Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 07.4 Online

Capítulo 7.4 O Tempo de Heeyeon
Yeon Woobeom caminhou pelo saguão do hotel com uma expressão indiferente. Para alguém visitando um hotel perto da meia-noite, ele estava vestido de forma bastante casual, mas a aura de autoridade que o cercava o tornava difícil de abordar.
Entrando no elevador com familiaridade, ele permaneceu impassível como sempre, sua expressão gravada em pedra mesmo quando as portas se abriram no andar de destino. Seus traços endurecidos o faziam parecer quase entediado.
Antes mesmo que pudesse tocar a campainha, a porta da suíte do hotel se abriu por dentro.
— Diretor, você chegou.
O tempo foi impecável, mas Yeon Woobeom não se surpreendeu. Sem diminuir o passo, ele entrou na suíte, como sempre fazia.
— Quantos estão aqui?
Sua voz preguiçosa dirigiu uma pergunta casual a Shim Soocheon, que o seguia atrás.
— Três deveriam ser o suficiente, mas como o senhor parecia preocupado, temos cinco de prontidão.
— É o bastante.
Como ele não havia tirado os sapatos, seus passos ecoavam ameaçadoramente contra o chão de mármore, interrompendo a atmosfera luxuosa do quarto requintado.
— Senhor.
Kim Chulwoo o cumprimentou enquanto ele se sentava no sofá no centro da sala de estar. Tudo na atitude do homem sugeria familiaridade. Ao olhar para frente, o horizonte da cidade se estendia diante dele, cintilando contra o céu noturno. Era uma vista impressionante — uma que ele normalmente olharia sem pensar muito. Mas, desta vez, ele se demorou nela mais do que o habitual. Foi porque Jung Heeyeon veio à sua mente.
Talvez mostrar a ele uma vista noturna de um andar alto não fosse uma má ideia.
Apesar do ar tenso na sala, Yeon Woobeom permitiu que um pensamento tão plácido surgisse.
— Os materiais que o senhor solicitou estão prontos.
Aceitando o tablet, seu olhar oscilou brevemente em direção à porta envolta em escuridão antes de retornar à tela. Ele não tinha vindo até aqui apenas para receber um relatório. Percebendo sua deixa silenciosa, Kim Chulwoo perguntou sutilmente em nome dos líderes de equipe.
— Devemos cuidar daquilo primeiro?
— Depois.
Com uma resposta curta, Yeon Woobeom virou uma página no tablet. Kim Chulwoo se aproximou, entregando-lhe um cigarro enquanto iniciava seu relatório.
— Levou cerca de uma semana, já que era um caso antigo, mas conseguimos rastrear os movimentos passados de Jung Heeyeon.
— Ele foi acolhido aos cinco anos de idade.
— Sim. Até então, ele vivia com seus pais.
À menção aos pais, Yeon Woobeom franziu as sobrancelhas, colocando o cigarro entre os lábios. Shim Soocheon, que esperava atrás do sofá, inclinou-se e acendeu para ele. A fumaça acre subiu em espirais em direção ao lustre ornamentado acima, refletindo seu descontentamento.
— O filho do Presidente Jung não era um ômega dominante?
— Parece que ele se apaixonou por um alfa e fugiu. Ele desprezava o Presidente Jung, afinal. E como o presidente já o havia deserdado, não prestou muita atenção — pelo menos, não até que seu neto se manifestasse como um ômega dominante.
Kim Chulwoo franziu o cenho levemente, como se recordasse algo desagradável, mas continuou sua explicação com fluidez.
— Por volta dessa época, questões relativas aos direitos de alfas e ômegas começaram a ganhar força, e o presidente se retirou dos negócios. No entanto, como seu neto ainda era de seu sangue, ele conseguiu obter a custódia legal. O plano era criar a criança até que ela atingisse a maioridade e então vendê-la para uma última transação.
O movimento ocioso dos dedos de Yeon Woobeom pelo tablet parou abruptamente. Um breve artigo de notícias havia atraído sua atenção.
— Parece que os pais de Jung Heeyeon perceberam o plano. Eles viviam escondidos e planejavam fugir para o exterior. Mas durante a fuga, ocorreu um acidente, e ambos morreram.
— …Um acidente?
Yeon Woobeom sorriu de canto, os cantos de seus lábios curvando-se para cima. Não havia como ter sido um acidente — não com o Presidente Jung envolvido. Quinze anos atrás, as coisas eram diferentes. Havia muito mais mãos dispostas a cumprir suas ordens.
— Oficialmente, foi considerado um acidente. Mas, como o senhor suspeitava, foi longe disso… Um contêiner falhou, esmagando o carro e enviando-o direto para o mar. Jung Heeyeon, que tinha apenas cinco anos na época, foi o único sobrevivente.
Isso poderia realmente ser chamado de resgate? Yeon Woobeom inclinou a cabeça preguiçosamente, sua expressão desprovida de emoção. O cigarro pendurado entre seus dedos oscilou levemente enquanto ele movia a mão.
— Onde?
— Eles planejavam sair pelo mar, não pelo ar, provavelmente por causa do Presidente Jung. Era uma forma mais fácil de escapar.
— Busan?
— Sim.
O lugar familiar saiu dos lábios de Kim Chulwoo no mesmo momento em que o olhar afiado de Yeon Woobeom se estreitou. Aquele mesmo mar — aquele onde ele conheceu Jung Heeyeon pela primeira vez.
Yeon Woobeom deu um toque em seu cigarro com um movimento casual, sem se importar com o quão precariamente ele se equilibrava entre seus dedos.
Somente quando Shim Soocheon deu um passo à frente com um cinzeiro portátil é que ele finalmente o soltou.
— Você encontrou o médico?
— Sim, estamos de olho nele.
A expressão de Yeon Woobeom permaneceu inalterada, tão indiferente quanto quando entrou no hotel. O silêncio se estendeu entre eles antes que o homem se levantasse de seu assento com uma graça sem pressa. Seus passos se moviam em direção ao quarto escurecido. Kim Chulwoo o seguiu de perto.
Um cheiro estranho pairava no ar. Como se sentisse a presença de alguém, um som baixo, semelhante ao de uma fera, ecoou do canto.
As luzes se acenderam. Uma figura, encolhida nas sombras, estremeceu violentamente, com a cabeça movendo-se em pânico. Uma venda cobria seus olhos. Um sujeito que havia perdido a visão em um acidente infeliz.
— Traga algo para beber.
— Sim, senhor.
Yeon Woobeom olhou para o homem prostrado com um olhar desapaixonado. Não havia mais nada a extrair dele. Agora não seria um momento ruim para ser descartado.
Apesar de sentir a presença de Yeon Woobeom , o sujeito nem sequer tentou fugir. Falhas repetidas e desamparo aprendido o reduziram a este estado — exatamente como Jung Heeyeon nunca sequer considerou ir além dos muros.
— Diretor.
Pegando o uísque que Kim Chulwoo lhe entregou, Yeon Woobeom sentiu o vidro gelado contra seus dedos — frio como a neve do meio do inverno. O líquido dourado dentro brilhava sob a luz, embora o homem vendado não pudesse ver.
— Beba.
Inclinando-se, ele pressionou o copo nas mãos do homem, que ainda estavam cerradas firmemente contra o peito. Sentindo a sensação fria nas pontas dos dedos, o homem instintivamente o levou aos lábios.
— Gah! Cof, cof!
Parecia que ele esperava que fosse água. Yeon Woobeom o observou sem um traço de interesse antes de se afastar sem hesitação.
— Acabe com isso.
— V-você—! Guhk!
Somente depois que a queimação aguda do álcool tocou sua língua é que Lee Yootae percebeu quem havia falado. O homem que se inclinou para ele — aquele que colocou o copo em suas mãos — era Yeon Woobeom . A raiva ferveu dentro dele, mas quando tentou gritar, apenas um som frágil e quebrado escapou de sua garganta. Sua voz estava fraca, como a de um velho. Não importa quanta fúria e dor o consumissem, elas permaneciam presas dentro de seus próprios ouvidos, ecoando apenas em sua mente.
Lee Yootae contorceu-se, rastejando pelo chão em uma tentativa desesperada de encarar Yeon Woobeom . Mas seus olhos arruinados não viam nada — nem mesmo a sombra do homem parado diante dele. Porque o acidente bizarro havia tirado até mesmo isso dele.
–
Assim que Yeon Woobeom entrou no hall de entrada, ele parou. Ele podia sentir o cheiro de feromônios fracos e instáveis pairando no ar.
O ômega deveria estar dormindo a essa hora. Sem hesitar, ele avançou. Seus passos eram estranhamente silenciosos, como os de um predador acostumado a se mover no escuro. Nem mesmo o som de sua respiração traía sua presença.
A porta do quarto de Jung Heeyeon abriu-se com um rangido, revelando um pequeno ômega adormecido, encolhido com as costas voltadas para a porta. Sem hesitar, Yeon Woobeom aproximou-se. Seu rosto delicado estava levemente franzido, como se estivesse tendo um pesadelo. Uma mão estendeu-se instintivamente, mas parou logo antes de tocá-lo. Em vez de encurtar a distância, Yeon Woobeom simplesmente ficou parado ali, observando. Os feromônios instáveis de inquietação eram palpáveis, infiltrando-se no ar.
Seria realmente apenas um senso de parentesco, como Nam Soohyun sugeriu? Ou…
— Diretor…
Um murmúrio como um sussurro escapou entre os lábios de Jung Heeyeon, quase indistinguível de um suspiro.
— Sim, Heeyeon.
Inclinando-se sobre a figura adormecida, Yeon Woobeom roçou levemente a bochecha macia. As pálpebras pacificamente fechadas ergueram-se lentamente, projetando sombras profundas. Ao mesmo tempo, os músculos largos das costas do alfa tensionaram-se visivelmente.
— Você teve um pesadelo?
— N-Não. Acho que não…?
Mesmo em seu estado grogue, Jung Heeyeon virou-se para Yeon Woobeom . Ele se lembrava vagamente de ter chamado pelo diretor em seu sonho, embora os detalhes permanecessem nublados. Ainda assim, acordar e vê-lo bem na frente de seus olhos trazia uma sensação estranhamente tranquilizadora.
— Heeyeon.
Enquanto dedos gentis passavam por seu cabelo, Jung Heeyeon piscou sonolento.
— De agora em diante, por que não dormimos juntos na minha cama?
Um toque afetuoso, seguido por uma sugestão igualmente afetuosa.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola