Ler Alphega (Novel) – Capítulo 65 Online

- Episódio 65 –
Quando a mente de Haeil estava novamente repleta de confusão.
Kanghyeon colocou os documentos que estava lendo na mesa e puxou conversa.
— O senhor está bem? Não há nada doendo ou fora do normal?
À pergunta dele, Haeil olhou para o próprio corpo. Estava completamente limpo, como se tivesse simplesmente acordado de um sono normal, sem sentir nenhuma anormalidade. Exceto pelo fato de que a cabeça ainda não estava totalmente organizada.
— Sim, acho que sim.
Respondeu com facilidade, mas os olhos de Kanghyeon que olhavam para Haeil eram bastante sérios.
— Se sentir qualquer coisa estranha, precisa falar imediatamente. Pode haver outros efeitos colaterais além do rut em um alfa exposto ao PA.
— Entendido. Vou fazer isso.
Haeil, que havia respondido prontamente, olhou fixamente para Kanghyeon.
Assim como Kanghyeon havia verificado o estado dele verbalmente, Haeil também estava o examinando com os olhos.
O estado de Baek Kanghyeon não era diferente do normal. A aparência também não estava tão ruim, e fora a voz estar rouca, não havia nada de especialmente estranho. Se não fosse o curativo cobrindo a nuca e a marca de arranhão no pulso levemente visível abaixo da manga, poderia ter pensado que tudo que havia acontecido horas atrás era um sonho.
A tal ponto o estado de Kanghyeon parecia estar bem, mas o que Haeil queria observar não era isso.
“Não parece com raiva.”
Nos olhos de Kanghyeon não havia nenhuma expressão de desgosto.
São olhos sérios com uma preocupação genuinamente pura.
“Por que está bem?”
Pensando no que havia feito, faria sentido que ele erguesse todos os muros possíveis e ficasse em guarda. Mas por que em vez de ficar com raiva, a primeira coisa que faz é se preocupar.
Uma estranha coceira diferente do incômodo na parte inferior do corpo continuava tocando o peito sem parar.
Por causa disso, sentia que a qualquer momento iria dizer em voz alta toda sorte de bobagens.
“Com a franja assim fica muito mais jovem. Daria para acreditar que é mais novo do que eu. Com uma cara tão perfeitamente bonita, por que não está com raiva? Você sabe que agora se envolveu comigo e pela primeira vez deu o traseiro, né? Baek Kanghyeon está em sã consciência? Então agora não é só otário para ômega, mas vai ser otário pra mim também? Espera, isso pode ser bom até.”
Enquanto Haeil tentava uma conversa sozinho em sua cabeça, Kanghyeon, sentindo o olhar, fez contato visual e perguntou.
— Por que fica me olhando assim?
Haeil respondeu propositalmente com um tempo de atraso. Se tivesse respondido imediatamente, a primeira palavra a sair seria “porque é bonito”.
— …Nunca houve uma pessoa que ficasse bem depois de passar um rut comigo.
— Não estou muito bem não. Mesmo agora parece que levei uma surra de algo.
Kanghyeon olhou para o relógio de pulso avaliando o tempo que havia passado e acrescentou.
— O rut do sr. Kwon Haeil durou apenas dez horas. Após esse tempo, o feromônio cortou e o senhor de repente perdeu os sentidos. Parece que foi por isso que consegui aguentar.
A voz continuou dizendo que se fosse um rut normal não teria sido possível de forma alguma, mas Haeil ainda estava surpreso.
Apenas dez horas…
Era um tempo que a maioria das pessoas não conseguiria nem pensar em aguentar.
De fato, era uma resistência digna de Baek Kanghyeon, o workaholic que trabalhava sem descanso todos os dias.
— O fato de ter energia suficiente para dizer isso já é incrível. Se fossem outros ômegas, dez horas quanto mais…
Haeil, que havia começado a falar, fez uma expressão de “que erro” e se apressou a pedir desculpa.
— Desculpe. Não era minha intenção comparar com outra pessoa. Fiquei realmente surpreso… Não, quem é ruim aqui sou eu.
Se fosse em uma situação normal, até a menor reação de Kanghyeon serviria como pretexto para uma brincadeira, mas agora não era hora disso. Comparação, independentemente de ser boa ou ruim, é uma atitude desrespeitosa tanto com o interlocutor quanto com terceiros.
Acima de tudo, agora era um momento em que Kanghyeon, assustado com ele, podia virar as costas a qualquer instante, então era necessário ter um cuidado especial.
Kanghyeon falou de forma impassível com uma expressão de quem não entendia por que Haeil estava se desculpando.
— Comparar é natural. Eu não sou um ômega.
Kanghyeon, que havia falado com clareza, passou a mão na nuca onde estava o curativo.
Se fosse perguntar onde doía mais, a parte inferior que havia recebido alguém pela primeira vez era a que doía mais, mas a nuca que havia sido quase mordida até arrancar também não ficava atrás. Ao tocar e esfregar, ardia e doía como esperado, fazendo com que o canto dos olhos tremesse por conta própria.
Kanghyeon se lembrou do sexo brusco com Haeil.
A cada vez que recebia Haeil no corpo, a repulsa e a vergonha naturais transbordavam.
Mas um prazer intenso suficiente para encobrir tudo isso chegou. Estímulos variados, brutos e nítidos, que nunca poderia sentir nas relações com os ômegas que havia encontrado brevemente antes, chegavam em ondas. As sensações incomuns foram amadurecendo em um prazer ardente através do sexo que não tinha fim, e logo até a resistência entre feromônios de alfa passou a ser sentida como um único estímulo.
Mas não era como se a cabeça estivesse toda cheia apenas de anseio por prazer como Haeil.
“…Dói.”
Havia sido mordido sem piedade de forma que não conseguiria tirar o curativo por um bom tempo.
Encravou os dentes afiados, lambeu com delicadeza a ponta da língua quente naquele lugar, e por fim sugou com força deixando uma marca clara.
A cada vez que o pescoço era mordido repetidamente, queria ou não, tomava consciência. De que o feromônio de ômega que estimulava Kwon Haeil continuava emanando dele.
Por outro lado, sentia um alívio quando Haeil mordia o pescoço.
Por mais que fosse mordido, não era marcado.
Porque era alfa.
Porque era claramente um alfa que apenas exalava um leve aroma adocicado na nuca.
Esse fato, pelo contrário, foi consumindo a ansiedade de Kanghyeon como “Alphega”.
Era algo genuinamente surpreendente.
O homem que havia detectado seu fraco feromônio de ômega e agarrado seu ponto fraco estava, pelo contrário, lhe dando estabilidade.
Não poderia haver contradição maior do que essa.
Kanghyeon, engolindo a amargura, tirou a mão da nuca.
— Vou deixar uma coisa clara antes de mais nada.
A voz de Kanghyeon ao olhar para Haeil estava mais resoluta do que de costume.
— O sr. Kwon Haeil é a vítima aqui.
— …O quê?
Haeil, que havia pensado em se prostrar de joelhos pedindo desculpas por causa do rut, abriu os olhos bem redondos diante das palavras inesperadas.
Kanghyeon fez uma autocrítica surpreendente.
— Fui descuidado. O sr. Kwon Haeil é uma pessoa capaz de sentir meu outro feromônio também… e não fui mais atencioso com isso. Desculpe.
— Espera. O que você está dizendo agora?
Para Haeil era impossível não ficar confuso. Num momento em que ele mal poderia se prostrar aos pés de Kanghyeon, acabou recebendo um pedido de desculpas.
Kanghyeon mostrou o dorso da mão a Haeil, que estava atordoado. Ao vê-la, Haeil se assustou muito e imediatamente pegou a mão para examinar.
No meio do dorso da mão branca havia uma pequeníssima marca de agulha. A marca em si era minúscula, mas ao redor havia um hematoma azulado do diâmetro de uma pequena unha que era lamentável de ver.
O rosto de Haeil se distorceu de forma terrível. De sua boca escapou um murmúrio baixo e agressivo demais para Kanghyeon ouvir.
— O que é isso no dorso da mão do meu Baek, merda. Eu deveria mesmo ter quebrado um braço ou uma perna daquele filho da puta.
Quanto mais pensava, mais era impossível perdoar Kim Jaeyeong. Colocar Kanghyeon em perigo e tentar partir sua cabeça com um cinzeiro já era algo imperdoável, e agora ainda havia deixado uma marca assim no dorso da mão.
Se Kanghyeon tivesse ouvido, teria ficado genuinamente sem palavras.
Pelo corpo de Kanghyeon, habilmente coberto pelas roupas, havia inúmeras marcas variadas deixadas por Kwon Haeil. Só a nuca com o curativo já estava num estado bastante sério, então um hematoma pequeno assim no dorso da mão poderia ser considerado algo que dava vontade de rir com desdém.
Por sorte, Kanghyeon não havia ouvido o que Haeil disse e explicou o motivo de ter mostrado o dorso da mão.
— No processo de deter o sr. Kim Jaeyeong, tomei uma droga ilegal. Parece que o sr. Kwon Haeil entrou em estado de rut por causa do meu feromônio amplificado. Não sei por que o senhor não reagiu ao sr. Kim Jaeyeong, que devia ter um cheiro adocicado ainda mais intenso…
Kanghyeon, que havia continuado falando, olhou fixamente para Haeil, que continuava amassando sua mão. Como se não gostasse da marca e do hematoma no dorso da mão, ficava resmungando sozinho e esfregando o local com a ponta dos dedos. Como esfregava de forma muito suave, em vez de doer, o dorso da mão ficou com cócegas.
Kanghyeon retirou sutilmente a mão que estava na de Haeil e disse.
— Então o que eu quero dizer é… que o sr. Kwon Haeil não tem culpa nenhuma.
— Não fala isso. De qualquer forma, a culpa é minha.
Seguindo Kanghyeon, Haeil também começou a fazer sua autocrítica.
— Ter te envolvido também é culpa minha, quase ter partido sua cabeça também é culpa minha, ter feito você gemer e chorar debaixo de mim também…
— Nunca chorei desse jeito.
— Então está admitindo que chorou?
A bela sobrancelha de Kanghyeon finalmente se franzou. Haeil fingiu não ver e soltou um suspiro.
— Huu… Queria que a primeira vez fosse gentil de qualquer forma, mas tudo foi por água abaixo.
Haeil baixou a cabeça fundo, demonstrando muito abertamente seu abatimento. Se Kanghyeon ficasse assustado com o que aconteceu e fechasse o coração, seria um verdadeiro desastre, então o arrependimento era imenso.
Para esse Haeil, chegou uma fala inesperada.
— Se for sobre sexo, não precisa se preocupar em ser delicado.
Ao erguer a cabeça, Kanghyeon falou com uma expressão de quem estava genuinamente bem.
— Não sou ômega, e sou muito mais resistente do que a maioria das pessoas. Basta ver que aguentei as dez horas em que o sr. Kwon Haeil estava em rut.
Os olhos de Haeil, que estava ruminando as palavras de Kanghyeon, foram ficando cada vez mais brilhantes.
— “Não precisa se preocupar em ser delicado”… isso está no presente.
As palavras de Kanghyeon eram claramente no tempo presente.
O que significava que a frase “não precisa ser delicado” talvez não estivesse se referindo apenas ao rut desta vez.
Haeil, que viu um fio de esperança, pôs o rosto bem perto do de Kanghyeon com os olhos brilhando.
— Então quer dizer que daqui pra frente pode simplesmente não ser delicado e ir na força mesmo? Devia ter dito antes.
— Por que o raciocínio vai para esse lado?
Kanghyeon virou um pouco a cabeça com uma expressão levemente desconcertada. Não conseguia nem imaginar o que seria ir na força mais do que já havia sido.
— Sr. Baek Kanghyeon, vou fazer uma pergunta séria.
A mão de Haeil segurou o queixo de Kanghyeon com carinho e o virou. Os olhares dos dois, que haviam se desviado por um momento, se encontraram diretamente.
— Fazer comigo… foi ruim?
— Haveria espaço para ser bom ou ruim? De qualquer forma, a causa do rut era eu.
— Então o sr. Baek Kanghyeon faria sexo toda vez com o ômega que ficasse obcecado por você? Já que a causa seria você.
— Isso…
O olhar de Kanghyeon vacilou de forma sutil.
— O sr. Baek Kanghyeon podia ter se livrado de mim, que não estava em sã consciência, a qualquer momento. Vi pela CCTV o sr. Baek Kanghyeon socando aqueles caras grandões.
— …
Kanghyeon ficou em silêncio com os lábios fechados.
Não poderia dizer que as palavras de Haeil estavam erradas.
Para Kanghyeon, o que esteve em primeiro lugar foi apenas o pensamento de que precisava assumir a responsabilidade. A responsabilidade por ter colocado Kwon Haeil em rut.
Mas será que a única maneira de assumir essa responsabilidade era abrir o corpo?
Na prática, se tivesse querido, certamente poderia ter dado um golpe em Kwon Haeil e saído daquela sala. Se logo em seguida tivesse bloqueado a porta com a ajuda do gerente Park e dos guardas do clube, nada teria acontecido.
Não era da conta de Baek Kanghyeon se Kwon Haeil, que havia entrado em rut temporário por causa do PA, sofresse ou não enquanto aguentava. Trancar na sala e esperar que se acalmasse também era uma das formas de assumir a responsabilidade.
E mesmo assim…
— E mesmo assim, por que fez sexo comigo?
A dúvida que havia na cabeça de Kanghyeon foi repetida por Haeil.
Não havia uma resposta clara preparada. Para Kanghyeon, que não era bom em mentir, não havia nem palavras para driblar a pergunta.
— Pois é. …Por que será.
Haeil, que leu a confusão sutil nos olhos de Kanghyeon, sorriu levemente.
— Se não sabe, não precisa responder.
Haeil, que havia visto na reação de Kanghyeon a esperança que esperava, disse isso como se não fosse mais pressionar.
Haeil soltou o queixo de Kanghyeon e estendeu os dois braços, abraçando-o de uma vez.
— Vamos procurar a resposta aos poucos juntos.
Os olhos de Haeil, que estava abraçando Kanghyeon, rodavam de um lado para o outro de forma bem animada.
— De qualquer jeito, temos muito tempo pela frente.
Naqueles olhos havia uma expectativa feliz de como iria devorar aquele homem daqui pra frente.
Mas ao contrário do que Kwon Haeil pensava, a pacífica “busca pela resposta” dos dois não seria tão fácil.
#4. Reviravolta
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.