Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 04.4 Online


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Blood Poker 04, Parte 04

Seja pelos tiros ou pelas vibrações, nada estava calmo enquanto eliminavam os Oni lá fora. Quando a parede estremeceu, Rowan encolheu o corpo e tapou os ouvidos. Ele achava incrível e aterrorizante que, mesmo com tanto barulho, os Oni e Gons ainda conseguissem encontrar os humanos.

Se ao menos tivesse uma pistola de autodefesa, estaria com menos medo? Rowan achava absurda sua situação deplorável de não ter sequer uma arma. Ninguém esperaria que Haon, a cidade mais avançada de Neo, fosse atacada dessa forma. Ele próprio sentia que aquilo não era real. Estariam as pessoas dentro do prédio seguras? Pensamentos agourentos continuavam surgindo.

Sua mente trabalhava de forma complexa. “E se o Jaeil for designado para uma equipe?” Aquele mesquinho do Park Youngseok certamente recusaria. Claro, era compreensível. Ninguém queria arriscar a vida por alguém difícil de fazer o Guiding, mesmo entre Back-Spells. Mas o alto comando não deixaria de usar Ha Jaeil neste momento em que até um Oni-Cube ocorrera. E ele também não era do tipo que hesitava. Rowan soltou um suspiro involuntário.

— …

No momento em que pensou em Joy, algo quente e sufocante subiu até seu peito. Podia imaginar o quanto ela estaria chorando. Por mais que parecesse forte, por dentro ela era mole e não tinha imunidade nenhuma a esse tipo de coisa.

Por um lado, ele se sentia aliviado. Se ela estivesse aqui com ele, seria terrível apenas de imaginar. Quando se encontrassem novamente, ele a acalmaria com doces. Rowan, que tomava essa decisão, arregalou os olhos.

Ouviu um som de algo colidindo fortemente lá fora. Não vinha de longe. Era o som da porta da sala de Guiding onde Rowan estava sendo arrancada inteira. Já chegaram até aqui? Rowan limpou o rosto e controlou sua consciência. Ele tapou a boca para evitar que qualquer som escapasse por erro.

Toc-toc.

Pupilas aterrorizadas voltaram-se para a porta do banheiro. Uma batida na porta. Batidas eram a ação mais comum usada pelos Gons para baixar a guarda dos humanos. Os Espers nunca usariam o método típico dos Gons de mimetizar ações humanas, por mais apressados que estivessem.

Embora estivesse conformado até certo ponto, ele não pôde evitar que diversos pensamentos surgissem agora que a morte batia à porta.

“Joy. Me desculpe.”

A maçaneta quebrou e girou. A figura que apareceu pela fresta da porta era, como esperado, um Gon. Dava para saber quem ele devia ter devorado antes de chegar a Rowan. Aquilo, que tinha o rosto do funcionário com quem Rowan falara por último, encarava Rowan com olhos inexpressivos e vazios.

Parecendo imitar a ação humana, a forma como ele estendeu a mão era muito parecida com a de um Esper oferecendo um aperto de mão a um Guide. Aqueles que apenas mimetizavam a aparência externa desejavam apenas humanos. Cada dedo transformou-se em um espinho afiado que foi disparado contra Rowan. Rowan conseguiu desviar o pescoço, mas os espinhos perfuraram um braço e uma perna dele. Uma dor intensa atingiu sua nuca.

— …Ugh!

No momento em que Rowan suprimiu um gemido, um tiro ressoou como se fosse rasgar o espaço. Nas pupilas arregaladas de Rowan, viu-se o Gon tendo a região da têmpora completamente arrancada. O homem que confirmou a morte do Gon abaixou o cano da arma, olhou para trás e fez um sinal manual.

Diante do homem que cortava os espinhos cravados em Rowan em vez de removê-los, Rowan fez uma expressão de choro. Dava para saber quem era apenas pela aura assustadora que oscilava ao redor do corpo do homem.

“Jaeil.”

Rowan perdeu a consciência ali mesmo.

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Joy estava quase fora de si. Seus olhos sem foco estavam vazios e, sempre que sua vontade vacilava, as lágrimas enchiam seus olhos. Ela alternava entre tentar não desmoronar e cair sentada inúmeras vezes.

Aquela imagem trazia constantemente à mente de Seunghyun a memória de alguém do passado. Ele acariciava as costas dela e movia os olhos de um lado para o outro. Seu rosto sereno tornava-se instável com o passar do tempo e logo voltava ao normal. As memórias que ele tentara suprimir percebiam os pontos de contato e forçavam passagem pelas frestas.

— O que eu faço se perder os dois?

— …

— O que eu faço se tudo desaparecer?

No momento em que Joy murmurava sozinha e explodia em choro, o celular dela tocou. Ela apertou o botão de chamada às pressas.

— Sim. Sim. Sim… S-sério?

O rosto dela foi ganhando cor gradualmente. Diante dela, que segurava o celular com força e agradecia a Deus, Seunghyun também sentiu um alívio no peito.

Disseram que Rowan fora transportado imediatamente para o hospital. Ela não ouviu exatamente qual era o estado dele, mas apenas o fato de ele não ter perdido a vida para o Oni já era um alívio para Joy.

Quando os sons de bombardeio finalmente diminuíram, a voz da líder da equipe Lee Juyeong ecoou pela sala de reuniões temporária:

— Equipe Alfa retornando. Favor aguardar nas salas de Guiding designadas.

[Não se preocupe. Vamos nos ver vivos.]

Joy, que exibiu a tela do celular com a mensagem de Rowan, levantou-se bruscamente. Deu tapas nas próprias bochechas para recuperar a energia.

— Pronto. Agora está tudo bem.

— …

Os Guides que verificaram a tela começaram a sair um a um. Ao lado do nome de Ha Jaeil ainda constava o nome de Park Youngseok, mas a líder da equipe Lee Juyeong acenou para Seunghyun. Compreendendo o significado imediatamente, Seunghyun caminhou até ela. Park Youngseok, que estava ao lado, ainda resmungava com o rosto insatisfeito.

Sob uma atmosfera desconfortável, Ji Seunghyun e Park Youngseok esperaram as instruções da líder. Era uma imagem que realmente não combinava. Lee Juyeong massageou as têmporas doloridas.

— Atualmente, solicitamos apoio de Guides Back-Spell de outras cidades. Se conseguirmos controlar este surto agora, parece que apagaremos o incêndio urgente.

Após inspirar com um leve atraso, seu olhar seco fixou-se em Seunghyun. Diversos infortúnios se sobrepuseram para que essa situação ocorresse. Ninguém estava em posição de culpar ninguém.

Seu olhar, que ainda carregava suspeita, moveu-se examinando Seunghyun de cima a baixo. Ela pensara que ele era um Guide incompetente do Distrito 13, mas ouvindo o que Joy disse, parecia que não era bem assim.

Ele despertara após os vinte anos e não recebera nenhum treinamento profissional de Guiding. Ela achava que ele serviria apenas como auxiliar para os Guides gêmeos. Para ser sincera, ela nem imaginara que ele serviria para esse propósito. Mas ele reconhecera o canal. Ela decidiu acreditar no potencial dele por uma vez.

— O aluno Ji Seunghyun fará o Guiding primeiro. Sei que ele ainda é inexperiente, mas espero que ele consiga reduzir nem que seja um pouco o nível de risco de amplificação.

— Sim, entendi.

Quando Seunghyun assentiu, Lee Juyeong falou com Park Youngseok como se tentasse acalmá-lo. Como um Oni-Cube não era considerado estado de guerra, ela não podia obrigar o Guide se ele recusasse veementemente.

— Eu compreendo perfeitamente o peso sobre o Sargento Park Youngseok, mas peço que considere a situação especial de agora.

Park Youngseok, com as mãos na cintura, soltou um longo suspiro. O desagrado ainda era evidente. O Back-Spell Ha Jaeil era um talento reconhecido em Neo. Com a ocorrência do Oni-Cube, não se sabia o que aconteceria com o destino de Haon. Embora tivesse gritado de raiva, ele sentiu que não era bom recusar totalmente, considerando o pedido da líder e, acima de tudo, a família de Ha Jaeil. Ele decidiu que seria melhor não se indispor com aquela família por causa do futuro. Park Youngseok, decidindo fingir que faria o Guiding e recuar conforme a situação, chutou levemente o pé de Seunghyun com o rosto totalmente insolente.

— Faça direito.

— Sim.
Seunghyun desviou o olhar para a tela enquanto se afastava com uma reverência formal para Lee Juyoung e Park Youngseok. Seus olhos buscaram rapidamente o nome de Joy. Já havia dois espers designados a ela. Seunghyun sentiu uma preocupação súbita, questionando se ela, com sua resistência física frágil, conseguiria suportar.

— Vou indo na frente. Bom trabalho para o senhor também, mentor.

— Seunghyun.

Uma mão pequena segurou a barra da roupa de Seunghyun enquanto ele se virava. Ele olhou fixamente para as pontas dos dedos dela, que ainda tremiam, e depois ergueu os olhos.

— Você nunca viu um esper em estado de fúria, não é?

— …Não.

— Não se assuste.

— …….

— Ele só está com dor. Dê o seu melhor para acolhê-lo.

Assim que entrou na sala de guiamanto e fechou a porta, Seunghyun soltou um suspiro profundo. Seu corpo oscilou. Ele se apoiou de costas contra a porta e cobriu o rosto com as mãos. Entre seus dedos, escapava uma respiração entrecortada pelo tremor.

Seunghyun, que havia mantido a compostura para não demonstrar nada a Jo Yi, finalmente desmoronou em seu espaço solitário. “Não pense nisso. Não pense nisso.” Ele fechou os olhos com força antes de abri-los novamente, apertando e soltando o queixo com firmeza.

— Recomponha-se.

Quando sentia que não conseguia se controlar, falar em voz alta propositalmente o ajudava a melhorar. Ele balançou a cabeça bruscamente e caminhou. Sentado na beira da cama, começou a repassar mentalmente tudo o que havia aprendido até então.

*‘Pode ir devagar, se quiser.’*

Não ter medo do toque.

*‘Você… foi muito bem.’*

Atrair o som do coração dele.

Naturalmente, a lembrança do primeiro encontro com o homem veio à tona. Mas, por algum motivo, quanto mais ele remoía aquele momento que antes considerava apenas assustador e chocante, mais a tensão que enrijecia seus ombros se dissipava.

Ao refletir sobre o tempo que passaram juntos, sentiu que recebeu mais do que deu. O homem não o discriminou nem o rejeitou por vir do Distrito 13. Ele esperou e defendeu Seunghyun, que era lento e insuficiente. Aceitou qualquer sugestão sem julgamentos.

Sentindo uma náusea estranha e um aperto no peito, Seunghyun massageou a boca do estômago. Pensando bem, quando se concentrava no homem, os pensamentos intrusivos desapareciam. Ao tentar decifrar a energia que mudava a cada instante e refletir sobre como acalmá-la, as memórias que o atormentavam perdiam força e se escondiam.

Apesar de ser quem mais sofria, ele sempre se manteve firme. A imagem de suas costas refletida pelos postes do dormitório era robusta, mas ao mesmo tempo melancólica. Quando a voz firme e sólida dele surgiu vívida em sua mente, uma emoção inexplicável o inundou. Seunghyun esfregou a bochecha com as costas da mão e baixou o olhar.

Nesse momento, alguém bateu à porta. Seu olhar se voltou para o som. A maçaneta girou e, pela fresta que se abria lentamente, um homem vestindo um traje de combate entrou. Simultaneamente, monstros negros e medonhos começaram a rastejar, grudando-se nas paredes da sala de guiamento.

As pupilas de Seunghyun se dilataram ao máximo, e ele cobriu a boca com a mão.

— …….

— …….

O homem abaixou a máscara com movimentos desprovidos de força. Ele limpou casualmente a parte inferior do rosto, manchada de sangue, com a palma da mão e encarou Seunghyun. Parecia não ter forças sequer para cumprimentar, apenas inclinando levemente a cabeça.

— …….

O grito de pavor ficou preso em sua garganta, sem ousar sair. Sendo a primeira vez que via um esper em estado de fúria, Seunghyun não pôde evitar o choque.

“Aquilo é…”

Tentando decifrar a energia com o cenho franzido, Seunghyun acabou não aguentando e tossiu. Era difícil respirar devido à toxicidade que contaminava até o ar. Seu olhar, que havia baixado como se quisesse fugir, voltou-se novamente para o homem. Ele sempre comparava a energia do homem a vários objetos, mas nunca havia hesitado tanto quanto agora. De repente, sentindo uma pontada abaixo do estômago, Seunghyun segurou o abdômen e mordeu o lábio inferior com força.

O que o homem carregava era o próprio Ceifador segurando o livro dos mortos. No momento em que definiu aquilo, as memórias que ele mal havia conseguido suprimir começaram a erguer a cabeça novamente.

Quando Jaeil caminhou lentamente em sua direção, Seunghyun levantou-se instintivamente. Ao redor dele, uma energia negra oscilava intensamente. Seunghyun seguiu com olhos aterrorizados aquela figura que parecia um fantasma de cabelos desgrenhados, mas logo baixou o olhar. Jaeil sentou-se pesadamente na cama, observou a reação de Seunghyun e deixou a cabeça pender.

— Se estiver difícil…

— Não.

— …….

— Eu consigo fazer.

Seunghyun respondeu como se estivesse se forçando e engoliu em seco. Ele tentou se aproximar do homem, mas seu corpo não obedecia de imediato. O tremor nas pontas dos dedos subia gradualmente por seus braços.

Ao finalmente diminuir a distância, Seunghyun sentiu a mente atordoada apenas por suportar a energia do homem.

— Não se force — murmurou o homem de cabeça baixa, sem forças.

Seunghyun balançou a cabeça, não querendo desistir antes mesmo de começar.

— O dispositivo…

Ele tocou duas vezes no dispositivo manchado com o sangue dos monstros, e os números apareceram. Estava em 68,2%, um nível consideravelmente alto.

Só então a dúvida surgiu. “Será que consigo fazer isso? Não estaria eu sendo arrogante por ter reconhecido apenas um canal? Não estaria apenas desperdiçando o tempo deste homem? Minha vaidade não o estaria colocando em uma situação ainda mais crítica?” Os pensamentos se encadeavam sem parar.

Nesse momento, sangue jorrou da boca do homem. O rosto de Seunghyun ficou pálido e seus ombros estremeceram. Observando o líquido espesso escorrer, ele franziu o rosto em sofrimento. As preocupações que ele mal conseguira conter tornaram-se alucinações, cobrindo sua visão. O tremor não diminuía.

“Será que eu deveria recuar agora e me desculpar com Park Youngseok?”

— Com licença, então.

Suprimindo à força as preocupações que turbilhavam em sua mente, a mão de Seunghyun dirigiu-se ao coração do homem. Quando o homem tentou cobrir a boca com um lenço e tossiu novamente, gotas de sangue caíram nas costas da mão e no pulso de Seunghyun. Ele prendeu a respiração instantaneamente.

Lembrou-se de si mesmo, lutando para estancar uma poça de sangue, sendo incapaz de proteger alguém precioso, sentindo-se absolutamente impotente. Mesmo meses depois, a cena cruel que se repetia vividamente transformou sua vontade de resistir em um castelo de areia.

— Uh…

Um gemido escapou. Era como se uma lâmina afiada atravessasse o centro de seu coração. A mão que tocava o coração do homem tremia violentamente. “Tenho que encontrar. Tenho que reconhecer o canal.” Mesmo repetindo isso como uma máquina, sua mente paralisada não obedecia. Sons de tiros e explosões, o grito de alguém, seus próprios soluços e o sangue espalhado desordenavam sua mente.

— Guia Ji Seunghyun.

— …….

O homem já havia erguido o rosto e olhava para Seunghyun.

— Por que está chorando?

— …….

A voz grave penetrou em seus ouvidos. Só então Seunghyun percebeu sua visão embaçada. Estava chorando? Não sabia. Quando ele piscou, surpreso, grossas lágrimas caíram pesadamente.

— Eu não vou te comer.

— Não é isso…

Ele cobriu o rosto com a mão que não estava no coração do homem. Ao perceber que estava chorando, não conseguiu parar. Ao fechar e abrir os olhos, as lágrimas que vinham sem ordem despencavam.

— Desculpe.

— …….

— Sinto muito mesmo.

Ele agarrou firmemente a roupa do homem enquanto mordia o lábio com força. Se não conseguia fazer nada, não seria melhor tirar a mão agora? Sua razão gritava inúmeras vezes para ele recuar e desistir, mas Seunghyun não conseguia. Em sua memória, a pessoa que ele não pôde proteger estava morrendo coberta de sangue. Uma pequena bomba explodiu em seu peito. Seunghyun expressou seu coração distorcido com lábios trêmulos.

— Eu quero fazer isso.

— …….

O olhar sereno do homem repousou nos olhos marejados que produziam lágrimas incessantemente.

— Eu sei que é teimosia, mas eu… você…

“Eu sei que sou egoísta por tentar encontrar paz usando você, mas, por favor, só desta vez.”

— Que seja, então.

— …….

O rosto de Seunghyun desmoronou diante da permissão concedida sem hesitação. Ele engoliu o choro, escondendo a face que se contorcia de forma patética.

Jaeil limpou a boca com um lenço. Em seguida, diante do soluçante Seunghyun, começou a desabotoar o traje de combate. Ele passou os braços para trás, segurou a parte de trás da camiseta e a tirou de uma vez, revelando um torso robusto.

— O método que o guia usa…

Estendendo a mão para a camisa de Seunghyun, ele começou a desabotoar um por um, a partir do primeiro botão. Diante da ação inesperada, Seunghyun esqueceu o choro e olhou alternadamente para a mão e o rosto do homem. Recebendo o olhar confuso com indiferença, a mão grande do homem roçou a pele nua de Seunghyun e envolveu sua cintura.

— …Eu já conheço.

— …….

Ao aplicar força, Seunghyun foi puxado sem resistência para os braços de Jaeil. Ele estremeceu com o contato desconhecido. Jaeil acariciou lentamente suas costas tensas para acalmá-lo.

O homem estendeu a outra mão para onde a mão de Seunghyun tremia sobre seu coração. A mão grande, que tinha a diferença de pelo menos uma falange, puxou a mão de Seunghyun e a colocou na nuca dele.

— …….

— …….

Olhos vermelhos e inchados observaram o perfil de Jaeil. Seunghyun, que soluçava a ponto de sacudir o peito, logo segurou suavemente a parte de trás da cabeça dele. Mesmo sem palavras, ele entendia. O homem estava expondo sua própria dor e pedindo para ser acolhido.

Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Seunghyun. A tensão em seus ombros começou a se dissipar. Seus olhos também se fecharam lentamente. A umidade gerada pela tristeza brotava incessantemente. Seus cílios ficaram encharcados.

— …….

— …….

Talvez por estarem com os corpos colados, tudo nele parecia vívido. O odor suave do corpo, a temperatura que ele considerava um pouco alta, a energia violenta; tudo despertava os sentidos de Seunghyun. Como a distância era curta, o reconhecimento do canal também foi rápido. Ele sentia o som do coração. O batimento forte não era apenas um som; ele circulava estimulando cada fio de cabelo, cada poro e a própria pele. Seunghyun trouxe a nuca dele para seu peito e buscou o fio fino.

Bastava puxá-lo, mas não era fácil.

— …Ah…

Quando a palma larga atravessou todas as suas costas, Seunghyun, que estava concentrado, reagiu sensivelmente. Com os peitos nus colados, a vibração do batimento cardíaco era transmitida integralmente pela pele. A sensação transmitida para dentro de seu corpo tornou-se ainda mais intensa. Seunghyun o abraçou profundamente e rezou fervorosamente.

“Espero que você pare de sofrer por minha causa. Também por aquela pessoa que morreu em minhas mãos.”

O braço grosso de Jaeil subiu e segurou firmemente a nuca de Seunghyun. Quase preso por ele, Seunghyun soltou o ar de repente. Lágrimas escorreram entre suas pálpebras. Foi o momento em que o fio fino, que estava esticado ao máximo, rompeu-se com um estalo. A energia do homem, que antes apenas fervilhava por fora, começou a fluir para dentro do peito de Seunghyun como se estivesse esperando por aquilo.

— Uh…

As energias agressivas e ferozes eram sugadas por Seunghyun, prendendo-se e colidindo repetidamente. A dor sentida a cada vez era considerável, fazendo gemidos escaparem intermitentemente da boca de Seunghyun. Então, a palma da mão do homem deu tapinhas em suas costas. Ele esfregou suavemente a parte de trás da orelha com o polegar e encostou sua bochecha na dele.

Embora não entendesse por que aqueles contatos, que deveriam ser os primeiros, pareciam tão familiares, Seunghyun aceitou as ações dele com gratidão. Instintivamente, ele acariciou o cabelo do homem e enterrou o nariz em sua nuca. Abriu todos os canais generosamente para ele. A paz foi transmitida através dele. As lágrimas de Seunghyun não paravam.

— Uh… hugh…

Quanto tempo teria passado? O dispositivo no lado que segurava a nuca brilhou, informando o nível. Jaeil, verificando o número com os olhos baixos, soltou um suspiro relaxado. Seu rosto estava muito mais tranquilo.

Seunghyun, que estremecia toda vez que engolia a energia por causa da dor, mantinha-se agarrado ao pescoço de Jaeil custe o que custasse. Ele tentava conter o choro, mas soluçava como se explodisse quando ficava insuportável. Jaeil não conhecia o abismo dele. Não sabia que passado ou que feridas ele tinha, mas o ato de se agarrar obstinadamente à sua cura era tão melancólico que ele não parava de acariciar suas costas.

O olhar que observava fixamente o rosto molhado de Seunghyun voltou-se para o vazio.

— Hoje.

Após pigarrear por um momento, os lábios do homem se abriram para soltar uma frase.

— Vamos dormir juntos.

Foi algo pesado e transparente, como uma confissão.

— …….

— …….

Nos braços que o apertavam tanto a ponto de tirar seus calcanhares do chão, Seunghyun apenas assentiu em silêncio.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala

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Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?

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