele perdeu o interesse rapidamente e entrou no banheiro. Quando trancou a porta, a luz do teto se acendeu.
Ele olhou para um rosto desconhecido no espelho. O atual Kwon Taekjoo era, obviamente, Hiro Sakamoto. Suas orelhas foram modeladas conforme as dele. Os olhos de Kwon Taekjoo eram as únicas coisas pretas.
Ele virou a cabeça e tateou a pele. A textura do couro artificial que tocava suas mãos era exatamente como sua pele. Aproveitando o momento, ele alisou o cabelo amassado e lavou as mãos. Estava prestes a sair após secar a água com uma toalha de papel. De repente, algo atingiu a parte de trás da porta.
A colisão foi tão forte que o teto todo estremeceu. Logo em seguida, o barulho do lado de fora aumentou. ─ Está tudo bem ─, a voz da comissária de bordo perguntando, o som de passos apressados e os gritos de um homem que falava algo incompreensível se misturavam.
Ele destrancou a trava e puxou a porta. Então, o homem que estava apoiado do lado de fora caiu para dentro.
─ Ha… mas que porra! ─
O homem estatelado estava visivelmente embriagado. Era um típico russo. Havia uma garrafa de vodca em sua mão. Parecia que ele havia aberto a bebida que comprara no duty-free a bordo. Kwon Taekjoo se perguntou quem seria o sujeito sem vergonha que bebia daquela forma, mas a situação era um pouco mais séria que um simples pileque.
Ele olhou em silêncio para o homem que cambaleava. A tripulação parecia perdida.
─ Senhor, levante-se. Eu vou ajudá-lo. ─
─ Como ousa me tocar? Solte! Solte! ─
─ Argh! ─
O homem empurrou a comissária que tentava ajudá-lo. Todos os outros tripulantes pareceram paralisados. Não havia ninguém capaz de subjugar aquele russo enorme de imediato, nem mesmo um passageiro disposto a bancar o herói. Era irritante ter que intervir pessoalmente, mas enquanto ele ponderava, uma comissária já acionava o interfone para a cabine de comando.
Geralmente, distúrbios assim forçam um pouso de emergência no aeroporto mais próximo. Nesse caso, todos os passageiros precisariam desembarcar, passar por novas inspeções de bagagem e procedimentos de segurança do zero. Seriam horas de espera até que o voo fosse reorganizado.
Intrometer-se era uma questão de conveniência. Ele não queria chamar atenção, mas a ideia de ter seu plano original arruinado por alguém tão inconveniente era pior do que o esforço de agir.
Ele agarrou as costas do bêbado que ainda se apoiava em sua perna.
─ Acorde por um momento. ─
─ …Uh! ─
O homem foi arrastado à força para dentro do banheiro, batendo o quadril no vaso e caindo para frente. Quando o braço do sujeito saltou para fora da porta, gritos contidos ecoaram entre os passageiros. Aqueles nas poltronas da frente se levantaram, ignorando os pedidos da tripulação para que permanecessem sentados.
O rosto do homem, ao tentar se levantar, estava transtornado. Ele exibiu um sorriso cínico e limpou a saliva no canto da boca com as costas da mão.
─ Oh, vamos fazer assim, é? ─
O brutamontes apenas ergueu o dedo antes de avançar como um bisão enfurecido.
Kwon Taekjoo instantaneamente envolveu o pescoço dele e o travou sob o braço. O homem, tentando reagir, agarrou o pescoço de Taekjoo e o ergueu do chão com os dois braços, pretendendo chocá-lo contra o teto.
Os comissários fecharam os olhos com força, esperando o impacto. Mas o som do estrondo não veio.
Os passageiros piscaram, confusos. Foi só alguns segundos depois que o som esperado finalmente aconteceu.
Não foi Kwon Taekjoo quem desabou, mas o gigante. O homem, atingido inesperadamente em um ponto vital, ficou inerte. Taekjoo o subjugou completamente, soltou o braço que o prendia e chutou o corpo desmaiado para fora do banheiro. Houve outro grito abafado na cabine, mas ele apenas caminhou calmamente, sacudindo sua jaqueta para tirar os vincos.
─ O que houve? ─
Nesse momento, o chefe de cabine apareceu. Ele olhou para o vulto enorme estirado no chão, depois para Kwon Taekjoo, e por fim para a equipe. Taekjoo voltou ao seu lugar como se nada tivesse acontecido. **Click.** O som do cinto de segurança sendo afivelado selou o fim da confusão.
A tripulação, agora livre do bêbado, se desdobrava em desculpas para os passageiros assustados.
“Sinto muito, senhor.”
“O senhor se machucou? Vou trazer uma água morna.”
“Está tudo sob controle agora. Não se preocupe.”
“Mil desculpas.”
Ele podia ouvir aquelas palavras, uma após a outra, vindas de trás da cortina fechada.
Houve também um anúncio de desculpas pelos distúrbios em série. Ele ignorou e tentou fechar os olhos, mas o comissário-chefe e o gerente de serviço se aproximaram. Pareciam querer expressar gratidão pela ajuda. Ele se antecipou com uma resposta curta.
─ Vou conseguir desembarcar no horário? ─
─ Oh, sinto muito, mas o ocorrido já foi reportado ao centro de controle. Teremos que aguardar no ar até que o aeroporto autorize o pouso. O tempo estimado de chegada será atrasado em cerca de uma hora em relação ao original. ─
No fim das contas, aconteceu o que ele temia. Ele franziu as sobrancelhas e assentiu com desdém. Em seguida, colocou os fones de ouvido imediatamente. Apesar da recusa implícita em continuar a conversa, os dois só retornaram aos seus postos após expressarem uma gratidão sincera.
Os passageiros, que até então reclamavam, silenciaram-se como combinado quando a aeronave balançou em meio a uma turbulência. Mesmo sem o pedido da comissária, todos afivelaram os cintos por conta própria, mantendo a postura ereta e prendendo a respiração.
Alguém chegou a murmurar uma prece.
Graças a isso, ele pôde passar uma hora em silêncio. Seus ouvidos estavam tão entupidos que ele mal conseguia manter os olhos abertos. Enquanto matava o tempo, um agradável anúncio de bordo ecoou:
[Nossa aeronave chegará ao Aeroporto Domodedovo, em Moscou, em breve. O horário local é agora 16:11. O tempo está nublado com muitas nuvens e a temperatura é de -13°C. Pedimos sinceras desculpas pelo inconveniente causado pelo distúrbio inesperado durante o voo. Obrigado por voar com a nossa companhia aérea japonesa hoje e esperamos vê-los novamente em breve. Tenham cuidado em seu destino final. Obrigado.]
No entanto, mesmo após o anúncio, o avião ainda vagou pelo ar por um tempo. Passava das 17h quando ele finalmente tocou o solo.
Ele seguiu a multidão até o controle de imigração. Não estava muito nervoso; cruzar a fronteira disfarçado de outra pessoa era algo que já se tornara entediante. O exame terminou num piscar de olhos. O funcionário apenas lançou um olhar para Kwon Taekjoo e não fez perguntas. Tudo correu bem até ele sair para o saguão de desembarque para buscar sua bagagem.
Fora da saída, pessoas que vieram buscar clientes, familiares e parentes estavam acampadas. Ele viajou a convite dos russos um dia antes do grupo principal. Portanto, o plano era seguir para o hotel sem recepção especial.
Mas, do nada, um pedaço de papel com **”Hiro Sakamoto”** escrito chamou sua atenção. Mesmo tirando os óculos escuros para olhar de novo, o nome escrito uma vez em caracteres chineses e outra em inglês estava correto. O nome da empresa, **Itochu Corporation**, também estava listado abaixo.
Quando ele parou, o homem com o papel alegrou-se imensamente.
─ Sr. Sakamoto? ─
─ Sim. ─
Ele respondeu de forma seca. Um sorriso alegre se espalhou pelo rosto do homem.
─ Bom dia! Meu nome é Vasily Alexandrovich e trabalho na Assessoria de Relações Públicas da Gazprom. Ouvi dizer que o senhor entraria no país primeiro hoje e vim cumprimentá-lo. ─
Ele estendeu a mão para um aperto rápido. Kwon Taekjoo inclinou a cabeça enquanto olhava para a mão estendida à sua frente.
─ Eu não recebi esse aviso… ─
─ Não soube de nada? Impossível. Nós confirmamos tudo esta manhã. Sua empresa também disse que daria a notícia ao Sr. Sakamoto. ─
Vasily parecia muito confiante. Ele pediu compreensão enquanto dizia:
─ Espere um minuto. ─
Kwon apressou-se em checar seu telefone de trabalho. Ele pensou que as notificações fossem apenas mensagens de roaming ou avisos do consulado, já que o aparelho não parava de apitar, mas a mensagem de Lim estava misturada ali. Como Vasily alegou, a Gazprom iria recebê-lo.
─ Oh… entendo. ─
─ Deve ter ocorrido algum erro, não? De qualquer forma, obrigado por vir de tão longe. Mas o senhor está bem atrasado, não está? ─
─ Houve uma pequena confusão a bordo. ─
─ Algum outro bêbado perdeu o controle? ─
─ …Como você sabe disso? ─
─ É que é comum que homens russos impetuosos gostem de vodca. Você deve ter ficado muito surpreso. Isso é tudo o que você trouxe? Deixe que eu levo. ─
─ Está tudo bem. Eu seguro. ─
─ Oh, sim, então por aqui. ─
Ele não parecia nem um pouco constrangido por ter tido o favor recusado. Pelo contrário, tomou a frente alegremente, como se algo muito bom tivesse acontecido. Taekjoo o seguiu lentamente. Ele não sabia exatamente o que tinha se confundido, onde ou como, mas, pensando bem, era natural.
Fosse com o grupo principal ou separadamente, o fato de Hiro Sakamoto ser um VIP não mudava. Por causa disso, Kwon Taekjoo ganhou uma dor de cabeça extra: teria que interpretar Hiro Sakamoto até chegar ao hotel.
Havia um sedã preto esperando na área de desembarque junto com Vasily. Um homem saiu rapidamente do banco do motorista, pegou a bolsa de Kwon e a guardou no porta-malas. Vasily pessoalmente abriu a porta traseira. Taekjoo se acomodou de forma meio desajeitada diante de tanta hospitalidade. Assim que Vasily se sentou no banco do passageiro e fechou a porta, o sedã deixou o aeroporto sem demora.
Seu corpo inteiro estava pesado devido ao longo voo. Ele se afundou no assento e fechou os olhos por um momento. Era um sinal silencioso para não conversarem desnecessariamente. Mas Vasily virou-se para trás.
─ Você está cansado? ─
─ Por causa do fuso horário, um pouco. ─
Quando ele respondeu relutantemente, o outro começou a perguntar como foi a refeição a bordo, se os assentos eram confortáveis e se as comissárias eram bonitas. Ele chegou a despejar várias anedotas que já tinha vivido em aviões.
Kwon Taekjoo virou o rosto para a janela e ouviu tudo por cima.
A escuridão já era profunda na estrada. No entanto, ainda era possível absorver a atmosfera de Moscou. Para onde quer que olhasse, via um veículo Lada; de fato, merecia ser chamado de o novo carro nacional da Rússia. A combinação do emblema do Starbucks com caracteres cirílicos no centro da cidade chamava a atenção. Os pedestres usavam casacos longos ou curtos. Estavam todos com os pescoços encolhidos, e os narizes grandes que apareciam estavam vermelhos. Talvez pelo frio, os rostos pareciam endurecidos, passando uma impressão de severidade.
─ Está tão frio assim ultimamente? ─
Vasily, que estava falando sobre um cruzeiro japonês, parou a conversa ao ser interrompido do nada. Ele sorriu, sem se importar com o corte.
─ Está bem agradável hoje em dia. Faz cerca de -15°C, apesar de ser inverno. É realmente um clima bom para viver. ─
Taekjoo encolheu os ombros. Ele detestava o frio. Vasily, por outro lado, parecia animado com a mudança de assunto.
─ Às vezes aparecem pessoas que não suportam Moscou porque acham frio demais, mas eu digo que é porque nunca foram a um lugar realmente frio. Em Irkutsk ou Verkhoyansk, a temperatura oscila entre -20°C e -45°C. Comparado a isso, Moscou é um paraíso na terra. Claro, não se compara a Tóquio. Ouvi dizer que a temperatura lá é estável o ano todo, não? Se cair abaixo de zero, as pessoas morrem congeladas, certo? Se isso acontecesse na Rússia, até o cachorro do vizinho daria risada. ─
Congelar a -40°C… Só de ouvir, Taekjoo estremeceu.
Depois disso, Vasily continuou tagarelando, mas sem dizer nada que realmente importasse. Kwon Taekjoo, que apenas observava pela janela, de repente olhou ao redor.
O carro havia parado completamente, embora a velocidade já estivesse diminuindo há algum tempo. Ele avançava um pouco e parava de novo.
Ele esticou o pescoço para olhar à frente. Havia uma fila enorme de carros. Era uma procissão tão longa que não dava para ver o fim. Pareciam ter sido pegos pelo horário de pico.
Isso não teria acontecido se o avião tivesse chegado no horário. Era tudo culpa daquele maldito bêbado. Vasily trocou algumas palavras com o motorista enquanto cerrava os punhos, impaciente com o atraso. Então, olhou para trás e pediu permissão a Kwon Taekjoo:
─ Acho que não vamos conseguir sair do lugar nesse ritmo por um bom tempo. Que tal pegarmos um atalho? Eu conheço Moscou como a palma da minha mão. Já é hora do jantar, o Sr. Sakamoto deve estar com fome. Ou você só quer descansar depois desse voo longo? ─
Era música para seus ouvidos. Ele queria se deitar em uma cama imediatamente, independentemente da refeição. Kwon Taekjoo assentiu várias vezes para Vasily, perguntando:
─ Por mim, tudo bem. Pode ser? ─
Assim que a permissão foi concedida, o motorista deixou a fila e entrou em uma estrada secundária próxima. Era um caminho estreito, sem distinção entre pista e calçada, onde era difícil encontrar um poste de luz funcional. Confiando apenas nos faróis, o carro rompeu a escuridão. Um gato de rua, que revirava uma lata de lixo, fugiu assustado com a luz.
O motorista dizia conhecer bem o caminho, mas serpenteava por becos onde um carro mal passava sem descanso. A distância em linha reta teria sido muito menor pela estrada principal, mas esse atalho seria mais rápido — se ele não se perdesse.
Foi no momento em que Taekjoo estava sendo otimista que algo o deixou em alerta.
─ ……! ─
Ele virou a cabeça para a janela. Um objeto estranho pareceu ser capturado pelo canto de sua visão. Ele olhou de volta para a rua que acabaram de passar, mas nada se destacava. Ele teve a impressão de ter visto um vulto humano. Seria uma ilusão? Era difícil ter certeza naquela escuridão. No entanto, a sensação de relutância era forte demais para ser ignorada. Ele inclinou a cabeça e sentou-se lentamente. Quando Vasily perguntou o que estava acontecendo, ele disse que não era nada.
De repente, ao olhar para fora sem um alvo fixo, ele percebeu: o veículo estava rodando novamente por uma estrada que já havia percorrido. Os prédios eram todos semelhantes e os becos tão escuros que não dava para ver um palmo à frente, mas não havia dúvida. Ele murmurou, fixando o olhar na lata de lixo que acabara de passar:
─ Acho que estamos perdidos. ─
─ Impossível. Estamos no caminho certo. ─
─ Não. Esta é definitivamente a rua de antes. Aquela lata de lixo à esquerda, com a sujeira, o lixo transbordando e a tampa quase fechando… é a mesma que vimos há pouco. E o prédio atrás dela? As rachaduras na parede externa, a cor dos tijolos, o formato da janela e até as roupas e vasos pendurados. É idêntico ao que vi antes. ─
Ele argumentou, contrastando a paisagem com suas memórias recentes. Vasily, que ouvia em silêncio, sorriu.
─ …Você tem olhos bons. ─
O tom era sarcástico, destilando ironia. A simpatia exagerada e a grosseria de antes haviam sumido por completo. Esse tipo de mudança radical geralmente não terminava bem.
Kwon Taekjoo, sentindo o cheiro de perigo, sacou sua Colt sem hesitar. Com um estalo, a bala foi para a câmara e o gatilho foi pressionado até a metade. Ele fez contato visual com o motorista pelo retrovisor.
─ Pare. ─
A voz de comando soou baixa. O motorista obedeceu prontamente. O sedã parou no meio do beco estreito. Vasily levantou as mãos, sem resistência.
─ Você tem um brinquedo bem perigoso, Sr. Sakamoto. ─
─ Quem são vocês? ─
─ Eu já lhe disse. Sou Vasily Alexandrovich, vim para servi-lo. ─
─ E esse Alexandrovich não teria nada a ver com a Gazprom, certo? ─
─ Só um pouquinho. ─
Foi então que aconteceu.
─ ……? ─
Subitamente, a porta traseira se abriu e um homem empurrou Kwon Taekjoo para dentro. Em sua mão estava um revólver russo, um Tokarev. Imediatamente, o cano da arma encostou em Taekjoo. Além disso, um ponto vermelho vindo de algum lugar pairou sobre seu peito esquerdo. Ele estava completamente cercado. O maxilar de Taekjoo se contraiu.
─ Não seria melhor ser modesto, Sr. Sakamoto? Vasily cantarolava cada sílaba do nome, zombeteiro. Não havia pistas de quem eles eram ou o que queriam, mas Taekjoo sabia que precisava sair dali. No entanto, furos na cabeça e no peito eram iminentes. Ele moveu os olhos, analisando o ambiente. A única luz vinha dos faróis e da lâmpada interna que refletia o rosto trêmulo de Vasily.
─ Não faça bobagem. O número de cabeças que vão voar… ─
Antes que o aviso de Vasily terminasse, Taekjoo se abaixou. Um tiro após o outro ecoou. A luz interna do carro, atingida por disparos inesperados, apagou-se.
Logo em seguida, outra bala de sniper veio de um telhado próximo. Uma série de tiros nítidos estourou o vidro traseiro. Após o caos inicial, um silêncio profundo caiu. Ninguém se movia perto do veículo. O sniper moveu sua arma lentamente, vigilante.
