Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 37 Online

⚝ Capítulo 37
… …
Acordei de repente com o som de água pingando. Fechei os olhos de novo, tentando entender o que era aquilo. Enquanto isso, o barulho continuava, constante e irritante. Sem perceber, franzi a testa. Um clarão forte iluminou a janela, e eu despertei por completo.
Assustado, abri os olhos num pulo, e logo em seguida, o estrondo ensurdecedor de um trovão cortou os ares.
— …!
Houve um som de respiração ofegante e afiada ao meu lado. Virei-me no mesmo instante e vi as costas de Camar. No momento em que percebi que aquelas costas, que sempre me pareceram tão largas e fortes, estavam tremendo levemente, esqueci de todo o resto.
— Camar!
Chamei por ele apressado e o abri pelos ombros. O corpo enorme dele ficou rígido nos meus braços, mas eu continuei a falar sem hesitar:
— Tá tudo bem, eu tô aqui. Eu vou te proteger. Não precisa ter medo.
Outro clarão iluminou o quarto. Rapidamente, cobri os ouvidos dele com as minhas mãos. KRAAA-BOOM! Levei um susto com o rugido que ecoou não muito longe dali, mas não tirei as mãos das orelhas do Camar.
Não sei quantos raios e trovões caíram ao nosso redor depois disso. Quando pareceu que a fúria da tempestade estava finalmente passando, Camar segurou as minhas mãos que cobriam suas orelhas, afastou-as com cuidado e sussurrou:
— Eu tenho medo.
Era uma voz baixa e trêmula, que se misturava ao barulho da chuva lá fora.
— E se eu te machucar? E se… quando eu voltar a mim, você… se você estiver machucado? Se você estiver morto?
— Camar…
— Eu não posso ficar com você.
— Camar! — Chamei o nome dele mais alto, fazendo-o parar de falar aquela besteira. Apressado, continuei a dizer o que eu deveria ter dito antes. — Eu não me importo com quem você é, Camar.
Falei cada palavra com força e com toda a sinceridade do meu coração.
— Eu te amo. Eu não ligo pra mais nada. Me separar de você… eu não consigo. Eu nunca vou conseguir fazer isso.
Camar virou o rosto devagar. O olhar dele tremia violentamente enquanto me encarava. Quando ele abriu a boca, a voz saiu tão instável quanto seus olhos:
— Eu posso ter feito coisas terríveis no passado.
— Não me importa se você for um criminoso. Eu…
Comecei a negar com veemência, mas de repente fechei a boca. Camar piscou, confuso com a minha voz perdendo a força. Eu queria continuar, mas as palavras travavam na minha garganta por puro medo. Hesitei por um bom tempo antes de finalmente sussurrar:
— Eu tenho medo é de que já exista alguém importante pra você.
Os olhos de Camar se arregalaram de surpresa. Fechei os meus olhos, evitando o olhar dele, e soltei a respiração de uma vez.
— Você não se lembra, mas pode ter um amor. Pode ser casado, pode ter filhos, e… e…
Eu mal consegui cuspir as últimas palavras: “E então, você vai me deixar.”
— Eu não vou te deixar — Camar negou no mesmo instante. — Eu vou ficar do seu lado. Não importa o que aconteça, não me deixe. Porque eu te amo. Eu só ia embora porque tinha medo de te machucar.
Meu coração disparou, e, ao mesmo tempo, fui inundado pela culpa. Uma alegria egoísta e um êxtase inescrupuloso começaram a tomar conta de mim. Mesmo com o coração batendo loucamente de felicidade, dei um passo para trás e assumi a postura de um pecador inocente.
— Sua esposa deve ser tão digna de pena… E os seus filhos?
Ele ficou me olhando sem dizer nada. Nenhuma resposta seria a certa naquela hora. E, ainda assim, o silêncio dele me decepcionou um pouco. Eu sabia que minha reação era injusta. Eu era quem estava errado por forçá-lo a lidar com aquela culpa imaginária, mas não conseguia evitar a insegurança.
Então, Camar abriu a boca, o olhar decidido, pronto para me deixar sem chão:
— Então, você quer morrer?
No meio do silêncio ensurdecedor que se seguiu, percebi que tinha esquecido de respirar. Depois de me encarar com um olhar profundo, ele continuou com o rosto impassível:
— Então vamos morrer juntos.
Camar murmurou para mim, sério, não como se fosse uma piada.
— “O mundo é vazio, e eu não quero mais viver…”
Eu não fazia ideia de que um dia ele lembraria daquela música que eu tinha cantado para ele. Maravilhado, dei um sorriso fraco e inclinei a cabeça. Nossos lábios se encontraram e eu fechei os olhos.
Achei que eu ia recusar. Achei que deveria ter brigado com ele por falar tanta besteira ou, no mínimo, ter rido da cara dele. Mas eu não neguei. Em vez disso, passei os braços pelo pescoço dele.
— Vamos dar um jeito de sair deste país o mais rápido possível — Camar sussurrou, me beijando sem parar.
— Sim — concordei com a cabeça.
Ele continuou:
— Vamos para outro país e viver só nós dois, onde não tenha mais ninguém.
— Sim, vamos.
Enquanto eu concordava, ele beijou minha bochecha e a minha testa. Depois, afundou o rosto no meu ombro, esfregando o nariz ali e me fazendo cócegas. Acabei rindo.
— Para com isso, faz cócegas!
Camar deu uma risada baixa, me abraçou por trás e respirou fundo, soltando um suspiro relaxado.
— A gente vai ter filhos também.
Ele pausou por um momento. Dessa vez, eu não respondi de imediato e hesitei. Ignorando o meu silêncio, ele continuou, beijando meu pescoço e minhas costas um atrás do outro.
— Eu tô tão feliz por você ser um ômega.
Travei e olhei para trás. Nossos olhos se encontraram e Camar, com um sorriso radiante no rosto, me deu um beijo rápido nos lábios, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Quando ele se afastou, abri a boca com cuidado:
— Sério…? Você acha mesmo isso?
— É claro — Camar respondeu sem a menor hesitação. — Eu tô muito feliz por você ser um ômega.
Fiquei sem palavras. Por algum motivo, um nó se formou na minha garganta e eu mordi o lábio para não soluçar. “Obrigado”, murmurei, balançando a cabeça.
Nossos lábios se encontraram de novo, e ele subiu em cima de mim. Sem hesitar, agarrei o colarinho dele. Meus olhos ardiam. Eu queria esse homem. Se fosse preciso ir para o inferno, que eu fosse. Se eu tivesse que perder o mundo inteiro, que eu perdesse. Mas, por favor, me deixe ficar com esse homem.
Foi a primeira vez na vida que orei a Deus.
***
Desde aquela manhã, eu não estava me sentindo bem. Mal conseguia sair da cama por causa da sensação estranha de febre e moleza no corpo.
— Cof, cof.
Até a tosse tinha aparecido. Parecia que eu tinha pegado um resfriado forte. Soltei um gemido e puxei o cobertor até o pescoço.
— Haah… haah…
Camar, que me olhava com preocupação, perguntou:
— Você tá bem?
— Aham… — Assenti devagar. — Acho que é só um resfriado.
Era óbvio que meu nariz estava entupido e minha voz soava anasalada. Vendo o sorriso preocupado no rosto dele, forcei um sorriso também.
— Fica tranquilo, eu tô bem. Pode ir e toma cuidado.
Despedi-me dele deitado na cama. Determinado a conseguir dinheiro, ele ia tentar vender mais tapetes e, para isso, precisava sair de casa mais uma vez.
— Fica na cama, Yohan. Não levanta pra nada até eu voltar e não faz esforço, entendeu?
— Sim, eu sei.
Dei um sorriso despreocupado e acenei com a mão. Depois de olhar para trás várias vezes, visivelmente relutante, Camar finalmente fechou a porta e desapareceu, me deixando sozinho no quarto.
O silêncio tomou conta do lugar.
— Cof, cof.
Tossi de novo e meu corpo inteiro tremeu. Era um resfriado bem forte. Foi a primeira vez que me senti tão tonto e com tanta febre. Tentei não pensar muito nisso e puxei as cobertas em volta do corpo o mais apertado que consegui. A tosse vinha de tempos em tempos, e quando vinha, era tão forte que meus pulmões doíam.
“Será que a gente tem remédio pra resfriado?”
Pensei com a mente nublada pela febre. Camar tinha comprado alguns remédios antes. Mas eu não lembrava se havia algo para gripe. Considerando que ele só comprou analgésico e remédio pro estômago, a chance de não ter nada para resfriado era grande.
“Pensando bem, eu nunca vi o Camar doente…”
Pensei, meio aéreo. “Bom, ele tem um físico tão forte…”
Dizem que ser forte e ser saudável são coisas diferentes, mas no caso dele, parecia ser a mesma coisa. Enfim, é sempre bom ter saúde. Enquanto eu divagava, pisquei os olhos, confuso.
“…No que é que eu tava pensando mesmo?”
Ouvi um “miau” baixinho. Abri os olhos pesados de sono e vi Rikal empurrando as cobertas para se enfiar debaixo delas comigo. Dei um sorriso fraco e o abracei. O calor do corpo do gato nos meus braços me acalmou, e eu finalmente consegui pegar no sono.
Depois de dormir profundamente por várias horas, quando abri os olhos de novo, já era noite fechada. Só o Rikal e eu estávamos no quarto.
“Ele tá demorando, né?”
Pensei, e fiquei esperando a porta se abrir.
Mas Camar não voltou naquele dia.
Ele não voltou no dia seguinte, nem no outro.
E agora, já faz seis meses que ele desapareceu.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho