Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.7 Online


Modo Claro

6. Todos temos esqueletos na alma (Tolstói) (Parte 7)

Escutou-se o som de Cheriot descendo as escadas feito louco. Com um ouvido bem aberto, assim que confirmou que Cheriot tinha descido, atirou três vezes seguidas no homem que tinha atirado nele. Imediatamente depois, os dois homens que desceram do quarto andar ao ouvir os tiros, ao verem Yurij do alto da escada, sacaram suas armas. Vendo as balas que voavam sem hesitação, Yurij também desceu as escadas.

—Yurij!

Para sua sorte, Cheriot, que tinha saído, o chamou. Como os tiros soaram perto demais, seus ouvidos estavam um pouco atordoados, mas através do tímpano ardente ressoou de algum lugar o som de uma sirene. «Se a gente só conseguir sair daqui, então…»

«O Cheriot vai ficar bem.»

Pá!

Lascas de madeira saltaram perto do calcanhar de Yurij enquanto ele descia as escadas. Desviando dos disparos que o perseguiam e batiam no piso, ele também chegou ao primeiro andar. Cheriot, à frente, não conseguia avançar mais e o esperava.

—Corre, mais longe!

Yurij fez sinais para que ele corresse, mas ao escutar o movimento de quem o perseguia descendo, se virou e reagiu por reflexo. Ia mirar no primeiro rosto que viu, mas a ponta de sua arma vacilou um momento porque pensou que não devia matá-los. Assim que demonstrou aquela breve hesitação, uma chuva de balas se desencadeou em sucessão.

Yurij atirou como advertência para ganhar tempo para que Cheriot escapasse. Logo ficou sem munição, jogou o rifle no chão e sacou a pistola que levava na cintura.

Convencido de que havia certa distância, aproveitou o momento em que recarregava para atirar uma vez em cada coxa do cara da frente, e naquele que saía atrás atirou no ombro e na coxa.

Ao baixar o braço, o som estridente de uma sirene se aproximava cada vez mais pelo caminho estreito. Yurij inclinou o rosto suado e verificou se saía mais alguém do prédio. Não havia ninguém.

Eram quatro, então o número batia.

Sua visão se turvou por um instante. Parecia que o suor tinha entrado em seus olhos. Piscou, exalou um fôlego pesado e depois esticou lentamente as costas. Como não se endireitava direito, parecia que uma bala tinha se cravado em algum lugar do abdômen ou das costas.

«Dessa vez eu definitivamente… vou precisar de um tratamento adequado.»

Ao se virar mancando, viu Cheriot, que tinha escapado são e salvo e estava cercado de gente em meio à multidão. Cheriot, cercado de homens incluindo Benji, tinha ficado olhando para lá o tempo todo e, assim que viu Yurij caminhando, se livrou das pessoas e correu até ele.

—Yurij!

Cheriot parecia muito assustado, mas Yurij finalmente sentiu alívio ao vê-lo correndo pelo espaço aberto. Embora lamentasse tê-lo feito passar por um mau bocado, sentia que enfim Cheriot estava a salvo.

«Agora o Joseph e…»

Yurij, que se aproximava de Cheriot, parou seus passos. Sua visão, que continuava turvando, se clareou de repente e em sua mente ele repassou o número de passos que tinha contado antes no quarto. Um no terceiro andar, um no quarto, dois checando separadamente.

E os passos de Joseph seguindo-os.

No momento em que Yurij percebeu seu erro estúpido, se virou rapidamente. Entre os homens caídos na porta destroçada, viu uma cabeça de cabelo loiro. O rapaz, agachado e escondido entre os feridos, se levantou no instante em que Yurij o descobriu. Em sua mão direita segurava uma arma.

—Wolfie, agora acabou tudo…!

Embora todo o seu corpo quisesse se virar ao ouvir a voz de Cheriot, os olhos de Yurij permaneceram fixos no cabelo loiro. Yurij e o homem loiro, que se observavam mutuamente, ergueram as mãos ao mesmo tempo. O homem não apontava para Yurij. Sua arma apontava ligeiramente à esquerda de Yurij, para onde se escutava a voz de Cheriot.

«Ah, um erro.»

No mundo de Yurij, os erros muitas vezes levavam a resultados fatais. Nessas situações, só havia duas opções.

Morrer, ou matar.

Não havia tempo. Numa fração de segundo, Yurij teve que escolher. Já era tarde demais para impedir que o homem apertasse o gatilho. Então…

«Por isso…»

Yurij, em vez de atirar, lançou seu corpo para a esquerda. Passou-lhe pela mente a inquietação de que talvez sua reação fosse um pouco lenta. Ultimamente, seu lado esquerdo às vezes não acompanhava sua mente e reagia com lentidão.

Mas felizmente, dessa vez pareceu obedecer.

No instante em que piscou mais uma vez, uma dor intensa se expandiu por seu tronco. Embora tivesse superado incontáveis mortes, dessa vez sentiu que seria difícil. Passou-lhe pela mente a pergunta se deveria ter escutado Alexei e ficado no carro. Não realmente. Se tivesse escolhido aquilo, teria descoberto que Cheriot estava em apuros muito mais tarde.

Pelo contrário, parecia ter feito o certo.

Naquele momento, sua escolha lhe pareceu a mais acertada de sua vida. Como Benji disse, ele não se aproximou demais de Cheriot e, como Alexei sugeriu, também se permitiu agir por seu desejo e, como resultado, conseguiu salvar Cheriot.

Desde que tomou a decisão de sobreviver, Yurij fechou os olhos com o coração tranquilo.

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Yekaterina Kiselyov morreu no fim de junho, no começo do verão em que Yurij completou dezenove anos.

Seu crime foi a delação. Como esposa de Vasili Kiselyov, ela não só não serviu a seu senhor Igor Volkov, como ousou entregar provas sobre tráfico de drogas à polícia que se opunha a ele, tentando derrubá-lo.

Um dos capangas de Volkov, a quem ela costumava atender, viu Yekaterina conversando com a polícia. Embora o homem tivesse recebido tratamento dela várias vezes, voltou para o anjo da morte que o explorava, mas lhe dava drogas, e lhe contou seu crime em detalhe.

A execução de Yekaterina foi a última, depois que os policiais morreram. Como já tinha passado uma tempestade de sangue por toda Saratov, a cidade estava silenciosa como um túmulo, e a gente do bairro rico, sempre alegre e distante, também não saía por precaução. Foi o verão mais frio na história de Saratov e ninguém sorria.

Só Igor Volkov podia rir.

Depois de ordenar a seus subordinados que entregassem os cadáveres mutilados dos policiais às famílias na praça e em suas casas, ainda sem acalmar sua ira, amarrou Yekaterina, a quem tinha deixado para o final, na praça sob um sol escaldante. A mulher, arrastada com o cabelo despenteado pendendo, já parecia uma pessoa morta.

E neste terrível coliseu também tinham arrastado outros familiares da mulher. Os numerosos homens de Igor que invadiram a casa de Yurij o trouxeram com um saco na cabeça, e Vasili, que não sabia disso e estava fazendo um trabalho para Igor, também foi golpeado na cabeça com um cassetete e arrastado para lá.

Enquanto Yurij estava inconsciente, cortaram os dedos de seu pai, e sua mãe, ao ver aquilo, gritou e xingou antes de ser espancada. Por ela ter trabalhado muito tempo para ele, Igor demonstrou uma misericórdia: proibiu que desonrassem Yekaterina, a mulher de Vasili. Depois, os três familiares foram arrastados e trancados em depósitos separados, até que Yurij e Yekaterina foram tirados primeiro.

Yurij, com as mãos e os pés amarrados com correntes de ferro, abriu a muito custo os olhos inchados e machucados e chamou a mãe.

—Mãe…

Como não houve resposta nem a isso, gritou: —Mamãe! —Igor zombou de sua fraqueza.

—Você nem é uma criança de cinco anos pra ficar chorando. Mamãe. Eu não sabia que o Vacha estava te criando tão fraco. Eu devia ter percebido antes. Se eu soubesse antes que o Vasili é um patético, também teria sabido que essa vagabunda andava feito uma ratinha tentando me vender!

Igor gritou enfurecido e agarrou o cabelo da mãe. O jovem Yurij, ao ver aquela cena humilhante, gritou, arregalou desmesuradamente os olhos e lançou insultos e maldições contra Igor.

—Eu vou te matar.

» Eu vou escapar de algum jeito e vou te matar!

Diante de seus olhos, enquanto ele gritava até rasgar a garganta, Igor sacou uma pistola e a apoiou na têmpora de sua mãe. Nesse momento, Yekaterina, que estava de olhos fechados, ergueu lentamente a cabeça. Como se tivesse escutado o alvoroço de Yurij, ao abrir os olhos ela procurou primeiro por ele.

Sua mãe não desmoronou nem naquele momento. Embora o sangue brotasse de seus ouvidos, boca e nariz, em suas pupilas verde-amareladas havia alma. Num terror que ninguém poderia suportar, ela se ajoelhou lentamente e se levantou cambaleando.

Então, a expressão de Igor, que segurava seu cabelo, se quebrou por um instante. O demônio, que acreditava que ela suplicaria por sua vida aterrorizada, que sua alma já teria desmoronado, pareceu se sentir brevemente sobrepujado por sua coragem.

E, enfurecido por sentir tal emoção, em vez de executá-la, criou outra opção.

—Muito bem, mulher que finge ser tão orgulhosa.

» Então escolhe.

Igor parecia não querer revelar sua baixeza diante da mãe com linguagem vulgar. Depois de repreendê-la de repente com um tom refinado, fez um sinal com os olhos para os homens atrás de Yurij.

Então os homens atrás de Yurij soltaram uma das correntes que prendiam seus pulsos, depois agarraram com força sua mão esquerda e colocaram uma pistola nela. Ao forçar seus dedos, que tremiam de raiva, um por um em torno do gatilho, o obrigaram a segurar a arma contra a própria cabeça. Ao ver aquela cena, os olhos da mãe se estremeceram pela primeira vez.

—Yurij!

» Não, minha pequena pérola!

Como se o grito da mãe lhe desse prazer, finalmente um sorriso apareceu no rosto de Igor. Ele parecia se alegrar de que a mulher, que tinha se mantido firme naquela situação aterrorizante, mostrasse sinais de desmoronar.

—Kátia, ouvi dizer que você é uma fiel crente da Igreja Ortodoxa. Eu também, como crente, sei bem de uma coisa. O suicídio é o maior dos pecados, mesmo entre os pecados.

Yekaterina, que vinha gritando, fechou os lábios e começou a acalmar a respiração. Com um rosto que parecia já ter entendido as opções que tinha, encarou fixamente Yurij. Sua mãe olhou para Yurij, que ainda não compreendia completamente o que acontecia, com olhos verdadeiramente tristes. Lágrimas que só Yurij podia ver fluíram tenuemente de seus olhos verde-amarelados, cheios de pena e afeto, e caíram no chão.

—Então escolhe com as suas próprias mãos. Considerando o que o Vasili tem feito, eu te dou pessoalmente o direito de escolher. Não vai ter ninguém que leve tanto em conta assim a situação de uma cadela que mordeu o dono.

O demônio sussurrou. O monstro com máscara de humanidade, que sussurrava a si mesmo que era misericordioso, gritou.

—Ou você põe fim à sua própria vida com as suas mãos e comete um pecado, ou vê o seu filho morrer.

» Escolhe.

» Se o pequeno Vacha morrer, você vive; se você morrer, eu deixo o pequeno Vacha viver. Eu cumpro a minha palavra. Quem quer que viva dos dois, eu vou permitir que viva como até agora.

Olhando a boca do homem que soltava palavras horríveis que não podiam ser consideradas misericórdia de jeito nenhum, Yurij chorou com os olhos injetados de sangue. O sangue brotava de seus lábios mordidos e encharcava seu maxilar afiado.

—Por favor, mãe. Não faça isso.

Como se soubesse que escolha sua mãe faria, Yurij gritou e depois fechou os olhos com força. Sua boca tremeu na situação terrível para a qual nunca tinha se preparado. Seus dentes bateram com força e o som ressoou estridente em sua cabeça.

—Sim, antes que a mãe tome uma decisão ruim, eu morro primeiro.

» Se eu morrer rápido, vai ficar tudo bem.

No instante em que seus dedos, depois de tomar a decisão, tremiam ao tentar apertar o gatilho…

—Yurij!

Ressoou a voz atroadora de sua mãe. Yurij, surpreso, abriu os olhos de repente, sem entender como saía uma voz tão forte daquele corpo debilitado pela inanição. Então Igor e os demais também a olharam surpresos.

—Não se atreva a tentar morrer facilmente!

» A vida é preciosa. Tem coisas belas demais pra você ir embora tão jovem, pelo menos não na sua idade. Você ainda não conheceu alguém pra amar, nem aproveitou um verdadeiro verão, nem comeu até se fartar.

» A mamãe já viveu tudo. Eu conheci o seu pai e vivi tudo, por isso eu fui feliz. Não, eu ainda sou feliz.

O rosto de Igor, que olhava a mãe recitando suas lembranças felizes, se distorceu com uma inexplicável sensação de derrota. Antes que ele mudasse de humor, Yekaterina deixou a Yurij seu testamento.

—Sobreviva, Yurij.

Um testamento tão dilacerante e entranhado que Yurij não poderia desobedecer.

—Você tem que viver.

Ao terminar de falar, ergueu a cabeça com firmeza, olhou Igor de baixo e, ao ver o homem que a olhava, sorriu pela última vez.

Yekaterina, que sorria como se não tivesse medo algum, disse a Igor com doçura:

—A gente se vê no inferno, miserável.

Bem quando o rosto de Igor se tingia de derrota e fúria, uma mão pálida e fina se ergueu bruscamente. Yekaterina, que segurava a arma que tocava sua própria têmpora, sobrepôs sua mão à de Igor, que empunhava o gatilho.

。・゚♡゚・。。・゚♡゚・。

Continua….

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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