Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 10.1 Online


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↫─ Capítulo 10.1

Era um tempo realmente estranho. O clima em Saratov vinha estando atipicamente agradável nos últimos dias. O tempo de primavera, que sempre pairava abaixo de zero, apresentava temperaturas incomuns pela primeira vez em 30 anos, registrando o que as pessoas chamariam de uma temperatura primaveril. Os de fora poderiam ter achado apenas frio, mas o noticiário estava cheio de reportagens sobre o registro de temperaturas quentes.

Ouvindo o locutor pelo rádio antigo, Alexei rolava de um lado para o outro na cama. Sem se livrar do torpor do sono, ele sentia silenciosamente o calor que permanecia nos lençóis. A cama, onde o calor de duas pessoas havia se acumulado suavemente, estava quente e aconchegante. O aroma refrescante da primavera entrava pela janela aberta, fazendo-o se sentir bem.

Ele achava estranho, até para si mesmo. Que pudesse se sentir bem.

Era uma palavra desconhecida para uma pessoa acostumada à desgraça. A infelicidade de Alexei não era grandiosa, mas era miserável o suficiente para que não houvesse nada a desfrutar em sua vida diária. Teria sido prazeroso se ele ao menos tivesse encontrado satisfação em ganhar dinheiro, mas a quantia que economizava não era nada impressionante. Era apenas o suficiente para mantê-lo vivo, e o resto ia todo para Igor. Havia momentos em que ele sorria fracamente, mas não era sincero. Estava mais para uma autodepreciação habitual.

— Você acordou?

Deitado parado, ele ergueu o olhar. Valery, que acaba de entrar no quarto, tinha um prato nas mãos. O sanduíche de manteiga de amendoim e geleia nele estava tostado até ficar crocante, e cheirava a geleia doce de morango. Ao ver aquilo, uma pequena risada escapou dele.

— Sim.

Sem qualquer intenção de esconder seu bom humor, Alexei se sentou. Aquele era o prato que Alexei, que cresceu sem pais para lhe ensinar a culinária caseira russa ao contrário dos outros, mais preparava para Valery. Era ambíguo chamar de prato um sanduíche que só exigia manteiga de amendoim, geleia de morango e pão, mas também era uma das poucas coisas que Alexei sabia fazer.

— Volte a dormir. Você não dormiu muito.

Valery disse tais coisas, embora fosse o mesmo para ele, que não conseguiu dormir com ele. Alexei soltou um suspiro lânguido e balançou a cabeça. Ele não tinha tempo para isso, mas o ciclo de cio havia chegado e ele perdera um dia inteiro. Claro que não se arrependia. Foi seguido por um sexo que o fez se perguntar se haveria algo na vida tão emocionante quanto aquilo, e porque Valery não estava mais fugindo, mesmo depois que as algemas foram removidas. De qualquer forma, ele não poderia se encontrar com Ivan ou os outros sem resolver seu rut. Pensando que tinha feito o que precisava ser feito, ele se sentou na beirada da cama. Um tênue aroma de sabonete emanava dele, como se tivesse acabado de se lavar. Era um cheiro agradável.

— Como posso dormir quando você fez isso?

Quando ele gesticulou em direção ao sanduíche com o queixo, Valery desviou ligeiramente o olhar. Podia-se ver um leve rubor se espalhando por sua pele alva. Ele parecia tão lindo que dava vontade de morrer. Será que estaria envergonhado? Com esse pensamento, seu coração de repente começou a bater rápido.

— Vamos comer.

Quando Alexei falou, Valery se aproximou. Após um momento de hesitação, ele se sentou bem ao lado de Alexei. Diante do ato de sentar-se ao seu lado sem manter distância, Alexei pausou. O calor e os feromônios sentidos bem ao seu lado fizeram seu interior tremer estranhamente. Ouvindo o roçar dos lençóis e a respiração de Valery, seu corpo ficou tenso.

— Aqui está.

Valery pegou um pedaço do sanduíche, cortado em triângulo, e o estendeu. Alexei baixou o olhar para encarar a mão. Nas pontas dos dedos longos havia unhas redondas e bonitas. Ao contrário de suas próprias mãos, manchadas de cicatrizes e calos, era uma mão limpa e branca. Ver aquela cena que revelava tão claramente que pertenciam a mundos diferentes parecia de certo modo estranho. Valery era sua família, mas, tecnicamente, era uma pessoa comum. E Valery era o único na vida de Alexei que já havia desfrutado de uma vida comum. Poderia haver vários critérios para o que era comum, mas o comum em que Alexei pensava era uma existência não enredada no crime. Era a primeira vez que ele interagia com alguém assim.

— Você não vai praticar?

Ele tinha sido quem o segurava todo esse tempo, mas, enquanto Valery dissesse que não se encontraria com Rian, não havia necessidade de impedi-lo. Só agora ele estava ficando com medo de que a vida cotidiana de Valery fosse interrompida por sua causa. Por hora, sua vida e morte tinham sido mais importantes, então ele havia adiado isso, mas Alexei não queria arruinar a vida comum de Valery que ele tinha tentado proteger.

— E você, Alyosha?

Valery respondeu a uma pergunta com outra pergunta.

— Eu?

— Você não tem que ir?

A voz que perguntava isso soava como se não estivesse satisfeita com a ideia de ele ir embora.

— Eu tenho que ir.

A realidade que ele havia esquecido momentaneamente voltou com tudo. Como o ciclo de cio tinha vindo de repente, ele ainda não havia lidado com as coisas que precisavam ser resolvidas. Tinha que pensar em como enfrentaria Yuri, quanto tempo lhe restava, coisas assim. Somente após terminar o assunto de Valery é que seu sentido de cautela retornou. Dado o gênio de Igor, as tarefas que ele atribuía tinham que ser concluídas o mais rápido possível. Mesmo considerando o tempo para figurar os movimentos do alvo e o período que levaria para fazer um plano, era dentro de uma semana. Se passasse disso, ele — não, Valery — não estaria a salvo primeiro.

— Se não for urgente, vá devagar.

Valery sugeriu, inclinando a cabeça em um ângulo. Ele estava igual ao jovem Valery que costumava perturbá-lo para não ir. Ele havia crescido de forma incomparável desde então, e sua maneira de falar era madura, mas a forma como ele balançava seu coração permanecia inalterada. Sempre que via o rosto que lhe pedia aquilo enquanto piscava seus cílios bonitos, ele odiava dar um passo à frente em direção à saída até o ponto da loucura.

Ele não tinha muita escolha agora, assim como naquela época, mas pelo menos o Alexei adulto podia decidir quando partir. Como Kalish Vinter tinha começado a combater as drogas com os olhos atentos, era um momento em que ele precisava ter cuidado com o trabalho que estava fazendo. Como lhe tinha sido dada uma tarefa agora mesmo, ele tinha que priorizar esse trabalho de qualquer maneira. Matar Rian Vinter, no caso.

Pensando nisso, seu coração ficou pesado. Ao contrário dos caras que ele havia despachado como se estivesse apenas lidando com eles sob as ordens de Igor, Rian Vinter era difícil de passar por cima de tal forma. Como uma execução havia sido encomendada, o corpo teria que ser diretamente exposto, e ele também verificaria as reações daqueles ao redor. Kalish Vinter também estaria se preparando, então seria impossível se aproximar facilmente.

Yuri era mais problemático. As repercussões de fazer o serviço seriam maiores com Yuri. Matar um policial era sempre o crime tratado com maior gravidade nos Estados Unidos e, como eram pessoas ligadas ao governo estadual, não ao chefe existente, Yuri com certeza seria pego. Quer Igor ganhasse ou não.

Querendo escapar da realidade que se tornara sombria em um instante, Alexei olhou instintivamente para Valery. Apenas ao fitá-lo, o desespero que estava pesando sobre seus ombros foi brevemente aliviado. Se era algo que ele tinha que fazer de qualquer maneira, queria adiar mesmo que por um pouco. Queria saborear a paz, mesmo que por um momento.

— Você gostaria disso, coelhinho?

Tendo já tomado uma decisão, ele perguntou isso dissimuladamente. Estava ansioso sobre como Valery reagiria, mas, por alguma razão, o pensamento de que ficaria tudo bem passou por sua mente. As conversas que compartilharam lhe deram essa confiança.

— Que história é essa de coelhinho?

Valery, desconcertado, corou ao redor dos olhos e retrucou em voz baixa. Vendo seu rosto envergonhado, seu coração se derreteu.

— Você gostava quando eu te chamava assim.

Era bom dizer em voz alta o apelido carinhoso que ele só o chamava em sua mente. Os lábios de Valery se moveram, e então ele retrucou. A maneira como sua pele alva corava e esquentava era tão linda.

— Isso foi quando eu era criança e não sabia de nada. Quem chama uma pessoa adulta de coelhinho?

— Você é uma criança.

— Eu já cresci.

Valery retrucou baixinho. Ele sussurrou, olhando para baixo, para Alexei.

— É por isso que posso cuidar de você assim.

O sanduíche se aproximou de seus lábios. O cheiro doce e denso que tinha sido cozido por muito tempo pairou sobre ele. Diante do cheiro que podia despertar um apetite que não estava ali, Alexei encontrou os olhos de Valery. As pontas dos dedos de suas mãos, apoiadas na cama, levemente, muito levemente, se tocaram. A tensão que ele havia sentido antes aumentou. Era estranho se sentir assim em relação ao seu irmão mais novo. Sua boca foi secando lentamente.

— Você também era um bom cozinheiro quando era pequeno.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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