Ler Cachorro e Pássaro (Novel) – Capítulo ↫─☫ Extra 32 Online

Dog And Bird. AU — 03.2
Por mais cansativo que fosse, a manhã raiou novamente. Seo Gyuha estava dormindo com uma expressão de total desconforto e, em certo momento, abriu os olhos lentamente.
— Ai…
Ele tentou se virar para ficar de barriga para cima, mas um gemido escapou de seus lábios. Sem precisar conferir, sentiu imediatamente que sua condição física era um desastre.
Todo o seu corpo doía como se tivesse sido pisoteado a noite toda, e ele sentia um enjoo terrível. Além disso, percebeu que feromônios Alfa ainda pairavam no quarto. Para ser exato, os feromônios de ambos estavam densamente misturados.
“Com isso, quem diria que eu sou o dono da casa? Argh.” O vinco entre suas sobrancelhas ficou mais profundo. Sua boca estava seca como um campo rachado, talvez por ter dormido de boca aberta a noite toda.
Seo Gyuha virou a cabeça para o lado. Ele lembrava que Lee Chayoung o ajudara a beber água de uma garrafa plástica em algum momento, não sabia se durante o sexo ou depois.
— Ah, droga.
Mas logo um palavrão escapou. Como lembrava, a garrafa estava lá, mas parecia estar completamente vazia. No fim, ele desistiu da água e se jogou de volta na cama. Enquanto respirava calmamente, as lembranças da noite passada vieram à tona naturalmente.
O Lee Chayoung da noite passada… era um verdadeiro garanhão. Especialmente depois que ele começou a liberar feromônios, ele parou de sorrir levemente e se concentrou exclusivamente no sexo. O fardo de aguentar tudo aquilo ficou para Seo Gyuha. Ele não conseguia nem lembrar quando finalmente adormeceu, depois de recebê-lo em todos os tipos de posições.
“Mas para onde esse cara foi?” Será que ele transou e sumiu? Se for isso, eu vou ficar muito puto.
*Click.*
No momento em que a expressão de Seo Gyuha ficava cada vez mais carrancuda, a porta do quarto se abriu com um estalo. Lee Chayoung trazia uma sacola plástica na mão, indicando que tinha saído. Ele pareceu surpreso ao cruzar olhares com Gyuha e aproximou-se rapidamente.
— Quando você acordou, Gyuha?
— Agora mesmo.
— Como está seu corpo? Está bem?
— …Sinto que vou morrer.
Devido à surra que levara, ele não tinha energia nem para fingir. Não era força de expressão; cada lugar onde fora mordido latejava e todo o seu corpo doía. Em especial, ele tinha medo até de conferir o estado do buraco lá embaixo.
Lee Chayoung sentou-se na beira da cama e encarou Seo Gyuha. Sua expressão estava repleta de culpa.
— Desculpe. Eu exagerei muito ontem, não foi?
Repetindo, “exagerar” era uma palavra muito suave para descrever o que aconteceu ontem. No entanto, como ele sabia que aquilo se devia ao estimulante que ele tomara, não queria dar uma bronca desnecessária.
Em vez disso, ele estava mais curioso sobre o estado de Lee Chayoung. Seo Gyuha perguntou de volta, observando o rosto dele:
— E você? O efeito da droga já passou totalmente?
— Sim. Acho que passou completamente, graças a você.
— E não tem efeitos colaterais?
— Não, estou bem.
— Que bom.
Era um alívio ouvir aquilo. Se ele ainda estivesse sob efeito da droga ou apresentasse sintomas colaterais, ele teria que levá-lo ao hospital agora mesmo, mas, pelo rosto dele, realmente parecia estar bem.
— Não está com fome? Eu saí e comprei algo para comermos.
— Não sinto muita fome. Me traga um pouco de água.
Assim que as palavras saíram, Lee Chayoung se moveu prontamente. Graças a isso, Seo Gyuha acabou soltando uma risada mesmo naquela situação. “Dar ordens a esse Lee Chayoung com apenas uma palavra… Eu realmente subi na vida.”
Após molhar a garganta com a água que engoliu avidamente, ele sentiu que poderia viver. E com a sede saciada, estranhamente, a fome bateu.
— O que você comprou?
Ao perguntar apontando para a mesa com o queixo, Lee Chayoung levantou-se prontamente e trouxe a sacola.
— Comprei várias coisas na loja de conveniência.
Agora entendia por que a sacola parecia grande e pesada. Ao vasculhar o interior, viu que, embora os itens fossem comuns, a quantidade era grande. Marmitas, kimbap, sanduíches e até três potes de macarrão instantâneo.
— Por que comprou tanta coisa?
— Para você escolher o que quiser comer.
— Com esse dinheiro, teria sido melhor pedir entrega.
— Podia pedir entrega a esta hora?
— Claro. Deve haver muitos restaurantes abertos.
— …As pessoas vivem de forma diligente.
Ao ver aquela expressão de surpresa, Seo Gyuha riu novamente. “Aqui está um herdeiro que não sabe nada do mundo”, pensou.
— Quer que eu peça algo agora? Tem algo que queira comer?
— Deixe para lá. Já que comprou isso, vamos comer.
Porém, ele ainda estava nu. Pensando que comer completamente pelado não era o ideal, ele vestiu algumas roupas e mudou-se para a mesa da cozinha.
Seo Gyuha escolheu um sanduíche de ovo e deu uma mordida. Ao incentivar Lee Chayoung a comer também, ele escolheu uma salada entre tantas opções.
Sendo uma preferência pessoal, ele não tinha motivo para comentar, mas balançou a cabeça internamente. “Escolher mato como primeira refeição, mesmo sem estar de dieta… que gosto peculiar.”
Por outro lado, Seo Gyuha teve um verdadeiro banquete de carboidratos logo cedo. Ele devorou o sanduíche num piscar de olhos e terminou uma marmita cheia de carnes diversas logo em seguida.
Com o estômago cheio, a paciência também aumentou. Enquanto aproveitava a saciedade com o braço apoiado na cadeira ao lado, Lee Chayoung chamou seu nome cautelosamente:
— Gyuha.
— Hum.
Em seguida, ele tirou algo do bolso do casaco. Seo Gyuha olhou sem dar muita importância, mas logo paralisou e sua expressão endureceu. O que Lee Chayoung estendia era um remédio. Na superfície da caixa pequena, estava escrito claramente: “Pílula de Emergência”.
Como se estivesse fazendo uma confissão, Lee Chayoung continuou a falar com uma expressão pesada e solene, no lugar de Seo Gyuha que estava sem palavras:
— Eu realmente errei ontem. Fiquei cego por causa do estimulante… não, isso é apenas uma desculpa, eu errei totalmente.
Pela primeira vez, Lee Chayoung não conseguiu encarar Seo Gyuha nos olhos e baixou o olhar. Era porque sentia um arrependimento sincero.
Como havia deixado escapar ontem, ele já sabia que Seo Gyuha era um Ômega. No entanto, cego pelo desejo sexual, teve relações sem nenhuma medida contraceptiva e, sob a mesma desculpa, não parou de ejacular dentro dele.
Inclusive, enquanto possuía Seo Gyuha daquela forma, ele chegou a pensar ontem que “tudo bem se Seo Gyuha ficasse grávido”. Mas ao amanhecer e recobrar a sanidade, ao ver Seo Gyuha dormindo em um estado deplorável ao seu lado, percebeu a loucura que cometera e correu imediatamente para a farmácia.
Repetindo, a culpa era toda dele, e ele não tinha desculpas diante de Seo Gyuha. Ele nem tinha coragem de olhar para o rosto dele, mas em vez de fugir covardemente, encarou Seo Gyuha com dificuldade e disse sinceramente:
— É um remédio eficaz, então não haverá com o que se preocupar. Embora eu ache que não vá acontecer nada… se você não quiser tomar, não precisa. A escolha de tomar ou não é inteiramente sua, e eu assumirei toda a responsabilidade. É sério.
No fim, quem desviou o olhar primeiro foi Seo Gyuha. Sua expressão continuava séria. No entanto, o motivo era completamente diferente do que Lee Chayoung imaginava. Seo Gyuha não estava bravo ou descontente, mas sim extremamente perplexo. Pílula do dia seguinte… era um item que ele nem sequer havia cogitado antes de vê-lo agora.
Por outro lado, sentia-se um pouco estranho. Ele poderia ter ficado bravo se Lee Chayoung tivesse apenas gozado e tentado resolver com aquilo, mas as palavras adicionadas com uma voz que parecia sincera causaram uma leve agitação em seu coração.
— Eu. *Cof.*
Como sua voz saiu um pouco falha, Seo Gyuha limpou a garganta com uma tosse seca e continuou:
— Se eu disser que não vou tomar isso, você vai realmente assumir a responsabilidade?
— Com certeza. Farei tudo o que você desejar.
Lee Chayoung não hesitou nem tentou recuar em nada. Graças a isso, Seo Gyuha finalmente relaxou a expressão e deu um sorriso brincalhão.
— É brincadeira, por que você leva tão a sério?
— …Hã?
— Você deve ter percebido pelos meus feromônios ontem, mas eu sou um recessivo total, então engravidar é quase impossível. Mas, por precaução, eu vou tomar.
Assim como há pessoas que ganham na loteria contra probabilidades mínimas, ninguém sabia se a possibilidade de 1% de gravidez aconteceria com ele. Por isso, Seo Gyuha abriu o comprimido e o engoliu com água sem hesitar.
Com o grande obstáculo superado, agora era a vez dele de tirar suas dúvidas. Seo Gyuha amassou a garrafa de água vazia e abriu a boca, tentando parecer indiferente:
— Afinal, desde quando você sabe? …Que eu sou um Ômega.
Se ele respondesse novamente “desde o início”, ele estava pronto para questionar quando foi esse início. Lee Chayoung deu uma resposta diferente da de ontem, mas que, no final, trouxe uma surpresa ainda maior:
— Eu soube assim que te vi no local da audição.
Sua boca chegou a ficar entreaberta de choque. Porque, naquela época, Seo Gyuha tinha tomado o remédio religiosamente antes de ir para a audição.
— …Isso faz sentido? Eu fui para lá bloqueando totalmente os feromônios.
— Mesmo assim, eu sei. Meu médico disse que Dominantes costumam ser sensíveis nesse aspecto. E ele disse que eu sou especialmente sensível.
Ele sabia que, quanto mais Dominante, maior o desejo sexual e a taxa de reprodução, mas aquilo era algo que ele ouvia pela primeira vez. Não era um detector de Alfas e Ômegas, mas saber apenas de olhar… Além disso, uma lembrança absurda veio à mente.
— Então você sabia que eu era um Ômega e fingiu que não sabia?
— Eu achei que era algo que você queria esconder, então achei que não seria educado eu falar primeiro. Desculpe, Gyuha.
— Hã…
Havia tempos que ele não se sentia tão passado para trás. Seo Gyuha balbuciou surpreso, mas não perguntou por que ele fez aquilo. Isso porque ele já havia se declarado para ele.
Seu coração ficou inquieto e complexo diante da verdade desconfortável. Embora pudesse aceitar se tentasse, era difícil dissipar imediatamente o ressentimento sutil, dado o peso do assunto. Enquanto ele ficava ali sentado, franzindo o cenho, a voz de Lee Chayoung soou novamente:
— Eu me senti atraído por você assim que te vi pela primeira vez, e quanto mais interagíamos durante as filmagens, mais eu queria me aproximar. Então, por acaso, você mostrou dificuldade na cena de flerte… Fosse treino de atuação ou qualquer outra coisa, eu quis usar isso como uma oportunidade para desenvolver nossa relação.
Não parecia uma voz que estivesse mentindo ou brincando. No entanto, Seo Gyuha tinha dificuldade em aceitar aquilo facilmente. Após manter silêncio por mais um tempo, ele virou a cabeça lentamente e perguntou a Lee Chayoung:
— Sinceramente, com o seu nível, você poderia sair com qualquer um. Então, por que eu?
Não era autodepreciação, mas pura curiosidade. Francamente, Lee Chayoung receberia investidas absurdas e poderia sair com celebridades do mesmo nível ou com herdeiros de famílias influentes do mundo político ou empresarial. Ele não entendia por que ele estava tão empenhado com alguém com muito menos reconhecimento que ele e que nem parecia um Ômega.
No momento em que ele começou a pensar se não era algum tipo de pegadinha ou aposta, Lee Chayoung falou novamente:
— Sinceramente… No início, eu me apaixonei vendo você atuar. A cena que você fez em ‘Abismo’ ficou gravada intensamente na minha memória, e eu fiquei curioso para saber que tipo de ator você era, então te procurei na internet.
A obra mencionada por Lee Chayoung era, de fato, um trabalho marcante para Seo Gyuha. Embora ele aparecesse por apenas alguns segundos no início, o processo de preparação antes das filmagens não foi fácil. Para interpretar o papel de um soldado que tira a própria vida após sofrer bullying, ele se pressionou emocionalmente e perdeu mais de 10 kg.
— Eu pensava que gostaria de trabalhar com você algum dia, e calhou de eu ser escalado primeiro para este drama. Quando soube que você era um forte candidato para o papel oposto, fiquei ansioso. E ao te conhecer pessoalmente, vi que você não apenas atua bem, mas sua aparência e personalidade são totalmente o meu estilo, então me apaixonei rapidamente.
Seo Gyuha, que ouvia em silêncio, levantou uma objeção. Deixando de lado a atuação e a personalidade…
— Minha aparência é o seu estilo?
— Sim.
— Você tem um gosto realmente peculiar.
Como não havia mudado muito e crescido bem, Seo Gyuha sabia que tinha lá sua beleza. No entanto, mesmo que não estivesse longe de ser uma beleza delicada ou um rosto “bonito” clássico, ele não sabia que seu rosto funcionaria até com alguém maior e mais bonito que ele.
— Por quê? Você é bonitão, Gyuha.
Se você não soubesse falar tão bem… Argh.
Seo Gyuha sentiu um desânimo e soltou um suspiro curto. Se ele estivesse rindo, ele poderia descarregar a raiva dizendo que ele estava brincando com ele, mas o rosto de Lee Chayoung estava extremamente sério.
De qualquer forma, percebendo que o clima havia suavizado um pouco, Lee Chayoung continuou:
— Posso te perguntar uma coisa também?
— Fale.
— Você sabia do meu estado ontem. Você poderia ter apenas ligado para o meu empresário ou me jogado na minha casa e ido embora. Mas por que me trouxe para a sua casa?
— Isso foi…
Diante da pergunta repentina, Seo Gyuha ficou sem palavras novamente. Ele esfregou o queixo com o braço que ainda estava apoiado na cadeira, ganhando tempo, e balbuciou:
— Você disse para eu não ligar de jeito nenhum para o seu empresário. Sobre ter te trazido para a minha casa… como você disse, eu sabia que você tinha tomado a droga… se eu te deixasse sozinho e algo acontecesse, seria um desastre…
— Por quê?
— O quê?
— Você disse que seria um desastre se algo acontecesse. Por que seria um desastre?
— …Você está me perguntando isso porque realmente não sabe?
Seo Gyuha imaginou automaticamente o nome e a foto de Lee Chayoung estampando a primeira página de todos os meios de comunicação. Mas a nuance da pergunta de Lee Chayoung era bem diferente da que Seo Gyuha imaginara.
— Mesmo que eu me envolva em um escândalo, quem se envolve sou eu; mesmo que aconteça um desastre, acontece comigo. Mas por que você se preocupou comigo?
— Isso… quer dizer…
Havia muitas palavras em sua mente. “É óbvio que você se daria mal, como eu poderia ficar olhando?”, “Eu não sou um cara tão insensível assim”, e por aí vai.
No entanto, Seo Gyuha não conseguia dizer nenhuma daquelas palavras facilmente. Ele tinha um forte pressentimento de que, no momento em que soltasse uma palavra sequer, algo não teria mais volta.
Lee Chayoung, em vez de apressar Seo Gyuha ou questioná-lo novamente, chamou seu nome com um sorriso leve:
— Gyuha.
— O quê?
— Posso te beijar?
— …De repente?
Ele sabia que ele não estava franzindo o cenho por desinteresse, mas por estar perplexo ou sem graça, e agora até aquela imagem parecia adorável para ele.
— Eu quero.
O vinco entre as sobrancelhas de Seo Gyuha ficou mais profundo. Se você olhasse bem, Lee Chayoung também tinha um lado meio excêntrico. No entanto, o problema era que ele também não desgostava desse lado dele.
— Faça o que quiser.
Assim que a permissão foi dada, Lee Chayoung aproximou-se como se estivesse esperando por aquilo. Seo Gyuha fechou os olhos ao sentir o toque suave dos lábios dele.
Não demorou muito para que o calor se espalhasse por todo o corpo conforme as carnes sensíveis se esfregavam. Como se tivessem combinado, os dois mudaram-se para o quarto. Assim como ontem, as roupas ficaram espalhadas ao redor da cama como cascas descartadas, e Lee Chayoung abriu as pernas de Seo Gyuha sem hesitar. Seo Gyuha estremeceu ao sentir o toque tateando a entrada logo em seguida.
— Ainda está um pouco inchado.
— Depois de ter algo entrando e saindo a noite toda, você achou que estaria normal?
— Desculpe. Estava tão bom que não consegui me conter.
Dizem que não se pode cuspir num rosto sorridente, e era verdade. Como aquele homem maravilhoso não estava sendo orgulhoso e expressava seus sentimentos com sinceridade, ele também hesitou em dar broncas desnecessárias.
— Espere um momento.
Lee Chayoung, esticando o braço para fora da cama, tirou algo do bolso do casaco. Seo Gyuha, observando o que ele ia fazer, ficou incrédulo. O que ele tinha na mão era uma camisinha.
— O quê? Você tinha camisinha?
— Não, comprei na loja de conveniência.
Ao ouvir a resposta, ele ficou ainda mais boquiaberto. Ou seja, comprar aquilo na loja de conveniência era o mesmo que dizer que ele já pretendia transar de novo de manhã.
— Realmente, inacreditável.
Após dar um beijo rápido na testa de Seo Gyuha, Lee Chayoung rasgou a embalagem da camisinha. No entanto, aquela servia como substituta para uma camisinha de dedo. Ele a colocou nos dedos indicador e médio e, ao empurrar para dentro do buraco, deslizou suavemente graças ao lubrificante na superfície.
O calor intenso foi transmitido imediatamente assim que entrou. Sabendo o quão extasiante era enterrar o pau ali, Lee Chayoung não se deu ao luxo de enrolar; estimulou rapidamente a área próxima à próstata e retirou os dedos. Após descartar a camisinha que cumpriu sua breve utilidade, tirou uma nova e a colocou no pênis.
— Vou colocar.
— Devagar! Devagar.
— Sim, não se preocupe.
Devido ao quanto sofrera ontem, as palavras apressadas saíram naturalmente. Lee Chayoung encostou a ponta do pau na entrada e, como prometido, entrou lentamente.
No entanto, aconteceu algo que nenhum dos dois esperava. Talvez por ter ficado aberto quase a noite toda, o interior estava bem dilatado e o membro entrou sem nenhuma resistência. Mesmo assim, a sensação de aperto continuava lá. Até que toda a glande e o corpo do pênis estivessem inseridos até a base, as paredes internas lascivas pulsavam por conta própria, apertando o pau de Lee Chayoung.
Certamente por estar sóbrio, Lee Chayoung não teve pressa como ontem. Ele ficou olhando para Seo Gyuha, que estava com as pernas abertas e abrigando o seu membro no ventre enquanto respirava fundo, e então liberou seus feromônios suavemente. Quase no mesmo instante, sentiu Seo Gyuha estremecer visivelmente.
— Gyuha, você também, libere seus feromônios.
— …Deixe para lá. Só faça logo.
— Não é melhor fazer com que seja ainda mais prazeroso? Eu quero sentir seus feromônios, Gyuha.
Ah, sério. Como ele sabe tão bem como me dobrar?
Se ele estivesse tentando me esmagar com feromônios Alfa ou agindo como se desse ordens, eu o ignoraria por teimosia, mas quando ele me olha com esse rosto pedindo “Hã?”, não é fácil recusar. No meio disso, ao sentir os feromônios Alfa envolvendo seu corpo intensamente, a ponta de seu pau já ereto começou a pulsar. As palavras que acabara de ouvir de Lee Chayoung ecoavam em sua mente.
“O que é bom, é bom. E eu já liberei feromônios ontem mesmo.”
Logo, Seo Gyuha fechou os olhos com força e começou a liberar feromônios. Por outro lado, surgiu uma dúvida: “Para alguém como eu, que nem deve ter feromônios fortes… é realmente bom?”
Seo Gyuha deu uma olhadela para cima e percebeu que seu pensamento era, literalmente, inútil. O olhar de Lee Chayoung estava transbordando de excitação. Em seguida, ele moveu o quadril e liberou feromônios ainda mais intensos, como se em resposta.
— Ah, ah, hnn, ahh!
Cada vez que Lee Chayoung, segurando firme o quadril dele, penetrava brutalmente o seu interior, o som das carnes se chocando era alto. Mesmo quando ajustava o tempo, ele não ficava parado. Ele movia o quadril de forma devassa e lasciva, enquanto seus lábios e língua eram obcecados pelo pescoço de Seo Gyuha. Ao perceber que ele estava deixando marcas, Seo Gyuha tentou impedi-lo, mesmo que tardiamente.
— Não deixe marcas de chupão.
Para isso, já era tarde; já havia marcas vermelhas por toda parte. Deixando a bronca para depois, Lee Chayoung, por falta de opção, brincou com o peito de Seo Gyuha usando a língua e o sugou.
Mas ele não podia ficar satisfeito apenas com aquilo. No fim, ele desfez a união por um momento e recuou. Ele levou o rosto até o lugar onde acabara de entrar e sair, e começou a morder e sugar a área ao redor do buraco entreaberto, deixando marcas de beijo.
— Ahhh!
No momento em que ele sugou com força, como se fosse deixar uma marca até no escroto, Seo Gyuha soltou um gemido e sacudiu o corpo violentamente. Ignorando isso, Lee Chayoung permaneceu imóvel. Pelo contrário, desceu um pouco mais e encostou a língua no buraco. Não satisfeito em lamber as pregas, ele saboreou até o interior com a ponta da língua pontiaguda antes de alinhar seu pau novamente e empurrá-lo de uma vez até o fim.
Enquanto isso, a excitação de Lee Chayoung atingiu o ápice. Segurando firmemente o quadril de Seo Gyuha com as duas mãos e penetrando no interior, ele soltou as palavras como bem quis:
— Você gosta mais que eu penetre com a língua ou que eu penetre com o meu pau?
— Ah, hnn, ahh, ahhh!
— Você tem que responder, Gyuha. Do que você gosta mais?
— Não sei.
— Não sabe? Então vou ter que penetrar alternadamente até você saber.
Como estava sendo sacudido violentamente, Seo Gyuha só entendeu o significado das palavras um pouco depois e gritou apressadamente. Ele já estava se acostumando a ficar de pernas abertas sendo penetrado, mas ter o buraco de trás lambido foi um choque total.
— O-o pau! Eu gosto mais do pau!
— Você disse que gosta mais da língua?
— Não, o pau, hnn, eu gosto mais do pau!
— Sim, depois eu vou te lamber de novo.
— Seu desgraçado, mmmph!
Ele não pôde mais emitir voz porque sua boca foi selada por um beijo. Embora tenha começado de forma involuntária, Seo Gyuha logo abraçou o pescoço de Lee Chayoung e moveu a língua ativamente. Mesmo que não fosse como tocar o peito ou os pontos erógenos, o beijo também servia como um excelente mediador para despertar a libido.
A reação foi imediata. Mesmo sem tocar no pau, apenas sendo penetrado, seu abdômen ficou todo encharcado com o líquido pré-ejaculatório que escorria sem parar.
Lee Chayoung também estava perfeitamente excitado. Os feromônios de Seo Gyuha, assim como o dono, tinham um aroma de hortelã fresca, chique e refrescante. Cada vez que ele inalava os feromônios Ômega exatamente como imaginara, sentia que ia enlouquecer.
— Haa…
Lee Chayoung, que retirara a língua após um longo beijo, abraçou as coxas de Seo Gyuha com os dois braços e começou a acelerar o ritmo. Ele estocava brutalmente o interior até o quadril dele quase flutuar, e em certo momento, deu uma estocada profunda, atingindo o momento do clímax.
Por um instante, todos os movimentos pararam, e apenas os músculos de suas costas se contraíram como se estivessem vivos. Lee Chayoung expeliu o sêmen em jatos em meio ao prazer supremo. No final, ele balançou o quadril levemente por hábito, despejando até a última gota.
— Haa…
Em meio à satisfação e ao relaxamento que vinham em ondas, ele sobrepôs seu corpo ao de Seo Gyuha novamente e diminuiu a distância entre seus rostos. No olhar com que ele observava Seo Gyuha de perto, havia um carinho inegável.
— Gyuha.
— Hum.
— Quer tentar namorar comigo seriamente?
Seo Gyuha, que respirava fundo, sentiu sua consciência voltar totalmente com aquelas palavras.
— De repente?
— Não é de repente… Pelo menos para mim. Eu estava aguentando sem demonstrar porque não queria te dar mais fardo, mas não consigo mais esperar.
— Ei…
— Isso que estamos fazendo agora começou porque eu forcei a situação. Mas e se outro Alfa vier para cima de você além de mim? E se ele te pressionar de um jeito que você não consiga recusar? Só de pensar nisso, meu coração parece que vai parar e eu sofro. Não quero mais ficar ansioso.
A sinceridade sem adornos funcionou perfeitamente desta vez também. Na verdade, agora o coração de Seo Gyuha não era muito diferente do dele. Se ele ainda considerasse o fato de dormirem juntos apenas como parte do treino de atuação ou se não tivesse sentimentos além de colega, ele não teria procurado por Lee Chayoung no clube ontem nem o traria para casa sabendo que ele tomara estimulantes.
Não, deixando tudo de lado, havia o indicador mais simples. Ao imaginar outra pessoa ao lado de Lee Chayoung ou ele sorrindo para outra pessoa, sentia uma pontada no peito. No entanto, havia um problema crucial que precisava ser abordado.
— Eu sinto o mesmo que você.
— Sério?!
— Escute até o fim… Sinto o mesmo, mas não quero contar para ninguém que sou um Ômega. Ou seja, mesmo que nossa relação evolua para um namoro, isso deve ser mantido em segredo absoluto do mundo externo. Provavelmente será bom para você também. Tudo bem para você?
— Claro. Eu não me importo nem um pouco.
— É sério?
— Sim. Farei com que nada saia do meu lado, não importa o que aconteça. Se você mudar de ideia mais tarde e quiser revelar, pode fazer isso a qualquer momento. Eu seguirei incondicionalmente a sua vontade, Gyuha.
A expressão de Lee Chayoung parecia mais emocionada do que nunca. Seo Gyuha chegou a se arrepender um pouco de ter enrolado tanto em vez de aceitá-lo logo.
— Cumpra essa promessa.
— Sim. Obrigado, Gyuha. Eu realmente vou te tratar muito bem daqui para frente.
Lee Chayoung deu um sorriso radiante e aproximou-se inclinando levemente a cabeça. Seo Gyuha abraçou os ombros dele e fechou os olhos suavemente. Era o início de um namoro que ele não tinha há anos e o momento em que ganhou um namorado, algo que ele nunca imaginou ter na vida.
***
— Corta!
A palavra “corta” finalmente saiu da boca do diretor, que preenchia a tela da câmera com um close-up do rosto do ator. Em seguida, o assistente de direção ao lado também falou em voz alta:
— Vamos mudar de posição. Vamos entrar na próxima cena imediatamente.
Enquanto todos se moviam freneticamente, Seo Gyuha seguiu para o estacionamento com Yoon Byeongcheol. Como ele não apareceria na próxima cena, parecia que ele só voltaria para frente das câmeras em pelo menos duas horas.
Não há nada mais tedioso do que ficar esperando sua vez no set de filmagem sem fazer nada, mas o descanso forçado de hoje foi muito bem-vindo. Ao entrar no carro, Seo Gyuha tirou o sobretudo e o chapéu de cena de qualquer jeito e inclinou o banco para trás, procurando e colocando um tapa-olho.
A expressão séria com que atuava até pouco tempo atrás havia sumido. Seu rosto, com o cenho franzido, estava péssimo. Yoon Byeongcheol, que não sabia da situação interna, virou-se do banco do motorista e falou:
— Está com fome? Quer uma banana?
— Não.
— Também tenho pão de creme.
— Como depois. Vou tentar dormir um pouco, então me acorde daqui a pouco.
Seo Gyuha ficou deitado de barriga para cima com as mãos entrelaçadas e, pouco depois, virou o corpo para o lado. Mas o desconforto persistia. A dor incômoda que sentia no lugar que não podia mencionar não desaparecia apenas mudando de posição.
“Eu devo estar louco.”
Se fosse para procurar uma causa, a culpa era em grande parte sua. Na noite de anteontem, ele jantou fora com Lee Chayoung, e ele dirigiu até a porta de sua casa. Foi ele quem o segurou dizendo para ele entrar para tomar uma xícara de chá.
E não foi só isso. Foi ele quem primeiro abraçou o pescoço dele e o beijou, quem arrancou as roupas e avançou sobre ele, e quem subiu em cima dele e moveu o quadril. Foi ele quem disse com arrogância “não se preocupe, está tudo bem” para Lee Chayoung, que se preocupava se haveria problema por ter gravação no dia seguinte.
Até agora, Seo Gyuha pensava que era bem indiferente em relação ao aspecto sexual. Claro que ele não era impotente, então tinha ereções normais e, às vezes, havia dias em que o desejo sexual aumentava excepcionalmente. No entanto, como achava preguiçoso sair para procurar alguém para uma noite ou temia se envolver de forma errada, ele costumava resolver sozinho de qualquer jeito.
Mas muitas mudanças inesperadas surgiram ao se tornar namorado de Lee Chayoung. Quando via Lee Chayoung no set de filmagem, sentia um frio na barriga pensando no segredo de estarem namorando escondido de todos, e ele, que quase ignorava o celular em casa, agora vivia com ele na mão.
Além disso, seu desejo sexual realmente pegou fogo. Nos dias em que se encontravam brevemente à noite, sempre faziam algo com as mãos no carro, e quando ambos tinham filmagem à tarde ou folga no dia seguinte, passavam a noite inteira rolando na cama. Inclusive, anteontem, ele não estava de folga, mas o clima esquentou e foi Seo Gyuha quem o seduziu primeiro.
No entanto, a mente muda depois que o ato termina. Ao abrir os olhos na manhã seguinte, o prazer da noite anterior sumira, restando apenas marcas de chupão avermelhadas e um corpo pesado como algodão ensopado. Os músculos tensos relaxaram bastante com o passar do tempo, mas a sensação de dormência e desconforto entre as pernas permanecia até hoje, dois dias depois.
No momento em que ele tentava pegar no sono mudando de posição mais uma vez, o som da vibração do celular soou de perto. Seo Gyuha tentou ignorar fingindo não ouvir, mas por via das dúvidas, esticou a mão para o bolso do casaco acolchoado.
Sua expressão suavizou visivelmente ao conferir a tela. Como ele suspeitava, viu uma mensagem enviada por Lee Chayoung.
[Gyuha, seu corpo está um pouco melhor?]
[00]
Pouco antes de enviar, ele apagou as letras rapidamente e moveu os dedos novamente.
[Não.. acho que não estou nada bem kkkkkk]
[Respondeu na hora. É hora de descanso agora?]
[Sim]
Logo em seguida, ele recebeu uma ligação. Seo Gyuha atendeu o telefone com um sorriso no canto da boca, sentindo-se ainda mais relaxado. No meio disso, não esqueceu de baixar o volume rapidamente, temendo que a voz de Lee Chayoung vazasse.
— Oi.
— *Está muito cansado, Gyuha?*
Seo Gyuha sentiu um formigamento em algum lugar de seu coração com aquela voz preocupada. O carinho de Lee Chayoung era perceptível até por mensagens de texto, mas não se comparava a ouvir sua voz diretamente.
— Não. Estou bem, só estava brincando.
— *Eu deveria ter me contido, desculpe.*
Diante do pedido de desculpas por algo que não era culpa dele, Seo Gyuha respondeu com uma brincadeira:
— Será que você teria conseguido se conter? Fui eu quem te seduzi e subi em cima.
Ele não pôde dizer o resto por causa de Yoon Byeongcheol, mas Lee Chayoung entendeu com inteligência e acompanhou o ritmo.
— *Pois é. Eu falei algo que seria impossível.*
Seo Gyuha continuou, dando risadinhas:
— Você também está no descanso?
— *Não. A filmagem de hoje terminou e acabei de entrar na acomodação.*
Ontem, por volta do meio-dia, Lee Chayoung partira para o exterior. Isso porque ele tinha uma agenda de fotos para a nova coleção de uma marca de roupas de luxo da qual era modelo. Como o cronograma era de três dias no total, seria difícil vê-lo até depois de amanhã.
— *Estou com saudades, Gyuha.*
— …Faz apenas alguns dias.
— *Já é o segundo dia. Quando eu voltar, vamos comer algo gostoso juntos. Vou te dar algo para recuperar as energias.*
— O que vai me pagar?
— *Qualquer coisa que você queira comer, Gyuha.*
Ao ouvir aquilo, uma brincadeira repentina passou pela mente de Seo Gyuha.
— Eu já comi bastante anteontem.
— *Hã?*
— Comi tanto até ficar cheio que minha boca ainda está dormente.
— *…Essa boca… você está falando da boca de baixo?*
— Bingo.
— …
Diante do silêncio que se seguiu, o canto da boca de Seo Gyuha se contraiu involuntariamente. Ele conteve o riso enquanto imaginava o rosto de Lee Chayoung.
Se ele estaria em apuros ou se seu rosto estaria corado. Ele sentiu pena por não poder ver com os próprios olhos a expressão que ele estaria fazendo agora.
“Afinal, é muito difícil ver o Lee Chayoung perplexo desse jeito, hum.”
Ter a chance de provocá-lo assim não era algo frequente. Por isso, ele queria aproveitar aquele prazer um pouco mais, mas Lee Chayoung não era uma pessoa fácil. Ele logo recuperou a calma e sua voz doce acariciou o ouvido de Seo Gyuha.
— *Gyuha.*
— Hum.
— *Continue me comendo apenas a mim pelo resto da vida. Não, eu quero te dar de comer bastante agora mesmo. Até que sua boca não consiga mais se fechar.*
— …
Aqui estava alguém que acabou recebendo em dobro o que tentou dar. Seo Gyuha ficou com a boca escancarada enquanto ria, e então baixou a voz rapidamente, falando depressa:
— Enlouqueceu? Tem alguém aí do seu lado?
— *Estou do lado de fora, então não tem ninguém.*
Se era assim, era um alívio total. Enquanto relaxava o corpo que ficara tenso por um momento, Lee Chayoung perguntou de volta, brincalhão:
— *Ficou surpreso?*
— Com certeza. Você tem certeza de que não tem ninguém mesmo?
— *Tenho. Eu não faço nada que te deixe em apuros. Eu prometi, não foi?*
— …Sabe falar muito bem, hein.
Quando ele resmungou de bico, ouviu uma risada agradável vinda do outro lado da linha. Talvez por conhecer o rosto da pessoa que ria, ele teve a ilusão de que até o som da risada era bonito.
— *Entro em contato de novo depois. Descanse à vontade.*
— Tá bom.
Após desligar o telefone, Seo Gyuha abaixou o tapa-olho novamente. Enquanto respirava calmamente por um instante, o canto de sua boca se contraiu com o pensamento de que fora uma ligação bem típica de namorados. Com o humor muito melhor, ele tentou dormir desta vez, mas a voz de Yoon Byeongcheol quebrou o silêncio.
## Tradução: Boys Love
— Quem é?
— Que susto!
Assim que deslizou a máscara de dormir para baixo e se virou, Seo Gyuha deu de cara com Yoon Byeong-cheol. Mesmo sem ter feito nada de errado, ele desviou o olhar de mansinho, como um ladrão com a consciência pesada, e perguntou:
— Por que a pergunta?
— Sua voz parecia diferente do normal. Não me diga que… está namorando?
Gyuha quase deu um sobressalto, mas conseguiu se conter e fingiu inocência.
— Do que você está falando? Por que toda vez que eu atendo o telefone você vem com esse papo de namoro?
Por não ter talento para mentiras, seu coração batia forte. Ele temeu que Byeong-cheol continuasse a pressioná-lo, mas, para sua sorte, o amigo pareceu acreditar. Ainda assim, talvez por excesso de zelo, Byeong-cheol deixou de lado a postura de amigo bobo e exibiu seu lado de empresário.
— Você sabe que sua carreira vai decolar assim que esse drama for ao ar, não sabe? Então, por favor, segure a onda com namoros só mais um pouquinho.
— Eu não estou namorando. Quando foi que eu te dei dor de cabeça com esse tipo de coisa?
— É verdade. Até o Diretor Yang vive dizendo que, quanto a isso, ele fica tranquilo.
Se fosse em um dia comum, Gyuha teria retrucado infantilmente com algo como: “Só quanto a isso? Onde você vai encontrar alguém tão obediente e fácil de gerenciar quanto eu?”. Mas, hoje, ele preferiu evitar o confronto e mudou de assunto.
— Vou dormir. Me acorde daqui a pouco.
— Tá bom.
No silêncio que se seguiu, Seo Gyuha soltou um suspiro de alívio silencioso. Ele quase morreu do coração, perguntando-se por que aquele cara, que costumava ser tão lento, resolveu ser perspicaz logo agora.
Assim que se acalmou, as palavras de Yoon Byeong-cheol voltaram a ecoar em sua mente.
*”Sua voz parecia diferente do normal.”*
Ele achava que tinha falado ao telefone de forma perfeitamente comum, então o que haveria de diferente? Teria sido apenas um palpite de Byeong-cheol?
Gyuha ficou curioso, mas decidiu manter o silêncio para não acabar “cutucando a onça com vara curta”. Como já mencionado, apesar de ser um ator talentoso, ele estranhamente não tinha habilidade para mentir na vida real.
Depois disso, nada de especial aconteceu. Pelo contrário, por algum motivo, as filmagens seguiram mais rápido do que o esperado e ele pôde voltar para casa alguns minutos mais cedo.
O jantar foi meio impulsivo. Mesmo sendo cedo para os padrões de gravação, já passava das nove da noite, então Yoon Byeong-cheol manobrou o carro em direção a um restaurante com um enorme letreiro amarelo vibrante.
Para uma parada repentina, a qualidade da comida superou as expectativas. Assim que os pratos chegaram, Byeong-cheol começou a devorar tudo como se estivesse possuído, e Gyuha, que recuperara o apetite, também movimentava os hashis com agilidade.
Comeram em silêncio e, só quando a saciedade chegou, o clima relaxou. Yoon Byeong-cheol pegou um café solúvel para espantar o sono e, entre um gole e outro, puxou assunto como se tivesse acabado de se lembrar:
— O mundo das celebridades virou um caos de novo hoje.
— Que caos?
— Saiu outra notícia sobre famosos usando drogas, mas desta vez citaram vários nomes reais. As agências de notícias devem estar enlouquecendo.
— Espera aí — disse Byeong-cheol, levantando-se para pegar o controle remoto na prateleira da TV atrás dele. Após apertar alguns botões aleatoriamente, um canal de notícias exibia a matéria mencionada.
— …!
Gyuha, que olhava com indiferença, arregalou os olhos. Abaixo da manchete fixa sobre drogas e celebridades, uma pequena legenda corria rapidamente pelo rodapé da tela:
*[Escândalo de drogas entre celebridades se repete, alguns faziam uso habitual de estimulantes… O cantor e ator Kang Yun-ha, Kim Seong-ui, Jason do grupo ídolo Light e muitos outros foram flagrados…]*
O nome que prendeu sua atenção foi, sem dúvida, “Kang Yun-ha”. Com uma expressão de descrença, Gyuha perguntou a Byeong-cheol:
— É aquele Kang Yun-ha mesmo?
— É ele. Pelo que vi nos boatos dos grupos de chat, a agência dele vinha encobrindo as festas sujas que ele fazia com o grupinho dele, mas hoje alguém postou anonimamente um vídeo deles em uma sala privada. Só o rosto dos civis estava borrado; o Kang Yun-ha e os outros aparecem claramente injetando substâncias no braço. O bicho tá pegando.
Nesse momento, a imagem na TV mudou, transmitindo o vídeo que Byeong-cheol acabara de mencionar. Embora a emissora tivesse colocado mosaicos nas cenas de injeção, qualquer pessoa conseguiria deduzir o que estava acontecendo.
Gyuha franziu levemente a testa ao ver as imagens. Sinceramente, não lhe importava se os outros usavam drogas ou o que faziam da vida, mas o rosto do dono da mão borrada era bastante familiar. Era uma das pessoas que ele vira na festa de aniversário de Kang Yun-ha, alguns dias atrás.
Gyuha sentiu um gosto amargo na boca. “Se houvesse câmeras de segurança na sala do clube, eu mesmo teria pegado as provas e espalhado para a imprensa. Que pena.”
— Quem foi que vazou o vídeo?
— Não sei. Só saiu uma voz distorcida.
— Se for pego, a vida dessa pessoa vai ficar bem complicada. Espero que não o achem.
— Mesmo que achem, se for provado que os fatos são reais, deve acabar apenas em multa por difamação. De qualquer forma, Gyuha, tome cuidado. Não beba nada que estranhos te derem em encontros privados.
— Só falta me colocar uma coleira, seu idiota.
— Posso fazer isso?
Encerrando a conversa com uma piada boba, os dois saíram do restaurante. De bom humor por estar de estômago cheio, Yoon Byeong-cheol cantarolava enquanto dirigia pela escuridão. Gyuha deu uma olhada de soslaio para ele e, discretamente, pegou o celular para digitar no portal de busca:
[Lee Chayoung drogas]
Não era por desconfiar de Lee Chayoung, mas algo pesava em seu coração: o fato de Chayoung ter sido forçado a ingerir estimulantes por causa daquele desgraçado do Kang Yun-ha.
“Deve estar tudo bem. Se tivesse vazado algo, o nome do Lee Chayoung estaria em todas as manchetes.”
Ainda assim, com o coração inquieto, no momento em que clicou no botão de busca, seu temor se tornou realidade. Resultados apareceram.
Gyuha arregalou os olhos e percorreu rapidamente a tela do celular. Só então pôde respirar aliviado. O artigo mencionava um filho de empresário com o mesmo nome, não o Lee Chayoung em quem ele estava pensando.
Ele rolou a tela mais para baixo e não encontrou uma única notícia afirmando que o ator Lee Chayoung usava drogas. Sentiu um alívio imenso, mas a ansiedade não desapareceu por completo. Gyuha balançou as pernas ansiosamente dentro do carro e, assim que chegou em casa, ligou para Lee Chayoung.
Na mesma hora, Lee Chayoung já estava deitado há muito tempo. No quarto de hotel preparado para não deixar passar nenhum fio de luz, ele buscava um sono profundo quando, quebrando o silêncio, ouviu a vibração repentina do celular. Chayoung abriu os olhos no susto.
O aparelho, deixado justamente em cima da mesa de cabeceira, vibrava ruidosamente enquanto emitia uma luz brilhante.
Ele poderia ter ignorado e continuado a dormir, mas, pensando que poderia ser um contato importante, verificou a tela. Sua testa, que se franzira levemente, relaxou instantaneamente ao ver o nome de quem ligava. Logo, ele apertou o botão e atendeu.
— Alô?
Sua voz saiu levemente rouca por ter acabado de acordar. Era um tom sedutor que qualquer um poderia interpretar como um apelo sexual, mas Seo Gyuha parecia nem notar e começou a despejar as palavras:
— Você viu as notícias?
— Que notícias?
— Saiu outra matéria sobre caras usando drogas e está a maior confusão. Disseram que pegaram o Kang Yun-ha… Será que ele não vai citar seu nome durante o interrogatório? Aquele desgraçado te obrigou a tomar aquilo também.
Ao ouvir as palavras dele, os cantos dos lábios de Lee Chayoung subiram ligeiramente. Mesmo sem ver o rosto de Gyuha, ele conseguia sentir toda a preocupação vinda do outro lado.
— Você está preocupado comigo? Estou emocionado, Gyuha.
— Não é hora de ficar tão tranquilo. Será que você vai ter que raspar a cabeça antes de voltar para o país? Eles não vão testar os pelos de *lá*, vão?
A voz dele continuava séria. Por outro lado, Lee Chayoung se viu em um desafio involuntário de segurar o riso no meio da madrugada. Em toda a sua vida, nunca tinha ouvido alguém dizer para ele raspar a cabeça ou mencionar abertamente os pelos de suas partes íntimas. No entanto, como a chance de Gyuha ficar ofendido se ele caísse na gargalhada agora era de cem por cento, Chayoung conteve o riso. Ele poderia ter fingido e aproveitado a preocupação dele um pouco mais, mas resolveu não prolongar:
— Não precisa se preocupar. Fiz um exame de sangue uns três dias depois daquilo e deu limpo.
— Sério?
— Sim.
— Ufa, que alívio.
— Ligou por causa disso? Porque estava preocupado comigo?
— E você acha que eu ficaria parado? Está a maior confusão por aqui.
— É. Estou emocionado de verdade.
— Você se emociona com qualquer coisa. Enfim, se está tudo bem, ótimo. Vou desligar.
A ligação caiu antes mesmo que ele pudesse dizer algo. Foi um término tão unilateral quanto a chamada repentina de madrugada, mas Lee Chayoung não se sentiu mal. Pelo contrário, seus lábios se curvaram em um sorriso discreto. Parecia que, com aquela personalidade, Gyuha ficava envergonhado ao demonstrar preocupação.
Já que tinha acordado, Chayoung pesquisou o nome “Kang Yun-ha” no portal de busca. Como Gyuha disse, havia dezenas de matérias sobre o uso de drogas.
Ele não precisou procurar o vídeo da pessoa que fez a denúncia. Isso porque ele mesmo fora quem planejou e vazou tudo.
Chayoung percebera muito cedo que, em vez de agir de forma precoce ou ser tímido, era muito mais fácil fingir ser gentil e brilhante com todos. Descobriu também que era menos cansativo dar um pouco de vantagem aos outros e deixá-los satisfeitos do que ostentar o que tinha e criar inimigos desnecessários.
Essa forma de lidar com as pessoas não mudou quando ele cresceu. Especialmente depois de ganhar fama como ator, ele passou a manter uma distância segura enquanto fingia ser uma ótima pessoa.
Contudo, se alguém invadisse essa distância, a história mudava. Ele tolerava ciúmes infantis ou críticas bobas como se fossem gracinhas, mas, se alguém cruzasse a linha que ele mesmo estabelecera, ele não deixava passar em branco. Seu estilo era devolver o golpe dez, cem vezes pior do que o recebido.
Desta vez, Kang Yun-ha cruzou essa linha feio. Chayoung pensou em tratá-lo cordialmente por ele ser próximo de Gyuha, mas não imaginou que o desgraçado teria a audácia de colocar drogas em sua bebida. Como foi um estimulante de uso único, menos mal, mas só de pensar que sua carreira de ator poderia ter acabado por causa da estupidez daquele cara, ele não pôde ignorar.
Como era de conhecimento geral, a família de Chayoung era muito rica. Não eram apenas ricos; era uma família com contatos e poder, e sua mãe, embora estivesse menos ativa publicamente agora, ainda era uma atriz de renome inabalável. Portanto, bastava um pouco de esforço de qualquer lado para arruinar a vida de alguém. Especialmente de alguém que já vinha plantando o próprio carma.
De qualquer forma, ele já sabia que o vídeo da denúncia seria liberado hoje, mas o contato de Seo Gyuha foi inesperado. Chayoung sabia que Gyuha tinha uma personalidade mais seca do que parecia, chegando a ser indiferente aos outros… Por isso, o fato de ser ele o objeto da preocupação de Gyuha o deixou extremamente satisfeito. Por esse motivo, ele não se importaria de ter seu sono interrompido quantas vezes fossem necessárias.
Graças a isso, Lee Chayoung voltou a dormir com o coração leve. Tinha a sensação de que o ensaio fotográfico de amanhã renderia resultados muito mais satisfatórios do que o de hoje.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Desire BL`s
Ler Cachorro e Pássaro (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…
Nome alternativo: Perros Y Pajaros Cachorro E Pssaro Dog And Bird