Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 111 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 111

Um silêncio pesado se instalou. Asgyle olhava para mim com o corpo meio erguido. A confusão permanecia em seu rosto. A expressão dele, que costumava ser difícil de ler, agora era clara.
“Que diabos esse ômega patético está falando para mim?”
— Ha.
Um suspiro profundo escapou da boca de Asgyle. O olhar que antes estava voltado para outro lugar retornou a mim. Vendo aquele rosto de novo, como uma máscara inexpressiva, eu já sabia o que viria a seguir.
— Eu o conheci um pouco, mas você realmente não conhece o seu lugar.
A voz de Asgyle ficou mais baixa que o normal. Ele parecia prestes a ordenar que trouxessem um chicote para me castigar. O aroma de feromônios, que antes se espalhava sutilmente, tornou-se várias vezes mais forte. Era o suficiente para notar o quanto ele se sentiu ofendido pelas minhas palavras.
É claro que estava.
Eu percebi isso de forma aguda. Como ousa um ômega, cuja única utilidade é aquecer a cama, dizer tal coisa à realeza divina? Mesmo que não fosse um chicote, um golpe no pescoço, todos entenderiam. Eu não me importava por ter soltado aquela bomba.
Eu sabia que o peso das minhas palavras me esmagaria, mas, por outro lado, eu ainda queria dizer. “Era você, aquele que eu amava, aquele que eu procurava, meu primeiro e meu último, você era tudo para mim.”
— Na verdade… — Falei tentando conter o que parecia ser um choro iminente. Vendo o rosto de Asgyle endurecer, continuei: — Aquele que eu amava era Vossa Alteza. Eu vim aqui para encontrar Vossa Alteza.
— …
— Cale a boca, caso contrário…
Asgyle rangeu os dentes. Mas eu não parei.
— Vossa Alteza esteve comigo durante um período que não se lembra. Nós nos beijamos, nos abraçamos e unimos nossos corpos inúmeras vezes. Vossa Alteza me pediu para ter um filho.
— Silêncio.
— Você disse que me amava…!
— Cale a boca!
Uma mão grande me agarrou pelo pescoço. Imediatamente, minha respiração parou e meus olhos ficaram vermelhos. Eu tentava falar, mas apenas sons sufocados saíam. Camar olhou para mim enquanto eu mastigava as palavras na boca e as cuspia com um gemido de dor.
— Quantas vezes você já entregou esse seu corpo sujo por aí para ousar dizer tamanha bobagem? Quer que eu quebre seu pescoço agora mesmo?
Mas isso não importava.
Uma ideia me veio vagamente à mente. Eu preferiria morrer em suas mãos. As lágrimas fluíram por conta própria e meu corpo perdeu as forças. Você nem sequer se lembra do seu amor por mim. Não, para você, isso é apenas um insulto. Todo o meu esforço, meu amor e tudo o que fiz… com que esperança posso viver agora?
— … Coff!
De repente, a força da mão que apertava meu pescoço desapareceu e o oxigênio entrou bruscamente. A dor se espalhou como se as células de todo o meu corpo tivessem encolhido de uma vez. Asgyle não disse nada enquanto eu me contorcia em um acesso de tosse.
Tossi repetidamente, agarrando o peito.
Asgyle, que apenas me observava ofegar com lágrimas nos olhos, finalmente falou quando minha respiração se acalmou um pouco.
— Diga-me a verdade.
Uma voz mais fria do que nunca me atingiu. Até o feromônio, que era tão doce, agora só machucava como uma faca perfurando o meubcorpo. Mal consegui olhar para ele através das lágrimas. Asgyle zombou e riu de mim.
— Você acha que eu não sabia que você andava rondando o palácio? Deve ter ouvido algo de algum servo falador. Achou que um truque tão grosseiro funcionaria comigo? Uma mentira que nem um mendigo acreditaria.
E ele ordenou com o rosto inexpressivo:
— Se você se arrepender agora, eu o perdoarei. Mas se mentir de novo, arrancarei sua língua e o golpearei na garganta. Você entendeu?
Respirei fundo e olhei para o Príncipe Herdeiro. Ele estava falando sério. A voz que ordenou que o pulso de um servo fosse cortado comandaria a minha morte. E eu simplesmente desapareceria da vida dele.
O que mudaria? Eu ainda sou como poeira. Cerrei os punhos e baixei a cabeça. Meus olhos arderam novamente.
— É mentira… é…
Uma voz muito rouca saiu. Com uma pausa entre as palavras, repeti a resposta que ele esperava:
— É tudo… é tudo mentira… eu errei… eu… por favor, perdoe-me…
As lágrimas caíram sobre o lençol. O que Asgyle pensaria do motivo do meu choro? Lágrimas de arrependimento? Ou será que…
Balancei a cabeça vigorosamente. Meus olhos encontraram os de Asgyle, que me encarava.
