Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 07.5 Online

Capítulo 7.5 O Tempo de Heeyeon
A brisa salgada do mar cortava a pele exposta sob seu casaco, impiedosa e mordaz. O velho encarava silenciosamente o abismo do mar de um preto absoluto. Os fios de prata e branco em seu cabelo, substituindo o que antes era escuro, serviam como prova dos anos que ele suportara.
Parado na amurada do barco desgastado e olhando para o mar, o Presidente Jung estalou a língua e soltou um murmúrio ininteligível.
— Bastardo patético.
Sua voz era afiada, cortando a noite com uma força que não condizia com sua aparência envelhecida. Seus pulsos grossos, suas costas eretas, seu porte sólido. As únicas partes do corpo do velho que carregavam as marcas do tempo eram sua pele enrugada e seu cabelo branco acinzentado.
— Presidente, a conexão com o cais está concluída. O senhor já pode desembarcar.
Ao som da voz do capitão vindo de trás, o olhar do Presidente Jung, que estava afundando em direção ao mar, deslocou-se para a frente. Sem um pingo de hesitação, o Presidente Jung começou a caminhar. Sua atitude era totalmente descarada, apesar de ter subido a bordo sob o manto da escuridão para evitar olhares curiosos.
O capitão, tendo recebido um maço de dinheiro, bajulou com um — Vá com cuidado —, sua voz obsequiosa apegando-se às costas do Presidente Jung. No entanto, mesmo com uma despedida tão servil, o Presidente Jung nem sequer olhou por cima do ombro.
No momento em que ele pôs o pé na passarela que conectava o barco à margem, uma onda surgiu, fazendo a embarcação balançar. Como se isso não fosse nada, o Presidente Jung manteve sua expressão estoica habitual, esticando as pernas e avançando com facilidade. Seus movimentos leves e constantes mostravam total compostura.
Subindo em terra com passos pesados, o Presidente Jung franziu suas sobrancelhas grossas e de tom acinzentado. Talvez fosse porque havia chegado ao porto, mas o distinto fedor de peixe do mar de repente atingiu seu nariz novamente. Embora o barco que ele usara para a entrada ilegal fosse relativamente confortável para esse tipo de embarcação, derivar pelo oceano por mais de dez horas o deixara completamente farto do cheiro salobre do mar.
Sabendo muito bem que não conseguiria se livrar do odor, o velho ainda assim levantou a mão e sacudiu o casaco com alguns movimentos bruscos. Naquele momento, os faróis de um carro preto que estivera se misturando à escuridão acenderam, com sua forma camuflada revelando-se. Como se fosse natural, ele direcionou seus passos para lá, e uma figura saltou do banco do passageiro.
— Presidente Jung, é uma honra conhecê-lo. Fui enviado pela Sunha.
Um homem em um terno impecavelmente passado curvou-se levemente, sua postura tingida de nervosismo.
— Você foi enviado pelo filho mais velho da Sunha?
— Sim. Ouvi muito sobre o senhor. Por favor, permita-me escoltá-lo.
O Presidente Jung acomodou-se no carro enquanto o homem abria a porta para ele. Embora seu corpo, que fora impiedosamente castigado pela brisa marinha, estivesse agora envolvido por ar quente, o rosto inexpressivo do velho não mostrava sinal de relaxamento.
— Vá.
— Sim, senhor.
Ao comando ríspido, o carro avançou suavemente. O velho alfa voltou seu olhar afiado para o mar lá fora, sua postura ereta como uma haste, apesar dos assentos de couro macio. Ele refez mentalmente o erro de cálculo que o levara à sua situação atual.
Nunca — nem em seus sonhos mais loucos — ele imaginou que Lee Yootae o trairia. Ele acolhera um miserável imundo e sem um tostão, sem nada em seu nome, apenas para que aquela bondade fosse retribuída com traição.
— Devo levá-lo a um hotel, senhor?
— Não. Leve-me para a minha casa.
Diante da resposta firme, o homem no banco do passageiro hesitou ligeiramente antes de olhar para trás.
— O Diretor Yeon pode ficar sabendo disso. Tem certeza de que é prudente?
— Ele vai me notar de qualquer maneira. Mesmo que tenha sido uma entrada ilegal, ele saberá. Planejo encontrá-lo pessoalmente de qualquer forma, então vá direto para a minha casa.
— Entendido.
A menção ao Diretor Yeon o fez pensar no cão de briga que ele uma vez criara.
Entre os inúmeros alfas que passaram por suas mãos, aquele fora da melhor linhagem. Dizia muito o fato de ele ainda se lembrar de um sujeito sem nome e descartado, entre todos os alfas e ômegas que criara. Quando treinou o rapaz com mão de ferro e acabou por vendê-lo, nunca imaginou que um mero cão de briga sobreviveria e chegaria a ameaçá-lo.
Naquela época, quem realmente detinha o poder na Coreia do Sul não eram os políticos ou os conglomerados, mas os sindicatos do crime organizado. Houve um tempo em que até os empresários e figuras políticas mais influentes temiam suas ações. E entre esses sindicatos, o mais notório era a facção Yeonbeom, que reinava sobre Seul. Como em todas as lutas por poder, a organização estava fadada a ter um alto número de inimigos.
Vendido para tal grupo ainda jovem, o Presidente Jung pensou que ele morreria rápido. O Presidente Jung nunca imaginou que ele sobreviveria e até passaria a carregar o nome Yeon Woobeom.
— Eu nunca poderia ter imaginado que ele iria tão longe a ponto de morder seu dono até a morte e até começar a se passar por humano…
O Presidente Jung também nunca antecipou que ele conspiraria com os outros cães que o velho criara para vir estrangulá-lo.
A vida de fugir do jovem alfa era suportável o suficiente. Uma coisa que o Presidente Jung tinha em abundância era dinheiro vivo, e com aquela quantia, viver confortavelmente em um terceiro país não era problema algum. A questão real era o desgaste mental. Não importava para onde fosse, os vigias que o bastardo plantara o seguiam de perto. Cada vez que sentia uma presença desconhecida, o velho tremia de ansiedade, sem nunca saber quando poderia ser morto.
Foi somente após um tempo considerável que o alfa envelhecido de cabelos brancos percebeu a verdade. Yeon Woobeom não tinha intenção de deixá-lo morrer facilmente. Parecia que ele planejava brincar com ele até que desmoronasse de exaustão nervosa, para então lançá-lo como presa para os outros cães quando se cansasse.
— Perdão, senhor? O senhor disse algo?
Parecia que, com a idade, seus resmungos solitários haviam ficado mais altos.
— Não é nada. Mais importante, você tem certeza de que meu neto está com aquele bastardo… não, o Diretor Yeon?
— Como ele sempre traz o garoto junto, não há fotos, mas com base nas circunstâncias, é certo. Tentei fazer contato, mas como o outro lado consiste em alfas da facção Jiwoo… Minhas desculpas.
— Entendo, então é assim que as coisas estão.
Ele estalou a língua novamente e ficou em silêncio. Ele estava intensamente curioso se aquele sujeito havia tocado em seu neto. Aquele ômega fora meticulosamente criado com grande cuidado, para ser vendido por um preço alto. Ele treinara aquele ômega para obedecer a qualquer comando de um alfa sem questionar e deliberadamente o manteve frágil para evitar qualquer tentativa de fuga.
Calculando grosseiramente o tempo, ele se perguntou se o ciclo de cio do ômega, que fora suprimido por anos, poderia finalmente ter eclodido. Se ele já tivesse sido reivindicado por um alfa, seu valor despencaria — e isso seria uma verdadeira pena.
No entanto, o primogênito do Grupo Sunha provavelmente ainda compraria seu neto. Eles precisavam de um ômega dominante que gerasse um filho com uma boa linhagem. Havia até a possibilidade de o grupo pagar um preço mais alto apenas porque o ômega fora tomado por aquele bastardo.
— Quanto aos detalhes pessoais de Lee Yootae, que o senhor solicitou anteriormente, lamento dizer que ainda não os descobri. Ele está listado atualmente como desaparecido, sem nenhum relatório de óbito registrado, mas logo descobrirei e o informarei. Minhas desculpas.
— Não, tudo bem.
O Presidente Jung disse, acenando com a mão com desdém.
— Ele provavelmente já está morto.
A imagem do rosto de um menino brilhou em sua mente — sangue escorrendo por suas pálpebras.
Ele se lembrava vagamente do olhar feroz e assassino naqueles olhos, encarando-o com uma intenção desesperada de matar. Ele pensara que aquilo poderia realmente valer alguma coisa.
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola