Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.5 Online

6. Todos temos esqueletos na alma (Tolstói) (Parte 5)
Aquela visita inesperada e não convidada, que parecia não deixar nenhuma marca em sua vida, de repente tinha encurtado a distância e agora estava ao seu lado. Só de estar ao lado de Cheriot, o peito de Yurij se abria. Estava tudo bem não ser alguém especial para ele.
Com certeza seria algo incompreensível para alguns. Para gente como Benji ou Dolly, até para o próprio Alexei.
Às vezes, para Yurij ainda era estranho sentir uma emoção tão forte por um homem que conhecia havia tão pouco tempo. Também não podia ter certeza de quanto duraria aquela doce alegria.
«Mas quando eu estou com o Cheriot, eu começo a esperar pelo amanhã.»
«Esperar» era a palavra mais difícil de encontrar na vida de Yurij, mas ao escutar o que Cheriot dizia, aquele «algum dia» que ele mencionava se fazia esperar e o peito lhe palpitava. Cheriot era a única pessoa que o fazia se sentir assim.
«Será que está tudo bem que até um refugo como eu… aproveite algo que deseja?» Ao escutar continuamente o que Alexei dizia, no coração de Yurij também surgiu um pequeno desejo.
«Afinal de contas, se eu tenho que viver, eu posso ter ao menos uma pequena alegria na vida? Eu. Alguém como eu.»
«Quem dera pudesse ser assim.»
Claro que não tinha nenhuma intenção de desfrutar de uma felicidade imerecida. O que Yurij desejava, como tinha decidido antes, era simplesmente que lhe permitissem estar perto de Cheriot, mesmo que de longe.
Não ousava sonhar com aqueles momentos lindos que passaram na casa de veraneio. Se visse Cheriot de vez em quando, ainda que uma vez a cada poucos meses, se permanecesse como seu amigo e pudesse ver aquele sorriso lindo que se expandia fresco, sentia que mesmo com isso poderia viver esperando pelo amanhã.
—Ha, é ridículo eu dizer isso, mas… não tenta morrer por amor. Eu não quero te perder, e o tempo em que a gente finalmente aproveitou a vida não chega nem à metade da nossa existência. Cinco anos? É, mal chega a cinco anos.
Inclinando-se rapidamente, arrancou o cigarro que Yurij segurava, depois tirou um do maço e o acendeu de novo. Enquanto o mastigava com os caninos, disse a Yurij o que ele realmente queria escutar.
—Então é melhor você cobiçar esse cara, seja Cherry ou Berry. Não dá ouvidos ao que as pessoas ao seu redor dizem, faz o que você quer.
—É Cheriot.
Yurij, que vinha escutando Alexei em silêncio, finalmente abriu a boca. Ao vê-lo corrigir o nome, Alexei curvou seus olhos azuis e soltou uma gargalhada.
—Eu sei, Cheriot Goodnight. O cara por quem o meu único amigo se apaixonou. E ainda por cima um alfa. Quem diria que o Yurij, entre todas as pessoas, ia se apaixonar por um alfa?
Com um sentimento constrangido e estranho, Yurij ergueu só um canto dos lábios. Que fosse Alexei, entre todos, com quem ele tivesse essa conversa, lhe parecia uma experiência nova.
—Talvez seja porque a gente é amigo.
Alexei acrescentou uma risada e girou o volante. Enquanto mantinham uma conversa inesperada, sem perceber chegaram à casa de veraneio da família Goodnight onde a festa seria realizada. Logo apareceu a placa de propriedade privada, e o caminho que levava à mata adquirida pela família se estendia amplo. As árvores altas reduziam um pouco a chuva.
Embora até pouco antes ele não estivesse livre de inquietação, talvez pela conversa com Alexei que aliviou certo peso em seu coração, as palavras de cobiçar Cheriot rondavam a mente de Yurij. Veio-lhe à mente o aviso de Benji para não fazer isso, mas depois a voz de Cheriot chamando-o ontem à noite cobriu aquele aviso.
[—Ah, é verdade. O que você comeu hoje, Wolfie? Você está se alimentando bem? Você diz que comeu? Então me conta o que você comeu. Vendo como você costuma ser, com certeza você improvisou com alguma comida estranha.]
Cheriot manteve a ligação até Yurij chegar ao hotel ontem. A conversa deles foi realmente trivial e sem importância, mas o tempo passou traiçoeiramente rápido e superou de longe uma hora. Como era a primeira vez que passava tanto tempo ao telefone, mesmo depois de desligar, Yurij gravou a duração da ligação várias vezes na mente. Sentia-se especial sem razão.
Ao lembrar de ontem à noite, seu coração se inclinou lentamente para um lado. Escutar Alexei não mudou dramaticamente o que ele tinha decidido. Mas a ideia de que poderia seguir aquele pequeno desejo de ficar perto de Cheriot se consolidou com cautela.
—Chegamos. Eu me apresentei como garçom, então vou circular pela festa pra observar. Você fica no carro e, se parecer que esses caras estão vindo, me avisa imediatamente.
Alexei estacionou o carro entre uns arbustos, um pouco afastados do estacionamento. Do caminho de entrada provavelmente não se notaria que havia um carro.
—…A gente não entra junto?
—Aonde você ia entrar com o corpo machucado? Podia estourar uma briga.
Embora o ferimento suturado recentemente ainda doesse um pouco, era absurdo considerar «machucado» alguém que não tinha nenhum problema para se mover ou correr. Quer Yurij franzisse as sobrancelhas e demonstrasse desaprovação ou não, Alexei estendeu a mão para o banco de trás, tirou uma pistola de uma das sacolas que pareciam de lembrancinhas e a entregou a Yurij.
—Eu preparei por precaução. Consegui sem dono, com o número de série alterado pra não ser rastreável, então pode atirar tranquilo.
—O correto seria não haver necessidade de atirar, Aliocha.
—A gente vai enfrentar caras que desprezam vidas humanas por dinheiro, então uns tiros não vão ser ruins.
Alexei, que fez um comentário sangrento como se nada, jogou-lhe as chaves do carro. Quando Yurij as pegou, Alexei fechou a porta do motorista e lhe deu outro aviso.
—Fica no carro.
—…Se tiver perigo, me chama.
—Seria melhor pegar ele antes.
Alexei murmurou para si, depois sorriu com deboche e encontrou o olhar de Yurij.
—Eu também devo estar envelhecendo, Yurij.
Yurij fez um gesto com o queixo para enxotá-lo, já que Alexei, com apenas trinta e dois anos, falava como um velho. As gotas de chuva caíam intermitentemente sobre o teto do veículo, produzindo um ritmo constante: toc, toc. Yurij, que ficou sozinho, escutou aquele som e observou a enorme casa de veraneio à frente.
Quando a viu em fotos antes de vir, notou que a casa tinha um caminho traseiro que levava à praia, e que além disso a casa se dividia em dois prédios. Um era a hospedagem para convidados e o outro a casa principal. Embora construída havia muito tempo, a casa de veraneio, que claramente era bem cuidada, tinha até um jardim impressionante.
Tendo nascido numa família que acumulou tanta riqueza, para que eles precisam de mais dinheiro?
Yurij estava ali por causa de algo que aconteceu pela obsessão de obter dinheiro, chegando a querer matar pessoas, familiares de sangue. Se eles tivessem vivido bem usando o que tinham sem ambição, provavelmente ele e Cheriot nunca teriam se conhecido.
«Se eu tivesse a opção, se eu pudesse escolher que isso não acontecesse com o Cheriot, eu escolheria sem hesitar.»
Embora assim não ocorresse o milagre de Cheriot na vida de Yurij…
«Eu sobrevivia antes disso mesmo assim.»
Enquanto vigiava dentro do carro, levando até pensamentos frívolos, Yurij checou o relógio do telefone. Tinham se passado vinte minutos desde que Alexei saiu. Será que eles não agem bem no começo da festa? Planejaram algo temerariamente audacioso, mas são cautelosos nisso.
Disseram que o IP usado para o contato saiu da empresa que o segundo e o terceiro filho da família Goodnight operam juntos. Qualquer um que possa entrar e sair de lá é suspeito em certa medida. Enquanto refletia sem pistas, um pensamento repentino cruzou a mente de Yurij. «O Cheriot é o único neto?»
Ele se aprumou por um pressentimento sinistro. Não sabia de quem Dolly ou Alexei suspeitavam, mas se o segundo ou o terceiro filho também tivessem filhos próprios, eles também se beneficiariam ao herdar a fortuna. Então o pensamento que cruzou a mente de Yurij era que…
«Pais e filhos poderiam estar colaborando juntos.»
Fazia sentido ao pensar nos Volkov, pai e filho, que cometiam maldades juntos. Se houvesse vários netos da idade de Cheriot na família Goodnight, talvez eles também devessem desconfiar deles. Não, definitivamente parecia que deviam.
Yurij desceu do carro e discou o número de Benji. O toque soou várias vezes, mas como ele parecia estar ocupado lá dentro, não atendeu de imediato. Não conhecia o número de Dolly, então passou disso, e depois ligou para Alexei.
Por coincidência, nenhum dos dois respondeu. Temendo que já houvesse algum alvoroço lá dentro, Yurij atravessou o jardim em direção à casa principal. A chuva, que tinha amainado um momento, se intensificou e começou a molhar lentamente seu cabelo. Talvez pelo dia chuvoso, embora fosse verão, parecia que o sol se punha cedo. O céu escureceu com nuvens negras.
Ao se aproximar da casa principal, o som da música tocada por uma orquestra ao vivo ressoava tenuemente para além da porta aberta. Sem chegar até a porta, passou junto às janelas do primeiro andar e viu os funcionários se movendo apressadamente. Até ali não parecia haver problemas. Depois de hesitar, decidiu contatar diretamente Cheriot. Benji ficaria furioso se soubesse, mas…
Não podia esconder de Cheriot para sempre. Yurij também entendia que Dolly e Benji queriam informá-lo dos fatos mais tarde para protegê-lo, mas se a pessoa em perigo desconhecia a ameaça, a situação podia piorar num instante.
Com o telefone na mão, Yurij ligou enquanto se dirigia ao prédio de hóspedes do outro lado da casa principal. Parecia um lugar relativamente tranquilo, então não achava que houvesse alguém ali.
[—Yurij?]
A pessoa mais importante atendeu. Yurij soltou um suspiro de alívio e ajustou a pegada no telefone, que já tinha se molhado com a chuva e estava escorregadio.
—Cheriot, onde você está?
[—Hoje eu tenho um compromisso de família, então vim pra fora da cidade um pouco. E você, Wolfie? Ah, espera um momento.]
Escutou-se a voz de Cheriot pedindo desculpas a Yurij e falando com alguém. Era a voz de um homem. Pelo pouco que escutou, parecia de idade parecida com a dele.
[—Wolfie, desculpa, eu te ligo mais tarde. Estou falando de uma coisa importante com o meu primo. A gente se fala depois.]
—Espera, Cheriot!
Ao chamá-lo em voz alta quando ele tentava desligar, Cheriot respondeu de novo.
[—De algum jeito, eu achei que tinha ouvido a voz do Wolfie em algum lugar.]
—Sim. Eu estou perto. Cheriot, me diz onde você está.
[—Você veio pra cá? Quando?]
No instante em que a voz de Cheriot ficou mais animada e subiu de tom, a ligação caiu. Imediatamente tentou ligar de novo, mas depois de alguns toques, apareceu uma mensagem de que o telefone estava desligado. A menos que a bateria tivesse acabado bem naquele momento, alguém tinha tomado o telefone dele.
A chuva se intensificou e escorreu pelo cabelo até a testa. Depois de afastar com a mão o cabelo que o incomodava, pensou com calma.
Cheriot deixou uma pista. Ele disse que parecia escutar a voz quando ergueu o tom um momento, e o lugar onde sua voz poderia ser escutada era… justamente a hospedagem de convidados para onde ele se dirigia.
Correu para o lado da hospedagem, que parecia tranquila por fora. Graças ao forte som da chuva, o ruído de seus passos foi abafado um pouco. Foi uma sorte se mover antes que a água acumulasse. Ao se aproximar da hospedagem, decidiu procurar uma janela aberta em vez de entrar pela porta. Precisava entrar sem fazer barulho para que a pessoa com Cheriot não percebesse.
Yurij pisou deliberadamente na grama para abafar o som de seus passos. As janelas tinham uma estrutura que permitia levantá-las por fora se não estivessem travadas por dentro. Enquanto checava rapidamente os arredores e levantava uma janela, o telefone de Yurij tocou.
Com a vibração zumbindo como um sinal, como se o mundo tivesse recebido algum tipo de aviso, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Ao erguer a cabeça para atender a ligação que mostrava o nome de Alexei, Yurij descobriu umas SUVs pretas se aproximando ao longe. Eram cinco carros subindo pelo caminho estreito.
—Aliocha, os caras chegaram.
[—Merda. Entendido. Você está no carro?]
—Não, eu estou do lado do outro prédio. Acho que o Cheriot está por aqui. Para evitar as SUVs que saíram do caminho de entrada num instante, Yurij se agachou rapidamente e se escondeu na esquina do prédio.
[—Você está sozinho aí agora?]
—Aliocha, se mexe! Chama a polícia imediatamente. Eu vou procurar o Cheriot.
Eles precisavam evacuar as pessoas e se preparar para um confronto antes que aqueles caras entrassem armados. Ao desligar, um trovão retumbou no céu escuro pelas nuvens negras que se aproximavam. No ritmo daquele som, homens desceram das SUVs que bloquearam a entrada do caminho e estacionaram na horizontal no jardim. Entre eles havia um com um rifle.
«Merda.»
Rifles são difíceis de enfrentar. Ao sentir a realidade de que eles realmente vieram decididos a destroçar aquela casa, todo o seu corpo se retesou. Para entrar rapidamente, tentou as outras portas que não tinha checado, mas todas estavam trancadas. Sem opção, foi para o outro lado…
Pá!
No momento em que Yurij tentava se mover, entre os trovões ressoou um pequeno disparo. Ao som de uma pistola com silenciador, Yurij ergueu a cabeça para procurar de onde vinha. Era do outro lado do segundo andar.
Já não havia tempo para ser cuidadoso. Sacou a pistola que Alexei lhe deu e bateu com força na janela com o cabo. Assim que viu os cacos de vidro caindo para dentro, ele também entrou na casa. Mal pisou no piso de madeira, o telefone de Yurij tocou de novo. Naquele momento ele não tinha nem alguns segundos para ligações, então tentou desligar a vibração, mas na tela apareceu um número não salvo. Era o número de Cheriot.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake