Ler Alphega (Novel) – Capítulo 31 Online

— Episódio 31 —
Kwon Haeil ficou paralisado como alguém com o raciocínio suspenso. Até o calor que parecia queimar até as pontas dos fios de cabelo desapareceu de vez.
O rosto aturdido de Haeil — tanto quanto na época do tteok de boas-vindas — logo voltou ao normal.
— Você está mentindo.
— Que razão eu teria para mentir para Kwon Haeil?
— Mas é estranho.
O rosto de Haeil era uma mistura de estranheza e desconfiança.
— Se fossem família, o normal seria haver pelo menos um fio do mesmo fluxo nos feromônios de Baek Kanghyeon e daquele ômega.
Naturalmente, quando o sangue é ligado, independentemente da dominância ou recessividade da classificação, costuma haver ao menos um fluxo muito leve em comum.
Mas os feromônios de Baek Kanghyeon e Baek Huiwoo eram de naturezas completamente diferentes. Como os de dois estranhos completos.
Era exatamente por isso que não tinha pensado nem por um instante que os dois pudessem ser irmãos.
Kanghyeon estava surpreso de uma forma diferente de Haeil.
O mesmo fluxo? Será que ele consegue identificar até laços de sangue pelos feromônios?
Mesmo sendo dominante, aquilo era impossível para ele. Não só para Kanghyeon, mas provavelmente para a maioria dos outros dominantes também.
Havia ouvido falar de um caso em que um alfa dominante estrangeiro havia encontrado a mãe biológica com base numa consistência sutil permeada nos feromônios de outras pessoas.
Também havia ouvido que uma minoria ínfima de pessoas com classificação dominante conseguia identificar laços de sangue, mas jamais esperava que uma dessas pessoas estivesse bem à sua frente.
Bem, afinal é alguém que sentiu outros feromônios em mim também.
Kanghyeon passou a mão pelo pescoço, de onde o aroma adocicado ainda deveria estar escapando sem que ele percebesse, e fez uma expressão complexa.
Haeil, observando o rosto silencioso de Kanghyeon, ficou internamente sem saber o que fazer.
Não eram irmãos de sangue. Pela reação, parece que ele já sabia…
Por que se sentia inutilmente arrependido?
Haeil, com um rosto meio sem graça, deu um passo em direção a Kanghyeon.
— Me faz vista grossa?
— Será que consigo?
— Nada difícil. Não vou sair por aí falando para ninguém.
— Há também a opção de vender para jornalistas.
— Deixa pra lá, não vou arriscar deixar Baek Kanghyeon com raiva por uns trocados.
Os olhos de Kanghyeon ao olhar para Haeil se estreitaram.
— Essa é realmente a razão?
— Claro. Quando Baek Kanghyeon fica com raiva dá muito medo. Antes também fiquei apavorado.
O rosto de Kanghyeon relaxou um pouco ao observar a expressão exagerada de Haeil.
Longe de ficar apavorado, ficou atirando palavras sem cerimônia nenhuma — e ainda faz cara de inocente.
Percebendo que Kanghyeon não estava convencido, Haeil deu um sorriso discreto e disse:
— Quer que eu seja honesto?
Ele se aproximou de Kanghyeon. A distância de um passo entre os dois se reduziu pela metade.
Haeil estendeu a mão em direção ao rosto de Kanghyeon. Era um gesto cuidadoso, como se dissesse “vou te tocar agora”. Talvez por isso, Kanghyeon apenas olhou uma vez para a mão de Haeil, mas não se desviou.
Haeil com a ponta dos dedos deslizou levemente a franja de Kanghyeon para o lado. Com isso, a testa lisa ficou um pouco mais exposta, e o rosto bem definido ficou mais visível.
Haeil, olhando para o rosto impassível de Kanghyeon, curvou suavemente o canto dos olhos.
— Gosto que Baek Kanghyeon tenha segredos.
Haeil olhou para a pupila de Kanghyeon à sua frente como se fosse se perder nela. Parecia ver do outro lado os inúmeros novelos que ele ainda não havia desenrolado.
— E também gosto que eu tenha descoberto um deles.
O aroma adocicado de Baek Kanghyeon, o histórico de Baek Kanghyeon, a excelência de Baek Kanghyeon, e agora o laço familiar de Baek Kanghyeon que havia descoberto.
Mal tinha informações suficientes sobre o próprio Baek Kanghyeon e já havia descoberto vários segredos. Ele se perguntou que expressão Kanghyeon faria se dissesse que aquela sensação de euforia era bastante viciante.
Haeil, que havia estado olhando para Kanghyeon, retirou a mão e deu um encolher de ombros de forma travessa.
— Mas se todo mundo fica sabendo de um segredo, ele deixa de ser segredo, não é? Vira só uma informação qualquer.
E acrescentou com firmeza:
— Por isso não vou contar para ninguém. Nunca.
As pupilas de Haeil não tremiam. Eram apenas nítidas, como se provassem que não havia uma gota de mentira nas suas palavras.
Kanghyeon ficou olhando fixamente para aqueles olhos.
O que Kwon Haeil havia descoberto poderia se tornar uma falha bastante grave para o Grupo Baek Cheong.
Que entre os quatro irmãos Baek, que liderariam o grupo, havia alguém sem laço de sangue.
Se isso se tornasse um fato comprovado, além de o mundo ficar bastante agitado, teria grande impacto nas ações do Grupo Baek Cheong.
Mas a única evidência era a percepção aguçada de Kwon Haeil.
Sem evidências claras além disso, qualquer um riria da situação.
Por isso não o incomodava muito. Enquanto Kwon Haeil só soubesse que ele e Baek Huiwoo “não tinham laço de sangue”, o impacto sobre a Baek Cheong era próximo de zero.
Mas, separado disso, as palavras de Kwon Haeil tinham bastante peso.
Era um homem fútil e descontraído, mas pelo menos nunca havia mentido para ele.
Era alguém que não havia revelado nem o pior segredo que ele tanto escondia. Mesmo tendo tido inúmeras oportunidades de usar isso como alavanca, parecia não pensar nem um pouco nisso.
Então talvez pudesse confiar.
— Entendido. Vou acreditar.
Assim que ouviu aquilo, o rosto de Haeil se iluminou de forma agradável. Um sorriso malandro pousou nos seus lábios.
— Sou bonzinho, né? Vai logo me elogiar.
Haeil pediu um elogio com toda a confiança. Até parecia um pouco orgulhoso.
Kanghyeon, que havia estado encarando Haeil com o pedido repentino, soltou um suspiro e disse:
— Se quer tanto um elogio assim, inclina a cabeça pra cá.
— Assim? Mas por quê?
Haeil perguntou por quê mas mesmo assim inclinou a cabeça obedientemente.
Por um lado, pensou que Kanghyeon podia simplesmente dar um cascudo na cabeça assim. Estava numa posição bem fácil para acertar, e achava que Kanghyeon jamais daria um elogio de verdade.
Acima de tudo, havia tratado Baek Huiwoo — o irmão de Kanghyeon — como um ômega ordinário e sem educação. Era uma situação em que ficaria bem voltando a ficar com raiva.
Naquele momento de tensão interior.
— …!
Haeil se sobressaltou com a mão que pousou suavemente na sua cabeça.
Coç, coç.
A mão que acariciava a cabeça era tão suave. Difícil imaginar que fosse o gesto de um homem com essa expressão tão impassível.
Haeil, com a cabeça inclinada na mesma posição, só levantou os olhos para olhar para Kanghyeon e perguntou aturdido:
— Ei, o que é isso?
— Você não pediu um elogio?
— É verdade, mas…
Normalmente não se elogia com palavras?
Haeil estava internamente desconcertado com Kanghyeon que havia cruzado uma ou duas cercas e se aproximado de forma inesperada.
E além disso, era a primeira vez que Kanghyeon tomava a iniciativa de se aproximar assim.
Assim que percebeu isso, o coração bateu de forma estranha.
— Normalmente quando pedem um elogio, ninguém começa a acariciar a cabeça primeiro.
— É mesmo?
Kanghyeon respondeu indiferentemente e acrescentou:
— Achei que você preferiria assim do que com palavras.
Kanghyeon respondeu com calma e retirou a mão. Haeil sentiu no mesmo instante o impulso de agarrar aquela mão e colocá-la de volta na sua cabeça, mas resistiu.
Às vezes, gestos são mais convincentes do que palavras.
Kanghyeon havia crescido num ambiente em que as pessoas ao redor sempre o exaltavam.
Palavras certeiras, elogios clichês, admiração mecânica.
Depois que percebeu que tudo aquilo era lisonja direcionada ao “verdadeiro herdeiro do Grupo Baek Cheong”, ficou difícil aceitar de forma pura qualquer coisa.
Mesmo assim, havia ocasiões em que sentia que havia recebido um elogio de verdade.
Quando a mãe acariciava sua cabeça em silêncio.
Só naqueles momentos conseguia realmente perceber que havia feito algo bem.
Ao lidar com Baek Huiwoo, essa influência saía naturalmente.
Huiwoo era alguém com a autoestima notavelmente baixa, vivendo em constante ansiedade. Sempre se preocupava se estava se saindo bem, se por acaso estava cometendo algum erro que pudesse fazer o pai perder a simpatia por ele.
Por isso Kanghyeon deliberadamente o acariciava com mais frequência.
Hyung, você está se saindo muito bem.
Aquele pequeno gesto de afeto conseguia tranquilizar Baek Huiwoo, mesmo que por um breve momento.
Kanghyeon olhou para o rosto de Haeil, que havia ficado levemente corado. Ele estava olhando para o lado e murmurava “bem, definitivamente parece bom…”.
Mas assim que sentiu o olhar de Kanghyeon, voltou a encará-lo diretamente. Como por hábito, também colocou um sorriso nos lábios.
Ao lado de Baek Kanghyeon sempre havia apenas aqueles tocados pela influência do pai, ou aqueles que se moviam pelos próprios interesses. Isso valia para os três irmãos, incluindo Baek Huiwoo, e também para a mãe.
Mesmo os que haviam se aproximado sem saber de nada acabavam sem exceção se tornando iguais quando descobriam quem era Baek Kanghyeon.
Talvez o Kwon Haeil à sua frente também se tornasse diferente em breve, pressionado pela poderosa influência do pai.
Mas por agora talvez estivesse tudo bem.
Enquanto olhasse para ele com aquela clareza, como agora, provavelmente.
— Fui lento para falar, mas não estou te elogiando por guardar segredo sobre o que aconteceu com Hyung Huiwoo.
— Então por quê?
Haeil perguntou tocando a própria cabeça que Kanghyeon havia acariciado. Kanghyeon deu tapinhas no ombro de Haeil e passou por ele.
— Você ficou com raiva porque se preocupou comigo.
Os olhos de Haeil ao olhar para as costas de Kanghyeon se arregalaram levemente. Sem conseguir nem responder, desta vez estava tocando discretamente o ombro que Kanghyeon havia batido.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.