Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 04 Online


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Blood Poker 04

[Seis meses atrás, Distrito 13.]

A TV, que vinha funcionando bem há algum tempo, voltou a dar problema. Era a única diversão que tinham, mas agora a tela exibia listras cinzas horizontais nítidas. Para completar, emitia um som parecido com o bater de asas de uma cigarra agonizando ao vento de outono. Dois homens que encaravam a tela com expressões bobas franziram o cenho ao mesmo tempo. Entre eles, o de cabelo descolorido torceu os lábios. Ele chutou a manta que o cobria com irritação e disse:

— Vamos vender essa porcaria. Já passou da hora de dar adeus a ela.

O homem de cabelos pretos ao lado dele arregalou os olhos. Ele levantou o quadril sutilmente e caminhou até o aparelho velho e desgastado.

— O que você está dizendo? Ainda dá para usar.

A TV de tela plana, com cerca de 30 polegadas, era claramente um modelo antigo. Na verdade, era um item do Mundo Antigo. Uma relíquia entre relíquias, cujas peças eram tão difíceis de encontrar quanto o próprio ato de fabricá-las. Ele precisava fazer algo para provar que ainda era útil. Quando o homem de cabelos pretos começou a examinar o aparelho de um lado para o outro, o loiro fez um bico de desdém.

— Na verdade, você só está com pena do dinheiro, não é? Por mais que queira ver TV, sério mesmo? Comprar isso aqui? No Distrito 13? Você foi passado para trás.

— …

O loiro despejou uma tempestade de reclamações, como se estivesse esperando por aquele momento. Não havia o que responder. Tudo o que ele dizia era verdade, e por mais que sentisse raiva, não conseguia retrucar. O homem de cabelos pretos tentou esconder o rosto amuado. Se demonstrasse que estava abalado, o outro usaria isso como pretexto para provocá-lo ainda mais.

— Não é isso…

— Mentira.

— Eu disse que não é.

Encarando a nuca do loiro, o homem de cabelos pretos olhou desolado para a tela que ainda chiava. Era compreensível que estivesse magoado; o aparelho que comprara com o dinheiro economizado durante um ano inteiro havia pifado em menos de três meses.

O Distrito 13 era o único lugar onde máquinas do Mundo Antigo, cujas peças nem existiam mais, eram tão raras que eram negociadas por valores altos. O Distrito 13 também era o único lugar onde se passavam noites longas em silêncio absoluto.

Sem entender nada de tecnologia, o homem se sentia perdido sobre como consertar aquilo. Tentou desligar e ligar de novo, como sempre fazia, mas desta vez o problema parecia sério e nada mudou. O homem de cabelos pretos sentou-se diante da TV e abraçou os joelhos. Através das listras cinzas que cortavam a imagem, mal conseguia enxergar a tela.

— Será que assisto assim mesmo?

A linha do rosto inclinado para observar a tela ainda carregava traços juvenis e, ao contrário do homem loiro, seu cabelo preto que cobria a nuca redonda brilhava com viço. Enquanto ele diminuía suas expectativas, surgiram mais algumas listras. “Ah, não faz isso”. Seus olhos grandes e sem pálpebra dupla refletiam a luz da tela, oscilando melancolicamente.

O loiro franziu o cenho ao ver a postura do outro. “Por que ele está tão melancólico?”

— Ji Seunghyun. Vem cá.

— Não quero.

— Estou dizendo para vir. O chão aí está frio.

Magoado, o homem de cabelos pretos não respondeu e continuou olhando para a TV. O loiro, então, torceu os lábios e cruzou os braços com arrogância.

— Sabe, quando eu estava no primário…

— …

Quando o homem de cabelos pretos olhou de soslaio, demonstrando interesse, o outro se vangloriou ainda mais.

— Quer que eu conte mais?

O loiro vinha de uma cidade chamada Sian, em Neo. Como tinha sido vendido para o Distrito 13, ele raramente gostava de trazer à tona memórias daquela época, mas para animar o companheiro cabisbaixo, estava disposto a abrir o baú de histórias. Aquela não era uma oportunidade comum. Como se estivesse enfeitiçado pela estratégia brincalhona dele, o homem de cabelos pretos engatinhou até o colchão. Com o rosto limpo e os olhos brilhando, disse:

— Sim. Conta.

O homem que começou a falar enquanto acariciava suavemente os cabelos pretos dele chamava-se Seok Jiwon.

↫────☫────↬

No quarto escuro, o celular brilhou e o toque ressoou ruidosamente.

— Uh…

Apoiando-se nos braços, Seunghyun conseguiu levantar o tronco, mas sua cabeça não obedecia. Pesada como chumbo, ela pendia quase encostando no lençol. Soltando um gemido, Seunghyun sentou-se e encostou as costas na parede. Enquanto esfregava as pálpebras úmidas, foi tomado por uma crise de tosse. Ele franziu o cenho, pigarreando repetidamente. Sua garganta estava irritada e ardendo.

— Sim. É Ji Seunghyun.

— Estou aqui em baixo.

A voz do homem fluiu pesadamente em seus ouvidos. Seunghyun, que já havia se levantado, acendeu a luz primeiro. A claridade agressiva atingiu seus olhos.

— Já estou descendo.

Ele comeu o mingau e fez uma hora de treinamento físico intenso na academia. Não estava se sentindo bem, mas era um nível que podia ignorar. Seguindo a recomendação da funcionária, Seunghyun frequentou as aulas de boxe em que se matriculara e, em seguida, as aulas de combate corpo a corpo que insistira em cursar.

Também havia o fato de que ele castigava o corpo para afastar pensamentos indesejados. Quanto esforço ele não fizera para eliminar a angústia que agora considerava mera distração?

“Aconteceu algo muito chocante recentemente?”

Claro, bastou essa única pergunta de Daniel para que ele desmoronasse. Por mais que tivesse resistido e negado, tudo ruiu com aquelas palavras. Foi inútil e frustrante.

Para enterrar novamente aqueles pensamentos que brotavam como feridas, só havia um jeito: não pensar em nada e esperar o tempo passar. Embora fosse um método ignorante, Seunghyun pretendia mantê-lo desta vez também.

Era bom focar nas instruções e movimentar o corpo, pois não sobrava tempo para pensar. Ele se dedicava com gratidão, desde que pudesse canalizar para outro lugar a energia que remexia suas memórias. Por procurar deliberadamente o que era difícil e exaustivo, chegou a receber elogios dos instrutores, dizendo que ele acompanhava bem para um iniciante.

Talvez por ter forçado demais o corpo depois de tanto tempo, seu apetite desapareceu completamente. Seunghyun adormeceu logo após o banho, deixando o volume do toque e da vibração no máximo para não perder o contato que viria à noite. Graças a isso, ele acordou imediatamente e atendeu a ligação de Jaeil sem problemas.

“Preciso me concentrar.”

A disposição física perdida voltaria em alguns dias. Ele se espreguiçou vigorosamente, esticando braços e pernas. Conforme o sangue circulava pelo corpo, sentiu um leve alívio. Balançando a cabeça para despertar, Seunghyun vestiu um casaco qualquer e pegou a pequena bolsa que já havia deixado pronta.

Pensando que o ar da noite estava consideravelmente frio, Seunghyun correu até Jaeil e fez uma reverência profunda.

— Olá.

O olhar do homem, que virou o corpo, percorreu lentamente Seunghyun de cima a baixo. Ele deteve o olhar por um pouco mais de tempo nos fios de cabelo espetados, resultado de ter acabado de acordar.

— Você veio.

↫────☫────↬

Sentado de pernas cruzadas sobre a cama, Jaeil ficou sem palavras diante dos objetos que Seunghyun havia espalhado. Com as mãos apoiadas nos joelhos em uma postura formal, ele olhou para baixo e logo desviou o olhar.

“O que diabos estou vendo e ouvindo agora?” O espanto oscilava em seu olhar, que vagava de um lado para o outro no vazio. Ele tentou organizar os pensamentos evitando olhar para os objetos, mas eram as palavras mais chocantes que ouvira recentemente, então não adiantou nada.

Ainda assim, Jaeil não podia continuar ignorando Seunghyun à sua frente, então virou a cabeça. Endireitou a coluna e começou a falar. Sua voz profunda era extremamente cautelosa.

— Então… com isso.

— Sim. Pode me amarrar com eles.

Seunghyun respondeu, levantando os cadarços de tênis. Eram objetos muito adequados que ele encontrara na loja de conveniência para se conter quando estivesse inconsciente. Como Jaeil não disse nada, Seunghyun achou que a explicação fora insuficiente e começou a abrir a embalagem. Os cadarços brancos caíram suavemente na palma de sua mão.

— E vou amordaçar a boca com isso.

— …

Ele enrolou o lenço que estava ao lado dos cadarços, deixando-o comprido.

— Amarre minhas mãos para trás. Também gostaria que amarrasse meus tornozelos. Se fizermos assim, acho que posso evitar dizer coisas estranhas ao Esper.

— …

A postura e os gestos com que ele explicava resolutamente o que trouxera eram tão solenes que Jaeil, perdendo as palavras novamente, apenas piscou os olhos. Que tipo de senso de responsabilidade era aquele? De que tipo de raciocínio aquilo viera? Ele sentiu que havia interpretado a pessoa chamada Ji Seunghyun de forma completamente errada.

A boca de Jaeil, que se abrira levemente, foi bloqueada por sua própria mão que subiu rapidamente. Ele estava economizando palavras ao máximo, pois não sabia o que poderia escapar. Mesmo diante da reação embaraçada de Jaeil, Seunghyun disse em tom natural:

— O tratamento começará assim que o cronograma for definido, mas por enquanto não há outra saída. Não posso controlar as ações que ocorrem enquanto durmo. Não quero cometer outro erro.

— …

Seunghyun, observando Jaeil que desviava o olhar pigarreando, agarrou o lençol com força.

— Eu gostaria… de continuar dormindo com você.

A postura impecável de Jaeil desmoronou subitamente. Apoiando o cotovelo na coxa e o queixo na mão, seu rosto demonstrava uma alternância entre preocupação e perplexidade.

— Outros Espers baixam até 5%, mas o seu nível é alto demais.

— …

— Se eu puder ser útil, mesmo sendo insuficiente, quero ajudar.

Eram palavras sinceras e ansiosas demais.

— Pode parecer um pouco excêntrico, mas…

Enquanto ouvia as palavras de Seunghyun em silêncio, a linha grossa do pescoço de Jaeil se destacou. Foi no momento em que os dedos entrelaçados de Seunghyun, que estava de cabeça baixa, afundavam na própria pele. Jaeil virou o rosto levemente e franziu o cenho com um ar de descontentamento. Ninguém o estava repreendendo ou castigando, mas aquela aparência acuada o irritava constantemente. Jaeil disse em um tom um tanto brusco:

— Não tem problema se você cometer erros.

— …

— Então, guarde essas coisas.

Como Seunghyun permaneceu imóvel, com o olhar baixo, apenas esfregando a testa com as costas da mão, Jaeil pegou os cadarços e o lenço e os colocou sobre o criado-mudo.

— Eu estou bem…

— Vamos dormir.

Jaeil se cobriu com o edredom. Atrás dele, ouviu-se o som de um suspiro curto.

Pedir para ser amarrado. Dizer que quer dormir junto. Ji Seunghyun estava proferindo palavras absurdas sem sequer se dar conta. Jaeil fechou os olhos com força e fingiu dormir. Pretendia ignorar qualquer coisa que ele dissesse. As ações dele eram excessivamente diligentes, chegando a ser tolas. Ele não queria se deixar levar e ceder a tudo.

Da figura de Seunghyun, que ficou sentado em silêncio por um tempo, fluiu uma voz baixa. Ele parecia um pouco melancólico.

— Peço desculpas antecipadamente.

Jaeil não respondeu.

Seunghyun fez um bico enquanto levantava a ponta do edredom. Ele pensou que, afinal, era pedir demais. Mas não havia outro jeito. Quem saberia o que ele poderia aprontar de novo? Era muito provável que tivesse feito algo que nem a palavra “estúpido” conseguiria descrever. Dava para notar pelo modo como o homem defendera Daniel, dizendo que ele não cometera erros.

Seunghyun esticou o pescoço e olhou de relance para os cadarços e o lenço no criado-mudo. “Ele podia ter me amarrado. Mesmo que parecesse estranho, acho que funcionaria.” Engolindo um suspiro, ele tentou conter o desapontamento. Ao ver as costas de Jaeil cobertas até o topo da cabeça, sua vontade de tentar persuadi-lo mais uma vez murchou.

— …

Seunghyun deslizou cautelosamente para baixo das cobertas e deitou-se de lado, de costas para ele.

Até que pudesse realizar o Guiding adequadamente, ele queria dormir com o homem. Queria ser útil, nem que fosse um pouco. Isso era realmente sincero.

As dificuldades de ser um Esper que Joy lhe contara superavam em muito as expectativas de Seunghyun. Ele pensava que eram apenas pessoas fortes e admiráveis; jamais imaginara que fossem seres incompletos com a fraqueza fatal chamada “Surto”. Somente após entrar ali é que soube que os sintomas do Surto, que ele imaginava vagamente, eram dores em um nível que pessoas comuns jamais suportariam.

Jaeil não demonstrava, o que o deixava ainda mais preocupado. Outras pessoas diziam em uníssono que alguém no nível de Ha Jaeil devia estar sofrendo muito, mas o próprio interessado agia com indiferença. No entanto, Seunghyun via tudo. Ele sentia perfeitamente com os olhos e a pele a energia que não podia ser escondida por números. Mesmo agora, neste momento.

Seunghyun queria que o homem ficasse mais confortável. Queria acalmar aquelas energias e, se pudesse, eliminá-las completamente. Sentia que, se fizesse isso, ele próprio também ficaria mais tranquilo. Era o instinto natural de um Guide em relação ao seu Esper, mas Seunghyun, que não sabia disso, apenas se angustiava ao observar a aura de Jaeil.

“Uh, que frio.”

Por estar focado em Jaeil, ele negligenciou seus próprios sintomas anormais. Seunghyun encolheu o corpo, que sentia calafrios.

↫────☫────↬

Hoje também foi uma noite fragmentada. O calor do corpo grudado às suas costas continuava arranhando sua consciência. Jaeil, pensando que Ji Seunghyun havia se aproximado novamente durante o sono, esfregou os olhos sonolentos.

Ele pensou em ignorar, pois não queria entrar em um conflito emocional com alguém que apenas sorria mesmo após ser advertido, mas sentiu que a temperatura do corpo dele estava excessivamente alta. Com os olhos pesados, tocou no Gear para verificar primeiro os níveis e a hora. O risco de amplificação estava em 19,9% e passava pouco das três da manhã.

Em seguida, tocou a própria testa. Sua mente estava incomparavelmente mais clara do que no dia anterior. A dor de cabeça que costumava pontuar seu crânio sempre que acordava estava visivelmente mais fraca. Tudo isso graças ao Guiding arbitrário de Ji Seunghyun.

Quando Jaeil virou lentamente o corpo para frente, Seunghyun se infiltrou em seus braços como se estivesse esperando por aquilo. Ele encolheu o corpo entre a axila e o braço de Jaeil. Era um movimento atrevido, ocupando o espaço como se fosse seu por direito, mas aquilo já não o surpreendia mais.

O olhar de Jaeil desceu lentamente. Normalmente a presença dele deveria agitar seus ânimos, mas o estado de Seunghyun não parecia nada bom. Mostrando apenas o perfil, Ji Seunghyun estava com os olhos fechados, ao contrário do habitual, e seu rosto carregava uma expressão de sofrimento. De vez em quando, soltava gemidos de dor. A respiração também estava um pouco pesada.

Jaeil encostou levemente as costas da mão na bochecha dele e franziu o cenho ao retirá-la. Acima de tudo, a febre estava alta. Ele pensou que, depois de estar assim desde a tarde, Seunghyun acabara ficando doente de cansaço.

Estufando o peito e soltando o ar, Jaeil afastou o cabelo da testa. A luz fraca criava volumes atraentes na ponte do nariz e na linha do maxilar do homem. Seu olhar, que se desviara lateralmente de Seunghyun, voltou com um estalar de língua.

Sem perceber, seus dedos se dirigiram para a região da testa de Seunghyun. Ele tocou casualmente os fios de cabelo molhados de suor e, em seguida, pressionou a pele com firmeza.

— Você faz de tudo…

↫────☫────↬

As ruínas conhecidas como Distrito 13 também já foram uma terra cheia de vida. Os humanos a deixaram por causa dos Oni, mas a causa fundamental residia na natureza perversa dos homens que não hesitavam em consumir e sujar tudo. Naquele lugar que perdeu sua função como solo, começou a nascer uma lama imunda e sem olhos. Elas eram loucas pelo sangue humano e corroíam os subprodutos da humanidade.

Os humanos começaram a excluir rigorosamente os lugares que não podiam mais ser recuperados. O Distrito 13 era um deles. Nomearam a favela que surgiu de forma anormal como Distrito 13, mas não a reconheceram. Não compartilhavam leis, regras ou segurança. Tratavam-no como se fosse outro planeta ou, para ser rude, como uma lata de lixo. Isso porque consideravam que não havia vidas ali que valessem a pena proteger.

No entanto, negar sua existência não fazia com que o lugar desaparecesse. Não podia. Humanos que não conseguiram deixar o Mundo Antigo, ou que foram deixados para trás, ainda viviam naquele solo. Apenas criaram raízes no lugar errado, mas ali também era um lugar onde pessoas moravam.

— Ah. Deu problema de novo.

Seok Jiwon, com o cenho franzido, chutou levemente a máquina velha que chegava à altura de suas coxas. O aparelho quadrado, com fios complexos e chapas de ferro remendadas, era claramente sucata. Era um medidor de pulso que dera uma contribuição enorme na derrota dos monstros logo antes da fundação de Neo, mas como era um modelo inicial, estava chegando ao fim de sua vida útil. A lógica de Seok Jiwon era que, mesmo sendo o único recurso confiável, se ele falhasse, deveria ser castigado. Seunghyun, ao lado dele, ficou horrorizado com a ação carregada de frustração.

— Por que você chutou isso!

Embora tivesse batido com força nas costas de Jiwon por sua atitude maldosa, sua voz saiu cautelosa. Isso porque aquela máquina instável havia alertado sobre um pulso há algumas horas. Não se sabia quando ou onde um monstro poderia aparecer.

Apesar de ter levado um tapa considerável, Jiwon esfregou as costas com um rosto cínico.

— Você… pode bater assim nas costas do seu Hyung? Hein? Está doendo.

Apesar das palavras, sua expressão era debochada. Dizem que não se pode cuspir em um rosto sorridente; Seunghyun encarou o rosto que apenas sorria e logo relaxou os ombros.

— Espero que desta vez também tenha sido um erro de funcionamento.

— É, eu também.

Jiwon respondeu sinceramente ao murmúrio de Seunghyun e ajoelhou-se diante da máquina. Ao operar os botões complexos com habilidade, o aparelho começou a funcionar com um zumbido.

— Viu? Eu disse que ele precisava de um corretivo.

— E se ele quebrar de vez?

— O fato de isso ainda funcionar é que é o mais estranho. Preciso arranjar um novo logo. Confiar só nisso…

Naquele momento, o rádio no peito de Jiwon tocou.

[Chi-chi, saiam daí agora! Nível 3 avançando nessa direção. Chi-chi, não vamos conseguir segurar isso agora. Recuem!]

Jiwon, subitamente sério, respondeu pelo rádio:

— Total de 10 pessoas, vamos nos mover. Peço fogo de cobertura.

[Certo. Corram como se suas vidas dependessem disso.]

Seok Jiwon verificou sua arma e olhou de relance para Seunghyun. Exceto pelo fato de o nível do Oni ser alto, era uma situação que vivenciavam ocasionalmente. O desejo de que o pulso fosse um erro de funcionamento foi por água abaixo, mas como funcionara corretamente, Jiwon estava satisfeito com isso. Hoje era um raro Nível 3. Como dito no rádio, era melhor recuar e mobilizar todas as forças disponíveis.

Pouco antes de partir, Jiwon acariciou rudemente a nuca de Seunghyun, que estava pálido.

— Precisa se concentrar.

— Ah, sim.

Ji Seunghyun lutava na linha de frente com suas excelentes habilidades de tiro, mas parecia não ter imunidade à situação. Provavelmente a culpa era do pai que perdera no campo de batalha.

— Meu coração dói se você mostrar fraqueza.

— Não é isso.

Assim que saíram do prédio sem demora, o rádio tocou. Uma voz urgente os apressava.

[Esse desgraçado não é comum. Chi, a velocidade dele é absurda!]

Jiwon deu um sorriso leve para as pessoas que o seguiam.

— Ouviram, né? Vamos correr pra valer.

O sorriso relaxado de Seok Jiwon tranquilizava as pessoas. Era como se ele os incentivasse, dizendo que poderiam sobreviver como sempre.

Seunghyun também se confortou com aquele sorriso e começou a correr, vigiando os arredores. Jiwon, que liderava com uma velocidade constante, diminuiu o ritmo sutilmente. Sua intenção de proteger a retaguarda era evidente. Quando Seunghyun tentou recuar com ele, Jiwon balançou a cabeça.

— Não, você fica na frente.

— Vamos juntos.

— É certo você ficar na frente. O que está fazendo? Você ficou mais lento.

Como ele o apressava com calma, Seunghyun achou que hoje seria apenas mais um dia comum, embora um pouco perigoso. Ele assentiu e aumentou a velocidade. O abrigo estava logo ali.

Pouco depois de Seok Jiwon ter ficado no final do grupo, um tremor surdo subiu das profundezas do subsolo. Era como se estivesse trovejando lá embaixo. Seguindo o tremor, a terra saltou para cima. A superfície oscilou tanto que o corpo chegava a cambalear. Era um sinal agourento.

Os homens que estavam atrás das coberturas começaram a acenar desesperadamente para que eles fossem para lá. Seunghyun naturalmente olhou para trás. Naquele instante, houve um estrondo. Um Oni Nível 3, que surgiu como se água subterrânea estivesse explodindo, começou a atacar as pessoas.

O movimento do Oni era difícil de prever, pois não se sabia de onde os espinhos brotariam daquela massa. Diante de um Oni Nível 3, tudo parecia pequeno. Os humanos eram infinitamente impotentes e frágeis diante do monstro. Alguém sempre morria nesses pequenos e grandes combates, mas Seunghyun pensou que desta vez não seria assim. Que não seriam eles.

O Oni avançou com uma velocidade assustadora.

“Não.”

As palavras gritadas em sua mente logo se tornaram realidade.

Um dos espinhos que brotou dele perfurou exatamente o abdômen de Jiwon. A distância era curta demais. Ele não conseguiu desviar, muito menos contra-atacar. Seu rosto, com os olhos arregalados, contorceu-se de dor. Quando o espinho que atravessara até suas costas foi retirado bruscamente, o corpo do homem desabou como uma folha de papel. Espinhos semelhantes a tentáculos espalharam sangue pelo ar.

— Não!

Antes mesmo que o desespero passasse pelas pupilas de Seunghyun, elas se encheram de fúria. Ele brandiu a espingarda modificada para disparos contínuos e mirou no Oni.

Quanto maior o nível do Oni, mais difícil era localizar o núcleo. Mesmo que o transformasse em uma peneira, seria inútil se não removesse o núcleo. Faíscas saltaram do cano da arma. Quando ele disparou aleatoriamente como um louco, o ímpeto do Oni vacilou sob os ataques contínuos. Seunghyun correu até Jiwon caído.

Balas passavam raspando por cima de sua cabeça e ao lado de seus ombros. Tiros agudos ecoavam em seus ouvidos. As pessoas que atiravam atrás das coberturas gritaram para Seunghyun:

— Ei, seu idiota! O que está fazendo! Abaixa!

Sangue vermelho vivo escorria abundantemente por entre seus dedos. Não adiantava pressionar com força. O buraco feito pelo espinho do Oni era grande demais para ser coberto apenas com a palma da mão. Parecia que suas mãos estavam mergulhadas em uma poça de sangue. As pupilas de Seunghyun, que pressionava o abdômen de Jiwon estendido no chão, tremiam de forma devastadora.

— Isso é loucura. É uma loucura.

Com os olhos desfocados, ele murmurava como alguém que perdera a alma. Naquele momento, uma mão se estendeu de baixo. Jiwon envolveu o pescoço de Seunghyun e o fez baixar o tronco. Explosões e tiros cercavam o ambiente de forma caótica. O braço que ainda mantinha o calor envolveu lentamente as costas de Seunghyun, que tremia com o choque. O homem tivera o abdômen perfurado a ponto de se verem as entranhas, mas, em vez disso, acalmava Seunghyun com serenidade.

— Está tudo bem.

— Não. Não… Não!

Mesmo em meio ao estrondo onipresente, a voz baixa e tranquila foi transmitida inteiramente de peito a peito.

— O Hyung está bem. Concentre-se, garoto.

↫────☫────↬

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala

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Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?

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