Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.6 Online


Modo Claro

6. Todos temos esqueletos na alma (Tolstói) (Parte 6)

Yurij tinha evitado salvar o número dele de propósito. Temia que, ao lhe dar um nome, olharia para ele constantemente e alimentaria a saudade. Mas como já o tinha visto várias vezes, o número estava gravado em sua mente. Com os olhos muito abertos, Yurij atendeu a ligação com urgência.

[—Haah, haah… Yurij…!]

Escutou-se uma respiração mergulhada em pânico.

—Cheriot, onde você está?

[—O Joseph… parece que perdeu a cabeça por completo! Agora, há pouco, ele tentou, haah… atirar em mim.]

Cheriot balbuciava enquanto soltava respirações entrecortadas entre as palavras. Ao ver o quanto lhe custava respirar, Yurij também se impacientou. Aproximou-se da escada central para se dirigir ao segundo andar, onde tinham soado os tiros. Enquanto Yurij olhava para cima, escutou o som de passos no corredor. Soava de um andar mais acima.

—Cheriot, me diz em que andar você está.

[—No terceiro, não, pode ser o quarto. Yurij, o que a gente faz? Mesmo eu tendo dito pra ele não fazer isso, ele pegou a arma e começou a fazer uma loucura, então eu empurrei ele e saí… mas eu, a ele, não quero, machucar.]

—Eu vou.

[—Tá, certo.]

—Tranca a porta. Bloqueia com o que tiver aí dentro e não sai por nada.

Cheriot respondeu com uma voz trêmula e mal conseguiu articular e, bem quando ele tentava chamá-lo de novo pelo nome, de fora escutou-se um alvoroço de passos que sacudiu a porta principal da hospedagem. Ao mesmo tempo, um homem gritou do andar de cima.

—Arromba e entra logo!

Era a voz que ele tinha escutado perto de Cheriot antes. Convencido de que aquele era Joseph, Yurij ligou o gravador do telefone sem desligar a ligação com Cheriot. Não sabia o que tinha acontecido na casa principal nem que provas tinham surgido, mas se conseguisse gravar aquilo, seria de grande ajuda.

Mal caiu o grito, as balas atingiram a maçaneta. Pá, pá! Aproveitando o estrondo dos disparos, Yurij subiu a escada. Como o piso era de madeira, tentou não fazer muito barulho e, ao chegar ao segundo andar, observou os arredores. A hospedagem, construída em forma de octógono alongado, tinha quatro quartos por andar.

Nesse momento escutou-se os mercenários que tinham acabado de entrar pela porta se instruindo entre si.

—Um pro terceiro andar, outro pro quarto, você me segue.

Ao ouvir os passos subindo direto a escada, Yurij entrou pela primeira porta que viu. Contou o número de passos que subiam e confirmou que quatro pessoas tinham entrado. Era administrável. Se distribuísse bem as balas.

A arma que Alexei lhe deu era a Glock 19 que ele costumava usar. Quinze balas. Se acertasse sem errar, era suficiente para neutralizar todos.

—Cadê o alvo?

De além da porta do quarto ressoou a voz do mercenário, seguida pela do outro homem que ele tinha escutado antes. Era o tal de Joseph.

—Eu vi ele subir agora há pouco. Mesmo que se esconda, vai estar no terceiro ou no quarto andar. Ufa… a gente quase conseguiu. Se ele não tivesse atendido o telefone de repente.

—A gente só tem que matar ele?

—Hmm…

Joseph hesitou um momento e depois soltou umas palavras repugnantes.

—Já que estamos nessa, encham ele de bala pelo corpo todo. Pra um cara que dormiu com o namorado do chefe, que graça teria um cadáver intacto?

A mão que segurava a arma tremeu por um instante. Em sua mente estourou uma chama branca e lhe veio o pensamento de querer destroçar a boca que pronunciava aquelas malditas palavras. Mas Yurij quase nunca agia por impulso. Conteve a raiva.

—Por mais bonito que seja, se destroçarem ele vai virar um desastre, dizia o meu pai.

Depois daquele pequeno murmúrio, os passos se afastaram. Yurij, apoiado contra a porta, esperou que eles desaparecessem por completo. Devido à raiva repentina, o suor perolou sua testa.

Alguns minutos depois, ao confirmar que todos tinham subido ao terceiro andar, Yurij abriu lentamente a porta e observou lá fora. No segundo andar não havia ninguém. Assim que os passos se dispersaram de maneira coordenada, Yurij também subiu ao terceiro andar prendendo a respiração. Com a arma em mãos, checou o corredor fora da escada e viu um homem abrindo todas as portas dos quartos. Ele usava um colete à prova de balas, então seria difícil neutralizá-lo atirando no tronco. Então, a panturrilha ou o ombro…

Nesse instante, o homem se virou. Seus olhares se encontraram, e Yurij mirou em seu ombro antes que ele pudesse reagir. Pá, pá! Soaram dois disparos e o homem caiu gritando.

—Tem um intruso no terceiro andar!

Sim, esse era o problema.

—Delta, vamos descer juntos!

Se deixasse alguém vivo num espaço tão estreito, surgia o problema fatal de que sua localização seria reportada em tempo real.

Yurij correu até o homem que tinha caído depois de receber um tiro na panturrilha, arrancou-lhe o rifle que tinha caído no chão e se lançou para dentro do quarto visível. No momento em que os dois homens desciam e atiravam em suas costas, a porta se fechou. Yurij, que às pressas arrastou a cama que havia lá dentro para bloquear a porta, pendurou a alça do rifle no ombro e guardou a pistola na cintura. Naquela situação, ele precisava se mover para fora do prédio.

Fuu. Depois de respirar fundo, Yurij abriu a janela de supetão. Como chovia a cântaros, o peitoril estava escorregadio. Graças ao fato de a fachada ser de alvenaria, havia uma borda estreita onde ele podia se apoiar. Se caísse dali, talvez não morresse na hora, mas não ajudaria em nada Cheriot.

—Cheriot.

Yurij voltou a pegar o telefone que estava meio enfiado no bolso. Felizmente, a ligação continuava conectada.

[—Yurij, onde você está? Tem gente rondando lá fora… eles vieram me procurar, né?]

—Está tudo bem. Eu também estou aqui. Então levanta e olha pela janela um momento. Me diz exatamente em que andar você está.

A respiração de Cheriot soou agitada enquanto ele se movia. No momento em que Yurij, que observava pela janela, girou a cabeça, viu Cheriot pondo o rosto para fora bem do lado oposto. Embora a chuva não caísse diretamente sobre ele, seu rosto estava encharcado e desfeito. Seu rosto, normalmente rosado, estava pálido e banhado em suor frio.

—Cheriot, olha pra cá.

Talvez pelo som da chuva ele não tenha escutado, mas Cheriot olhava para baixo e para cima.

—Cherry.

No instante em que o chamou pelo apelido, Cheriot girou a cabeça para onde Yurij estava. Seu rosto, que parecia prestes a sufocar de medo, recuperou vida ao vê-lo.

—Yurij…!

—Eu vou até você, fica parado.

Depois de guardar o telefone de novo no bolso de trás da calça, agarrou o canto do batente da janela e pôs o corpo para fora. Cheriot, que observava o que Yurij fazia, negou com a cabeça e gritou.

—O que você está fazendo, Yurij?

Sua voz trêmula ficou clara por um momento. Com as sobrancelhas avermelhadas franzidas, gritou com força na garganta:

—Para, agora mesmo! Para, por favor…!

Shhh. Yurij fez a forma de um sussurro com os lábios. Sem dar tempo a Cheriot de dissuadi-lo, estendeu uma mão para a parede, agarrou um tijolo saliente e apoiou um pé na estreita e longa saliência que separava os andares. Como precisava se mover colado à parede, abriu as pernas para os lados.

Com os sentidos no máximo, moveu-se lentamente, passo a passo. Subindo e baixando as pálpebras molhadas pela chuva, agarrava e soltava os tijolos de cima, avançando pouco a pouco em direção ao quarto onde estava Cheriot. Embora estivesse com o rosto esbranquiçado, Cheriot não tirava os olhos dele. Ele preferiria que ele fechasse os olhos se não conseguisse ver, mas como o olhava assim, não podia se permitir escorregar e se machucar nem por engano. Movendo-se prendendo a respiração, chegou a apenas dois passos de distância. Para não se confiar, respirou fundo e por sua testa rolou uma gota de suor, não de chuva. Só mais dois passos. Se continuasse, se conseguisse chegar…! Bem ao chegar diante da janela de Cheriot, um pé escorregou de repente. Ao pisar numa parte com musgo, seu equilíbrio se quebrou por um instante e seu corpo se inclinou para trás. O suor frio escorreu e ele sentiu um arrepio na coluna. Ao sentir a intuição de que cairia, em vez de medo, surgiu a frustração. «O Cheriot não pode me ver cair, isso podia lhe dar outro trauma…»

—Te peguei.

Uma mão firme que agarrou com força seu braço esquerdo puxou Yurij, que se inclinava para trás, para dentro de um puxão. O pulso de Yurij, acelerado pelo perigo momentâneo, exalou um fôlego cortante assim que ele foi puxado para dentro do quarto. Haah, aah. O braço sólido de Cheriot envolveu seu peito agitado.

—Agora mesmo… droga, eu achei que você estava caindo.

Cheriot falou com voz trêmula e o abraçou. Do braço que rodeava sua cabeça fluiu o calor corporal que Yurij tanto tinha ansiado sentir. Ao senti-lo, Yurij também enterrou o rosto em seu peito por um momento e lhe rodeou as costas com os braços.

—Você salvou a minha vida.

—…Salvei.

Os dois se abraçaram por um momento e recuperaram o fôlego. O desejo de querer permanecer assim os invadiu por completo. Na verdade, alongar o tempo poderia até ter sido melhor. Como tinham compartilhado a localização com Alexei, uma vez que a situação do lado dele se resolvesse, ele verificaria aquele lugar imediatamente.

Mas antes que Yurij pudesse pensar isso, soaram disparos perto deles. Os tiros sucessivos pareciam ser de um rifle. No braço de Cheriot que o abraçava, a força aumentou tanto que até se sentiu um pequeno espasmo.

—Cherry, vamos sair antes que percebam do outro lado. A partir do segundo andar já não tem gente. Se a gente descer e correr, vai conseguir escapar. Para acalmá-lo, Yurij usou um tom afetuoso que nunca antes tinha demonstrado e o chamou pelo apelido. Ao acariciar suas costas e repetir seu apelido com calma, Cheriot soltou lentamente os braços que o abraçavam.

—…Entendi.

—Vamos.

Yurij, se libertando do abraço, se apoiou no chão e se pôs de pé. Depois, estendeu uma mão para Cheriot, que ainda estava sentado. Cheriot, que olhou a mão estendida, a pegou e se pôs de pé. Yurij, que o ajudou com força, tentou lhe dar a pistola que felizmente continuava presa em sua cintura, mas em vez disso a pegou ele mesmo. Depois, fixou o rifle que tinha acabado de roubar à frente e disse:

—Eu cubro com fogo, você desce primeiro pela escada.

—…Não é perigoso demais?

—Se a gente for rápido, vai dar tudo certo.

Yurij disse isso e olhou Cheriot nos olhos. Nas pupilas verdes vislumbrava-se um sentimento de inaptidão.

—Desculpa não ser de nenhuma ajuda. Eu que sou atleta… e não consigo fazer nada…

—Cherry.

Yurij estendeu a mão e acariciou sua bochecha com uma mão.

—Você já fez mais que o suficiente. Esse tipo de coisa quem faz é gente como eu.

Os olhos azuis decididos convenceram Cheriot. Cheriot, com as sobrancelhas franzidas, moveu os lábios como se quisesse dizer algo, mas Yurij já não perdeu mais tempo.

—Vamos. A gente sai quando eu contar três.

Um, dois…

Três.

Assim que terminou a contagem, Yurij abriu a porta de supetão e apontou o rifle para o corredor. No instante em que os dois homens diante da porta de Yurij olharam para onde ela se abriu, Yurij gritou para Cheriot:

—Vai! Agora mesmo!

Ao mesmo tempo em que terminava de falar, Yurij também apertou o gatilho e avançou. No momento em que um dos mercenários, ao descobrir Cheriot que saía atrás de Yurij, mirou primeiro em Cheriot, os olhos de Yurij se encheram de ferocidade por um instante. Assim que atirou no abdômen do cara que ousou mirar em Cheriot, o companheiro dele ao lado atirou em Yurij. Soou um disparo e Yurij torceu o corpo o máximo que pôde.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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