“…Que infeliz eu sou.”
No momento em que vi sua expressão, eu entendi. Por um breve momento, mesmo que por apenas alguns segundos, você se sentiu comovido pelas minhas palavras. Se o seu coração se inclinou, nem que por um instante, às minhas palavras sem fundamento, isso é tudo.
…Mesmo que você olhe para mim agora como se estivesse aliviado por eu dizer que era mentira, está tudo bem.
Baixei a cabeça novamente e me deitei na cama. O que ele iria fazer já estava decidido. No entanto, não consegui reunir coragem para olhar para o seu rosto, então me apoiei de bruços e tirei as calças.
Após um silêncio, Asgyle subiu em cima de mim. Um peso pesado caiu sobre mim e senti o contato de seu pênis. Talvez pelas sequelas do estrangulamento, meu corpo estava completamente entregue, sem força alguma. Asgyle, que inseriu o pau sem dificuldade, começou a se mover. Às vezes eu contorcia o rosto de dor, mas fechava os olhos e aguentava.
Se eu fosse uma mulher, teria me agarrado a você. Não, se eu não fosse um ômega.
Várias vezes ao dia, meu coração sobe e desce entre o céu e o inferno. Eu estava tão feliz antes, mas agora meu coração parece estar completamente em carne viva.
Asgyle puxou minha camisa e beijou meu ombro nu. O que ele está pensando? Seu pau ainda estava profundamente dentro de mim, mas seu movimento de entrada e saída era lento e gentil. Seus lábios tocaram meu pescoço e sua respiração ainda estava quente. Então, chorei de novo.
“Oh, eu realmente amo você.” Percebo que não me restou orgulho algum. Cada vez que as feridas crescem, eu percebo. Eu te amo.
Sinto pena de mim no momento mais miserável. No entanto, eu ainda gosto de você. Eu deveria ferir minha autoestima, te odiar e tremer de desprezo. Mas ainda assim, parece certo que você precise de mim, se eu te amo mais do que a mim mesmo. Descansei os olhos na mão que agarrava o lençol. As lágrimas não paravam e era difícil respirar. Como se fosse um castigo, o sêmen de Asgyle preencheu meu interior durante a ejaculação.
***
— Rikal!
Assim que chamei o nome dele, o gato correu até mim e me abraçou. Ao ver Rikal miando, esfregando a cabeça em mim sem saber o que fazer, senti alívio, mas também uma frustração e o apertei forte.
— O Rikal ficou esperando o tempo todo. — Meisa disse com um sorriso amargo.
Ao ouvir aquilo, pedi desculpas novamente e esfreguei minha bochecha na cabeça de Rikal.
— Sinto muito, Rikal. Eu voltarei com frequência.
Coloquei o gato no colo e dei a ele um pedaço de peixe da cozinha na palma da minha mão. Só de ver o Rikal comendo com vontade, eu já me sentia satisfeito. Acariciei o traseiro do gato enquanto o observava comer. Meisa disse enquanto me entregava o chá:
— Como está seu corpo? Sua pele não parece muito boa.
— Ah… está tudo bem. Eu também comi.
Quando acordei de manhã, Asgyle não estava lá, mas a comida estava pronta. Molhei o pão na sopa fria e comi alguns vegetais. Foi um pouco decepcionante que os macarons que estavam empilhados ontem tivessem sido levados em algum momento.
— Ouvi dizer que Sua Alteza sairá do palácio a partir de hoje. Você ficou sabendo?
— O quê? — Esfregando meus olhos que estavam embaçados, parei o que estava fazendo e levantei a cabeça. Meisa continuou, levando a xícara de chá à boca: — Parece que ele vai sair com aquela pessoa chamada Hayden. Uma semana, talvez? É isso.
— Sei…
Enquanto respondia, senti algo estranho. Mesmo após ouvir sobre Asgyle, meu coração não estava o mesmo de antes. Meu peito, que costumava bater feito louco, estava silencioso. Inclinei a cabeça.
“Meu peito está estranho. Será que estou doente?”
Um pensamento surgiu subitamente. Antigamente, Camar tinha me pedido para dar à luz a um filho dele. O Príncipe Herdeiro Asgyle disse o contrário. Curiosamente, apenas isso não saía da minha mente. No entanto, a ideia não foi muito longe. Logo parei de pensar nisso e foquei no Rikal novamente.
— Yohan…
Meisa, que me observava em silêncio, abriu a boca. Uma batida leve foi ouvida na porta e, ao mesmo tempo, desviamos o olhar. Após um momento, a porta se abriu e um aroma doce entrou antes de qualquer pessoa. Após uma pausa, o homem que entrou me cumprimentou com um sorriso brilhante.
— Ei, aqui está você, Yohan.
Olhei em silêncio para o rosto de Hayden enquanto ele entrava alegremente no quarto.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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