Ler Coleção de Extras Festival Meio Outono (Crossover) – Capítulo Extra de Meio Outono de 2026 II – Todas as Coisas Online

(II) Wanwu
Era uma vez o Pico Feiluan, e nesse pico ficava a Seita Qingyuan. Na seita, havia muitos especialistas em cultivo imortal: nos estágios de Estabelecimento de Base, Refino de Qi, Formação do Núcleo e Alma Nascente.
Esta era uma seita de cultivo tradicional: um líder, três anciãos, um shixiong bonito e sério, um segundo shixiong também bonito, mas cínico e despretensioso, de personalidade viva e rebelde…
E também alguns discípulos figurantes sem relevância — tão insignificantes que nem sequer possuem nomes.
E também alguns slimes de nível ainda mais baixo do que os discípulos figurantes… Não, espere, discípulos aprendizes. Entre eles, havia um discípulo chamado Jiang Hong.
O trabalho principal de Jiang Hong era varrer todos os dias os degraus de mármore branco que iam do portão da montanha até o Salão Xianzong. No outono, as árvores dos dois lados dos degraus deixavam cair folhas — ele varria, caíam de novo; varria, caíam de novo. Ao levantar a cabeça, era possível ver do portão da montanha o Salão Principal envolto em névoa e camadas de nuvens.
No céu fica a Cidade do Mármore Branco, com doze torres e cinco cidadelas; o imortal afaga minha cabeça, ata meus cabelos e concede-me a vida eterna¹…
Muitas vezes, Jiang Hong apoiava-se na vassoura e contemplava o horizonte envolto pela névoa, com o coração repleto de esperança no futuro. Todos os dias, após terminar de varrer a escadaria celestial pela manhã, ele se juntava aos outros discípulos slimes para pegar uma refeição vegetariana. Ao meio-dia, reuniam-se debaixo de uma árvore para conversar e descansar um pouco.
À tarde, aprendiam as técnicas de respiração para absorver o qi espiritual dos céus e da terra, além de recitar as escrituras imortais. Ao entardecer, quando os sinos do Salão Principal ressoavam, os discípulos se reuniam na praça: o shixiong tocava cítara enquanto todos, em perfeita sincronia, praticavam suas artes marciais.
À noite, cada um se dedicava a copiar escrituras e a estudar os clássicos, dia após dia, ano após ano.
Quando será que vou ter uma iluminação e aprender artes imortais? Os olhos de Jiang Hong frequentemente expressavam um profundo anseio. À noite, deitado no dormitório coletivo entre os roncos de seus colegas de quarto, ele se revirava na cama, pensando que talvez, um dia também encontraria um mestre — alguém que lhe ensinasse a arte de controlar a espada para voar livremente pelos céus, ou as técnicas secretas capazes de envolver o corpo em um brilho dourado, radiante e impenetrável…
Ocasionalmente, durante as conversas antes de dormir, quando algum colega estalava os dedos e conjurava uma chama, todos exclamavam em surpresa e o parabenizavam cheios de inveja: “Você despertou! Já está pronto para partir e se tornar, oficialmente, discípulo de um mestre!”
Mas, na maior parte do tempo, os discípulos aprendizes que viviam nos dormitórios coletivos não aguentavam a chamada vida de cultivo. Após três ou cinco anos, despediam-se da Seita Qingyuan e voltavam para casa para viverem como mortais comuns — casavam-se, estabeleciam suas carreiras e passavam o resto da vida se gabando dos anos que haviam passado na seita imortal.
Jiang Hong frequentemente se preocupa com seu irmão mais velho e sua cunhada, que ficaram em casa. Na verdade, ele nem queria ter vindo; sua vinda deveu-se apenas à recomendação de um lama² de alto escalão em sua terra natal, que afirmou que ele possuía uma “afinidade com os imortais”. Seu irmão, imaginando que Jiang Hong passaria os dias apenas à toa, causando problemas em casa, incentivou-o a tentar — afinal, quem sabe? Talvez as coisas pudessem dar certo, não é?
Enquanto varria as folhas secas na escadaria celestial, Jiang Hong esbarrava com frequência em pessoas que vinham em busca dos imortais. A localização da Seita Qingyuan ficava em Sichuan; por uma questão de proximidade, muitos habitantes da região de Shu, num raio de centenas de li*, costumavam visitá-la.
(n/t: *unidade de medida que equivale a 500m)
Eles chegavam ofegantes ou cheios de vigor ao subirem aqueles 38 mil degraus e atravessarem o mar de nuvens. A primeira pessoa com quem topavam costumava ser Jiang Hong, e a primeira frase que soltavam era quase sempre um desabafo:
“Imortal!”
Às vezes, ainda acrescentavam um “Puta merda”.
“Imortais, puta merda, você é um imortal?” Os buscadores da imortalidade sempre perguntavam a Jiang Hong.
“Não, eu não sou!” Jiang Hong costumava largar a vassoura para explicar, indicando gentilmente o caminho aos aspirantes a imortais. Afinal, uma longa jornada ainda os aguardava após cruzarem o portão da montanha; eles precisariam chegar ao Salão de Recepção para se registrar e passar por uma avaliação de sua constituição inata e de seu talento — só então teriam a chance de se tornar discípulos em período de experiência.
“Certo, certo, muito obrigado!” Os aspirantes a imortais enxugavam o suor, agradeciam educadamente e seguiam em frente.
Claro que também havia aqueles que não diziam uma só palavra, fingindo que nem o viam e passando direto por ele. Havia até mesmo brutamontes do Jianghu que o tratavam como um “irmão” ou já chegavam achando que ele era um daqueles mestres reclusos — no estilo do lendário monge da vassoura³ — e se ajoelhavam, implorando aos prantos para serem aceitos como discípulos. Em suma, os aspirantes formavam um grupo heterogêneo e excêntrico; contudo, em seus olhos, quase sempre brilhava a mesma expressão: um anseio profundo e ardente — um desejo em sua forma mais primitiva e intensa, semelhante a um sonho — o sonho da vida eterna.
༄˖°..ೃ࿔*:・
“Que árvores inúteis! Já deviam ter cortado tudo isso faz tempo!” Outro discípulo aprendiz, chamado Lu Didi, aproximou-se resmungando com a vassoura na mão. “No inverno não dão flores, no verão não dão frutos, e no outono não param de cair folhas… Qual é a necessidade disso existir?”
“Existem muitas coisas inúteis no mundo”, respondeu Jiang Hong abraçando a vassoura. “A utilidade do que parece inútil é, na verdade, a maior utilidade.”
Lu Didi achava defeito em absolutamente tudo e no dia a dia não dava a mínima para as ordens dos discípulos oficiais — só ia fazer algo com má vontade depois de ser mandado várias vezes.
“Depois de amanhã é o torneio de artes marciais da seita”, disse Jiang Hong.
“Ah, e daí?” Lu Didi disse. “Será que você é, na verdade, um mestre disfarçado entre os aprendizes, vai gritar ‘Cultivadores, vocês não valem o que o cão come⁴!’, e depois rasgar a roupa, usando técnicas de cultivo demoníaco para matar todo mundo?”
Jiang Hong caiu na gargalhada e respondeu: “Eu só queria arrumar um lugar bom para admirar o Shixiong Yuheng. Ele é tão lindo!”
Lu Didi encarou Jiang Hong com um olhar desconfiado, e Jiang Hong voltou a perguntar: “Você vai preparar o jogo de chá e servir os mestres imortais?”
“Nem pensar!” Lu Didi respondeu. “Desde que queimei a mão do Ancião Lingxu da última vez, não me deixam chegar nem perto dessa tarefa!”
Jiang Hong não teve outra escolha a não ser desistir da ideia. Teria mesmo que contar com os próprios esforços para dar um jeito de se aproximar da arena de combate.
O torneio de artes marciais da seita é um grande evento anual. Enquanto os discípulos efetivos ocupam o palco, os discípulos aprendizes (por não possuírem o status necessário), só podiam ficar de longe, encarregados de aplaudir, vibrar e soltar gritos de espanto, fornecendo um pouco de atmosfera.
Afinal, os cultivadores também precisavam de meros mortais para fazer torcida; caso contrário, ao emitir luz dourada ou invocar artefatos mágicos, sem os gritos de surpresa e aplausos, parecia que faltava alguma coisa.
Antes do Torneio de Artes Marciais da Seita, Jiang Hong havia praticado repetidamente com outros discípulos como soltar um suspiro de espanto no momento certo. Eles foram designados para o espaço aberto ao norte do palco, onde todos se sentaram de pernas cruzadas, aguardando a entrada de seus respectivos ídolos.
Apesar de já estarmos em meados de agosto, o calor sufocante do “Tigre do Outono⁵”, ainda castigava a região. Ao seu lado, Lu Didi limpava o suor incessantemente, reclamando: “Está quente demais aqui!”
“Shhh.” Jiang Hong sussurrou, mantendo os olhos fixos nos shixiongs do outro lado da arena. Eles tinham rostos nobres e impecáveis como o jade, e suas vestes imortais esvoaçavam ao vento — todos jovens espadachins imortais e cheios de vigor.
“Os shixiongs são tão lindos!” Jiang Hong ainda guardava um retrato assinado do shixiong Yuheng pendurado em seu dormitório.
“Na verdade, são todos um bando de velhotes”, murmurou Lu Didi.
“Como assim, ‘velhotes’?” Jiang Hong advertiu. “Cuidado com o que você diz.”
“Mas eles são velhotes!” Lu Didi insistiu. “Yuheng já tem cento e setenta anos.”
“Não diga essas coisas que estragam o clima!” Jiang Hong disse, tentando de todas as formas impedi-lo.
༄˖°..ೃ࿔*:・
“Ei, vocês dois aí!” O shixiong encarregado da cerimônia notou os dois, e Jiang Hong imediatamente ficou tenso.
Após trocar algumas palavras com a Shijie ao seu lado, o Shixiong disse: “Vão até o depósito e tragam mais quatro ventiladores.”
“Ah, já vou!” Jiang Hong tinha conseguido aquele lugar com tanta dificuldade; se ele fosse embora, certamente outra pessoa ocuparia seu posto antes que ele retornasse.
Contudo, na Seita Qingyuan, praticamente qualquer um podia dar ordens aos discípulos em treinamento — no grande esquema das coisas, todos não passavam de meros “figurantes” —, por isso, Jiang Hong não teve outra escolha a não ser obedecer.
“O shixiong Yuheng também vai usar”, disse a Shijie, percebendo a frustração de Jiang Hong, e o consolou: “Vá, sem os ventiladores, as vestes dele não vão esvoaçar, e ele não vai conseguir criar aquela presença imponente.”
“Tá bom!” Jiang Hong ficou feliz novamente, pois pelo menos poderia fazer algo pelo seu ídolo.
Lu Didi voltou a resmungar e praguejar, e foi com Jiang Hong buscar os ventiladores no depósito. Na Seita Qingyuan, a quantidade de ventiladores destinados a uma entrada (posicionados atrás da pessoa), era determinada pela sua posição hierárquica: quanto mais elevado o status, maior o número de aparelhos utilizados. O Líder da Seita, por exemplo, era acompanhado por nada menos que trinta e seis deles.
Assim que chegaram ao depósito, o som de um gongo ecoou vindo de uma arena próxima, sinalizando o início do torneio de artes marciais da seita. A voz retumbante do Líder da Seita, amplificada por um feitiço, ressoou enquanto ele dava início ao seu discurso de abertura, ao mesmo tempo em que uma multidão se reunia sob a arena.
“Ei!” Outro shixiong passou por ali, segurando uma cobra com fitas vermelhas⁶. “Você — leve esta cobra espiritual de volta para a montanha dos fundos. Ela acabou vindo parar aqui na frente.”
Lu Didi quase perdeu a alma de susto e disse: “Quem pegou que vá soltar!”
A cobra continuava a se contorcer, dando nós em si mesma enquanto tentava subir pelo braço do discípulo veterano. A expressão do veterano tornou-se severa. “Que tipo de atitude é essa?”
Lu Didi respondeu: “Estamos justamente pegando os ventiladores. Você não gostaria que as vestes do Líder da Seita deixassem de tremular durante sua grande entrada, certo? Isso é um assunto muito sério, sabe.”
“Deixa que eu vou”, disse Jiang Hong, percebendo que uma bronca estava por vir. “Eu vou soltá-la.”
“Solte-a no buraco que fica atrás da Pedra dos Dez Mil Gu”, disse o shixiong, entregando a cobra-fita-vermelha para ele. Jiang Hong ficou tão assustado que teve que encontrar um pedaço de pau para pegá-la. A cobra se enrolou no graveto enquanto Jiang Hong, tremendo de medo, repetia mentalmente: Por favor, não suba para minha mão…, a caminho da montanha dos fundos.
Quase nenhum discípulo se aventurava na região da montanha dos fundos; diziam que o fundador da seita havia soltado por ali muitas feras de temperamento arisco e violento; quanto mais fundo se entrava, mais perigoso ficava.
No entanto, os Shixiongs e Shijies às vezes iam até os arredores da Pedra dos Dez Mil Gu para capturar cobras ou coletar cinábrio. Jiang Hong já tinha varrido aquela região da montanha dos fundos e nunca se atrevia a ultrapassar o arco memorial da montanha de trás; felizmente era ele, que conhecia o caminho… Enquanto pensava, não parava de sacudir a cobra-fita-vermelha.
༄˖°..ೃ࿔*:・
Lá longe, na direção da montanha da frente, o Torneio de Artes Marciais já tinha começado, enquanto a montanha dos fundos inteira permanecia completamente deserta. Jiang Hong só queria voltar o quanto antes para assistir aos duelos — por que tinha que ser tão azarado logo hoje, ahhh?!
Ao entrar na área da montanha dos fundos, a luminosidade diminuiu repentinamente. Por toda parte havia árvores antigas e gigantescas; aquele lugar se conectava à floresta primitiva das montanhas de Shu, e muitos lugares não eram pisados por ninguém há milhões de anos.
Ao chegar às profundezas da floresta densa, a cobra-fita-vermelha disparou de repente, desaparecendo num piscar de olhos.
“Ei!” Jiang Hong levou um susto e gritou: “Não vá embora! Não saia correndo por aqui! Mesmo que você seja uma cobra, ainda é perigosa!”
Jiang Hong correu atrás da cobra-fita-vermelha por cerca de meio ke*. Após se aprofundar em uma floresta de rochas escarpadas, a serpente já tinha desaparecido sem deixar rastro.
(n/t: um ke equivale a 15 minutos, meio ke é cerca de 7 ou 8 minutos)
“Onde é que eu estou?” Jiang Hong de repente percebeu que algo não estava certo.
Havia um silêncio absoluto por todos os lados, apenas alguns cantos esporádicos de pássaros e o feixe de luz do meio-dia que incidia sobre sua cabeça; toda a densa floresta estava tomada por uma atmosfera solene, com a névoa se espalhando por toda parte. Não havia nenhum caminho de pedra desde a parte de trás da montanha até ali — ele estava perdido!
Estou perdido! Jiang Hong sentiu como se um raio tivesse caído sobre sua cabeça. Ele se virou imediatamente, tentando identificar as árvores antigas e refazer seus passos, mas acabou vagando às cegas pela floresta — todas as árvores pareciam exatamente iguais e, na pressa de perseguir a cobra, ele não havia prestado a menor atenção ao que o cercava.
Depois de andar por tanto tempo, será que Lu Didi perceberia o seu desaparecimento? Ele devia avisar os Shixiongs para mandarem alguém procurar na montanha dos fundos! Essa era a única esperança de Jiang Hong. O problema é que o Torneio de Artes Marciais duraria três dias seguidos a partir de hoje, e provavelmente ninguém teria tempo para se importar com ele. Em outras palavras, o resgate só chegaria, na melhor das hipóteses, daqui a três dias.
Será que vou morrer nas montanhas atrás do Pico Qingyuan? Quanto mais Jiang Hong pensava nisso, mais nervoso ficava. Não — preciso manter a calma! Preciso me salvar!
Ele olhou para cima e avistou um rochedo proeminente a cerca de trezentos metros de distância. Seu ânimo renovou: Isso! Se eu conseguir subir até lá, poderei me orientar!
Jiang Hong usou todas as suas forças para escalar aquela rocha. Já era o crepúsculo; o sol afundava aos poucos no horizonte, e tudo o que a vista alcançava era um oceano incalculável de copas de árvores. A vegetação parecia um mar sem fim, cujas ondas se agitavam e rolavam entre as cadeias de montanhas.
Onde fica a seita?
Cadê a seita?!! Jiang Hong ficou completamente desnorteado. Ele deu uma volta completa sobre a rocha, mas não conseguiu encontrar a Seita Qingyuan em lugar nenhum! Sentado sobre uma rocha, ele verificou repetidas vezes: será que tinha um feitiço de barreira na montanha dos fundos? Eu nem andei tanto assim!
Com a aproximação do anoitecer e o vento soprava cada vez mais frio, Jiang Hong não teve outra escolha a não ser descer da rocha e procurar um lugar para passar a noite. Enquanto abria caminho por entre um amontoado de pedras, ele refletia sobre o que fazer em seguida. Espere — as montanhas dos fundos ficam ao norte da seita, certo? Então, se eu seguir para o sul ao amanhecer, talvez consiga encontrar o caminho de volta?
Ainda sem querer desistir, Jiang Hong seguiu em frente pela floresta densa e mal iluminada. De repente, uma pedra sob seus pés cedeu e whoosh, caiu para dentro da parede rochosa.
“AAAAHH——” Jiang Hong gritou descontroladamente e, com um splash, caiu num lago de água gelada.
༄˖°..ೃ࿔*:・
Que lugar é este agora?! Jiang Hong saiu da água em estado deplorável. De repente, sentiu uma presença avassaladora e formidável — a aura opressiva que emanava de uma fera feroz de alto nível!
O local era uma fenda sob o penhasco: acima dele, apenas uma fresta estreita do céu deixava passar os últimos raios do crepúsculo, enquanto água gotejava lentamente das paredes de rocha ao redor.
Jiang Hong chegou a avistar dois pontos de luz dourada na escuridão e ouviu, das profundezas da caverna, um som fraco de escamas raspando no chão, vindo em sua direção.
Cobra! Uma cobra gigante!
Jiang Hong não se atrevia a dar um piu. Encostado na parede da caverna, com todos os pelos do corpo arrepiados e prendendo a respiração, ele encarava fixamente os dois pontos dourados e reluzentes que flutuavam na escuridão, à altura da cabeça de uma pessoa.
Com certeza era uma serpente negra gigante! Ela se escondia nas sombras, e o couro cabeludo de Jiang Hong parecia prestes a explodir de pavor; ele se controlou para não soltar um grito agudo, caso contrário, aquela cobra gigante poderia engoli-lo inteiro de uma só vez.
Contudo, a fera aterrorizante não avançou mais, parando sob a proteção das sombras, a dez metros de distância de Jiang Hong.
Jiang Hong não ousava se mover de jeito nenhum. Um segundo, dois segundos.
Então, uma voz ecoou pela caverna: “Um discípulo de Qingyuan?”
Jiang Hong não ousou responder, e a voz continuou: “Chegue mais perto, deixe-me ver você.”
Os brilhos dourados continuavam ali. Jiang Hong disse com a voz trêmula: “Não vou chegar perto. Você vai me comer.”
A voz soava bem jovem — muito parecida com a de alguém da sua própria idade — e ecoava suavemente por toda a caverna:
“Eu não como humanos”, respondeu a grande criatura.
“Não acredito nem um pouco!” Jiang Hong explodiu. “Sua língua de cobra já está quase encostando no meu rosto!”
Os dois pontos de luz dourada desapareceram de repente. Logo em seguida, uma rajada de vento soprou do nada e, quando o vento cessou, ouviu-se o estalar de um dedo na escuridão.
“E assim?” a voz disse, com calma.
De repente, o musgo ao redor emitiu um brilho suave, iluminando a caverna como se fosse um paraíso celestial, e, do outro lado do lago, surgiu um jovem! O jovem estava com a parte superior nua, revelando músculos bem definidos, vestia apenas uma calça preta e estava descalço.
Ele tinha cabelos e olhos negros, a ponte do nariz alta e olhar brilhante e penetrante, ele possuía sobrancelhas grossas e escuras, além de uma pele pálida como o leite. Sendo uma cabeça e meia mais alto que Jiang Hong, ostentando um porte esbelto e elegante que só poderia ser descrito como… elegante e de um charme arrebatador.
Jiang Hong engoliu em seco.
Jiang Hong: “……”
O jovem o observou com desconfiança e ergueu as sobrancelhas, fazendo um gesto para que ele falasse.
Jiang Hong recuperou os sentidos. Com certeza aquele era um yao serpente sedutor! Um yao serpente! Um yao serpente!! Exatamente como o serpente sedutor registrado no “Enciclopédia das Bestas Místicas”!
O jovem: “Ei.”
Ao notar que Jiang Hong permanecia em silêncio, o jovem contornou o lago e caminhou em sua direção.
Justo quando Jiang Hong estava prestes a gritar para que ele se mantivesse afastado, ouviu o tilintar de uma corrente. Notou, então, que o tornozelo esquerdo do jovem estava acorrentado; conforme o rapaz se movia, runas restritivas brilhavam ao longo da corrente, mantendo-o preso dentro da caverna.
“Ah, então você é um prisioneiro”, disse Jiang Hong, sentindo seu medo finalmente começar a diminuir.
O jovem o examinou de cima a baixo, com um olhar que carregava um pouco de melancolia e emoções complexas. Jiang Hong perguntou: “Quem te prendeu aqui?”
“O Deus Supremo Xuantian”, respondeu o jovem.
“Quem?” Jiang Hong nunca tinha ouvido aquele nome na vida e perguntou: “É algum deus?”
“Sim”, respondeu o jovem. “Cento e sessenta anos atrás, tendo alcançado um certo nível de cultivo, busquei obter um título oficial — uma ‘concessão de status’. Mas a raça humana me temia; ninguém sequer queria me dar atenção. O Deus Supremo Xuantian, achou que eu estava causando desordem, me acorrentou aqui e me disse para aguardar o encontro que me estava destinado — que, quando chegasse o momento certo, o título viria por si só.”
Ah, ainda bem… Então, ele não guardava rancor contra sua própria seita. Embora Jiang Hong fosse apenas um aprendiz, ele estava genuinamente preocupado com a possibilidade de algum ancestral da Seita Qingyuan ter aprisionado ali uma fera feroz — uma que, num acesso de fúria, poderia facilmente decidir descontar suas frustrações nele, das mais variadas e desagradáveis maneiras.
Jiang Hong disse: “Você deve ter feito muitas coisas terríveis para acabar trancado aqui.”
O jovem respondeu: “Eu pareço uma pessoa má para você?”
Jiang Hong achava que ele realmente não parecia uma má pessoa, mas não se deve julgar um yao pela aparência — não podia confiar nele!
O jovem se debateu mais duas vezes; a corrente só permitia que ele chegasse até a beira do lago. Então ele disse a Jiang Hong: “Chegue um pouco mais perto.”
Jiang Hong disse: “Por que fica me mandando chegar mais perto? Você claramente tem más intenções!”
O jovem: “Só quero conversar com alguém! Se não quiser, tudo bem.”
Enquanto o jovem recuava para dentro da escuridão, Jiang Hong acrescentou rapidamente: “Não foi isso que eu quis dizer… é só que, nós dois não nos conhecemos, assim é muito estranho!”
“Olha só”, disse o jovem. “Todos têm medo de mim, sem motivo algum. Mesmo que eu não tenha feito nada, você também tem medo de mim.”
Jiang Hong se apressou em explicar: “Não é bem assim… É porque sou muito fraco, preciso estar sempre alerta… Tudo bem, não fale assim. Olha só, já estou indo.”
Jiang Hong não teve escolha a não ser criar coragem e contornar a beira do lago. Viu que a caverna não era tão grande quanto imaginava, e não havia ninho de cobras nem ovos de cobra. No fundo, havia um pequeno espaço aberto, onde o jovem estava sentado, encostado na parede da caverna, em silêncio.
“Ah.” Jiang Hong entrou no território do outro e, ao ver que ele não se lançou repentinamente sobre ele para devorá-lo, concluiu que aquele yao serpente talvez realmente não fizesse mal a ninguém.
“Você poderia me ajudar a acender uma fogueira?” Jiang Hong perguntou.
O jovem olhou para ele e perguntou: “Você não sabe?”
“Sou apenas um discípulo aprendiz.” Na esperança de secar suas roupas, Jiang Hong começou a despi-las, até ficar apenas com as roupas de baixo.
O jovem estalou os dedos, e uma fogueira surgiu dentro da caverna.
“Você poderia conjurar um pouco de comida também?” Jiang Hong disse. “Estou com fome.”
“Não posso”, desta vez o jovem o recusou, dizendo: “Eu só consigo manipular os Cinco Elementos.”
Jiang Hong coçou o pescoço. O jovem perguntou: “Como você veio parar aqui?”
Jiang Hong então contou a ele como havia chegado ali por acaso, e o jovem ouviu em silêncio.
“Jiang Hong, você poderia me libertar?” o jovem perguntou. “Se você me conceder a liberdade, certamente poderei levá-lo de volta à sua seita.”
“Isso é totalmente impossível!” Jiang Hong disse, examinando as correntes nos tornozelos do outro. “Trata-se de uma restrição imposta por uma divindade — como um mortal como eu poderia desfazê-la?”
O jovem respondeu: “Basta fazer o que eu disser.”
Jiang Hong imediatamente olhou para ele com desconfiança e disse: “Nós dois ainda não nos conhecemos direito. Você não vai, por acaso, tentar me enganar para que eu seja seu substituto, vai?”
“Como sua imaginação é tão fértil!” o jovem disse, impaciente. “Você ainda acha que eu sairia por aí matando gente e cometendo crimes? Se não acredita em mim, deixe para lá.”
“Não é isso…” Jiang Hong percebeu que era difícil explicar a questão da confiança para um yao.
“Você realmente não vai fazer nada de ruim?” Jiang Hong perguntou. “Se algo der errado, eu serei o grande culpado da história.”
O jovem respondeu: “Se eu te dei a minha palavra, é claro que não vou.”
Jiang Hong: “Mas veja bem, eu nem sei qual é o seu nome.”
“Eu não tenho nome”, disse o jovem.
“Ah, entendo”, respondeu Jiang Hong.
O jovem acrescentou: “Você poderia me dar um.”
“Hum…”, disse Jiang Hong, “mas, depois que sairmos daqui, o que você vai fazer?”
“Eu posso ser seu bichinho de estimação”, disse o jovem novamente. “Assim, ninguém vai poder te intimidar. Basta me soltar, e farei qualquer coisa por você. Se você quer riqueza ou quer se tornar um imortal, posso satisfazer todos os seus desejos; se quiser fundar sua própria seita, isso também é muito simples.”
O coração de Jiang Hong disparou e disse: “É tipo fazer um pedido? Mas eu nem tenho nenhum desejo em especial…”
“Não é para fazer um desejo!” o jovem disse com seriedade. “Se você me salvar, ficarei ao seu lado para sempre, sem limites de vezes, até você morrer.”
“Então você só vai ficar livre quando eu morrer” Jiang Hong disse. “E se eu tiver sucesso no cultivo e me tornar imortal? Você vai ficar torcendo para que eu morra logo?”
“Eu só ficarei feliz”, disse o jovem. “Porque você é meu mestre! Como você pôde pensar uma coisa dessas?!”
Jiang Hong se apressou em dizer: “Desculpe! Desculpe! É que fui levado a pensar de forma errada pelo que me ensinaram…”
O jovem ficou completamente irritado. Virou-se, sentou-se de frente para a parede de pedra e não deu mais atenção a Jiang Hong. Vendo isso, Jiang Hong se apressou para se desculpar, foi até atrás dele e tocou o ombro nu dele para acalmá-lo e, no momento em que a pele deles se tocaram, surgiu imediatamente uma sensação estranha.
“Você sabe como é”, disse Jiang Hong, pedindo desculpas. “Na minha seita, somos constantemente ensinados — doutrinados, na verdade — a nunca confiar em yaoguai.”
A raiva nos olhos do jovem diminuiu um pouco.
“Me dê um nome”, disse o jovem. “Depois me chame pelo nome, assim serei seu bichinho de estimação e não poderei traí-lo, a menos que você não me queira mais. Usarei todo o meu poder de cultivo para protegê-lo.”
O jovem encarou Jiang Hong com um olhar tão profundo que parecia prestes a fazê-lo se entregar por inteiro.
“Mas…” Jiang Hong pensou na cobrinha adorável de olhos grandes que estava escondida junto ao seu corpo — talvez ter um animal de estimação a mais não fosse tão ruim, contanto que sua seita não descobrisse.
“Mas eu também não sei como fazer isso”, disse Jiang Hong. “O que devo fazer? Você precisa beber meu sangue? Hum… só tente ser delicado ao morder.”
“Eu tenho um jeito”, disse o jovem, sua raiva diminuindo enquanto ele se virava. “Deixe comigo. Primeiro, precisamos estabelecer um Pacto de Alma.”
Jiang Hong estendeu a mão; o jovem a segurou e fez um gesto para que ele se aproximasse, puxando-o para um abraço.
“Mas o que exatamente eu devo fazer…?” Os olhos de Jiang Hong se arregalaram. Ao ser puxado para os braços do rapaz, ele pôde sentir as batidas do coração do outro. Ele respondeu nervoso: “Eu… eu provavelmente deveria colaborar com você, certo?”
“Basta praticar o cultivo duplo”, respondeu o jovem.
“Ah, o cultivo duplo.” Jiang Hong ficou aliviado.
“O QUÊ?!” Jiang Hong exclamou, quase perdendo o juízo. “Cu-cultivo duplo?! É o cultivo duplo que eu tô pensando?!”
“Sim, porque a essência primordial⁷ é mais poderosa que o sangue.”
“Espera… espera aí! Eu ainda tenho um corpo de Yang puro*! Ahhh! Ah… mmm… mmm… ah! Uau! Devagar, devagar! N-não, assim não dá! Não, Céus, como é possível… hum… ah! Ah…”
(n/t: *se refere a virgindade masculina)
Jiang Hong arregalou os olhos de repente, encarando o rosto bonito do jovem, enquanto sentia como se milhares de relâmpagos se fundissem em um só, atravessando sua alma e trazendo um brilho intenso para a sua vida.
No instante em que foi levado ao ápice dos cinco sentidos, o jovem revelou sua verdadeira forma: aquele corpo gigantesco, coberto por escamas negras cintilantes, frio e duro, que, de repente, irromperam em talismãs dourados, brilhando como se estivesse em chamas.
Jiang Hong foi arrastado para o centro de tudo, completamente envolvido por ele. Olhando para cima em direção ao sol nascente que despontava pela fresta do penhasco, seus lábios se moveram levemente enquanto sua consciência se esvaía.
À medida que o momento chegava ao fim, a besta espiritual — arrastando pesadas correntes de ferro — alçou voo, seus chifres azul-dourados manifestando-se para atrair os raios que enchiam o céu.
A voz do jovem perguntou: “O que sou eu? Diga-me, Jiang Hong!”
Jiang Hong estava montado em cima de sua cabeça e, no momento em que o cultivo duplo terminou, o jovem se transformou em uma fera enorme.
“Você não é… você é… você é um dragão!” Jiang Hong gritou, chocado. “Você é um dragão! Você é mesmo um dragão!”
O rugido do dragão ecoou pelo céu e pela terra. Sob o primeiro raio de sol da manhã, as correntes pegaram fogo e se consumiram, as cinzas desapareceram, a montanha se abriu e o dragão negro, enfrentando os relâmpagos brilhantes, atravessou a fresta do penhasco carregando Jiang Hong pelos céus!
“Kulu⁸!” Jiang Hong lembrou-se do dragão que vira nas colunas esculpidas em sua casa quando era criança e exclamou, emocionado: “Você é Kulu! Céus! Kulu!”
“Sim, eu sou um dragão.” Dragão Negro respondeu calmamente.
Relâmpagos caíam do céu sem parar, mas todos eram absorvidos pelos chifres do dragão negro. Os raios percorria em seu corpo e explodiam, fazendo com que o dragão negro assumisse um brilho deslumbrante.
“Kulu… então seu nome vai ser Lu Xiu! ‘Xiu’ de cultivo duplo!” Jiang Hong gritou. “Afinal, a gente ficou junto por causa do cultivo duplo. Hum, Lu Shuangxiu! Não, não, Lu Xiu! Esse nome soa bem melhor!”
“Qualquer nome serve”, respondeu o Dragão Negro. “Desde que você goste, fico feliz em mudar meu nome sempre que desejar.”
À medida que a tribulação de relâmpagos se dissipava, o dragão negro emergiu do mar de nuvens, deixando a montanha dos fundos para trás.
“Quer voltar para a sua seita?” o Dragão Negro perguntou a Jiang Hong.
“Hum, melhor não”, respondeu Jiang Hong.
“Você não queria voltar para cultivar a imortalidade?” indagou o Dragão Negro, pairando no ar, confuso.
Jiang Hong: “Não, não, não quero voltar agora.”
Dragão Negro: “Por quê?”
“Porque estou sem roupa!” Jiang Hong disse. “Acabei de fazer aquilo com você e não estou vestindo nada!”
“Ah.” O Dragão Negro, carregando Jiang Hong, perguntou: “Para onde vamos agora?”
“Não sei… Espere, a seita está, na verdade, bem aqui perto! Será que estava escondida pela mata? Preciso voltar e pegar algumas roupas — ah, espere, aquele ali é o Shixiong Yuheng?” Jiang Hong avistou alguém subindo em uma espada voadora, vindo diretamente em sua direção.
Dragão Negro: “?”
“Não, não, não!” Jiang Hong lembrou-se de que estava completamente nu e disse: “Vamos embora rápido!”
De longe, ouviu-se um grito: “Que yao é esse, causando confusão por aqui?”
Num instante, espadas voadoras surgiram, cortando o ar de todas as direções. Alarmado — e temendo que Lu Xiu pudesse se ferir —, Jiang Hong esqueceu-se completamente de que estava sem roupas e gritou: “Shixiong! Shixiong Yuheng! Este é meu amigo… por favor, não o machuque! Lu Xiu — vamos sair daqui rápido!”
O dragão negro acelerou subitamente, avançando como um relâmpago e produzindo um estrondo sônico; as correntes de ar, com a força de um furacão, giravam ao seu redor e dispersaram instantaneamente os jovens imortais espadachins, lançando-os em todas as direções.
“Yaoguai!”, ouviu-se um rugido furioso. O irmão mais velho da seita, empunhando a Espada Divina Qingyuan — a arma sagrada da seita — e vestindo uma veste imortal brilhante, com seu poder no estágio de Alma Nascente, invocou a técnica “Mil Espadas Abrindo a Montanha” e desferiu um golpe horizontal contra o Dragão Negro.
O dragão negro investiu em sua direção, pronunciando uma palavra na língua dos dragões:
“Tulesu.”
O espaço foi comprimido, e Yuheng foi imediatamente arremessado para longe, disparando em direção ao vasto mar de árvores.
Jiang Hong: “Aquele ali é o Shixiong Yuheng, o maior especialista da seita!”
“Ah”, respondeu o dragão negro, disparando na direção da sede da Seita Qingyuan. “Eu achei que era um quebra-molas.”
Jiang Hong: “……”
Dragão Negro: “Onde você mora?”
Jiang Hong: “É naquela fileira de casinhas bem na ponta… Espere! Líder da Seita! Ei, ah!”
O Dragão Negro parou de repente e perguntou: “Em que foi que eu esbarrei agora há pouco?”
Jiang Hong: “Não é nada, vamos, venha. Só tente não esbarrar em mais ninguém.”
“Ah.” O Dragão Negro pousou, assumiu a forma humana e seguiu Jiang Hong para dentro do dormitório. Jiang Hong entrou apressado — completamente nu — e vestiu algo rapidamente e se virou para examinar Lu Xiu. Lu Xiu disse: “Assim está bom para mim, não gosto de vestir branco.”
Lu Didi estava varrendo o chão até ficar com dor nas costas e na cintura, e massageava a lombar quando disse: “Hã? Jiang Hong? Você voltou? Quem é este?”
Enquanto revirava seus pertences, Jiang Hong não sabia bem como apresentar Lu Xiu — ao mesmo tempo em que notava a expressão de expectativa no rosto dele.
“É seu namorado?” Lu Didi olhou para os dois com ar de desconfiança. “Onde foi que você conheceu ele? O que é que vocês foram fazer?”
“Hum…” disse Jiang Hong. “Pode-se dizer que sim. É, sim.”
Bem, pensou Jiang Hong, nós já fizemos o cultivo duplo, então deve contar como namorado — ele não pode ser apenas um bichinho de estimação, né?
Lu Xiu perguntou: “Para onde vamos agora?”
Jiang Hong respondeu: “Acho que… vou voltar para casa primeiro.”
Lu Didi: “Você vai desistir do cultivo imortal?”
Jiang Hong respondeu: “Vou fundar minha própria seita!”
“Ah? Seu namorado é algum tipo de mestre inigualável? Posso entrar como vice-líder da seita? Não… que tal como ancião? Ser ancião também serve!” Lu Didi disse prontamente.
“Vou te enviar uma mensagem!” Jiang Hong disse, animado.
“Combinado!” Lu Didi disse, batendo a mão na dele.
༄˖°..ೃ࿔*:・
Do lado de fora, uma multidão de discípulos da Seita Qingyuan invadiu o local, como se estivessem diante de um grande inimigo, formando a Formação de Espadas de Dez Mil Homens, com olhares ferozes. Três segundos depois, o Dragão Negro rompeu o telhado, alçou voo e partiu.
༄˖°..ೃ࿔*:・
Antigamente, o que Jiang Hong mais desejava aprender era como voar sobre uma espada — mas, veja só, ali estava ele, montado nas costas de um dragão, observando lá de cima as montanhas e a terra abaixo!
“Quero voltar para casa primeiro!” Jiang Hong disse, acariciando o chifre do dragão.
“Hum, tudo bem”, respondeu o Dragão Negro, docilmente.
Jiang Hong continuou: “Vou deixar que todos vejam você; depois, poderemos viajar por aí, procurar comidas deliciosas e explorar todas as grandes montanhas e rios!”
“Muito bem”, respondeu o Dragão Negro.
Jiang Hong: “Então vamos procurar uma montanha imortal com belas paisagens para vivermos lá.”
“Por mim, tudo bem. Poderíamos até ir aos confins da terra”, respondeu Lu Xiu.
O dragão negro, carregando Jiang Hong, atravessou as camadas de nuvens. Ao cair da tarde, o sol ainda não havia se posto, banhando as nuvens brancas e ondulantes em um brilho dourado que as fazia parecer um mar de ouro. No céu a leste, surgiu uma lua cheia — aquele era o início de um destino no vento do outono, uma noite maravilhosa que jamais se dissiparia.
— Fim do Capítulo – Todas as Coisas —
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Notas:
1 天上白玉京,十二楼五城,仙人抚我顶,结发受长生: Esses versos pertencem ao famoso poema intitulado 《经乱离后天恩流夜郎忆旧游书怀赠江夏韦太守良宰》 (Jīng luàn lí hòu tiān ēn liú Yèláng yì jiù yóu shū huái zèng Jiāngxià Wéi Tàishǒu Liángzǎi), escrito pelo célebre poeta Li Bai (李白), um dos maiores nomes da poesia da Dinastia Tang (618–907).
2 大喇嘛 (dà lǎma) título honorífico para um mestre budista tibetano de alto escalão.
3 扫地僧 (sǎodì sēng): referência ao famoso personagem do romance “O Conto dos Heróis e das Espadas” (天龙八部, Tiānlóng Bābù) de Jin Yong. O “monge varredor” é um ancião humilde que varre o templo há décadas e revela ser um mestre marcial de poder incomparável.
4 猪狗不如 (zhū gǒu bùrú): Expressão idiomática que significa “pior do que porcos e cães”.
5 秋老虎 (qiū lǎohǔ): tigre do outono — expressão meteorológica chinesa que designa o período de calor intenso que ocorre após o início do outono, geralmente em agosto/setembro.
6 赤链蛇 (chìliànshé):cobra-de-corrente-vermelha — “赤” (chì) = vermelho; “链” (liàn) = corrente; “蛇” (shé) = cobra. É uma espécie real de cobra não peçonhenta comum na China (Lycodon rufozonatus), caracterizada por faixas vermelhas e pretas.
7 元精 (yuánjīng): “元” (yuán) = primordial, original; “精” (jīng) = essência, energia vital. No taoísmo, é um dos três tesouros (精, 气, 神 — essência, energia, espírito) e é considerada a forma mais pura de energia vital.
8 库鲁 (Kūlǔ): termo de origem tibetana/himalaia frequentemente usado nas regiões ocidentais da China e nas áreas de Sichuan/Tibete para se referir aos espíritos guardiões dragões ou seres divinos serpentiformes em certas lendas locais e no folclore budista.
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Flor: Yay!
Daqui a 15 dias volto com os 2 capítulos que faltam!
Até mais
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Coletânea de Extras do Autor Feitian Ye Xiang, publicados em diversos sites, incluindo sua conta oficial Weibo e WeChat. Geralmente são postados durante o Festival do Meio Outono.
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