Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 105 Online

⚝ Capítulo 105
Era como se o tempo tivesse parado. Eu o encarei, com o pescoço virado.
Asgyle, parado a poucos passos de distância, olhou do homem agachado entre minhas pernas para o meu rosto. Quando nossos olhos se encontraram, ele franziu a testa e olhou para baixo novamente. Ele encarou a mão do homem que ainda estava na parte interna da minha coxa.
– Eu… meu senhor!
O servo, que estivera paralisado até então, gritou como se tivesse recuperado os sentidos tarde demais e recuou às pressas.
Eu puxei rapidamente minhas calças junto com a roupa de baixo e me encostei na parede. O servo que havia saído para consultar Asgyle não estava em lugar nenhum. Provavelmente ele tinha ido por outro caminho.
O servo que ficou se ajoelhou diante de Asgyle em silêncio e, abaixando a cabeça, gritou com urgência:
– Eu… Vossa Majestade… as circunstâncias, isso…
– Dive.
Asgyle, interrompendo o clamor trêmulo com sua voz invariavelmente indiferente, chamou o nome do guarda-costas. Dive, parado logo atrás dele, curvou a cabeça rapidamente em resposta.
– Sim, meu senhor.
Olhando para o servo que tremia, Asgyle abriu a boca:
– Corte os pulsos e fure os olhos dele.
– Vossa Majestade!
– Sim, meu senhor.
Contrário ao grito aterrorizado do condenado, os outros guardas se moveram rapidamente ao sinal do extremamente burocrático Dive. Eles imediatamente agarraram o braço do servo que estava caído no chão e, no momento em que o levantaram, viram que seu pênis, que ainda não havia murchado, levantava a bainha de seu uniforme. Vendo isso, Asgyle franziu a testa e soltou um suspiro irritado.
– Corte fora essa coisa nojenta também.
– Senhor, por favor, poupe-me! Vossa Majestade!
Ele soltou um grito, mas não durou muito. Imediatamente, os guardas o estrangularam para impedi-lo de respirar, de modo que ele não conseguisse emitir som algum. Eu, que ainda estava grudado na parede, prendendo a respiração e assistindo à cena, fiz contato visual com Asgyle, que então se virou para mim. Ao me ver tenso de medo, as rugas na testa dele se aprofundaram ainda mais. Estava claro que ele não gostou da minha reação.
Mas meu corpo já estava tremendo fora de controle.
Eu estava tão feliz até pouco tempo atrás, mas agora esse sentimento desapareceu, restando apenas o pavor de Asgyle. No passado, Asgyle cortou os pulsos de dois servos diante dos meus olhos. Desta vez, ele estava apenas dando instruções a Dive, mas o conteúdo era mais brutal do que antes.
Asgyle ordenou que cortassem os pulsos, cegassem e, além disso, impedissem que o homem agisse como tal, só por ter me tocado. Um homem que podia casualmente ordenar chibatadas nas minhas costas ou tirar uma vida… eu tinha medo desse príncipe.
Asgyle moveu o corpo. Ele deu um passo em minha direção, eu que estava paralisado e tremendo. A distância de poucos passos encurtou-se em um instante. Em vez de fugir, eu nem conseguia piscar enquanto o via se aproximar. Asgyle parou lentamente e levantou a mão.
Assim que aquela mão grande entrou em minha visão, não consegui conter o medo; encolhi os ombros e fechei os olhos. Sem conseguir sequer imaginar o que viria a seguir, de repente abri as pálpebras surpreso ao sentir mãos segurando minha cintura.
– Ah!
Com um grito curto, meu corpo inteiro foi erguido. Asgyle, sem hesitação, agarrou minha cintura e me levantou, colocando-me sobre um de seus ombros. Fui carregado subitamente como um saco de estopa e olhei ao redor rapidamente. No entanto, nem os guardas nem os atendentes que estavam por perto reagiram. Talvez porque fosse impossível contestar o que o Príncipe Herdeiro fazia, mas para mim era simplesmente constrangedor.
Ignorando minha impotência, Asgyle seguiu em frente e, pela porta que os servos abriram, entrei de costas sobre o ombro dele. A porta se fechou novamente diante de mim, revelando um quarto familiar. Mal consegui virar a cabeça para olhar para trás, e parte da cama entrou no meu campo de visão estreito. Ela se aproximava em um ritmo incrivelmente rápido, embora estivesse claro que o Príncipe caminhava em seu passo habitual, sem correr.
– …!
Asgyle, que mantinha minhas pernas fixas com um braço enquanto me carregava, parou de repente e me deitou, quase me jogando na cama. Caí sobre o colchão sem emitir um som.
Asgyle se aproximou de mim sem pressa, enquanto eu recuperava os sentidos e tentava rastejar para o outro lado da cama. Fui arrastado pelo tornozelo e, sem chance de fuga, retornei ao lugar original.
– Ha…
Asgyle me encarava sem dizer uma palavra enquanto eu estava deitado e encolhido. Ele ainda franzia a testa, mas não parecia zangado. Embora eu sentisse isso vagamente, os tremores no meu corpo não diminuíam, então fechei os punhos involuntariamente. Asgyle, que notou o tremor das minhas mãos cerradas, soltou meus tornozelos e inclinou-se sobre mim. Ele se debruçou em minha direção e fez contato visual.
Ele soltou um suspiro antes de falar.
– Você se lembra do que eu ordenei?
Não havia emoção naquela voz baixa e abafada. Eu balancei a cabeça e assenti ao mesmo tempo. Ele continuou me olhando, com as mãos apoiadas na cama e minha cabeça entre elas.
– Então por que você estava daquele jeito?
– Is-isso… aquilo…
Abri a boca com dificuldade, mas as palavras não saíam direito. Lutei para não cair no choro enquanto meus dentes batiam e eu mordia a ponta da língua. Felizmente, Asgyle não me apressou e esperou em silêncio. Reuni o que restava de coragem e mal consegui falar.
– E-eu… eu não sabia se poderia estar escondendo algo que ferisse Vossa Alteza.
Diante dessas palavras, o rosto de Asgyle se contorceu. Um curto som de exclamação seguiu-se, como se ele estivesse atônito.
– Você ferindo?
O olhar dele, que percorreu meu corpo uma vez, voltou para o meu rosto. Envergonhado mesmo em meio ao medo, desviei os olhos.
– …Me disseram que deveriam investigar meu corpo.
Tendo mal terminado de falar, olhei para o lado. O rosto de Asgyle ainda estava contorcido. Era como se fosse a primeira vez que ele ouvia algo tão estúpido. Eu estava constrangido e queria me esconder em algum lugar.
Asgyle perguntou novamente:
– Havia apenas um guarda vigiando a porta?
– Não – eu disse, balançando a cabeça levemente. – Um foi avisar… mas o outro não acreditou… disse que o senhor não confiaria em mim… e que ele mesmo verificaria.
Ele ficou sem fala novamente. Asgyle, que permaneceu em silêncio por alguns segundos como se estivesse processando algo, finalmente falou:
– Por que você estava tirando as roupas?
– Eu precisava mostrar que não escondia nada… eu mostrei.
Enquanto eu respondia honestamente, seus olhos roxos escureceram. Senti que o perfume de feromônios que se espalhava sutilmente ao redor dele também estava ficando mais forte. Asgyle perguntou:
– Você tirou sozinho?
– …Acho que não agi certo, sinto muito, me perdoe…
Eu não sabia exatamente o porquê, mas pedi desculpas. Ele levantou a mão enquanto olhava para o meu rosto aterrorizado. Fechei os olhos reflexivamente. Achei que ia levar um soco no rosto ali mesmo, mas não importa quanto tempo eu esperasse, não senti dor. Fechei os punhos e tremi, então abri os olhos cautelosamente. A imagem de Asgyle me encarando surgiu na minha visão embaçada. Por algum motivo, ele estava parado com a mão no ar.
Quando levantei as pálpebras, nossos olhos se encontraram imediatamente e então Asgyle se moveu. Meu corpo endureceu ao ver a palma grande se aproximar, mas ele hesitou por um momento e baixou a mão. O calor do corpo dele tocou minha bochecha e eu estremeci de surpresa. Inesperadamente, Asgyle falou comigo, e eu fiquei confuso pelo toque gentil.
– Então, aquilo é verdade?
Balancei a cabeça como se estivesse possuído pela voz calma.
– Não… ele disse que ia me dar um tapa… só isso.
Enquanto eu respondia com uma voz que parecia sumir, ele parou e de repente sorriu amargamente. Asgyle me disse, surpreso com a reação inesperada:
– É no traseiro que ele queria bater.
– Sinto muito, me perdoe…
As lágrimas fluíram rapidamente. “Se alguém quer me bater, provavelmente a culpa é minha”. Eu solucei de culpa. Então Asgyle, com um esboço de sorriso, agarrou cada um dos meus punhos que estavam cerrados contra o peito, abriu-os e os prendeu contra a cama.
Quando levantei os olhos em extrema tensão, o Príncipe Herdeiro olhou para mim.
Ele baixou a cabeça lentamente e eu fechei os olhos. Então, seus lábios tocaram meus lábios trêmulos.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho