Ler Cachorro e Pássaro (Novel) – Capítulo ↫─☫ Extra 31 Online


Modo Claro

Dog And Bird. AU — 03

#03

O estopim foi uma ligação telefônica repentina.

— Não era noite escura, foi em plena luz do dia, e vocês não conseguiram pegar um cara fugindo e o perderam? Não era nem noite escura…

Seo Gyuha, que chegara tarde em casa, estava empenhado em memorizar o roteiro. Ele deixava as emoções para depois, focando primeiro em repetir as falas várias vezes para que ficassem naturais na boca, quando ouviu o som distante do celular tocando. Lembrando que o deixara sobre a mesa ao chegar, ele se levantou e foi para a sala.

Ele trocava mensagens com várias pessoas com frequência, mas as pessoas que ligavam eram bem limitadas. Por isso, achou que seria um deles, mas o nome que apareceu na tela era inesperado.

— Ator Kang Yoon-ha — O que foi? Ligou errado?

Enquanto hesitava por um momento, o telefone continuava tocando.
Pensando “se não for nada, paciência”, Seo Gyuha apertou o botão de atender.

— Alô?
— Alô? Aqui é o Kang Yoon-ha, sênior.
— Ah, sim.

Antes que ele pudesse fazer as perguntas de praxe, Kang Yoon-ha continuou primeiro:

— Você está bem, não está? Então, é que no próximo sábado vai ser a minha festa de aniversário. Eu queria muito convidar você, sênior. Será que você tem tempo?

*Festa de aniversário?*

Para Seo Gyuha, aquilo soou um pouco estranho. Embora ainda tivesse o número dele salvo nos contatos, nunca tinham comemorado o aniversário um do outro nem tinham se convidado para festas até então.

— Bem… Preciso conferir minha agenda para saber…
— Então confira e me avise por mensagem. Vai ser em uma boate, então preciso ter uma ideia do número de pessoas.
Ah, o sênior Chayoung disse que também vai.

Ao ouvir o nome inesperado, Seo Gyuha estacou e perguntou, hesitante:

— É mesmo?
— Sim. Então, por favor, venha também. Não precisa se preocupar com presente.
— Ah, sim…?
— Então fico esperando sua mensagem.

A ligação terminou com aquela voz animada. Seo Gyuha massageou a nuca, que nem estava tensa. Sua expressão ao olhar para a tela ainda era de hesitação.

“O sênior Chayoung disse que também vai.” Aquelas palavras ficaram ecoando em sua cabeça. Em seguida, Seo Gyuha abriu o aplicativo de mensagens e começou a digitar. O destinatário era Lee Chayoung.

[Você decidiu ir à festa de aniversário do Yoon-ha?]

A mensagem foi escrita rapidamente. No entanto, pouco antes de apertar o botão de enviar, Seo Gyuha apagou todas as letras e desligou a tela.
É verdade que ele estava se importando cada vez mais com Lee Chayoung. Mas ele ainda não tinha dado uma resposta clara à confissão dele. Em termos simples, com quem ele se relacionava ou se continuava mantendo contato com Kang Yoon-ha não era assunto dele.

*…É verdade, mas.*

Ele ligou o telefone novamente e, desta vez, conferiu a agenda compartilhada. Havia uma gravação marcada para o próximo sábado, mas começava de manhã. Como festas de aniversário costumam ser à noite, ele poderia ir, a menos que a gravação atrasasse mais de meio dia.

[Eu vou, mesmo que seja um pouco tarde]

Após enviar a mensagem para Kang Yoon-ha, Seo Gyuha pegou o roteiro novamente.
Na verdade, como Kang Yoon-ha devia ter muitos conhecidos, não faria falta se ele não fosse, nem ele ficaria chateado. Mas, por algum motivo, um pequeno instinto o cutucava. Pensando que não fora convidado por serem próximos, achou que seria bom aparecer, mesmo que tarde.

***

*O quê? Era aqui?*
A boate onde seria a festa de Kang Yoon-ha era um lugar que Seo Gyuha conhecia bem. Na verdade, quando ouviu o nome, não pensou em nada, mas só ao chegar ao local percebeu que era um lugar muito familiar.

O segurança na entrada cumpria bem o seu dever.
Ao baixar levemente a máscara para mostrar o rosto e mencionar o nome de Kang Yoon-ha, ele, em contrapartida, perguntou o nome dele.
A entrada só foi permitida após ele se identificar.
Logo, outro brutamontes que fora chamado pelo rádio apareceu e gentilmente o guiou pelo caminho.

Como era de se esperar de uma boate, desde a entrada ouvia-se o som grave e pulsante da música eletrônica. Quando o funcionário puxou a porta acústica, um barulho ensurdecedor jorrou como se uma represa tivesse rompido. Seo Gyuha entrou franzindo a testa diante daquele ataque sonoro que chegava a doer os ouvidos.

A cena que se abriu diante dele era um pouco diferente de uma boate comum.
Por ter entrado por um andar acima do salão principal, ele conseguia ver de relance o DJ movendo as mãos com habilidade no palco do andar de baixo e as pessoas dançando loucamente ao redor.
Seo Gyuha também sabia bem que apenas portadores de cartões de membro podiam subir ao andar superior e que as salas individuais dispostas ao fundo eram exclusivas para membros VIP de alto nível. Em seguida, o funcionário que se virou falou em um tom mecânico, porém cortês:

— Exceto pelas salas privativas, pode aproveitar à vontade. Tenha um bom divertimento.

Então, ele voltou pelo caminho por onde veio, sem olhar para trás, como se tivesse cumprido sua missão. Seo Gyuha o observou por um momento e depois desviou o olhar, sentando-se em uma mesa vazia próxima. Ele cruzou as pernas de forma relaxada.

Não esperava entrar e nem ver o rosto do anfitrião, mas não se importou muito. Pelo visto, como ele alugou o andar superior inteiro, o número de convidados devia ser considerável; provavelmente ele faria uma saudação geral mais tarde, como um político em campanha. Quando o encontrasse, entregaria o presente e, já que estava ali, beberia o máximo de bebida grátis que pudesse e iria embora.

Em seguida, Seo Gyuha olhou ao redor sem muito interesse.
Ainda havia bastantes lugares vazios e, mesmo assim, a maioria das pessoas estava concentrada nas mesas do fundo. Condizente com o local, a moda e os acessórios deles eram todos fora do comum.

Ele pensou em se juntar a alguém se conhecesse, mas logo desistiu. A maioria eram rostos estranhos e os poucos juniores que conhecia já estavam imersos em suas próprias conversas.

*Será que eu tinha tão poucos conhecidos assim?* No momento em que estava prestes a cair em uma crise existencial inédita, sentiu um movimento perto da escada, como se alguém tivesse chegado. O rosto de Seo Gyuha iluminou-se ao olhar naquela direção sem pensar. A pessoa que subia com o segurança era ninguém menos que Lee Chayoung.

— Lee Chayoung! Aqui, aqui!

Sem perceber, ele o chamou em voz alta, tomado pela alegria. No início ele pareceu não ouvir e continuou andando para o lado oposto, mas logo parou e olhou para trás.

Seo Gyuha acenou com as duas mãos, fazendo o possível para ser notado. Ele nunca ficara tão feliz em ver Lee Chayoung, que se aproximava com passos firmes e um sorriso.
Logo, Lee Chayoung, sentado à sua frente, disse algo, mas o som estava baixo e ele não ouviu direito. “O quê?”, perguntou Seo Gyuha aproximando o ouvido, e Lee Chayoung também inclinou a cabeça para falar perto dele.

— Quando você chegou?
— Faz pouco tempo. Uns 5 minutos, talvez.

Bem na hora, o garçom se aproximou e colocou os pedidos sobre a mesa.

— Aqui está o combo de champanhe.
Quem estendeu a mão para a garrafa foi Seo Gyuha. Após servir Lee Chayoung e encher seu próprio copo, brindaram levemente.
Enquanto mastigava as frutas servidas como petisco, Seo Gyuha inclinou a cabeça novamente e perguntou a Lee Chayoung:

— Você trouxe presente?
— Sim.
— O que comprou?
— Comprei uma garrafa de uísque.

Seo Gyuha arregalou levemente os olhos e logo deu um sorriso satisfeito. Realmente, as pessoas pensam de forma parecida.

— Eu também.
— Sério? Você também comprou bebida, Gyuha?
— É. Vão achar que a gente combinou.
— O quê?
— Vão achar que a gente combinou.
— É verdade.

Ao ver aquele rosto rindo abertamente, Seo Gyuha sentiu o coração palpitar levemente por um instante. Não era aquele mal-estar de quem bebeu demais ou estava com indigestão, era claramente uma sensação próxima a um batimento acelerado.
Um calor sutil subiu ao seu rosto. Dava para ele mesmo sentir, mas era uma sorte poder escondê-lo graças à iluminação intermitente e escura.
De qualquer forma, como o horário era incerto e ele viera sem jantar, sentiu fome. Como era óbvio que os petiscos da boate não matariam sua fome, Seo Gyuha abriu a boca novamente. Como o ambiente continuava barulhento, eles acabavam trocando sussurros ao pé do ouvido involuntariamente.

— Quer ir comer um udon depois de sair daqui? Tem um lugar muito bom por perto que abre 24 horas.
— Com certeza.

Enquanto isso, houve uma mudança notável ao redor deles.
Os lugares que estavam bem vazios agora estavam consideravelmente preenchidos.
Tomado por uma curiosidade repentina, Seo Gyuha falou com Lee Chayoung novamente.

— Você também faz festas grandes assim no seu aniversário?
— Não. Só um jantar com os amigos mais próximos.
— Hein, sério? Achei que teria muita gente querendo comemorar com você.
— Muita gente me dá os parabéns, sim.

Pois é. Eu já imaginava.

— E você, Gyuha?
— Eu também. Janto com a família e amigos, e faço um *fan meeting* no fim de semana.
— Acho que seus *fan meetings* devem ser bem divertidos.
— …Isso é um elogio?
— Com certeza.

Ele não sabia dizer se o sorriso dele era sincero ou se ele o estava provocando com aquela cara. No momento em que lançava um olhar desconfiado, de repente ouviu-se um grande alvoroço e aplausos. Curioso, olhou ao redor e viu que o protagonista e anfitrião do dia finalmente fizera sua aparição.
A beleza de Kang Yoon-ha continuava a mesma hoje. Não sabia se era peruca ou tingido, mas o cabelo loiro platinado impecável, os acessórios brilhando sob a luz e a camisa azul-claro com os botões ousadamente abertos caíam muito bem nele.
Ao chegar mais perto, viu que ele usava calças de material semelhante a couro, bem ajustadas ao corpo. Era um figurino que Seo Gyuha não usaria nem se morresse e nascesse de novo.
Como uma celebridade — ou melhor, por ser uma celebridade — Kang Yoon-ha cumprimentava as pessoas aqui e ali com *high fives* até que finalmente notou a mesa onde Seo Gyuha estava sentado. Seus olhos se arregalaram e ele se aproximou rapidamente com um sorriso radiante. No entanto, quem ele saudou não foi Seo Gyuha.

— Sêniores, vocês vieram?

Ele disse “sêniores”, mas seu olhar estava voltado apenas para Lee Chayoung.

— Obrigado por virem! Eu pedi para levarem vocês para a sala privativa, por que estão aqui? Achei que não tivessem vindo.
— Este lugar também é bom. Feliz aniversário, Yoon-ha.
— Uau, obrigado.

Como já estava com as mãos cheias de sacolas de compras, Kang Yoon-ha recebeu o presente com dificuldade enquanto continuava a falar.

— Sênior, vou apresentar meus amigos que estão na sala privativa para você. Os membros do Mocca Choco também estão lá.
— Está tudo bem. Vou embora daqui a pouco.
— Ah, qual é, você veio até aqui, seria uma pena ir embora cedo. Todos dizem ser seus fãs, não pode só dar um oi rápido?

Não parecia ser apenas uma cortesia; Kang Yoon-ha foi bastante persistente. Como o aniversariante insistia, Lee Chayoung decidiu dar uma passada rápida, já que seria indelicado recusar.

— Quer ir junto?
— Não. Prefiro beber sozinho.

Olhando para o rosto de Seo Gyuha, não parecia ser apenas uma frase feita. Por fim, Lee Chayoung disse que “voltaria logo” e levantou-se.

— Vamos, sênior.

Antes mesmo de começarem a andar, Kang Yoon-ha entrelaçou o braço no dele repentinamente. Lee Chayoung hesitou diante da ação inesperada, mas pensou que era apenas a empolgação do momento e seguiu sem dizer nada, sendo guiado por ele.
Ao chegar na frente da sala privativa, Kang Yoon-ha abriu a porta com força e anunciou triunfante:

— Ei, eu trouxe o sênior Chayoung!
— (Kyaa, inacreditável!)
— Olá, sênior.
— Olá.

Diante das saudações vindas de todos os lados, Lee Chayoung respondeu com uma leve reverência. Apesar da iluminação fraca, os amigos de Kang Yoon-ha também ostentavam aparências exuberantes. Ser o centro de tantos olhares poderia ser desconfortável, mas Lee Chayoung não se importou muito.
Agora ele percebia que, embora não soubesse os nomes, havia ali membros de grupos de ídolos famosos cujos rostos eram muito familiares. Não sabia se era verdade que havia fãs seus ali, mas pensou em tomar apenas um copo de bebida em consideração a Kang Yoon-ha e sair.
No entanto, assim que ele se sentou, alguém tocou suas costas.

— Sente-se ao lado do Yoon-ha, sênior.

Lee Chayoung sentiu um leve desconforto com aquela atitude quase empurrada, mas não demonstrou e entrou um pouco mais. Quando ele finalmente sentou-se ao lado de Kang Yoon-ha, as pessoas ao redor soltaram exclamações sem motivo aparente.

— Parem de barulho e fiquem quietos.

Kang Yoon-ha repreendeu os amigos em tom de brincadeira e logo pegou a garrafa de uísque que estava sobre a mesa.

— Aceite um copo, sênior.
— Ah, sim.

Lee Chayoung também quis encher o copo dele, mas viu que ainda havia mais da metade da bebida. Kang Yoon-ha apenas adicionou mais uns dois cubos de gelo, ergueu o copo e sorriu radiante.

— Nesta sala, tem que ser *virar de uma vez*.

Ele pensou: *E o que é essa bebida que sobrou no seu copo então?*, mas como não valia a pena discutir detalhes, bebeu em silêncio. Mal ele colocou o copo vazio na mesa, o homem sentado à sua esquerda, que parecia estar esperando, encheu o copo dele novamente.

— Aceite a minha bebida também, sênior. Sou muito seu fã.
— Obrigado.

Lee Chayoung brindou levemente com ele também e virou os copos sucessivamente. Embora a diferença de idade entre ele e as pessoas ali provavelmente não fosse grande, ele percebeu de imediato que havia um distanciamento em termos de vocabulário e vestimenta. Ele achou que já tinha feito as honras para Kang Yoon-ha, então planejava levantar-se após terminar o copo que estava bebendo agora.
No entanto, naquele momento, uma cena inesperada desenrolou-se diante de seus olhos. O casal sentado à direita já estava namoriscando e cochichando abertamente há algum tempo e, finalmente, a mulher abraçou o pescoço do homem e selou seus lábios.

Apenas Lee Chayoung ficou rígido. Eles não apenas entrelaçavam as línguas, mas chegaram a se tocar de forma explícita, e ninguém tentava impedi-los; apenas jogavam frases brincalhonas.

— Se for para fazer isso, aluguem um quarto de motel, seus idiotas.
— Porra, é bom que a gente vê de graça. Ou quer que eu te morda também?
— Você não faz o meu tipo.

O rosto de Lee Chayoung continuava rígido. Não era por ele ser ingênuo ou por nunca ter visto uma cena digna de filme pornô diante de seus olhos.
Como alguém inserido no mundo do entretenimento, ele sabia muito bem quão sujo as coisas podiam se tornar quando grandes capitais e poder estavam envolvidos. Mesmo assim, ele franziu o cenho porque nunca imaginou que veria algo assim na festa de aniversário de um junior com quem nem tinha tanta intimidade.

— Desculpe. Eles sempre brincam assim. Mas…

Ele ouviu Kang Yoon-ha tagarelando algo. No entanto, Lee Chayoung não conseguiu prestar atenção nas palavras dele.
Teve a sensação de que seu corpo estava um pouco estranho.
Era como se a embriaguez tivesse se espalhado de uma vez; sua visão estava confusa, seu pulso batia aceleradamente e seus lábios estavam secos. O maior problema de todos era o fato de o centro de seu corpo latejar de forma repentina e sem motivo.

Como se fosse atraído, ele baixou o olhar e viu que não era ilusão. Sem motivo aparente para estar excitado agora, a menos que estivesse louco, havia uma protuberância nitidamente visível ali.

*O que é isso? Será que…*

Logo, um rosto terrivelmente enfurecido voltou-se para Kang Yoon-ha. Uma voz ainda mais feroz saiu da boca de Lee Chayoung:

— O que você colocou na bebida?
— O quê?
— Estou perguntando o que você colocou na bebida.
— Nada, por que eu faria uma coisa dessas?

Kang Yoon-ha balançou as mãos com uma expressão de surpresa absoluta. Mas Lee Chayoung não conseguia afastar a suspeita. Se não tivesse colocado algo na bebida, não fazia sentido ele ficar assim tão de repente, logo após terminar os copos.

— É a última chance. Diga a verdade.
— Não foi nada, sério.

Kang Yoon-ha continuava negando, mas Lee Chayoung percebeu a mudança sutil em sua expressão. O olhar que o observava fixamente, com segundas intenções, parecia o de um predador observando sua presa presa na teia.

*Porra. Vou passar por isso logo aqui?* Ele nem conseguia rir da ironia. Logo, Lee Chayoung tentou levantar-se, rangendo os dentes. No entanto, sua visão girou no mesmo instante, fazendo-o vacilar e cair sentado novamente.
Fosse como fosse, ninguém perguntava a Kang Yoon-ha o que estava acontecendo nem se preocupava com o bem-estar de Lee Chayoung. Pelo contrário, o homem que lhe servira a segunda bebida soltou uma risadinha e sentou-se bem longe, do lado oposto, mantendo distância. Como se indicasse que o espaço seria usado.

— Merda…

Enquanto isso, o estado de Lee Chayoung tornou-se ainda mais grave. Ele viera tendo tomado o inibidor de percepção de feromônios, considerando que o encontro seria em uma boate. No entanto, por algum motivo, os feromônios misturados dentro da sala privativa começaram a ser sentidos gradualmente, e seu corpo não respondia mais como ele queria.

Seu baixo ventre latejava insuportavelmente diante dos feromônios de Ômegas misturados entre os feromônios de Alfas repugnantes. Ele ainda mantinha a razão, mas sentia que, por pouco, também acabaria liberando seus feromônios.
Naquele instante, sua visão escureceu novamente. Um feromônio de Ômega intenso emanou bem ao seu lado.
O dono do feromônio era Kang Yoon-ha. Como o efeito da droga ainda não o atingira, Kang Yoon-ha estava bem relaxado.
Seu olhar explorava explicitamente a parte frontal das calças de Lee Chayoung. Só de ver o centro ereto, seu corpo se incendiou.
Pensando que logo poderia devorar aquilo, ele lambeu os lábios, abraçou o pescoço de Lee Chayoung e sentou-se em seu colo. No entanto, antes mesmo de se encostarem direito, ele foi empurrado com uma força descomunal e caiu de forma patética no chão.

*Crash!*

Com o barulho estrondoso, os olhares de todos se concentraram nele. O rosto de Kang Yoon-ha corou de vergonha e sua expressão mudou drasticamente. Resmungando um palavrão baixo, ele se levantou e deu a ordem de expulsão:

— Saiam todos.
— …….
— Porra, eu disse para saírem todos!
— Essa louca está surtando de novo. Ei, vamos sair.

Os amigos, que conheciam bem o temperamento dele, saíram obedientemente, embora lamentassem perder o espetáculo.
Apenas os dois ficaram na sala privativa. Kang Yoon-ha passou a mão pelo cabelo uma vez e revelou a verdade com um sorriso de superioridade, como se dissesse “o que você vai fazer agora?”:

— Desista. Até um boi ficaria no cio e enlouqueceria se tomasse isso.

Como esperado, Lee Chayoung rangeu os dentes.
A sensação de humilhação por ter sido enganado e o fato de se sentir um idiota por ter caído em uma armadilha tão fútil eram insuportáveis.
Além disso, ele teve a certeza de que seu instinto não falhara. Kang Yoon-ha parecia sorridente e animado, mas ele percebera de relance que ele era alguém de má índole.
Mesmo assim, o motivo de ele ter vindo até aqui fora Seo Gyuha. Porque eles pareciam bem próximos. Porque ele sabia que ele enviara um carrinho de café e que os dois jantaram sozinhos.
Ele não sabia explicar exatamente, mas sentia um certo receio em deixar Seo Gyuha vir sozinho e também queria ver o rosto dele. Mas nunca imaginou que cairia em uma armadilha de forma tão patética.
As veias saltaram em seu pescoço devido à fúria. No entanto, a realidade era de uma impotência total. Sem que ele fizesse nada, sua respiração tornou-se ofegante e parecia que sua sanidade ia se romper a qualquer momento. Enquanto isso, Kang Yoon-ha continuava tagarelando.

— Mas não se preocupe, é algo limpo. Depois de gozar algumas vezes, é expelido naturalmente e não deixa sequelas nem causa vício. É verdade.

O rosto de Lee Chayoung ficou ainda mais distorcido. Ele sentia repulsa pelos feromônios que Kang Yoon-ha exalava explicitamente, mas seu corpo não sentia o mesmo. O pensamento de que queria virá-lo e possuí-lo ali mesmo tornava-se cada vez mais forte.
No entanto, por enquanto, a raiva e a repulsa ainda eram maiores que o desejo sexual. Antes que a prioridade entre esses dois sentimentos mudasse, ele precisava sair dali de qualquer jeito.

No mesmo horário, Seo Gyuha também se viu em uma situação inesperadamente complicada. Pouco depois de Lee Chayoung se ausentar, um homem aproximou-se e propôs que se sentassem juntos.

— Se houver lugar, posso me sentar? Sou conhecido do Yoon-ha, mas cheguei tarde e não há mais mesas.
— Sim. Pode sentar.

Seo Gyuha respondeu de forma indiferente, sem hesitar. Ele também não estava ali como um cliente comum da boate para ter o direito de monopolizar a mesa.
O homem também chamou um garçom e pediu bebida. Depois, dirigiu-se a Seo Gyuha com cautela novamente:

— Você é o ator Seo Gyuha, certo?
— Sim.
— Você é ainda mais bonito pessoalmente. Assisti “Monopólio” há pouco tempo e gostei muito.
— Obrigado.

Embora o filme tivesse sido lançado há bastante tempo e pudesse ser apenas um elogio vazio, era bom ouvir palavras agradáveis ditas com os olhos brilhando. Além disso, o homem era extremamente sociável.
Mesmo sabendo que ele era um ator, o homem não agiu de forma exagerada nem ficou intimidado, mantendo uma conversa fluida.
Além disso, ele lançava piadas espirituosas que arrancavam risadas naturais.

*Será que é por ele ser um Ômega?*

Assim que viu a aparência do outro há pouco, Seo Gyuha percebeu instintivamente que ele era um Ômega masculino como ele. Ômegas masculinos geralmente têm um porte físico mais magro e rostos delicados e, embora não desse para explicar logicamente, tinham uma aura peculiar. O fato de as pessoas pensarem que Seo Gyuha era obviamente um Beta devia-se em grande parte ao seu físico robusto e à sua estatura elevada, nada comuns para um Ômega.
De qualquer forma, Seo Gyuha achou que trocaria apenas algumas palavras triviais com aquele homem simpático até que Lee Chayoung voltasse. No entanto, após esvaziar um copo grande, o homem teve uma atitude inesperada. Ele tocou levemente as costas da mão de Seo Gyuha, que estava apoiada displicentemente na mesa, como se fizesse um carinho sutil, e exibiu um sorriso sugestivo. O que ele disse em seguida foi ainda mais absurdo:

— Quer ir para uma sala privativa comigo? Eu sou bom nisso.

Seo Gyuha franziu levemente a testa, incomodado. Como alguém que viveu praticamente como um residente fixo de boates no passado, ele entendeu de imediato a intenção por trás daquelas palavras.

— Desculpe, mas eu não faço com Ômegas.
— Você já tentou?
— Não.

Sua expressão demonstrou ainda mais desagrado. Se até pouco tempo atrás Alfas já eram extremamente desconfortáveis, envolver-se com alguém da mesma natureza que a sua era algo que, sinceramente, lhe dava arrepios só de imaginar. Mas o homem diante dele parecia já ter sido rejeitado pelo mesmo motivo muitas vezes, pois não ficou constrangido e, pelo contrário, tentou convencer Seo Gyuha:

— Então que tal aproveitar esta oportunidade para tentar? Pode fechar os olhos e imaginar que é outra pessoa.

Sua atitude tornou-se ainda mais ousada. Com razão ele não se sentara à frente, mas sim ao lado; ao sentir a mão tocando sua coxa sem permissão, Seo Gyuha finalmente afastou a mão dele e levantou-se.

— Procure em outro lugar.
— Gyuha!

O nome sendo chamado com urgência não era problema dele. Seo Gyuha saiu do salão principal do andar de baixo carregando um desconforto inesperado. Embora o som das batidas que atravessava a porta acústica ainda ecoasse pelo corredor longo e escuro, o nível de ruído era menos da metade do que havia lá dentro.

*Ah, verdade.*

Com o rosto rígido, ele caminhava a passos largos quando, de repente, lembrou-se da existência de Lee Chayoung e ligou para ele. Ele queria comer o udon picante conforme o combinado e tomar um soju para relaxar.

*Trrr- Trrr-*

No entanto, ele não conseguiu ouvir a voz do outro. Mesmo ligando de novo imediatamente, foi a mesma coisa.

*Ele planeja ficar plantado lá?*

Pensando em tentar uma última vez e ir embora se ele não atendesse, Seo Gyuha levou o celular ao ouvido novamente. Felizmente, desta vez a ligação foi completada.

— Alô…
— Gyuha. Chame a polícia agora…
— ? Alô?

Antes que pudesse terminar a frase, a ligação foi interrompida abruptamente. Como não houve mais nada, ele conferiu a tela e viu que a chamada já tinha sido encerrada.
Nesse instante, um mau pressentimento atravessou sua mente. Se ele ouviu direito, Lee Chayoung mencionara claramente a polícia agora pouco. Mesmo que tivesse ouvido errado, o desconforto permanecia o mesmo. Diferente do normal, ele sentira uma urgência na voz dele.
A quarta ligação, feita às pressas, também não foi atendida.
Enquanto hesitava sobre o que fazer, Seo Gyuha parou um funcionário que passava por perto e perguntou:

— Com licença, você sabe onde está o Lee Chayoung… quer dizer, o Kang Yoon-ha?
— Perdão?
— Estou perguntando onde está o Kang Yoon-ha. O cara que alugou o andar superior inteiro.
— Ah, sinto muito, mas eu não sei.

Foi uma desculpa excelente, como se ele realmente não soubesse, mas Seo Gyuha não podia ser enganado mesmo que quisesse. Estava claro que, desde o momento em que Kang Yoon-ha apareceu ali hoje, todos os funcionários sabiam em qual sala ele estava e o que estava fazendo.
Embora aquela cara de pau fosse irritante, Seo Gyuha não se exaltou e rebateu com improviso:

— Eu vim convidado pelo Kang Yoon-ha e acabei de falar com ele por telefone. Ele disse que está se divertindo com os membros do Mocca Choco e com o ator Lee Chayoung. Mas ele não me disse o número da sala privativa e, quando tentei ligar de novo, ele não atende, por isso estou perguntando para você.
— …….

Mesmo depois de ele ter dito tudo aquilo, o brutamontes teimoso continuava hesitante e não abria a boca facilmente. Sua vontade era de pegá-lo pelo colarinho, mas como não seria bom causar confusão, ele optou por outro método, relutantemente. Ele pegou o celular e ligou para alguém novamente.

— Sou eu. Preciso te pedir um favor.

Graças àquela ligação, o problema foi resolvido rapidamente. Outro brutamontes, de aparência mais madura e usando terno, apareceu em menos de um minuto e, curvando-se levemente para Seo Gyuha, falou:

— Eu o conduzirei.

O homem que ia à frente não abriu a porta acústica, mas sim uma porta pequena ao lado. Após subir usando o elevador exclusivo para membros VVIP, que só funcionava com cartão de acesso, ele parou diante da sala mais reservada entre todas as salas privativas.

— É aqui.
— Não vá embora, espere um pouco. Vou sair logo.

Assim que terminou de falar, Seo Gyuha abriu a porta da sala privativa com audácia. No entanto, logo em seguida, ele franziu a testa e recuou um passo.
Assim que abriu a porta, sentiu a pele formigar como se tivesse sido exposta a algum componente químico. Ele sabia a origem daquele formigamento sem precisar olhar. Era óbvio que os feromônios de várias pessoas estavam misturados no ar como uma névoa.
Contudo, havia apenas duas pessoas no recinto. Lee Chayoung estava sentado no sofá e Kang Yoon-ha estava de pé diante dele, como se o estivesse confrontando. Kang Yoon-ha soltou uma voz irritada diante da intrusão do penetra:

— Porra, o que é isso?

Sua expressão era uma mistura de irritação e vigilância, mas Seo Gyuha não se importou e entrou decididamente na sala. Parecia claro que o estado de Lee Chayoung estava estranho.

— Você está louco? Saia daqui agora.
— Dá licença um pouco.

Empurrando o ombro de Kang Yoon-ha, que bloqueava o caminho, Seo Gyuha parou diante de Lee Chayoung.

— Você está bem?

De perto, o rosto dele estava ainda pior. Ele estava coberto de suor frio sem que estivesse calor e, acima de tudo, a parte inferior do seu corpo estava nitidamente protuberante. Seo Gyuha tentou socorrê-lo apressadamente, mas Kang Yoon-ha afastou sua mão bruscamente e meteu-se entre os dois.

— Se entrou na sala errada, saia de fininho. Não passe vergonha à toa.

As pupilas de Seo Gyuha escureceram. A expressão de Kang Yoon-ha era de um desprezo como se estivesse olhando para um inseto. Sua voz também demonstrava irritação.

— Se manque. Tenha noção da situação antes de fazer papel de ridículo. — Ele soltou uma risada de deboche e acrescentou com tom de superioridade: — Não se preocupe com o sênior Chayoung. Eu…
— Lee Chayoung!

Naquele momento, Lee Chayoung deixou a cabeça pender e soltou um suspiro pesado e sôfrego. O coração de Seo Gyuha disparou ao ver aquela cena; ele empurrou Kang Yunha mais uma vez e ajoelhou-se diante de Lee Chayoung. Em seguida, envolveu as bochechas dele com as duas mãos, quase como se desse um tapa de leve, forçando-o a encará-lo nos olhos.

— Você está bem? Tente recobrar o juízo!

— …

— Lee Chayoung!

Quando ele gritou como se desse uma bronca, as pupilas de Lee Chayoung se moveram. Por um breve instante, seus olhos pareceram clarear e ele murmurou baixinho:

— Gyuha…

Ouvir o próprio nome o deixou um pouco mais aliviado. Ele segurou os braços de Lee Chayoung para ajudá-lo a levantar, mas, de repente, ouviu-se um barulho alto de algo quebrando atrás de si. Surpreso, ele se virou e viu o funcionário que havia ordenado que esperasse na porta já parado às suas costas.

— Eu o impedi, pois ele tentou golpeá-lo com uma garrafa de bebida.

O objeto omitido na frase era óbvio. Ao olhar um pouco mais para trás, viu Kang Yunha estirado no chão, com os restos de uma garrafa quebrada espalhados ao seu lado.

— …Argh.

Desgraçado louco, ele realmente não desiste.

A situação era tão absurda que uma risada seca escapou de seus lábios. Seo Gyuha então olhou para o funcionário e pediu:

— Por favor, segure esse cara até sairmos. E cuide da limpeza também.

— Sim, entendido.

Kang Yunha, que gemia caído no chão, tentou se levantar com dificuldade. No entanto, como havia batido o traseiro com força, não era fácil ficar de pé. Ele direcionou sua fúria ao funcionário com os olhos injetados de sangue.

— Ei, seu filho da puta! Levou um tiro na cabeça? Não está vendo o que está acontecendo?

— …

— Se não quiser ser demitido, agora mesmo…

As palavras pararam de sair da boca tagarela de Kang Yunha. Seo Gyuha se aproximou, dobrou os joelhos e o encarou de perto. Sob a iluminação fraca, suas pupilas brilhantes pareciam de algum modo assustadoras.

Naquele momento, Kang Yunha sentiu um déjà vu. Era verdade que ele tinha visto um filme em que Gyuha atuava. Nem lembrava o título, mas a imagem do assassino que o homem à sua frente interpretara no filme parecia se sobrepor à sua aparência atual.

— Por acaso você não ouviu os boatos? — Graças a isso, as palavras dele finalmente chegaram aos seus ouvidos. — De que o pai de Seo Gyuha é um gângster famoso.

— …!

— Você acha que é só um boato?

— …

— Bem, pense o que quiser. Para sua informação, este clube é administrado pelo meu irmão mais velho, que é coproprietário. Aproveite para ficar sabendo disso também.

— …

— Nosso precioso cliente VIP. Continue contribuindo bastante para o faturamento daqui no futuro.

Com um sorriso sarcástico, ele deu tapinhas leves no rosto de Kang Yunha e se levantou. Ele tentou amparar Lee Chayoung, que ainda respirava com dificuldade, mas acabou decidindo carregá-lo nas costas.

— Eu farei isso — disse o funcionário.

— Esqueça, apenas cubra o rosto dele. — Haveria muita gente assim que saíssem da sala, e não seria nada bom se surgissem boatos de que Lee Chayoung saiu sendo carregado. Ao apontar para Lee Chayoung com o queixo, o funcionário robusto tirou o paletó preto sem hesitar. Ele cobriu o rosto de Lee Chayoung com a peça e os acompanhou até o elevador. Ao abrir a porta do elevador com o cartão magnético, o funcionário demonstrou bom senso mais uma vez.

— Gostaria que eu os levasse até em casa?

— Pode ser?

— Vou perguntar ao proprietário. — O funcionário fez uma ligação rápida e, após receber permissão, desceram juntos para o estacionamento subterrâneo. Ele abriu a porta do banco de trás do carro. Seo Gyuha acomodou Lee Chayoung primeiro, deu a volta e entrou pelo outro lado.

— Ufa.

Como Lee Chayoung tinha um porte físico grande, as costas de Gyuha estavam encharcadas de suor. Ele balançou a gola da roupa para se refrescar, mas logo se deu conta e observou a fisionomia de Lee Chayoung.

— Você está bem?… Eles te deram drogas, não foi?

— Eu bebi sem saber que tinham colocado algo na bebida.

— Argh, aquele desgraçado psicopata, sério.

— …Desculpe.

Diante do pedido de desculpas repentino, Seo Gyuha percebeu que poderia ter sido mal interpretado e apressou-se em negar.

— Não estava falando de você, mas daquele merda do Kang Yunha. — Ninguém ignorava que o uso de estimulantes ou afrodisíacos era ilegal, mas em clubes era mais difícil encontrar quem não os usasse. Mesmo que alguém decidisse se drogar por conta própria, administrar substâncias à força era um ato imperdoável.

— Para onde devo levá-los? — perguntou o funcionário ao volante no momento certo. No entanto, Seo Gyuha não pôde responder de imediato.

— Um momento, por favor.

Naturalmente, o correto seria levá-lo ao hospital, mas havia um problema. O fato de a vítima ser Lee Chayoung. Mais especificamente, o problema era que ele era um ator que qualquer coreano conhecia.

Recentemente, até boatos de uso de drogas por um idol qualquer se tornaram um assunto bombástico; imagine então se Lee Chayoung se envolvesse em um escândalo relacionado a entorpecentes?

Era óbvio o que aconteceria. O fato de ele ter sido uma vítima seria completamente ignorado, e apenas a “verdade” de que Lee Chayoung usou drogas se espalharia, causando uma tempestade devastadora.

— O hospital…

Apesar disso, quando ele começou a falar cautelosamente, Lee Chayoung gritou com determinação antes que ele terminasse:

— De jeito nenhum. Não entre em contato nem com o meu empresário.

Se Seo Gyuha sabia disso, Lee Chayoung também sabia.

Ele sabia que havia hospitais conveniados com a agência e que havia cláusulas contratuais que garantiam o sigilo absoluto dos registros médicos. No entanto, deixar qualquer registro de uso de estimulantes, fosse por erro ou não, era um risco grande demais. Boatos podem vazar a qualquer momento e em qualquer lugar; por mais que se tente silenciar as pessoas, se alguém deixasse escapar algo em um momento de bebedeira, seria o fim.

Se fosse apenas para ele se arruinar sozinho, ainda vá lá, mas havia muitas relações profissionais envolvidas. A agência com a qual trabalhava há anos, vários contratos de publicidade com longo tempo de vigência, programas de TV prestes a estrear, dramas em fase de gravação… se uma notícia estourasse, muitas empresas seriam prejudicadas por causa dele.

Pela mesma razão, ele não queria chamar o empresário. Lee Chayoung continuou a falar com dificuldade, recuperando o fôlego:

— Pode me levar direto para casa. E… sinto muito, mas poderia me deixar ir sozinho?

Embora tentasse manter a expressão calma, seu corpo impregnado de afrodisíacos era como uma bomba-relógio. Devido à excitação extrema sem válvula de escape, o suor escorria como chuva, e o líquido pré-ejaculatório molhava suas roupas, enquanto seu pênis ereto parecia prestes a rasgar a calça.

Não, o fato de ele achar que estava com uma expressão calma talvez fosse um delírio. Sem saber se estava sorrindo ou franzindo o cenho, seu único pensamento era o desejo de penetrar o buraco de alguém agora mesmo.

E, naquela situação, havia uma presa excelente bem diante de seus olhos. Ele já tinha tido relações sexuais com Seo Gyuha e sabia perfeitamente o quão satisfatório era o sexo com ele.

Antes de cometer um erro irreversível com ele, Lee Chayoung reuniu o que restava de sua racionalidade e implorou:

— Saia logo… por favor. — Por fim, ele desabou, batendo a cabeça contra o encosto do banco da frente. Ao ver aquilo, Seo Gyuha inclinou o corpo para frente e disse ao funcionário sem hesitar:

— Por favor, vá para o Apartamento XX em XX-dong. E, por favor, remova o cartão de memória da câmera de bordo.

O funcionário leal agiu imediatamente, sem fazer perguntas. Para ele, que entregou o cartão de memória, Seo Gyuha fez mais um pedido:

— De agora em diante, finja que não sabe o que acontece no banco de trás.

— Sim. Não existe banco de trás neste carro.

Só então Seo Gyuha se sentiu aliviado e recostou-se. Em seguida, estendeu a mão para a parte inferior do corpo de Lee Chayoung, que enrijeceu assim que foi tocado.

— Está tudo bem. Não precisa segurar, pode gozar.

Ele moveu a mão um pouco mais, abriu o zíper da calça com um ruído e deslizou a mão por dentro. Ao segurar o membro, sentiu que já estava bem molhado.

Graças a isso, o movimento foi fácil. Mesmo apenas movendo a mão para cima e para baixo, sem nenhuma técnica especial, não demorou muito para que Lee Chayoung expelisse o sêmen.

— Haa, haa…

Lee Chayoung ainda mantinha o rosto enterrado nos braços apoiados no encosto. Cada vez que ele respirava fundo, os músculos de suas costas sob a roupa se contraíam como se estivessem vivos.

Seo Gyuha, embora apenas movesse a mão na genitália dele, teve a ilusão de que sua própria respiração estava ficando ofegante. O motivo era óbvio. Provavelmente, feromônios que escapavam do controle de Lee Chayoung estavam se espalhando por todo o carro.

Seo Gyuha ficou impressionado internamente. Por precaução, ele havia tomado um inibidor de detecção de feromônios ao sair de casa, e o efeito deveria durar de seis a doze horas. Portanto, cronologicamente, era normal que ele não sentisse nada mesmo que Lee Chayoung o marcasse abertamente com feromônios, mas o fato de continuar sentindo a pele arrepiada era uma sensação estranha.

O que era ainda mais surpreendente era o autocontrole de Lee Chayoung.

Ele já havia molhado sua mão umas três ou quatro vezes, e mesmo assim o membro de Lee Chayoung continuava firme. Naquela altura, seria de se esperar que ele perdesse a cabeça e tentasse uma relação forçada, mas Lee Chayoung nem sequer levantou a cabeça, apesar das veias saltadas em seu pescoço.

— Chegamos.

Ao olhar pela janela, ele viu uma paisagem familiar. Seo Gyuha agradeceu e levou a mão à maçaneta. Ele limpou a mão esquerda encharcada na própria calça como se não fosse nada e, como antes, deu a volta e abriu a porta do outro lado.

— Consegue descer?

Lee Chayoung continuava apenas respirando pesadamente. Parecia que ele não conseguia ouvir as palavras, então Seo Gyuha abaixou-se e falou mais de perto:

— Vamos subir. Já estamos em casa.

Enquanto falava, ele puxou o braço firme dele. No momento em que Lee Chayoung finalmente levantou a cabeça e seus olhos se cruzaram, Seo Gyuha se assustou involuntariamente. Sob a luz do poste, viu que as pupilas dele tinham um brilho avermelhado.

— Gyuha…

A voz de Lee Chayoung o despertou do transe de susto. Graças a isso, Seo Gyuha recuperou os sentidos e o amparou para que saísse do carro.

Após cobrir a parte inferior desajeitada dele com o casaco, Seo Gyuha entrou no prédio. Por sorte, era noite e não cruzaram com ninguém.

O corredor que apareceu após o elevador também estava silencioso. Seo Gyuha, mantendo-se firme ao segurar Lee Chayoung, digitou rapidamente a senha na fechadura eletrônica.

*Bip, bip, bip, bip — Click.*

— Entre lo… Mmmph!

Os olhos de Seo Gyuha se arregalaram de choque. Assim que a porta se abriu, Lee Chayoung mudou drasticamente e avançou sobre ele como se fosse devorá-lo.

Seo Gyuha se surpreendeu com a língua que invadiu sua boca sem dizer uma palavra, mas, em vez de empurrá-lo, envolveu as costas dele em sinal de permissão. Ele ficou aliviado ao ouvir o som da porta da frente se fechando corretamente.

O beijo que Lee Chayoung despejava era tão bruto quanto sua excitação. Após se enredarem por um longo tempo, quando os lábios finalmente se separaram, o contorno da boca de Seo Gyuha estava todo molhado de saliva.

Ignorando isso, Lee Chayoung avançou novamente e enterrou os lábios no pescoço de Seo Gyuha. Seo Gyuha, que ainda mantinha um pouco de razão, apressou-se em dizer, como se o estivesse acalmando:

— Acalme-se um pouco. Vamos para o quarto.

Duvidando que ele pudesse entender, Seo Gyuha segurou o pulso de Lee Chayoung e seguiu para o quarto. Mal abriu a porta e a mesma coisa se repetiu. Não sabia o motivo exato, mas Lee Chayoung parecia ainda mais excitado e buscou os lábios de Seo Gyuha novamente.

— Haa, haa…

Quando finalmente conseguiu respirar direito, Seo Gyuha já estava deitado na cama. Ao encarar Lee Chayoung, que estava sobre ele, sentiu seu coração pulsar acelerado.

As pupilas dele estavam mais vermelhas do que antes, e seu porte físico robusto era intimidador. Ao pensar que feromônios Alfa estavam emanando do corpo dele, seu próprio membro latejou involuntariamente.

Seo Gyuha o deteve rapidamente quando ele tentou se aproximar de novo.

— A rou… tire a roupa.

Ele achou que ele avançaria de qualquer jeito, mas surpreendentemente suas palavras surtiram efeito. Murmurando “roupa” baixinho, Lee Chayoung levou as mãos aos botões da própria camisa.

Ao ver os botões sendo desfeitos um a um, Seo Gyuha engoliu em seco sem perceber. Tinha dito aquilo para ganhar tempo e respirar, mas acabou tendo um banquete para os olhos. No início, Lee Chayoung desabotoou corretamente, mas logo pareceu impaciente e arrancou a camisa com força. Diante daquela nudez, Seo Gyuha sentiu sua garganta secar novamente.

— Você também, tire.

Ao dizer isso, quem moveu as mãos primeiro foi Lee Chayoung. Ele removeu a blusa de gola alta de Seo Gyuha e puxou a calça dele para baixo com ousadia, como se fosse sua.

Logo, ambos estavam completamente nus e uniram os lábios mais uma vez. Lee Chayoung não tinha hesitação durante o beijo. Como se fosse dono do corpo de Seo Gyuha, ele o acariciava por toda parte e, em seguida, torceu com os dedos o mamilo que se erguia levemente.

— Ah!

Diante da reação imediata de Seo Gyuha, ele sentiu uma onda de satisfação. Em seguida, não se limitou ao toque das mãos; moveu o trajeto dos lábios e abocanhou o mamilo dele.

Com isso, Seo Gyuha sentiu mais um prazer eletrizante. Os pelos de seu corpo se arrepiaram e, além do peito, o centro de seu corpo latejou de dor e prazer.

Graças a Seo Gyuha não o repelir, Lee Chayoung explorou seu corpo com ganância. Ele brincou com o mamilo ereto usando a língua e sugou com força, fazendo sons de estalo de propósito. Após fazer o mesmo do outro lado, ele levantou a cabeça e viu os mamilos inchados e brilhantes.

Aquela imagem provocante fez com que o líquido pré-ejaculatório escorresse de seu pênis, que não parava de pulsar. Ele limpou o líquido com a mão e levou-a diretamente para entre as pernas de Seo Gyuha.

Lee Chayoung também não hesitou ao preparar a entrada dele. Se antes ele inseria os dedos com cuidado e cautela, hoje ele empurrou os dedos indicador e médio desde o início, explorando o interior com impaciência.

Enquanto isso, Seo Gyuha abriu as pernas levemente para o lado e tentou controlar a respiração com o rosto corado. Ao ver o membro imponente de Lee Chayoung, ele não sentiu medo da pressa dele, mas sim expectativa. Só de pensar que aquilo logo preencheria seu interior, seu ventre latejava.

“Espere um pouco.”

Um lampejo de consciência instintiva passou por sua mente. Ele deteve Lee Chayoung por um momento e falou rapidamente:

— Você tem camisinha?

— Não.

Uma expressão de frustração surgiu no rosto de Seo Gyuha. Ele também não costumava carregar preservativos, e sua casa não possuía itens que apoiassem uma vida sexual ativa. Isso se devia ao fato de ele não ter namorado ninguém desde sua reestreia como ator e também por evitar levar estranhos para casa.

Claro, não havia muito com o que se preocupar se Lee Chayoung penetrasse sem nada ou chegasse a ejacular dentro dele. Ele não lembrava exatamente por estar em choque quando recebeu o diagnóstico de Ômega, mas ouvira do médico que a probabilidade de gravidez natural era de 1% ou 3%, ou seja, quase impossível.

O motivo de palavras terríveis como gravidez ainda estarem em sua mente era por ser, entre as infelicidades de ser um “Ômega”, uma das poucas coisas que ele considerava um alívio mínimo.

De qualquer forma, não havia grandes preocupações se Lee Chayoung fizesse a inserção sem contraceptivos agora. Por menos conhecimento que tivesse, ele sabia o que “1% de chance” significava e também sabia da existência da pílula do dia seguinte.

Mas… ainda assim, sentia uma vaga rejeição psicológica e ansiedade. Por causa disso, Seo Gyuha hesitou por um momento, mas logo se assustou ao olhar para baixo.

Não era imaginação. Lee Chayoung, que retirara os dedos encharcados, agora empurrava o quadril como se fosse introduzir seu membro. Ao ver aquilo, uma voz aguda escapou da boca de Seo Gyuha:

— Es-espere um pouco. Espere só um momento.

Felizmente, o freio funcionou, mas a sensação de crise iminente continuava. Isso porque Lee Chayoung fez uma expressão e uma voz suplicantes:

— Eu quero colocar… me deixe colocar.

Quando um homem com fama de ter um rosto esculpido pede daquela forma, poucas pessoas conseguiriam recusar friamente. O mesmo valia para Seo Gyuha. Diante da hesitação dele, que não conseguia responder se queria ou não, Lee Chayoung sussurrou uma sedução acompanhada de um “ataque visual”:

— Por favor, eu te peço. Só até aqui, e eu vou te fazer sentir bem.

A ponta dos dedos de Lee Chayoung pressionou levemente algum lugar no baixo ventre de Seo Gyuha. No momento em que confirmou a posição da mão dele, o rosto de Seo Gyuha ficou mais vermelho que um tomate maduro. Aquele era o lugar onde ficava o ponto erógeno interno, que ele descobriu por causa de Lee Chayoung na primeira vez que transaram.

— Hum?

A sedução de Lee Chayoung não parou por ali. Como se o desafiasse a resistir, ele tamborilou e provocou o ponto erógeno com a ponta dos dedos.

O efeito foi certeiro. A lembrança da sensação de quando o membro de Lee Chayoung pressionava aquele ponto dentro de seu corpo reviveu, fazendo sua entrada pulsar involuntariamente.

O prazer intenso, uma vez recordado, não desaparecia facilmente. O calor corporal, o movimento do quadril que penetrava até deixá-lo dormente, a sensação de preenchimento pesado… tudo veio à mente em sequência, instigando Seo Gyuha.

Não era algo distante. Bastava dizer uma única palavra, “Ok”, e ele poderia experimentar aquele prazer supremo agora mesmo.

No fim, em vez de vencer a tentação, Seo Gyuha decidiu se render.

— …Tudo bem. Pode entrar.

Quando a permissão finalmente veio, uma expressão de júbilo tomou conta do rosto de Lee Chayoung. Até mesmo aquela expressão não parecia gananciosa ou feia; pelo contrário, aumentava o prazer psicológico.

Logo, o membro de Lee Chayoung encostou na entrada, que se dilatou até o limite instantaneamente.

— Ah…

Devido à pressão crescente, Seo Gyuha ficou vermelho até a nuca. Ele sabia que relaxar o corpo facilitaria para ambos, mas era impossível evitar que os músculos ficassem tensos por reflexo.

Além disso, o pensamento que sempre surgia nesses momentos veio à tona: “Como é que isso tudo entra aqui dentro? É um absurdo.”

Enquanto Seo Gyuha travava sua própria batalha interna, Lee Chayoung continuava a conquistar seu interior centímetro por centímetro. Normalmente, ele perguntaria se estava tudo bem ou acariciaria a frente dele para reduzir o desconforto da penetração, mas hoje a situação era diferente. Desde o momento em que entrou em casa, havia apenas um pensamento na mente de Lee Chayoung: ele queria enfiar aquilo que latejava dentro de Seo Gyuha e possuí-lo a noite toda.

Por isso, a situação após a penetração também foi diferente do habitual. Assim que entrou o suficiente para não escapar, Lee Chayoung começou a revirar o interior dele imediatamente.

— Ah, hnn, ahh, ah!

O movimento violento foi transmitido integralmente a Seo Gyuha. Devido à penetração bruta e rápida, lágrimas finalmente escorreram dos olhos de Seo Gyuha.

Mas as coisas enlouquecedoras não paravam por aí. Lee Chayoung parecia estar liberando feromônios Alfa novamente, pois arrepios percorreram toda a pele de Seo Gyuha e seus mamilos se eriçaram.

Lee Chayoung não perdeu a oportunidade. Como alguém que só pensava na penetração, ele movia o quadril em transe enquanto estendia as mãos para beliscar os mamilos de Seo Gyuha.

— Ahhh!

Com o estímulo repentino, Seo Gyuha apertou a musculatura interna e jogou a cabeça para trás. Com isso, acabou apertando involuntariamente o pau de Lee Chayoung, que já estava completamente preenchido lá dentro.

A partir daí, foi um ciclo vicioso e incessante. O excitado Lee Chayoung penetrava ainda mais fundo, e Seo Gyuha, diante do prazer de ter seu ponto erógeno esmagado, prendia a respiração e apertava a entrada, enquanto Lee Chayoung, prendendo as coxas de Seo Gyuha com os dois braços, movia o quadril como um garanhão.

O estímulo intenso logo se manifestou fisicamente. Além do rosto banhado em lágrimas, o abdômen de Seo Gyuha estava coberto por fluidos corporais, sem saber se eram pré-ejaculatórios ou sêmen.

Lee Chayoung também sentiu a urgência de gozar muito mais cedo do que o normal. Ele continuou a mover o quadril violentamente, como se fosse partir o corpo do parceiro ao meio, e perguntou a Seo Gyuha:

— Posso gozar dentro?

— Se eu, ah, se eu disser, hnn, que não pode, ahh, você não vai fazer?

Não era fácil falar enquanto era sacudido sem parar. Mesmo assim, Lee Chayoung conseguiu entender e sorriu pela primeira vez desde que começaram a transar. O problema era que até aquele sorriso parecia feroz.

— Não. Acho que hoje não vou conseguir me segurar.

Aos olhos de Seo Gyuha, parecia que ele faria isso de qualquer maneira. Se ele dissesse que não podia, Lee Chayoung parecia capaz de enfiar na sua boca e gozar lá.

Ele já tinha chorado e perdido a pose; não queria chorar mais tendo algo enfiado goela abaixo.

Além disso, ele se perguntou se faria sentido retirar agora. Como tinham começado a penetração em um estado de excitação total, ele não tinha certeza se o que estava sendo esfregado em suas paredes internas era líquido pré-ejaculatório ou sêmen. Pensando que já estava tudo perdido de qualquer jeito, Seo Gyuha abriu a boca novamente, fingindo ceder.

— Faça o que quiser. Mmmph…

A última palavra foi quase engolida por Lee Chayoung, que baixou a cabeça e uniu seus lábios. Ele se separou rapidamente, mas não se levantou.

Graças a isso, Seo Gyuha pôde ver o rosto dele de muito perto. As pupilas ainda vermelhas e a imagem dele encharcado de suor, algo que ele nunca tinha visto antes, fizeram seu coração oscilar.

Lee Chayoung não parou os movimentos. Mantendo o corpo de Seo Gyuha quase aprisionado entre seus braços, ele moveu o quadril de forma lasciva e, por fim, deu uma estocada profunda, despejando a carga de prazer.

— …!

Seo Gyuha também atingiu o clímax inesperadamente, mas sua atenção se voltou para outra coisa. Talvez por saber que Lee Chayoung havia ejaculado sem camisinha, ele foi tomado por uma sensação estranha.

Como de costume, Lee Chayoung elevou o quadril por hábito enquanto gozava. Como seus corpos estavam quase sobrepostos, o movimento pareceu ainda mais obsceno do que o normal. Após um beijo curto, Lee Chayoung finalmente ergueu o tronco.

Seo Gyuha, por sua vez, estava ocupado tentando recuperar o fôlego. Cada vez que ele soltava suspiros curtos, seu abdômen bem definido subia e descia.

Observando aquela cena intensamente, Lee Chayoung subitamente estendeu a mão. Ele pressionou levemente a área perto do umbigo, como fizera antes, e disse com uma voz brincalhona:

— Conseguiu sentir chegar até aqui?

Diante do ataque verbal inesperado, o rosto de Seo Gyuha esquentou instantaneamente.

— Por que você pergunta esse tipo de coisa?

— Eu só saberia se você me respondesse.

— Não sei. Se já gozou, tire logo.

— Ainda falta muito.

Como se fosse mostrar o que ainda faltava, Lee Chayoung recuou o quadril levemente e penetrou profundamente de novo. Graças a isso, Seo Gyuha acabou descobrindo, mesmo sem querer.

Embora tivesse ejaculado devidamente, o membro de Lee Chayoung ostentava sua firmeza habitual.

— Ah!

Para completar, ele ainda teve a habilidade de mudar de posição enquanto permaneciam unidos. Ele fez Seo Gyuha juntar as pernas para o lado e virar o corpo, e então o fez rolar mais uma vez até ficar de bruços.

Com isso, Seo Gyuha acabou descobrindo uma vantagem do sexo sem camisinha. O fato de que, após gozar, não havia necessidade de retirar o membro e podia-se começar o segundo round imediatamente.

Lee Chayoung aproveitou essa vantagem ao máximo. Com o sêmen que despejara lá dentro servindo como lubrificante, ele explorou o interior de Seo Gyuha de forma muito mais suave e flexível.

O sêmen escorrendo e manchando de branco a área ao redor da entrada era um bônus.

Embora Seo Gyuha pudesse não acreditar, aquela também era a primeira vez de Lee Chayoung fazendo sexo sem preservativo. Em outras palavras, diante da visão provocante que realmente estava vendo pela primeira vez, ele murmurou um palavrão baixinho e moveu o quadril com vigor.

— Ha, hnn, ahh, ahhh!

Os gemidos de Seo Gyuha também contribuíram muito para elevar o prazer. Para usar um termo vulgar, a compatibilidade sexual com Seo Gyuha era melhor do que imaginava. Quando ele penetrava com força, o interior parecia sugá-lo como se estivesse esperando, e quando ele retirava, as paredes internas pareciam se agarrar a ele, o que o deixava louco.

E quanto ao corpo sensível? Bastava esticar o braço e beliscar o mamilo para sentir a entrada apertar com força enquanto ele soltava um grito. Pensando que deveria deitá-lo de barriga para cima mais tarde para sugá-lo à vontade, Lee Chayoung revirou o interior dele como bem quis.

A luz do poste, filtrada pela janela opaca, projetava sombras longas no chão do quarto. As duas pessoas entrelaçadas na cama como se fossem um só corpo eram verdadeiramente como animais. Lee Chayoung, sustentando o próprio corpo com os joelhos e as pontas dos pés, penetrava na posição de quatro e então mudou a postura mais uma vez. Ele abraçou a cintura de Seo Gyuha para levantá-lo e, inversamente, deitou-se ele mesmo na cama.

Assim, com Seo Gyuha em cima de seu corpo, ele movia o quadril de forma obscena. Como mantinha as pernas levemente abertas e com os joelhos dobrados, quem olhasse de baixo veria claramente a junção dos dois corpos.

— Não, não faça isso aí!

Ele já se sentia estranho com aquela posição inédita, e com Lee Chayoung beliscando seu peito com as duas mãos, Seo Gyuha não conseguia manter a sanidade. Ele queria ao menos fechar as pernas que estavam escancaradas, mas Lee Chayoung segurava firmemente a parte interna de suas coxas, impedindo-o de fechá-las, o que o deixava em um estado deplorável.

No entanto, não demorou muito para ele perceber que aquilo era preferível. Enquanto estava levemente inclinado sobre Lee Chayoung, balançando conforme ele se movia, Seo Gyuha de repente enfrentou uma crise inesperada. A partir de certo momento, começou a sentir um aroma pesado de madeira.

Assim que percebeu, o rosto de Seo Gyuha congelou. Ele já sentira aquele perfume antes. Uma sensação que parecia infiltrar-se pela pele e não apenas pelo olfato. Eram os feromônios de Lee Chayoung.

“Impossível.”

Uma onda de perplexidade o atingiu. Era impossível detectar feromônios Alfa com tanta clareza.

Como mencionado, ele tomara um inibidor de detecção de feromônios naquela noite. E não era um remédio que qualquer um pudesse comprar facilmente na farmácia; era um medicamento prescrito pelo hospital após várias trocas, sendo o que melhor funcionava em seu corpo. O efeito deveria durar mais algumas horas, e ele não esperava que passasse tão rápido.

Ele chegou a pensar se estava imaginando coisas, mas esse pensamento era o verdadeiro equívoco. Ao sentir os feromônios de Lee Chayoung de forma muito mais intensa do que antes e ao notar que todo o seu corpo estava formigando, teve certeza de que o efeito do inibidor havia acabado.

Nesse exato momento, Lee Chayoung voltou a acariciar seu mamilo. Com aquele toque, sua libido explodiu e algo jorrou de dentro de seu corpo. Seo Gyuha, empalidecendo, começou a se debater para escapar daquela situação imediatamente.

— Espere um pouco. Solte-me por um instante.

Ele falou com urgência, tentando afastar as mãos de Lee Chayoung. No entanto, a força de Lee Chayoung não era desprezível. Pensando que fosse apenas um capricho ou manha que não combinava com ele, ele beijou o pescoço de Seo Gyuha e disse, como se o consolasse:

— Está tudo bem. Fique à vontade… É tão bom, Gyuha.

Não era apenas um elogio; sua voz estava carregada de uma satisfação visceral. Por outro lado, Seo Gyuha estava sofrendo. Ele tinha pavor de ter uma reação hipersensível aos feromônios Alfa e medo de que o efeito do supressor também estivesse acabando.

Ele já tinha dificuldade em controlar seus feromônios por sempre tentar bloqueá-los, e agora que estava quase “ensopado” em feromônios Alfa, a situação era ainda pior. No momento em que o efeito do remédio passasse, seus feromônios começariam a vazar descontroladamente e ele não conseguiria impedi-los.

“Nunca, de jeito nenhum.”

Ele precisava impedir isso a qualquer custo. O fato de Lee Chayoung ter sugerido o treino de cena de beijo, de tê-lo seduzido para transarem e de estarem assim hoje se devia ao fato de ele pensar que Seo Gyuha era um Beta.

Mas e se ele descobrisse agora que ele era um Ômega?

Simultaneamente ao pensamento, os movimentos de Seo Gyuha tornaram-se ainda mais bruscos.

— Me solta!

Seo Gyuha tinha plena consciência de sua aparência física. Com um porte que ninguém associaria a um Ômega, ele mantinha o corpo em forma através de diversos exercícios. Por isso, achou que conseguiria se libertar facilmente se quisesse.

No entanto, isso também foi um erro de Seo Gyuha. Vencer alguém com um porte físico melhor que o seu e que ainda por cima estava sob o efeito de estimulantes não era tão simples quanto parecia. Como Seo Gyuha continuava a resistir, Lee Chayoung girou o corpo e rapidamente ficou por cima dele novamente.

Além disso, ele imobilizou as duas mãos dele, parecendo, à primeira vista, um policial prendendo um criminoso. Apesar da força com que segurava os pulsos, sua voz era bastante gentil:

— Acalme-se, Gyuha.

— Por favor, me solta.

Uma sensação de impotência, que ele raramente sentira na vida, envolveu Seo Gyuha. Naquele momento, ele sentiu outra onda de feromônios Alfa. Ao pé do ouvido de Seo Gyuha, que perdera as forças por um instante, Lee Chayoung chamou seu nome:

— Gyuha.

Lágrimas que estavam acumuladas em seus olhos escorreram sem resistência. Em seguida, palavras inacreditáveis chegaram aos seus ouvidos:

— Você não poderia liberar seus feromônios para mim também?

Seo Gyuha, que estava mordendo os lábios evitando olhar para ele, virou a cabeça com uma expressão atônita. Ele sentiu calafrios por todo o corpo por um motivo diferente do “banho de feromônios”.

— O que… você disse agora…

Lee Chayoung manteve o olhar fixo e disse com um sorriso leve:

— Eu sei. Que você é um Ômega, Gyuha.

— …

Desta vez, Seo Gyuha entrou em estado de choque total. Ele ficou parado por alguns segundos com uma expressão atordoada antes de finalmente conseguir balbuciar:

— …Como? Desde quando?

— Desde o início.

Mesmo recebendo a resposta, a confusão permanecia. Pelo contrário, vários pensamentos começaram a competir em sua mente.

“Desde o início? Quando foi esse início? No local da audição? Quando fizemos a leitura do roteiro? Ou na primeira gravação?” Quer estivesse encontrando pessoas a trabalho ou apenas cruzando com alguém na rua, ele nunca ouvira, nem por cortesia, a pergunta se era um Ômega. Tanto por sua aparência física quanto pelo fato de tomar obsessivamente inibidores de detecção e supressores, mesmo que pulasse refeições por causa do trabalho, era impossível alguém perceber.

Ele vinha fazendo isso durante as filmagens desta obra e, inclusive, naquela noite, tomara o remédio antes de ir ao clube. Então, como e desde quando Lee Chayoung percebeu que ele era um Ômega…?

— Ah!

Seus pensamentos foram interrompidos por uma dor aguda. Lee Chayoung cravou os dentes na parte superior da clavícula de Seo Gyuha e pressionou o corpo contra o dele, penetrando profundamente. Em seguida, lambeu o lóbulo da orelha de Seo Gyuha e soltou em voz baixa:

— Libere seus feromônios.

— N-não posso.

— Por quê? Por acaso você não gosta de mim?

Mesmo naquela situação, ele pensou que não era isso e balançou a cabeça negativamente; Lee Chayoung perguntou o motivo mais uma vez. O movimento de entrar e sair de forma provocante continuava.

— Então por que não? Dê-me um motivo convincente.

Seo Gyuha percebeu instintivamente a obstinação oculta no tom suave. Achando que ele continuaria insistindo até ouvir um motivo convincente, Seo Gyuha relutantemente revelou a verdade:

— Por causa do su… não posso por causa do supressor.

— O quê?

Ah, droga.

— Eu disse que tomei supressor de feromônios, por isso não posso!

Apesar da resposta irritada, a voz de Lee Chayoung continuava suave:

— Quando você tomou?

— À noite.

— Hmm, então o efeito deve passar lá para a madrugada. Podemos continuar até lá.

— O que você…, mmmph!

Ele ia questionar que tipo de loucura era aquela, mas Lee Chayoung calou sua boca antes. Após o beijo, ele se levantou e beijou também a parte interna da panturrilha de Seo Gyuha. Ao vê-lo sorrindo enquanto mantinha o olhar em seu rosto, Seo Gyuha sentiu, por algum motivo, um arrepio na espinha.

Malditamente, Lee Chayoung cumpriu rigorosamente o que disse. Após várias rodadas de penetração e recepção de orgasmos, o tempo passou e, por fim, até o supressor cumpriu sua missão.

Seo Gyuha não tinha forças para controlar nada por conta própria. Assim como ele detectara os feromônios de Lee Chayoung inesperadamente, Lee Chayoung percebeu imediatamente os feromônios sutis que Seo Gyuha começou a emitir. Assim que percebeu, Lee Chayoung beijou os dedos de Seo Gyuha, sem esconder sua expressão de êxtase.

— Finalmente estou sentindo, Gyuha. Libere mais.

Seo Gyuha estremeceu e entreabriu os lábios. A língua vermelha visível entre seus dedos era extremamente provocante, e a sensação era ao mesmo tempo bizarra e excitante.

Enlaçando seus dedos novamente com as duas mãos dele, Lee Chayoung movia o quadril suavemente. Cada vez que ele recuava e voltava a penetrar, o sêmen que já havia sido despejado lá dentro era expelido pela pressão.

— Ha…. Gyuha.

Seo Gyuha se arrepiou com a língua que lambia sem distinção o lóbulo da orelha e o pescoço. No momento em que até seu mamilo erguido foi mordido, ele involuntariamente se contraiu e apertou o membro de Lee Chayoung.

Apenas a penetração e as carícias já eram estímulos quase insuportáveis, mas Lee Chayoung continuava a liberar seus feromônios aos poucos.

Sentindo como se seu corpo sensível estivesse sendo acariciado de forma lasciva da cabeça aos pés, Seo Gyuha não aguentou e reclamou:

— Pare de liberar seus feromônios.

— Eu paro na medida em que você liberar os seus.

— Droga, você precisa sempre impor condições?

— É porque eu gosto demais. Desculpe. Não fique bravo.

— Ah…

Ao vê-lo baixar as sobrancelhas de forma melancólica, Seo Gyuha sentiu as palavras sumirem. Ele sabia perfeitamente que ele estava fingindo uma tristeza que não combinava com ele, mas a expressão lembrava tanto a de um cachorro grande abandonado em um dia de chuva que era difícil continuar sendo ríspido. Não perdendo a oportunidade, Lee Chayoung voltou a agir.

— Eu realmente amo os seus feromônios, Gyuha. Você não acha que nossa compatibilidade é perfeita?

— …Não sei.

Ele não sabia sobre a compatibilidade de feromônios, mas Seo Gyuha parecia saber de uma coisa: a compatibilidade sexual com Lee Chayoung era fantástica.

Eles estavam grudados na cama há horas. Embora estivesse economizando palavras por causa de seu orgulho, a resistência de Seo Gyuha estava chegando ao fim. Ele já não tinha forças nem para ficar de quatro, mas sua sensibilidade continuava a mesma. Cada vez que Lee Chayoung penetrava pesadamente, seus dedos do pé se contraíam e o líquido pré-ejaculatório escorria com frequência.

Era a mesma coisa agora. Lee Chayoung havia parado de se mover para falar, mas ele desejava que ele voltasse a se mover logo. No fim, Seo Gyuha o apressou, abraçando seu pescoço:

— Mova-se um pouco. Não fique parado.

— Só se você liberar mais feromônios…

Desgraçado persistente.

Embora estivesse franzindo o cenho em desaprovação, o impasse não durou muito. Como quem tem sede cava o poço, Seo Gyuha finalmente começou a liberar feromônios aos poucos.

Aquele ato era muito estranho. Como era a primeira vez que liberava feromônios diante de alguém, e ainda por cima com a intenção de seduzir, ele não sabia se estava fazendo certo. Se estava surtindo efeito, era uma dúvida ainda maior.

“Será que ele está rindo de mim?” Se estivesse, ele pensou que deveria esganá-lo. Seo Gyuha desviou o olhar que estava fixo em qualquer outro lugar e olhou para o rosto de Lee Chayoung.

Felizmente, Lee Chayoung não estava rindo. Pelo contrário, ele tinha uma expressão de total excitação, e ao ver aquilo, o peito de Seo Gyuha palpitou violentamente.

— Gyuha.

Chamando seu nome, ele moveu o quadril novamente, como se não pudesse mais aguentar. A suavidade durou pouco; logo ele começou a estocar fazendo a cama ranger, enquanto ele próprio emitia feromônios Alfa de tirar o fôlego.

***

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Desire BL`s

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Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…
Nome alternativo: Perros Y Pajaros Cachorro E Pssaro Dog And Bird

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