Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 13.2 Online


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↫─ Capítulo 13.2

Eles deviam ter destruído completamente o lugar de Yuri. Ele imaginou o local, que não deviam ter deixado em um bom estado. A casa em que morara quando criança fora vendida por Igor por uma miséria há muito tempo, então o único lugar que guardava memórias com seus pais para Alexei era a casa de Yuri. Parecia que a própria existência de um lugar para onde voltar estava sendo completamente apagada.

— Não sei exatamente o que aconteceu, mas, Alyosha, eu acho que…

Antes que Yuri pudesse terminar, Alexei assentiu:

— É isso mesmo. Nós somos o alvo.

Diante de suas palavras calmas, Yuri fechou a boca. Ele podia já esperar por isso, mas não era uma boa notícia de se ouvir. Como destroços simplesmente flutuando em um mar sem fim, eles foram deixados sozinhos no mundo. Para ser preciso, apenas ele fora deixado sozinho. Yuri ainda tinha Vasily. Alexei dissera que pagara sua dívida de vida ao salvar Vasily uma vez no passado, mas não tinha intenção de retribuir a bondade do homem que o mantivera vivo até agora arrastando o filho dele para a morte junto consigo. Yuri tinha que viver.

Deixando o pensamento que acabara de cruzar sua mente de lado por um momento, Alexei decidiu primeiro compartilhar o que cada um sabia com Yuri:

— Quando você descobriu?

À pergunta de Yuri, Alexei deu de ombros:

— Hoje. Quando fui pegar as armas com o Sergei, ele pareceu intrigado. Eu estava completamente enganado. Achei que fosse um movimento de sacrifício em uma guerra total; não, tudo bem, é isso sim, mas a eliminação é o objetivo maior. Só não sei por que ele tá fazendo isso…

Essa parte era um pouco intrigante. Se Igor quisesse se livrar deles, tivera muitas oportunidades. Por que logo neste momento, quando precisava de todo homem que pudesse conseguir…

— Eu sei o porquê.

Yuri olhou para baixo. Os olhos sob suas sobrancelhas espessas estavam preenchidos por um olhar sombrio. Enquanto Alexei esperava que ele falasse, Yuri, após um breve silêncio, entregou uma resposta pesada:

— O Igor descobriu que estávamos tirando pessoas da cidade às escondidas.

Essa era uma causa bastante razoável. Finalmente fazia sentido. Era um ato arriscado e, na verdade, eles duraram muito tempo. Aqueles que lhe foram confiados para lidar geralmente não eram ninguém importante, então ele não dera muita atenção, mas parecia que finalmente fora exposto. É como isto, por exemplo: quando você percebe um dia que algo que nem sabia que estava no seu quarto sumiu, fica curioso para saber para onde foi.

Geralmente, se você não consegue encontrar, esquece, mas Igor não era do tipo que deixava tais coisas passarem.

— Como você descobriu?

— Ao contrário de você, eu tenho amigos.

Com as palavras de Yuri, Alexei espremeu um dos olhos. Yuri soltou um riso fraco. Diante do riso repentino, Alexei estreitou ainda mais os olhos.

— Ficou um pouco melhor.

Yuri disse isso e encurtou a distância em exatamente um passo. Só então Alexei percebeu que Yuri fizera uma piada. Não era algo que acontecia com frequência, apenas ocasionalmente quando ele estava de mau humor.

— Tá fazendo piadinha quando estamos à beira da morte?

— Nós não vamos morrer.

*É, vou me certificar de que você não morra.* Alexei respondeu mentalmente e ergueu o canto da boca.

— Você não considera ninguém como amigo além de mim.

Era algo que ele sempre dizia por hábito, mas, depois de dizer, ficou estranhamente consciente disso. Ele esquecera momentaneamente a questão entre ele e Yuri de que se lembrara mais cedo. Fazia menos de três dias. A expressão levemente sorridente de Yuri desvaneceu-se lentamente, e ele encarou Alexei nos olhos. Sua boca ficou seca. Pôde sentir os feromônios de Yuri, misturados ao vento feroz e cortante, mudando. No momento em que percebeu que aqueles olhos azuis, semelhantes mas distintamente diferentes em tom, guardavam apenas a ele, Alexei mudou de assunto:

— O quanto o Igor sabe? Me conta exatamente.

Ele quebrou o silêncio rapidamente de propósito. Era algo lamentável por Yuri, mas Alexei nunca, nem uma única vez, vira seu amigo como qualquer outra coisa. Para Alexei, Yuri sempre fora um colega e alguém em quem confiar. Além disso, não havia como um alfa ficar com outro alfa…

Sentindo que Valery viria à mente de novo, Alexei não parou de falar:

— Não, não importa. Saber disso não vai mudar a situação. Yuri, a gente pega pelo menos prisão perpétua se for pego. Mesmo que a gente diga que as provas foram forjadas, eles não vão acreditar sem evidências para rebater. Não sei se devia agradecer por terem abolido a pena de morte. Mesmo se a gente sobreviver, o Igor vai nos matar. Então só tem um jeito.

Ele organizara seus pensamentos agora. Lianne Winter oferecera o acordo apenas a Alexei. Ele não sabia se a carta ainda era válida agora que Valery o abandonara, mas não tinha nada a perder.

— Enquanto eu atraio a atenção deles, você vai até o Vasily.

Ele não decidira que forma de morte enfrentaria, mas receber uma sentença legal e ver o fim de sua vida parecia bom.

— …O quê?

Yuri perguntou de volta por um momento. Com uma expressão instantaneamente abatida, ele encarou Alexei. Sua aura era ameaçadora. Alexei, em contraste, sorriu ainda mais.

— Mesmo se nós dois formos pegos pelo mesmo crime, tenho mais chance de sobreviver nas mãos da polícia do que você. Você parece ter sido incriminado por matar alguém ligado à Kalishi Winter, então nem vai passar dos portões da prisão.

— Explique isso direito.

Yuri encurtou o espaço mais um pouco. Como se não fosse tolerar que ele fugisse.

— Encontrei a Lianne Winter hoje. Ela me ofereceu um acordo. Não sei se ela quis dizer que eu devia me entregar ou se é para o caso de eu ser pego, mas disse que conseguiria reduzir minha pena. Então eu vou ficar bem.

— Não tem motivo nenhum para ela fazer isso. Alyosha, nós somos…

Yuri, que estava falando até esse ponto, logo teve um olhar de realização.

— É por causa do Valery?

Tudo o que ele tinha a fazer era afirmar, mas seu plexo solar doeu por um momento. Movendo os lábios com um pouco de atraso, Alexei assentiu com indiferença:

— É. O Valery vai embora com a Lianne. Ela ofereceu isso em troca de ajuda com isso.

Embora ele próprio tivesse destruído a oportunidade sem necessidade de ajuda alguma, mas enfim.

— A gente sabia que não ia terminar bem de qualquer jeito, Yuri. Você com certeza não estava esperando um final “felizes para sempre” como nesses livros que você lê, estava?

Ao contrário dele, que não tinha interesse em contos de fadas ou histórias, Yuri costumava ler livros. As histórias escritas por autores russos eram em sua maioria sombrias, talvez por causa de todo o sangue derramado, mas entre elas, Yuri, por incrível que pareça, só lia Tolstói.

— Ou morre ou vai para a prisão. Se quer saber, eu prefiro continuar vivo, então ir para a prisão é melhor. Você sabe disso também. Que eu odeio morrer.

Yuri escutava a história, encarando os olhos de Alexei em silêncio. Achando difícil ler os pensamentos dele hoje, Alexei falou como se estivesse concluindo. Ele próprio sabia que parecia um pouco apressado, mas não era uma decisão precipitada. Era apenas uma questão de escolher um dos muitos caminhos que já havia considerado. Não era o caminho mais feliz, mas isso era uma ilusão em primeiro lugar, e este era bom o suficiente.

— Mas eu também não quero ver você morrer, então, enquanto eu graciosamente me deixo ser pego, você pega a rota que a gente costumava usar. Como você disse, se o Igor descobriu aquilo, ele pode descobrir isso também, então faça isso hoje à noite. O tempo é curto. Vou falar com o T-Mac e depois ir direto para a Kalishi Winter, então se prepare o mais rápido que puder e saia ao amanhecer. Fim de conversa.

Sua respiração se dispersou esbranquiçada com a frase final. O frio que esquecera momentaneamente voltou de uma vez. Embora estivesse bastante acostumado com o frio, suas mãos e pés estavam dolorosamente rígidos e gelados porque se vestira com roupas leves. O clima, que fora quente por um período curto e volúvel, enganara Alexei direitinho. Suas mãos endurecidas estavam completamente desprovidas de calor, duras como pedra. Mal conseguindo mover a mão para procurar um cigarro, ele girou o corpo pela metade deliberadamente.

— Tô indo.

Despedidas são mais patéticas quanto mais longas são. Ele disse um breve adeus, como se fossem se ver novamente amanhã. Então conseguiu tirar um maço de cigarros do bolso interno, mas era difícil dobrar os dedos. *Tac*, o maço de cigarros caiu no chão com um leve som de batida. A demora só criaria apegos, então ele tentou sair rapidamente, mas seu corpo não colaborava. Alexei estalou a língua e se curvou. A ponta de seus dedos azulados tocou o maço de cigarros. Sentiu algo frio na ponta dos dedos. Não percebera, mas a neve acumulara suavemente no chão. Sobre seu sobretudo e sobre seus sapatos.

*Tô tão de saco cheio disso.*

Aquele pensamento cruzou sua mente. Estava cansado do frio. Tendo crescido em um lugar como esse a vida inteira, seria de se pensar que ele teria se adaptado, mas, embora Alexei pudesse suportar todo o resto, estava exausto do frio rigoroso que tomava conta de mais da metade do ano. Não que fosse difícil por estar frio; ele simplesmente estava de saco cheio. Se não houvesse verão, nem teria o pensamento de desgostar disso, mas por que o verão, que vinha por um breve período de menos de dois meses, era tão brilhante? Quente, radiante, um ar pacífico onde as preocupações pareciam desaparecer — ele desejava nunca ter conhecido tal coisa.

Quando ia pegar o maço de cigarros com um gesto lânguido, uma mão cobriu as costas da sua. Para ser preciso, era uma mão vestindo uma luva de couro.

Erguendo o olhar, Alexei viu Yuri, que também se curvara e segurava sua mão. Seu cabelo semipenteado para trás caíra todo solto. Podia ver seu nariz branco e seus olhos, que brilhavam com uma luz azul vívida, guardando seu reflexo.

— Eu te disse para usar luvas.

Sua mão foi apertada com força. Embora a área segurada estivesse terrivelmente fria por um momento por ser de couro e não de pele, o contato ainda era calor, e sua mão foi descongelando aos poucos. Como endireitou o corpo sem perceber, Yuri puxou sua mão. A mão de Yuri, que ele mal conseguia se lembrar de ter segurado mesmo quando criança, parecia similar à sua, mas era um pouco maior.

— Use-as.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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