Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.3 Online

5. Medovik (Parte 3)
O trajeto que deveria levar vinte minutos se estendeu por quase uma hora dando voltas. Nesse meio-tempo, lá fora o sol tinha caído para o oeste, escurecendo a paisagem, e o caminho se tingiu de preto a ponto de não se ver nada sem depender dos faróis do carro. Tinha a sensação de abrir caminho através da escuridão.
No entanto, além da escuridão, a estrada sinuosa estava tranquila. Uma calma incômoda, como se tentasse tranquilizá-lo, preenchia os arredores. Bem quando ele estava prestes a se confiar pensando que realmente não o seguiam, uns faróis acesos brilharam com força vindos de trás.
Era o momento exato em que chegava à entrada do centro de Big Fox. A distância exata de dez minutos da casa de campo de Cheriot. A estrada sinuosa cercada de florestas depois de sair da rodovia. Um pouco mais adiante dali, emergiria um belo lago, junto ao sorriso radiante de Cheriot lhe dando as boas-vindas. Aquele mesmo lago que, com certeza, lembraria o momento em que Cheriot e Yurij se beijaram pela primeira vez.
O veículo que apareceu nesse trecho, de pouco trânsito e poucas pessoas, ideal para se esconder entre as florestas dos dois lados, parecia ter estado esperando por Yurij ali. Dois Fords cinzas. Modelos comuns que se podiam ver em qualquer lugar, sem placa.
Com a mente fria como gelo, Yurij julgou com calma. O cara que ele viu no mercado claramente tinha estado perguntando para confirmar que Cheriot estava ali e, ao vê-lo, pareceu se certificar. Isso significava que sabiam que Cheriot estava em Big Fox, mas não sabiam exatamente onde, e enquanto bisbilhotavam pelos arredores esbarraram nele.
Como se tivessem esperado que Yurij aparecesse, imediatamente começaram a segui-lo. Na estrada de duas pistas, com apenas uma via em cada direção, os dois Fords colados em sua traseira começaram a pressioná-lo aos poucos. Um deles avançou abruptamente para a pista contrária. Bem quando se aproximavam cada vez mais pelo lado esquerdo, prestes a que as carrocerias se tocassem, Yurij girou o volante com força para a direita antes que bloqueassem sua saída.
Iiiiiick!
O som rasgou o ar enquanto os pneus deixavam marcas no asfalto. O para-choque dianteiro do veículo que o seguia bem de perto e o para-choque traseiro do carro de Yurij se chocaram com um estrondoso —bangue.
Mantendo o equilíbrio no carro que sacudia, Yurij dirigiu para dentro da mata. Por não ser um veículo off-road, as rodas chacoalhavam freneticamente, embaralhando sua visão. Ao olhar o retrovisor, viu que o carro que estivera ao seu lado agora o perseguia bem de perto.
A mata que cercava Big Fox não era tão extensa, por isso havia pouco espaço entre as árvores. Um erro e ele poderia se espatifar contra uma árvore e morrer. Mas Yurij tinha uma visão excepcionalmente boa no escuro. Abrindo caminho através da mata escura onde os faróis não iluminavam, notou que mais adiante havia um pequeno barranco que dava direto no lago.
Ao dar uma olhada para trás, viu que a distância tinha diminuído muito. Ao confirmar isso, Yurij acelerou ao máximo e continuou reto. O perseguidor também aumentou a velocidade seguindo-o e, pouco antes de o lago aparecer, Yurij girou o volante bruscamente para a esquerda com todas as suas forças.
Seu carro, girado de forma abrupta, bateu de lado contra uma árvore grande, produzindo um estrondo violento antes de parar. A lataria do lado direito ficou completamente destroçada e a janela se estilhaçou. Para evitar os cacos de vidro que voavam em direção ao seu rosto, fechou os olhos por um instante e pisou no freio.
O carro que seguia Yurij caiu de cabeça para baixo. O som de um impacto seco e de metal se destroçando ressoou no ar quando o carro se espatifou em ângulo reto contra o limite da margem. Não demorariam a descobrir que houve um acidente ali.
—Aah…
» Ufa…
Um fôlego áspero escapou de sua garganta. Por não ser um impacto frontal, os airbags não se abriram. Graças a isso ele conseguia se mexer, mas ao girar o volante com força tinha batido na janela esquerda, deixando seu ombro deslocado para a frente.
Cerrando os dentes, soltou o cinto de segurança e abriu a porta do motorista com a mão direita. O carro estava tão amassado contra a árvore que não parecia possível dirigi-lo até a cidade.
Yurij, que conseguiu sair com dificuldade do carro inclinado, esquadrinhou os arredores. Eram dois, então restava um. Ao longe viu uns faróis se aproximando. Parecia que tinha ficado para trás, incapaz de manter a velocidade.
«Tenho que cuidar desse também.»
Prendendo a respiração, verificou mais uma vez a pistola na cintura e depois se apoiou brevemente contra a lataria com os quadris. «Tanto o deslocamento do ombro quanto tudo isso… faz um tempo.» Enquanto murmurava consigo mesmo, completou uma breve respiração profunda, esticou o braço esquerdo de onde subia a dor, levou a mão direita às costas e de um puxão puxou seu pulso esquerdo.
Crac.
O som do osso se encaixando e uma dor surda se expandiram por seu ombro. Os músculos de seu maxilar afiado se retesaram marcando as veias.
…Aaah.
Depois de engolir um gemido, sacudiu o suor frio que perolava sua testa.
«Só com isso já me sinto exausto, meu estado está um pouco pior que o habitual.»
«Parece que eu envelheci mesmo. Ou talvez tenha vivido confortável demais.»
Bem quando sua escápula voltava ao lugar, a luz de uns faróis parou mais adiante. Ao ver apenas os rastros deixados por Yurij e pelo outro carro, sem mais nada à vista, o perseguidor que tinha estacionado saiu e chamou o companheiro.
—Vince! Cadê você? Achou o desgraçado?
Era a mesma voz de antes. Aquele cara que andava por aí feito um rato, desenterrando informação. Parece que, em vez de liderar nos assuntos perigosos onde o sangue voa, ele prefere enfiar um pé com segurança na água. Yurij sacou a arma da cintura, agachou-se e, escondendo-se na escuridão, dirigiu-se lentamente até o homem.
Aprendeu a se mover em silêncio na mata quando estava junto de Igor. Quando o outono se aproximava, ele costumava levar seus subordinados para caçar e lhes ensinava a se deslocar pela mata para que os animais não pudessem escapar daqueles desgraçados. Quem diria que a maldita marca que aquele bastardo deixou seria tão útil quanto hoje.
Seus olhos, já completamente adaptados à escuridão, detectavam com facilidade as folhas secas e os galhos quebrados espalhados no chão. Evitando-os, apoiava a ponta do pé no chão e baixava lentamente o calcanhar, repetindo o processo enquanto se aproximava em silêncio do homem. O cara que ele tinha visto no mercado tinha mais um companheiro. A porta do motorista se abriu e um homem com voz nervosa o chamou.
—Marty, cala a boca. Se esse desgraçado tá se escondendo, ele tem que aparecer.
—Que ele apareça seria até melhor. A gente tem que pegar ele e arrancar a localização do alvo.
Yurij já tinha se aproximado a menos de dez passos. Agachou-se atrás de uma rocha entre duas árvores grandes e os observou fixamente. Na cabeça, calculou várias variáveis. O melhor seria que os dois se separassem para procurar, mas se eles se moverem juntos ele teria de se antecipar e derrubar um primeiro.
—Ei, o Vince morreu? Não responde.
—Deixa pra lá. Um a menos, mais parte pra gente.
—Hmm. Seriam 250 mil dólares pra cada um.
Enquanto escutava a conversa vulgar deles, sem traço de camaradagem, Yurij se moveu no momento em que um deles se enfiou brevemente no banco do passageiro. Mirando na panturrilha do homem que olhava para o barranco onde o carro tinha caído, atirou sem hesitar.
—Aaaah!
O disparo ressoou ao mesmo tempo em que o homem que olhava para a frente gritava e caía. No instante em que o homem que tinha entrado no banco do passageiro sacou às pressas sua arma e apontou para onde estava Yurij, este se agachou atrás da rocha.
—Merda…! Marty, me acertaram na panturrilha. Cadê esse desgraçado? Acha ele logo!
—Cala a boca um pouco, você tá fazendo barulho.
A luz de uma lanterna se dirigiu para onde estava Yurij. Parecia que o que ele tinha encontrado no banco do passageiro era uma lanterna. Uma luz branca ofuscante roçou sobre a cabeça dele e chegou até onde estava o carro de Yurij.
—Olha aquilo. Com o estado daquele carro, esse desgraçado também não deve estar ileso. Então para de reclamar do tiro na perna e levanta.
—Filho da mãe.
—No Iraque a gente passou por coisa pior, por que você tá reclamando?
—De quantos anos atrás você tá falando?
Ao ver que se conheciam, pareciam ser do mesmo grupo. Yurij, parado e sentado atrás da rocha mesmo depois que a luz passou, esperou que eles se movessem. —Ugh —com gemidos pelo ferimento de bala, um se levantou mancando com a ajuda do homem chamado Marty.
Sem perder essa oportunidade, Yurij saiu de entre as sombras e mirou em Marty, que estava de pé. Seguindo anos de treinamento, o cano se dirigiu naturalmente para a cabeça, mas parou por um instante.
«Yurij, você não deve mirar na cabeça. Concentra.»
Cheriot disse que não queria que ninguém morresse quando o procurou, e Yurij queria agir como ele desejava. Para que ele não ficasse triste se algum dia soubesse.
Então nem por engano devia mirar no abdômen, no peito ou na cabeça. Até a coxa poderia atravessar uma artéria, então devia incapacitá-los mirando nas panturrilhas ou nos braços para reduzir sua mobilidade.
No breve instante em que tomou essa decisão, o alvo o descobriu. Marty ergueu bruscamente a cabeça e, ao ver o cano apontado para ele, empurrou o companheiro e se agachou para o lado. O disparo de Yurij chegou um segundo tarde.
Bangue! A bala se cravou na porta do motorista. Marty, compreendendo a situação no instante, sacou sua arma e atirou várias vezes na direção de Yurij. Pá, pá! Duas balas se cravaram numa árvore e uma roçou a rocha. A restante roçou o flanco de Yurij. Justamente aquela área com a cicatriz onde Cheriot o beijou e deixou sua marca.
Felizmente, por ser só um roçar, foi um ferimento superficial, mas ele sentiu uma dor ardente que se expandiu rápido. O cheiro de sangue subiu e a camisa branca de Cheriot se tingiu de vermelho. Ao se abrigar de novo atrás da rocha, Yurij se afastou usando as árvores como cobertura, e as balas atingiram o chão perseguindo-o enquanto ele fugia.
—Escondido feito um ratinho.
Com um murmúrio baixo, Marty o perseguiu. Yurij corria rápido enquanto esquadrinhava o chão. Numa mata assim sempre havia raízes propícias para tropeçar. A menos que corresse com visão noturna, era comum cometer erros ao correr atrás de alguém.
Assim que escutou o som de um carregador sendo trocado atrás, Yurij parou um instante, mirou no braço de Marty e atirou. Saíram dois disparos seguidos e sentiu claramente que uma bala se cravou em carne. —Merda. —Um palavrão foi ouvido e as balas voltaram a se dirigir a Yurij.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake