Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.5 Online


Modo Claro

5. Medovik (Parte 5)

Graças ao trabalho ter sido por perto, o caminho até Cheriot não era longe. Logo apareceu a trilha da mata que levava à cabana, e Yurij estacionou o carro por perto. Depois de guardar sua própria pistola e a que tinha tirado de Marty na cintura, caminhou com passos pesados até a margem do lago.

Como a cabana de Cheriot ficava perto do lago, teve a oportunidade de se lavar. Achava que Cheriot se assustaria se ele entrasse coberto de sangue, então Yurij se aproximou do lago e estendeu as mãos.

Sobre sua pele pálida, tinha secado e grudado um líquido avermelhado por todos os lados. Talvez enquanto tentava estancar a hemorragia tivesse se sujado de sangue, até nas linhas das palmas. Yurij tentou lembrar onde tinha se machucado. O flanco, e também o pescoço? A dor se misturava daqui e dali, dificultando encontrar a origem.

Pensativo, tirou o casaco por um instante e limpou o sangue que via. Ao menos usava calça preta, isso era um alívio. Se tivesse usado um jeans, estaria arruinado com o sangue que tinha escorrido da cintura.

«Por isso roupa preta é confortável.»

Yurij pensou de novo que branco não lhe caía bem. Talvez fosse por usar uma roupa que não combinava com ele. Tinha arruinado a roupa que queria usar com cuidado e devolver. Doeu-lhe que o tecido branco como a neve tivesse se tingido de vermelho escuro. Não tanto quanto quando viu Alexei sofrendo até quase a morte por Valery, mas doeu de maneira parecida.

Com expressão amarga, levantou-se e trouxe a camisa de Cheriot que tinha dobrado no banco de trás. Parecia-lhe um ato terrível devolvê-la assim, e queria lavá-la um pouco na água para tirar um pouco do sangue. Enquanto mergulhava cuidadosamente a camisa no lago e a esfregava, Yurij viu com desânimo o sangue se espalhar por toda a peça e a tirou.

O preço de um breve descuido foi alto. Depois de torcer com força a roupa molhada, Yurij voltou ao carro. A sensação do casaco tocando sua pele úmida piorou seu estado de espírito, mas ao pensar que logo veria Cheriot, sentiu-se melhor.

«Quero te ver logo.»

«Se eu te ver sorrir… sinto que vai ficar tudo bem.»

Embora fosse precisar se esforçar para fazê-lo sorrir, esperava que a cerveja ajudasse. Pegou o pacote de cervejas que tinha deixado no banco do passageiro, depois, se preparando para qualquer eventualidade, recarregou sua pistola, trancou as portas do carro e começou a caminhar. Embora fossem deixar aquele lugar em breve, poderiam ter colocado um GPS no carro roubado, então por segurança o deixou estacionado longe.

Depois de caminhar uns dez minutos, finalmente viu uma luz. Ao ver as janelas da cabana brilhando com um tom vermelho escuro, um leve sorriso se formou no canto dos lábios de Yurij. Enquanto se apressava em direção à cabana, descobriu um veículo desconhecido estacionado a pouca distância.

«…O que é isso?»

Com uns olhos azuis e frios dos quais tinha desaparecido qualquer traço de alegria, Yurij esquadrinhou o carro. A placa estava registrada em Alberta[2], e o modelo era um Toyota RAV4 preto, o mais comum no Canadá. Não sentia o mesmo pressentimento sinistro de antes, mas de todo jeito não era um bom sinal.

As únicas pessoas previstas para vir eram os seguranças que Cheriot tinha chamado, e ainda não era a hora. Sua pele se arrepiou e seu coração começou a bater rápido. Então, era alguém da família de Cheriot? E se fosse a pessoa que tinha ordenado tudo aquilo?

Suas mãos e pés esfriaram. Atrás dele, lembranças escuras e frias do passado o assaltaram. O caos que presenciou ao abrir a porta ao voltar para casa como sempre. As pessoas arrastando sua mãe e seu pai. E o que aconteceu depois…

Sua garganta se fechou e sua cabeça girou. Movendo a mão momentaneamente paralisada, sacou e segurou sua pistola, respirando fundo à força para recuperar a compostura. «Não pode ser. A pessoa que quer matar o Cheriot não sabe exatamente onde ele está em Big Fox. Se soubessem o endereço, teriam mandado aqueles caras pra cabana faz tempo.»

«Então vai ficar tudo bem.»

«Por favor, por favor, que não tenha acontecido nada. Se não, se eu perder de novo diante dos meus olhos a pessoa que quero proteger, eu…»

Arregalando bem os olhos, conteve a respiração e os passos, e se aproximou da cabana com cautela. À medida que se aproximava, viu a armadilha que tinha colocado na janela. Não havia sinais de alteração. Isso significava que ninguém tinha entrado à força pela janela. A porta da frente também não estava arrombada.

Depois de esquadrinhar rapidamente os arredores da cabana, Yurij decidiu não abrir a porta da frente, mas contornar até a janela coberta pela cortina e entrar por trás. Ao dobrar a esquina, o cheiro de cigarro o atingiu em cheio e, ao perceber a fumaça, Yurij ergueu a arma e apontou para alguém.

—Ai, meu Deus.

A figura velada pela fumaça do cigarro soltou um suspiro curto e ergueu as duas mãos. A voz era de mulher.

—Que alvoroço é esse? Eu só saí pra dar uma volta perto do lago e fumar. Você é o rapaz que mora aqui? Se recebe os vizinhos desse jeito, pode ter problemas.

Uma voz madura, que beirava a meia-idade.

Diante daquela voz que jamais esperava escutar num lugar como aquele, Yurij retirou ligeiramente o dedo que estava sobre o gatilho.

E enquanto Yurij hesitava um instante pela situação inesperada, a cinza de cigarro saltou e ardeu em sua pálpebra. Mal franziu os olhos pelo corpo estranho inesperado, um som seco ressoou em seguida. Sentiu o chão afundar sob seus pés e compreendeu seu erro. Aquele som só se escutava ao carregar uma espingarda.

—Não comete o erro bobo de baixar a guarda só porque eu sou uma mulher mais velha, jovem segurança.

Aos poucos a fumaça se dissipou e revelou a identidade da pessoa estranha escondida nela. Yurij observou os movimentos da outra sem deixar escapar nem um suspiro. Exatamente como tinha antecipado, o cano da espingarda apontava para seu peito. Um impacto naquele lugar teria sido mortal.

—Se você vai proteger o nosso Cherry, não pode se confiar por tão pouco.

A mulher pronunciou o apelido Cherry com um tom pausado. Ao perceber o carinho naquele nome, Yurij compreendeu que a outra pessoa não era uma inimiga. Seu rosto, que tinha decidido estourar a cabeça da outra mesmo que morresse por um tiro de espingarda, foi relaxando gradualmente, e a espingarda que o apontava também baixou lentamente. Yurij também baixou sua pistola.

A mulher que fumava lá fora era, como sua voz sugeria, uma mulher de meia-idade. Talvez um pouco mais velha que isso. Sua vestimenta era peculiar e tornava difícil precisar sua idade exata.

Tinha o cabelo descolorido, longo e ondulado, que caía sobre os ombros, e usava uma jaqueta azul e uma calça preta estilo bootcut. Na cintura portava um coldre e sobre sua camisa branca brilhava um pingente dourado. Seu rosto, marcado por rugas, era inexpressivo e tinha a boca fechada numa linha reta que denotava teimosia.

Yurij de algum modo intuiu quem ela era.

—A senhora é a Dolly?

—Oh.

Dolly desenhou um sorriso de curiosidade sobre seu rosto inexpressivo. Era um sorriso travesso, como de uma avó brincalhona.

—O Cherry falou de mim? Isso é interessante.

—…O Cheriot está bem?

Dolly observou em silêncio o estado de Yurij. Depois de esquadrinhá-lo com uma expressão significativa, assentiu com a cabeça.

—Está em casa chorando porque o segurança dele foi embora e não volta.

Depois apontou com o queixo para as cervejas que Yurij segurava.

—Também está esperando por isso.

«Ah, que alívio.» Assim que pensou que ele estava a salvo e que tudo continuava como sempre, o semblante de Yurij se iluminou. Ela, que vinha observando fixamente como seus duros olhos azuis se suavizavam, desarmou o corpo da espingarda, descarregou-a e a pendurou no ombro. Ao passar ao lado de Yurij com passos pesados, Dolly falou com voz monótona.

—Entra. O Cherry está te esperando.

Era exatamente o que Yurij queria. Assim que recebeu a permissão, seguiu a mulher guardando sua pistola. Enquanto a observava abrir a porta da frente com passo despreocupado, Yurij supôs que a mulher tinha levado esse tipo de vida por muito tempo. A espingarda que ela carregava era um velho modelo de dois canos. Um artefato rude, antiquado mas com um poder letal proporcional.

Assim que a porta se abriu, a voz de Cheriot ressoou.

—Dolly, você viu se o Yurij está chegando?

Então Dolly, que estava escondida atrás da porta, arqueou as costas para trás e deu uma espiada furtiva em Yurij. Ao cruzarem os olhares, ela franziu o cenho na direção do interior como se perguntasse o que ele fazia. Sob a luz clara, ele pôde ver que os olhos dela também eram de um azul parecido com o seu. Seu cabelo descolorido provavelmente tinha sido loiro no passado. Talvez fosse ideia dele, mas sua aparência parecia mais europeia que americana.

—O que você tá fazendo?

Quando Dolly falou de trás da porta, Cheriot gritou lá de dentro. —Wolfie?

Ao escutar aquela voz clara, também ficou difícil para Yurij se conter. Fez uma breve inclinação de cabeça para Dolly e se apressou em entrar. A iluminação forte o banhou e o espaço que antes era só escuridão se iluminou de repente. Sentiu que conseguia respirar.

Cheriot, com os braços apoiados no encosto do sofá, olhava para a entrada e, assim que viu Yurij, saltou por cima do sofá e correu até ele.

—Yurij!

Cobrindo a distância de apenas alguns passos, abriu os braços e o abraçou. Dolly, que segurava a porta atrás, arqueou uma sobrancelha ao ver a cena, mas nenhum dos dois teve tempo de prestar atenção nela. Yurij envolveu as costas de Cheriot com a mão que não segurava as cervejas e esboçou um leve sorriso. Ele se desenhou sem que percebesse.

—Desculpa. Te fiz esperar muito.

Diante dessas palavras, Cheriot assentiu e apertou mais forte. Por causa disso, a pressão sobre o ferimento fez com que o sangue, que quase tinha parado, brotasse de repente e escorresse para além da fita adesiva. Yurij o deixou abraçá-lo sem emitir um gemido sequer.

—Achei que tinha acontecido alguma coisa com você, eu tava enlouquecendo. Você não atendia o telefone, e tudo por minha culpa…

—Cherry.

Então Dolly chamou Cheriot. Quando ele ergueu a cabeça, ela disse:

—O seu segurança parece ferido… Por que você não faz o curativo nele primeiro?

—O quê?

Cheriot soltou os braços às pressas, agarrou os ombros de Yurij e recuou. Só então, ao descobrir que Yurij não usava nada por baixo do casaco, seu rosto empalideceu. Com os olhos gelados de tensão, Cheriot começou a inspecionar Yurij lentamente. Seu olhar, que tinha roçado brevemente seu pescoço, parou na fita adesiva que envolvia seu flanco, de onde agora escorria sangue.

—Merda. —Uma breve maldição ressoou e Cheriot agarrou sua mão de repente. Como era sua mão e não seu pulso, Yurij permitiu que ele o levasse para onde quisesse. Dolly observou a cena em silêncio e trancou a porta da frente. Yurij, a quem de qualquer forma isso já preocupava, se sentiu um pouco aliviado por haver ao menos outra pessoa para trancar a porta.

Cheriot ficou calado. Com uma expressão grave, como se ele mesmo estivesse ferido, fez Yurij se sentar no sofá e depois caminhou até a cozinha para abrir a gaveta ao lado da pia. Apareceu um velho kit de primeiros socorros, que parecia estar ali havia tempos.

Enquanto observava fixamente o vermelho desbotado, Cheriot se aproximou e se sentou diante dele e, com mãos cuidadosas, tirou-lhe o casaco. Quase nunca tinha deixado que inspecionassem seus ferimentos num lugar tão iluminado, por isso se sentiu constrangido. Também lhe pesava o olhar de Dolly, que observava suas costas com intensidade. Sabia que, embora Cheriot não notasse, para os olhos dos outros suas cicatrizes não eram algo que se pudesse ignorar.

Notas

[2] As placas de Alberta, uma província do Canadá, são conhecidas pelo design com fundo rosa-claro e o slogan «Wild Rose Country» (País da Rosa Silvestre).

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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