Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 35 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 1
Playbook of Love
Jeong-in não conseguia acreditar no que estava vendo.
Lá estava Chase Prescott na plateia, perfeitamente trajado em um sofisticado terno cinza, parecendo ter acabado de sair do tapete vermelho do Teen Choice Awards ou do MTV Movie & TV Awards.
Ele viu uma mulher no assento ao lado se virando para Chase, estendendo o telefone enquanto dizia algo. Ela provavelmente estava pedindo o Instagram ou o ID do Snapchat dele, ou talvez o número de telefone.
Algumas pessoas estavam entrando no local naquele momento, olhando ao redor com curiosidade. Elas claramente haviam seguido Chase para dentro sem sequer saber que tipo de evento estava ocorrendo.
Apesar de todo o alvoroço ao seu redor, o olhar de Chase permanecia fixo em Jeong-in. Como se fossem as únicas duas pessoas no universo. Como se o tempo tivesse parado.
— Com licença, poderiam fazer silêncio, por favor? Aqueles que acabaram de entrar, por favor, sentem-se prontamente.
O anfitrião pediu atenção em meio à súbita perturbação na plateia.
— O quê, o que está acontecendo?
— Aquele é o Chase Prescott!
Os membros da Sociedade de Atletas da Matemática murmuravam enquanto observavam a plateia. Como era o horário em que o baile deveria estar em pleno andamento, todos estavam naturalmente surpresos com a aparição de Chase.
Era impensável que o príncipe da escola viesse assistir a uma competição de matemática para nerds. Apenas Justin, com seu rosto composto, parecia completamente imperturbável.
Chase não conseguia tirar os olhos de Jeong-in parado no palco.
Jeong-in ostentava uma expressão como se pudesse chorar a qualquer momento. Seu queixo estava tenso, seus lábios tremiam levemente. Ele parecia uma criança que se perdera vagando sozinha pelas ruas e finalmente encontrara seus pais. As pontas dos dedos de Chase se tensionaram com o desejo de abraçá-lo imediatamente.
Em um instante, ele esqueceu todas as palavras cruéis que Jeong-in lhe dissera ontem, e como ele havia saído furioso da enfermaria. Chase sorriu gentilmente para Jeong-in como se nunca tivesse havido qualquer ressentimento entre eles.
Ele queria dizer que estava tudo bem, que tudo daria certo. Chase cerrou o punho silenciosamente e articulou sem som: “Você consegue!”. Jeong-in assentiu de volta para Chase com os olhos levemente avermelhados.
— Retomaremos a competição assim que todos estiverem sentados.
Era a primeira vez que uma competição de matemática atraía tamanha multidão. A maioria dos recém-chegados que preenchiam a plateia eram mulheres, aparentemente estudantes da escola.
Enquanto as garotas sentadas nos assentos vazios esticavam o pescoço para vislumbrar o homem loiro na primeira fila, Chase disse algo para a mulher sentada ao seu lado, depois tirou algumas notas da carteira e as entregou a ela. Embora ela tenha recusado inicialmente, acabou vasculhando a bolsa e lhe dando algo.
O que ele recebeu foi um batom. Chase começou a rabiscar com o batom no verso de um papel que provavelmente continha as regras da competição ou diretrizes para os espectadores.
[Go! 정인]
No papel A4 que parecia absurdamente pequeno em sua mão grande, “Go” estava escrito em inglês, e “정인” em coreano. A escrita estava torta, tão desajeitada quanto se tivesse sido escrita por uma criança pequena. Mas o que surpreendeu Jeong-in não foi o estilo da caligrafia, mas o fato de Chase ser capaz de escrever aqueles caracteres.
“Ah, você não deveria escrever nomes em vermelho. Terei que dizer isso a ele mais tarde.”
Perdido nesse pensamento, Jeong-in sorriu inadvertidamente. Seus ombros rigidamente tensos relaxaram, e um leve sorriso se espalhou por seu rosto. Sua respiração tornou-se mais fácil, e ele até esqueceu o quão tenso estivera, a ponto de ter dificuldade para respirar.
Os olhos azuis de Chase pareciam hipnotizá-lo. Dizendo-lhe que ele conseguia. Que tudo ficaria bem.
Algo quente floresceu no peito de Jeong-in. Ele não podia mais negar ou afastar aquilo. Como alguém poderia não amar alguém assim?
— Certo, vamos passar para o próximo problema!
A voz do anfitrião ecoou novamente enquanto a competição era retomada. A tensão fluía entre os dois participantes frente a frente.
— O próximo problema é de cálculo.
O anfitrião continuou sua explicação. Os membros da Pacific Heights sorriram e pareceram encorajar uns aos outros, aparentemente confiantes nesse campo.
— Por favor, exibam o problema!
Com as palavras do apresentador, o problema apareceu na tela principal. Era uma questão que pedia o valor de 𝔵 onde uma determinada função atingia seu valor máximo em um intervalo específico. Era um problema de alto nível, que exigia não apenas cálculos simples, mas compreensão conceitual e análise.
Jeong-in exalou profundamente e começou imediatamente a trabalhar na solução. Ele usou a diferenciação para encontrar os pontos críticos e calculou os valores da função em ambas as extremidades do intervalo. Tudo o que restava era comparar os valores da função nos pontos críticos e nas extremidades para determinar o valor máximo dentro do intervalo dado.
Mas o que importava agora não era quão ordenada a solução era apresentada, mas quão rápido ela poderia ser resolvida.
Desta vez, Jeong-in resolveu o problema mentalmente, em vez de escrevê-lo cuidadosamente passo a passo como normalmente faria. E assim que a resposta se formou em sua mente, ele levantou a mão sem hesitação. Ele foi apenas uma fração de segundo mais rápido que o estudante da Pacific Heights.
— Sim, Wincrest?
— x é igual a 0 ou 3!
O apresentador fez uma pausa deliberada para criar tensão. E finalmente, ele abriu a boca.
— Wincrest! Está correto!
— Isso! É isso aí! Acaba com eles! Vai, Wincrest!
Naquele momento, um grito irrompeu da plateia que seria mais apropriado em um estádio de futebol. Era a voz de Chase.
— Cof, cof, o senhor ali. Por favor, acalme-se. Esta é uma competição de matemática, não um show de rock.
As palavras do apresentador arrancaram risadas de várias partes da plateia.
Jeong-in também sorriu levemente ao olhar para Chase. Para evitar ser repreendido pelo apresentador novamente, Chase articulou palavras entusiasmadas de encorajamento enquanto balançava o papel em sua mão.
Um calor surgiu no peito de Jeong-in. Ele finalmente percebeu naquele momento quanta força Chase lhe dera desde que se conheceram. E quão profundamente ele havia se apaixonado por ele.
Orgulho. Aquele maldito orgulho o impedira de dizer tantas coisas. Não querer parecer mesquinho, não querer parecer carente. No fim, eram todas coisas que ele havia enterrado enquanto se preocupava com a percepção dos outros.
Uma vez que ele deixou tudo isso de lado, tudo o que restou foram seus sentimentos por Chase. A emoção que ele confundira com admiração há muito tempo havia se transformado em um amor profundo e sólido. Agora que ele o reconhecia, tornou-se impaciente. Ele queria descer do palco correndo agora mesmo e abraçá-lo.
Mas a competição precisava continuar. A situação intensa persistia enquanto todos os membros se revezavam entre ganhar e perder. Após as rodadas individuais, veio a competição por equipes com pontuações mais altas em jogo.
— Esta rodada é uma competição por equipes onde a equipe que apertar o botão e for chamada terá a chance de responder. Mas tenham cuidado. Se a resposta estiver incorreta, a oportunidade passa para a outra equipe.
O local foi novamente preenchido por tensão, e até a plateia ficou em silêncio.
— A próxima pergunta é sobre conceitos e terminologia.
Os membros da Sociedade de Atletas da Matemática trocaram olhares. Eles já haviam confiado uns nos outros dessa forma antes? Todos se inclinaram em direção ao botão, ouvindo atentamente a pergunta.
O apresentador começou a ler a pergunta lentamente.
— O que é o seguinte? Leibniz e Newton estabeleceram a estrutura básica do cálculo baseados neste conceito.
A mão de Justin contraiu-se em direção ao botão. Rajesh, o líder, imediatamente o alertou.
— Espere mais um pouco. Ouça a pergunta inteira.
Eles precisavam ter cuidado ao apertar o botão. Não podiam se dar ao luxo de perder a oportunidade desnecessariamente.
— Este conceito, que se desenvolveu a partir do grego antigo “apeiros”, foi formalizado por Leibniz…
Naquele momento, a mão de Jeong-in disparou reflexivamente e apertou o botão. Com um clique, o som do sinal ecoou pelo local, e todos os olhos se voltaram para Jeong-in.
Todos os membros da Sociedade de Atletas da Matemática olharam para ele simultaneamente. Seus rostos estavam cheios de dúvida, como se perguntassem se ele realmente sabia a resposta.
O olhar de Jeong-in encontrou brevemente o de Chase. “Se eu acertar esta, talvez seja graças a você. De repente me veio à mente porque você está aqui.”
No momento em que Jeong-in foi ao restaurante com Chase pela primeira vez e percebeu que ele havia descoberto seu livro embaraçoso, ele disse:
— Nem mencione isso. Eu queria me tornar infinitesimal.
— Infinitesimal? Haha, você queria desaparecer?
Foi a primeira vez que ele percebeu que Chase Prescott não era apenas um simples craque de um time de esportes, que ele estava longe de ser estúpido.
O apresentador estendeu a mão em direção à Wincrest.
— A Escola Wincrest apertou o botão. Sua resposta?
Jeong-in respirou fundo e olhou diretamente para o apresentador. Então, com uma voz que misturava confiança e temor, ele disse:
— Infinitesimal?
O apresentador fez uma pausa momentânea. Parecia que ele estava deliberadamente criando suspense. O capitão da Pacific Heights cobriu o rosto com a palma da mão e soltou um gemido que parecia um suspiro de percepção tardia. Isso indicava a possibilidade de Jeong-in ter acertado a resposta.
— Infinitesimal. Está correto! Refere-se a um conceito onde um certo valor se torna extremamente pequeno, aproximando-se de zero infinitamente, mas nunca se tornando zero de fato, significando “sem fim”! Infinitesimal era a resposta correta. A Escola Wincrest ganha 3 pontos.
Assim que o apresentador terminou de falar, os membros da Sociedade de Atletas da Matemática soltaram gritos de alegria. Na plateia, Chase foi o primeiro a pular, aplaudindo e socando o ar enquanto gritava.
— É isso aí! Jeong-in, muito bem!
“Agora ele está me chamando livremente pelo meu nome coreano.” Embora Jeong-in tenha pensado nisso, ele ainda sorriu.
— Este é o obstáculo final para chegar às finais. Com a diferença de pontuação reduzida para 2 pontos, a equipe que acertar esta questão avança para as finais!
A última pergunta também valia 3 pontos. Neste momento decisivo, o local ficou tão silencioso que nem mesmo a respiração podia ser ouvida.
— O problema aparecerá na tela. O processo de solução não importa. A equipe que calcular e obtiver a resposta correta primeiro vence. Apertem o botão quando tiverem concluído o cálculo!
Uma equação complexa apareceu na tela. Ambas as equipes soltaram suspiros de exasperação. As opiniões divergiam sobre como resolvê-la.
— Precisamos transformar isso em um quadrado perfeito.
— Não, devemos desenhar o gráfico primeiro.
Enquanto isso, Justin perdeu o fluxo da resolução do problema e, em vez disso, observou os alunos da Pacific Heights. A líder deles parecia aliviada, como se já tivesse resolvido o problema. No momento em que ela, vestida em seu uniforme impecável, estava prestes a alcançar o botão, Justin o apertou primeiro.
Bi—
— Sim! Wincrest apertou o botão primeiro!
A Pacific Heights parecia desanimada por perder a chance de falar, enquanto os membros da Wincrest, que ainda não tinham terminado de resolver o problema, olhavam para Justin em perplexidade. Rajesh parecia tão pálido que chegava a ser perceptível.
Justin deixou escapar:
— A resposta é -1.
Justin sabia que 0, 1 e -1 eram as respostas mais prováveis em problemas de competição. A probabilidade era maior para 0 e 1, nessa ordem. No entanto, em problemas de números complexos como este, o -1 às vezes era usado como resposta para criar uma impressão forte.
— A resposta é…
O apresentador fez outra pausa. Todos os membros da equipe Wincrest prenderam a respiração e olharam para Justin.
— Escola Wincrest, está correto! Placar final: 47 a 46! Wincrest conquistou uma vitória de virada!
Com a declaração do apresentador, o local se encheu de vivas. Tinha sido realmente uma partida intensa. O capitão da Pacific Heights aplaudiu calmamente, como se estivesse decepcionado, mas aceitando, e ofereceu parabenizações.
Todos os participantes no palco trocaram apertos de mão e abraços antes de saírem amigavelmente.
— Uau!
— Nós conseguimos!
A sala de espera após a partida estava repleta da empolgação da vitória e da tensão das próximas finais. Mas Jeong-in deixou todas essas emoções para trás e saiu correndo imediatamente da sala de espera.
Rajesh chamou urgentemente por trás:
— Jay? Aonde você vai! As finais são em uma hora e meia!
— Deixe-o ir.
Como se dissesse para ele não fazer nenhuma bobagem, Justin segurou o ombro de Rajesh e balançou a cabeça.
Jeong-in, que havia saído para o corredor, correu freneticamente. Apesar de estar sem fôlego e com o coração disparado, nada conseguia pará-lo.
No fim do corredor, a luz dourada do pôr do sol entrava pela entrada vinda do exterior.
E, mais brilhante do que aquela luz, um homem surgiu no campo de visão de Jeong-in.
— Chase!
Com as mãos enfiadas nos bolsos da calça social enquanto olhava para o campus, ele virou a cabeça em direção ao som. Seu cabelo loiro ondulou suavemente, e a cena dele se virando pareceu passar em câmera lenta.
Jeong-in apertou os olhos. Então, como se estivesse se lançando para frente, correu sem hesitação em direção àqueles braços abertos.
Chase, tendo se virado, tirou as mãos dos bolsos e abriu os braços como se tivesse antecipado o que aconteceria. Para alguém que rotineiramente absorvia bloqueios de homens com duas ou três vezes o tamanho de Jeong-in em campo, segurar Jeong-in mal o fez balançar.
Abraçado por Chase, Jeong-in ergueu levemente a cabeça para olhar para ele. Olhos azuis gentis, com uma luz sutil ondulando neles, o observavam calmamente.
— Como você veio parar aqui…? E o baile? — a voz de Jeong-in tremeu levemente ao perguntar. O fato de Chase, que deveria ser a estrela do baile, que deveria estar no meio da pista de dança sob as luzes intensas, ter deixado tudo aquilo para trás para encontrá-lo, fazia seu coração doer.
— Você está aqui, não está?
Os olhos escuros de Jeong-in atrás dos óculos ficaram visivelmente úmidos. Vendo que lágrimas poderiam cair a qualquer momento, Chase mudou rapidamente para um tom brincalhão.
— Você sabe o que meu nome significa, certo? Eu também sou bom em perseguir.
Seu nome, Chase, tinha a mesma grafia da palavra que significa “perseguir”.
Jeong-in, sentindo uma onda de emoção, escondeu o rosto contorcido apoiando a testa no ombro de Chase.
— Eu não estava falando sério! Eu nunca quis que você fosse ao baile! Vivian Sinclair veio até mim. E mesmo que eu estivesse chateado, achei que ela estava certa… Eu não sei, problemas de matemática têm respostas claras, mas isso é difícil demais para mim…
Jeong-in disparou as palavras como uma metralhadora, sem tomar fôlego. As palavras pareciam jorrar de sua boca, impulsionadas pela emoção, misturadas sem contexto ou lógica.
Chase acariciou suavemente as costas de Jeong-in, como se pudesse aceitar qualquer coisa.
— Shhh… Respire, Jeong-in. Eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum.
“Eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum.”
Aquelas palavras eram tudo o que Chase queria dizer a Jeong-in. E eram precisamente as palavras que Jeong-in desesperadamente queria ouvir dele.
— Chase, você não está… zangado comigo?
Ainda ontem, ele havia desprezado os sentimentos de Chase. Tinha até dito para ele ir ao baile com outra pessoa. No entanto, Chase estava aqui, apoiando-o como se nada tivesse acontecido. Se fosse ele, sempre colocando o orgulho em primeiro lugar, jamais conseguiria ter feito a escolha que Chase fizera.
— Eu tentei ficar zangado. Mas eu simplesmente não consegui.
Jeong-in finalmente percebeu: autoestima e orgulho eram coisas diferentes. Alguém com verdadeira autoestima não coloca o orgulho à frente da sinceridade. Chase era exatamente esse tipo de pessoa.
Os dois, que estiveram se abraçando como se fossem os únicos no mundo, finalmente se afastaram um do outro após um longo tempo.
Só então Jeong-in conseguiu se dar conta dos olhares ao redor. Pessoas dando espiadas, sussurros daqueles que passavam pela entrada. Os dois, segurando-se desesperadamente como amantes reunidos em tempos de guerra, deviam ser uma cena e tanto de se ver.
Sentindo-se desconfortável, Jeong-in agarrou a manga de Chase e começou a puxá-lo para longe.
Olhando ao redor do espaço desconhecido enquanto se moviam em direção ao corredor interno, Jeong-in avistou uma porta com uma placa de escada de emergência em uma parede. Sem hesitar, ele estendeu a mão e empurrou a pesada porta de metal.
BUM—
O som da porta se fechando ecoou pelo espaço estreito. Antes que o som desaparecesse, Jeong-in agarrou o colarinho de Chase com as duas mãos.
— Jeong-in?
Os olhos de Chase se arregalaram com surpresa e perplexidade. Sem dizer nada, Jeong-in puxou firmemente o seu colarinho. As ondas azuis de um Mar Mediterrâneo que ele nunca visitara surgiram bem diante de seus olhos.
Jeong-in engoliu em seco, ficou na ponta dos pés e apertou os olhos. Então, impulsivamente, pressionou seus lábios contra os de Chase.
Foi um momento em que o mundo de Jeong-in virou de cabeça para baixo.
O tempo pareceu parar. Todos os pensamentos que turbilhavam em sua mente evaporaram, deixando apenas uma pessoa: Chase.
Como cenas de um filme, todos os momentos que ele havia capturado secretamente com seus olhos desde que vira Chase pela primeira vez passaram rapidamente.
O sorriso brilhante que ele mostrava aos outros, seu cabelo dourado brilhando como se retivesse o sol, seus olhos azuis gentis ondulando como a água.
Agora, tudo aquilo estava ao seu alcance.
Jeong-in soltou o colarinho de Chase e se afastou lentamente. Seus lábios se separaram, e o ar pareceu frio contra a pele úmida.
Conforme ele erguia lentamente suas pálpebras trêmulas, seus olhos encontraram imediatamente os de Chase. Apesar de sua ousadia ao iniciar o ato, Jeong-in deu mais um passo para trás, aparentemente envergonhado.
— Você terminou?
A voz de Chase, baixa e sem pressa, ressoou por todo o espaço.
Jeong-in olhou para ele com uma expressão confusa, tentando avaliar o que aquelas palavras significavam. Houve um calafrio estranho enquanto Chase o olhava com os olhos preguiçosamente baixos, lambendo lentamente os lábios como se estivesse saboreando o gosto.
Chase deu um passo à frente deliberadamente. Sua voz, caindo um oitavo abaixo, saiu como um sussurro.
— Então agora é a minha vez, não é?
Mal essas palavras saíram de sua boca, Chase inclinou a cabeça profundamente e se aproximou dele.
Em um instante, o pescoço de Jeong-in foi capturado por uma mão grande, e um braço forte envolveu sua cintura. Parecia ser pego por uma cobra se enrolando em sua presa.
O sorriso leve que Chase costumava exibir quando brincava não estava em lugar nenhum. O rosto de Chase estava sério, quase desconhecido. “Essa era sempre a expressão dele ao beijar?” Mas Jeong-in não teve o luxo de continuar pensando.
Seus lábios se prenderam profundamente. O corpo de Jeong-in tremeu com a sensação intensa, um mundo à parte do beijo desajeitado e simples que ele havia iniciado.
Chase não teve pressa. Gentil, mas firmemente, ele explorou a boca de Jeong-in, imprimindo cada sensação profundamente.
Seu coração batia como se fosse explodir. O calor e a presença um do outro tornaram-se ondas quentes transmitidas por seus corpos. Era como se cada nervo tivesse despertado, sentindo claramente a respiração e o calor corporal do outro.
Como se temesse que Jeong-in pudesse fugir, Chase apertou os braços ao redor dele.
— Mmh…
Um suspiro escapou, como se tivesse sido espremido.
Apesar de sentir uma pressão como se sua caixa torácica pudesse estourar, estranhamente, ele sentiu segurança em vez de medo. Como se este lugar, estes braços, fossem onde ele deveria estar desde o início.
O primeiro beijo de Jeong-in foi quente, úmido e inacreditavelmente doce.
Dizem que os seres humanos expressam afeto através do beijo por razões evolutivas, biológicas e culturais, mas Jeong-in nunca havia entendido essa lógica.
Ele jamais conseguira compreender por que as pessoas se envolviam nesse ato ineficiente que nada tinha a ver com a reprodução e era inegavelmente anti-higiênico. Ele até questionava se uma atividade que arriscava transmitir vários vírus poderia realmente ser chamada de expressão de afeto.
Mas, em apenas alguns segundos, Jeong-in entendeu tudo completamente.
Seu corpo parecia estar derretendo como sorvete em um dia quente de verão. Seus joelhos fraquejaram e ele instintivamente agarrou o colarinho de Chase. Jeong-in estava completamente cativado por sua primeira experiência de beijo. “Um pouco mais, só mais um pouco.” Não, ele queria que aquele ato continuasse infinitamente.
Quanto tempo havia passado? Dez minutos? Não, ele nem sabia se vinte minutos haviam se passado. Qualquer senso de tempo havia desaparecido há muito tempo.
Finalmente, Chase afastou seus lábios dos de Jeong-in. A respiração pesada e ofegante de Jeong-in derramou-se sobre o pescoço de Chase.
O polegar de Chase traçou levemente o lábio inferior úmido de Jeong-in, que ainda queimava com o calor residual.
— O que devemos fazer? Está inchado. Se não tomarmos cuidado, as pessoas saberão que estivemos nos beijando.
— Sério?
Atordoado, Jeong-in tocou os próprios lábios com as pontas dos dedos. Eles pareciam, de fato, um pouco mais cheios do que o normal. Mas, como se não quisesse lhe dar tempo para se preocupar, Chase fez uma pergunta.
— Continue o que você estava dizendo antes. O que Vivian Sinclair fez?
— …
— Jeong-in.
Diante da insistência em sua voz, os ombros de Jeong-in se encolheram. Ouvir seu nome coreano na voz de Chase lhe causava uma sensação estranha todas as vezes.
— Por que você continua me chamando assim…
— Porque eu quero ser especial.
— …
Chase segurou cuidadosamente a bochecha inclinada de Jeong-in e o fez olhar para cima.
— Me conte.
Jeong-in relatou brevemente o que havia acontecido no refeitório. Tudo, desde aprender sobre a “regra do ex-namorado da amiga” pela primeira vez até ser avisado para não arruinar a reputação de Chase.
Antes mesmo que a história terminasse, a testa de Chase se franziu. Olhando para trás, ela estivera envolvida na maioria dos conflitos entre ele e Jeong-in.
— Vou garantir que esse nome nunca mais saia da sua boca.
Jeong-in sentiu um calafrio na espinha com o olhar frio de Chase. Seus olhos, com suas pálpebras duplas finas, ficaram arredondados.
— Você vai matá-la ou algo assim?
— Ah… Jeong-in.
Chase encostou a testa no ombro de Jeong-in como se estivesse desabando e riu, com o corpo tremendo.
Jeong-in continuou com audácia.
— Você não precisa sujar as mãos de sangue. Eu posso vencer isso sozinho.
Naquele momento, Chase achou Jeong-in insuportavelmente adorável. Ele abaixou a cabeça levemente e enterrou o nariz na nuca de Jeong-in, por dentro do colarinho.
Uma fragrância suave e quente surgiu sutilmente. Nem estimulante, nem artificial.
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
— Eu queria te perguntar. Que perfume você usa?
— Eu não uso perfume.
— Você cheira bem.
Longe de perfume, tudo o que Jeong-in usava era xampu e sabonete líquido comprados em grandes quantidades em um supermercado.
— Qual é o meu cheiro?
— …Como algo que eu quero devorar.
— O que isso deveria significar?
Jeong-in, achando que era apenas uma piada, riu levemente e empurrou o peito de Chase. O peito dele parecia sólido como uma rocha sob sua mão. Sem notar o brilho perigoso nos olhos de Chase, Jeong-in verificou seu relógio de pulso.
— Preciso voltar e me preparar para as finais agora.
— Você está se sentindo bem? Já jantou?
A voz de Chase era incrivelmente terna enquanto fazia várias perguntas preocupadas.
— Não… eu não comi porque estava com medo de que algo desse errado. Estou com fome.
Conforme a tensão diminuía, a fome se instalava. Sem perceber, Jeong-in franziu a testa e reclamou como faria com um amigo próximo ou com sua mãe.
Naquele momento, Chase sentiu um frisson elétrico. Ele acariciou suavemente a bochecha de Jeong-in como se ele fosse precioso e adorável demais para suportar.
— Vá esperar na sala de espera. Vou comprar algo para você comer.
— …Tudo bem.
Chase, como se ainda tivesse algo a dizer, ergueu cuidadosamente o queixo de Jeong-in. Havia algo que ele precisava confirmar para garantir que Jeong-in não fugiria ou se esconderia novamente.
— Sinto muito por ter demorado tanto para perceber meus sentimentos. Sinto muito por ter feito você sentir como se fosse o único que gostava de mim.
A sinceridade contida em sua voz calma. Jeong-in ouviu silenciosamente sua confissão.
— Jeong-in, eu gosto de você. Muito mesmo. Eu me surpreendo todos os dias por conseguir gostar tanto de alguém. E você? Como se sente em relação a mim?
Jeong-in ostentava uma expressão perplexa, como se não soubesse como se expressar. Seu rosto parecia perguntar se ele realmente tinha que dizer aquilo em voz alta.
Chase continuou em uma voz gentil.
— Eu te amo. Você é o meu Jeong-in.
Aquilo foi certamente mais sincero e emocionante do que sua primeira confissão anterior.
Jeong-in reuniu toda a sua coragem. Mas apenas uma voz muito pequena mal conseguiu escapar.
— …Eu também.
— Hmm? Não consigo te ouvir bem.
Chase inclinou a cabeça de forma brincalhona e aproximou-se deliberadamente.
O rosto de Jeong-in ficou instantaneamente mais vermelho. Mas ele decidiu não se esconder ou fugir mais. Ele abriu a boca novamente. Desta vez, sua voz estava mais clara e distinta.
— Eu também gosto de você, Chase Prescott.
— Muito bem.
A sombra de Chase caiu sobre o rosto de Jeong-in, e seu hálito quente espalhou-se pela bochecha de Jeong-in.
Quando seus lábios finalmente se encontraram, foi como vislumbrar o paraíso.
— Justin! Aquilo foi imprudente demais agora há pouco!
— Mas se eu não tivesse feito aquilo, a outra equipe teria dado a resposta.
— Mesmo assim, você apenas chutou!
— E daí? Eu deveria ter deixado eles apertarem o botão primeiro?
Quando Jeong-in retornou, uma pequena discussão estava ocorrendo entre seus companheiros de equipe na sala de espera.
Aqueles que trocavam palavras acaloradas viraram a cabeça todos de uma vez ao ouvirem a porta se abrir.
— Jay!
A partir da exclamação de Rajesh, a atenção de todos se voltou para Jeong-in.
— Jay! O que aconteceu? O Chase Prescott realmente veio até aqui para te ver?
— Eu percebi que vocês dois estavam ficando próximos ultimamente! Como viraram amigos?
— Por que ele não foi ao baile? Por que ele veio para cá?
Sob a enxurrada de perguntas, Jeong-in ficou momentaneamente sem fala. Apenas Justin, parado um passo atrás, o observava em silêncio.
O olhar de Justin não estava em seu rosto, mas detia-se nos lábios de Jeong-in.
A menos que Jeong-in tivesse acabado de devorar um prato mexicano extremamente picante, como tamales de chili, aqueles lábios inchados não tinham explicação.
Justin murmurou em uma voz baixa demais para que os outros ouvissem.
— Aquele quarterback… ele realmente conseguiu.
Tinha sido ninguém menos que Justin quem informara a Chase o local da competição.
Antes das semifinais, enquanto Justin estava sentado ansiosamente na sala de espera, ele sentiu seu telefone vibrar de repente. No momento em que verificou a tela e viu o nome do remetente, pegou imediatamente o aparelho e saiu para o corredor.
Chase Prescott: [Onde é a competição?]
Ao ler a mensagem, Justin hesitou por um tempo. Jeong-in tinha se esforçado muito para se decidir e estava tentando desapegar, então Justin se perguntou se era certo ele revelar o local arbitrariamente.
Segurando o telefone com força enquanto refletia, Justin abriu levemente a porta da sala de espera e espiou para dentro.
Jeong-in tinha um conjunto de problemas aberto à sua frente, mas seu olhar estava fixo vagamente na ponta da caneta. Não importava quantas páginas ele virasse, não mostrava sinais de concentração, e a caneta em sua mão apenas batia no papel repetidamente.
Seu rosto sem expressão, seus olhos sombriamente abatidos. Ele não parecia nem um pouco feliz.
No fim, Justin deu a Chase o endereço detalhado.
— Jay! Diga alguma coisa!
Diante da chuva de perguntas, Jeong-in sorriu sem jeito e coçou a nuca, sem saber o que fazer.
— Apenas… eu fiquei um pouco amigo dele enquanto dava tutoria de matemática para o Darius Thompson, do time dele.
Em resposta à sua explicação, Rajesh exclamou com os olhos arregalados, como se não pudesse acreditar.
— Apenas “um pouco amigo” e ele vem aqui torcer por você em vez de ir ao baile? Eu queria ir ao baile, mesmo sendo um participante desta competição!
— É verdade. Se o Rajesh tivesse um par, ele teria ido ao baile em vez da competição.
— O que te faz diferente, Khalid?
— Bem, isso não está errado…
— Eu deveria ter sido tutor também.
Olhando para seus amigos animados, Justin soltou um suspiro profundo. Era sua vez de intervir.
Ele se aproximou de Jeong-in e parou na frente da multidão, erguendo as duas mãos para proteger Jeong-in como um empresário protegendo uma estrela de fãs excessivamente zelosos.
— Isso é realmente importante agora? As finais são em 30 minutos!
Só então a atmosfera barulhenta se acalmou. Justin não perdeu a oportunidade e puxou Jeong-in pelo braço para um canto tranquilo.
— Aqui.
O que Justin ofereceu foi uma bebida gelada em lata, aparentemente recém-tirada de uma máquina de venda automática, com gotas de água condensadas em sua superfície.
— Por que isso?
— Encoste nos seus lábios.
Justin falou em voz baixa, quase sussurrando.
— Esses caras são nerds, então não percebem, mas qualquer outra pessoa já teria descoberto. Você acabou de voltar de uma sessão séria de amassos.
Os ombros de Jeong-in deram um sobressalto.
— D-do que você está falando…
Parecendo extremamente perturbado, Jeong-in pegou a lata rapidamente e, quase por reflexo, a pressionou contra os lábios.
Pouco tempo depois, a porta da sala de espera se abriu com uma batida suave.
O olhar de todos se voltou para a porta ao mesmo tempo. Surgindo pelo vão da porta estava a figura no centro da recente pequena confusão: Chase Prescott.
Como se um sinal silencioso tivesse sido dado, os estudantes na sala de espera se calaram, e os arredores ficaram tão quietos que parecia que um rato havia morrido.
Amy Williams, a orientadora do clube, aproximou-se de Chase.
— Sr. Prescott, sinto muito, mas apenas alunos que participam da competição são permitidos na sala de espera.
Apesar de suas palavras firmes, Chase não demonstrou sinal de estar perturbado e sorriu gentilmente.
— Peço desculpas. Então, vou apenas deixar isso e ir embora.
Ele ergueu levemente os sacos de papel que segurava em ambas as mãos. O logotipo da Jersey Mike’s, uma lanchonete especializada em sanduíches, estava impresso no papel pardo.
Williams pegou os sacos, mas pareceu um pouco surpresa com a quantidade, que era maior do que o esperado. Rajesh naturalmente deu um passo à frente e ajudou a carregar alguns deles.
— Há bebidas também. Comprei bastante, então, por favor, todos aproveitem.
Sua voz, cheia de boa vontade, ecoou pela sala de espera silenciosa. Todos estavam estáticos com expressões de espanto. Até Jeong-in conseguia apenas encarar Chase com um olhar perplexo.
Quando Chase estava prestes a sair da sala de espera, ele parou brevemente na porta. Então, virou lentamente o olhar em direção a Jeong-in.
Quando seus olhos se encontraram, um sorriso gentil apareceu em seus lábios.
— Vá bem, Jeong-in.
Sua voz suave pairou nos ouvidos de Jeong-in. Jeong-in, com o rosto corado, assentiu apressadamente, e Chase saiu silenciosamente da sala de espera.
Apenas alguns segundos depois que a porta se fechou com um clique, a sala de espera voltou a ficar barulhenta. Todos se amontoaram ao redor da mesa para olhar dentro dos sacos de papel. Assim que a abertura dobrada foi puxada, o aroma amendoado do pão recém-assado e o cheiro saboroso de carne fria exalaram.
Os sanduíches, preparados em quantidade mais do que suficiente para o número de pessoas, eram todos robustos e generosos. No momento em que todos estavam prestes a atacar com admiração, Justin os barrou com uma expressão severa.
— Esperem!
Justin continuou com um ar de importância, como se fosse uma ocasião memorável.
— Chase Prescott teria comprado isso para nós se não fosse pelo Jay? Quero dizer, ele e eu somos amigos próximos também, é claro. Cof… Enfim, acho que deveríamos agradecer ao Jay antes de comer.
Todos assentiram em concordância com as palavras de Justin. Cada um pegando um sanduíche, começaram a agradecer a Jeong-in.
— Valeu, Jay.
— Vou aproveitar isso.
Jeong-in olhou de soslaio para Justin, como se ele tivesse feito algo desnecessário, mas não pôde deixar de se sentir satisfeito e um pouco orgulhoso por dentro. Ele não percebia que tinha tamanha vaidade infantil em si.
Sentindo a consideração atenciosa de Chase, Jeong-in abriu cuidadosamente a embalagem e deu uma grande mordida no pão que ainda retinha o seu calor.
Parecia que o calor estava se espalhando por todo o seu corpo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven