Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 61 Online
— Vamos embora.
— Eu não vou deixar passar só porque você é jovem.
Chang falou calmamente assim que ouviu as palavras de Yo-wi.
— Me bata! Eu vou contar ao meu pai.
Olhando para o rosto sarcástico de Yo-wi, Chang mordeu o lábio inferior e mostrou um sorriso artificial. Yo-wi abriu a porta da frente, sorrindo triunfante enquanto olhava para Chang que parecia ter ficado com raiva ao escutar ele falar do pai.
— Anda logo, vamos embora! Tenho que fazer minha lição de casa.
— Haha.
— Então, eu já estou indo.
Depois de passar as mãos no cabelo, Yo-wi olhou para Ryan e Chang alternadamente, depois abriu a porta e saiu. Chang, que estava olhando friamente para a porta que foi fechada com tanta força que fez um estrondo, balançou a cabeça e fechou os olhos como se quisesse reprimir sua raiva. Depois de respirar fundo, ele rapidamente abriu a porta com força e saiu da sala.
— O que eles são?
Ryan, que estava olhando para a porta fechada com um rosto confuso, olhou para mim franzindo a testa, mas não havia nada que eu pudesse dizer a ele.
— Você está saindo com pessoas estranhas.
Em vez de responder, eu sorri e ele olhou para mim com um garfo na boca.
— O que há de errado com aquele menino? Não estou em posição de falar sobre personalidade de ninguém, mas esse garoto é um pouco esquisito.
Ele disse olhando para mim enquanto franzia as sobrancelhas.
— Ele é muito mimado, desde pequeno.
— Ah, eu ouvi falar sobre isso. São chamados de pequenos Imperadores na China? Acho que me disseram que o controle de natalidade foi abolido agora.
Embora Yo-wi seja chinês, ele é apenas filho de chineses, não foi criado na China, então não foi afetado pela política populacional. Mas era complicado acrescentar explicações, então deixei o mal entendido de lado.
— Quando ouvi sobre isso, pensei que seria bom ter pelo menos dois filhos. Cecil também quer ter um irmão mais novo.
Enquanto falava com comida enfiada em suas bochechas, ele fechou os olhos como se estivesse saboreando uma boa comida. Balançando o corpo e mostrando uma reação exagerada, ele enrolou o espaguete em um pedaço de bife com um garfo e o colocou na boca.
— Onde você comprou isso? É delicioso, mesmo já estando frio.
— No Chloe, perto do escritório.
— Tudo o que resta é para Cecil?
— Sim.
— Assim que ela acordar, darei-lhe a sua porção.
Ele riu um pouco e parecia estar de bom humor. Não cheirava a álcool, mas parecia que estava bêbado. Ele mastigava a comida gostosa abaixando a cabeça como se ela estivesse pesada.
— Eu fingir nem estar em casa, nem atendi o interfone, mas mesmo assim você nos comprou comida.
— Foi apenas no caso de você estar.
— Sério? Parece o ser humano modelo. Você é um cara legal, não é?
Eu não comprei, Chang comprou sem saber, mas eu apenas sorri.
— Na verdade, eu estou me sentindo um pouco doente hoje e estava morrendo de fome.
— Você deve estar sentindo muita dor.
— Quando eu tomo “remédios” consigo filmar sem problemas, mas aquele desgraçado não me deixa tomar nada. Então eu fiquei todo dolorido.
Respirando fundo, ele deu um tapinha no quadril.
— Você sabe, aquele merda é bem grande.
— …Oh.
Ryan sorriu com a minha resposta estúpida.
— Ter que ‘satisfazer’ para sobreviver é uma merda, não é verdade?
Ele olhou para mim como se pedisse consentimento, murmurou um palavrão como se estivesse falando sozinho e largou o garfo. Então ele se deitou no chão forrado de jornal e olhou para o teto com os olhos arregalados.
