Ler Lamba-me se puder – Capítulo 283 – Extra 57 Online


Modo Claro

Sugar Baby

 

— É que… então…

Koy hesitou por um instante antes de finalmente abrir a boca. Por onde devo começar? Enquanto ele ainda pensava, Ashley pressionou novamente:

— Eu disse para contar tudo.

— Eu sei… Vou contar…

Encolhendo os ombros, Koy desviou o olhar e começou em voz baixa, começando desde a visita de Ariel à mansão e contou tudo, nos mínimos detalhes. Ashley apenas ouviu em silêncio. A história era longa e cheia de detalhes, suficiente para deixar qualquer um impaciente, mas ele não interrompeu Koy nem uma única vez. Era como se estivesse deixando claro que, se Koy tentasse omitir ou suavizar qualquer parte da história, não deixaria passar. Por isso, mesmo constrangido, Koy acabou relatando absolutamente tudo o que havia acontecido.

— …Foi isso.

Quando terminou aquele longo relato, lançou um olhar discreto para Ashley, tentando ler sua expressão. Ashley permaneceu sentado com o mesmo semblante sério de antes. Mesmo depois de ouvir toda a história, continuou em silêncio, perdido em pensamentos.

Observando seu rosto na tentativa de descobrir o que ele estava pensando, Koy reuniu coragem para falar:

— Ash… O Grayson ainda é muito pequeno, então…

— Koy.

Antes mesmo que ele chegasse ao ponto principal, Ashley o interrompeu. Assustado, Koy se enrijeceu e assentiu às pressas.

— S-sim… ah…

Observando-o com uma expressão fria, Ashley finalmente declarou:

— De agora em diante, toda a educação das crianças ficará por minha conta. Você não vai mais se envolver nisso. Nem chegue mais perto delas.

No mesmo instante, o rosto de Koy perdeu completamente a cor. Era evidente que ele jamais imaginaria ouvir aquelas palavras. Mas a expressão de Ashley não mudou nem um pouco.

— M-mas, Ash…

Koy tentou dizer alguma coisa às pressas. Ashley o interrompeu novamente.

— Me escuta, Koy. A sua opinião não é necessária. Apenas faça o que eu estou mandando. Entendeu?

Até então, Koy sempre respondia com um simples “sim” e concordava com um aceno de cabeça. Da mesma forma, Ashley jamais havia recorrido a palavras tão autoritárias para esmagar a vontade de Koy. Mas, desta vez, nenhum dos dois podia recuar.

— Ash, isso é demais. É um absurdo. Eu sou o pai deles. Como eu poderia deixar de ver as crianças? Você sabe… elas são tão preciosas para mim…

— Chega.

Mais uma vez, Ashley o interrompeu antes que pudesse terminar.

— Você não consegue lidar com eles. Isso é responsabilidade minha. Se continuar assim… um dia você pode acabar morrendo.

Ao pronunciar a palavra “morrer”, sua voz vacilou quase imperceptivelmente. Só de recordar Koy perdendo a consciência diante de seus olhos, Ashley sentia o coração ser consumido pela angústia.

‘Se isso acontecer outra vez… e, pior ainda, se for um dos meus próprios filhos quem cometer um ato…’

‘Desta vez… eu realmente vou matá-lo.’

— Ash… Há muitas pessoas na mansão. Desta vez foi um descuido meu. Se daqui para frente eu prestar mais atenção…

— Koy. Se deixarmos aqueles monstros como estão, um dia eles vão matar alguém e acabar na prisão. É isso que você quer? Quer ver nossos filhos sendo condenados à morte?

Na verdade, a pena de morte já foi substituída por injeção letal em muitos estados, e até isso está em declínio. Mesmo assim, Ashley escolheu deliberadamente aquelas palavras. Sabia que aquele modo de dizer teria muito mais impacto sobre Koy.

Como esperado, o rosto de Koy empalideceu completamente. A ideia de os filhos receberem uma sentença dessas parecia aterrorizá-lo muito mais do que o fato de ele próprio quase ter morrido. Aquilo fez a raiva de Ashley aumentar ainda mais.

— Mas, Ash… Nem todos os Alfa dominantes são assim. Então, se nós começarmos a educá-los desde agora…

— Koy. Koy! Koy!

Por fim, Ashley gritou o nome dele repetidas vezes. Assustado, Koy retesou o corpo. Controlando a fúria com muito esforço, Ashley falou em um tom duro:

— Isto não é um pedido, Koy. É uma ordem.

Ele o encarou fixamente antes de continuar:

— Se você não obedecer… eu comprarei uma ilha e isolarei todos aqueles monstros lá. Dez anos… vinte anos… ou pelo resto da vida, até morrerem.

Sua voz tornou-se ainda mais fria.

— Dez anos… vinte anos… ou pelo resto da vida, até morrerem. Vou mantê-los presos lá. E nunca mais vou permitir que apareçam diante de você.

Os olhos de Ashley estavam tomados por uma intenção assassina. Parecia realmente disposto a fazer exatamente o que dizia. Diante daquela determinação implacável, Koy já não conseguia mais tentar convencê-lo. 

Dominado pela pressão, permaneceu completamente em silêncio. Sua expressão deixava claro que toda a sua resistência havia se quebrado. Mas isso ainda não bastava para Ashley. Num tom ainda mais ríspido, ele voltou a pressioná-lo.

— Está entendido? Responda.

No fim, Koy não teve outra escolha senão ceder. Baixando a cabeça, murmurou em voz baixa, com uma expressão abatida:

— Entendi…

Um silêncio pesado caiu entre os dois. Ashley finalmente conseguiu arrancar a resposta que queria, mas isso não significava que se sentisse melhor. Afinal, Koy havia aceitado, então, ele não queria magoá-lo ainda mais. Controlando a raiva, Ashley suavizou a voz e tentou acalmá-lo.

— Cada criança precisa de um tipo diferente de disciplina. Eu só vou assumir aquilo que você não consegue fazer. Não estou dizendo que você nunca mais vai poder vê-los. É apenas por enquanto. Quando as crianças aprenderem a distinguir o que podem e o que não podem fazer, você poderá se aproximar delas o quanto quiser. Entendeu?

Koy permaneceu em silêncio por alguns instantes. Então, mantendo a cabeça baixa, respondeu baixinho:

— Sim…

‘Você voltou a ser o meu bom Koy.’

Pensando nisso, Ashley beijou-lhe a testa.

— É só por enquanto. As crianças crescem rápido. Logo vão entender.

— Sim… Eu também acho.

Era apenas uma pequena esperança, mas bastou para que o semblante de Koy se iluminasse um pouco. Ashley sorriu suavemente e afastou delicadamente uma mecha de seu cabelo. Foi então que Koy, depois de hesitar por um instante, perguntou com um olhar suplicante:

— M-mas… eu posso pelo menos conversar com o Chase de vez em quando, não posso? Ele ainda não despertou, seus olhos ainda são azuis…

— Koy.

— O Chase ainda é muito pequeno. Ele é diferente dos outros. Ontem ele chorou tanto… Fiquei com tanta pena dele que eu…

Enquanto Koy tentava convencê-lo, Ashley soltou uma frase inesperada:

— Nathaniel veio me procurar.

A notícia repentina fez Koy erguer a cabeça, surpreso. Ashley continuou, com o rosto frio:

— Ele disse que precisava de um jeito de liberar os feromônios. Bernice lhe informou a data de uma festa, então ele deve ter ido. Quando voltou, estava completamente impregnado de feromônios alheios.

Ashley fez uma breve pausa antes de concluir:

— Claro… você não percebeu absolutamente nada.

Koy ficou completamente sem reação. Abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando dizer alguma coisa, mas o choque era tão grande que nenhuma palavra lhe vinha à mente.

— Então… isso aconteceu…

— Sim.

Ao ouvir a resposta hesitante de Koy, Ashley confirmou prontamente.

— As crianças estão crescendo muito mais rápido do que imaginávamos. Em breve, Chase também vai despertar. E, naturalmente, ele também precisará da mesma educação que os outros.

Será…?

Koy não tinha certeza. Mas também não havia como contestar Ashley. Afinal, quando o assunto era a própria característica genética, Ashley, por ser um Alfa dominante, certamente entendia muito mais do que ele.

— Koy… você sabia que nossos filhos praticamente não têm expressões faciais?

— Hã…?

Diante da pergunta repentina, Koy voltou a gaguejar. Quando Ashley o encarou, ele rapidamente organizou os pensamentos e tentou se lembrar.

— É… eu já tinha percebido um pouco… Mas como o Nathaniel também era assim… achei que fosse por causa da característica genética…

— É por causa da característica, sim.

Ashley respondeu friamente.

— Infelizmente, Koy… nossos filhos não conseguem sentir emoções. Se for feito um exame cerebral neles, talvez seja descoberto que a parte responsável pelas emoções simplesmente não funciona. Não há o que fazer. Eles nasceram assim, como Alfas dominantes.

O rosto de Koy empalideceu completamente.

No entanto, sua expressão não era de choque total Ao observá-lo, Ashley percebeu que, no fundo, ele já estava preparado para ouvir aquilo.

‘Faz sentido… Ele passa quase o dia inteiro com as crianças. Seria impossível não ter percebido.’

Pensando nisso com amargura, Ashley continuou:

— Mesmo quando sorrimos ou ficamos com raiva, eles provavelmente não entendem o significado disso. Não sabem por que alguém sorri, nem por que alguém se irrita. Por isso, precisamos ensiná-los. Se eles não conseguem sentir emoções… então terão de aprender, pelo menos, a fingir que sentem.

— …Será que isso é possível?

Koy perguntou com pouca convicção. Ashley respondeu firmemente:

— Temos que tornar isso possível.

Em seguida, suavizou um pouco a voz, como se estivesse tentando tranquilizá-lo.

— Não se preocupe. Como eu disse antes, isso não vai demorar muito.

— Eu confio em você, Ash.

Com esforço, Koy abriu um pequeno sorriso. Ao ver aquele sorriso tentando esconder a decepção e a tristeza, o coração de Ashley apertou.

 

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Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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