Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 5.2 Online


Modo Claro


↫─ Capítulo 5.2

Conforme falava num tom suplicante sem perceber, os olhos de Valeri pareceram os de alguém que tinha sido espetado por um espinho. Como se tivesse sido espetado pelo próprio espinho, com olhos doloridos.

— …sha.

Finalmente, ele falou.

— O telefone, me dê. …Alyosha.

A euforia explodiu. Ele tinha ouvido apenas uma única palavra, mas uma alegria que nunca tinha sentido em todos os seus longos anos floresceu dentro dele. Ele estava tão feliz que não teria sido estranho se seu coração batesse rápido o suficiente para explodir. Tanto que, por este momento, ele queria acreditar que Deus existia.

— Tudo bem.

Radiante, Alexei sorriu como a pessoa mais feliz do mundo. O olhar de Valeri estava fixo em seu rosto. Ainda com aquele olhar dolorido, os lábios de Valeri se contorceram. Quando a mão estendida estava prestes a se abaixar, Alexei rapidamente a agarrou e o abraçou apertado. Valeri, que ele esperava que o empurrasse, estremeceu e ficou rígido.

— Tudo bem, Lerusha.

Respondendo mais uma vez, Alexei enterrou o rosto em seu pescoço. Quer tenha sido por causa dos feromônios ou por qualquer outra coisa, estava tudo bem. Se Valeri tinha aberto seu coração para ele novamente, mesmo que só um pouco, então.

Desta vez, ele queria se comunicar de uma forma um pouco mais normal e, de algum modo, desfrutar deste momento, mesmo que por um pouco de tempo. Então, se Valeri confiasse nele, se ele perdesse completamente o interesse por Lian Vinter….

Satisfeito com a última alegria que tinha experimentado, ele seria capaz de enviar Valeri para outro mundo, exatamente como tinha querido.

Era algo que ele já esperava, é claro, mas o telefone de Valeri estava inundado de chamadas perdidas. Era compreensível, já que o garoto que ia ensaiar até nos feriados não aparecia há mais de três dias. 20 chamadas telefônicas, mais de 40 notificações no aplicativo de mensagens e outros torpedos de texto.

*Será que eles prestaram queixa na polícia?*

Com esse pensamento, Alexei olhou para a tela do lado de Valeri. Valeri estremeceu no momento em que ele se aproximou, mas manteve os lábios firmemente fechados com uma expressão de desagrado. Então ele checou o telefone. A maioria eram mensagens preocupadas de seus colegas da companhia de balé e de diretores.

— Você não está planejando mandar um texto pedindo ajuda, está?

Alexei perguntou num tom de brincadeira. Como se essa fosse sua real intenção, a mão de Valeri pausou por um momento. Como se ele fosse deixá-lo fazer isso enquanto estivesse assistindo.

— Diga a eles que seu irmão estava doente e você teve que levá-lo às pressas para o hospital, então não teve a chance de entrar em contato.

— …Eles provavelmente nem sabem que eu tenho um irmão.

— Eles vão saber agora.

Valeri olhou para Alexei silenciosamente por um momento, e então lentamente começou a escrever uma mensagem semelhante para o diretor e outros responsáveis coletivamente. Com o olhar baixado para o telefone, ele disse friamente.

— Nós nem somos irmãos, somos?

Como esperado, parecia que Valeri ainda não tinha superado o impacto da verdade que tinha sido escondida. Ele podia ver a expressão dele escurecer em um instante. Alexei encarou a tela em silêncio. Era a verdade, mas seus dedos formigaram.

— Sangue não faz uma família.

Na verdade, ele passara a estimar Valeri mais do que aos próprios pais biológicos, então era verdade.

— Isso é algo que o Igor Volkov diria.

Era de fato algo que ele costumava dizer, então Alexei deu um sorriso amargo.

— Eles não são minha família. Você é minha única família, e eu não preciso de mais ninguém além de você.

A mão de Valeri, que estava enviando uma mensagem, parou. Ele olhou para a tela e perguntou.

— Com a família, o que você…

Valeri, que tinha dito ‘você’, fechou os lábios. Depois de hesitar por alguns segundos, ele corrigiu a forma de tratamento.

— O que você fez comigo não parece algo que se faça com alguém da família.

*…Alyosha.*

Com o apelido adicionado muito suavemente, uma flor desabrochou em seu peito. Um novo broto que esteve se escondendo sob a terra congelada e morta ergueu a cabeça. Seu coração disparou. A alegria fluiu quente por suas veias.

— Eu fui ensinado a fazer qualquer coisa pela minha família.

Àquelas palavras, Valeri encontrou seus olhos.

— Foi isso que seu pai… não, o que seus pais disseram?

Era a primeira vez que eles traziam à tona a história de sua família. O jovem Valeri não trazia tais tópicos, talvez com medo de deixá-lo triste, e depois disso, eles nunca tinham estado em uma situação para falar de tais coisas, então era natural.

— Isso mesmo.

Alexei imaginou os rostos de seus pais. Nem uma única fotografia tinha restado, todas queimadas, então ele não tinha nada em que se apoiar além de sua memória. Um homem e uma mulher de cabelos pretos oscilaram na imagem borrada. Os olhos azul-acinzentados de sua mãe, que ele tinha herdado exatamente iguais, e os traços marcantes de seu pai.

Embora arrastados contra a vontade para a toca da máfia, qualquer que fosse o trabalho que estivessem fazendo, eles foram bons pais para Alexei. Seu pai sempre enfatizava uma coisa para ele. *A família deve proteger uns aos outros.*

*Nunca abandone aqueles que você estima.*

— …Você sabe sobre os meus pais?

A voz de seu pai, que tinha falado enquanto segurava firmemente seus ombros, se dissipou. À pergunta de Valeri, Alexei o encarou em silêncio.

— Não. Eu não sei.

Alexei se lembrou das palavras de seu pai novamente. Seu pai sempre dizia isto: *Mesmo se você não for parente de sangue, se é alguém a quem você pode confiar suas costas….*

*Isso é família.*

— Eu te peguei na rua. Deve ter sido logo por volta de outubro. Como você sabe, começa a nevar a partir de setembro, e você estava perdido e encolhido perto de uma caçamba de lixo em um terreno baldio.

Alexei lentamente declarou os fatos.

— Eu te trouxe comigo porque parecia que você iria morrer congelado se eu te deixasse lá.

Ele enterrou o que aconteceu depois disso sob a neve acumulada. Alexei poupou suas palavras.

— …Você não tinha pais desde aquela época?

Valeri continuou fazendo perguntas. Ele estivera escondendo tantas perguntas todo esse tempo? Ele tinha se tornado mais afiado por ter que engolir as palavras que não podia perguntar? Alexei inclinou a cabeça e olhou para ele. A cena dele olhando para ele, tendo deixado o telefone de lado, era fofa.

— Eu não os tinha.

— Por que não?

Com uma risada seca, Alexei fez uma exigência.

— Diga, Alyosha.

— …

A boca que estivera tagarelando tão bem se fechou. Seus cílios loiro-pálidos piscaram por um longo tempo. Os olhos que carregavam o verde-claro de uma folha usavam uma expressão injustiçada. Mas não eram olhos que diziam que o odiavam de morte. Até mesmo aquilo era bom. Era simplesmente bom.

— Alyosha…

O apelido foi dito um pouco mais alto do que antes. Que fofo. Rindo baixo, Alexei franziu os olhos num sorriso.

— Muito bem.

Eu deveria entrar em contato com Yurij e pedir para ele comprar bastante pelmeni que Lerusha gosta. Conforme ele continuava com esses pensamentos agradáveis, eles o levaram de volta à pergunta de Valeri. Hmm, não é uma história agradável de ouvir.

— Igor matou meus pais. Porque eles fizeram algo que ele não gostou. Os dois devem ter morrido naquela hora.

O sangue havia se empoçado. Seu pai tinha morrido protegendo sua mãe. O que ele lembrava daquele momento era ouvir muitos tiros. Se ele pudesse voltar àquele tempo agora, ele poderia descrever o estado dos cadáveres com precisão. O corpo de seu pai tinha vários buracos de balas 5,56 mm. Devido à política humanitária da OTAN, as balas 5,56 mm modificadas não tinham poder de fogo suficiente para penetrar completamente duas pessoas, então sua mãe, que mal tinha sobrevivido nos braços de seu pai, foi executada de uma forma diferente. Igor ficou diante de sua presa capturada e pessoalmente, com suas próprias mãos, colocou uma Glock na cabeça de sua mãe e disparou uma bala nela.

Alexei testemunhou tudo. Para ser preciso, Igor fez Alexei assistir a tudo claramente. Originalmente, Alexei deveria ter morrido no local. A política de Igor era clara: dar um exemplo adequado. A idade não importava em uma execução. Era um grupo que mataria até mesmo um recém-nascido sem hesitação, então pode-se dizer que Alexei tinha tido uma sorte desgraçada.

No entanto, por esta razão, Alexei vivia uma vida claramente distinguível dos outros membros da organização. Na organização, havia apenas quatro combatentes ao nível de Alexei: Yurij, ele próprio, Vadim e Bogdan. O resto eram apenas peixes pequenos com armas. Eram caras grandes que eram razoáveis com os punhos, mas isso não significava que fossem bons lutadores. Era assim que as coisas costumavam ser.

Apesar disso, ele era tratado assim porque os pais de Alexei eram traidores, e Alexei era um pecador que tinha que expiar pelos pecados deles. Era o resultado de suas próprias súplicas para viver, então não havia o que fazer.

Depois que Alexei resumiu a cena que lembrava tão vividamente, Valeri ficou em silêncio. Ele podia ver uma estranha emoção piscar nos olhos bonitos que estavam prestes a se estreitar afiadamente. Mesmo que eu tenha feito isso com ele, o coração dele vacila agora que ouve uma história dessas? Como ele vai sobreviver sendo bondoso a esse ponto? Alexei pensou com um suspiro.

— Lerusha.

Ele o chama com calma. Para seu amado irmão mais novo.

— Você disse que queria morrer.

Conforme ele dizia aquelas palavras, seu coração parecia estar se quebrando.

— Se você acabar morrendo pela mão de Igor por causa do Lian Vinter…

Porque parece claro que fui eu quem fez isso acontecer.

— Aquele garoto também não estará a salvo. Não importa se ele é parente da Khaleesi Vinter.

Eu não deveria ter trazido Valeri comigo? Eu deveria ter simplesmente deixado ele morrer congelado? Será que eu só te fiz infeliz?

— Esta é a cidade do Igor.

Um inferno do qual você só pode escapar através da morte.

Justo quando ele dizia a verdade, o telefone de Valeri zumbiu. A vibração se espalhou pelo ar inquieto. Os olhares de ambos caíram sobre a tela. O nome claramente exibido estava visível. As letras ‘Lian Vinter’ brilhavam em branco.

Alexei esperou silenciosamente pela reação de Valeri. Ainda restavam incontáveis métodos coercitivos. No entanto, como eles continuavam dando errado, Alexei decidiu ser paciente por enquanto. Ele não queria destruir a vida de Valeri.

— Lian Vinter está fora de questão. Além disso, você acha que a família Vinter não sabe sobre mim? Eles devem ter algum propósito.

Valeri encarou a tela por um longo tempo. Seus dedos estremeceram várias vezes e depois pararam quando a chamada terminou. A boca de Alexei estava seca, sinal de que ele estivera tenso sem perceber.

— …Eu entendo.

Valeri respondeu com um rosto em branco. Alexei piscou, tendo pensado que levaria mais tempo.

— Parece que o que eu precisava era… um Ômega.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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