Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 07.2 Online


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7. A cereja do bolo (Parte 2)

Já no táxi, depois de se separar dele, Cheriot ficou pensando sem rumo se voltaria a ver aquela pessoa e até pesquisou na internet se era possível se apaixonar à primeira vista. Os cientistas diziam que sim. Ao que parece, bastavam uns míseros sete segundos para se apaixonar de verdade por alguém.

Ainda assim, Cheriot tinha autocontrole suficiente para não voltar pelo mesmo caminho. Embora soubesse que nunca mais encontraria um homem tão bonito, com aquela atmosfera e aqueles olhos azuis, pensou que por ora o legado do pai era mais importante.

Aquela ideia patética de que um simples legado importava deveria ter sido abandonada no instante em que ele percebeu que a casa aonde foi para fazer a encomenda era justamente a do homem por quem tinha se apaixonado à primeira vista. Mas Cheriot, por causa de certa obrigação que carregava a vida inteira, reconheceu isso tarde demais.

Agora que pensa, a herança do pai na verdade não era algo de que ele precisasse de verdade. O dever de proteger o legado do pai trazia consigo a responsabilidade de satisfazer as expectativas das pessoas à sua volta, e a verdade é que em algum momento tudo aquilo começou a sufocá-lo. Toda vez que lembrava de sua obrigação, sentia uma opressão no peito como de indigestão, e essa opressão não desaparecia nem quando fazia sexo nem quando ia a festas.

«Quem dera ninguém esperasse nada de mim. Eu quero que ninguém sofra por minha culpa.»

Apesar de pensar assim havia muito tempo, parecia-lhe que principalmente sua mãe ficaria decepcionada se ele perdesse o legado do pai, então reprimiu seus sentimentos como pôde. Mesmo quando começava a sentir um leve afeto por alguém, acabava entregando apenas o corpo diante da ideia de não criar riscos desnecessários.

Como vivia assim havia muito tempo, Cheriot difamou cruelmente Yurijj depois de escutar da própria boca dele que tinha antecedentes criminais. Na verdade, aquelas palavras eram dirigidas a si mesmo.

«Você não deve se apegar a esse homem.»

«Você se apaixonou à primeira vista, mas ainda assim, não deve se apegar.»

No entanto, seu coração continuava disparado e ele não parava de importunar Yurijj. Apesar de isso poder ser irritante para ele, o homem sempre lhe dava atenção e nunca o interrompia.

Ao contrário de sua atitude seca, o homem era inesperadamente atencioso e, desde que Cheriot disse que tinha medo, já não tentava deixá-lo sozinho por muito tempo. Ele não mentia ao dizer que tinha medo de um criminoso nem que sentia que enlouqueceria se visse sangue, mas na verdade contou aquela mentira ridícula porque queria tocar Yurijj. Ele sempre foi bom em tocar as pessoas.

De tanto mentir, Cheriot acabou perdendo o momento em que Yurijj se aproximou dele de verdade.

Depois de passar uma noite mágica e embriagante como um sonho de verão, cheio de preocupação pensando «e se só eu aproveitei demais?», «e se pelo meu rut em que eu perdi o controle eu torturei demais o Yurijj?», embrulhou descaradamente aquele coração preocupado e entrou para vê-lo. Então, Yurijj fez a mesma expressão que ele tinha visto na rua. Não, olhou para ele com uma expressão ainda mais bela, incomparável.

«Aquele momento que eu tanto ansiava ver, o Yurijj me entregou pessoalmente.» «E eu o perdi de maneira patética.»

«Estava claramente nas minhas mãos. Aquele homem que, olhando pra mim com aqueles olhos de que eu tanto gostava, me dizia claramente que tipo de relação queria ter comigo…»

«E eu o afastei por algo que não importava nem um pouco.»

Enquanto Yurijj esteve acamado, Cheriot lembrou vez após vez daquela manhã. A resposta estava decidida desde o começo, mas em sua estupidez, tomado pelo medo, agiu justo ao contrário do que seu coração desejava.

«Claro que o legado é importante. Mas mais do que isso, eu tenho medo de que você continue se machucando por minha culpa. Então, mais tarde.»
«Quando você não se machucar mais por causa dessas coisas afiadas e dolorosas que grudaram em mim, então eu te digo. Agora eu não posso.»

Se ao menos tivesse dito algo assim, será que teria se sentido melhor? Teria sido diferente se lhe tivesse dito que não era que não quisesse namorá-lo porque não gostava dele, mas que o momento não era bom?

«Não, não teria mudado.»

«Eu devia tê-lo abraçado ali mesmo e beijado, ter dito honestamente que queria ser namorado dele e que iria procurá-lo. Aí o Yurij teria voltado pra Vancouver pra me esperar, ou mesmo se viesse pra Boston comigo, teria estado ao meu lado desde o começo. Assim, o Yurij não teria precisado vir sozinho pra aquele lugar perigoso pra me procurar, a mim, que fiquei estupidamente preso.»

«Eu me odeio tanto por não ter feito isso… que eu quero me matar.»

Cheriot compreendeu que não queria morrer, e sim que se odiava o suficiente para querer se matar. Ao mesmo tempo, começou a entender um pouco o estado de espírito que tinha motivado a escolha que sua mãe fez no passado.

Havia duas razões pelas quais ele não suportava ver alguém ferido. Uma era a morte do pai, e a outra era o que aconteceu com a mãe.

Depois do dilacerante acidente em que seu amado marido foi assassinado, sua mãe ficou muito mais calada. No entanto, ela não demonstrava sinais de choro excessivo ou angústia, pensando em Cheriot, até que um dia isso se manifestou de uma maneira extrema.

Cheriot, que tinha acabado de voltar da escola, ouviu o som da água correndo no banheiro. Pensando que sua mãe estava tomando banho, foi comer cereal um pouco e, ao voltar, percebeu tarde que a água ainda corria. Um pressentimento sinistro roçou sua cabeça e, no momento em que Cheriot abriu a porta de supetão, viu a banheira cheia de sangue.

«Agora eu estou bem, sim.»

Cheriot costumava pensar — com frequência, ou melhor, muitas vezes, bastante vezes, quase sempre — que talvez a pressão de ter que cuidar dele tenha sido o que provocou aquele incidente com sua mãe.

Foi depois que essa ideia se assentou que ele começou a pensar que não queria ser um fardo. Custava-lhe esperar muito de alguém e ele se preocupava em ser tão pesado a ponto de afundar a outra pessoa.

Enquanto tinha todos esses pensamentos desnecessários e inúteis, sem saber que na verdade era Yurij quem estava afundando, Cheriot muito atenciosamente deu um passo atrás.

«Se eu pudesse voltar o tempo só uma vez, eu contaria ao Yurij em cada momento o que eu realmente penso.»

Mas Cheriot não era um sábio, então percebeu as coisas importantes tarde demais. Que a escolha de sua mãe surgiu de não conseguir suportar a própria culpa, ou que a consideração oferecida sem conhecer o coração do outro pode se tornar veneno… todas essas revelações eram inúteis na situação em que Yurij se encontrava.

—…Então, Yurij, por favor, só acorda.

Depois de falar por um bom tempo enquanto segurava a mão de Yurij, Cheriot se levantou lentamente. Hoje pretendia ler até o fim o capítulo seguinte do livro que deixou ontem. Ao virar para ir ao escritório, Yurij desapareceu de sua vista. Inquieto no instante, Cheriot se virou rapidamente para olhá-lo. Yurij continuava de olhos fechados.

—Já volto. Não vou demorar nem cinco minutos.

Embora só fosse se ausentar um momento, um instante breve, sentia que estava se despedindo e aquilo quase o enlouquecia. Mas pensou que, se só lhe contasse histórias entediantes, Yurij ficaria entediado, então engoliu à força a pena que o tomava, abriu a porta e saiu. Foi então que se encontrou com Dolly, que passava pelo corredor. Talvez porque sua mãe, que estava hospedada no andar de baixo, tivesse pedido, Dolly trazia um sanduíche para ele.

—Cherry, hoje você também não vai comer?

Dolly perguntou enquanto lhe oferecia a bandeja. Sua voz, que perguntava mesmo sabendo que Cheriot não aceitaria, estava cheia de preocupação. Como ela esperava, Cheriot não estava em condições de comer nada.

—…Eu como depois. Agora eu não estou com apetite.

Os olhos azuis de Dolly se entristeceram com dor. Ele sentia muita pena por preocupá-la assim, mas seu coração, completamente ocupado por Yurij, não tinha espaço para se ocupar de mais ninguém.

Para ser honesto, ele tinha até chegado a guardar ressentimento pela decisão de Dolly de separar Yurij do seu lado. Embora soubesse que era a melhor opção que ela podia tomar naquele momento, não conseguia evitar pensar que, se Yurij tivesse continuado ao seu lado, não teria passado por isso.

Mas não queria se rebaixar a ponto de odiar alguém que não tinha feito nada de errado. Yurij não iria querer que ele se comportasse assim. Tinha certeza, porque ele era alguém que tinha dado o próprio corpo por ele sem pedir nada em troca.

«Eu sinto sua falta, Yurij. Mesmo você estando do meu lado, você me parece tão distante.»

Cheriot sobrepôs o azul de Yurij aos olhos de Dolly e pensou que em nenhum lugar do mundo haveria um azul como o de Yurij. No momento em que uma profunda preocupação pairou sobre o rosto de Cheriot e ele voltou a parecer uma árvore sem vida, Dolly inclinou ligeiramente a cabeça para o lado.

Seguindo-a, Cheriot também se virou apressadamente. Mas o milagre que ele esperava não aconteceu de imediato. Os dois observaram em silêncio o homem bonito que jazia como uma estátua, sem o mínimo movimento. Passaram-se alguns minutos de silêncio.

Dolly entrou primeiro no quarto e se aproximou da janela. Cheriot, que a tinha seguido para dentro, finalmente abandonou a ideia de ir buscar o livro e voltou a se grudar ao seu lado como um ímã. O céu, que estivera nublado um bom tempo, começou a se mover lentamente e a luz do sol entrou suavemente no quarto.

Cheriot, que não tinha sentido nada por nada desde que Yurij caiu, dirigiu seu olhar de repente à luz que enchia o quarto. Sem saber bem por quê, pensou que a luz amarela que banhava o quarto era tão bonita que dava vontade de chorar, como o brilho do sol que pousava no rosto de Yurij quando ele se aproximava dele no lago.

Depois, no momento em que a luz do sol tocou a pálida mão branca de Yurij, Cheriot sentiu como se algo voltasse.

—…Wolfie?

Não era? Seria imaginação dele? Ele tinha certeza de que sentiu algo.

—Continua chamando ele.

Dolly, que estava junto à janela, falou de repente.

—Dizem que a voz de um vivo pode trazer de volta até um moribundo.

Cheriot, que a escutava atônito, voltou a chamar seu nome, lentamente, com todo o seu coração.

—Yurij.

A luz trêmula se estendeu lentamente sobre o dorso da mão de Yurij, e seus dedos, imóveis e rígidos, começaram a se mover lentamente. Sem dúvida, se moveram.

Dolly, que tinha voltado a olhar para fora, não viu, mas Cheriot viu com toda a clareza. No instante em que Cheriot se levantou de um salto e, sem saber o que dizer, agarrou com desespero a mão de Yurij.

O rio azul que ele tanto tinha ansiado voltar a ver até a morte iluminou Cheriot.

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“Fim do Volume 3”

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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