Ler A Batalha pelo Divórcio – Capítulo 50 Online

— Tudo isso poderia ter sido evitado com apenas uma conversa honesta. Mas, por outro lado, eles são recém-casados.
Rose observou a figura de Daisy se afastando, com um sorriso presunçoso curvando seus lábios.
— Conversas físicas são sempre as mais eficazes.
É melhor isso funcionar.
Rose olhou para o frasco vazio no bolso e o jogou casualmente no arbusto de rosas mais próximo.
— Espera, eu não deveria ganhar dois pares de sapatos por isso?
Um único par parecia uma compensação muito pobre pelo delicioso caos que acabara de orquestrar.
— Isso mesmo… definitivamente também devo pedir aqueles chinelos de seda bordados com pérolas.
Cantarolando alegremente, ela saiu do Palácio Real.
Daisy não subiu para o terceiro andar. Em vez disso, sentou-se na escada entre o primeiro e o segundo, enquanto seus pensamentos giravam sem parar.
‘Então nós realmente usamos o mesmo número.’
Ela examinou os sapatos que Rose lhe dera, mexendo os dedos nas pontas arredondadas. Eles eram surpreendentemente confortáveis e inegavelmente bonitos.
Não importa como olhe para isso, essa generosidade repentina parece suspeita.
Considerando a dinâmica habitual entre elas, Daisy não conseguia afastar sua desconfiança.
Rose também era órfã. Apesar de brigarem como gatas selvagens, ela e Daisy haviam crescido juntas na organização como irmãs. Rose sempre insistia que era mais velha, mas ambas tinham a mesma idade, vinte e três anos, de acordo com o que lhes foi dito.. Se isso era verdade, ninguém sabia.
‘E se for algo contagioso…?
E se ela estiver compartilhando alguma doença horrível nos pés porque desgraça pouca é bobagem?’
O pensamento fez Daisy se arrepiar. Ela considerou arrancar os sapatos e jogá-los longe, mas depois pensou que, se Rose tivesse algo assim, ela provavelmente já teria pego de qualquer maneira.
“Até para brigar é preciso ter sentimento,” — Rose tinha dito mais cedo no jardim, e essas palavras continuavam incomodando a mente de Daisy.
‘Então… eu realmente sinto alguma coisa nisso tudo?’
Na verdade, não houve tempo para tais luxos. O casamento deles tinha sido um turbilhão de caos, sem espaço para examinar o que estava abaixo da superfície.
Daisy decidiu refazer seus passos nessa bagunça de casamento.
Maxim von Waldeck tinha se entregado completamente ao papel de marido.
Para cumprir seu dever de consumar o casamento, liderou uma guerra impossível para uma vitória impressionante. Antes mesmo de se apresentar a seus superiores, ele correu para casa para ver sua esposa.
Insistiu que dividissem a cama, mas não forçou a barra quando percebeu que ela não estava pronta. Prometeu esperar pacientemente por sua esposa, que dizia precisar de tempo para se preparar mentalmente.
Crise após crise os testou, mas ele manteve sua palavra. Sua paciência foi absoluta.
Isso não foi tudo. Ele a cobriu de presentes, determinado a conquistar sua afeição. Em público, ele falava sobre ela com empolgação como um adolescente apaixonado.
Talvez tudo fosse uma encenação.
Aqueles sapatos que lhe dera — os mesmos que ela interpretara como uma indireta sutil sobre o divórcio — tivessem desencadeado todo esse desastre. Mas, julgando apenas pelos resultados, sua devoção parecia genuína.
Ainda assim, quando perguntou por que ele afirmava amá-la tanto…
“É estranho um marido amar sua esposa?”
“Digamos que foi amor à primeira vista.”
A resposta dele foi inabalável.
“…Foi meu sonho por muito tempo.”
“Ter uma esposa e construir uma família feliz que duraria para sempre. Esse era o meu sonho.”
Ele falou com tanta sinceridade crua que mentir parecia impossível.
Mesmo que, para Daisy, este casamento fosse apenas um dever do qual queria desesperadamente escapar…
Para Maxim, aquilo era real.
Maxim realmente havia feito algo tão errado?
Honestamente… não tinha certeza.
A conclusão a atingiu com uma simplicidade inesperada. Como marido, Maxim não tinha feito muita coisa errada.
Claro, isso foi antes dela suspeitar que ele a estava traindo…
Lembrar dos eventos recentes deixou um gosto amargo em sua boca. Não conseguia explicar essa dor estranha, mas o sentimento estava definitivamente lá.
‘E quanto a mim? Esqueça o Maxim, por que eu estou agindo assim?’
Não podia negar que ele havia consumido seus pensamentos desde que se conheceram.
Rose disse que até para brigar exige sentimentos. Isso também conta como sentimento?
Revisou o próprio comportamento durante o casamento.
Daisy von Waldeck só queria que este casamento terminasse. Depois que seu marido arriscou tudo na batalha e voltou vivo, ela se recusou a consumar a união, alegando terror.
Para fazê-lo perder o interesse, ela cometeu descaradamente toda grosseria imaginável – chamando-o de pervertido esquisito, zombando dele impiedosamente.
Quando isso não bastou, deu-lhe uma cabeçada forte o suficiente para cortar seu lábio e despejou uma sequência criativa de palavrões.
Por que isso continuava incomodando tanto, corroendo seus nervos? Não era exatamente isso que ela queria, forçar o divórcio de propósito?
Seu casamento era uma farsa de qualquer maneira. Então por que estava levando aquilo tão a sério?
Sua cabeça parecia prestes a explodir. Esse não era um problema que ela pudesse resolver pensando demais.
Para desfazer o nó em seus pensamentos, Daisy apertou os olhos e balançou vigorosamente a cabeça.
Rose estava certa. Conversar ajudaria. Talvez então pudesse encontrar alguma clareza.
Assim que esse pensamento surgiu, risadas ecoaram pelo corredor do primeiro andar — vozes femininas divertida conversavam com malícia.
— Nenhum vestido luxuoso consegue esconder as origens dela. Sangue ilegítimo sempre aparece.
— Olhem só ela desfilando por aí, ostentando seus títulos como ‘Esposa do Herói’, ‘Sua Graça, a Grã-duquesa’, como se fosse realmente alguém importante.
Estavam definitivamente fofocando sobre a família Thereze, zombando de sua história de Cinderela e de seu suposto desempenho inadequado como Grã-Duquesa. O humor de Daisy já estava sombrio. Ouvi-las atacando-a só piorava tudo.
— Como vocês conseguem ser tão ingênuas? Tudo aquilo é teatro montado para imagem pública. Vocês não acreditam mesmo, certo? Observem ela desfilando por aí, dando lições sobre a glória dos Waldeck e outras bobagens.
— Pessoas que de repente ganham status depois de não terem nada sempre ficam inebriadas com a própria importância.
— Não se preocupe, Yvonne. O Grão-Duque será seu eventualmente.
— Exatamente. Você é infinitamente mais apropriada do que aquela criatura vulgar. E o jeito como ele olha para você é… tão significativo.
…Yvonne?
O coração de Daisy afundou enquanto ouvia.
Yvonne, ela estava definitivamente na lista que Daisy tinha obtido da costureira. A filha mais velha do Marquês de Langley.
A Casa Langley possuía enorme poder graças aos direitos de construção ferroviária. Daisy revisou mentalmente o perfil de Yvonne, que estudara durante seus preparativos para o divórcio.
Considerando a posição e o status de Maxim, ela seria de fato um par perfeito.
— Ainda não. Vai levar tempo, suponho. Com tantos olhos observando, apressar as coisas pareceria inadequado.
A mulher que estivera ouvindo em silêncio finalmente falou, sua voz carregada de falsa modéstia e satisfação.
Então é realmente ela.
Até então, tinha sido especulação. Agora a realidade dava um tapa na cara de Daisy.
— O que o Marquês disse?
— Ah, o papai aprova completamente. Ele só disse que devemos ser pacientes.
Mencionar o pai sugeria que planos concretos já estavam em andamento. Claro, Daisy sempre tivera a intenção de ser apenas uma substituta temporária. Esse papel nunca serviu para ela.
Daisy era quem queria o divórcio, não Maxim. Então qual era o problema? Não deveria haver nenhum…
Um peso esmagador se instalou no peito de Daisy. Ela segurou a barriga e se encolheu.
— A propósito, aquela mulher… se ela é ilegítima, quem será a mãe dela?
— Provavelmente alguma prostituta. Ela é bonita o suficiente para isso.
— Que nojento! Filha de uma prostituta, não é à toa que ela parecia tão desnorteada depois da noite de núpcias, pobrezinha.
Agora estavam arrastando a mãe de Daisy — uma mulher que jamais conheceram — para aquela fofoca venenosa. A alegação de ilegitimidade era completamente falsa, e embora os insultos direcionados a ela fossem até compreensíveis dadas as circunstâncias…
Daisy se recusou a deixá-las chamar sua mãe de prostituta. Ela se levantou abruptamente, descendo as escadas com passos mortais em direção ao grupo de mulheres reunidas no canto.
— Como deve ser maravilhoso ter pais que são ambos nobres.
Os olhos das mulheres se arregalaram. Yvonne, a suposta amante de Maxim, parecia absolutamente horrorizada.
— Mas aparentemente esses estimados pais falharam em ensinar a dignidade condizente com a posição de vocês.
Quisessem ouvir ou não, Daisy continuou, imperturbável. Elas cruzaram a linha primeiro ao arrastar sua mãe para aquilo. Daisy era o tipo de pessoa que sempre cobrava suas dívidas com juros.
— O que você disse?
— Dignidade. Até mesmo alguém nascido como uma bastarda insignificante sabe que não se deve falar descuidadamente sobre os pais de outra pessoa. Considerem isso uma lição. Lembrem-se bem. Tenham um bom dia.
Após fazer sua despedida cortante, Daisy se virou para sair. Uma voz estridente a chamou.
— Por quanto tempo acha que conseguirá se agarrar a essa posição?
Daisy parou e se virou. Yvonne estava olhando para ela com ódio.
— Bem, eu sinceramente não sei… Suponho que isso dependa inteiramente da minha própria vontade.
— Você realmente não sabe o seu lugar.
— Talvez não. Já que estou sendo atrevida, posso dar um último conselho? — As sobrancelhas de Daisy arquearam perigosamente. — Em vez de perder tempo fofocando sobre mim, por que não sobe as escadas e manda o Grão-Duque parar com sua encenação teatral? — Então, com magnífica condescendência, acrescentou: — Ah, provavelmente você o encontrará esperando no terceiro quarto à direita, no terceiro andar.
As palavras que Daisy lançou com raiva mais tarde se tornariam a centelha que incendiaria um inferno devastador.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler A Batalha pelo Divórcio Yaoi Mangá Online
Protagonista Masculino: Maxim von Waldeck (26)
Ex-mercenário infame e cruel que espalhou sua má fama pelo continente. Um homem exímio com armas de fogo e tem talento para tortura. Filho ilegítimo da princesa, é herdeiro direto da linhagem real, mantido em segredo. Quando criança, jurou vingança contra os revolucionários que mataram seus pais e o sequestraram, e por isso se tornou o cão de caça da monarquia. Embora tenha sido enviado para uma guerra em que estava fadado a morrer, retornou como herói vitorioso, sem um único arranhão.
Frio e impiedoso por fora, mas surpreendentemente devotado à esposa. Faz de tudo para impedir Daisy de pedir o divórcio: chantagens, seduções, jogos de manipulação, nada está fora dos seus planos. Um estrategista carismático e articulado. Impossível saber o que realmente se passa por trás de seus olhos enigmáticos.
Protagonista Feminina: Daisy von Waldeck (23) Codinome “Easy”. Assassina de elite da organização secreta revolucionária “Clean”. Inteligente, ágil e calculista, mas surpreende por sua ingenuidade e doçura inesperadas, características que destoam de sua profissão implacável. Tem um ponto fraco por tudo o que é fofo e frágil: bebês, animais, flores… e Maxim. Uma típica durona com coração mole.
Após quase morrer em uma missão, é salva pela freira Sophia, que a leva a se batizar e buscar redenção. Decide se aposentar prometendo jamais matar de novo. Mas, o líder dos revolucionários a chantageia forçando a mulher a cumprir uma última missão.
Seu objetivo, se casar com um homem condenado à morte na guerra, e desaparecer assim que ele morrer. O nome? Maxim von Waldeck.
Mas o que não esperava… era que o marido “de fachada” voltaria vivo.
O pior que este homem seria o mais perigoso que ela já conheceu.
Quando quiser ler:
Uma batalha conjugal entre uma protagonista determinada a se divorciar e sair com os bolsos cheios, e um marido perturbado, pervertido e boca suja que fará de tudo para impedir esse divórcio.
Frase que define a história:
— Quem em sã consciência exterminaria todo o exército inimigo só para transar?
Trecho da Novel:
[Torne-se a esposa de fachada, de Sua Graça, o Grão-Duque Maxim von Waldeck.]
Esse era o único e último trabalho de Daisy, agente secreta da revolução.
Maxim von Waldeck, bastardo da realeza e cão de caça da monarquia, foi enviado para a morte como um peão descartável.
Ninguém queria aquele posto de viúva antes mesmo do casamento.
O plano era simples: Se casar, aguardar o fim da guerra e, quando a derrota fosse declarada, desaparecer antes que o ducado fosse tomado.
Após a missão cumprida = Uma aposentadoria gorda a esperava.
— Até logo, querida esposa.
‘Sim, foi um prazer te conhecer. Já estou rezando pelo seu descanso eterno.’
— Teremos nossa noite de núpcias quando eu voltar.
‘Que sonhador. Espero que sua morte seja pacífica.’
Ela pensou que era apenas um sonho tolo de um homem com ilusões cor-de-rosa.
… Mas.
[Maxim von Waldeck obtém uma vitória sem precedentes!]
A realidade virou de cabeça para baixo.
[Grão-Duque Waldeck, herói da nação! O que deseja fazer primeiro ao retornar?]
— Abraçar minha adorável esposa, Daisy.
Impossível, isso é mentira, só podia ser. Uma distorção da imprensa.
Mas Maxim von Waldeck era um homem que levava promessas muito a sério.
— Voltei, querida esposa.
E com um abraço apertado, a envolveu.
O olhar de Daisy vacilou. Aquilo era loucura.
— Vamos para o quarto agora?
— Desculpa, o quê?
Ele sorriu languidamente e sussurrou em seu ouvido:
— Me perdoe, mas estou com um pouco de… pressa.
Seu corpo queimava de desejo, seu membro parecia prestes a explodir.
‘Esse cara é louco, um… pervertido completo, não é?’
Será que Daisy conseguirá se divorciar em segurança antes que ele descubra quem ela realmente é?
Nome alternativo: The Battle Of Divorce