Ler Lamba-me se puder – Capítulo 284 – Extra 58 Online

Sugar Baby
‘Desculpe, Koy… É tudo culpa minha.’
Ashley sabia muito bem.A causa de tudo aquilo era ninguém menos que ele próprio, Ashley Dominic Miller. Se Koy não tivesse conhecido Ashley, jamais teria dado à luz uma sequência de filhos que já nasceram como Alfas. Se eles ao menos tivessem despertado normalmente durante a adolescência, muitos daqueles problemas teriam sido evitados. Mas nem essa sorte tiveram.
Embora carregasse um profundo sentimento de culpa e de dívida para com Koy, Ashley jamais cogitou deixá-lo ir. Para ele, essa opção simplesmente não existia. Restava apenas um caminho. Fazer com que tudo ao seu redor girasse em torno de Koy. Até que Koy estivesse satisfeito. Até que fosse verdadeiramente feliz. Mesmo que isso significasse agir contra os próprios filhos, Ashley não faria exceções.
Não se preocupe. Ninguém conhece melhor essa característica genética do que eu.
Ao recordar o rosto daquele homem que tentava esquecer, Ashley franziu a testa involuntariamente. Em seguida, pensando nos próprios filhos, que se pareciam tanto com aquele homem, começou a planejar, fria e meticulosamente, tudo o que faria dali em diante.
***
Koy recebeu alta uma semana depois. Os empregados da mansão, que o aguardavam ansiosamente, ficaram preocupados ao ver seu rosto abatido e não pouparam palavras de preocupação.
Na verdade, ele poderia ter recebido alta muito antes. Foi Ashley quem insistiu para que permanecesse no hospital. Por causa do longo período de internação, Koy imaginou que Ashley estivesse apenas sendo mais cuidadoso com ele do que o habitual.
— Muito obrigado por se preocuparem comigo. Não foi nada tão grave. Estou bem.
Agradecendo aos empregados, Koy entrou na mansão. Embora tivesse se ausentado por apenas uma semana, por algum motivo aquele lugar parecia completamente diferente do que ele conhecia. Sem conseguir esconder o desconforto, caminhou hesitante.
— Oh…
No instante em que ia colocar o pé no primeiro degrau da escada, alguém o ergueu do chão de repente. Assustado, Koy soltou um pequeno grito. Mas, ao ver o rosto familiar que o observava de cima, soltou um suspiro de alívio.
— Eu consigo andar, Ash.
— Você ainda está doente.
Ashley respondeu em um tom firme, mas gentil, antes de acrescentar:
— Você foi quem insistiu em receber alta quando ainda deveria estar no hospital. Então, desta vez, faça como eu digo. Não se esforce e descanse no quarto, entendeu?
— Sim…
Koy assentiu, embora ainda houvesse algo que o preocupava.
— As aulas já devem ter recomeçado…
— Ano que vem.
Mais uma vez, Ashley interrompeu suas palavras sem hesitar.
— Esse curso acontece todos os anos. Você pode assisti-lo novamente no ano que vem. Como já participou este ano, será até mais fácil entender o conteúdo da próxima vez.
Pensando por esse lado, acabou sendo melhor assim. Não era um argumento errado. Koy não tinha motivos para ter tanta pressa e, como já havia compreendido a direção dos estudos, poderia continuar se preparando sozinho.
Ao vê-lo concordar obedientemente, Ashley sentiu um alívio silencioso.
‘Ele voltou a ser o Koy de sempre. Nada mudou.’
— Quando abrirem as inscrições, minha secretária fará a matrícula imediatamente.
— Obrigado, Ash. Agradeça a ela por mim também.
Mesmo naquele momento, Koy não esqueceu de agradecer à secretária. Ao vê-lo agir assim, Ashley não conseguiu evitar um sorriso amargo.
‘Meu Koy é gentil demais… Não precisava demonstrar tanto carinho até por pessoas que nem sequer ama.’
Apesar daquele pequeno incômodo, Ashley sentia-se satisfeito. Afinal, aquele ser tão adorável era seu. Sorrindo de leve, levou Koy até o quarto, ajudou-o a deitar-se e insistiu mais uma vez para que descansasse antes de sair.
No instante em que a porta se fechou atrás dele, porém, o sorriso desapareceu completamente. Seu rosto transformou-se, como uma máscara, em uma expressão fria e completamente inexpressiva.
Durante a última semana, Koy acreditara que Ashley estivesse indo normalmente para a empresa. Mas não era verdade. Ashley havia tirado licença e passava os dias indo e vindo entre o hospital e a mansão.
Seu objetivo, naturalmente, eram as crianças. Mas não para consolá-las por terem visto Koy ser levado às pressas para o hospital — uma reação comum e esperada de qualquer pai. Ashley não tinha esse tipo de intenção. Havia apenas um objetivo. Impedir que seus filhos voltassem a machucar Koy… ou qualquer outra pessoa.
Ashley jamais alimentou a fantasia ingênua de que aquelas pequenas criaturas mudariam completamente apenas depois de ouvir algumas palavras de repreensão. Para elas, só existia um caminho. Estabelecer regras. Fazê-las obedecer a essas regras. E, caso isso não fosse possível… O método a ser empregado também já estava decidido.
Assim como seu pai, Dominique Miller, fizera.
Ashley Miller sentia que finalmente começava a entender por que o homem que tanto odiava havia chegado àquele extremo.
‘Para o Ashley dele… eu era uma existência perigosa.’
A única pessoa capaz de ajudá-lo a cometer suicídio. Uma ameaça em potencial que poderia libertá-lo e fazê-lo escapar para sempre das mãos de Dominique.
Se Dominique tivesse outro filho de sangue, talvez tivesse matado Ashley. Mas não tinha. Ele era seu único filho restante. Por isso, apesar dos inúmeros riscos, Dominique jamais conseguiu desistir dele até o fim.
É claro que Ashley também compreendia os riscos da decisão que estava prestes a tomar. O estado das crianças poderia piorar. Mesmo assim, pelo menos evitaria o pior desfecho. Como já havia dito a Koy, o cenário mais terrível seria um deles matar alguém e acabar condenado à prisão perpétua ou à pena de morte.
Descendo a escada, Ashley parou ao ver uma pequena figura encolhida no patamar, soluçando baixinho. Era Chase outra vez. Depois de ouvir seu choro por alguns instantes em silêncio, Ashley voltou a caminhar e se aproximou dele.
Absorvido pela própria tristeza, Chase nem percebeu que alguém se aproximava. Só levantou a cabeça ao ouvir os passos. Para conseguir olhar o rosto do homem adulto de mais de dois metros de altura, precisou inclinar a cabeça o máximo que pôde para trás.
— Levante-se.
Com as duas mãos nos bolsos do sobretudo, Ashley falou em um tom seco.
— Não chore na escada. Você tem seu quarto. Vá chorar lá.
Os olhos que o encaravam, vazios por um instante, logo voltaram a se encher de lágrimas. Mesmo deixando as lágrimas escorrerem sem parar, Chase levantou-se cambaleando e começou a subir a mesma escada pela qual Ashley acabara de descer.
— Foi o Grayson, não foi?
Ashley perguntou em voz baixa. Chase parou e olhou para ele. Mesmo estando vários degraus acima, a diferença de altura entre os dois continuava praticamente a mesma. Olhando para o filho, Ashley continuou:
— Pelo visto, ele e Stacey estão exagerando nas brincadeiras. Vou chamar a atenção deles.
Chase permaneceu imóvel, sem dizer uma palavra. Havia apenas uma coisa que ele queria. Queria que o pai o pegasse no colo… E o consolasse. Mas Ashley permaneceu exatamente onde estava. Com as duas mãos ainda enfiadas nos bolsos do casaco, sem fazer o menor movimento.
— Os Alfas não conseguem sentir emoções, Koy.
Essas palavras também se aplicavam ao próprio Ashley. Já fazia muito tempo que Ashley não sentia absolutamente nada diante de coisa alguma. Não conhecia a beleza. Nem a alegria. Nem a tristeza. Seu coração endurecera como uma pedra, limitando-se apenas a continuar batendo no mesmo ritmo, como um simples instinto. A única pessoa por quem Ashley ainda era capaz de sentir alguma coisa era Koy. Nem mesmo seus próprios filhos eram exceção.
Mesmo olhando para aquela pequena e frágil vida, com o rosto completamente coberto de lágrimas, Ashley não sentia absolutamente nada. Mas isso não importava. Quando essa criança despertasse, acabaria se tornando igual aos outros. Toda aquela tristeza. Toda aquela dor que agora o fazia desmoronar. Ele esqueceria tudo isso. Por isso… não havia problema.
Essa convicção de Ashley tornou-se uma certeza absoluta quando um garoto que costumava andar frequentemente com Grayson tentou matar o próprio irmão mais novo e fracassou.
‘Por que uma criança tão dócil faria uma coisa dessas?’
Quando descobriu o que realmente havia acontecido — graças à típica crença cega que os pais costumam depositar nos próprios filhos — Ashley não sentiu choque algum. Apenas pensou:
‘Era inevitável. Mais cedo ou mais tarde isso aconteceria.’
E a medida que tomou também não foi diferente da de antes. Quem não entende palavras não é diferente de um animal. Mesmo que fosse necessário impor à força, eles precisavam aprender. Aprender o que podiam fazer. E, principalmente, o que jamais deveriam fazer.
***
Naquele dia, Ashley voltou para casa no horário de sempre. Assim que entrou na mansão, percebeu que havia algo estranhamente diferente no ambiente. Logo descobriu o motivo. Ao ver seu terceiro filho com os dois olhos tão inchados de tanto chorar, Ashley pensou:
‘De novo?’
Sempre que algo acontecia, Chase aparecia chorando daquele jeito para desabafar. Dessa vez, ele ainda não tinha dito nada, mas Ashley já sabia exatamente o motivo. Provavelmente Grayson ou Stacey tinham feito alguma coisa com ele outra vez.
Ashley conteve um suspiro antes de erguer os olhos e encarar o filho.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can