As pontas de seus dedos, batendo sem sentido no jornal, estavam tremendo. Achei que ele não cheirava como um bêbado, na verdade ele parecia estar drogado, não bêbado. Seu olhar, que estava rolando lentamente como se estivesse inerte, estava fixo no ar.
Desviei o olhar dele que estava absorto em uma agradável ilusão, e olhei para a geladeira, afastada da parede, que ficava em um canto da sala. Quando eu estava prestes a fechar a tampa da vasilha para organizar a comida, ele agarrou meu pulso.
— Deixa pra lá. Quando Cecil acordar com fome, vai encontrar algo para comer.
— Certo.
— Você disse que estava colocando o papel de parede. Apenas faça o que você estava fazendo.
Ele bateu no chão com o dedo e apontou o queixo para o quarto.
— Eu vou.
— Vai?
— Eu vou fazer isso da próxima vez. Posso vir na próxima segunda?
Acenando com a cabeça, ele colocou as palmas das mãos no chão e se levantou. Como se estivesse pensando em algo, vasculhou as caixas empilhadas num canto da sala.
— Clid¹… por favor dê isso a Glenn, quando o encontrar.
O que ele tirou de dentro da caixa desordenada foi um DVD embrulhado em um saco plástico. Ele me entregou a caixa e disse.
— Ele disse que queria ver novamente.
— Acho que não vamos nos ver por um tempo.
— Você não assinou um contrato com a agência? Você vai filmar em outro lugar?
— …Eu não, não vou.
— Se não for esse o caso, deveria filmar.
Eu o encarei por um longo tempo, hesitei mas recebi o DVD. Era Shine dirigido por Scott Hicks, que eu vi há muito tempo.
A parte superior do corpo de um homem olhando para o céu com os braços abertos contra o céu azul foi fotografada. Era um corte de uma cena do filme em que o homem, sofrendo de um colapso nervoso, pula como uma criança para o céu em um trampolim. Nem era uma história triste, mas chorei amargamente sem motivo pelo que havia de tão triste na vida distorcida de um pianista genial.
— Não é urgente. Cuide disso quando se encontrarem mais tarde.
— Certo.
Perdido nas minhas memórias, olhei para o DVD por um longo tempo, coloquei a caixa embrulhada em plástico na bolsa e verifiquei a hora. Eu não tinha feito nada, mas já eram 8:30.
Depois de terminar com Ryan, saí e caminhei sem rumo. Quanto mais eu saía do Harlem e descia para o West Side, mais estranha era a atmosfera monótona e elegante, exclusiva do bairro rico. O que é essa riqueza? Senti que talvez não fosse capaz de me adaptar ao ambiente limpo e descontraído deste lugar pelo resto da minha vida. De qualquer forma, o lugar onde eu tinha que morar também era uma área residencial humilde perto do Harlem.
Enquanto caminhava pela cidade, encontrei uma estação e peguei o metrô. Demorei quase uma hora para chegar em casa, incluindo as trocas de vagão, mas não tive o luxo de me sentar. Fiquei preso entre as pessoas sendo empurrado para frente e para trás, olhando sem sentido para o teto enferrujado por causa da chuva.
Pensei em Ryan Tessler e McQueen, que filmarão juntos hoje. O fato de os dois dormirem juntos já estava previsto, então não foi tão doloroso e constrangedor quanto eu pensava. Ryan e ele moraram juntos há muito tempo e eles compartilham o passado um do outro, mas estão apenas trazendo à tona as fantasias de outras pessoas através do filme.
Claro, havia uma ideia que penetrava na parte mais fraca da minha mente. Se McQueen tiver uma queda por alguém. Ele não parece estar interessado por ninguém, mas se estivesse, essa pessoa poderia ser facilmente Ryan Tessler.
Depois de descer do metrô para fazer a troca de vagão, parei em uma estação mal iluminada. Se eu cruzasse para o outro lado, poderia pegar o metrô para o escritório de McQueen. Enquanto olhava inexpressivamente para o espaço escuro no final da estação, onde a luz chegava fracamente, enfiei a mão no bolso. De repente eu me imaginei vagando pelo escritório de McQueen sem nenhum propósito ou justificativa.
‘Devo ir?’
Depois da pergunta que fiz a mim mesmo, deixei o metrô passar três vezes no intervalo que se seguiu. Então, caminhei sem hesitar para o outro lado da ferrovia.
Quando perguntado sobre os meus sentimentos, eu disse que não. Eu me perguntei repetidas vezes por que tive que vir ao estúdio de McQueen sem qualquer justificativa, mas não consegui encontrar uma resposta plausível. Porque nem tudo tem uma explicação, como a minha infância, ou quando eu chorei assistindo um filme de Scott Hicks que não era triste.
Quando saí, a estrada estava reluzente de água. A chuva fria caía suavemente, sobre as minhas costas.
Apressadamente coloquei meu relógio e carteira na bolsa e caminhei em passos largos como se estivesse correndo. Enquanto eu caminhava até a beira da calçada evitando as poças de água, a chuva de repente se tornou intensa. Já havia andado mais da metade do caminho até a casa. Infelizmente, a gravata que estava envolta do meu pescoço ficou molhada, e minha camisa, terno e sapatos pretos ficaram encharcados. Mas eu não senti frio, era apenas refrescante.
Levantei a cabeça enquanto enxugava a água da chuva que se acumulava na ponta de meu queixo. A luz no quinto andar onde ele vivia estava mal iluminada, mas algumas luzes estavam acesas.
Toquei a campainha, mas não havia som vindo do interfone. Depois de um tempo, a luz do interfone acendeu.
— Entre.
Depois de uma única palavra, o interfone ficou mudo e a porta se abriu automaticamente.
Foi estranho ele me dizer para entrar sem dizer mais nada, mas torci minhas roupas encharcadas nas escadas do lado de fora do prédio, espremi cuidadosamente a umidade antes de entrar no saguão. Subi as escadas imediatamente, parei na frente da porta do 5º andar, respirei fundo e bati na porta. Ouvi o som de passos além da porta e o leve ranger das dobradiças. Glenn McQueen encostado no batente da porta foi visto. Vestindo um roupão como se tivesse acabado de tomar banho, ele sacudia o cabelo molhado com uma toalha.
— Tudo bem…?
Seus olhos estavam cheios de surpresa olhando para mim. Ele disse franzindo a testa.
— O que te traz aqui?
Eu também estava envergonhado por sua voz elevada.
— Ah, é que…
Um pensamento veio à minha mente no momento em que mordi meu lábio com força, então procurei apressadamente em minha bolsa.
— Eu fui até o apartamento para onde estou me mudando… eu passei lá, e, hum, Ryan me disse para te entregar isso.
A bolsa, que estava encharcada de chuva, felizmente não se molhou por dentro. Entreguei a ele o DVD embrulhado em vinil, e ele encostou a cabeça no batente da porta e estendeu a mão.
— Faz um ano e meio. Ele é o tipo de cara que pega e não devolve.
Segurando o objeto com as mãos tão grandes quanto a caixa de DVD, ele tirou do plástico e olhou em volta.
— Mas… Não tinha tanta pressa para você ter que trazer na chuva.
Ele sorriu, com um pouco malícia. Como se me dissesse qual era o verdadeiro propósito de eu ter vindo aqui, como se ele soubesse de tudo.
— Eu estava por perto.
— Está chovendo muito. Você está… ensopado.
Seus olhos, olhando para mim com um suspiro, pareciam preocupados e um pouco sombrios. Nesse momento, o som da campainha ecoou pelo quarto e chegou às escadas onde eu estava. Depois de olhar para mim por um momento, ele desviou o olhar, entrou no quarto e pegou o interfone.
— Entre.
Em suas breves palavras, percebi que esse era o motivo da estranheza que sentira há algum tempo. Parecia vagamente compreensível por que minha visita havia causado constrangimento para ele.
Ouvi o som de passos nas escadas atrás de mim. O som das rápidas passadas era ensurdecedor.
