Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 39 Online


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⚝ Capítulo 39

— Você recebeu uma chamada do palácio real? — perguntei, surpreso.
Steward sorriu e assentiu.
— Foi uma longa espera. Eu já estava até pensando se deveria voltar para o meu país de mãos abanando.
— Nossa… — murmurei.
Steward respirou fundo e continuou com um sorriso gentil:
— Graças a você, Yohan, foi fácil aguentar esse tempo todo. Obrigado.
— O que eu fiz…?
Senti o rosto esquentar e cocei a nuca, meio sem jeito. Steward não deixou o sorriso sumir e explicou:
— Se eu estivesse aqui sozinho, já teria ido embora. Acho que consegui reunir forças para esperar porque eu tinha com quem conversar. É graças a você, Yohan.
Naquele momento, Rikal miou, esfregando-se nas pernas dele. Steward se inclinou debaixo da mesa e coçou o queixo do gato.
— E graças ao Rikal também, claro.
O gato ronronou alto, parecendo concordar. Vendo a cena, deixei escapar um comentário sem pensar:
— O Rikal é muito dócil com você. O Camar não gostava nem um pouco dele…
Assim que a frase saiu, me dei conta do que tinha dito. Ops. Mas já era tarde demais. O sorriso de Steward desapareceu, ele endireitou a postura, e o rosto dele foi tomado pela preocupação.
— Você está bem, Yohan?
— Ah… O quê? Vem cá, Rikal.
Usando o gato como desculpa, desviei o olhar. Quando me inclinei e estendi as mãos, Rikal se jogou nos meus braços de bom grado. Mesmo sabendo claramente que eu estava tentando fugir do assunto, Steward não hesitou e continuou falando:
— É como esperar por algo sem nenhuma garantia. Já faz mais de meio ano que o Camar desapareceu. Eu acho que já passou da hora de você tentar limpar a mente e seguir em frente.
— Ainda não fez um ano — respondi em voz baixa.
Steward ficou em silêncio por um momento.
— Então, Yohan, por quanto tempo você pretende esperar? Um ano? Dois anos?
— Três anos? — ele perguntou num tom calmo e sério. — Você vai ficar aqui até o Camar voltar?
Eu não consegui responder a isso. Porque eu nunca tinha estabelecido um prazo na minha cabeça. A pergunta de Steward me pegou desprevenido. Pois é, até quando eu vou esperar?
— Eu nunca parei pra pensar nisso… — confessei, mas logo me apressei em acrescentar antes que Steward falasse algo. — Mas o Camar não está demorando porque ele quer. Tenho certeza de que algo de ruim aconteceu. Então, se eu não ficar aqui esperando, ele vai ficar muito triste quando voltar e não me encontrar.
Steward ficou em silêncio por um longo tempo antes de voltar a falar.
— Quer dizer que você vai esperar ele voltar pra sempre, não importa o tempo que passe.
Mesmo que ele achasse isso patético, eu não podia fazer nada. Eu não conseguia sequer imaginar uma vida diferente.
Um momento de silêncio se estendeu. Ouvi Steward soltar um suspiro leve.
— “Preste atenção na canção de amor da Galeria da Aldeia Feliz.”
— O quê? — Levantei a cabeça, confuso.
Steward deu o seu sorriso habitual.
— É só um poema. Bem antigo, por sinal.
— Ah… Entendi… — respondi, sem saber o que dizer.
— Enfim — Steward interveio, mudando de assunto. — Como eu te disse, vou ficar fora por alguns dias. Vou ao palácio real. Se você precisar de alguma coisa de lá, é só me falar. Chá, algum petisco pro Rikal…
Steward sempre me trazia algum presente quando viajava a trabalho por alguns dias. Para agradecer, eu ocasionalmente preparava refeições para ele, já que ele ficava tão absorto nos estudos que muitas vezes esquecia de comer. Como de costume, agradeci a oferta e pedi petiscos para o Rikal.
— Ele adorou a lata de ração que você comprou da última vez, mas eu não consigo achar pra vender por aqui.
— É, não achei nem na internet. Não foi fácil de encontrar, mas vou tentar. Só não prometo nada.
Agradeci novamente com um sorriso. Steward terminou de jantar comigo, tomou todo o seu chá e voltou para o próprio quarto.
Dois dias depois, ele partiu para o palácio.

***

— Haaah…
Depois que soltei um longo suspiro, o silêncio preencheu o quarto. O ambiente parecia mais quieto do que o normal. Se o Rikal, que estava dormindo, não roncasse de vez em quando, eu quase acharia que tinha ficado surdo.
— Ai…
Pouco tempo depois, minha visão escureceu. Parei de costurar a tapeçaria e esfreguei os olhos. Quando os abri de novo, minha visão continuava embaçada, então não tive escolha a não ser interromper o trabalho.
Desde que Camar sumiu, minha visão piorou drasticamente. Nos quase dois meses que se seguiram ao desaparecimento dele, eu mal conseguia beber água, quem dirá comer. Depois de quase morrer de inanição, eu finalmente voltei aos poucos a mim. Mas, um dia, ao me sentar na mesa de trabalho, percebi que meus olhos estavam estranhos. A partir de então, minha visão começou a ficar tão turva que, de vez em quando, eu mal conseguia enxergar o que estava bem na minha frente.
Eu conseguia um bom dinheiro quando terminava uma tapeçaria, mas, por conta dos meus olhos, eu não podia passar muito tempo focado nisso, o que atrasava muito a entrega de uma peça. Tinha terminado a minha última encomenda no mês passado, o que me garantiu o sustento por um tempo, mas eu já estava começando a me preocupar se o dinheiro duraria até eu finalizar a próxima.
No entanto, sempre que podia, eu convidava Steward para comer ou passar um tempo juntos. Se eu não fizesse isso, a solidão seria insuportável. Steward era um bom amigo e, às vezes, até se oferecia para pagar as compras do mês. Claro, eu recusava. Era por isso, provavelmente, que ele tinha o costume de trazer “presentes” sempre que viajava. Era difícil recusar presentes, então eu só podia agradecer.
Mas havia outro motivo pelo qual eu aceitava a presença constante dele.
Eu vou voltar logo.
Lembrei dessa frase e olhei para a porta. Desde o dia em que Camar disse isso e nunca mais voltou, a insônia me consumia sempre que Steward saía de casa. Eu tinha um medo irracional de que, assim como Camar, ele também desaparecesse.
Hoje não foi diferente. Assim que parei de trabalhar e soltei a agulha, senti a boca seca e uma dor de cabeça latejante.
Não se preocupe, o Steward vai voltar. As coisas dele estão todas no quarto.
Tentei me acalmar, mas não era fácil. Nesses momentos, eu puxava Rikal para o colo, e hoje fiz o mesmo. O gato, que estava dormindo num canto, acordou resmungando, mas assim que o abracei e beijei, ele logo se aninhou, calmo.
Olhei pela janela e voltei a acariciar o gato, que já dormia de novo. Fiquei deslumbrado com a luz do sol, que estava excepcionalmente brilhante. Quando fechei os olhos e me encostei na parede, o fundo dos meus olhos começou a arder e latejar. Esse também era um sintoma recente. Fiquei sentado ali, em silêncio, esperando a dor incômoda passar.
Ao longe, o sino tocou, anunciando o horário das orações.
***
Fazia uma semana que Steward tinha ido embora. Ao descer as escadas da pensão para ir comprar mantimentos, notei que a atmosfera do lugar estava diferente. Fiquei confuso ao ver que as pessoas passando pelos corredores e saindo do prédio pareciam eufóricas e animadas. Lá fora, o clima era o mesmo.
Por que tem tanta gente na rua a essa hora?
Apressei o passo, confuso. Eu sempre precisava tomar os remédios antes de sair, mas os inibidores me davam muita náusea e às vezes me faziam vomitar. Por isso, eu tentava sair de casa o mínimo possível, só quando meus suprimentos chegavam ao fim. Dessa vez não foi diferente: me sentindo enjoado, corri até a loja mais próxima.
Enquanto eu caminhava até o caixa com a ração do Rikal e algumas coisas para mim, ouvi o dono da loja conversando animado com um cliente.
— Ah, maravilha. Quanto tempo faz? Pra ser sincero, eu já sabia o que tava rolando.
Ao ouvir o cliente, o dono riu e bateu palmas.
— Mas será que é verdade mesmo? Quem foi que viu? Todas aquelas fofocas de que ele tava doente não passavam de boato, então?
— Então por que ele sumiu por tanto tempo? Já faz quase um ano desde a última aparição dele.
— Foi um período de oração, homem de pouca fé! Ele voltou esbanjando saúde e você ainda não acredita?
— Não, não é isso…
O dono da loja pegou meus itens e começou a colocá-los na sacola, ainda falando alto com o outro homem:
— Se você ousar duvidar do representante de Deus, será castigado!
Diante daquela ameaça exagerada, o cliente assentiu e não disse mais nada. Quando paguei minhas compras e saí, ouvi a conversa recomeçar às minhas costas.
— Eu tava tão preocupado, achando que o rei fosse bater as botas a qualquer momento, mas agora eu tô em paz.
Quando voltei para a pensão, havia várias pessoas no corredor do térreo, amontoadas em frente a uma televisão. Passei de fininho por trás delas e fui em direção às escadas. A voz fria e profissional do âncora do telejornal ecoou pelo corredor:
— “…Portanto, o Príncipe Herdeiro retomará oficialmente suas atividades a partir deste mês e decidiu organizar um banquete diplomático. As audiências oficiais terão início no mês que vem.”
Ah, entendi.
Foi então que compreendi o motivo de toda aquela comoção. Em resumo, o príncipe herdeiro, que estava sumido há muito tempo e era alvo de tantas fofocas, finalmente havia reaparecido em público.
“Bom para eles”, pensei, desinteressado, e subi as escadas para o meu quarto. A voz do repórter ainda pôde ser ouvida enquanto eu me afastava:
— “Nesta tarde, o Príncipe Herdeiro visitou o hospital local e concedeu sua bênção…”
Quando fechei a porta do meu quarto, o silêncio retornou. Soltei um suspiro pesado e coloquei as sacolas na mesa, desviando de Rikal, que veio correndo na minha direção. Abri a janela para deixar o ar circular e comecei a arrumar as compras, quando ouvi batidas na porta. Fui abrir e vi que era o dono da pensão.
— Só pra avisar: amanhã vai ser feriado nacional, decretado pelo Príncipe Herdeiro como um dia de bênção. Não importa se você é estrangeiro, vai ter comida e festa de graça na rua, então aproveita pra sair e se divertir!
Depois de dar a notícia com um sorriso enorme, ele se despediu e desceu as escadas. Não era uma má ideia, mas, para mim, era inviável. Sair para o meio de uma multidão significava ter que tomar mais inibidores. Ainda assim, achei que não seria de todo mal pelo menos sentir um pouco daquela atmosfera festiva pela janela.
Me sentindo particularmente exausto, fui dormir mais cedo. Mas, por causa do barulho, da luz e do som dos fogos de artifício estourando a noite inteira lá fora, eu mal consegui pregar o olho.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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