No momento seguinte, o veículo parado arrancou bruscamente. Ele acelerou pelo beco estreito com os faróis apagados, batendo em latas de lixo e paredes ocasionalmente. O sniper disparou tarde demais, atingindo apenas o para-choque e o retrovisor.
─ Se não quiser terminar como eles, é melhor ser obediente. ─
Kwon Taekjoo ameaçou o motorista enquanto limpava o sangue do rosto. O sangue pertencia ao homem que tentara entrar no banco de trás momentos antes. O sujeito, que servira de escudo humano para Taekjoo contra o sniper, estava caído com a cabeça pendida. A situação de Vasily não era diferente: uma bala atingira o centro de seu rosto, e ele caíra sobre o painel.
O motorista, encharcado com o sangue alheio, dirigia sem protestar. Taekjoo ordenava a direção, apertando o pescoço dele por trás. O problema era que, por mais que corressem, a avenida principal não aparecia. Era difícil saber se entrariam em um beco sem saída, já que moviam-se no escuro para evitar o sniper.
Então, novamente.
─ ……! ─
Algo passou rapidamente entre os prédios. Era a mesma criatura de antes. Um gato? Não, era muito maior e mais pesado. E muito mais rápido. Taekjoo tentou seguir o vulto, mas ele desapareceu na escuridão.
Poderia ser ilusão uma vez, mas não duas. Enquanto olhava ao redor, inquieto, outro sedã surgiu de um beco lateral.
Com um estrondo violento, a lateral do carro foi atingida. O banco traseiro onde Taekjoo estava voou pelo ar. O breve vácuo pareceu uma eternidade. Em um piscar de olhos, a visão inverteu-se. O carro capotou violentamente, lançando estilhaços de vidro para todos os lados. As quatro rodas do veículo virado giravam inutilmente no ar.
O silêncio voltou. Apenas o som do motor morrendo podia ser ouvido.
Depois de um tempo, o barulho de metal sendo chutado quebrou a quietude. Kwon Taekjoo chutou a porta amassada várias vezes até conseguir rastejar para fora.
─ …oh. ─
Ele tentou se levantar, mas caiu sentado. Sua cabeça latejava; ele provavelmente tivera uma leve concussão ao bater em uma barra de segurança. Sacudiu a cabeça, tentando se recompor, e levantou-se apoiando-se na carcaça do carro. Olhou para o motorista: ele estava imóvel.
Vendo o vidro quebrado coberto de sangue, era óbvio que ele não estava bem. O outro veículo também permanecia em silêncio.
Taekjoo não entendia nada. Quem eram as pessoas tentando sequestrar Hiro Sakamoto? Qual o objetivo? Não parecia um grupo comum, dado o conhecimento sobre sua chegada. Parecia algo ligado às autoridades russas ou à Gazprom. O ridículo era ele, Taekjoo, estar sofrendo tudo aquilo no lugar do verdadeiro Sakamoto.
Ele foi até a traseira do carro para pegar sua bagagem. Ao tentar abrir o porta-malas, ouviu o som indesejado atrás de si.
─ Mãos para cima. ─
Ele estremeceu reflexivamente. O som de uma arma sendo engatilhada ecoou. Se ele se movesse, o homem puxaria o gatilho. Taekjoo levantou os braços e virou-se lentamente. O homem à sua frente estava ensanguentado, provavelmente vindo do outro veículo. A arma era familiar; ele devia estar com Vasily.
Enquanto pensava em uma solução, viu sua Colt caída perto dos pés do homem.
─ Caminhe devagar para cá. Não tente nenhuma gracinha se preza sua vida. ─
A ameaça era ridícula vinda de alguém naquele estado, mas Taekjoo obedeceu. O homem não podia matá-lo, ou já o teria feito. Como esperado, o sequestrador não mostrava desejo de matar, mas sim medo da situação. Mesmo armado, ele parecia inquieto à medida que Taekjoo se aproximava.
Talvez fosse mais fácil do que ele pensava. Mas, ao chegar perto, outro homem apareceu.
─ Tire o casaco. Não sei o que você esconde aí dentro. ─
Havia mais um. Pelo rifle em mãos, era o sniper de antes. Taekjoo deu de ombros e começou a tirar o casaco, deixando apenas a manga direita. Fingindo puxar o braço, ele subitamente puxou o casaco inteiro com força. O sniper, que segurava a peça com apenas uma mão por causa do rifle, perdeu o equilíbrio. Taekjoo lançou o casaco no homem que o mirava com a pistola. Obstruído pela roupa, o homem disparou por puro reflexo.
Taekjoo aproveitou a brecha para avançar sobre o sniper. Houve uma luta corporal rápida e um grunhido. Quando o homem da pistola conseguiu se livrar do casaco, Taekjoo já estava correndo. O sniper caiu, atingido pelo tiro cego de seu colega. O homem, furioso, começou a atirar descontroladamente.
Nenhum tiro o atingiu. Taekjoo correu para a escuridão. Correr no escuro era sua vantagem e sua desvantagem, pois não havia onde se esconder se chegasse a um beco sem saída.
As balas passavam raspando por ele, atingindo as paredes dos prédios. A cada esquina, ele virava sem hesitar. *Tang!* Algo acima de sua cabeça foi estilhaçado por outro tiro. Destroços caíram, possivelmente um vaso de flores. Ele sacudiu a terra do cabelo e entrou em outra via secundária. Naquele instante, uma van surgiu.
─ ……! ─
Ele rolou sobre o capô para minimizar o impacto. As quatro portas se abriram simultaneamente e homens armados saltaram. Logo, o perseguidor de antes se juntou a eles. Após trocarem algumas palavras, todos apontaram as armas.
─ …que absurdo. ─
Se ele lidava com um, aparecia outro. Se eliminava um, surgia mais um. Até quando isso continuaria? Kwon Taekjoo, recuando lentamente, voltou a correr. Uma enxurrada de palavrões ecoou enquanto ele disparava pelo beco.
Após fugir por um longo tempo, a visão subitamente se abriu e um grande terreno baldio surgiu. Ali estava uma construção abandonada, ainda em estrutura.
O prédio tinha a frente e os fundos abertos, sem paredes, mantendo apenas a armação. Materiais como cimento e vigas de aço estavam espalhados por toda parte.
Não havia tempo para hesitar. O único lugar para se esconder imediatamente era ali. Assim que entrou, subiu os degraus empoeirados para o interior do edifício.
─ Ha, ha…. ─
Ao subir ao quarto andar de uma vez, ele mal conseguia respirar. Chegou a praguejar pelo coração latejar a ponto de doer. Vestia apenas uma camisa fina, mas sequer sentia o frio.
O grupo que perseguia Kwon Taekjoo também chegou gradualmente à base do prédio. Ao contar, eram quatro no total. Onde estaria o outro?
Ele se aproximou da parede logo ao lado da escada improvisada. Ouviu com as costas coladas à estrutura. Podia sentir alguém subindo furtivamente. Soltou o cinto e o segurou com as duas mãos.
Logo depois, a arma, que subia degrau por degrau, apontou à frente da parede. Sem perder o momento, ele lançou a fivela horizontalmente. O cinto desenrolado envolveu o fuzil com um rebote e voltou para a mão de Kwon Taekjoo. Ele o puxou com força.
*Rat-tat-tat-tat.*
O fuzil, que fora erguido, disparou incessantemente. Inesperadamente, Kwon Taekjoo soltou uma das pontas do cinto que puxava e o girou com toda a força. O cinto atingiu as costas da mão do homem como um chicote. O homem urrou, derrubando a arma.
O fuzil que caíra no chão foi chutado para longe, e o pescoço do homem foi enlaçado pelo cinto antes que pudesse pegá-lo. O homem debateu as pernas, tentando livrar o pescoço comprimido.
─ …Argh! ─
Ele torceu o cinto com mais força, sem deixar escorregar. O corpo do homem, que tremera por algum tempo, lentamente parou de reagir. Quando relaxou as mãos, o homem caiu de joelhos. Chutou o sujeito para o lado e recuperou o fôlego. Agora faltava um.
Nesse meio tempo, o andar de baixo ficou barulhento. A gangue parecia ter corrido após ouvir os disparos. O fuzil caíra na posição oposta às escadas. Se não o pegasse a tempo, não conseguiria revidar e viraria uma peneira. No entanto, não era possível subjugar o grupo armado de mãos vazias.
Ele respirou fundo novamente e rolou o corpo rápido. Quando alcançou o fuzil no chão, a gangue já estava quase no topo da escada. Ao darem de cara com Kwon Taekjoo, apontaram as armas sem esforço.
Contudo, Kwon Taekjoo puxou o gatilho primeiro. Os tiros ecoaram um após o outro, e dois homens rolaram escada abaixo gritando. As balas disparadas por eles cravaram-se no teto.
Ele descartou o fuzil vazio sem hesitar e deu um passo à frente. Dois restantes. Contou o número e observou o movimento abaixo.
─ ……? ─
Subitamente, ergueu a cabeça. Algo captou sua visão. Mas não havia ninguém ali. Por que continuava vendo coisas? Sua respiração estava mais pesada que o normal devido ao nervosismo.
Poderia ser apenas impressão. Não havia tempo para se deixar levar por intuições vagas. Obviamente, mas ele não conseguia ignorar seu sexto sentido amargo.
─ ……! ─
Novamente, Kwon Taekjoo se levantou e olhou para o prédio oposto. A silhueta não estava clara devido à distância. Ele semicerrou os olhos e observou, mas a figura que rastejava no telhado desapareceu rapidamente.
Ele não acredita em fantasmas ou assombrações. No entanto, era difícil dizer que a figura que testemunhara não fosse algo do tipo. Nenhum homem poderia se mover daquela forma.
Enquanto enfrentava questões inoportunas, um ataque feroz veio de baixo.
A bala, que voou sem parar, pulverizou o chão onde Kwon Taekjoo estivera até um momento atrás. Ele escapou por pouco e vigiou o inimigo.
Os dois homens restantes planejaram a operação. Um invadiu o prédio, enquanto o outro fixou a mira para cima. Ele olhou em volta apressadamente. Tinha que encontrar uma forma de deter o homem que estava prestes a entrar. Contudo, não havia onde se esconder nem arma adequada.
Nesse momento, um tiro repentino ecoou de baixo. Kwon Taekjoo parou e ouviu a direção do disparo. Por um instante, ouviu um grito dilacerante.
─ Argh! Argh!
Não, era mais como um rugido. Não estava longe. Em algum lugar lá embaixo. Ele esperou um pouco, mas não sentiu mais nada. Olhou para fora do prédio para entender a situação. O homem que esperava lá fora também olhava em volta com o rosto confuso, surpreso pela sequência de tiros e gritos.
Então ele viu Kwon e puxou o gatilho.
Ele girou rapidamente e evitou as balas. Não sabia o que diabos estava acontecendo. Quase foi atingido. Logo, até o homem que restara lá fora entrou no prédio. *Tap, tap, tap.* Ouviu passos firmes subindo as escadas.
Cada vez mais perto e mais alto. Estariam no quarto andar em instantes.
Nesse ritmo, não haveria escolha a não ser o fim. Kwon Taekjoo agarrou um botão de sua manga direita e o arrancou. Com um pequeno som mecânico, um fio longo e fino saiu do botão caído. Era uma pequena bomba. Ele iria lançá-la se fosse necessário.
Cortou o fio, enrolou a bomba e esperou o homem aparecer.
─ ……? ─
No entanto, o homem não apareceu por um longo tempo depois disso. Como se apenas Kwon Taekjoo estivesse no prédio, os arredores ficaram silenciosos. Além do som dos passos parando, nenhum ruído de respiração era detectado.
─ O que aconteceu? Está escondido esperando que eu me mova primeiro? ─
Kwon Taekjoo olhou novamente para o terreno baldio. Não havia sombra de homem à vista. Qual seria o melhor caminho? Foi quando a dúvida atingiu o ápice.
─ ……! ─
De repente, algo surgiu ao lado de seu rosto. Kwon Taekjoo, que olhou inadvertidamente, paralisou. Era o braço de um homem esticado. E pendurado na ponta dele estava o último sujeito que entrara no prédio. Ele mal conseguiu identificar o homem pela aparência.
Porque uma mão grande cobria seu rosto. Para ser exato, os dois olhos do homem foram perfurados por dedos longos e retos. O homem, completamente empurrado para fora do prédio, parecia flutuar apenas pelos dedos cravados em suas órbitas. Suas pernas tremiam no ar.
─ O… que… é… isso…. ─
Um gemido escapou da boca do homem. A testa de Kwon Taekjoo franziu-se. Suas costas gelaram. Ele não ousou virar a cabeça para checar o dono daquela mão monstruosa. Não era uma questão de coragem, mas uma rejeição instintiva. Mal conseguia respirar.
O dono do braço esticado não prolongou a situação. Sacudiu o homem pendurado em seus dedos como se fosse um pelo em sua roupa. Não houve hesitação. O homem despencou. Abaixo do prédio, ouviu-se o baque surdo do impacto.
Tudo o que restou foi Kwon Taekjoo e… o assassino não identificado. Ele sabia, sem olhar para trás, que aquele sujeito poderia agarrá-lo apenas esticando o braço. Um olhar úmido percorreu sua espinha, como se uma fera faminta buscasse a presa. Estava convencido de que a criatura estranha que testemunhara era ele.
Kwon Taekjoo fechou os olhos e os abriu lentamente. ─ Tente se recompor ─. A sensação temporariamente congelada despertou. Ao mesmo tempo, a existência que não fora captada começou a ser reconhecida: uma sombra bem acima de sua altura, um cheiro forte e seco que paralisava a ponta do nariz.
Até a energia fria única que parecia matar todas as correntes de ar.
Ele apertou os botões em sua mão. Ninguém estaria a salvo de uma bomba que explodisse naquela distância. Sabia que seus próprios membros poderiam voar se desse azar. No entanto, não era hora de se preocupar, já que seu pescoço estava em risco. Se atacasse inesperadamente e plantasse a bomba, seria o suficiente. Com essa determinação, ele se virou.
Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o outro segurou a mão que continha a bomba primeiro. De repente, sua visão virou de cabeça para baixo. Antes que seu cérebro processasse o que houve, a bomba escapou de sua mão. Fechou os olhos esperando uma dor terrível, mas a explosão veio da base do prédio. O calor subiu. Foi o momento em que seu último recurso desapareceu em vão.
A cabeça de Kwon Taekjoo estava em contato com o chão de cimento bruto. A única coisa que entrou na visão invertida foram duas pernas retas. Sapatos de couro de crocodilo com a ponta excepcionalmente afiada. Ele os vira em uma revista um dia.
O corpo liso era memorável por lembrar o de um jacaré. Lembrou que o preço era cerca de 4.000 dólares. Um luxo inadequado para um assassino.
─ Tem algo sujo neles. Vai tirar para mim? ─
Essa foi a primeira frase dele. Sua voz não era tão grossa quanto imaginara, e parecia bastante jovem.
─ Mas o que ele quer que eu tire? ─ Deve ser o sangue da mão que perfurou os olhos das pessoas. Ele tinha uma ideia vaga e queria ignorar. Se tivesse tirado até a camisa que restava, morreria de frio antes de ser agredido.
Mas ele não parecia ter uma disposição relaxada. Enquanto fingia não saber, um objeto de textura familiar encostou em sua cabeça pressionada. Era uma Colt.
─ …Droga. ─
Ele desabotoou a camisa com voz baixa. Teve que usar apenas a mão esquerda porque o outro segurava seu braço direito. Como era uma camisa nova, estava rígida, o que dificultava. Assim que soltou o segundo botão, sentiu o puxão nas costas da camisa.
A camisa foi rasgada imediatamente. O botão, que saltou com força enorme, atingiu seu queixo. Logo após, algo frio envolveu seu pulso em vez da mão do outro. Quando seu braço foi puxado, ouviu um estalo. Eram algemas. A outra extremidade foi presa a uma estrutura de ferro próxima. Sua cabeça ainda estava colada ao chão.
A sombra dele se moveu lentamente, relaxando. Quando o movimento parou, a camisa manchada de sangue e fluidos caiu no chão.
Então ele respirou fundo e exalou longamente. Parecia que estava fumando. Junto com a respiração lenta, o cheiro vindo dele tornou-se mais intenso.
Não era o cheiro comum de nicotina. Era mais denso e profundo, e amargo. O aroma único também passava uma sensação de umidade pesada. O que seria? Logo, algo sem ponta caiu em sua visão invertida. Era a ponta de um charuto feito à mão descartado após o uso.
O homem que terminou de fumar virou-se imediatamente. As duas pernas retas se afastaram. Ele desceu as escadas como se não pretendesse recuperar as algemas. Era bastante alto. Demorou para Kwon Taekjoo ver a nuca dele sumindo. Essa foi a última vez.
Somente quando a presença dele morreu completamente é que Kwon Taekjoo expirou. Todo o seu corpo estava sem energia. O corpo, que se mantivera firme, desabou.
O frio que beirava a fantasia cedeu, e o frio da realidade foi reconhecido apenas quando o “demônio assassino” desapareceu. Nem ousou ter arrepios devido à intensidade. Parecia que toda a sua pele estava congelando e rachando. Maldito seja. Engolindo o insulto e batendo no chão com irritação.
Em pouco tempo, um ruído familiar chegou aos seus ouvidos. De longe para perto, gradualmente.
Era a sirene de uma viatura policial.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello
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Sinopse:
O agente de elite do NIS, Kwon Taekjoo, é enviado a Moscou para descobrir a identidade de “Anastasia”, uma arma mortal criada sob uma colaboração secreta entre a Rússia e a Coreia do Norte. No entanto, sua missão começa a dar errado no momento em que ele pisa em território russo, e Zhenya, um parceiro local designado a ele pelo NIS, só torna tudo ainda mais confuso.
Zhenya, que possui conexões com figuras políticas e empresariais russas, além da máfia do submundo, parece sempre descontraído e bem-humorado, mas, ao mesmo tempo, suas explosões repentinas de violência brutal deixam Kwon Taekjoo em alerta constante. Enquanto isso, Zhenya começa a desenvolver um novo interesse por Kwon Taekjoo, que se recusa a ser quebrado por qualquer adversidade…
Nome alternativo: Code Name Anastasia Nameless Star Codename Anastasia Parte 2 2