Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 05 Online

Blood Poker 05
A contagem era de 13 mortos, a maioria funcionários que não conseguiram escapar do ataque surpresa nos andares inferiores. Aqueles que foram devorados inteiros pelos Onis nem sequer tiveram seus corpos encontrados. Debaixo do OniCube, os lamentos daqueles que perderam pessoas queridas ecoavam por toda parte.
Jaeil vigiou a ambulância que levava Rowan até que ela desaparecesse de vista; só então relaxou os ombros. Não restava um pingo de força em seu corpo. Mal conseguia se manter de pé. Ele inclinou a cabeça e tirou o capacete, varrendo os arredores com um olhar lento. Tudo à volta era barulho e distração, mas suas pupilas semicerradas não registravam nada.
Uma dor aguda o atingiu, fazendo suas pernas fraquejarem por um instante, mas Jaeil conseguiu recuperar o equilíbrio por pouco. Parecia que alguém golpeava sua têmpora com um cinzel. Ele apertou a cabeça latejante e, ao soltá-la, exibiu um olhar confuso. Achava que saberia suportar bem por já estar acostumado, mas o efeito rebote de hoje estava sendo considerável. Qual seria o motivo? Ao vasculhar suas memórias, Jaeil cerrou os dentes.
— Consegui!
A pessoa que era a única capaz de dissipar sua dor de cabeça surgiu naturalmente em sua mente. A imagem, antes vaga, tornou-se nítida: ele exibia um sorriso desprovido de qualquer falsidade. Era o mesmo sorriso que Jaeil vira pela manhã.
Ji Seunghyun ficou radiante como uma criança por ter encontrado um único canal, algo que nem chegava a ser um guiamento de fato. Diante daquela atitude tonta de exibir algo invisível como se fosse um troféu, Jaeil, por incrível que pareça, ficou abobalhado. Seus olhos banhados de felicidade brilhavam tanto que foi impossível não se deixar cativar.
— …Vamos.
Kiju surgiu de algum lugar e puxou o braço de Jaeil, que permanecia parado como uma estátua há um bom tempo.
— Disseram que o seu parceiro é o Ji Seunghyun.
Os olhos de Jaeil, antes vazios, dilataram-se lentamente. Foi exatamente no momento em que ele acalentava o desejo impossível de voltar para a noite anterior.
↫────☫────↬
O guiamento de Ji Seunghyun não conhecia limites. Sentindo que ele não pararia se fosse deixado à vontade, Jaeil moveu o corpo levemente. Seunghyun aplicou mais força, comunicando intensamente que não queria se soltar. “Que personalidade terrivelmente persistente”, pensou Jaeil enquanto verificava o dispositivo. Dez minutos se passaram, mas os números permaneciam os mesmos. Parecia que o limite de sua habilidade ainda imatura era aquele.
Com o choro já contido, Ji Seunghyun continuava sem se mexer. Jaeil deu tapinhas de leve nas costas dele.
— Guia.
— …….
Como não houve resposta, ele chamou mais uma vez.
— Guia.
— Sim…
As palavras saíram abafadas, com os lábios dele ainda enterrados na nuca de Jaeil. Sua voz estava pesada, como se tivesse sido mergulhada em água e retirada em seguida.
— Está em 43%.
— Está… alto.
Seunghyun protestou com a voz embargada, claramente insatisfeito com o resultado.
— É o suficiente.
— Não é, não…
Jaeil soltou uma tosse seca, pois Seunghyun o abraçava com tanta força que chegava a sufocá-lo. Para um primeiro guiamento, ele tinha se saído muito bem, mas Ji Seunghyun insistia em ser teimoso. Parecia até que estava fazendo manha, então Jaeil acariciou suas costas com suavidade.
— Não vai baixar mais do que isso.
Quando ele pediu para realizar o guiamento mesmo sem ter habilidade técnica para tal, Jaeil se lembrou do primeiro encontro entre os dois. Jamais esqueceria o dia em que ele desmaiou, incapaz de respirar sob a pressão de sua energia. Em seguida, vieram à mente as noites estranhas que passaram juntos, o guiamento absurdo durante o sono e a proposta tão chocante que o deixou sem palavras. Tudo era fruto da paixão pura e da determinação desinteressada dele.
— Eu sei que é teimosia, mas eu… você…
Ao vê-lo chorar com aquele rosto frágil e melancólico, Jaeil chegou a se perguntar que tipo de passado ele teria. No entanto, enterrou a curiosidade no instante em que ela surgiu. Ao vê-lo chorar de forma tão desoladora, julgou que não era algo em que devesse tocar levianamente.
— Que seja, então.
Priorizando o desespero atual dele em vez de suas motivações pessoais para o guiamento, Jaeil refletiu por um momento sobre como poderia ajudá-lo. Tomou uma decisão rápida: manteria o contato físico e seguiria o método que o subconsciente do rapaz preferia.
Sentindo a energia fluir para o outro homem, Jaeil alternava entre pensar que sua escolha fora acertada e sentir como era bom ver a dor diminuir. Era um sentimento genuíno. Ao acolher o rapaz sem tempo para olhar para o próprio passado, percebeu que, de repente, era ele quem o estava confortando. Foi uma experiência curiosa.
É claro que, tardiamente, percebeu que o abraçara com mais profundidade do que o necessário, mas Ji Seunghyun também não parecia querer se afastar. Na verdade, ele agia de uma forma que outros guias nem ousariam tentar, e ainda assim reclamava que não era o bastante.
Era um comportamento difícil de definir. Para ser obsessão, era algo límpido demais; e para ser pureza total, ele era teimoso demais, agindo além de sua capacidade. Jaeil desistiu de encontrar uma definição exata e apenas rotulou aquilo como “sinceridade excessiva”.
— Podemos continuar à noite, não podemos?
Ao falar em tom de consolo, Seunghyun finalmente se afastou e encontrou seus olhos.
— …Realmente não vai baixar mais?
Jaeil mostrou o próprio dispositivo em silêncio. Seunghyun tocou o aparelho com familiaridade, verificou os números e resmungou enquanto limpava o rosto molhado com a palma da mão de qualquer jeito.
— Se a taxa de sincronização é alta, por que só baixou isso?
— …….
Por mais que ele fizesse uma expressão de insatisfação, Jaeil também não sabia a resposta.
— Pergunte aos mentores mais tarde.
Seunghyun arregalou os olhos marejados ao conferir a hora.
— Já se passaram quarenta minutos?
— Geralmente é assim que se faz.
Ao ouvir Jaeil, Seunghyun assentiu e recuou o corpo lentamente. Jaeil baixou o olhar e viu a distância aumentando, o que fez seu rosto endurecer levemente. Seunghyun, sem notar essa mudança sutil, estava ocupado demais analisando detalhadamente a energia de Jaeil.
— Como se sente?
— Graças a você, estou melhor.
Seunghyun leu a energia dele e pareceu desconfiado. Olhou para Jaeil com uma expressão emburrada, esperando que ele dissesse algo mais, mas o homem não parecia disposto a falar. “É mesmo um mentiroso”, murmurou Seunghyun para si mesmo, enquanto seu olhar se deslocava naturalmente para o corpo nu do homem.
O torso de proporções perfeitas, que ele só vira em revistas, parecia irreal. Seunghyun ficou admirando por um longo tempo com um olhar vago até recobrar os sentidos de repente. Percebeu tardiamente que aquilo era uma falta de educação. Mais uma vez, o homem o observava, e seus olhares se cruzaram imediatamente. Embora ele não pudesse ler seus pensamentos, Seunghyun sentiu-se constrangido e apressou-se em abotoar a própria camisa.
— O… o mentor Rowan está bem?
— Ainda não.
Com uma resposta curta, o homem se levantou. Seunghyun ergueu o olhar para acompanhar a altura dele, e sentiu uma mão grande pousar sobre o topo de sua cabeça.
— Parabéns pelo seu primeiro guiamento.
Os dedos do homem se enroscaram entre os fios de cabelo. Seunghyun olhou para cima. Aquele contato igual ao da manhã e o elogio repentino fizeram seu coração palpitar. Ele levou as costas da mão ao rosto e o esfregou, como se estivesse esmagando a própria bochecha.
—
Após uma lavagem rápida no rosto, Jaeil vestiu apenas uma camiseta preta. Ele franziu o cenho ao notar manchas de seu próprio sangue na camisa clara de Seunghyun.
— Entrarei em contato. Descanse.
Depois que Jaeil saiu, Seunghyun também lavou o rosto e as mãos no banheiro. Ao levantar a cabeça, viu no espelho seu rosto encharcado. Estava pálido e transparecia cansaço. Ao repassar as lembranças de pouco antes, o constrangimento o dominou. Sentiu o rosto arder e lavou-o repetidamente. “Que cena patética eu fiz. Por que diabos eu comecei a chorar ali?”
— …….
Seus movimentos agitados pararam de repente. Ele piscou, e as gotas de água presas em seus cílios caíram.
Pois é. Por que eu chorei?
Aquela era uma emoção que ele não se permitia liberar na frente de ninguém. Mesmo sozinho, não sabia como extravasar e apenas a reprimia; então por que agora? Vá lá que ele tenha tremido ao ver aquele sangue todo, ou que tenha se perdido em memórias antigas, mas por que chorar? Mesmo secando o rosto com a toalha e refletindo profundamente, não conseguia entender aquele comportamento sem sentido.
O celular vibrou no bolso. Era Joy.
— Mentora.
— [Você está bem?]
— Sim. Estou bem.
— [Bom trabalho. Você foi incrível.]
— Que nada. Os níveis continuam altos.
— [Para o Jaeil, isso já é o bastante.]
As palavras de Joy eram apenas um consolo superficial. Como aquilo poderia ser o bastante? Seunghyun não queria concordar nem por educação, então mudou de assunto.
— E o mentor Rowan?
— [Vou para o hospital agora.]
— Quer que eu vá junto?
— [Não, você deve descansar.]
— Entendi.
Parecia melhor deixar para depois as perguntas sobre o guiamento ou sobre o estado de Rowan. Seunghyun ia se despedir para desligar, mas Joy o chamou.
— [Recruta.]
— Sim?
— [Obrigada por hoje.]
Continua no Volume 2
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala
Ler Blood Poker (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?