— Posso pegar uma toalha para você?
— Não. Eu tenho que ir.
Passei a mão em minha franja curta, então limpei a água da chuva que caiu na ponta do meu nariz e as esfreguei nas roupas molhadas.
Não olhei para trás mesmo quando a pessoa que tinha subido as escadas soltou um suspiro ofegante atrás das minhas costas.
— O quê? Nós três?
Ele era uma pessoa agradável com uma voz alegre.
O homem que parou ao meu lado colocou seu guarda-chuva no canto da parede e empurrou seu rosto na frente do meu.
— Huh? Tommy.
Curvei-me brevemente para ele, que parecia feliz como se tivesse encontrado um rosto familiar. Ele era um pouco mais alto do que eu, com cabelos loiros e pele bronzeada que parecia saudável. Com o casaco preso, ele se revezava olhando para mim e McQueen.
— Nós três vamos fazer isso juntos?
Com as palavras do homem que parecia feliz com a situação inesperada, McQueen franziu a testa e me perguntou.
— Você gostaria de se juntar a nós?
— …Não, é que…
Diante da minha resposta o homem loiro deu de ombros e disse.
— Eu vim até aqui… E não vamos fazer juntos? Que pena.
O homem caminhou até McQueen e olhou para mim, beijando os lábios e agarrando seus ombros.
— Não me diga que você está com a bunda pelada e coberta apenas por esse casaco… Está vestindo uma cueca de couro?
— Huh? Como assim?
Vendo o homem sorrindo descaradamente, McQueen deu de ombros.
— Se você fosse uma mulher, só usaria calcinha por baixo de uma capa de chuva, mas se você é um gay, é óbvio. Nunca pensei que fosse sexy. Não é muito estilo dos anos 70?
— O que é, está me deixando envergonhado. Eu nem tinha nascido nos anos 70.
McQueen olhou para o homem que estava agarrado a ele com um sorriso e olhou para mim novamente. O olhar naquele rosto, desejando que eu fosse embora, me lembrou que eu já tinha ficado aqui por muito tempo.
— Vou te dar um guarda-chuva. Espera.
— Está tudo bem. Estou todo molhado de qualquer forma…
— Espere um minuto.
Ele puxou um guarda-chuva de uma prateleira bem arrumada perto da porta da frente e o estendeu para mim.
— Então eu já vou.
— Certo… até mais.
Quando eu balancei a cabeça, me virei e desci as escadas, ouvi a porta se fechar atrás de mim. Finalmente, a porta se fechou com a voz alegre de um homem perguntando: ‘Por que ele estava aqui?’
Não consegui segurar o riso. Porque eu também não sabia por que estava aqui.
No caminho para casa, decidi pegar um ônibus. O ônibus demorou cerca de 20 minutos, então caminhei para encontrar outra parada. Não foi tão ruim colocar um guarda-chuva em uma bolsa de plástico na minha mão e caminhar sob a chuva.
Enquanto caminhava pela rua, lembrei-me da voz de McQueen respondendo a pergunta de Ryan há alguns dias sobre o que ele iria fazer se eu assinasse com outra empresa pornô.
“Eu não me importo.”
Eu ponderei sobre suas palavras ao me encorajar a fazer sexo a três sem nenhum sentido.
“Você gostaria de se juntar a nós?”
E eu pensei em quanto eu odiava McQueen por causa das palavras que ele murmurou casualmente. E sobre se eu posso vir a odiá-lo no futuro.
Por um momento, ele se tornou detestável e eu só queria odiá-lo. Esse sentimento desnecessário em relação ao homem era apenas uma piada. Mas, estupidamente, a raiva não durou muito. Lá estava eu racionalizando as atitudes de McQueen, e não tive escolha a não ser dizer isso em seu nome. Se fosse pensar nisso como altos e baixos emocionais da paixão, eu queria torcer minha boca quando falei essas palavras há alguns dias.
Na chuva torrencial, a vigésima quarta do verão, estava chegando ao fim.
Continua…
Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online
Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow