Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 01.10 Online

Capítulo 1.10 Zona de alta criminalidade
— Cof.
Uma tosse suave do outro lado da mesa o tirou de seus pensamentos. Ele notou o rosto pálido do ômega, corado com um pouco de vermelho. Os cantos de seus olhos pareciam levemente úmidos, como se lágrimas tivessem se acumulado.
Vendo-o assim, Diretor Yeon soltou uma risada baixa. Ele tinha dito para não agir de forma tão adorável, mas aqui estava ele, fazendo isso de novo.
— Heeyeon.
Ele tossiu novamente e perguntou:
— Sim?
— Está muito apimentado?
— Sim.
A tampa do macarrão instantâneo tinha “suave” escrito nela. Mas, a julgar pelo fato de ele nem ter comido metade do copo, parecia estar apimentado demais para ele.
— Você é realmente um bebê.
Diretor Yeon abriu a embalagem de um kimbap triangular que ele tinha comprado junto com o macarrão, murmurando para si mesmo. O olhar de Jung Heeyeon seguiu as mãos do homem. Ele deveria estar pedindo água, mas seu olhar não era nada menos que fé cega. Estava claro que ele confiava completamente que Diretor Yeon o ajudaria.
— Obrigado.
Ele aceitou o kimbap que Diretor Yeon lhe entregou e deu uma mordida. Ele parecia pensar que estava dando uma mordida grande, mas Diretor Yeon calculou que ele precisaria de pelo menos dez mordidas para terminar.
— Gostoso?
— Sim.
Enquanto ele observava as bochechas de Jung Heeyeon mastigando a comida, o telefone do Diretor Yeon tocou. Era Kim Chulwoo.
— Sim?
— Diretor, localizamos o item. Parece estar sendo mantido em Incheon, exatamente como a Chefe Nam mencionou.
O ‘item’ ao qual Kim Chulwoo se referia era um estoque de armas de fogo que deveria estar no contêiner em vez de Jung Heeyeon. Eles também deveriam ser lavados pela Chefe Nam. Diretor Yeon tinha dado ordens para verificá-los quando fez uma parada na empresa, e parecia que tinham acabado de terminar a inspeção.
Já fazia muito tempo desde que Diretor Yeon começou a fazer negócios com a Chefe Nam, mas ele não era tolo o suficiente para confiar nela completamente. Embora tivessem crescido no mesmo abrigo e agora estivessem em um acordo, Diretor Yeon não era alguém que confiasse nos outros facilmente.
— Você disse ‘parece estar’?
Ele reiterou as palavras de Kim Chulwoo em um tom interrogativo.
— Achei que tinha pedido certeza, Secretário Kim Chulwoo.
Ao som de seu tom baixo, Jung Heeyeon lançou um olhar para a expressão do Diretor Yeon. Sua voz era gentil e suas palavras eram suaves, mas era fácil sentir a irritação por baixo delas.
— Minhas desculpas. Vou verificar novamente.
— Verifique isso direito.
— Sim, senhor.
Diretor Yeon pensou nos produtos da Sérvia. Eles eram de grande importância para ele.
— Seria problemático se essa remessa do negócio não fosse concluída.
— Devo marcar uma reunião com a Chefe Nam?
— Não. Espere ela entrar em contato conosco. Ela deveria nos procurar primeiro, não eu.
— Entendido.
Ele não tinha intenção de se encontrar com a Chefe Nam imediatamente. Encontrá-la agora só levaria a ela reclamando sobre o que ele planejava fazer com o Presidente Jung. A prioridade era garantir que a mercadoria chegasse em segurança.
— Além disso, eles iniciaram contato do lado deles.
Com isso, o olhar do Diretor Yeon mudou para Jung Heeyeon.
A essa altura, ele tinha terminado seu macarrão e estava abrindo a gelatina de embalagem azul. Ele lembrou-se do momento em que Jung Heeyeon quase a devolveu à prateleira, pois disse que era para bebês. Diretor Yeon sorriu. Embora ele não tivesse mostrado abertamente qualquer desagrado, parecia que ser chamado de bebê tinha começado a incomodá-lo.
Depois de ouvir do balconista de meio período que adultos também compravam a gelatina com frequência, Jung Heeyeon hesitou, então a colocou de volta no balcão junto com um copo de macarrão, um kimbap triangular e um lanche.
O olhar do ômega estava na gelatina mesmo enquanto saboreava o kimbap triangular, ele devia estar pensando em comê-la agora.
Enquanto ele começava a mordiscar a gelatina, Diretor Yeon permitiu que ele aproveitasse seu agrado e concentrou-se de volta na conversa. Não era difícil deduzir a quem ‘eles’ se referiam. Eles, também, provavelmente pretendiam usar Jung Heeyeon — assim como o próprio Diretor Yeon fazia.
— O que eles disseram?
— Eu disse a eles que você estava fora e não podia dar uma resposta definitiva no momento.
— Muito bem.
Diretor Yeon tinha o hábito de fazer as pessoas esperarem — era uma de suas táticas de negócios para manter o controle.
— Hum, Diretor?
— Sim?
— Tudo bem se eu der uma passada rápida?
— Por quê? Está preocupado que eu possa estar tramando algo?
— Oh, de jeito nenhum, senhor!
Com a brincadeira leve, Kim Chulwoo estremeceu e negou imediatamente.
— Não estou desesperado a ponto de mexer com uma criança, Secretário Kim.
— Perdão? Oh, não, não foi isso que eu quis dizer de jeito nenhum!
Se ele não reagisse de forma tão excessiva, Diretor Yeon não o provocaria com tanta frequência, mas Kim Chulwoo sempre reagia dessa maneira.
— Tudo bem, então.
— Vou passar aí depois do trabalho, então.
Parecia que Kim Chulwoo não ia terminar a ligação primeiro. Ele provavelmente estava esperando que Diretor Yeon desligasse primeiro. Assim que ele estava prestes a encerrar a ligação, algo passou por sua mente, e ele olhou para Jung Heeyeon. Um sorriso divertido se espalhou por seus lábios.
— Traga um hambúrguer quando vier.
— …Perdão?
A resposta do secretário foi atrasada, como se ele achasse que tinha ouvido errado. Foi exatamente naquele momento que o olhar de Jung Heeyeon caiu sobre ele. Notando a curiosidade nos olhos claros de Jung Heeyeon, Diretor Yeon sorriu. Não houve uma grande mudança na expressão, mas estava claro que ele estava curioso.
— Um ham… búrguer? Mas o senhor não gosta desse tipo de comida, senhor.
— Certo, eu não gosto.
— Então por que…?
— Mas bebês gostam.
Jung Heeyeon, que estava sentado na sala de estar e olhando para a vista, notou Kim Chulwoo entrando e levantou-se.
Ao contrário de Diretor Yeon, que agia naturalmente, Kim Chulwoo hesitou, pausando seus passos. Ele estava preocupado que pudesse sentir os feromônios do ômega. Mas, para sua surpresa, não havia cheiro vindo de Jung Heeyeon. Achando isso estranho, Kim Chulwoo franziu a testa sem saber.
— Olá.
Jung Heeyeon o cumprimentou com uma reverência educada, parecendo não ser afetado por qualquer reação que Kim Chulwoo pudesse ter.
— Uh…
Kim Chulwoo gaguejou, sem saber como responder.
— Você deveria retribuir o cumprimento dele. Secretário Kim, isso é falta de educação da sua parte.
— Senhor!
Diretor Yeon disse, aparecendo de repente e pegando o saco de papel da mão de Kim Chulwoo para verificar seu conteúdo. Ele então entregou todo o saco para Jung Heeyeon.
— Coma.
— O senhor gostaria de um pouco também, Diretor?
Jung Heeyeon perguntou, repetindo a pergunta que tinha feito mais cedo, sua voz oferecendo genuinamente em vez de apenas ser educada.
Parecia que sua cabeça redonda mantinha firmemente a ideia de que a comida deveria ser compartilhada — uma noção que teria sido inimaginável para Diretor Yeon naquela idade.
Por volta da época em que completou dezenove anos, Diretor Yeon começou a ganhar dinheiro suficiente para não precisar depender da comida de loja de conveniência. Mas a ideia de compartilhar comida com outra pessoa nunca tinha passado por sua cabeça. Para ele, a comida sempre foi meramente um investimento para a sobrevivência.
Embora Jung Heeyeon e ele tivessem crescido em ambientes semelhantes, eles não eram exatamente os mesmos. Pelo menos Jung Heeyeon não tinha passado fome. Diretor Yeon concluiu que as perguntas inocentes de Jung Heeyeon eram simplesmente resultado de sua natureza inerentemente gentil, ao contrário da sua própria.
— Coma bastante, Heeyeon.
Ao ouvir a resposta gentil do homem, Jung Heeyeon olhou para o saco de papel pardo em sua mão. O conteúdo ainda estava quente.
— Senhor Secretário, o senhor gostaria de um pouco também?
Pego de surpresa com a oferta, Kim Chulwoo acenou com a mão em recusa. Finalmente, Jung Heeyeon sentou-se à mesa e começou a tirar os itens do saco. Um hambúrguer ainda quente, batatas fritas e uma cola com gelo foram colocados na mesa, um por um.
— Secretário Kim não tem senso.
— Perdão?
— Por que você comprou um tão grande?
O hambúrguer nas mãos de Jung Heeyeon parecia grande demais. Parte disso devia-se às suas mãos pequenas, mas o hambúrguer parecia quase tão grande quanto seu rosto.
— Eu peguei porque era o hambúrguer artesanal mais popular…
Kim Chulwoo murmurou, lançando um olhar rápido para Diretor Yeon. Ele tinha passado por lá, preocupado que algo pudesse ter acontecido, mas felizmente, parecia que estava tudo bem. Ou talvez a falta de qualquer incidente fosse o verdadeiro problema.
Trazer o neto do Presidente Jung para sua casa — de todas as pessoas — tornava quase impossível para Kim Chulwoo decifrar as intenções de seu chefe. O fato de Jung Heeyeon ser um ômega era uma coisa, mas ele também era um ômega com problemas para controlar seus feromônios. E, além disso, Kim Chulwoo tinha até ido ele mesmo comprar-lhe um hambúrguer.
No entanto, suas preocupações pareciam infundadas enquanto Diretor Yeon observava Jung Heeyeon com uma expressão indecifrável. Seu rosto geralmente firme parecia relaxado, quase divertido, como se ele achasse a situação interessante.
— Diretor.
— Hum?
Diretor Yeon respondeu à pergunta de Kim Chulwoo, ainda observando Jung Heeyeon.
O ômega franziu o nariz enquanto bebia a cola e, embora estivesse franzindo a testa, parecia gostar do sabor, bebendo pelo canudo. Depois de alguns goles do refrigerante, Jung Heeyeon parecia estar descobrindo como atacar o hambúrguer grande. Seus lábios pequenos se abriram lentamente enquanto ele dava uma mordida, mas ele só conseguiu mordiscar um pouco do pão.
Observando isso, os lábios do Diretor Yeon se curvaram em um leve sorriso. Ele pensou que talvez precisasse cortá-lo em pedaços para ele.
— O senhor virá ao escritório amanhã?
— Não.
Diretor Yeon respondeu desdenhosamente enquanto se levantava de seu assento. Kim Chulwoo o seguiu, atrás do homem que caminhava em direção a Jung Heeyeon, insistindo como um secretário deveria.
— Esta não é uma boa hora para se ausentar.
— Eu sei. Tenho algo para resolver, então suporte isso por alguns dias.
— Algo para resolver?
Percebendo a aproximação deles, o olhar de Jung Heeyeon voltou-se para Diretor Yeon. Para alguém que tinha acabado de dar uma mordida grande, seus lábios estavam impecáveis. Diretor Yeon olhou para seu rosto claro e sorriu levemente.
— Para espalhar alguns rumores, preciso ser visto por aí com Heeyeon, certo?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola