Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 67 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 67

Antes que pudesse sequer ajeitar as roupas íntimas, fui arrastado e amarrado a um poste. Quando os servos viram meu corpo seminu e a parte inferior do meu corpo molhada, contorceram os rostos, demonstrando um nojo flagrante.
Mesmo sem olhar para os olhares e as fofocas dos outros, era nítido sobre o que falavam. Minhas costas tremiam e meu corpo todo estremecia. Todos me olhavam com olhos gelados.
— Senhor, trouxe o chicote.
Ouvi a voz do carrasco atrás de mim enquanto eu segurava o pilar com os braços abertos. O murmúrio baixo desapareceu completamente e, no silêncio pesado, fiquei com o corpo todo tenso. De repente, senti um movimento se aproximando e alguém rasgou minha camisa, expondo minhas costas. Respirei fundo o ar fresco e o vento forte soprou em meus ouvidos.
— …!
Fiquei instantaneamente atordoado pela dor terrível. Quando eu estava prestes a perder a consciência, o chicote desceu novamente. Depois disso, a cada vez que o chicote longo e grosso atingia minhas costas, a carne se abria e um novo golpe continuava sobre a pele exposta.
O sangue escorria pelas pernas e molhava o chão enquanto eu permanecia de boca aberta.
Não havia gritos; eu apenas arquejava em busca de ar, esperando perder os sentidos. Mas ele não parava nem hesitava. Cada vez que o chicote me atingia impiedosamente, meu corpo todo endurecia com o choque.
“Eu poderia morrer assim.”
Enquanto o chicote descia mais uma vez, pensei subitamente: se eu morrer…
Saliva misturada com espuma saiu da minha boca aberta. Mais uma vez, o chicote estalou em minhas costas e minha visão escureceu.
“Camar, você vai se lembrar de mim?”
Eu me perguntava se minha mente vacilaria por um momento com o golpe seguinte; então minha consciência se apagou e não me lembrei de mais nada depois disso.
***
— … uh, uh.
A consciência retornou através de uma dor terrível. Até respirar era doloroso. Quando abri os olhos, mal conseguindo puxar o ar, a escuridão caía por todos os lados. Após piscar algumas vezes e me acostumar com o breu, uma parede de pedra rústica entrou em vista. O ar frio subia do chão e eu quis me levantar, mas não conseguia nem me mexer. Movendo apenas o olhar para verificar os arredores, vi uma grade de ferro grossa aos meus pés. Só então percebi que o lugar onde eu estava era uma prisão.
— …!
No momento em que tentei mover meu corpo involuntariamente, uma dor terrível atravessou meu ser. Lágrimas brotaram junto com a respiração difícil. Eu não conseguia mover um único dedo. Tardiamente, senti o cheiro repugnante de sangue misturado ao odor úmido e mofado da cela, junto ao rastro do meu próprio feromônio flutuando.
Estou sozinho na prisão.
— Ugh…
Lágrimas surgiram e escorreram, fosse pela miséria ou pela dor. A dor lancinante não parava, era contínua. Até respirar parecia danificar a ferida, então tudo o que eu podia fazer era segurar o fôlego e exalar devagar.
Estava com sede e queria beber água, mas até isso era impossível. Eu preferia perder os sentidos novamente, mas a dor da carne fendida apenas deixava minha consciência mais clara, e nem isso ela me permitia perder.
“Rikal…”
Lembrei-me do gato que deixei para trás. O que Rikal fará se eu ficar aqui?
Sorte que eu tinha dado muita comida a ele da última vez, mas ele deve ter comido tudo em um dia. Há quanto tempo estou aqui assim? Rikal está bem? Não tenho ninguém para cuidar de mim…
Enquanto me preocupava, tentei pensar em outra coisa. Isso porque, se você esvaziar a cabeça apenas um pouco, sente que vai morrer imediatamente. Depois de rememorar lembranças da infância, recordar momentos com Rikal e pensar em Steward, finalmente pensei no Oásis.
“Yohan.”
Lembrando-me de Camar, que me abraçava e sorria brilhantemente, fechei os olhos e as lágrimas fluíram. As memórias de colher frutas sob o sol quente e dormir abraçados em uma cabana à noite eram tão doces que eu não conseguia parar de chorar.
“Eu quero voltar…”
As lembranças voltavam sem parar. Deixei as imagens passarem por mim, chorando e prendendo a respiração. Pela última vez, perdi a consciência novamente no momento em que abraçava Camar, que sorria e me beijava. Ele parecia sorrir um pouco.
***
Perdi a consciência várias vezes e abri os olhos novamente.
Gradualmente, o tempo para recuperar a consciência ficava mais curto e, quando abri os olhos de novo, pensei que talvez aquela fosse a última vez. Minha garganta estava tão seca que eu tinha dificuldade para respirar.
A dor constante paralisava o cérebro, dificultando o raciocínio.
No entanto, tornava-se cada vez mais difícil lembrar do passado; apenas a dor permanecia e me atormentava. Embora eu achasse que seria bom se tudo acabasse agora, estava vagamente preocupado com Rikal. Se Steward voltar, ele não levaria Rikal embora? Não, ele estaria em apuros por esconder que sou um Ômega, então seria melhor se ele não viesse.
Porque já basta que eles me punam.
Ao pensar nisso, de repente me ocorreu: talvez isso seja um castigo de Deus.
Foi minha culpa eu ter me tornado um Ômega, Camar ter me esquecido e eu ter ficado assim.
“… eu fiz tudo tão errado.”
Minha visão nublou novamente e, quando fechei os olhos, ouvi de repente um som fraco. Foi a primeira vez que ouvi algo além da minha respiração desde que fui preso; achei que era uma ilusão, mas o som foi se aproximando e ficando mais claro.
Infelizmente, conforme minha audição se recuperava, a dor tornava-se mais aguda também. Nenhum som saía das cordas vocais secas, então eu não conseguia nem gemer, apenas respirar fundo, até que os passos pararam a uma curta distância. Uma voz ecoou sobre minha consciência enfraquecida.
— O que há de errado com garoto? Ele não morreu?
— Tire-o daí de uma vez. De qualquer forma, vamos levá-lo.
— Ele está um trapo, sério.
Eles continuaram conversando, mas eu não conseguia ouvir direito. Eu estava prestes a perder os sentidos enquanto a voz falhava, mas de repente alguém agarrou meu braço e me arrastou violentamente.
— …!
Não saiu nenhum grito, apenas respirei fundo. O homem falou enquanto eu tentava recuperar o fôlego:
— O quê?, ele estava vivo.
— Por que diabos ele não fala e finge que está morto?
— Vamos, leve-o… Espere, esse bastardo está completamente dilacerado.
— Credo, é um milagre você ter aguentado até aqui. Suas costas estão em farrapos.
— Ele vai morrer mais cedo ou mais tarde.
O som se afastou novamente. Perdi completamente a consciência.
***
A escuridão continuava, tão densa que eu não conseguia ver nada. Olhei em volta, tremendo de medo, e dei um passo de cada vez, mas não conseguia saber se estava indo para frente ou para o lado. Não havia ninguém por perto. Cuidadosamente abri a boca e chamei pelos nomes.
“Rikal… Steward?”
Os arredores estavam silenciosos. Havia um silêncio que engolia até a minha voz.
Chamei o nome dele muito alto.
“Camar.”
Ainda não houve resposta. Lágrimas fluíram e enterrei o rosto nas mãos. Não há ninguém aqui. Não tenho ninguém agora.
“Você ficará sozinho para sempre assim.”
Quando pensei nisso, de repente um aroma doce chegou à ponta do meu nariz. Demorei um pouco mais para reagir. No momento em que levantei a cabeça, tive medo da realidade que surgia. Lentamente, muito lentamente, tirei a mão do rosto. Precisei de um pouco mais de coragem para abrir os olhos. Uma luz brilhou através das minhas pálpebras fechadas.
Ao levantar as pálpebras pouco a pouco, uma luz brilhante inundou minha visão.
Um aroma suave subitamente me envolveu. E eu parei de respirar. Eu estava no meio de uma luz deslumbrante. Olhando para mim, de braços abertos, sorrindo mais radiante do que nunca.
“Yohan.”
“Camar.”
Eu finalmente caí no choro e corri para ele. Quando pulei, ele me abraçou apertado.
“Onde você esteve? Onde esteve e o que fez até agora? Não, não estou ressentido. Não odeio nada. Está tudo bem porque você acabou de chegar. Está tudo bem porque você voltou para mim…”
“Camar.”
Fechei os olhos e chorei. Nunca mais me deixe…
— Ah…
Quando abri os olhos, eu estava deitado sozinho. Ao mesmo tempo, a dor de sempre veio e um gemido escapou pelos meus lábios sem que eu percebesse.
“Haa… haa…”
Respirei fundo e tentei me acalmar. Meu cérebro formigava como se a eletricidade tivesse sido ligada e era difícil pensar com clareza.
A agulha em meu braço entrou em vista, e então percebi que estava deitado de bruços em uma cama macia, em vez do familiar chão de pedra dura.
— Oh…
Uma voz rouca saiu. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, então mal consegui desviar o olhar quando, de repente, um cheiro doce veio à ponta do meu nariz. Em um instante, sonho e realidade se misturaram. Eu ainda estava sonhando? Ou era real? O que aconteceu?
“Camar, onde você está?”
Enquanto as lágrimas brotavam, alguém foi refletido na beirada da minha visão.
Pisquei apressadamente e encontrei um olhar gelado me encarando de volta.
Era o Príncipe Herdeiro Asgyle.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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